22 de fevereiro de 2011

7SÉRIE: DRAMAS & MELANCOLIAS

Noches de juegos
Décimo Terceiro Capítulo - As festas e as angústias

Uma intensa depressão tomou totalmente o ser de Nicola. Passava de um mês que ele sequer saía de casa. A ruiva barba que se avolumava e a acentuada olheira lhe proporcionavam certo ar filosófico. A angústia profunda era evidente. Dormia quase nada, mal se alimentava e dispunha do tempo unicamente para fumar e espalhar seu olhar apagado pela paisagem que se oferecia pela varanda. Um banho por semana, quando muito. Nada de leituras e um vocabulário reduzido a três interjeições. Vez por outra uma gargalhada breve. Dona Laura Madeira, sua mãe, enfermeira aposentada traçou o caminho para o atendimento psiquiátrico e aguardava apenas que o filho concordasse. Ela esperava o sinal de aceitação da parte dele através de uma queixa, um surto violento, enfim algum pedido de ajuda. Nada! Ele se mantinha trancado, mais taciturno e nauseabundo a cada dia.

- Óia, Duona Laur, - indagou Mercedes, a diarista mineira que lhe vinha semanalmente, há alguns anos -, naum ié pur nada, mais uo muossu tá di calundu. Né naum?
Não contendo o riso diante da simplicidade da serviçal, respondeu despachada para encurtar a prosa.

- Nada, mulher! Isso dá e passa. Briga de amor, dor de cotovelo! Vamos ao que interessa, trata de não deixar as coisas fora de lugar. Semana passada o ventilador foi parar em baixo da pia!
Arrematou, bateu duas palmas breves e saiu para o trabalho.

Era Dezembro, lá pelo dia 16, e pressentindo as visitas,- costumeiras desta época -, veio o ultimato. Nicola entendeu e aceitou então comparecer à consulta agendada com a Dra. Beatriz, colega de trabalho de dona Laura e que, sempre que podia, lhe acolhia os lamentos e desabafos acerca do filho. Psiquiatria e neurologia eram suas especialidades.

Caía uma de tarde de avermelhado crepúsculo quando Nicola se apresentou à atendente.

- Boa tarde! Como está? O senhor tem consulta marcada? – indagou, e antes que ele respondesse, seguiu a fala.

– Ah! Sim... Nicola Madeira, para o horário das 18 hs! Daqui a pouquinho a doutora vai chamar. Aceita água, um cafezinho?

- Ah..aceito! Ele respondeu e, animado se dirigia para preparar o café expresso, quando ouviu o toque do interfone e logo em seguida, o aviso de que era a sua vez.

- Fica para a saída! – Comentou e se apressou em estar na presença da doutora que o aguardava com o sorriso brando e a mão estendida.

Claudio Zumckeller

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