17 de fevereiro de 2011

7SÉRIE: DRAMAS & MELANCOLIAS

Noches de juegos
Décimo Segundo Capítulo - O casamento de Alzirinha

Logo que a cidade do Rio de janeiro, cheia de encantos mil, deixou de ser a capital federal, na década de sessenta, Olivério, então com vinte e dois anos, entendeu que a São Paulo das indústrias, da efervescência cultural pós golpe e das oportunidades de prosperidade, seria sua nova terra.

Filho do comissário da polícia carioca Nestor Adão e bisneto do Marques de Abrantes, ele não teve dificuldades em vender alguns bens e ancorar na Paulicéia. Mal chegou e logo se associou com Ariel de Medeiros, também imigrante, potiguar, herdeiro de salinas em Mossoró, e que em uma de suas viagens aos Estados Unidos trouxera idéias para desenvolver no Brasil, alguns produtos industrializados que eram já sucesso de vendas na América do norte e Europa.

Após cerca de três anos de batalha, em pleno e franco desempenho da nova indústria, o sócio faleceu subitamente, e como não tinha herdeiros interessados, Olivério tratou rápido de comprar-lhe a parte junto a uma velha tia, inventariante única e totalmente desinteressada. Resumo, em dez anos de “Terra da garoa”, amealhou uma pequena fortuna que lhe permitiu ampliar os negócios e se tornar um novo milionário.
Passados cerca de vinte anos, lá estava ele na posse de várias empresas bem sucedidas, apartamentos em regiões nobres da cidade, helicóptero, belos automóveis, Jeeps, casas litorâneas, chácaras e fazendas. Divorciado e quarentão, era então alvo das solteiras casadeiras do seu convívio social.

Alzirinha, que a essa altura já estava divorciada de Jorge Onofre, trabalhava como secretária no grupo Abrantes, não tardou em perceber no Olivério uma possibilidade de sossegar o facho e ser feliz como senhora casada, porém desta vez, com um homem ambicioso e bem sucedido, realizando assim o sonho de Quitéria Pessoa, sua falecida mãe.

Algumas festas, encontros propositadamente casuais, seduções, e, enfim, passados alguns meses lá estava o novo par adentrando a catedral sob os acordes da Ave Maria de Gounod.

A concorrida recepção, regada a nobres manjares e requintados vinhos, proporcionou, além do deslumbramento de algumas centenas de convidados, o encontro e o início da inesperada e intrigante relação amorosa que envolveu João Franco, irmão de Alzirinha, por parte de pai e Lidia, única filha, - fruto de uma relação mal resolvida que Olivério tivera aos dezoito anos.

João, que estava no Brasil única e exclusivamente para ultimar sua transferência definitiva para Paris onde se casaria com a francesa Cristine Montellet, deixou rolar despretensiosamente a nova amizade. Sua presença no casamento era puramente casual, pois, arredio às convenções, jamais teria se deslocado para participar de algum evento dessa natureza.

Lídia, que vivia modestamente com a mãe no Rio de janeiro e estava em São Paulo para participar das celebrações, enxergou no envolvimento com João a possibilidade de aproximação com a nova esposa do pai.

Claudio Zumckeller

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