9 de junho de 2010

7CRÍTICA - FLORESTAN FERNANDES: PARTE 2

Significado do Protesto Negro

A Lei Áurea (Lei Imperial n.º 3.353), sancionada em 13 de maio de 1888, foi a lei que extinguiu a escravidão no Brasil.

Essa seria a solução para o problema da escravidão que desde os primórdios do “descobrimento” do Brasil fazia com que negros fossem tratados não como humanos, mas sim como mera mercadoria. Como animais eram vendidos pelo porte físico, pela força que tinham para exercer tarefas árduas. O mercado de escravos poderia se assemelhar ao de venda de cavalos, os mais fortes e vistosos custavam uma fortuna. Os fracos ficavam por último. Mas isso existe até hoje, até por que vivemos num mundo onde os fracos não têm vez, mas isso é assunto para outro texto.

A Lei Áurea pôs fim à escravidão no país. Desde então o problema passou a ser outro, a discriminação racial. Numa sociedade em que o negro era visto como um animal, como passar a conviver normalmente com esses “novos seres”?

Penso que para algumas pessoas, o 14 de maio de 1888 possa ter sido ao mesmo tempo o dia mais feliz e o mais estranho da vida. O fazer a partir do momento em que se poder fazer o que bem entender? Um escravo então liberto iria fazer o que para se alimentar? Procurar um trabalho digno ou continuar com sua vida escrava. Vida essa única que conhecera até o momento.
A sociedade não recebeu os negros da forma mais afável possível, foi uma relação difícil. Se ainda hoje é assim, o que dirá de cem anos atrás?

Nascia então o preconceito racial. Tudo bem que ele já existia. Mas a relação era diferente. Não era de branco para negro, mais sim de dono para mercadoria.

O negro passou a ser visto com outros olhos, não eram mais escravos, eram a partir de agora cidadãos como todos os outros neste país. Mas não teriam os mesmos direitos. Os negros nunca foram tratados como membros da sociedade, estavam sempre a parte. Isso gerou o que se pode chamar de marginalização racial. Não conseguindo espaço na sociedade, os negros passaram a viver isolados, nos chamados quilombos (um local de refúgio dos escravos). Essa da realidade avançou e chegou aos dias de hoje, não há como não comparar esses quilombos às favelas e morros, onde em sua maioria vivem pessoas que descendem de negros.

Mas o negro parece ter acordado para sua cruel realidade. No início deste século, parece não haver dúvidas sobre a consolidação do movimento negro no cenário das lutas sociais do Brasil. Seu combate contra o racismo chega de modo bastante forte e atuante. Numa demonstração de importância em relação ao conjunto dos movimentos sociais. Graças a isso, a discriminação racial, que é um dos principais problemas estruturais da nação brasileira, ganhou uma ampla visibilidade social. O que, de certa forma, forçou mais uma vez o debate sobre a questão racial no Brasil e a situação dos negros.

Renato Souza

2 comentários:

  1. Não houve, após o ciclo da cana, qualquer possibilidade de trabalho para o negro. As lavouras de café ocuparam a mão de obra dos imigrantes europeus, "mais esclarecidos" que desembarcaram aos milhares.
    Pouco mais adiante, nas industrias, os negros também não estariam aptos para concorrer aos postos de trabalho devido a sua falta de especialização. Os negros estiveram, cerca de trezentos anos, fora de qualquer projeto social.
    Escravidão, marginalização e pobreza. Uma sequência muito mais social e econômica do que racial. Só há uma raça, a humana! Eis a questão!

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