15 de agosto de 2012

NOTA DO BLOG - LIVRO CORPO AO EXTREMO – A NOVA FACE DE UMA CULTURA MODIFICADA’


Modificação corporal em São Paulo ganha destaque em livro lançado durante a Bienal 2012

‘Corpo ao Extremo – A nova face de uma cultura modificada’ é o primeiro a abordar o assunto em formato de reportagem no Brasil

No dia 11 de agosto durante a Bienal do Livro, evento realizado na capital paulista, um livro-reportagem inédito e focado na modificação corporal do mundo contemporâneo teve espaço no estande da editora In House. Intitulada Corpo ao Extremo – A nova face de uma cultura modificada, a obra pode ser considerada a primeira do gênero a abordar jornalisticamente a cena da modificação corporal 'extrema' no Brasil, e mostra um pouco do cotidiano, como são vistas e como se sentem as pessoas que alteram seus corpos por meio de intervenções levadas a um nível mais extremo do que os já conhecidos e popularizados piercings e tatuagens.
O mundo da body modification, que abrange diversas técnicas - algumas resgatadas de povos primitivos e outras criadas mais recentemente, como é o caso dos implantes subcutâneos, escarificações e bifurcações de língua, vistos com certa rejeição pela sociedade atual - é ilustrado e explicado durante a abordagem.
O livro, que reúne quase 30 entrevistas desde médicos e psicólogos, até alguns dos principais profissionais da modificação corporal, enfatiza não somente a questão do preconceito, dando lugar também a discussões ligadas à religião, saúde e história.
Com foco principalmente na capital paulista, abrangendo algumas cidades da região metropolitana e interior do Estado, Corpo ao Extremo – A nova face de uma cultura modificada dá voz a entrevistados brasileiros, modificados ou não e familiarizados de alguma forma com as técnicas de alteração corporal.

UMUNDUNU - "SE A OPORTUNIDADE FAZ O LADRÃO...

A oportunidade também faz a prostituta.”

Julgar é errado... Já diziam os ensinamentos da Igreja Católica. “Vender o corpo é pecado...” Dizem os padres e pastores em seus sermões e cultos. Independente de crença ou da religião é necessário ponderar os atos do trabalho de alguém antes de dizer se certo ou errado. Fato, é que assim como existem aqueles que roubam por necessidade ou ganância – e convenhamos que este não é o caso apenas dos ladrões de rua – a garota de programa também tem suas ambições e vontades.

O sexo cobrado é visto como indigno, mas a realidade das prostitutas não é diferente de outros trabalhadores. Desde aquela menina que não conseguiu emprego após uma passagem pelo presídio, até a burguesinha de 18 anos que não se contenta com o dinheiro do papai, todas estão atrás daquilo que o mundo inteiro deseja: dinheiro.

Seu nome na noite é Micaela. Loira de olhos esverdeados. 24 anos bem distribuídos em seios fartos e curvas marcantes. O tipo de mulher de personalidade forte que não precisa de alguém dizendo o que fazer e como levar sua vida.

Sua vida é o que podemos chamar de dupla. Em casa, com a família, *Carina é conhecida por seu nome de batismo e se comporta de uma maneira completamente diferente. Sua mãe, sua filha adotada e seu namorado nem imaginam que ganha dinheiro com o sexo. Desde que começou a se prostituir ela esconde possíveis marcas no corpo, roupas de trabalho, e diz ser garçonete em uma boate. Pela família, tudo bem. Carina se mostra independente desde os 16 anos, quando saiu de casa, e nunca deu abertura para bisbilhotagem. Por outro lado, a desconfiança do namorado já foi palco de inúmeras brigas, a ponto de tentar segui-la.
No trabalho, Micaela sai para brincar. É obrigada – pelos espinhos do próprio trabalho – a libertar seus instintos mais “selvagens”, assim digamos. Aí ela mostrar aos homens tudo o que tem de bom e torce para que eles a escolham para mostrar tudo o que sabe fazer. Para garantir seu pão, roupas e salão de beleza de cada dia, ela e as outras garotas de programa devem literalmente chamar a atenção de todos os homens do recinto.

Às terças-feiras Micaela chega ao prostíbulo por volta das 14 horas.
Come e descansa – afinal, as prostitutas também têm necessidades físicas – e começa a se arrumar para a noite. Se necessário vai ao cabeleireiro, faz depilação, unhas, maquiagem... Todas estas pequenas coisas que fazem a diferença na vida de qualquer mulher. Neste caso, as pequenas coisas tornam-se essenciais: trabalhar com o corpo exige que o impacto seja grande e causado quase completamente pela beleza. Os 10% que restam são fruto de conversa e relacionamento amigável com o cliente. Mas na verdade, todos eles vão atrás mesmo é daquela menina na casa que mais lhe atrai.

Por volta das 8 da noite ela e as outras meninas descem para o salão e aguardam o início do expediente. Às 9 horas os clientes começam a chegar. Bebida faz parte do cotidiano. Algumas delas – incluindo Micaela – afirmam que o álcool é essencial para que a coragem apareça. Outras preferem a cocaína. De qualquer maneira, é preciso esfriar a cabeça antes de enfrentar o que virá pela frente. Nos dois ou três programas que costumam fazer em uma noite, nem sempre os clientes são bonitos, cheirosos e bem vestidos. Pelo contrário: em sua maioria, são homens com mau hálito, poucos dentes, ou velhos e barrigudos; daqueles que gostam de importunar menininhas na rua e sempre estão caindo na sarjeta às 5 da manhã. Mesmo quando tem interesse em pagar bem, são estes caras que incomodam.

Nos outros dias, até sexta-feira, a rotina continua a mesma: café ou almoço e conversa com as meninas, salão de beleza, descanso e expediente na boate. Aos finais de semana, Micaela vai para casa e vira Carina novamente. Aproveita os momentos com a família, sai com o namorado, curte sua filha pré-adolescente e seus amigos. Ninguém sabe o que ela faz. O preconceito certamente tomaria conta da cabeça de muitos conhecidos e familiares. Carina tem certeza que a discriminação não está apenas nas ruas, mas também dentro de sua própria casa, onde sua profissão seria considerada inaceitável. Quando questionada sobre o que faz se alguém insinua que é garota de programa, ela afirma ignorar: “Ninguém viu, ninguém tirou foto? Então não podem falar que eu sou”.

Segundo Micaela e as outras garotas da boate, o prostíbulo pode ser comparado a uma cadeia feminina. São muitas mulheres diferentes em um lugar só. Todas têm o mesmo propósito, mas nem sempre as relações são amigáveis. A lei da sobrevivência faz com que algumas não entendam a importância de ser igual às outras meninas ali dentro, e as brigas podem acontecer a qualquer momento. “A única diferença, é que aqui tem macho. Cadeia não tem”, afirma *Fernanda, outra menina que trabalha no local.

“Conheço gente que fala mal de garotas de programa que sustentam marido na cadeia. Apesar de não dizer que sou, eu sempre defendo quando ouço. Afinal: se a oportunidade faz o ladrão... A oportunidade também faz a prostituta”, comenta Fernanda.

Sobre a violência, Micaela deixa claro que, apesar de ilegal, o prostíbulo é o único lugar que gera proteção às meninas da noite: “É normal o homem xingar na cama e as mulheres fazerem barulho. Mas aqui dentro, se em algum momento os gemidos se tornarem estranhos existem seguranças de prontidão para socorrer. Por esta razão e pelo pagamento que é feito pelo cliente antes de ir para o quarto, eles não tentam nada contra nós. Quem sofre mais com a violência são as garotas que ficam na rua”, conta.

As ambições e objetivos de Carina e Micaela se unem. Ela quer continuar por mais alguns anos e ter condições suficientes para cursar Direito e se especializar na área criminal. Além disto, está prestes a realizar um de seus maiores sonhos e motivo principal para entrar na noite: comprar uma casa. Se o dia não é bom, ela simplesmente segue em frente. “Como qualquer pessoa lá fora, a gente dorme na esperança do dia seguinte”, desabafa.

*Carina – nome fictício para ilustrar o verdadeiro de Micaela.
*Fernanda – nome fictício da outra garota de programa.

Crédito da imagem: Cellar Fcp


Colaboração de Nathalia Abreu
(nathaliaabreu.blogspot.com)

2 de agosto de 2012

NOTA DO BLOG - LANÇAMENTO DO LIVRO "JORNALISMO: O PAPEL DO CANUDO DE PAPEL"

No dia 17 de junho de 2009, por 8 votos a 1, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) derrubaram a exigência da obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalista. Este fato, desde sua eclosão no organismo social, tem repercutido numa profusão de opiniões que, incontestavelmente, vêm recrudescendo os debates em busca de uma visão esclarecedora acerca das perspectivas do Jornalismo no Brasil.

O livro reportagem "JORNALISMO: O PAPEL DO CANUDO DE PAPEL", de Claudio Zumckeller e Rodrigo De Giuli, tem como objetivo buscar, nas vozes de estudantes de Jornalismo, profissionais jornalistas, empregadores e professores da cadeira, um relato ampliado da ambiência paulistana diretamente tangida pelo fato.

Lançamento do livro "JORNALISMO: O PAPEL DO CANUDO DE PAPEL", de Claudio Zumckeller e Rodrigo De Giuli, na Bienal Internacional do Livro de São Paulo

Quando:
Sábado, día 11 de agosto, às 20 horas

Local:
Pavilhão de Exposições do Anhembi
Avenida Olavo Fontoura, 1.209 - Santana
Editora In House, Rua G, Estande 94

Interaja com os autores:
Twitter: @czumckeller ou @RodrigoDeGiuli
Facebook: facebook.com/ClaudioZumckeller ou facebook.com/RodrigoDeGiuli