28 de junho de 2011

DITUDUMPOCO - NÃO SE BRINCA COM A FOME DE UM GORDINHO


Uma imagem como esta me causa um pouco de revolta, sabiam?
Sinto-me lesado.
Sacaneado.
Ou como dizem agora na internet, Trollado.
Tudo bem que pedir que seus Cookie’s fossem perfeitos tal qual o da imagem seria pedir demais.
Não sou um consumidor tão exigente assim.
Apenas gostaria de registrar meu desagrado por não encontrar dentro da embalagem um produto que se assemelhasse ao menos em 50% com o da ilustração.
Na embalagem, na lateral e em letras miúdas diz: “A FOTO É UMA AMPLIAÇÃO DO PRODUTO”.
Não é!!!
Nem com muita imaginação.
Nem com muita boa vontade.
Nem com muita fome.
Bauducco, não se brinca com a fome de um gordinho!

#PorraBauducco

Renato Souza

8 de junho de 2011

7SÉRIE: DRAMAS & MELANCOLIAS

Noches de juegos
Décimo Nono Capítulo - Trotes e embaraços

Ao ver a foto tirada após o futebol de praia com amigos, Jorge Onofre constatou que estava obeso. Contemplou decepcionado seu peitoral descaído, os ombros estreitados e a cintura de um ovo. Há tempos sentia certo cansaço com o pouco que diariamente caminhava, tinha dificuldades para amarrar os sapatos e, ereto, mal enxergava o pinto que agasalhava sob o protuberante abdome. Resolveu então definitivamente tomar as rédeas de sua saúde. Pela boca morre o peixe, - lembrou-se do velho ditado. Revoltado revia na memória a figura de Alzirinha irada, meses antes da separação, quando discutiam a partilha, lhe chamando ironicamente de fofo.
Lamentou mas consentiu resignado que definitivamente estava despossuído dos contornos atléticos que um dia motivaram os elogios que lhe massageavam o ego. Perdi a vaidade! Refletiu angustiado. Mas como nunca fora homem de se dar por vencido, rapidamente fez o cálculo de quantos quilos precisava perder e do tempo que levaria a recuperação.
Um semestre, cerca de três quilos ao mês, alimentação balanceada e exercícios! Vai ser assim a partir de segunda feira. Desferiu animado. Era sábado e ao sair do banho nu e convicto diante do espelho tentou imaginar-se na forma ideal, porem as avantajadas tetas que lhe adornavam o tórax fizeram com que ele pensasse na via cirúrgica. Ascendeu um cigarro enquanto pensava sobre o que ia vestir e mal dava a segunda tragada quando soou o toque do telefone.
- Alô!
- Jorge?
- Sim, quem fala?
- Presta atenção meu chapa, tua mãe ta aqui comigo e ela ta dizendo que te ama.
- Minha mãe! Que papo é esse! Quem é que está falando?
- Não interessa, faz o que vou te dizer ou vou cortar a velha.
- O que é isso! Que brincadeira é essa?
- Brincadeira é o caralho! Presta atenção otário!
Percebendo que a linha tinha caído, Jorge desconfiou que era um trote, mas, por desencargo de consciência, ligou para a casa da mãe. Seis toques e ninguém atendeu. Um frio subiu do abdômen para a boca do estômago. Meu Deus! Será possível? Refletiu perplexo e logo se lembrou que sua mãe morrera há alguns anos.
Novamente o sinal de chamada repercutiu e ansioso sem prestar atenção ao número, foi curto e grosso.
- Ô filho da puta... vai pentear macaco.... seu desocupado, vagabundo!
Deste modo encerrou a xingação e desligou. Naquele momento, um frio maior que o primeiro lhe invadiu a alma. O telefonema vinha do Dr. Leandro, advogado que contratara para sua defesa em processo que lhe moviam alguns primos que, co-herdeiros no inventário de um tio abastado, tentavam provar sua insanidade.

Claudio Zumckeller