14 de junho de 2010

UMUNDUNU - UM DIA DAQUELES

Ainda é sexta. Noite de orientação. O TCC é o projeto do ano. É dia também de bar, logo depois da faculdade a galera se reunirá para tomar umas cervejas e comer alguns salgadinhos. Não vou beber muito como de costume. Tenho um compromisso no sábado. Não posso faltar.

São 4 horas da manhã de sábado. Chegando em casa, ainda sob o efeito da promessa não cumprida. É, bebi. E não foi com moderação. Melhor dormir, descansar. Amanhã o jogo é às 13h.
11h30. Acordo assustado. Sabia que tinha perdido a hora. Até coloquei o celular para despertar. Mas deve ter acabado a bateria. Já que estou atrasado vou de carro, é bem mais rápido.

Bola, chuteira, bermuda, meião... É, tudo certo.

Trânsito no caminho. Por essa eu não esperava, não num sábado de manhã. Mas vai dar tempo. E agora, 23 de Maio ou Marginal? Melhor a segunda opção, com sorte em meia hora estou lá. Um idiota me fechou e perdi o acesso da pista expressa. Vou pela local, logo tem outra entrada. Mas...

Um susto. Bati? Não! Acidente? Não! O carro morreu. Muito estranho, não liga. Encosto. Abro o capô. Não que entenda de mecânica automotiva, mas alguns problemas são visíveis. Aparentemente está tudo ok. Pode ser a bateria. Mas ela é nova... Entro no carro e dou partida.
Nada. Do mesmo nada vejo um problema. As luzes acendem, mas o ponteiro da gasolina não se move. Seria falta de gasolina? Como posso ser tão burro a ponto de não notar o ponteiro na reserva? Bom, vamos a um posto. É só comprar gasolina e prosseguir o meu role.

Descubro então o segundo problema do dia. Ao arrumar as coisas do futebol troquei de mochila, a carteira ficou na outra. Burro. Saí sem carteira, sem dinheiro e sem habilitação. Maluco. E agora, o que fazer?

Só há uma solução. A única sensata no momento. Ligar pra mamãe.
Mas como diz o ditado, desgraça pouca é bobagem. Eis o terceiro problema do dia. O celular. Ele não despertou. Estava sem bateria, por que haveria te estar funcionando agora?
Pensei neste momento em perguntar “o que mais poderá dar errado”, mas fiquei com medo de conseguir uma resposta.

Já havia pensado em trancar o carro e voltar pra casa, mas o bilhete do ônibus também havia ficado na outra mochila. O problema era a mochila? Era a pressa? Era a PQP!!!
Tirei o carro da rua. Coloquei na calçada. Só me faltava um CET me multar. Completaria o dia.

Vejo um telefone publico a uns 30 metros. Tranco o carro e vou até ele. Quebrado. Não era mesmo o meu dia. Mas a frente há um posto de gasolina. Mas quem te disse que em posto há telefones públicos? Conversei com o frentista. Expliquei parte da história, explicá-la toda seria vergonha demais. Ele me emprestou o celular. Minha mãe se assustou, não entendeu nada, ma disse que viria.

Pouco mais de 1 hora depois ela aparece, esse tempo, que para mim demorou mais que uma vida, passaram por mim milhares de carros, de motoristas que se soubessem ririam de mim.
Agora era fazer alguém acreditar nessa história maluca e justificar minha ausência no já sagrado futebol de sábado. A história até que era boa, mas mente de jornalista é muito fértil, vá saber. Ainda mais aquele pessoal que não acredita em nada.

Coincidência? Destino? Praga? Azar?
Sei lá, mas da próxima vez eu vou de ônibus.

Renato Souza

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