4 de janeiro de 2011

UMUNDUNU - PEDIR

Já me pediram para emagrecer, parar de beber.
Para moderar, para não cair, não me embriagar.
Já me pediram para não moderar, ir até cair e me embriagar.
Já me pediram para trocar o short. Tirar a camisa, pôr a camisa.
Fazer a barba, cortar o cabelo. Vestir a outra roupa. Não comprar aquela calça.
Já me pediram um pedaço, uma mordida ou um prato.
Já me pediram para parar, para andar, para subir, descer, pular, nadar e não me afogar.
Para sair da chuva, para não me molhar.
Já me pediram para brincar, para crescer, para viver e até para não morrer.
Já me pediram para ir mais rápido, ir devagar e até para não ir.
Para voltar.
Já me pediram para dormir, acordar, levantar, me lavar e comer.
Para sair e para entrar.
Já me pediram para jogar, desligar e descansar.
Marcar, atacar, defender e fazer. Não tomar.
Já me pediram para chegar. Para agarrar e beijar.
Ficar, namorar, casar? Não. Para casar ainda não.
Já me pediram com força, de leve, de uma vez ou com jeitinho.
Já me pediram para fazer, desfazer, calar, falar, escrever e apagar.
Para levantar, para derrubar, quebrar, amassar, dobrar e jogar fora.
Já me pediram para encher, amarrar e soltar.
Para cheirar ou para enrolar, puxar e curtir.
Para dirigir, pilotar e até voar.
Já me pediram para pedir e só para contrariar o ritmo, eu não pedi.

Peça menos. Faça mais.

Renato Souza

10 comentários:

  1. Joe Lock, o jornalista abelhudo e perguntador contumaz indagaria se esse enorme número de pedidos é proporcional ao de pidões ou estes se restringem a poucas ou mesmo uma única pessoa.
    O grande Jean Paul Sartre, certa ocasião concluiu que o inferno são os outros. Teria sido pelo mesmo motivo?

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  2. Pois é... Então de posse desse entendimento, condenados à liberdade, o que faremos com aquilo que os outros fizeram ou, ao menos, pretenderam fazer de nós. Uma existência em que a singularidade seja essencial?

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  3. Nós somos, em parte, o que otrs querem... Engana-se quem se julga inatingível ou ininfluenciavel. A única constancia do ser humano é se adaptar a qualquer ambiente, e regras sociais.

    Até!

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  4. O anonimato é um modo curioso de apresentar a adaptação resignada como a única via de preservação da epécie. Platão perdeu tempo criando o inútil mito da caverna. Enfim, pela liberdade independente de consequências é plausível.
    Um jargão em sua homenagem: Nosso direito acaba onde começa o direito do outro.
    Agora um clichê possivelmente inadaptável: Nossa obrigação começa onde termina a do outro?

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  5. Onde se lê onde, entenda-se no momento.

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  6. Caro Claudio,

    O anonimato é uma opçao valida para se expressar mais livremente... se vcs nao gostam de anonimos tirem esta opçao do blog!

    o que eu nao concordo é se esconder para atacar, eu nao estou atacando. Estou apenas dando a minha opiniao, mas se isso te atingiu, eu peço desculpas. Até

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  7. Está certo! Caro. Manifeste-se como julgar mais conveniente, as portas estarão sempre escancaradas para suas preciosas inserções.

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  8. O fielmente adaptado não passa de vítima das circuntâncias. Conformista, medíocre ou despossuído de discernimento?

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  9. Nao.
    É ser humano.
    Daqueles que fingem ser livres.
    Mas, agem como manda figurino. Como sempre.

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