25 de agosto de 2011

NOTA DO BLOG - JORNALISMO POLICIAL: HISTÓRIAS DE QUEM FAZ NA XV BIENAL DO LIVRO RIO


Um panorama da cobertura policial brasileira no século XXI traçado por aqueles que atuam diariamente nela. É o que oferece o livro Jornalismo Policial: histórias de quem faz, escrito pelos alunos do 4º ano de Jornalismo (2010) da UNIBAN Brasil, com a organização da jornalista e professora Patrícia Paixão. A obra, editada pela In House, será lançada em 10 de Setembro de 2011 na XV Bienal do Livro Rio.

Em entrevistas exclusivas concedidas aos estudantes, Percival de Souza, Fernando Molica, Renato Lombardi, Marcelo Rezende, Domingos Meirelles, Luiz Malavolta, Josmar Jozino, Gil Gomes, Robinson Cerantula, Fátima Souza, André Caramante, Bruno Paes Manso, Afanasio Jazadji, Gio Mendes, Fausto Salvadori Filho, Marco Antonio Zanfra e Pantera Lopes debatem os principais méritos e deméritos da área, analisando coberturas famosas como os casos Escola Base, Favela Naval, os ataques do PCC em São Paulo, o assassinato da menina Isabella Nardoni e o fatídico sequestro da garota Eloá Cristina Pimentel, em Santo André na Grande São Paulo.

A ideia do livro surgiu em 2008, a partir de um trabalho que os alunos desenvolveram na disciplina Entrevista e Pesquisa Jornalística, ministrada por Patrícia Paixão. “Escolhemos o jornalismo policial como tema das entrevistas pelo fato de a área ser pouco debatida tanto no âmbito acadêmico como no profissional. Até mesmo no mercado editorial são raros os títulos sobre esse tipo de cobertura”, explica a professora.

Os alunos foram orientados a entrevistar jornalistas que atuam ou atuaram nessa área em todos os tipos de mídia (impressa, eletrônica e digital) e em diferentes etapas da produção jornalística, da reportagem à apresentação (no caso da TV e do Rádio). “Assim pudemos garantir riqueza e diversidade no conjunto de relatos colhidos”, complementa Patrícia.

Você é nosso convidado para o lançamento do livro Jornalismo Policial: Histórias de Quem Faz.

SERVIÇO
Lançamento do livro Jornalismo Policial: Histórias de Quem Faz
Data: 10/11/2011 (Sábado)
Local: Rio Centro
Av. Salvador Allende, 6.555 - Barra da Tijuca
Rio de Janeiro, Brasil
Editora In House – Estande M23 / Pavilhão Verde
Horário: das 17h às 20h
Informações: http://www.bienaldolivro.com.br/
E-mail: historiasdequemfaz@gmail.com

19 de agosto de 2011

7SÉRIE: DRAMAS & MELANCOLIAS


Noches de juegos
Vigésimo Segundo Capítulo - A angústia e as descobertas


Antero estava atacado de profunda angústia. A pior de todas! Comentavam seus  familiares e amigos mais próximos. Afastado, por má saude, do cargo de escriturário do instituto de previdência social, há alguns meses recebia salário sem trabalhar.

Estava realmente abalado, desta vez repetia sem cessar frases aparentemente desconexas enquanto caminhava pela casa e, algumas vezes, pelas ruas do bairro. Há cerca de quinze dias estava assim, em crise. Recusava alimentação e descanso, todavia causava estranheza o fato de que religiosamente tomava banho e fazia a barba todos os dias.

- Isso é bom? Perguntou sua mãe a um vizinho enquanto observavam seu empenho delirante que seguia caloroso.

- Todo o mundo vai, ninguém quer, eles nunca mais virão, estaremos sempre aqui. Nada me fará voltar, tudo vai dar certo.

Ia assim dizendo pausadamente como que a refletir sobre o significado de cada palavra.

- As coisas vão mal, a gente vai, a gente não vai. O tempo todo. O tempo ganho, o tempo perdido. Não sei viver sem você, vivo trabalhando. Não sei fazer nada. Só me falta nada. Preciso fazer nada. Sim, É isso!

Após esta frase parou diante da janela do seu quarto e como quem tivesse descoberto algo de suma importância, abriu a vidraça e gritou a plenos pulmões:

- Só me falta nada! Nada, nada, naaadaah!! Sim..nada! repetiu antes de voltar  a caminhar pelo aposento a com olhar altivo e compenetrado.

- “Saber como se faz nada. Preciso aprender a fazer nada!”

 Concluiu e se deixou cair de costas sobre a cama com reluzente e largo sorriso.

Naquele mesmo instante, teve sua memória tomada pela aventura narrada por D. Quixote a Sancho Pança e ao primo cicerone, sobre sua descida às profundezas da caverna de Montesinos. Era isso, pensou e, imediatamente prometeu a si mesmo que na primeira oportunidade compartilharia suas últimas reflexões com amigo Jorge Onofre a quem indicara a leitura de Miguel de Cervantes e para tal empreitada iniciou escrever um texto que lhe veio à mente:

...Durante longo tempo na história da humanidade, o indivíduo usou projeções emocionais nascidas de suas esperanças e ansiedades imaturas – os deuses - para explicar o homem, a sociedade e o universo; essas explicações davam-lhe um sentimento de segurança. Depois, através do próprio progresso social científico e tecnológico, o homem libertou-se do medo de sua própria existência e se arvorou a realizá-la...

Claudio Zumckeller

11 de agosto de 2011

7SÉRIE: DRAMAS & MELANCOLIAS

Noches de juegos
Vigésimo Primeiro Capítulo - É madrugada


É madrugada, o canto do galo que eu acordei ecoa indignado. É tarde para mim, cedo demais para ele. Chove forte lá fora, cá dentro pinga sobre a mesa. A busca para o desfecho da trama que envolve a questão de vida ou morte para a personagem Isis, uma fisioterapeuta pedófila, é o empecilho. Deixo para amanhã, quem sabe o cotidiano traga algum toque mágico. Percebo que já é dia e, para espreitar a realidade, antes de pegar no sono, garimpo os emails. Jorge Onofre está em minha caixa de entradas, temo que seja um vírus ou qualquer brincadeira tosca. Nunca recebi qualquer correio dele e sequer desconfiei que ele pudesse ter meu endereço eletrônico. Porém, lá nos escombros da memória enxergo uma possibilidade, não me contenho, abro e leio intrigado:

“Caro contador de histórias, boa tarde.

Jamais pensei em toda a minha vida que os fracassos e sucessos que vivi e tenho vivido, possuíssem alguma chispa que fosse de utilidade. Nunca tirei, nem para mim mesmo sequer, qualquer lição que pudesse considerar importante. Tudo que tenho aprendido tem tido como fonte única, sempre e invariavelmente, a vida do outro.

Confesso que fiquei envaidecido quando me deparei com os primeiros capítulos daquilo que você em prefácio justifica como a correção de distorções que certos despreparados comentaristas teriam tecido a meu respeito. Porém no decorrer dos seus escritos venho notando que, assim como aqueles a quem criticou, você tem cometido desvirtuamentos imperdoáveis. Confesso que convivi, em alguns momentos ao menos, com a maioria dos personagens citados, todavia há certas passagens que honestamente não me recordo e outras ainda em que, sem estar citado, não vejo qualquer possibilidade de ligá-las a minha história.

Em resumo, gostaria que, caso você não encontre mais nada de verdadeiro ao meu respeito, me privasse de invenções. Sou grato e envaidecido, conforme disse, mas prefiro que retire meu nome das tramas desse seu tecido.

Grato, Jorge Onofre!

Pasmado, mas inegavelmente envaidecido com as declarações deste personagem e leitor, vejo que o sono se dissipou e que para o caso de Isis, a fisioterapeuta pedófila, seria precoce optar pela morte.

Claudio Zumckeller

4 de agosto de 2011

7SÉRIE: DRAMAS & MELANCOLIAS


Noches de juegos
Vigésimo Capítulo - A mala com asa e o mala sem alça


- Ela fez minha mala aos trancos e solavancos e despejou pela janela. O volume desceu do10º andar desfraldando uma manga camisa.  Foi o cômico arremedo de um aceno de despedida que em poucos segundos aterrissou flácido e abandonado. Que cena!

Eu convalescia de uma hepatite e a Mariana, a pretexto de cuidar de mim, foi ficando e acabou se instalando definitivamente. Quando soube do arranjo, Lídia, que tinha ido embora há cerca de um mês, resolveu voltar para a reintegração de posse.

Era sábado à tardinha,  alguma vodka e muita ira somaram para que ela tomasse tão tresloucadas atitudes. Rodou a baiana, chutou o pau da barraca, botou fogo no circo. Fez o que tinha e o que não tinha direito.

Conformado, deixei o apartamento e, já na rua, ergui os olhos e contemplei meus pertences viajando pelos ares.

Enquanto narrava o sucedido, João Franco exibia um acalorado e extenso jogo cênico que lhe rendia acentuado rubor das faces e abundantes suores pelo corpo.

O fato, relatado agora, alguns anos depois, soou pitoresco e trouxe muito mais o riso do que qualquer outro sentimento. Era outro tempo, já não passava de um quadro na parede da memória que, entre uma cerveja e outra, surgia como anedota.

- Foi triste! – constatou e não pode deixar de ver a figura que repentinamente adentrava em direção à mesa: ninguém senão Tidão, velho conhecido dos presentes que se aproximava mamado a cantarolar

- Segura aí, se segura malandro, se segura...

Após chamar para si a atenção, emendou:

- Pois é... Jacaré comprou cadeira, mas não tem bunda para sentar. Em casa de Saci Pererê, uma calça veste dois. Circo Marimbondo, circo Marambaia. Larga minha franja, não me atrapalha.

Nasceste nua, vestida estás. Após a pós modernidade vem a imensa saudade.

Todos vão dizer que falo demais, e que ando bebendo demais, que não largo o cigarro e dirijo meu carro, correndo e sempre chegando ao mesmo lugar, qual João Donato, estou louco por direito e de fato. Se quiseres saber se eu te amo ainda, procura entender que a Barra funda é linda. Vai, vai... Não vou. Não vou, eu não sou alguém de ir em promessas de amor. Não! Eu só vou se for para ver uma estrela amanhecer na manhã de um novo amor.

É, moro em cima do sapato, vivo pleno em movimento. Rio, apelidando átomos. Se queres me enganar, diga que é para sempre ou nunca mais, tanto faz. Saíste batendo a porta, estavas louca para ficar. Estou contigo e não abro. Estamos juntos e misturados feito água e querosene. Êtcha! Mundo chucro! Curral demente.

Falando sério, só te queria por acaso. Eu sequer sonhei, nunca fui ao cinema, não gosto de festa, não vou à Ipanema, não gosto de chuva, não gosto de sol. Vesti uma camisa listrada e saí por aí. Caminhei por aí, para ver se encontro a paz que perdi.

Ah! Estas cordas de aço deste minúsculo braço. Camisa aberta, quando a saudade aperta. Pela cidade palco iluminado, sigo alerta, estou palhaço, vou ao samba e vou ao rock. Quero ver minha espanhola natural de La mancha. Ser Quixote tomando sorvete. Baby, faz tanto tempo! Malandragem dá um tempo, deixa essa pá de sujeira ir embora.
Nada do que foi, será. Como uma onda no bar.

Para finalizar deu um breve aceno, baixou a aba do Panamá e se retirou resmungando
- Até amanhã, até amanhã se Deus quiser, eu vou para casa, vou rever minha mulher...

Depois de caminhar alguns metros, como quem se lembrasse de algo importante, retornou e cantou o seguintes versos:

“Na Barra Funda nunca mais eu voltarei/ Cantei meu samba, nunca mais eu trabalhei/ faz sete anos que eu vivo na malandragem/ quero trabalhar mas me falta coragem/ Tenho de tudo, até anel de doutor/ Trabalhar é pra relógio e eu não sou despertador/ sou malandro vestido, uso terno chapéu e sapato/ uma nega no basquete, dinheiro?
Comigo é mato”

E soltou um longo FUUUUI.... que precedeu um  trotezinho charmoso e risonho.

Claudio Zumckeller