12 de junho de 2010

UMUNDUNU - FUTEBOL É BOLA NA REDE!


O estádio estava vazio, os refletores acesos iluminavam o gramado gotejado de orvalho. Havia um silêncio sepulcral e me incomodava muito mais o frio interior daquele palco deserto do que o inverno paulistano de junho. Afinal por que eu estava ali se não tinha jogo. Avistei o sorveteiro e gritei, tem de abacaxi? Não, ele respondeu e logo perguntou:

- Você é jornalista esportivo?
- Não! Respondi de bate pronto e emendei um por quê. Ele sorriu e relatou o que segue:

- Assim me disse certa feita, um jornalista esportivo especializado em futebol, um tal Osmar Gigliotti Kfouri Neves, se bem me lembro.
- Pasmei diante do disparate, mas deixei prosseguir. Ah! Ele embalou forte...

-Como a vida, o tempo, o espaço e o homem, que estão, e sempre estiveram em constante movimento, sem com isso deixarem de ser essencialmente o que foram, são e serão, é o futebol.
Não penso que seja possível aceitar as afirmativas: o homem de hoje não é homem, é outro animal. Nosso tempo já não é mais tempo, é outra entidade.

Quanto ao espaço, da mesma forma, é impensável que o espaço deixe de ser espaço para ser outro ser, ainda que seu ser como todo e qualquer ser, se mostre em diversa e dinâmica configuração.

Resumo da ópera, as coisas são na exata medida que se apresentam a nós. Contudo nos remetem, quando se apresentam, àquilo que nos representaram anteriormente. Desta forma o outro e o mesmo se consubstanciam em essência e seguem únicos até que outro se apresente.
O retângulo, os vinte e dois jogadores, o trio de arbitragem, a bola e as cornetas. As vuvuzelas! Bola na rede, gooool!! É isso o futebol.

Mas os goelas empinando suas pipas ao vento de seus ventiladores entre as linhas de seus apartamentos tecem comentários sobre um futebol de mesa. Este sim, inequivocamente um outro jogo.

Temi que ele prosseguisse aquela enxurrada de despautérios e aproveitando a pausa, saquei cinco e desloquei a prosa:
- Tem de chocolate?
- De casca e de picolé – ele respondeu
- Dá um de cada e morre a nota. Valeu! É nóis! Um abraço.

Enquanto eu saía, as luzes se apagaram e o frio cessou.

Claudio Zumckeller

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