5 de maio de 2010

REALPOLITIK - EXPLORAÇÃO DO PRÉ-SAL ABRE DOIS PARADIGMAS PARA O FUTURO DO BRASIL


A descoberta da camada pré-sal descortinou caminhos opostos. A exploração causaria um aumento nos empregos e investimento na saúde, educação e saneamento. Já o outro lado mostra uma privatização absoluta e que o Brasil sofra da “doença nigeriana”.

Segundo a Petrobras, que é uma empresa estatal de economia mista, a exploração da camada irá gerar mais empregos, investimento em pesquisa e tecnologia, modernização das refinarias e de bens e serviços para a área de petróleo, construção de novas plataformas e crescimento da petroquímica.

Com a descoberta, a produção de petróleo brasileiro poderá dobrar de 14 bilhões para 30 bilhões de barris, de acordo com a Agência Nacional do Petróleo (ANP). As expectativas mais positivas mostram que a produção total chegaria até os 100 bilhões, tornando o Brasil a quinta maior reserva do mundo.

O país sempre foi visto com bons olhos por causa de seu investimento na produção de biocombustíveis, na energia eólica, solar e hidrelétricas. Isto se deve ao fato de que este tipo de energia é rentável em longo prazo e causa menores danos ecológicos. Uma tecnologia limpa. Com o pré-sal descortinado, o Brasil pode deixar de lado os biocombustíveis e levar todo o investimento para a extração do petróleo. Uma “tecnologia suja”. Teremos mais empregos diretos e indiretos criados, investimentos internos e externos.

A principal problematização da exploração da camada é por quem ela será feita. A Petrobras, que é uma empresa estatal, mas de capital aberto, tem a concessão para a exploração. Seu acionista majoritário é o Governo do Brasil (União), o imbróglio encontra-se no investimento externo. O governo brasileiro anunciou o desejo de conceder prioridade à educação, inovação tecnológica e ao desenvolvimento social através da distribuição dos royalties para os municípios. A exploração gera interesse de grandes grupos econômicos privados. A oposição do governo tem história por privatizar algumas empresas estatais e, recentemente, abriu a CPI da Petrobras para investigar sua gerência. Sobre a gestão da empresa, em nota do ano passado, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, disse que a oposição “deseja apenas saber se há ou não deslizes graves na administração da companhia”.

Com a Petrobras privatizada, pode acontecer no Brasil o que é comumente chamado de “doença nigeriana”. Multinacionais receberam aval para explorar as reservas de petróleo da Nigéria e esgotaram-na. As multinacionais tiveram lucro. O país que estava na miséria, continuou sofrendo e sem petróleo.

Felipe Payão

2 comentários:

  1. Essa mentalidade neoliberal (entreguista) está destruindo o país.....
    PRIVATIZAR NÃO!!

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  2. Até porque não sobrou quase nada para entregarem, então é justo que se mantenha uma fonte como esta sob incumbência estatal. Meu medo é que vendam como sempre a preço de banana e para os caras lá de fora.

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