23 de dezembro de 2010

7SÉRIE: DRAMAS & MELANCOLIAS

Noches de juegos
Sétimo Capítulo - Agora emergente

Há alguns dias, Antero Dias, vinha percebendo sua atenção exagerada para com o tempo. Não que lhe faltasse ou sobrasse pedaços desse ente que vez por outra o ser humano se pega refletindo a natureza. Apenas passou, de repente e cada vez mais, não só a observar cada minuto, como também a sentir ampla e minuciosamente o que se passava consigo e ao redor de si.

O tic tac do seu relógio de pulso repercutia forte em seus ouvidos diuturnamente ao ponto de ele identificar os fenômenos que se davam em cada um de seus intervalos. Ele passou a notar cada milímetro de suas unhas crescendo, cada piscar de olhos de seus colegas de trabalho, cada ruído, cada respiração, cada gesto que se dava nos campos dos seus cinco sentidos. Incrível para ele era o fato de catalogar automaticamente na memória cada um desses movimentos com a plena convicção de que se algum dia precisasse buscá-los encontraria não só os mesmos tal qual se deram como também a data exata, o local, a temperatura ambiente e os pensamentos que o contextualizaram, os odores, os sons etc...

Ele se encontrava a tal ponto ligado ao tempo que podia elencar séries de pensamentos que ia tendo minuto a minuto, acompanhados das sensações do momento e do que se dava ao redor. Ontem propositadamente saiu de casa sem o relógio e pôde perceber que esteve durante todo o dia exatamente consciente das horas. Ele sabia que quando a copeira lhe trouxera o café eram 10 horas, quinze minutos, quarenta segundos e dois décimos. Seria insuportável para qualquer ser o que para ele estava acontecendo brandamente. Era mais forte do que sua vontade, porém não havia incômodo, exceto o fato de não mais diferenciar sono e vigília. Dormindo ele prosseguia classificando os pensamentos de seus sonhos com a mesma fidedignidade.

Se acordasse durante a noite sabia já de antemão a hora exata em que estava despertando. Pela manhã em meio ao burburinho dos pássaros podia identificar quantos eram exatamente e ainda discernir cada um com seu canto. Nas ruas as gentes, seus semblantes e seus gestos iam ficando em sua mente como que quadros expostos nas paredes de um imenso pavilhão. Tudo aquilo ficava gravado e simultaneamente ia gravando tudo que de imediato abordava sua aguçada percepção. O fato de rever algum momento passado não alterava sua sensibilidade para com o momento presente. Aquele que ele passou a denominar “agora emergente” ou ainda “lucidez alucinante”.

No último sábado, com o intuito de voltar a seus antigos hábitos, já que o calor era escaldante, lembrou do chopp que há algum tempo ficara de compartilhar com seu bom e velho amigo Jorge Onofre.

Claudio Zumckeller

6 comentários:

  1. ra terra ter
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    raterr a ter
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    raraterra te
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    erraraterra
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  2. Essa série é sensacional, parabéns Claudião.
    Abraços!

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  3. Diga aí Thiagão! Querendo, lance personagens provocando. A bagaça é aberta! Bom 2011!!

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  4. Claudião,
    Esta série daria um belo romance... Ficção com realidade, fantasia com ceticismo, filosofia com prosopopeia.
    Manda bala, este livro já teria, pelo menos, UM comprador!
    Abraço e ótimo 2011!!!

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  5. É... parece que caminha para isso. Obrigado pelo incentivo. Muita saúde e paz para você também. Que cada colega da nossa querida turma evolua em seu projeto. Feliz 2011!!!

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