7 de fevereiro de 2011

7SÉRIE: DRAMAS & MELANCOLIAS

Noches de juegos
Décimo Primeiro Capítulo - O que pode ser estranho, maravilhoso ou trágico nas coisas mais vulgares da vida cotidiana.

Na noite anterior àquela fria e chuvosa manhã, Jorge sonhou que esteve em intensa e apaixonada transação sexual com Tássia, com quem em realidade somente estivera há alguns anos, e em poucas ocasiões, por conta de um festival literário. Sonhou ainda de contínuo que após os maravilhosos momentos de amor ele próprio fora alvejado e assassinado por uma pessoa da qual percebera somente o vulto.

Despertou assustado, porém aliviado por ter sido apenas um sonho, afinal estava vivo. Mas não pôde deixar de lamentar que aqeles doces momentos de prazer com a poetisa tivessem sido um sonho. Tudo tem os dois lados, refletiu e iniciou os exercícios físicos que habitualmente faz antes da ducha matinal.

Já no chuveiro, enquanto se barbeava, refletia sobre uma questão que lhe assaltava os neurônios, Pensou.

“No dia- a- dia tomamos como certas muitas coisas que, se melhor pensadas, podem se mostrar tão contraditórias que só mesmo uma avaliação mais atenta e demorada pode dar base para que se decida em que realmente acreditar”.

Sorriu diante do espelho e observando demoradamente sua imagem refletida, ergueu o polegar direito em sinal de positivo como que firmando um pacto entre ele mesmo e sua sorridente aparição.

- Tamo junto,- exclamou e tratou de enxugar o corpo.

Movido por essa idéia que já há algum tempo lhe era recorrente, resolveu que durante todo aquele dia estaria atento às trivialidades, aos detalhes. Pretendia se dedicar em analisar a fundo as verdades mais comuns, E assim se questionou.

- Aquele Onofre que há alguns instantes enxerguei no espelho, existe, ainda que eu não o esteja mais enxergando? – Perguntou-se e ao mesmo tempo pensou em não levar adiante a empreitada. Se dissesse tal disparate a alguém seria tomado por insano. Conseguiria prosseguir com aquilo sem ter com quem compartilhar? – Refletiu e em seguida se viu diante do armário em busca de uma camisa para vestir e escolheu uma com listras verticais.

- Listrado com xadrez não dá! Consentiu ao se imaginar com a calça que havia preparado na noite anterior. Chegou mesmo a ver-se adentrando a empresa com aquela combinação bizarra e sendo motivo da risota de alguns. Reconsiderou e finalmente vestiu um conjunto azul marinho que julgou discreto e tratou de apressar-se em fritar os ovos para o desjejum.

Enquanto observava o aquecimento da manteiga na frigideira voltou a se imaginar vestido em listrado e xadrez e achou que lhe cairia bem. Estaria bem mais consoante com seu estado de espírito atual. E prosseguiu se imaginando assim enquanto se alimentava e, ao voltar diante do espelho para escovar os dentes, deparou com sua imagem sorridente, o que considerou um feliz reencontro. Erguendo então novamente o polegar, decidiu e confidenciou à imagem, vestirei listrado e xadrez mas vou trabalhar em azul marinho.

- Tenhamos um bom dia.

Claudio Zumckeller

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