15 de novembro de 2011

7SÉRIE: DRAMAS & MELANCOLIAS

Noches de juegos
Vigésimo Sexto Capítulo - O mesmo e o outro

- Alô... e aí... está podendo falar..

- Tô dirigindo... mas vou parar. Parei...fala Antero! como está?

- Diga lá, mano velho!

- Jorjão, sobre nossa ultima conversa, penso que finalmente você tenha encontrado o tema. A proposta do Olivério para que João Franco o imortalize através do romance biografia; e a incumbência que, conforme você acredita, este lhe delegará é, sem dúvida, a oportunidade para desenvolver a trama, mas o prato cheio de vingança que você quer degustar contra aquele, põe a perder o projeto. Uma história tem, a meu ver, que ser contada com a maior isenção possível, e isto, meu caro, parece estar fora da sua cogitação.  Resumo: você tem garfo, faca e comida, mas não tem o estômago.

- Se entendi, você está colocando água na minha cerveja.

- Nunca! Papo reto, eu explico. Me ouça!

- Nada disso, caro irmão, não se engane! – esbravejou Onofre e prosseguiu -

 Tenho engolido ultimamente tudo que me servem do rigor científico. Da crítica epistemológica ao concreto dialético muito menos comeram tanto céticos quanto cínicos, do que tenho eu forrado minhas tripas. Ando, hoje em dia, a devorar fatos e vomitar dados para em seguida, feito cão bíblico decaído, lamber os próprios detritos, saborear seus sumos e ininterruptamente banhar as conclusões com ácidas golfadas. Despido das aparências do real, sigo mais armado de axiomas do que o Lampião com suas balas de carabina.

E como disse Bertrand Russel ao seu discípulo:

“Há algum conhecimento tão certo que nenhum homem razoável possa dele duvidar? Esta questão, que à primeira vista parece fácil, é na realidade uma das mais difíceis que se podem fazer. Quando tivermos compreendido as dificuldades com que se defronta uma resposta clara e segura, estaremos bem lançados no estudo da filosofia – uma vez que a filosofia é apenas a tentativa de responder a estas questões fundamentais, não descuidadamente e dogmaticamente, como fazemos na vida quotidiana e mesmo nas ciências, mas criticamente, após termos explorado tudo o que torna estas questões embaraçosas e termos compreendido toda a vagueza e confusão que subjazem às nossas idéias vulgares.”

Resumindo a opereta: é naquilo que conhecemos que reside o desconhecido!

- Não compreendi bem as palavras, a ligação está cortando, manda no email.

- Fechado, assim que chegar.

- Ok, espero.

Claudio Zumckeller

3 de novembro de 2011

UMUNDUNU - NO WAVE E ALGUMAS IMPRESSÕES COM BLÁ, BLÁ, BLÁ

Afinações não ortodoxas, letras intensas, ritmo desconcertado e desconcertante, microfonia, doses² de algo ilícito, repulsa ao rock farofa, sensação de profundo desconforto para quem não gosta e, acima de tudo, NO wave. O Sonic Youth, mesmo depois décadas, mantém o espírito visceral de suas composições, quase sempre imprevisíveis. É uma alternativa para quem não gosta de Emo Core, pagode romântico, sertanejo romântico ou funk carioca. Para essas pessoas, atualmente, sobra pouca coisa. Para desenferrujar os ouvidos, revisitei o Sonic Youth, sua extensa obra é um “repelente para ouvintes” de rádio FM e desperta uma grande sensação de incomodo na maioria das pessoas, eu, ao contrário, sou aficionado pelo som dissonante da banda nova iorquina.

Ainda falando de no wave, - tendência pós-punk que influenciou músicos, pintores, roteiristas etc - outras artistas como The Lounge Lizards, Teenage Jesus and the Jerks, Circle X e 8 Eye Spy engrossam a lista de bandas intragáveis para 98,7% das pessoas. Não acredita? Ouça qualquer uma delas, garanto que vocês VÃO ODIAR. Até logo...

Thiago Menezes

28 de outubro de 2011

REALPOLITIK - PORCOS FARDADOS

 Tenho nojo da polícia de São Paulo. São trogloditas, agentes - voluntários e involuntários - do verdadeiro crime organizado, com raízes no topo da hierarquia estatal e ramificações na base mais baixa da pirâmide.

Esses agentes do crime organizado – também conhecidos como coxinhas – agora estão mostrando toda sua eficiência combatendo os perigosíssimos maconheiros da FFLCH (USP).

A polícia no campus não traz mais tranqüilidade. Assassinos armados, sem nenhum preparo, e com o intuito de impor sua autoridade através da violência, não trazem mais tranqüilidade.

Espero que os polícias militares de São Paulo façam seu trabalho, sugiro que comecem deixando de manter suas “biqueiras”, seus prostíbulos e, se possível, parando de assaltar bancos, caixas eletrônicos e de agredir e matar inocentes.

Tenho nojo de vocês. Assassinos, covardes, porcos.

Thiago Menezes

18 de outubro de 2011

7SÉRIE: DRAMAS & MELANCOLIAS


Noches de juegos
Vigésimo Quinto Capítulo - O mesmo e o outro

Eu mesmo, é isso! Só eu poderia e deveria ser aquele que vai imortalizar o personagem que criou e trouxe para a realidade. Aquele que deseja ardentemente despertar os olhares de diversos autores para escolher, dentre eles, aquele que mais lhe agrada. O escritor cuja genialidade acarretará recordes de vendas e galerias de troféus. Um ser assim tão especial que mesmo os leitores mais esclarecidos duvidarão de sua humanidade

Deste modo refletiu Jorge Onofre enquanto presenciava Olivério oferecendo sua história de vida a João Franco. Uma velha bolsa de couro contendo a correspondência que mantivera com a mãe desde a infância no internato de Petrópolis, passando pela adolescência em São João del Rei até a ida para São Paulo, já maduro em busca da riqueza

- Aqui estão retratados pelo menos uns trinta e cinco anos da minha vida!
Disse orgulhoso ao cunhado que, perplexo, aceitou a doação.

- O que é que ele espera que eu faça com essa velharia. Pensou angustiado

Aqueles instantes em que vagueava o olhar interrogativo desaguaram direto na mente de Onofre que os observava atento e já na expectativa do desfecho que premedtara.

-Sim! Sobrou para mim, é tudo que eu queria – pensou.  Esta será a história desse Filho infame do capitalismo velhaco, descendente direto da metafísica mercantil. Aquele que traz no DNA o egoísmo renovado que, vergonhosa e descaradamente vem dominando e absorvendo a mente brasileira desde os anos 1930. Aquele cujas vísceras, corroídas pela ganância e a visão turbada pela intangibilidade de absurdos projetos, perambula às apalpadelas. O tal que simultaneamente afortunado e despossuído compartilha seu olhar rútilo e fixo em busca de uma paisagem que se afasta a cada passo dado em sua direção. Aquele cujo semblante estampa um tênue e inequívoco ar de desapontamento. Ele que passa sem se dar conta do olhar indiferente dos seus ídolos enquanto a chuva desaba e desmancha a cidade dos seus sonhos.

Seguia assim mergulhado em conjecturas, quando, conforme previra, foi abordado por João Franco:

- E aí! Aposto minha cabeça como sei em que você está pensado agora.

- A minha não coloco no jogo, sei que você sabe. E então? Entrega logo a “bagaça” e na segunda à tarde dou início à trama.

- Um livro?

- Sim, um romance que se desenrolará a partir do início da era Getúlio até o fim dos anos 1980. O que pensa?

- Penso que você tem que prometer, se quiser mesmo os documentos, que não leva os conceitos que tem cravados na mente e nem tão pouco as antipatias ideológica e pessoal que nutre há muito pelo protagonista.

-Sem dúvida, está fechado, objetividade total, imparcialidade etc! Declarou sorridente.

- Me engana! Eu gosto.

Consentiu João Franco e passou a papelada para o amigo.

Claudio Zumckeller

11 de outubro de 2011

7SÉRIE: DRAMAS & MELANCOLIAS


Noches de juegos
Vigésimo Quarto Capítulo - Um coma desperto

O Rio de janeiro seguia belo e solto no tempo e no espaço. A Barra da Tijuca não era ainda um paliteiro cercando o mar. Alguns bares com mesas pelas calçadas e a brisa perfumada acomodavam o adorável encontro.  João Franco finalmente foi conhecer Tânia Mara, a mãe de Lídia.

Durante a viagem noturna a cantoria prevaleceu, o sambista Pedro Carneiro, seu cavaquinho afiado e a esposa Beatriz viajaram no banco traseiro. O sábado amanheceu azul e ensolarado, trafegavam já próximos ao largo do Machado quando tocou o celular de João.

- Uma hora destas! Protestou, meneou a cabeça, mas ao terceiro toque, tratou de estacionar para atender. O número não identificado não impediu.

- Alô, falou irritado e após alguns segundos de silêncio e ouviu do outro lado:

- É você, meu querido!

 - Sim sou eu! Um instante de pausa e reconhecendo a voz, prosseguiu.

- Fala tio!

Esse jeito de dizer “meu quirido” era sua marca patente.

- Ué, me disseram que o senhor estava em coma! Então foi um engano. Melhor assim, emendou passando surpresa e contentamento.

- Que nada! Foi só um susto e já está tudo bem comigo.

  O tom de voz passava credibilidade, percebeu que ele estava mesmo bem. Que bom! Pensou.

- Quem está mal é a vida em geral, meu filho! – disse o tio convicto e iniciou o discurso:

 O mundo está doente. O planeta constipado arde em febre. Precisa de repouso urgente, quem sabe um exílio solitário no espaço com o que restar de fauna e flora. O homem que arranje onde morar enquanto isso, talvez outro torrão, Marte talvez,  ou ainda, um banimento coletivo através de contínuos embarques espaciais, destino qualquer lugar.

- É delírio, refletiu João e quis dizer algo, mas o velho Fausto prosseguia atropelando.

- A humanidade precisa viajar, ser nômade galáxias afora. Feito algumas tribos que partem quando não há mais o que devastar. A gente vai ter que se virar, literalmente. Municípios espaciais à maneira da arca de Noé, quem sabe? Porém levando somente os humanos e outros animais domesticados...

João pasmava com o ritmo que seu interlocutor imprimia à fala. Mas seguia ouvindo atento.

- Imagina o Lulu sem o banho e tosa semanal! Ou Heleninha sem Lulu, comentou irônico, riu e imediatamente continuou.

- Somente a natureza nua e crua, sem acompanhante humano qualquer, ela a sós com ela por uns tempos. Fora daqui, vidas infames, vão cantar em outro terreiro!

Bradava alto e gargalhava sem perder o tom, dava a crer que tinha ensaiado o texto.

- Você há de sorrir, prosseguiu, e dizer que estou pirado e que não vai perder tempo pensando asneira. Vai lembrar que o negócio é ganhar muito dinheiro e ser feliz. Tudo bem vai nessa! Mas não se esquece de apagar a luz quando sair.

O homem vai, com certeza, inventar outra história em outro lugar, ou em lugar algum. Imaginemos, meu filho, é preciso ao menos refletir sobre isto por agora. A possibilidade de nomear outras coisas, dominar outros seres, inventar outros mundos. Enfim, criar outro conto de fadas. Enquanto isso, no vão da nossa ausência, Gaia há de se revitalizar.

E, rejuvenescida, há de criar anticorpos resistentes a ponto de eliminar do seu organismo indesejáveis presenças. Como o corpo humano, quando inflamado e febril, rejeita e expulsa de si estranhos invasores.

- Sentindo que o tio terminou a frase com um longo suspiro e  que a linha caiu em seguida, ficou preocupado e tentou ligar de volta.

Só caixa postal!

À tardinha ao chegar ao apto de Beatriz tornou ligar e foi informado que seu bom tio estava em coma profundo há uma semana e o diagnóstico era irreversível.

- Que porra é essa? – exclamou inconformado e desligou. Mas percebeu que as últimas palavras do bom Fausto tinham ficado gravadas em sua mente.

Claudio Zumckeller

29 de setembro de 2011

REALPOLITIK - PEGA O LADRÃO!

Tenho informações sobre este homem, ele reside no Brasil, mais especificamente em Brasília, é dono da Eucatex e Deputado Federal por São Paulo. Além disso, foi padrinho político de um ex-prefeito - esse já morreu graças a Deus – que surripiou inescrupulosamente esta capital. Esse pilantra bandeirante foi indicado para diversos cargos na ditadura militar como prefeito de São Paulo (1969-1971), Secretário dos Transportes (1971-1975) e Governador de São Paulo (1979-1982).

Ao consultar o site da Interpol (http://bit.ly/p1DjHi), me deparei com o nome deste ilustríssimo político tupiniquim e de seu comparsa - quer dizer filho - que são procurados pela Organização Internacional de Polícia Criminal pelos crimes de fraude e lavagem de dinheiro, ou se você achar melhor: mão grande, roubo mesmo.

Ele pode ser preso em qualquer país do mundo, mas não no Brasil. Você não entendeu? É que você não é suficientemente sagaz para compreender as leis brasileiras que garantem imunidade parlamentar até para políticos que são filmados recebendo propina – vide caso Jaqueline Roriz - www.youtube.com/watch?v=G3UyfHD5S3k -.

Entretanto, como a esperança é a última que morre, quero informar a Interpol que é possível encontrá-lo em Brasília, ou na Eucatex, ou pedir para falar com ele no telefone (61) 3215-5512. Mas se forem procurá-lo na câmara, atentem-se ao dia da semana, pois, ele só trabalha de terça à quinta.

Thiago Menezes

20 de setembro de 2011

7SÉRIE: DRAMAS & MELANCOLIAS



Noches de juegos
Vigésimo Terceiro Capítulo - Males que vem para pior


Quando já não mais sonhava com a possibilidade de tornar-se o personagem literário que julgava viver convicta e cotidianamente, Jorge Onofre, por acaso, encontrou seu autor. Naquela noite mesmo consentiu: é esse o cara que vai me tornar imortal
 Foi durante o jantar em que se discutia a possibilidade da internação de Quitéria Pessoa. O mal de Alzheimer a atacara sem piedade.

 O fim do romance com Alzirinha não influiu na continuidade da amizade que Jorge cultivara com a família e sempre que havia um fato importante, lá estava ele encabeçando a lista de convidados.

Desta vez eram cinco à mesa: Quitéria, na cabeceira, navegava em uma espécie de autismo que variava momentos de extrema lucidez intercalados com lances de curiosos disparates.

- Há algum tempo ela se diverte repetidamente com as mesmas lembranças, deleita-se com elas como quem compartilha pela primeira vez. Certamente guarda esses momentos bons como tesouro.

Comentou Olivério, visando passar certa tranqüilidade para aliviar o peso que a esposa e o cunhado carregavam pelo estado da mãe.

Como quem não tivesse compreendido o comentário, Alzirinha emendou compenetrada.

- É triste essa doença! Muito triste..., vem pegando muita gente. Talvez seja porque as pessoas em geral estão durando mais. Ouvi dizer que a média da expectativa de vida vai, atualmente, beirando os 80 anos.  Mas os cérebros parecem não acompanhar.

 - É...! Aí está o grande desafio: belos rostos, corpos conservados, mas sem o comando central. Adios razão!

Arrematou João Franco, após molhar o verbo no tinto chileno que estava servido e prosseguir:

- Mas o homem vai, com certeza, inventar outra história em outro lugar, ou em lugar algum. Imaginemos, é preciso refletir sobre isto agora. A possibilidade de dar outros nomes às coisas, dominar outros seres, inventar outro mundo enfim. Criar outro conto da carochinha, ou uma burla de melhor gosto e menor desastre. Outra metafísica, só uma decente ao menos, já que ser e deixar ser ficou complexo demais. Enquanto isso, no vão dessa ausência...

Naquele momento, uma lágrima brotou em seu olhar. Ele percebeu que Quitéria com redobrado ânimo, não só acompanhava sua reflexão como esboçava certa ansiedade para tomar a palavra. Delicadamente concedeu.

- Não é mesmo Madrecita?

 Era assim que ele a chamava desde o tempo em que aprendeu as primeiras palavras

- É verdade... – ela rebateu e após alguns minutos de silêncio, continuou.

- Certamente tudo há de se revitalizar. Um rejuvenescer maduro há de criar anticorpos suficientes para eliminar do organismo toda e qualquer presença indesejável. Então, inflamado e febril, o cérebro há de expulsar de si os nefastos invasores. Quando chegar esse tempo, talvez eu tenha chegado já aos meus 50... E aí... Tchau...

Como a última frase evidenciava certa demência, própria da doença, os olhares de pena   se cruzaram e o rumo da prosa mudou.

Jorge Onofre que vê na demanda de pacientes acometidos e no mercado aberto pelo aumento da longevidade humana, a motivação maior para que ciência e conglomerados farmacêuticos brevemente domestiquem o tal mal, permaneceu calado.

Claudio Zumckeller

25 de agosto de 2011

NOTA DO BLOG - JORNALISMO POLICIAL: HISTÓRIAS DE QUEM FAZ NA XV BIENAL DO LIVRO RIO


Um panorama da cobertura policial brasileira no século XXI traçado por aqueles que atuam diariamente nela. É o que oferece o livro Jornalismo Policial: histórias de quem faz, escrito pelos alunos do 4º ano de Jornalismo (2010) da UNIBAN Brasil, com a organização da jornalista e professora Patrícia Paixão. A obra, editada pela In House, será lançada em 10 de Setembro de 2011 na XV Bienal do Livro Rio.

Em entrevistas exclusivas concedidas aos estudantes, Percival de Souza, Fernando Molica, Renato Lombardi, Marcelo Rezende, Domingos Meirelles, Luiz Malavolta, Josmar Jozino, Gil Gomes, Robinson Cerantula, Fátima Souza, André Caramante, Bruno Paes Manso, Afanasio Jazadji, Gio Mendes, Fausto Salvadori Filho, Marco Antonio Zanfra e Pantera Lopes debatem os principais méritos e deméritos da área, analisando coberturas famosas como os casos Escola Base, Favela Naval, os ataques do PCC em São Paulo, o assassinato da menina Isabella Nardoni e o fatídico sequestro da garota Eloá Cristina Pimentel, em Santo André na Grande São Paulo.

A ideia do livro surgiu em 2008, a partir de um trabalho que os alunos desenvolveram na disciplina Entrevista e Pesquisa Jornalística, ministrada por Patrícia Paixão. “Escolhemos o jornalismo policial como tema das entrevistas pelo fato de a área ser pouco debatida tanto no âmbito acadêmico como no profissional. Até mesmo no mercado editorial são raros os títulos sobre esse tipo de cobertura”, explica a professora.

Os alunos foram orientados a entrevistar jornalistas que atuam ou atuaram nessa área em todos os tipos de mídia (impressa, eletrônica e digital) e em diferentes etapas da produção jornalística, da reportagem à apresentação (no caso da TV e do Rádio). “Assim pudemos garantir riqueza e diversidade no conjunto de relatos colhidos”, complementa Patrícia.

Você é nosso convidado para o lançamento do livro Jornalismo Policial: Histórias de Quem Faz.

SERVIÇO
Lançamento do livro Jornalismo Policial: Histórias de Quem Faz
Data: 10/11/2011 (Sábado)
Local: Rio Centro
Av. Salvador Allende, 6.555 - Barra da Tijuca
Rio de Janeiro, Brasil
Editora In House – Estande M23 / Pavilhão Verde
Horário: das 17h às 20h
Informações: http://www.bienaldolivro.com.br/
E-mail: historiasdequemfaz@gmail.com

19 de agosto de 2011

7SÉRIE: DRAMAS & MELANCOLIAS


Noches de juegos
Vigésimo Segundo Capítulo - A angústia e as descobertas


Antero estava atacado de profunda angústia. A pior de todas! Comentavam seus  familiares e amigos mais próximos. Afastado, por má saude, do cargo de escriturário do instituto de previdência social, há alguns meses recebia salário sem trabalhar.

Estava realmente abalado, desta vez repetia sem cessar frases aparentemente desconexas enquanto caminhava pela casa e, algumas vezes, pelas ruas do bairro. Há cerca de quinze dias estava assim, em crise. Recusava alimentação e descanso, todavia causava estranheza o fato de que religiosamente tomava banho e fazia a barba todos os dias.

- Isso é bom? Perguntou sua mãe a um vizinho enquanto observavam seu empenho delirante que seguia caloroso.

- Todo o mundo vai, ninguém quer, eles nunca mais virão, estaremos sempre aqui. Nada me fará voltar, tudo vai dar certo.

Ia assim dizendo pausadamente como que a refletir sobre o significado de cada palavra.

- As coisas vão mal, a gente vai, a gente não vai. O tempo todo. O tempo ganho, o tempo perdido. Não sei viver sem você, vivo trabalhando. Não sei fazer nada. Só me falta nada. Preciso fazer nada. Sim, É isso!

Após esta frase parou diante da janela do seu quarto e como quem tivesse descoberto algo de suma importância, abriu a vidraça e gritou a plenos pulmões:

- Só me falta nada! Nada, nada, naaadaah!! Sim..nada! repetiu antes de voltar  a caminhar pelo aposento a com olhar altivo e compenetrado.

- “Saber como se faz nada. Preciso aprender a fazer nada!”

 Concluiu e se deixou cair de costas sobre a cama com reluzente e largo sorriso.

Naquele mesmo instante, teve sua memória tomada pela aventura narrada por D. Quixote a Sancho Pança e ao primo cicerone, sobre sua descida às profundezas da caverna de Montesinos. Era isso, pensou e, imediatamente prometeu a si mesmo que na primeira oportunidade compartilharia suas últimas reflexões com amigo Jorge Onofre a quem indicara a leitura de Miguel de Cervantes e para tal empreitada iniciou escrever um texto que lhe veio à mente:

...Durante longo tempo na história da humanidade, o indivíduo usou projeções emocionais nascidas de suas esperanças e ansiedades imaturas – os deuses - para explicar o homem, a sociedade e o universo; essas explicações davam-lhe um sentimento de segurança. Depois, através do próprio progresso social científico e tecnológico, o homem libertou-se do medo de sua própria existência e se arvorou a realizá-la...

Claudio Zumckeller

11 de agosto de 2011

7SÉRIE: DRAMAS & MELANCOLIAS

Noches de juegos
Vigésimo Primeiro Capítulo - É madrugada


É madrugada, o canto do galo que eu acordei ecoa indignado. É tarde para mim, cedo demais para ele. Chove forte lá fora, cá dentro pinga sobre a mesa. A busca para o desfecho da trama que envolve a questão de vida ou morte para a personagem Isis, uma fisioterapeuta pedófila, é o empecilho. Deixo para amanhã, quem sabe o cotidiano traga algum toque mágico. Percebo que já é dia e, para espreitar a realidade, antes de pegar no sono, garimpo os emails. Jorge Onofre está em minha caixa de entradas, temo que seja um vírus ou qualquer brincadeira tosca. Nunca recebi qualquer correio dele e sequer desconfiei que ele pudesse ter meu endereço eletrônico. Porém, lá nos escombros da memória enxergo uma possibilidade, não me contenho, abro e leio intrigado:

“Caro contador de histórias, boa tarde.

Jamais pensei em toda a minha vida que os fracassos e sucessos que vivi e tenho vivido, possuíssem alguma chispa que fosse de utilidade. Nunca tirei, nem para mim mesmo sequer, qualquer lição que pudesse considerar importante. Tudo que tenho aprendido tem tido como fonte única, sempre e invariavelmente, a vida do outro.

Confesso que fiquei envaidecido quando me deparei com os primeiros capítulos daquilo que você em prefácio justifica como a correção de distorções que certos despreparados comentaristas teriam tecido a meu respeito. Porém no decorrer dos seus escritos venho notando que, assim como aqueles a quem criticou, você tem cometido desvirtuamentos imperdoáveis. Confesso que convivi, em alguns momentos ao menos, com a maioria dos personagens citados, todavia há certas passagens que honestamente não me recordo e outras ainda em que, sem estar citado, não vejo qualquer possibilidade de ligá-las a minha história.

Em resumo, gostaria que, caso você não encontre mais nada de verdadeiro ao meu respeito, me privasse de invenções. Sou grato e envaidecido, conforme disse, mas prefiro que retire meu nome das tramas desse seu tecido.

Grato, Jorge Onofre!

Pasmado, mas inegavelmente envaidecido com as declarações deste personagem e leitor, vejo que o sono se dissipou e que para o caso de Isis, a fisioterapeuta pedófila, seria precoce optar pela morte.

Claudio Zumckeller

4 de agosto de 2011

7SÉRIE: DRAMAS & MELANCOLIAS


Noches de juegos
Vigésimo Capítulo - A mala com asa e o mala sem alça


- Ela fez minha mala aos trancos e solavancos e despejou pela janela. O volume desceu do10º andar desfraldando uma manga camisa.  Foi o cômico arremedo de um aceno de despedida que em poucos segundos aterrissou flácido e abandonado. Que cena!

Eu convalescia de uma hepatite e a Mariana, a pretexto de cuidar de mim, foi ficando e acabou se instalando definitivamente. Quando soube do arranjo, Lídia, que tinha ido embora há cerca de um mês, resolveu voltar para a reintegração de posse.

Era sábado à tardinha,  alguma vodka e muita ira somaram para que ela tomasse tão tresloucadas atitudes. Rodou a baiana, chutou o pau da barraca, botou fogo no circo. Fez o que tinha e o que não tinha direito.

Conformado, deixei o apartamento e, já na rua, ergui os olhos e contemplei meus pertences viajando pelos ares.

Enquanto narrava o sucedido, João Franco exibia um acalorado e extenso jogo cênico que lhe rendia acentuado rubor das faces e abundantes suores pelo corpo.

O fato, relatado agora, alguns anos depois, soou pitoresco e trouxe muito mais o riso do que qualquer outro sentimento. Era outro tempo, já não passava de um quadro na parede da memória que, entre uma cerveja e outra, surgia como anedota.

- Foi triste! – constatou e não pode deixar de ver a figura que repentinamente adentrava em direção à mesa: ninguém senão Tidão, velho conhecido dos presentes que se aproximava mamado a cantarolar

- Segura aí, se segura malandro, se segura...

Após chamar para si a atenção, emendou:

- Pois é... Jacaré comprou cadeira, mas não tem bunda para sentar. Em casa de Saci Pererê, uma calça veste dois. Circo Marimbondo, circo Marambaia. Larga minha franja, não me atrapalha.

Nasceste nua, vestida estás. Após a pós modernidade vem a imensa saudade.

Todos vão dizer que falo demais, e que ando bebendo demais, que não largo o cigarro e dirijo meu carro, correndo e sempre chegando ao mesmo lugar, qual João Donato, estou louco por direito e de fato. Se quiseres saber se eu te amo ainda, procura entender que a Barra funda é linda. Vai, vai... Não vou. Não vou, eu não sou alguém de ir em promessas de amor. Não! Eu só vou se for para ver uma estrela amanhecer na manhã de um novo amor.

É, moro em cima do sapato, vivo pleno em movimento. Rio, apelidando átomos. Se queres me enganar, diga que é para sempre ou nunca mais, tanto faz. Saíste batendo a porta, estavas louca para ficar. Estou contigo e não abro. Estamos juntos e misturados feito água e querosene. Êtcha! Mundo chucro! Curral demente.

Falando sério, só te queria por acaso. Eu sequer sonhei, nunca fui ao cinema, não gosto de festa, não vou à Ipanema, não gosto de chuva, não gosto de sol. Vesti uma camisa listrada e saí por aí. Caminhei por aí, para ver se encontro a paz que perdi.

Ah! Estas cordas de aço deste minúsculo braço. Camisa aberta, quando a saudade aperta. Pela cidade palco iluminado, sigo alerta, estou palhaço, vou ao samba e vou ao rock. Quero ver minha espanhola natural de La mancha. Ser Quixote tomando sorvete. Baby, faz tanto tempo! Malandragem dá um tempo, deixa essa pá de sujeira ir embora.
Nada do que foi, será. Como uma onda no bar.

Para finalizar deu um breve aceno, baixou a aba do Panamá e se retirou resmungando
- Até amanhã, até amanhã se Deus quiser, eu vou para casa, vou rever minha mulher...

Depois de caminhar alguns metros, como quem se lembrasse de algo importante, retornou e cantou o seguintes versos:

“Na Barra Funda nunca mais eu voltarei/ Cantei meu samba, nunca mais eu trabalhei/ faz sete anos que eu vivo na malandragem/ quero trabalhar mas me falta coragem/ Tenho de tudo, até anel de doutor/ Trabalhar é pra relógio e eu não sou despertador/ sou malandro vestido, uso terno chapéu e sapato/ uma nega no basquete, dinheiro?
Comigo é mato”

E soltou um longo FUUUUI.... que precedeu um  trotezinho charmoso e risonho.

Claudio Zumckeller

17 de julho de 2011

FUTEBIZARRICES - EM SÃO PAULO, COMEÇA A COPA DO BRASIL

Caros leitores 7cos, desculpem a longa ausência! Depois de dar andamento em alguns projetos pessoais, finalmente posso me dedicar mais ao nosso querido blog!

Bom, o Campeonato Brasileiro está comendo solto e atrai todos os holofotes da mídia e da torcida brasileira. Mas um torneio pouco conhecido do público em geral começou neste sábado e, ao campeão, vale uma vaga na Copa do Brasil, a segunda competição mais importante do país.

36 equipes das Séries A1, A2 e A3 do Campeonato Paulista disputam a edição de 2011 e vou apresentar aqui todos os candidatos para esta competição.

GRUPO 01
Associação Atlética INTERNACIONAL (Bebedouro)
Data de fundação: 11/06/1906
Estádio: Sócrates Stamato (15.300), em Bebedouro
Competição: Série A3 (16º colocado)
Títulos: Vice das Séries B1-A (1995) e B1-B (1994)

Associação Esportiva SANTACRUZENSE
Data de fundação: 25/01/1931
Estádio: Leônidas Camarinha (10.058), em Santa Cruz do Rio Pardo
Competição: Série A3 (vice-campeão)
Títulos: 1 Série A3 (1962)

Clube Atlético LINENSE
Data de fundação: 11/02/1930
Estádio: Gilberto Siqueira Lopes (15.770), em Lins
Competição: Série A1 (14º colocado)
Títulos: 2 Série A2 (1952 e 2010), 1 Interior (1952) e 1 Série A3 (1977)

Clube Atlético PENAPOLENSE
Data de fundação: 16/11/1944
Estádio: Tenente Carriço (5.717), em Penápolis
Competição: Série A3 (campeão)
Títulos: 1 Série A3 (2011)

Esporte Clube NOROESTE
Data de fundação: 01/09/1910
Estádio: Alfredo Castilho (16.899), em Bauru
Competição: Série A1 (19º colocado - rebaixado)
Títulos: 3 Série A2 (1953, 1970 e 1974), 1 Interior (1943), 1 Campeão do Interior (2006), 1 Série A3 (1995) e 1 Copa Paulista (2005)

Esporte Clube XV DE NOVEMBRO (Jaú)
Data de fundação: 15/11/1924
Estádio: Zezinho Magalhães (12.000), em Jaú
Competição: Série A3 (8º colocado)
Títulos: 2 Série A2 (1951 e 1976)

Grêmio CATANDUVENSE de Futebol
Data de fundação: 08/03/1999
Estádio: Sílvio Salles (16.400), em Catanduva
Competição: Série A2 (3º colocado - acesso)
Títulos: Vice Campeão Série B (2006)

OESTE Futebol Clube
Data de fundação: 25/01/1921
Estádio: Municipal dos Amaros (15.000), em Itápolis
Competição: Série A1 (6º colocado - Campeão do Interior)
Títulos: 1 Campeão do Interior (2011), 1 Série A2 (2003), 1 Série A3 (1992 e 2002), 1 Série B1-A (1998) e 1 Série B1-B (1997)

RIO PRETO Esporte Clube
Data de fundação: 21/04/1919
Estádio: Anísio Haddad (18.670), em São José do Rio Preto
Competição: Série A2 (7º colocado)
Títulos: 2 Série A3 (1963 e 1999)

GRUPO 02
Associação Atlética FRANCANA
Data de fundação: 12/10/1912
Estádio: José Lancha Filho (15.100), em Franca
Competição: Série A3 (15º colocado)
Títulos: 1 Série A2 (1977)

Associação Esportiva VELO CLUBE Rioclarense
Data de fundação: 28/08/1910
Estádio: Benito Agnelo Castellano (8.198), em Rio Claro
Competição: Série A3 (4º colocado - acesso)
Títulos: 1 Interior (1925)

BATATAIS Futebol Clube
Data de fundação: 18/09/1919
Estádio: Osvaldo Scatena (8.540), em Batatais
Competição: Série A3 (9º colocado)
Títulos: 1 Interior (1945)

BOTAFOGO Futebol Clube
Data de fundação: 12/10/1918
Estádio: Santa Cruz (28.562), em Ribeirão Preto
Competição: Série A1 (13º colocado)
Títulos: 1 Campeão do Interior (2010), 2 Série A2 (1956 e 2000), 1 Série A3 (2006) e 1 Interior (1927)

COMERCIAL Futebol Clube
Data de fundação: 10/10/1911
Estádio: Francisco de Palma Travassos (15.360), em Ribeirão Preto
Competição: Série A2 (4º colocado - acesso)
Títulos: 1 Série A2 (1958) e 1 Interior (1966)

FERROVIÁRIA Futebol S/A
Data de fundação: 12/04/1950
Estádio: Arena da Fonte Luminosa (20.287), em Araraquara
Competição: Série A2 (13º colocado)
Títulos: 2 Série A2 (1955 e 1966), Interior (1967, 1968 e 1969) e 1 Copa Paulista (2006)

RIO CLARO Futebol Clube (desistiu)
Data de fundação: 09/05/1909
Estádio: Augusto Schmidt Filho (15.969), em Rio Claro
Competição: Série A2 (12º colocado)
Títulos: Vice Copa Paulista (2005)

SÃO CARLOS Futebol Ltda.
Data de fundação: 25/11/2004
Estádio: Luís Augusto de Oliveira (10.000), em São Carlos
Competição: Série A3 (3º colocado - acesso)
Títulos: 1 Série B (2005)

UNIÃO SÃO JOÃO Esporte Clube
Data de fundação: 14/01/1981
Estádio: Hermínio Ometto (15.881), em Araras
Competição: Série A2 (11º colocado)
Títulos: 1 Brasileiro Série B (1996), 1 Brasileiro Série C (1988) e 1 Série A2 (1987)

GRUPO 03
Associação Atlética INTERNACIONAL (Limeira)
Data de fundação: 05/10/1913
Estádio: Major José Levy Sobrinho (18.000), em Limeira
Competição: Série A3 (11º colocado)
Títulos: 1 Brasileiro Série B (1988), 1 Série A1 (1986), 3 Série A2 (1978, 1996 e 2004) e 1 Série A3 (1966)

Esporte Clube SÃO BENTO
Data de fundação: 14/09/1913
Estádio: Walter Ribeiro (13.772), em Sorocaba
Competição: Série A2 (18º colocado - rebaixado)
Títulos: 1 Série A2 (1962) e 1 Série A3 (2001)

Esporte Clube XV DE NOVEMBRO (Piracicaba)
Data de fundação: 15/11/1913
Estádio: Barão de Serra Negra (18.799), em Piracicaba
Competição: Série A2 (Campeão)
Títulos: 1 Brasileiro Série C (1995), 4 Série A2 (1947, 1948, 1967 e 1983) e 4 Interior (1931, 1932, 1947 e 1948)

ITUANO Futebol Clube
Data de fundação: 24/05/1947
Estádio: Novelli Júnior (16.405), em Itu
Competição: Série A1 (16º colocado)
Títulos: 1 Brasileiro Série C (2003), 1 Série A1 (2002), 1 Série A2 (1989), 2 Série A3 (1954 e 1955) e 1 Copa Paulista (2002)

RED BULL BRASIL e Entretenimento Ltda.
Data de fundação: 19/11/2007
Estádio: Moisés Lucarelli (19.728), em Campinas
Competição: Série A2 (9º colocado)
Títulos: 1 Série A3 (2010) e 1 Série B (2009)

RIO BRANCO Esporte Clube
Data de fundação: 04/08/1913
Estádio: Décio Vitta (12.765), em Americana
Competição: Série A2 (20º colocado - rebaixado)
Títulos: Campeão do Interior (1922 e 1923)

Sociedade Esportiva ITAPIRENSE
Data de fundação: 24/03/1947
Estádio: Coronel Francisco Vieira (4.285), em Itapira
Competição: Série A3 (12º colocado)
Títulos: 1 Série B (1969)

Sociedade Esportiva PALMEIRAS B*
Data de fundação: 26/08/2000
Estádio: Municipal Alfredo Chiavegatto (15.000), em Jaguariúna
Competição: Série A2 (15º colocado)
Títulos: nenhum

UNIÃO Agrícola BARBARENSE Futebol Clube
Data de fundação: 22/11/1914
Estádio: Antônio Lins Ribeiro Guimarães (14.914), em Santa Bárbara d'Oeste
Competição: Série A2 (16º colocado)
Títulos: 1 Brasileiro Série C (2004), 1 Série A2 (1998) e Série A3 (1967)

GRUPO 04
Clube Atlético JUVENTUS
Data de fundação: 20/04/1924
Estádio: Rodolfo Crespi (Rua Javari – 4.004), em São Paulo
Competição: Série A3 (10º colocado)
Títulos: 1 Brasileiro Série B (1983), 2 Série A2 (1929 e 2005) e 1 Copa Paulista (2007)

Clube Atlético TABOÃO DA SERRA
Data de fundação: 12/12/1985
Estádio: Vereador José Feres (4.410), em Taboão da Serra
Competição: Série A3 (13º colocado)
Títulos: 1 Série B (2010) e 1 Série B2 (2004)

GRÊMIO Esportivo OSASCO
Data de fundação: 17/12/2007
Estádio: José Liberati (11.682), em Osasco
Competição: Série A3 (7º colocado)
Títulos: Vice da Série A3 (2009)

AUDAX SÃO PAULO Esporte Clube
Data de fundação: 08/12/1985
Estádio: Nicolau Alayon (Comendador de Souza – 9.660), em São Paulo
Competição: Série A2 (10º colocado)
Títulos: 1 Série B (2008)

PAULISTA Futebol Clube Ltda.
Data de fundação: 17/05/1909
Estádio: Jayme Cintra (14.771), em Jundiaí
Competição: Série A1 (10º colocado)
Títulos: 1 Copa do Brasil (2005), 1 Brasileiro Série C (2001), 2 Série A2 (1968 e 2001), 2 Interior (1919 e 1921) e 2 Copa Paulista (1999 e 2010)

SÃO BERNARDO Futebol Clube Ltda.
Data de fundação: 20/12/2004
Estádio: Primeiro de Maio (12.054), em São Bernardo do Campo
Competição: Série A1 (17º colocado - rebaixado)
Títulos: Vice da Série A3 (2008)

SÃO JOSÉ Esporte Clube
Data de fundação: 24/12/1976
Estádio: Martins Pereira (15.317), em São José dos Campos
Competição: Série A2 (5º colocado)
Títulos: 2 Série A2 (1965 e 1980), 1 Série A3 (1965) e 1 Série B1-A (1964)

Sport Club CORINTHIANS Paulista**
Data de fundação: 01/09/1910
Estádio: Antônio Soares de Oliveira (6.235), em Guarulhos
Competição: Série A1 (vice-campeão)
Títulos: 1 Mundial,  4 Brasileiro Série A, 3 Copa do Brasil, 26 Série A1 e 1 Brasileiro Série B

* é um time que pertence ao Palmeiras, mas é filiado à FPF. É o único clube paulista que tem duas equipes disputando competições oficiais. Com a reforma do Palestra Itália, o Palmeiras fez uma parceria com a prefeitura de Jaguariúna, que recebe partidas das categorias de base do clube.

** disputará a competição com uma equipe de júniores e com jogadores do Flamengo de Guarulhos, com o qual tem parceria.

Gabriel Lopes

28 de junho de 2011

DITUDUMPOCO - NÃO SE BRINCA COM A FOME DE UM GORDINHO


Uma imagem como esta me causa um pouco de revolta, sabiam?
Sinto-me lesado.
Sacaneado.
Ou como dizem agora na internet, Trollado.
Tudo bem que pedir que seus Cookie’s fossem perfeitos tal qual o da imagem seria pedir demais.
Não sou um consumidor tão exigente assim.
Apenas gostaria de registrar meu desagrado por não encontrar dentro da embalagem um produto que se assemelhasse ao menos em 50% com o da ilustração.
Na embalagem, na lateral e em letras miúdas diz: “A FOTO É UMA AMPLIAÇÃO DO PRODUTO”.
Não é!!!
Nem com muita imaginação.
Nem com muita boa vontade.
Nem com muita fome.
Bauducco, não se brinca com a fome de um gordinho!

#PorraBauducco

Renato Souza

8 de junho de 2011

7SÉRIE: DRAMAS & MELANCOLIAS

Noches de juegos
Décimo Nono Capítulo - Trotes e embaraços

Ao ver a foto tirada após o futebol de praia com amigos, Jorge Onofre constatou que estava obeso. Contemplou decepcionado seu peitoral descaído, os ombros estreitados e a cintura de um ovo. Há tempos sentia certo cansaço com o pouco que diariamente caminhava, tinha dificuldades para amarrar os sapatos e, ereto, mal enxergava o pinto que agasalhava sob o protuberante abdome. Resolveu então definitivamente tomar as rédeas de sua saúde. Pela boca morre o peixe, - lembrou-se do velho ditado. Revoltado revia na memória a figura de Alzirinha irada, meses antes da separação, quando discutiam a partilha, lhe chamando ironicamente de fofo.
Lamentou mas consentiu resignado que definitivamente estava despossuído dos contornos atléticos que um dia motivaram os elogios que lhe massageavam o ego. Perdi a vaidade! Refletiu angustiado. Mas como nunca fora homem de se dar por vencido, rapidamente fez o cálculo de quantos quilos precisava perder e do tempo que levaria a recuperação.
Um semestre, cerca de três quilos ao mês, alimentação balanceada e exercícios! Vai ser assim a partir de segunda feira. Desferiu animado. Era sábado e ao sair do banho nu e convicto diante do espelho tentou imaginar-se na forma ideal, porem as avantajadas tetas que lhe adornavam o tórax fizeram com que ele pensasse na via cirúrgica. Ascendeu um cigarro enquanto pensava sobre o que ia vestir e mal dava a segunda tragada quando soou o toque do telefone.
- Alô!
- Jorge?
- Sim, quem fala?
- Presta atenção meu chapa, tua mãe ta aqui comigo e ela ta dizendo que te ama.
- Minha mãe! Que papo é esse! Quem é que está falando?
- Não interessa, faz o que vou te dizer ou vou cortar a velha.
- O que é isso! Que brincadeira é essa?
- Brincadeira é o caralho! Presta atenção otário!
Percebendo que a linha tinha caído, Jorge desconfiou que era um trote, mas, por desencargo de consciência, ligou para a casa da mãe. Seis toques e ninguém atendeu. Um frio subiu do abdômen para a boca do estômago. Meu Deus! Será possível? Refletiu perplexo e logo se lembrou que sua mãe morrera há alguns anos.
Novamente o sinal de chamada repercutiu e ansioso sem prestar atenção ao número, foi curto e grosso.
- Ô filho da puta... vai pentear macaco.... seu desocupado, vagabundo!
Deste modo encerrou a xingação e desligou. Naquele momento, um frio maior que o primeiro lhe invadiu a alma. O telefonema vinha do Dr. Leandro, advogado que contratara para sua defesa em processo que lhe moviam alguns primos que, co-herdeiros no inventário de um tio abastado, tentavam provar sua insanidade.

Claudio Zumckeller

31 de maio de 2011

FUTEBIZARRICES - OS NOMES "ESTRANHOS" DO FUTEBOL BRASILEIRO 5

O nosso futebol segue nos brindando com lances maravilhosos, jogadas incríveis, gols que nem mesmo quem os faz consegue explicar e muito menos explicar aqueles errados sem o goleiro. A cada dia um novo craque surge em algum canto do país.

Mas disso tudo mundo já sabe. Meu foco continua sendo fora de campo, longe dos gramados. O Cartório e a irreverência, espiritualidade e criatividade dos pais de nossos jogadores na hora do registro. Depois de um passeio pelos times da principal divisão escolhi o que achei de mais estranhos.

Nesta nova lista figuram que me garantem dizer que a criatividade de pais e mães segue em alta.

Destaque para nomes como: Glaycon Rian do América de Minas, Wagerson do Atlético de Goiás e Jheimy do Mineiro. Revson do Avaí e Rhayner do rival Figueirense. Jóbson do Bahia, que numa tradução livre nada mais seria que “O Filho do Trabalho”. Welthon Fiel do Atlético Goianiense, fiel não foi seu pai ao lhe dar este nome. Temos até um 'trava-línguas' com Aderbar do Atlético Paranaense.

E quando a mãe quer um nome e o pai outro? Simples, surge um novo nome como Francinilson, jogador do Bahia. No minímo uma homenagem a Francisco e Nilson.

Kartjaneo, Jecimauro, Evaeverson, José Gildeixon, Henan, Edelvany, Fransérgio, Lee Winston Leandro, são apenas mais alguns exemplos.

E sigo com a pergunta, se Júnior é um adjetivo que denomina o mais jovem (de dois), como pode alguma pessoa ter Júnior como o primeiro nome?

Alguns nomes nem causam tanta estranheza, como Dagoberto, Rivaldo, Marlos, Luan, Liedson, Ralf, mas eu não tenho nenhum amigo com este nome e não conheço mais ninguém que os tenha além destes jogadores.

Bom, a lista segue logo abaixo. Tirem vocês suas conclusões, mas eu não me canso de alertar e pedir: divirtam-se, não usem como inspiração! Seus filhos agradecem.


América
Glaycon Rian de Oliveira
Sheslon Lucas Lima Sant´ana
Irênio José Soares Filho
Eliandro dos Santos Gonzaga

Atlético Goianiense
Wagerson Ramos dos Santos – Gerson
Welthon Fiel Sampaio
Anaílson Brito Noleto
Kenedy Silva Reis - Keninha
Claussio dos Santos Dimas – Pituca
Júnior César Moreira da Cunha - Juninho

Atlético Mineiro
Lee Winston Leandro da Silva Oliveira – Lee
Sidimar Fernando Cigolini
Patric Cabral Lalau
Réver Humberto Alves Araújo
Bernard Anicio Caldeira Duarte
Werley Ananias da Silva
Wendel Alex dos Santos
Richarlyson Barbosa Felisbino
Claudionor Souza de Jesus - Claudio Leleu
Sosthenes José Santos Salles – Neto Berola
Jheimy da Silva Carvalho
Wescley Gomes dos Santos

Atlético Paranaense
Aderbar Melo dos Santos Neto – Santos
Dalton Moreira Neto
Heracles Paiva Aguiar
Madson Formagini Caridade
Jenison de Jesus Brito e Brito
Carlos Robston Ludgero Júnior – Robston
Héverton Durães Coutinho Alves
Fransérgio Rodrigues Barbosa
José Kléberson Pereira – Kléberson
Henan Faria da Silveira

Avaí
Aleksander Douglas de Faria – Aleks
Revson Cordeiro dos Santos
George Lucas Coser
Erinaldo Santos Rabelo – Pará
Romano Rodrigues
Gian Francesco Gonçalves Mariano
Ildemar Arigone de Oliveira
Acleisson Scaion
Dinélson dos Santos Lima
Arthuro Henrique Bernhardt

Bahia
Omar Constante Reis Santos
Ruan Gusmão Pereira Borges
Jancarlos de Oliveira Barros
Danny Bittencourt Morais
Ávine Júnior Cardoso
Francinilson Santos Meirelles – Maranhão
Diones Coelho da Costa
Marcone Cena Cerqueira
Madson Ferreira dos Santos
Jóbson Leandro Pereira de Oliveira

Botafogo
Maicosuel Reginaldo de Matos
Laio Azeredo dos Santos
Elkeson de Oliveira Cardozo

Ceará
Erivelton Gomes Viana
Kartjaneo Barbosa de Arruda – Kate

Corinthians
Welder da Silva Marçal – Weldinho
Edenilson Andrade dos Santos
Ralf de Souza Teles
Liedson da Silva Muniz

Coritiba
Demerson Bruno Costa
Jecimauro José Borges
Hermenegildo da Costa Paulo Bartolomeu – Geraldo
José Gildeixon Clemente de Paiva – Gil
Rosimar Amâncio – Bill

Cruzeiro
Edinaldo Gomes Pereira – Naldo
Wallyson Ricardo Maciel Monteiro
Evaeverson Lemos da Silva – Brandão

Figueirense
Joílson Rodrigues Macedo
Gutieri Tomelin
Evanildo Borges Barbosa Júnior – Juninho
Lenny Fernandes Coelho
Rhayner Santos Nascimento


Flamengo
Júnior César Eduardo Machado
Adryan Oliveira Tavares

Fluminense
Klever Rodrigo Gomes Rufino
Willamis de Souza Silva – Souza
Edimo Ferreira Campos – Edinho
Clemerson de Araújo Soares – Araújo

Grêmio
Saimon Pains Tormen
Neuton Sergio Piccoli
Vilson Xavier de Menezes Júnior
Mithyuê de Linhares
Roberson de Arruda Alves
Lins Lima de Brito
Weverson Leandro Oliveira Moura – Leandro

Internacional
Fabian Guedes – Bolívar
Glaydson Marcelino Freire
Ubirajara Natan de Souza de Araujo – Natan
Bryan Jones Anicezio

Palmeiras
Eliton Deola
Lincoln Cássio de Souza Soares
Luan Michel Louzã
Rivaldo Barbosa de Souza
Edelvany de Andrade dos Santos – Andrade
Telmário de Araújo Sacramento – Dinei
Maximiliano Ezequiel dos Santos – Max Santos

Santos
Geuvânio Santos Silva
Elano Ralph Blumer
Alison Lopes Ferreira
Neymar da Silva Santos Júnior
Keirrison de Souza Carneiro
Rychely Cantanhede de Oliveira
Humberlito Borges Teixeira – Borges

São Paulo
Ilson Pereira Dias Junior – Ilsinho
Marlos Romero Bonfim
Rivaldo Vítor Borba Ferreira
Dagoberto Pelentier

Vasco
Marcilei da Silva Elias – Max
Jomar Herculano Lourenço
Luan Garcia Teixeira
Jumar José da Costa Júnior
Enrico Cardoso Nazaré

Renato Souza

25 de maio de 2011

REALPOLITIK - O POLITICAMENTE CHATO

Nos últimos anos passamos a ver uma crescente onda do que chamamos de “politicamente correto”. Pessoas com uma grande sensibilidade para fatos do cotidiano, sempre em defesa dos fracos e oprimidos, com uma quase vocação para super-herois.

Estão em todas, não importa se realmente estão engajados em alguma causa, eles apenas “causam” em prol de sei lá o que.

Se tornaram figuras conhecidas em marchas, protestos, passeatas, greves, lutas por direitos e deveres. Normalmente vão de contra ao resto da sociedade, e por incrível que pareça, sempre atingem seus objetivos. Fazem cara de bebê chorão para serem ouvidos e quando não são, berram tal qual uma criança desmamada.

Tornam-se verdadeiros chatos por se colocarem acima do bem e do mal, são os mocinhos que querem salvar o mundo e nós os vilões que fazemos de tudo para impedir.

Balela, somos todos farinha de um mesmo saco. Mas apontar o erro alheio é bem mais divertido.

Renato Souza

5 de maio de 2011

7SÉRIE: DRAMAS & MELANCOLIAS

Noches de juegos
Décimo Oitavo Capítulo - Más Lembranças, reencontros e desprazeres

Desirée era doida por João franco desde a infância. Ele fora o príncipe encantado, o Apolo a galopar o veloz baio que povoara seus sonhos adolescentes.

Já adulta e casada há algum tempo com Fuad Farah, ela sentia ainda tremer a alma quando ouvia qualquer comentário sobre o objeto do seu amor juvenil. Como eram de famílias próximas e possuíam um círculo de amizades comum, era corriqueiro terem notícias um do outro, ainda que vivessem distantes.

Logo que Alzirinha relatou que o irmão, agora defendia o pão vendendo seguros, Desirée não pensou duas vezes e, com a promessa de passar todos os seguros de seus bens - que não eram poucos -, para a carteira do objeto do seu platonismo, pediu que ele a visitasse. Não deu outra coisa, na semana seguinte lá estava o novo corretor, em busca de bons negócios, em frente ao portal da imponente mansão da amiga de infância.

Casado, na ocasião vivendo seu segundo casamento com Mariana, João não cogitava nada senão a ampliação de sua clientela. De qualquer maneira estava ansioso pelo reencontro e quando o mordomo o despejou na ampla sala, pode ver ao fundo, à beira da lareira, a bela silhueta de mulher. Pasmou, mas sem perder o prumo estendeu a mão e beijou-lhe doce e respeitosamente o rosto.

- Você está muito bem. O tempo tem sido generoso contigo. – João foi destilando frases de elevador e tratando de se sentar guiado pela voz suave e o brilho do olhar da amiga.
Naquela noite, pouco falaram sobre negócios. Passaram horas entretidos com bons vinhos e finos queijos. Ouviram música e riram com ridículas recordações. Na despedida agendaram para o fim de semana que, alongado pelo dia de São Paulo, proporcionaria a ocasião de apresentarem mutuamente seus esposos e filhos.

Chegou o 25 de janeiro e o dourado crepúsculo que banhava a porteira da fazenda Damasco tragou o automóvel que trazia João, Mariana e suas duas filhas.

- Velho, lhe juro por tudo que pode haver de mais sagrado, como não premeditei nada, nada, absolutamente nada. Quando percebi, já estava totalmente envolvido.

Com esta sentença, João, contrariado, iniciou a resposta ao questionamento sobre seu tumultuado romance, imposto por Jorge Onofre enquanto se encontravam velando o falecido Aristides, causa nobre e unicamente capaz de reaproximar duas figuras que há muito já tinham recíproco desprazer em se reverem.

Claudio Zumckeller

7 de abril de 2011

FUTEBIZARRICES - UM CAMPEONATO BRASILEIRO FORA DO BRASIL

Que o futebol brasileiro é o melhor do mundo, isso ninguém tem dúvidas. Que nossos craques são os mais valorizados no mercado do futebol, também não. Mas a que ponto isso pode influenciar em campeonatos do outro lado do Atlântico?

Sabemos que a cada ano um número elevado de jogadores deixa nosso país rumo a vários campeonatos em diversos países do mundo, lugares às vezes sem tradição alguma no futebol, mas nada, absolutamente nada se assemelha ao que acontece na Liga ZON Sagres, o Campeonato Português.

Na atual temporada, que se encerra nas próximas semanas, o número de brasileiros se aproximou ao de lusitanos, e em alguns clubes o número de jogadores locais é menor que os nascidos no Brasil.

Ao todo são 142 jogadores brasileiros atuando em gramados portugueses neste momento do campeonato. Portugal é o primeiro país com mais jogadores na Liga, com 192.

Em números percentuais, a quantidade de atletas provenientes do Brasil é bastante significativa, representando 33% dos jogadores do campeonato, que, ao todo, possui 429 jogadores inscritos. Os "Patrícios" representam apenas 45% dos inscritos em sua própria liga, menos que a metade.

Em oito clubes o número de jogadores brasileiros é maior ou igual ao de portugueses. O Club Sport Marítimo, da cidade de Funchal na Ilha da Madeira, é o que mais detém jogadores do Brasil, 16 ao todo. Seguido de perto por Vitória de Setúbal com 15 e Vitória de Guimarães com 14.

Nos grandes a situação também é delicada, Porto tem 7 brasileiros e 7 portugueses, Benfica também divide, 8 de cada. A situação só é diferente com o Sporting, com 16 portugueses e apenas três jogadores do Brasil, o menor número de toda a Liga.

Será que os portugueses não se sentem incomodados com tantos jogadores brasileiros em sua liga? Parece que não, em sua seleção principal, que disputou a ultima Copa do Muno na África, três jogadores eram nascidos no Brasil, o zagueiro Pepe, o meia Deco e o atacante Liedson. Atualmente, nenhum deles está no futebol de Portugal.

No ritmo que está muito em breve o número de brasileiros ultrapassará o de portugueses e teremos uma filial do Brasil da Europa. O que não parece ser uma má idéia para o futebol tupiniquim, grandes clubes europeus colocam seus olhos apenas em alguns jovens que se destacam no futebol do Brasil, verdadeiros craques. A tendência dos últimos anos é de jogadores com passagem pelo futebol de Portugal, uma espécie de segundo escalão da Europa, para só depois migrarem para equipes de maior reputação, transformando o campeonato português não em uma ponte, mas em um aprendizado, um estágio antes dos grandes europeus.

Mas não só de craques e futuras revelações vive esta Liga, se perderes seu precioso tempo e olhar alguns dos 16 clubes da tabela, tenho a certeza que não irá reconhecer 10 dos 142 brasileiros que por lá atuam.

Abaixo segue lista dos 16 clubes que integram a Liga ZON Sagres 2010-2011 e o número de jogadores dos dois países.

Brasileiros

Portugueses

Marítimo

16

9

V. Setúbal

15

10

V. Guimarães

14

11

Braga

12

12

Nacional

10

9

União Leiria

10

9

Benfica

8

8

Naval

8

12

Paços de Ferreira

8

15

Olhanense

7

13

Portimonense

7

12

Porto

7

7

Rio Ave

6

20

Beira-Mar

6

15

Acadêmica

5

14

Sporting

3

16


Renato Souza

31 de março de 2011

7SÉRIE: DRAMAS & MELANCOLIAS

Noches de juegos
Décimo Sétimo Capítulo - Minudências e amplidões

“Vagar no entorno, esmiuçar o redor próximo, decifrar um a um, cada significado dado a cada sensação em separado e buscar um sentido amplo que sintetize e simultaneamente discrimine as coisas, os sentimentos, as palavras escritas e as sonoridades com seus odores e sabores. Esmiuçar conceitos. Espreitar a lida da razão. Identificar os símbolos e suas intenções. Perscrutar a história e suas dedicadas organizações”.

A questão da obsessão com o tempo levara Antero a ocupar o centro das preocupações de seus familiares. Sua presença inquieta causava tantos e disparatados comentários quanto aqueles que adornavam sua imperceptível ausência. Tivesse alguém de sua parentela próxima, encontrado o acima escrito, estaria imediatamente lançada a suspeita de se tratar de carta suicida.

Entretanto diametral e infinitamente ao contrário, ele cavalga viçosa e solenemente estes preciosos momentos que nomeia de vertiginosas maravilhas de um aspirante a aprendiz Ele tem em mente documentar o curioso modo de enxergar a vida que está experimentando.

Como nunca fora de muitos amigos, não seria agora após os quarenta, quando a exigência é mais rigorosa, que se arvoraria a confidencias com qualquer um. Acionou a agenda eletrônica, buscou a letra j e logo estava na linha com o velho amigo Jorge Onofre que coincidentemente estava nas imediações. Mais quinze minutos e se encontravam sob efusivas saudações e escancarados risos.

- A vida tá só começando meu camarada! Disse Onofre

- É muito bom ter história pra contar. Tem maluco por aí que parece planta, - emendou Antero, - brota, cresce, enverga e morre.

Seguiam a prosa de camaradas quando, logo ali bem em frente, desabou imensa correria acompanhada de sirenes e estampidos. Foi aquela cena de se jogar no chão, gritos de mulher, latido de cães e choros de criança.

Passado o pânico, retomaram suas cadeiras e buscavam saber o motivo da balbúrdia.
Não precisou muita busca e avistaram a motocicleta no chão, um jovem deitado e algemado com a cara no chão e, pouco adiante, outro que agonizava.

- Foi “saidinha de banco”, - disse logo o garçon depois de perguntar se podia mandar mais cerveja.

- A saideira ,- rebateu Antero.

- Saideirinha de cadeira, - completou Jorge tentando a sorte no humor negro.

Claudio Zumckeller

20 de março de 2011

REALPOLITIK - KASSAB DE ESQUERDA? É O FIM DO MUNDO!

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, acaba de formar um novo partido político (quadrilha institucionalizada). Para isso, o mandatário paulistano se desfiliou do DEM (ex-arena, ex-PFL) e teve a pachorra de se definir como “centro” com tendências de “esquerda”. É... Kassab, um dia depois de sair do partido mais reacionário do país, se diz de “esquerda”.

Kassab e seus aliados na formação do novo partido, batizado de PSD (Partido Social Democrático), não criaram essa nova quadrilha por causa de rusgas ideológicas, como o mais inocente dos eleitores pode pensar; eles, na verdade, querem se aliar ao governo federal, ou melhor, querem se aliar a popularidade nacional do PT que acaba de entrar no seu terceiro mandato consecutivo na presidência do Brasil. Ainda tem a candidatura de Kassab ao governo de São Paulo, em 2014, que, certamente, não se concretizaria no DEM já que o ex-partido do prefeito de São Paulo, de certo, apoiará a reeleição candidato tucano Geraldo Alckmin (PSDB).

E ainda tem mais um pouco, o nome do novo bando de engravatados nacionais, PSD, é uma homenagem a Juscelino Kubitschek. É isso mesmo! Não tem nada a ver com social, democracia ou qualquer outra coisa, é uma homenagem! Genial, agora eles aboliram de vez as ideologias. Antes eles apenas as ignoravam, agora eles as aboliram. As siglas não significam mais nada.

Kassab disse que o PSD tem como principal meta diminuir a desigualdade social. Ora, isso é óbvio! Será que o DEM queria aumentar as desigualdades sociais? Vai entender...

Cada povo tem o político que merece! É a vida.

Thiago Menezes

15 de março de 2011

UMUNDUNU - REGISTRO PROFISSIONAL DE JORNALISMO - MTB

Ouvi dizer que demora, que tem filas, que deveria me preparar para ficar horas sentado olhando para o nada. Que deveria levar um bom livro ou algum tocador de música com a bateria bem carregada.

Das duas uma, ou dei muita sorte ou a qualidade do serviço na Superintendência Regional do Trabalho do Estado de São Paulo melhorou bastante.

Sai de casa logo cedo, queria ser um dos primeiros a ser atendido, para me livrar logo disso e também para não “mofar” na fila. Só que me esqueci que moro em São Paulo, a cidade do inesperado. Logo no dia em que resolvi sair computou-se o primeiro recorde de trânsito do ano na cidade, também pudera, era ano novo. Ou melhor, era o primeiro dia útil após o carnaval, dizem que o ano aqui no Brasil começa aí.

Levei cerca de quatro horas para percorrer os quase 40 quilômetros que me separam do centro da cidade. Queria chegar perto das 8h30, cheguei depois das 10h.

Já mais tranqüilo por ter saído do ônibus e por enfim ter chegado, ainda não estava tão feliz. O receio por uma longa fila ainda me deixava inquieto. Mas ao entrar no prédio, já na portaria, o pouco movimento me deixou mais aliviado, mesmo assim ainda preocupado. Já no primeiro andar do prédio, subindo as escadas, virando à esquerda, logo depois de uma espécie de recepcionista e de um segurança barrigudo, mais precisamente na sala 103, notei que todas as histórias de filas de demoras eram apenas isto, histórias. Era o único na sala, minha senha era logo a próxima, senha 954.

Tudo em mãos, Diploma de Jornalismo, RG, CPF, Carteira de Trabalho, PIS, Comprovante de Residência e suas respectivas cópias. Tudo conferido, tudo certo, tudo OK. A moça que me atendeu me devolve todas as copias com um papel com a data para o retorno, mas ainda não acabou. Tem que ir ao prédio ao lado, o do Ministério do Trabalho, para protocolar e entregar a pasta com as cópias. Logo na entrada do prédio, à sua direita numa bancada onde se pode ler uma placa “PROTOCOLO”.

Pronto, agora é só voltar na data marcada para enfim ter o seu Registro Profissional de Jornalista. No meu caso, 80 dias depois.

Serviço
MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO
Superintendência Regional do Trabalho do Estado de São Paulo
Endereço: Rua Martins Fontes, 109 – 1º andar – sala 103
Horário: Segunda a sexta das 9:00 as 15h30 hs
Documentos necessários: Diploma de Jornalismo, RG, CPF, Carteira de Trabalho (páginas 7 e 8), PIS e Comprovante de Residência e suas respectivas cópias.

Renato Souza

10 de março de 2011

7SÉRIE: DRAMAS & MELANCOLIAS

Noches de juegos
Décimo Sexto Capítulo - Semelhanças e coincidências

Alguns meses após o falecimento do amigo, Jorge Onofre recebeu da viúva, uma velha fita vídeo cassete. Na ocasião, Dolores foi breve:

- Assiste quando puder, copia se quiser, mas devolve que é de estimação.

Com alguma dificuldade, ele providenciou um aparelho adequado, se aconchegou na surrada poltrona e soltou a imagem. A cena se abriu com um jovem repórter em meio a tumultuosa multidão. O ambiente era a praça de entrada de um estádio de futebol.

Blocos humanos bailavam eufóricos empunhando bandeiras e berrando bordões. Na tela, o preto e branco revelava que Aristides Borges Amaro era o entrevistado.

- Ave Maria!

Onofre gargalhou e se ajeitou curioso
- Qual é seu time do coração. – Pergunta o repórter

Antes de iniciar a resposta ele retira da cabeça o panamá de aba curta, pousa a mão direita no peito, toma decididamente para si o microfone, limpa a garganta e solta o latim.

- Olha, irmãozinho, nessa questão o buraco é mais em baixo.
- Ah, Sim! Mas qual é o seu clube predileto, - reiterou para acertar o eixo. Todavia lhe restou, boquiaberto, acompanhar o discurso que tomou este rumo:

- Fruto da invenção humana, o futebol é pra ser jogado pelo homem e a vida social organizada, criada anteriormente, é pra ser por ele exercitada. Futebol e sociedade têm história, ciclo temporal, espaço relativo, regra, antagonismo e convergência. Correto? - Questionou e foi tomado por inoportuna tosse. Tratava então de se desculpar quando se viu obrigado a disputar acirradamente a posse do microfone que o assistente de produção tentava retomar. Era claro para o espectador que a entrevista estava desgovernada.

Aflito Jorge Onofre pressentiu o corte, entretanto supõe-se que, enxergando a possibilidade de obter material de arquivo, o cinegrafista tenha deixado seguir. Nem mesmo a Dolores sabia dizer se aquelas imagens algum dia foram publicadas, entretanto foi deste modo que se tomou ciência do que ficou gravado.

- A arbitragem, por exemplo, cuida no futebol para que certa ética esteja preservada – Prosseguiu destilando suas ”profundidades” e explorando closes com o olhar cinematográfico.

- As transgressões hierarquizadas, as burlas, as dissimulações já residiam tanto na bagagem de Charles Miller quanto nos primórdios da organização social homo sapiens. No esporte Bretão, as equipes representam segmentos sociais, cidades e estados nacionais. A competição é fundamento, os objetivos escusos. Dessa missa se sabe a metade.

Nesse momento, certa pausa deixou transparecer indecisão. Matreiro, o cinegrafista deslocou o foco para um grupo que pulava e urrava enlouquecido sob a vigilância de robustos cavalarianos.

Percebendo a deixa, Tidão retomou a cena

- O povo torce, sofre, se alegra, festeja, agride, invade, explode, vaia e aplaude. Protagoniza outros jogos. È enorme a diversidade de envolvimentos que gravitam na órbita destes encontros. Guetos, classes, profissões, sindicatos e quadrilhas paralelamente protagonizam impensáveis quadros!

Fitando o céu noturno como quem pesca inspirações, respirou fundo para prosseguir, desta vez transpirando maior compenetração.

- Há sempre um pavilhão desfraldado exibindo ao vento coloridos e obscuros desígnios. Futebol é arte, disciplina, estrutura, linguagem, dizem. É sonho, como o são as sociedades ideais. Futebol é surpresa, é decepção! Há quem jure ter vivido tempos em que, em algum lugar, ideais dourados se realizaram.

Grécia de Péricles, seleção de 70, Revolução francesa, Santos dos anos 60!
Nessa hora, estrondos de fogos e insana correria fizeram background para que ele se inflamasse.

- O gol... ah!! Que maravilha! Esse momento mágico que inflama os corações e as mentes.

Ah! A goleada, vantagem inapelável. Uma votação publica que alcance maioria absoluta vestiria bem esta carapuça? Questionou passando certa indignação e emendou.
- A conduta social do indivíduo, assim como a do jogador, não tem posição definida?
Futebol e sociedade não são associações? Resguardadas as distinções, os grupos, as classes e as corporações não possuem objetivo comum?

A conquista da dignidade humana não seria título valioso?

Há que se lutar pelo bem geral, ainda que para si se pretenda o melhor.
Assim disse Juan Melchior. – Arrematou convencido de ter sido feliz na desconhecida citação e prosseguiu, agora um tanto poético.
- Os talentos sempre surgirão! A inteligência revelará e aceitará diferenças. Para o artilheiro brilhante, o troféu de ouro. Para a equipe, os maravilhosos tentos...

Nesse instante, a voz daquele desconhecido rosto recebeu o eco sustentado pela edição
E o adversário? Ah... O perde e ganha! No futebol, o perdedor deve aprimorar e rever estruturas, excluir erros cometidos. A garra de vencer deve ser invocada, as táticas aperfeiçoadas, as finalizações repetidas à exaustão...

Na organização social, a derrota humana enaltece única e exclusivamente um adversário que enverga cores indignas. Goleados pela mesquinhez, milhares de perdedores perambulam por todo o planeta. A tática infalível do oponente envolve a mais avançada entre as mais avançadas das tecnologias...

Será possível, não será? Se, assim como faz a equipe que acaba de perder um jogo de futebol, assumíssemos novas atitudes, não reverteríamos o jogo? Sim! Sociedade Civil futebol clube. Eis o meu tim!

Assim encerrou a entrevista e agradeceu com a voz embargada

Para desfecho, distante da emocionada figura do entrevistado, restou a imagem abandonada do jovem entrevistador que sentado ao meio fio degustava a cerveja do patrocinador.

Claudio Zumckeller