15 de novembro de 2011

7SÉRIE: DRAMAS & MELANCOLIAS

Noches de juegos
Vigésimo Sexto Capítulo - O mesmo e o outro

- Alô... e aí... está podendo falar..

- Tô dirigindo... mas vou parar. Parei...fala Antero! como está?

- Diga lá, mano velho!

- Jorjão, sobre nossa ultima conversa, penso que finalmente você tenha encontrado o tema. A proposta do Olivério para que João Franco o imortalize através do romance biografia; e a incumbência que, conforme você acredita, este lhe delegará é, sem dúvida, a oportunidade para desenvolver a trama, mas o prato cheio de vingança que você quer degustar contra aquele, põe a perder o projeto. Uma história tem, a meu ver, que ser contada com a maior isenção possível, e isto, meu caro, parece estar fora da sua cogitação.  Resumo: você tem garfo, faca e comida, mas não tem o estômago.

- Se entendi, você está colocando água na minha cerveja.

- Nunca! Papo reto, eu explico. Me ouça!

- Nada disso, caro irmão, não se engane! – esbravejou Onofre e prosseguiu -

 Tenho engolido ultimamente tudo que me servem do rigor científico. Da crítica epistemológica ao concreto dialético muito menos comeram tanto céticos quanto cínicos, do que tenho eu forrado minhas tripas. Ando, hoje em dia, a devorar fatos e vomitar dados para em seguida, feito cão bíblico decaído, lamber os próprios detritos, saborear seus sumos e ininterruptamente banhar as conclusões com ácidas golfadas. Despido das aparências do real, sigo mais armado de axiomas do que o Lampião com suas balas de carabina.

E como disse Bertrand Russel ao seu discípulo:

“Há algum conhecimento tão certo que nenhum homem razoável possa dele duvidar? Esta questão, que à primeira vista parece fácil, é na realidade uma das mais difíceis que se podem fazer. Quando tivermos compreendido as dificuldades com que se defronta uma resposta clara e segura, estaremos bem lançados no estudo da filosofia – uma vez que a filosofia é apenas a tentativa de responder a estas questões fundamentais, não descuidadamente e dogmaticamente, como fazemos na vida quotidiana e mesmo nas ciências, mas criticamente, após termos explorado tudo o que torna estas questões embaraçosas e termos compreendido toda a vagueza e confusão que subjazem às nossas idéias vulgares.”

Resumindo a opereta: é naquilo que conhecemos que reside o desconhecido!

- Não compreendi bem as palavras, a ligação está cortando, manda no email.

- Fechado, assim que chegar.

- Ok, espero.

Claudio Zumckeller

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