28 de maio de 2010

7CRÍTICA - CAIO PRADO JÚNIOR

FORMAÇÃO DO BRASIL CONTEMPORÂNEO

Sua obra visa compreender a história da formação do Brasil. Toda parte de seu passado como colônia até o momento histórico em que foi elaborada (1942).
Utilizando vasta base documental, este livro descreve as características econômicas, administrativas, populacionais e sociais do território brasileiro desde o início de sua colonização pela Coroa Portuguesa. A narrativa parte dos primeiros anos do século XIX, com um balanço final de toda a obra colonizadora ao longo de três séculos e constituindo. Esta análise serve de molde para interpretar o processo histórico anterior a ele e o próprio Brasil daquele momento entre Guerras.

Para Prado, a entrada no Século XIX confirma que o legado colonizador já estava consolidado no Brasil, mas que os moradores da Colônia começavam a sentir algumas mudanças, como, por exemplo, a chegada da Família Real Portuguesa, a entrada das idéias políticas liberais francesas e maior influência inglesa na economia e sociedade, que contribuíram no processo de Independência brasileira.

A partir do momento em que se constata a ruptura do sistema colonial, Caio Prado inicia suas observações no passado e na estrutura desse sistema. E, dentre várias conclusões, uma se destaca: mais de um século após a Independência, o Brasil ainda mantinha em diversos aspectos e características de colônia, principalmente no que se refere à economia e sociedade.

Essa posição é defendida pelo autor, demonstrada e detalhada ao longo do livro. O historiador mostra como as modificações passadas no Brasil eram superficiais.
Para explicar isso, apresenta o conceito de sentido histórico, definido como “o conjunto de fatos e acontecimentos essenciais que constituem a evolução de um povo num largo período de tempo”. Nele, diz que o sentido manifesta-se ao longo da história desse povo, e que pode ser modificado com transformações profundas.

No Brasil, o sentido de formação de nosso povo é ser uma colônia de fornecimento para os mercados estrangeiros. Não havia a preocupação de constituir uma sociedade ou uma administração organizada, com raízes nacionais firmes, mas apenas uma "filial" comercial. Esta foi a lógica de todo o período colonial. O caráter agrícola implantou-se de tal forma que ainda podiam sentir-se presentes naquela época.

São exemplos desse sentido o processo de povoamento colonial, com os colonos recém-chegados e as correntes internas procurando sempre o litoral nordestino, regiões produtoras de bens agrícolas exportáveis; a constituição da economia nacional voltada para o mercado externo; a utilização do negro como escravo apenas como força produtiva, marginalizando-o e impedindo que contribuísse positivamente para a constituição do povo brasileiro; a estrutura patrimonialista, na qual os donos de imenso poder econômico e social, consideram-se donos dos espaços público e privado. Muito disso permanece até hoje (como a concentração da população no litoral; a presença do latifúndio, que dificulta o avanço agrícola e a reforma agrária; a presença de uma população desarticulada no que se refere à economia etc.).

No entanto, Caio Prado acredita que existem formas de transformar essa persistente ordem colonial. A derrubada desse formato se dá pelo intermédio de ações dos setores mais humildes e pobres da população. Será a participação e integração dessas classes na sociedade que possibilitará a queda dos resquícios coloniais, produzindo uma modificação e a definição de um novo sentido histórico para o Brasil. O autor mostra que sempre foi essa população, sozinha e sem apoio, tomou as iniciativas para modificar a sociedade colonial. Por exemplo, o avanço da pecuária nos sertões; o processo de povoamento do interior e expansão para territórios além do Tratado de Tordesilhas.

Caio Prado propõe a aplicação do Marxismo na análise do Brasil Colonial. O historiador utiliza-se de propostas revolucionário alemão para explicar a formação de nossa sociedade e suas possibilidades de superação. Assim, o sentido histórico do Brasil, expresso na colonização, é uma demonstração do Materialismo Histórico, como o processo de produção das necessidades humanas e dos bens materiais para a sobrevivência. Dessa forma, o sentido de nossa colonização, ao produzir produtos agrícolas para o mercado externo, representa a satisfação material e desenvolvimento das economias e necessidades européias.

O mesmo processo gera a acumulação primitiva de capitais por parte das metrópoles e a divisão do trabalho no processo produtivo, gerando sempre uma minoria mais rica, que domina toda a produção (a metrópole), e a maioria, que é a produtora, totalmente alienada (a colônia). Prado também utiliza Marx para enxergar as possibilidades de superação das estruturas coloniais. Se a História é feita pelos homens mais simples, é a ação e integração deles que podem derrubar tal organização, que declaradamente os exclui ao longo do processo produtivo.

A obra fornece também um panorama sobre as descrições históricas no processo de povoamento, precedidas de uma apresentação das características geográficas do território, seus pontos mais atraentes para os colonos, as três principais áreas onde a pecuária se desenvolve, a produção açucareira e a narração dos fatos históricos sempre acompanhadas de comentários e informações vindas dos relatos de viajantes e cronistas.

Gabriel Lopes

4 comentários:

  1. Bom, eu fui criado na religão católica com todo aquele papo que todos falam, depois fui crescendo e vendo como o mundo é. Foi então que comecei a ter minhas dúvidas, o mundo é tão cheio de merdas, de doenças, de duplas sertanejas. Mas acho que Deus existe sim, ele só não teve bons roteiristas.

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  2. Tenho certeza que Ele existe.
    E qual o problema com as duplas sertanejas??? rsrsrs

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  3. Tenho dúvidas que Ele existe!!!
    E qual é mesmo o problema com as duplas sertanejas????
    Hein?

    Se bem que, pra mim, Ele é o Pelé... rs

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  4. Bom, sobre duplas sertanejas nada falo, pois nada tenho contra - muito menos a favor, muito pelo contrário!
    Quanto a Deus, aquele "ser" ovni... Ops!, onipresente, onisciente e onipotente, fico com minha crença sadia em sua inexistência, com o perdão da contradição. Mas odeio Deus ex-machina! Tendo a concordar com o nosso primeiro comentário, o do interiorsout, que Ele tem péssimos roteiristas.

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