21 de setembro de 2010

UMUNDUNU - CARTA AOS AMIGOS JORNALISTAS

Prezado,

Um ser apaixonado enxerga o objeto amado segundo as distorções do seu sentimento exacerbado. O ódio, que também é uma paixão, do mesmo modo altera nossa percepção para com o odiado. À maneira daqueles pais cujos filhos, para os olhos de outros não são privilegiados com qualquer formosura física ou especial inteligência, mas ainda assim não se cansam de citar os dons e lindezas que cegamente lhe atribuem.

Alguns indivíduos nutrem por si mesmos sentimentos exagerados que parecem ter suas origens no íntimo do convívio familiar. Desde aquele pequenino berço azul ou rosa onde a parentela babando ovos elogia qualquer dote físico ou mental, por exemplo: “ Ele tem os olhos azuis lindos como Sinatra”! “ Ela já sabe quais as capitais de todos os estados brasileiros”! Frases curtas que são recitadas durante a infância; e que multiplicadas pela vizinhança mais próxima persistem em meio aos bancos escolares e prosseguem, como aleijões, vida adulta a fora até o último suspirar.

Aí é que mora o perigo! Quando se sai pelo mundo em busca de alguma análise sobre o que é, e como viver, é primordial estar despido do escafandro fabricado pelas fabulosas historinhas domésticas. É imprescindível, então, a leitura cética sobre o que nos diz esse espelho chamado circunstância que reflete incessante e diversamente os estranhos seres a quem denominamos os outros.

Claudio Zumckeller

10 de setembro de 2010

UMUNDUNU - EU ADORO ODIAR - UMA ODE AO ÓDIO


Discutia com meu brilhante colega Claudio Zumckeler sobre as atribuições de um bom jornalista. Dentre elas, uma que é repetida à exaustão nos bancos escolares, e sempre me chamou atenção: não ter preconceitos. Certo. É óbvio, pelo menos no discurso, que ninguém tenha preconceitos.

Como exemplo disso, usamos um personagem sobre o qual não há meio termo, ou as pessoas amam, ou odeiam. Eu o odeio, e odeio MUITO. Este personagem é o escritor Paulo Coelho, autor de bestsellers traduzidos para dezenas de países.

Reitero que meu ódio por Paulo Coelho é gratuito. Nunca li uma linha sequer de qualquer coisa que ele algum dia tenha escrito. E, a despeito de gostar de Raul Seixas, continuo odiando Paulo Coelho como se ele tivesse me feito um mal terrível. Isso mesmo, é um ódio sem nenhum motivo.

Até pairou no ar uma sensação de ódio mútuo, no instante em que um de nós lembrou de Paulo Coelho. A discussão acabaria ali mesmo. Acredito que o assunto tenha vindo à baila por causa de uma entrevista que o “mago” deu num talkshow qualquer da tevê.

Mas aí o Claudio soltou um de seus argumentos, daqueles que sempre me intrigaram. “Temos que saber ouvir o que têm a dizer até mesmo estes caras que não damos nenhuma credibilidade”, disse naquele momento meu interlocutor, completando em seguida com uma frase forte: “Mesmo eles têm algo a nos ensinar. Ainda que seja para reforçar aquele conceito que já formulamos”.

Retruquei: “Por que dar ouvidos a um cara que diz que faz chover mas nunca nos ajudou neste período de seca em São Paulo? Um sujeito milionário que diz que faz ventar mas nem uma brisinha descolou num dia poluído?”.

Rimos juntos, mas Claudio ainda tentou argumentar: “você precisa saber ouvir todos”.

Impassível – traduzam como teimoso! –, neguei até os últimos fios brancos de meu já parco couro cabeludo. “Jamais!”, depois de esvaziar meus pulmões cheios de ar poluído, graças ao egoísmo de um mago de araque que não tem amor no coração e não tem nem um tempinho para perder mandando uma reles garoa para melhorar o clima dos paulistanos.

Você deve estar pensando aí: “Que cara maldoso, ele odeia o Paulo Coelho”.
Mea culpa, mea culpa!

E não só o Paulo Coelho, mas também odeio outras celebridades e subcelebridades (obrigado, Felipão, mais uma vez, obrigado!) do showbiz.

Odeio BBB, futuros, atuais e ex-BBBs.

Odeio reality shows, que de realidade têm só a mediocridade dos participantes e, por que não?, da audiência!

Odeio guarda-chuva, verduras e legumes.

Odeio políticos e narradores esportivos. TODOS!

Odeio filme dublado e novela mexicana, brasileira, argentina, colombiana ou norteamericana.

Odeio dietas e dentistas.

Odeio telefones, fixos ou celulares.

Odeio quem atende o telefone perto de mim. Não me interessam os problemas pessoais de um imbecil que não sabe nem verbalizar o que pensa.

Odeio Chico César, Gil, Caetano e Carlinhos Brown! Estes eu odeio por odiar mesmo.

Odeio a Xuxa porque proibiu a comercialização do filme “Amor estranho amor” (note que nem me dei ao trabalho de olhar onde se coloca a vírgula nesta merda!) e as Playboys de quando ela era gostosa e posava pelada. O filme é uma verdadeira bomba, mas tinha a gostosa da Xuxa pelada!

Odeio, sobretudo, quem coloca ketchup na pizza! Tem coisa mais horripilante do que colocar ketchup na pizza? Tem? Alguém consegue me descrever crime hediondo maior do que este? Que queimem TODOS no fogo eterno do inferno!

Claudio, aceite meu pedido de desculpas por incluir um cara educado, gentil e dócil como você nesta ode ao ódio. Mas eu não consigo pensar em algo mais lúdico e saudável do que o ódio. E você, um amigo cheio de amor para dar, deve estar preocupado comigo, sabe, uma úlcera ou um tumor grave no cérebro pode me atacar por causa deste ódio gratuito. Foda-se! Adoro odiar!

Pô, Paulo Coelho, mas nem um chuvisquinho de merda para calar minha boca?

Rodrigo De Giuli

1 de setembro de 2010

FUTEBIZARRICES - UM CENTENÁRIO

Nos dias de hoje, tempos modernos, a marca de 100 anos é quase inatingível. São poucos os homens que conseguem alcançá-las. E quando o fazem são dignos de uma grande comemoração. Mas não só com humanos, empresas, clubes, organizações, países, cidades, todos festejam a data. O número 100 é um dos mais perfeitos existentes, ficando atrás apenas do lendário número 10. Nota 10. Camisa 10. 10 é craque. É gênio. É sinônimo de bom aluno. Mas o cem é tão especial quanto. Se o 10 logo é alcançado em termos de idade, o cem não. Levam-se 10 vezes 10 para se ter-lo.

Ser secular é para poucos. Um dia de festa não é nada se comparado a tantos outros já vividos. Viver intensamente essas longas 10 décadas não é fácil. Tantos outros não alcançaram, outros até conseguiram, mas sem a mesma pujança. Sem a mesma marca. Sem tantas glórias alcançadas.

Invejado por muitos. Combatido por milhares. Vencido por poucos. Uma história centenária de dar inveja em tantos outros clubes da nação. Um senhor cêntuplo. Que a cada dia se renova no amor de sua fiel torcida. Que a cada ano se torna maior. Não teria palavras para explicar essa relação de amor, talvez até um pouco de ódio. Mas a paixão sempre prevaleceu. Uma relação que só quem está dentro consegue explicar.

Momentos de alegria foram vários. Mas são os de angustia que marcaram nossa história. As filas, os jejuns de títulos. As gozações das torcidas adversárias. Mas nos mantivemos impávidos. Lutamos e conseguimos dar a volta por cima. Do rebaixamento ao acesso, quanta luta. Mas isso só serviu para nos deixar ainda mais próximos. Clube e torcida. Unidos em prol de um único objetivo, ser o maior dentre os maiores.

Os altos e baixos que vivemos só serviu para mostrar que podemos mais, muito mais. Se chegamos aonde chegamos é por que tivemos pulso, fomos firmes e nunca deixamos de pensar, nem por um segundo, no objetivo de ser o melhor, de ser o maior. No momento em que se baixa a cabeça é que se perde a batalha, e nós nunca vamos desanimar. Outros cem anos virão. E seremos conhecidos em todos os lugares, reconhecidos por nossas glórias, por nossos méritos. Que não foram poucos e que ainda serão muitos.

Parabéns ao Esporte Clube Noroeste pelos 100 anos de história. Que o Trem-Bala do Interior continue nos trilhos, na direção de um futuro ainda mais brilhante. Uma singela homenagem à Maquininha Vermelha de Bauru.

O Esporte Clube Noroeste é um clube brasileiro de futebol da cidade de Bauru, interior do estado de São Paulo. Fundado em 1º de setembro de 1910, suas cores são vermelha e branca. Atualmente, disputa a Segunda Divisão, Série A-2, do Campeonato Paulista de Futebol.

Confira a programação da festa - http://www.noroestebauru.com.br/
Parabéns Norusca!!!

Renato Souza