31 de maio de 2010

UMUNDUNU - SOCIAL DISTORTION NO BRASIL


Um monstro no palco: Ness

O Social Distortion toca os últimos acordes de Ring of Fire, um cover de Johnny Cash, com a força de quem se despede de um público que o acolheu de forma intensa. Ao microfone, a promessa de um suado e sorridente Mike Ness, vocalista e fundador da banda, é a de que a volta ao Brasil na próxima turnê é certa. Terminada a décima primeira e última música do set list dos californianos, formados em 1978, a catarse de milhares de fãs se esvai com a mesma energia com que começou, uma hora e meia antes.

No dia anterior, Mike Ness, líder do Social D, ou SxDx, como são carinhosamente chamados pelos mais fanáticos seguidores da banda, já havia relatado, numa entrevista a um jornal diário de grande circulação em São Paulo, que esperava um público ávido, já que nunca esteviveram nos trópicos. Afundado desde o início da década de 1980 no vício de cocaína, Ness e sua trupe pouco viajaram além das fronteiras da Califórnia. Desta vez “limpo”, como ele mesmo se define, a história será outra. “Tenho força para viajar por mais 30 anos”, brinca o vocalista.

O dia 17 de abril é um novo marco aos amantes do punk rock. Umas das bandas seminais nascidas na esteira do movimento surgido com os Ramones, numa decadente Nova York de 1974, o SxDx surge quatro anos depois na ensolarada Orange County, berço de outros expoentes da cena punk, como Bad Religion, Pennywise e Ignite. Ness é o fundador do grupo e único integrante original. “Acho que os outros músicos não me aguentaram por causa de meus ‘caprichos’, causados em sua maioria pelas drogas”, relata. Hoje, mais calmo, o vocalista e guitarrista se diz zen. “É claro que ainda tenho problemas, mas tenho conseguido viajar mais e compor com a antiga raiva juvenil que fundou o SxDx”, explica.

Aos 49 anos, Ness define o momento como especial: “Vir à América do Sul, onde temos inúmeros fãs, é um novo começo”. Perguntado se a próxima turnê terá datas no Brasil, Ness é enfático: “Não tenho dúvidas. Tocar no Brasil, no Chile e na Argentina agora é obrigatório ao Social Distortion”. Os “ávidos” fãs do SxDx esperam por 2011.

Rodrigo De Giuli

28 de maio de 2010

7CRÍTICA - CAIO PRADO JÚNIOR

FORMAÇÃO DO BRASIL CONTEMPORÂNEO

Sua obra visa compreender a história da formação do Brasil. Toda parte de seu passado como colônia até o momento histórico em que foi elaborada (1942).
Utilizando vasta base documental, este livro descreve as características econômicas, administrativas, populacionais e sociais do território brasileiro desde o início de sua colonização pela Coroa Portuguesa. A narrativa parte dos primeiros anos do século XIX, com um balanço final de toda a obra colonizadora ao longo de três séculos e constituindo. Esta análise serve de molde para interpretar o processo histórico anterior a ele e o próprio Brasil daquele momento entre Guerras.

Para Prado, a entrada no Século XIX confirma que o legado colonizador já estava consolidado no Brasil, mas que os moradores da Colônia começavam a sentir algumas mudanças, como, por exemplo, a chegada da Família Real Portuguesa, a entrada das idéias políticas liberais francesas e maior influência inglesa na economia e sociedade, que contribuíram no processo de Independência brasileira.

A partir do momento em que se constata a ruptura do sistema colonial, Caio Prado inicia suas observações no passado e na estrutura desse sistema. E, dentre várias conclusões, uma se destaca: mais de um século após a Independência, o Brasil ainda mantinha em diversos aspectos e características de colônia, principalmente no que se refere à economia e sociedade.

Essa posição é defendida pelo autor, demonstrada e detalhada ao longo do livro. O historiador mostra como as modificações passadas no Brasil eram superficiais.
Para explicar isso, apresenta o conceito de sentido histórico, definido como “o conjunto de fatos e acontecimentos essenciais que constituem a evolução de um povo num largo período de tempo”. Nele, diz que o sentido manifesta-se ao longo da história desse povo, e que pode ser modificado com transformações profundas.

No Brasil, o sentido de formação de nosso povo é ser uma colônia de fornecimento para os mercados estrangeiros. Não havia a preocupação de constituir uma sociedade ou uma administração organizada, com raízes nacionais firmes, mas apenas uma "filial" comercial. Esta foi a lógica de todo o período colonial. O caráter agrícola implantou-se de tal forma que ainda podiam sentir-se presentes naquela época.

São exemplos desse sentido o processo de povoamento colonial, com os colonos recém-chegados e as correntes internas procurando sempre o litoral nordestino, regiões produtoras de bens agrícolas exportáveis; a constituição da economia nacional voltada para o mercado externo; a utilização do negro como escravo apenas como força produtiva, marginalizando-o e impedindo que contribuísse positivamente para a constituição do povo brasileiro; a estrutura patrimonialista, na qual os donos de imenso poder econômico e social, consideram-se donos dos espaços público e privado. Muito disso permanece até hoje (como a concentração da população no litoral; a presença do latifúndio, que dificulta o avanço agrícola e a reforma agrária; a presença de uma população desarticulada no que se refere à economia etc.).

No entanto, Caio Prado acredita que existem formas de transformar essa persistente ordem colonial. A derrubada desse formato se dá pelo intermédio de ações dos setores mais humildes e pobres da população. Será a participação e integração dessas classes na sociedade que possibilitará a queda dos resquícios coloniais, produzindo uma modificação e a definição de um novo sentido histórico para o Brasil. O autor mostra que sempre foi essa população, sozinha e sem apoio, tomou as iniciativas para modificar a sociedade colonial. Por exemplo, o avanço da pecuária nos sertões; o processo de povoamento do interior e expansão para territórios além do Tratado de Tordesilhas.

Caio Prado propõe a aplicação do Marxismo na análise do Brasil Colonial. O historiador utiliza-se de propostas revolucionário alemão para explicar a formação de nossa sociedade e suas possibilidades de superação. Assim, o sentido histórico do Brasil, expresso na colonização, é uma demonstração do Materialismo Histórico, como o processo de produção das necessidades humanas e dos bens materiais para a sobrevivência. Dessa forma, o sentido de nossa colonização, ao produzir produtos agrícolas para o mercado externo, representa a satisfação material e desenvolvimento das economias e necessidades européias.

O mesmo processo gera a acumulação primitiva de capitais por parte das metrópoles e a divisão do trabalho no processo produtivo, gerando sempre uma minoria mais rica, que domina toda a produção (a metrópole), e a maioria, que é a produtora, totalmente alienada (a colônia). Prado também utiliza Marx para enxergar as possibilidades de superação das estruturas coloniais. Se a História é feita pelos homens mais simples, é a ação e integração deles que podem derrubar tal organização, que declaradamente os exclui ao longo do processo produtivo.

A obra fornece também um panorama sobre as descrições históricas no processo de povoamento, precedidas de uma apresentação das características geográficas do território, seus pontos mais atraentes para os colonos, as três principais áreas onde a pecuária se desenvolve, a produção açucareira e a narração dos fatos históricos sempre acompanhadas de comentários e informações vindas dos relatos de viajantes e cronistas.

Gabriel Lopes

26 de maio de 2010

UMUNDUNU - SAMBA DE RAIZ, UM RECADO DE QUEM CONHECE A MATÉRIA

Faz alguns anos que eu não falo com o Dorivalinho, forma carinhosa com que a dona Nonô, sua mãe, o chamava, acrescentando: “Traz os moços que o café está servido”.
Essa fala atravessava, por vezes, algum trabalho do nosso tempo de barraco da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, da Universidade de São Paulo (USP). Em outras, algum acerto para o próximo futebol varzeano, ou ainda a busca juvenil por versos e acordes de uma nova canção para o festival. Eram bons tempos!

Dorival Marques de Oliveira, o Dorinho Marques, 57 anos, é paulistano do Ipiranga. O interesse por música começou na era dos festivais dos anos 1960 e 70. Os primeiros versos e sambas foram apresentados entre amigos nos campos de várzea e em festivais estudantis.

Em 1974, participou da fundação da escola de samba Barroca Zona Sul, onde fez o primeiro enredo. Entre idas e vindas, sua participação no carnaval de rua está registrada em mais de 40 sambas. Paralelamente, nos anos 1980, fez parte de trios elétricos que se apresentavam nas ruas da capital. Fez parte ainda de grupos que acompanharam bambas como Geraldo Filme, Talismã, Oswaldinho da Cuíca, Jovelina Pérola Negra, Clementina de Jesus, Eliana de Lima, Boca Nervosa e Zeca Pagodinho. A partir de 1990, passou a cantar em bares de música ao vivo divulgando um trabalho autoral. Suas composições, cerca de 200, foram gravadas por vários intérpretes.

Dois dias após procurá-lo para esta reportagem, recebo o telefonema. A mesma fala pausada, a atenção distinguida de sempre: “Vejamos se posso ajudar, vou mandar meu recado, obrigado pela lembrança!”, emendando a seguir, com seu jeito matreiro: “Eu já ando fritando vela para comer torresmo”. Sem conter o riso, vou direto ao assunto: “Então, diz aí meu irmão: o que é samba de raiz?”

O discurso de Dorinho é certeiro: “o samba de raiz tem ancestralidade africana”. Ele continua: “Um dia cruzou o mar nos navios tumbeiros e desembarcou nas senzalas, alojou-se nos morros e favelas e depois ganhou o asfalto das cidades”. Para Dorinho, os estados da Bahia e do Rio de Janeiro são os locais em que o samba ocorre mais vigorosamente. Várias outras localidades preservam o gênero, ora mais rural, ora mais urbano, ainda de acordo com o sambista paulistano. Ele é crítico também na opinião forte, quando afirma que o estilo “não repercute nos meios de comunicação de massa”.

Nesses escabrosos caminhos o samba segue conservando sua identidade. Para Dorinho, o samba de raiz é dinâmico, a soma da polirritmia dos batuques com a riqueza da língua portuguesa. “Resiste contra falsificações, vulgarizações e a concorrência massiva de outros cânticos. Tradicionalista em atitudes e valores, porém aberto a inovações que respeitem a sua linha evolutiva transmitida hierarquicamente, de mestre para aprendiz”, diz o músico.

O samba tem muitas vertentes, e o “de raiz”, nas palavras de Dorinho, é uma delas, conservando a sua forma mais autêntica nas rodas improvisadas de canto e dança com a participação coletiva dos sambistas. Hoje, nos grandes centros urbanos, existem comunidades revitalizando o seu legado. “Em São Paulo, partindo da periferia, existe quase uma centena de núcleos de novos sambistas que defendem a bandeira e que realizam um trabalho que as escolas de samba, salvo exceções, não fazem”, enumera o sambista. “O importante desse movimento é que muitas pessoas podem desenvolver sua vocação musical, preservando uma cultura genuína ou simplesmente para se divertir com música que é a melhor maneira de celebrar”.

Passados alguns dias, recebo outra mensagem de Dorinho: “Claudio, aí vai um samba novo de partido alto que é meio como uma carta de referência para o perfil. Abraço!”









































Ainda não corri os dedos na viola para sentir a harmonia, mas, à quem interessar possa, fica o endereço eletrônico do autor para falar do compasso: dorinhomarques@hotmail.com

(Clique nas imagens para uma melhor visualização)

Claudio Zumckeller

24 de maio de 2010

7CRÍTICA - DARCY RIBEIRO


Principal obra do antropólogo Darcy Ribeiro, o livro O Povo Brasileiro é amplo tratado sobre a sociedade do país

O antropólogo, escritor e político mineiro Darcy Ribeiro (1922-1997) propõe, já no prefácio da obra O Povo Brasileiro – a formação e o sentido do Brasil, uma pergunta fundamental que será o esteio de seu trabalho: “Por que o Brasil ainda não deu certo?”. A resposta, célere, ainda no prefácio, não tira o interesse pela leitura do clássico da antropologia brasileira:

“Primeiro, pela análise do processo de gestação étnica que deu nascimento aos núcleos originais que, multipli-cados, vieram a formar o povo brasileiro. Depois, pelo estudo das linhas de diversificação que plasmaram os nossos modos regionais de ser. E, finalmente, por via da crítica do sistema institucional, notadamente a proprie-dade fundiária e o regi-me de trabalho - no âmbito do qual o povo brasileiro surgiu e cresceu, constrangido e deformado.” (RIBEIRO, 2008, p. 26)

Darcy Ribeiro, mineiro de Montes Claros, morreu de câncer, aos 74 anos, em 1997. Ele se definia com um educador. Formado em antropologia pela Universidade de São Paulo (USP), dizia-se ignorado pelos pares e seguido por filósofos e historiadores, pronto para desafiar as “convenções da moderna ciência do estudo do homem”, em que a visão do branco dominante para todo o resto seria invertida. Foi ministro chefe da Casa Civil no período em que João Goulart foi presidente da República, vice-governador do Rio de Janeiro (1983-87) durante o governo de Leonel Brizola, quando idealizou os Centros Integrados de Ensino Público (Cieps), e senador (1991-1997).

Uma obra que aspira a ajudar o Brasil encontrar-se a si mesmo

Explicar o Brasil não é uma tarefa das mais fáceis. Darcy Ribeiro foi, dentre tantos antropólogos, além de sociólogos, filósofos e historiadores, um dos que mais se aprofundaram na análise crítica do país, buscando soluções criativas e engajadas voltadas sempre para os mais pobres. Não são poucos os teóricos que consideram a obra do antropólogo ambiciosa.

O livro O Povo Brasileiro é a síntese do trabalho de Darcy Ribeiro, compilação de seus estudos, finalizado pouco antes de sua morte. Dividido em partes, o autor, que teria levado mais de três décadas para finalizar a obra, segue uma cronologia de quase 500 anos. Desde o “achamento da ilha de Vera Cruz”, passando pelos abusos da metrópole contra a colônia recém descoberta, o escravismo, o extrativismo de bens naturais e as monoculturas de exportação e as relações de compadrio, entre tantos temas pelos quais a sociedade do país foi sendo moldada, para explicá-la atualmente, como e por que ela é tão desigual.

Na visão de Ribeiro, há uma clara dicotomia entre a “indiaiada, na plenitude de sua nudez emplumada” (barrocos, solidários, ingênuos, bons) e os colonizadores “feios, fétidos e infectos” (góticos, gananciosos, usurpadores, maus). Seus detratores consideram tal teoria manisqueísta. A partir daí, não há imparcialidade na análise da força do recém chegado português para impor sua cultura (religião, modos de vida, valores sociais e políticos etc.) em detrimento da nativa e da posterior mestiçagem decorrida deste fato.

Mesmo quando trata da história recente do Brasil, a respeito da chegada dos imigrantes, passando pela industrialização e consequente urbanização – e sua posterior deterioração –, o antropólogo recorre à miscigenação e aculturação dos estrangeiros para explicar a sociedade.

Moldaram-se aos costumes daqui, adaptaram-se rapidamente e integraram-se de forma indelével. É fato que se repete através dos tempos: com o índio, com o negro, com o imigrante, seja ele estrangeiro (aqui aportados numerosamente entre meados do século XIX e o início do XX), seja de outras regiões do país (especialmente os oriundos do nordeste pobre e seco, a partir da década de 1930). Para o autor, tornamo-nos “uns latinos tardios de além-mar, amorenados na fusão com brancos e com pretos, desculturados das tradições de suas matrizes ancestrais” (RIBEIRO, 2008, p. 130).

O uso dos números (gráficos e análises econômicas), as várias referências aos autores que o precederam, a explicação mais científica que, por vezes, enriquece o trabalho, desnuda um posicionamento político não disfarçado, como ele mesmo escreve no último parágrafo do prefácio: “Portanto, não se iluda comigo (...) Sou homem de fé e partido. Faço política e faço ciência movido por razões éticas e por um fundo patriotismo. Não procure, aqui, análises isentas.” (RIBEIRO, 2008, p.17).

Eufemismos e novas expressões surgem, como “povo novo”, nas palavras de Ribeiro, é uma das que mais se adequam à teoria pela qual o autor encadeia o trabalho. Povo novo, ou um “novo modelo de estruturação societária” (RIBEIRO, 2008, p. 19). Tantos outros temas abordados no livro como “cunhadismo”, “os moinhos de gastar gente”, “povos transplantados”, “deseuropeu”, “desíndios” ou “desindianização”, “desafros”, “brasilíndios”, os vários “brasis” (o crioulo, o caboclo, o sertanejo ou o caipira), “transfiguração étnica”, termos que levam rapidamente ao entendimento. O autor passa por todos os espectros da sociedade brasileira – e em todas as camadas da “estrutura societária”, como ele define no estudo – para explicá-la, visitando cronologicamente toda a história do país.

Além da antropologia, a forma dando corpo ao conteúdo

Transpassado o conteúdo de O Povo Brasileiro, ponto primordial da obra, a forma também deve ser destacada, na medida em que o estilo literário de Ribeiro se mostra atraente, fluído. Acadêmico, contudo não academicista, o livro é um trabalho que absorve a experiência do antropólogo como romancista, ensaísta e até poeta, ainda que o índio seja tema recorrente – o autor escreveu Maíra, Eros e Tanatos, Uirá sai a procura de Deus, Utopia selvagem, entre outros. São poucos os estudos antropológicos que têm base numa escrita romanceada sem perder a essência.

A imparcialidade não é o forte de Darcy Ribeiro, em O Povo Brasileiro

Voltando ao principal trabalho do antropólogo Darcy Ribeiro, a obra O Povo Brasileiro, encorpada com uma ampla bibliografia, é primordial aos que se interessam em entender a formação social e política do Brasil numa ótica politizada – engajada até, como já explicitado pelo autor no prefácio –, não se atém ao cientificismo clássico, como tantos trabalhos antropológicos menores, baseados apenas em pesquisa ou no puro levantamento de documentos.

O livro é um tratado importante na medida em que o autor não se esconde sob uma cortina de imparcialidade; ele dá sua visão particular, que é importante em se tratando de um estudo tão amplo, rico em detalhes e historicamente contextualizado, e cabe ao leitor levar isso em consideração.

Rodrigo De Giuli

20 de maio de 2010

7CRÍTICA - FLORESTAN FERNANDES

A REVOLUÇÃO BURGUESA NO BRASIL: ENSAIO DE UMA INTERPRETAÇÃO SOCIOLÓGICA
Livro de Florestan Fernandes

“Nas ciências sociais, bons livros são aqueles que mantêm sua atualidade ao longo dos anos. (...) É o caso de A Revolução Burguesa no Brasil.”

Na abertura de seu prefácio, José de Souza Martins, sociólogo, sem floreios e elogios desnecessários, colocou o livro de Florestan Fernandes um patamar acima. O primeiro esboço de A Revolução Burguesa no Brasil começou a ser escrita em 1966, tendo inserções e ajustes ao longo dos anos. Apesar dos 40 anos, o livro continua atual como nunca. Muda-se os nomes, o sistema é o mesmo.

Contextualizando: Florestan Fernandes, de família pobre, nasceu em 1920 e faleceu em 1995. Em 1941, ingressou na USP e formou-se em ciências sociais. Na década de 50, ainda na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP, defendeu a tese de doutoramento “A função social da guerra na sociedade tupinambá”. Em 69, aposentado pela ditadura militar, Florestan lecionou na Universidade de Columbia, de Toronto e na famosa Universidade de Yale.

O sociólogo, sempre em contato - por exemplo - com Roger Bastide e Fernando Henrique Cardoso, participou de atividades políticas, tornando-se parlamentar do Partido dos Trabalhadores (PT). Foi também perseguido pela ditadura militar em 1964.

Em 1975, A Revolução Burguesa no Brasil vai à público. Radicalizando o tradicionalismo da burguesia e a história capitalista do país, seu ensaio permeia por perspectivas teóricas da sociologia que dialogam inúmeros imbróglios. A dialética do marxismo clássico e moderno também foi explorada.

“É preciso que o leitor entenda que não projetava fazer obra de ‘Sociologia acadêmica’. Ao contrário, pretendia, na linguagem mais simples possível, resumir as principais linhas de evolução do capitalismo e da sociedade de classes no Brasil. Trata-se de um ensaio livre, que não poderia escrever se não fosse sociólogo. Mas que põe em primeiro plano as frustrações e esperanças de um socialista militante”.

Florestan ‘antropofagizou’ Karl Marx, Friedrich Engels, Émile Durkheim, Marx Weber e Vladimir Lenin. Discutiu com afinco o socialismo e marxismo em terras tupiniquins.

Um dos pontos principais de seu livro é a independência do proletariado. A classe operária que terá que começar sua luta, desenvolvendo a independência e uma política social revolucionária.

Florestan acredita que uma revolução seria possível somente através da classe operária. A burguesia brasileira (atual classes A e B), principalmente após o golpe militar de 64, representou a consolidação de uma contra-revolução permanente. A burguesia teria se tornado antissocial, antinacional e antidemocrática. O capitalismo havia esgotado todas suas potencialidades construtivas. Voltando ao começo dessa resenha, aqui as palavras de José de Souza Martins se confirmam, nossa burguesia é o espelho da “antiga” e o capitalismo provou-se desconstrutivo e ineficaz.

Para o sociólogo, revolução não é simples palavra de ordem contra o imperialismo. Mas sim, a importância de se educar politicamente o proletariado para buscar a transformação socialista da sociedade. Seu emprego também é deturpado nas sociedades em geral, com a colaboração das mídias e a maioria dos livros didáticos. A palavra revolução é utilizada para maquiar a violência dos ‘donos do poder’. Como um exemplo, a ‘revolução institucional’, o golpe militar de 1964. Os oficiais militares e seus meios invertem os valores e anunciam à sociedade que seu intuito era servir a nação como um todo. Mas, na realidade, privados de uma ordem política legítima, da democracia, a maioria da sociedade ‘engoliu a língua’ pelo significado de determinadas palavras-chave. Ficando mais difícil o entendimento das classes dominantes. Reflete muito mais que um problema semântico que perdura até hoje. Essa é a revolução burguesa.

“Para o senso comum a palavra se aplica para designar mudanças drásticas e violentas e como uma mudança que “mexe nas estruturas” e que subverte a ordem social imperante na sociedade”

Partes do livro “O Manifesto do Partido Comunista”, escrito por Karl Marx e Engels, são citadas por Florestan. As passagens dizem que a maioria irá dominar a minoria e em uma etapa mais avançada tudo será eliminado e o comunismo será a única forma de padrão de uma civilização. Uma utopia? Para responder essa pergunta, apenas varando madrugada na mesa de bar.

No campo das ações, primeiramente o proletariado precisa conquistar o poder. Na época, praticamente impossível. Hoje, realidade. Em seguida, a construção de um processo realmente democrático e assim construir uma sociedade igualitária e socialista. Mas, as revoluções proletárias herdaram os atrasos e as contradições do capitalismo que sempre achou uma maneira de atrapalhar essa luta e suas várias formas de revolução. Florestan explica que a própria burguesia era/é contraditória, cedia/cede às pressões do sistema capitalista e sempre dependente dos ‘imperativos’ da propriedade privada.

A classe operária desenvolve-se nesse processo complexo e fica dispersa, incoerente e desunida. Devido ao desenvolvimento industrial capitalista e verdadeiras lavagens cerebrais midiáticas, ela acaba subordinada aos interesses econômicos, artimanhas e aos objetivos políticos da burguesia.

O número de operários crescendo, organizando-se em conjuntos, formas de sindicatos; batem com a burguesia e começam a ter a consciência de seus interesses. Podendo atuar coletivamente como “partido político”, buscando melhores condições de trabalho e maior autonomia social. Uma situação formada a longo prazo.

Quem faz a revolução é a grande massa proletária, quem lhe dá sentido é a própria massa, isso nos mostra que os envolvidos dessa revolução não são apenas proletários, mas também aqueles que se identificam politicamente com o proletariado na destruição das formas burguesas de propriedade e de apropriação social.

“Todos os movimentos históricos precedentes foram movimentos minoritários ou em proveito da imensa minoria. O movimento proletário é o movimento consciente e independente da imensa maioria, em proveito da imensa maioria. O proletariado, a camada inferior da nossa sociedade, não pode erguer-se, pôr-se de pé, sem fazer saltar todos os estratos superpostos que constituem a sociedade oficial (...). Haverá uma associação na qual o livre desenvolvimento de cada um é a condição do livre desenvolvimento de todos”.


A Revolução Burguesa no Brasil mostra a importância da solidariedade de classes, a consciência e o comportamento revolucionário, “pois se ele não estiver preparado para enfrentar suas tarefas revolucionárias concretas, não poderá levar a revolução até o fim e até o fundo, no contexto social imediato e a longo prazo”. Florestan Fernandes cita que a luta de classes é um processo histórico que gradua o componente humano e psicológico de toda evolução. Erros e acertos acontecem, cabe a cada um de nós saber aproveitar as oportunidades favorecendo ora burguesia, ora proletariado. A classe que não souber aproveitar pagará um alto preço.

Evocando Karl Marx e Engels, que escreveram também “A Sagrada Família”, o autor discorre que a história não se constrói sozinha, tudo se deve ao homem, “acima de tudo, é o homem, o homem real está é vivo, que faz tudo isso e realiza combates”. Os discursos dominantes aniquilam tentativas de modificações sociais com exemplos históricos. “... não é a história que se serve do homem como de um meio para realizar seus próprios fins; ela não é mais que a atividade do homem que persegue seus objetivos.”

Florestan analisa também um fato de suma importância: as desigualdades sociais herdadas desde a sociedade colonial e pela posição dependente do país no sistema capitalista mundial. Tendo dúvidas quanto existir uma burguesia nacional com interesses antagônicos ao imperialismo, capaz de liderar as transformações sociais decorrentes da revolução democrática e da revolução nacional. E enfatiza a importância da revolução operária adotar uma linha política autônoma, articulada em torno dos interesses estratégicos do proletariado; discutindo a dificuldade encontrada pela classe operária da periferia para enfrentar as estratégias do mundo globalizado, obrigação imposta pelas burguesias dependentes.

A relação ‘trabalho x capital’ possui dois lados no Brasil. A burguesia pouco se importa com sua história, deixando as traças o processo autônomo de sua própria classe. Resumindo, a burguesia quer simplesmente obter o poder aliado ao capital. E nada mais.

A grande parte do proletariado se preocupa com sua história, com a participação coletiva das massas. A força destes mecanismos de transformação social. Completando o sentido, Florestan diz que a revolução não surge somente de toda situação revolucionária, mas somente no caso em que todas as transformações objetivas e subjetivas, no que concerne à classe revolucionária, de conduzir ações de massa vigorosas o bastante para destruir completamente - ou parcialmente - o governo. Ele não cairá jamais se não for forçado a isso.

Finalizo este texto com uma passagem selecionada por Florestan Fernandes, utilizada em As Revoluções Burguesas no Brasil. Que a citação de Vladimir Lenin, político revolucionário russo, não seja esquecida.

“A lei fundamental da revolução, confirmada por todas anteriores e especialmente pelas três revoluções russas do século 20; para que a revolução tenha lugar, não é suficiente que as massas exploradas e oprimidas tomem consciência da impossibilidade de viver como antes e reclamem das transformações. Para que a revolução tenha lugar, é necessário que os exploradores não possam viver e governar como antes. E somente quando os de baixo não querem mais e os de cima não podem mais continuar a viver da antiga maneira, é somente então que a revolução pode triunfar”.


Felipe Payão

19 de maio de 2010

FUTEBIZARRICES - O QUE HÁ COM O CAMPEÃO DO SÉCULO XX?

O final do ano de 1999, o Palmeiras gozava de grande prestígio no cenário futebolístico. Primeiro colocado no ranking da Federação Paulista de Futebol até aquele momento, o clube do Parque Antarctica foi nomeado o "Campeão do Século XX" pela entidade que rege a modalidade no Estado. A superioridade alviverde fora confirmada também pela IFFHS (Federação Internacional de História e Estatísticas do Futebol), criada pela FIFA para analisar resultados de jogos e desempenho de cada equipe no cenário internacional, com a segunda posição no geral, atrás do Boca Juniors, da Argentina. Os jornais Folha de São Paulo e O Estado de São Paulo e a revista Placar também reconhecem a 'conquista' palmeirense.

De fato, o Palmeiras conquistou muitos títulos no século XX. Foram 21 estaduais, quatro Campeonatos Brasileiros (72/73/93/94), uma Copa Libertadores (99), uma Copa Mercosul (98), uma Copa Rio (1951, espécie de campeonato mundial), duas Taças Brasil (60/67), dois Torneios Roberto Gomes Pedrosa (1967 e 1969, estes dois últimos campeonatos com status de nacionais), entre outras competições internacionais.

Entretanto, o atual século reservou poucas glórias ao alviverde imponente. A eliminação nas quartas-de-final da Copa do Brasil deste ano para o Atlético-GO evitou que o clube paulista chegasse à semifinal do torneio, fato que não ocorreu justamente desde 1999, quando a equipe foi derrotada pelo Botafogo-RJ, nos pênaltis. A competição ainda traz duas fatídicas lembranças para a torcida nesta década: a eliminação para o Asa de Arapiraca (AL) ainda na primeira fase de 2002, em pleno Parque Antártica, e a goleada por 7 a 2 para o Vitória, no ano seguinte, e também em casa. O time ainda foi desclassificado pelo Santo André (2004, quartas-de-final) e Ipatinga-MG (2007, segunda fase).

Em 2002, o pior momento da história do Palestra Itália. Derrotado nas semifinais do Torneio Rio-São Paulo pelo São Paulo, no famoso jogo dos cartões (com empates nos dois jogos, o tricolor avançou por ter levado menos cartões amarelos), o Palmeiras passou pelo vexame de ter sido rebaixado no Campeonato Brasileiro, sendo derrotado no último jogo por 4 a 3 pelo Vitória-BA.

Na Série B, a equipe deu a volta por cima e sagrou-se campeã, garantindo sua volta à elite nacional, em 2004, quando terminou com o quarto lugar (melhor posição do clube nesta década e repetida nos anos de 2005 e 2008), assegurando vaga na Copa Libertadores.

As boas posições contrastaram com decepcionantes participações no principal campeonato do País. Em 2006, o time terminou no 16° lugar, apenas uma posição à frente da zona do rebaixamento. No ano seguinte, a perda da vaga na Libertadores na última rodada, com uma derrota em casa para o Atlético-MG, foi ofuscada pela torcida com a comemoração pela queda do arquirrival Corinthians. O tropeço ainda se repetiu no ano passado, a equipe liderou boa parte do campeonato, mas acabou em quinto lugar e sem a classificação para a competição sul-americana, com outra derrota na partida final, desta vez para o Botafogo.

Na Libertadores da América, o desempenho do Palmeiras também não empolgou. Apenas em 2001 o time alviverde foi bem, caindo nas semifinais para o Boca Juniors, nos pênaltis, em pleno Palestra Itália. Depois disso, foram mais três participações, caindo duas vezes seguidas nas oitavas-de-final para o rival São Paulo (2004 e 2005) e uma vez nas quartas, para o Nacional, do Uruguai, no ano passado.

Para piorar o quadro da seca palestrina, seus três maiores adversários no Estado obtiveram várias conquistas importantes: o Santos conquistou três Campeonatos Paulistas (2006, 2007 e 2010) e dois Brasileiros (2002 e 2004); o São Paulo foi campeão da Copa Libertadores e Mundial em 2005, além do tricampeonato brasileiro, em 2006, 2007 e 2008 e do título paulista de 2005. Já o arquirrival Corinthians levantou um Campeonato Brasileiro (2005), duas Copas do Brasil (2002 e 2009), um Torneio Rio–São Paulo (2002) e três estaduais (2001, 2003 e 2009).

É bom diretoria, jogadores e comissão técnica abrirem os olhos, pois 2010 poderá ser mais um ano de escassez para os lados do Parque Antarctica. O Campeonato Paulista e a Copa do Brasil já passaram e a sede da torcida palmeirense por resultados expressivos continua aumentando. Vamos ver o que nos espera no Brasileirão e na Copa Sul-Americana, que neste ano, finalmente, valerá alguma coisa (para quem não sabe, a competição continental não será mais apenas um torneio caça-níquel. A partir de 2010, o campeão garantirá uma vaga na Copa Libertadores da América).

Gabriel Lopes

11 de maio de 2010

FUTEBIZARRICES - BRASIL E AS COPAS DO MUNDO


O Brasil é a única seleção que participou de todas as 19 edições da Copa do Mundo Fifa, já contando com a Copa da África. Chegou a sete finais, tendo conquistado o título cinco vezes: 58, 62, 70, 94 e 02. Tornou-se a primeira seleção tri campeã mundial, o que lhe rendeu a posse definitiva da taça Jules Rimet em 70 no México e também a única Penta Campeã. As outras finais foram em 50 no Rio de Janeiro e em 98 diante da França em Saint-Denis.

Uruguai - O Brasil esteve presente para a disputa da primeira Copa do Mundo de futebol, o seu maior adversário foi o desentendimento entre times do Rio de Janeiro e de São Paulo. O qeu fez com que os melhores jogadores não participassem da competição. A seleção foi eliminada pela Iugoslávia por 2x1. O destaque brasileiro foi o jogador Preguinho, com 3 gols

Itália – Essa foi a pior participação brasileira em Copas do Mundo. Realizou apenas um jogo contra a seleção da Espanha e foi derrotada por três tentos a um. A seleção foi novamente prejudicada, desta vez pela desordem entre os dirigentes das entidades futebolísticas amadora e profissional.

França – Desta vez sem desavenças entre seus dirigentes, a seleção montou um bom time, que contava com o excepcional Leônidas da Silva no comando do ataque. Marcando sete gols no torneio, o Diamante Negro, como era conhecido foi o artilheiro. E o Brasil ficou com o terceiro lugar, tendo perdido apenas para a campeã Itália.

Brasil – Em 1950 o Brasil era tido como grande favorito. Tinha um bom time e ainda jogava em casa. A final era contra o Uruguai, já bi campeã olímpica e vencedora o primeiro mundial. Com gols de Schiaffino e Ghiggia a Celeste Olímpica conquistava o bi, Friaça marcou para o Brasil na partida que ficara conhecida como Maracanaço.

Suíça – Em 1954 o Brasil tinha uma grande seleção, Djalma e Nilton Santos, Didi, Julinho Botelho, entre outros. Mas não era o suficiente para vencer a Hungria de Ferenc Puskas e Cia. No jogo que ficara conhecido como a Batalha de Berna, a seleção brasileira foi derrotada por 4x2. Logo após o apito final, uma briga generalizada entre os jogadores manchou a eliminação dos brasileiros.

Suécia – Enfim, Campeões. Com um time com Pelé, Vavá, Zito, Garrincha, Didi, Gilmar e Zagallo o Brasil não poderia perder aquela Copa. Nem mesmo para os donos da casa. Uma peculiaridade marcou a final, ambas as seleções jogavam de amarelo. Os dirigentes brasileiros compraram então um pano azul e confeccionaram as novas camisas, para motivas os jogadores, disseram que era a cor do manto de Nossa Senhora Aparecida. O jogo? 5x2 para o Brasil, fora o baile.

Chile – A base é mantida e novamente a escrete canarinho não toma conhecimento de seus adversários. Na primeira fase só não vencera a Tchecoslováquia, empate por 0x0, , mas na final não teve jeito, 3x1 e o Brasil conquistava seu segundo caneco, com shows de Garrincha e Vavá, artilheiros daquela competição.

Inglaterra – O Brasil não lembrava nem de longe as seleções campeãs das ultimas Copas. Era um time confuso. E o pior aconteceu contra a seleção de Portugal, de Eusébio, o Pantera Negra. O Brasil saiu derrotado por 3x1, sendo eliminado ainda na primeira fase. O jogo foi marcado pelas duras entradas em Pelé por parte do time português, que saiu machucado no meio do jogo.

México – A melhor seleção de todos os tempos. Assim é conhecido o time brasileiro da Copa de 1970. Pelé, Carlos Alberto Torres, Clodoaldo, Gérson, Jairzinho, Rivellino e Tostão, entre outros formaram um time memorável. Comandados por Zagallo. No jogo final contra a Itália vitória por 4x2 em pleno Estádio Azteca com mais de 100 mil espectadores. Era o Tri, e a taça Jules Rimet seria definitivamente nossa.

Alemanha – Ainda com Zagallo no comando da equipe, mas já sem o Rei Pelé, a seleção foi em busca do Tetra com uma equipe muito criticada pela imprensa da época. Mesmo tendo como base a seleção de 70 o Brasil sucumbiu diante da poderosa Holanda de Cruijff e Rinus Michels. A Laranja Mecânica não tomou conhecimento dos atuais campeões, vitória fácil por 2x0 na cidade de Dortmund.

Argentina – A Copa da Argentina foi com certeza a mais suspeita das copas. O Brasil só não chegou à final por causa da suspeitíssima goleada de 6 a 0 da Argentina contra o Peru. Resultado que eliminou os brasileiros e classificou a seleção da casa. Roberto Dinamite e Dirceu foram os destaques da campanha com três gols cada um.

Espanha -
A Seleção Brasileira era considerada a melhor equipe do mundo, recheada de craques como Zico, Sócrates e Falcão, Júnior, entre outros, comandados por Telê Santana. Mas na partida contra a Itália em Barcelona, o atacante Paolo Rossi marca os três gols italianos da partida, elimina o Brasil e torna-se o Carrasco de Sarriá.

México – Com um time tão bom quanto o da Copa passada o Brasil fora em busca do Tetra ainda com Telê Santana como técnico. Mas nova decepção, desta vez diante da França de Michel Platinni. Derrota nos pênaltis e a seleção saíra da Copa de maneira invicta, mas sem o título. E Telê ganharia de vez a fama de pé frio.

Itália – Em 90 pela primeira vez, sob o comando de Sebastião Lazaroni, a seleção utilizou o esquema 3-5-2. Foi uma lástima, a pior seleção dos últimos anos. O Brasil foi eliminado pela Argentina de Maradona e Caniggia ainda nas Oitavas, no estádio Delle Alpi na cidade de Turim. Com craques como Careca, Muller e Romário até hoje não se entende o que aconteceu com aquela seleção.

EUA – Após um jejum de 24 anos sem conquista, o time brasileiro chega aos EUA desacreditado. Com um futebol pragmático e dependente dos gols de Romário o Brasil fizera a final contra a Itália, a única sem gols na história. Na decisão por pênaltis Roberto Baggio chuta para fora e dá ao Brasil o sonhado Tetra Campeonato Mundial

França – Com o melhor jogador do mundo, Ronaldo, o Brasil chega com todo o favoritismo que uma seleção poderia ter. A perda de Romário, cortado por lesão, nem parecia ter afetado o time. O Brasil era de fato o melhor time do mundo. Só esqueceram de avisar isso para a França de Zidane. Na final, 3x0 com dois gols do craque francês, seus únicos em toda Copa.

Coréia do Sul/Japão – Com uma seleção jovem e novamente no fracassado esquema 3-5-2, agora sob a batuta de Luis Felipe Scolari, a seleção chega com desconfianças á Copa. Mas com sete vitórias em sete jogos, o time passa a ser comparado ao de 1970. Ronaldo, Rivaldo e Ronaldinho brilham e o Brasil conquista o Penta em uma final contra a Alemanha, 2x0 com dois gols do artilheiro Ronaldo, fez oito no total.

Alemanha – Mantendo a base de 2002 a seleção chega cheia de pompa ao Mundial de 2006. Mas o favoritismo não se concretizou dentro dos gramados e novamente Zidane, novamente a França de 86 e 98. Após gol de Thierry Henry, em falha bisonha da zaga brasileira o Brasil é eliminado e se torna freguês dos franceses. Brasil 0x1 França na cidade de Frankfurt.

Curiosidades

Em 1958 a seleção brasileira não enviou a numeração da camisa de seus jogadores, coube ao jornalista uruguaio, Lorenzo Villizio, membro do Comitê Organizador a indicação dos números. O goleiro Gilmar ficou com a 3 Garrincha com a 11, Zózimo que era o zagueiro reserva jogou com a 9, Vavá ostentou a 20 e por uma feliz coincidência, quis o destino que um jovem garoto de 17 anos jogasse com a 10. Era Pelé.

A Copa da Suíça em 1954 foi a primeira em que o Brasil usou camisa amarela com detalhes verdes. Anteriormente a seleção brasileira atuava toda de branco. E em 1958 foi adotado o segundo uniforme azul. A final foi contra a Suécia, dona da casa, que também jogava de amarelo. Para motivar os jogadores o dirigente Paulo Machado de Carvalho disse que jogariam com a cor do manto sagrado de Nossa Senhora Aparecida, aparentemente deu certo e o Brasil sagrou-se campeão.

COPAS

1930 – A primeira Copa do Mundo FIFA foi disputada no Uruguai. A escolha foi uma homenagem ao país que comemorava o centenário de sua independência e também pelos dois títulos olímpicos da seleção uruguaia. Treze equipes participaram daquele mundial: Argentina, Bélgica, Bolívia, Brasil, Chile, Estados Unidos, França, Iugoslávia, México, Paraguai, Peru, Romênia e o Uruguai. A final foi disputada no Estádio Centenário em Montevidéu, e a Celeste Olímpica venceu a Argentina pelo placar de 4x2.

1934 – A segunda Copa do Mundo Fifa foi também a primeira disputada em solo europeu, na Itália. A final foi disputada no Estádio Nacional de Roma e a equipe anfitriã derrotou a Tchecoslováquia pelo placar de 2x1 no dia 10 de julho. Participaram deste mundial as seleções da Argentina, Alemanha, Áustria, Bélgica, Brasil, Espanha, Estados Unidos, Egito, França, Holanda, Hungria, Romênia, Suécia e Suíça, além das duas finalistas.

1938 – Na França em 1938 o Brasil faz sua primeira grande participação em um Mundial. Com uma vitória sobre a Suécia por 4x2 o escrete canarinho alcançou o terceiro lugar, tendo perdido a semi-final para a Itália que se tornaria Bi-campeã do torneio ao vencer a seleção da Hungria no dia 19 de Julho no Estádio Olímpico de Colombes, em Paris pelos mesmos 4x2. Leônidas da Silva fora o artilheiro daquele torneio com 7 gols.

1950 – Por decorrência da Segunda Guerra Mundial os Mundiais de 42 e 46 não foram realizados. A Copa só voltaria a ser realizada no ano de 1950, no Brasil. A segunda em continente americano, já que a Europa estava totalmente devastada e em reconstrução. O Brasil se destacava como grande favorito. Diante de um Maracanã com mais de 200 mil pessoas o uruguaio Ghiggia fez gol que sacramentou os 2x1 em umas das maiores decepções da seleção brasileira em todos os tempos. Uruguai Bi-Campeão.

1954 – A Copa retorna a Europa para ser disputada na Suíça. Novamente um grande surpresa aconteceria na final, a grande favorita era a seleção da Hungria que encantava a todos com um futebol bonito e envolvente. Comandados pelo mito Puskás a seleção húngara sucumbiu diante da Alemanha Ocidental por 3x2, no Estádio Wankfort em Berna. O detalhe é que na fase de classificação os húngaros aplicaram um sonoro 8x3 nos alemães.

1958 – A sexta Copa do Mundo foi disputada na Suécia. O torneio marcou a estréia de um dos maiores jogadores de todos os tempos, Pelé, então com 17 anos. Esta edição contou com a participação de 16 equipes. A final fora disputada no estádio Rasunda na cidade de Estocolmo. Com gols de Vavá, Pelé e Zagallo o Brasil derrotou a anfitriã por 5x2 vencendo seu primeiro torneio da Fifa.

1962 – O mundial retornava às Américas, disputada no Chile. O Brasil entrara como o grande favorito, pois mantivera a base do time campeão de 1958. Sem grandes dificuldades a seleção brasileira chegou à final em 17 de junho no estádio Nacional do Chile, na capital Santiago. O adversário era a Tchecoslováquia, na primeira fase empate por 0x0 na final vitória por 3x1 e o Brasil se tornaria a terceira seleção Bi-campeã Mundial.

1966 – A oitava Copa do Mundo foi disputada na Inglaterra. A seleção da casa se tornou a terceira anfitriã a faturar o mundial, Uruguai em 1930 e Itália em 1934 foram os primeiros. Na final, vitória por 4x2 sobre a Alemanha Ocidental no famoso Estádio Wembley, em Londres. A final foi umas das mais polêmicas, no tempo normal as seleções empataram por 2x2. Até hoje se discute se o terceiro gol inglês, marcado na prorrogação, entrou ou não.

1970 – A taça do mundo é nossa. Para a Fifa, a primeira seleção que ganhasse três torneios levaria em definitivo para casa a Taça Jules Rimet, e isso acontecei no dia 21 de julho de 1970. A seleção brasileira enfrentava a italiana na decisão em um lotado Estádio Azteca, na Cdade do México. Com um futebol que encanta o mundo até hoje, o selecionado derrotou até com certa facilidade a Itália por 4x1. Uma verdadeira aula de futebol arte. Brasil, o primeiro Tri-Campeão da Copa do Mundo.

1974 – Em 1974 uma seleção encantava o mundo, comandados fora de campo por Rinus Michels e dentro dele por Johan Cruijff a seleção da Holanda era conhecida como Laranja Mecânica. Os alemães tinham o capitão Franz Beckenbauer e o goleador Gerd Muller, nada que pudesse assustar a incrível seleção holandesa. Na final, no estádio Olímpico de Munique, os 2x1 da Alemanha Ocidental deixou atônitos os mais de 75 mil torcedores presentes.

1978 – A décima primeira edição do Mundial foi também uma das mais polêmicas. A Argentina estava no meio de um regime militar. Muitos jogos da seleção anfitriã geram desconfianças até hoje, o principal deles os 6x0 sobre o Peru. Placar que tirou o Brasil da final do torneio, classificando os argentinos. No tempo normal no estádio Monumental de Nunez, em Buenos Aires, 1x1. Na prorrogação vitória Alviceleste por 3x1 sobre a Holanda.

1982 – Desta vez, não uma seleção, mas sim um jogador tiraria o Brasil da Copa. Paolo Rossi ficara conhecido por todos com o Carrasco de Sarriá, por marcar os três gols que eliminaria o Brasil daquela Copa. Itália 3x1 Brasil. Os italianos chegariam ao Tri-Campeonato, derrotando na final a Alemanha Ocidental no Estádio Santiago Bernabéu, em Madrid, na Espanha. Rossi terminou o tornei também como artilheiro, como 6 gols.

1986 – O jogo mais conhecido desta Copa não foi a final. Nas quartas de final, Maradona fizera dois gols contra a Inglaterra que entrariam para a história. O primeiro driblando desde o meio campo metade do time inglês e o segundo, com a mão, ou como ele mesmo diz com “La Mano de Dios”. Na final, Argentina 3x2 Alemanha Ocidental, novamente uma seleção sul-americana encantava o mundo dentro do Estádio Azteca, no México.

1990 – Pela primeira vez na história duas seleções reeditavam uma final de Copa do Mundo. Desta vez, na Itália, dentro do Estádio Olímpico de Roma a Alemanha Ocidental tivera sua revanche diante da Argentina, que já havia eliminado o Brasil e a anfitriã Itália. Desta vez os alemães tiveram melhor sorte, vitória por 1x0, gol de Brehme de pênalti já no final do jogo. Alemanha se torna a terceira Tri-Campeã Mundial.

1994 – A décima quinta Copa do Mundo Fifa foi disputada nos Estados Unidos. O Brasil entrara sem muito favoritismo, o que parece ter ajudado o time de Carlos Alberto Parreira. Jogando um futebol pragmático a seleção chegou com dificuldades à final contra a Itália, reeditando a final de 1970. A decisão ficou marcada como a primeira sem gols. Após uma prorrogação também sem gols, vitória brasileira nos pênaltis por 3x2.

1998 – A França recebe pela segunda vez uma Copa do Mundo. O favoritismo é todo brasileiro. Manteve-se a base de 94 reforçada com Ronaldo, o melhor do mundo na época. A França apresentava um bom futebol, comandados por Zinédine Zidade chegou à final, surpreendendo a todos. Mas a maior surpresa foi mesmo os 3x0 no dia 12 de julho em um lotado Stade de France, em Saint-Denis. Zidane marcara seus únicos dois gols na Copa. França Campeã Mundial.

2002 – A Copa foi disputada pela primeira vez em solo asiático, Japão e Coreia do Sul dividiram os jogos. Os grandes favoritos França e Argentina, surpreendentemente foram eliminados já na primeira fase. O melhor jogo não foi a final, foi o emblemático Brasil 2x1 Inglaterra. A Alemanha não jogou contra ninguém e chegou à final facilmente. Mas fácil foi a vitória brasileira com dois gols de Ronaldo tornando o Brasil o primeiro, e ainda único, Penta Campeão mundial de futebol.

2006 – Na Alemanha só se falava em reeditar a ultima final. Queriam a revanche contra o Brasil. Mas os brasileiros caíram já nas quartas contra seus carrascos de sempre, a França. Já os alemães sequer chegaram a final, sucumbiram diante da Itália na semi. Com ambos os favoritos eliminados, a final só poderia ser entre italianos e franceses. Depois da expulsão de Zidane, por responder com uma cabeçada as provocações do zagueiro Materazzi, 1x1 no tempo normal e 5x3 nos pênaltis. A Itália chega o Tetra.

2010 – Pela primeira vez a Copa é disputada no continente Africano, na África do Sul de Nelson Mandela, do apartheid, do Rugby. 32 seleções já estão classificadas para a disputa do décimo nono mundial da Fifa, são elas: África do Sul, México, Uruguai e França no grupo A; Argentina, Nigéria, Coreia do Sul e Gréica no grupo B; Inglaterra, EUA, Argélia e Eslovênia no grupo C; Alemanha, Austrália, Sérvia e Gana, no grupo D; Holanda, Dinamarca, Japão e Camarões formam o E; Itália, Paraguai, Nova Zelândia e Eslováquia no F; Brasil, Coréia do Norte, Costa do Marfim e Portugal no forte grupo G; e por fim Espanha, Suiça Honduras e Chile no grupo H.

Curiosidades

Grandes fiascos das Copas
Algumas seleções encantaram o mundo do futebol mesmo sem conquistas o título. Primeiro time a decepcionar seus torcedores foi a Hungria em 1954. 20 anos depois o mesmo aconteceria com a Holanda, jogava por música o afamado Carrossel Holandês, mas sucumbiu para a Alemanha Ocidental que também havia vencido os húngaros. O Brasil de 1982 encantou a todos, mas não trouxe o caneco. Outra decepção foi a França em 2002.

Grandes craques das Copas
A cada copa surge um novo destaque, um novo craque, um novo ídolo. Em 54, Puskas. 58 foi a vez de Garrincha. No Chile Pelé de destacava. Em 1966 outro negro, Eusébio. Em 1970 no México uma constelação brasileira, impossível citar apenas um. Em 1974 duas estrelas brilharam, Johan Cruijff e Franz Beckenbauer. Em 82 surgiu o goleador Paolo Rossi, além de Zico e Michel Platini. No México conhecemos Maradona e sua mão abençoada. Romário foi genial em 94, na copa seguinte Zidane foi quem mais brilhou. Na ásia Ronaldo foi a estrela.


Renato Souza

5 de maio de 2010

REALPOLITIK - EXPLORAÇÃO DO PRÉ-SAL ABRE DOIS PARADIGMAS PARA O FUTURO DO BRASIL


A descoberta da camada pré-sal descortinou caminhos opostos. A exploração causaria um aumento nos empregos e investimento na saúde, educação e saneamento. Já o outro lado mostra uma privatização absoluta e que o Brasil sofra da “doença nigeriana”.

Segundo a Petrobras, que é uma empresa estatal de economia mista, a exploração da camada irá gerar mais empregos, investimento em pesquisa e tecnologia, modernização das refinarias e de bens e serviços para a área de petróleo, construção de novas plataformas e crescimento da petroquímica.

Com a descoberta, a produção de petróleo brasileiro poderá dobrar de 14 bilhões para 30 bilhões de barris, de acordo com a Agência Nacional do Petróleo (ANP). As expectativas mais positivas mostram que a produção total chegaria até os 100 bilhões, tornando o Brasil a quinta maior reserva do mundo.

O país sempre foi visto com bons olhos por causa de seu investimento na produção de biocombustíveis, na energia eólica, solar e hidrelétricas. Isto se deve ao fato de que este tipo de energia é rentável em longo prazo e causa menores danos ecológicos. Uma tecnologia limpa. Com o pré-sal descortinado, o Brasil pode deixar de lado os biocombustíveis e levar todo o investimento para a extração do petróleo. Uma “tecnologia suja”. Teremos mais empregos diretos e indiretos criados, investimentos internos e externos.

A principal problematização da exploração da camada é por quem ela será feita. A Petrobras, que é uma empresa estatal, mas de capital aberto, tem a concessão para a exploração. Seu acionista majoritário é o Governo do Brasil (União), o imbróglio encontra-se no investimento externo. O governo brasileiro anunciou o desejo de conceder prioridade à educação, inovação tecnológica e ao desenvolvimento social através da distribuição dos royalties para os municípios. A exploração gera interesse de grandes grupos econômicos privados. A oposição do governo tem história por privatizar algumas empresas estatais e, recentemente, abriu a CPI da Petrobras para investigar sua gerência. Sobre a gestão da empresa, em nota do ano passado, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, disse que a oposição “deseja apenas saber se há ou não deslizes graves na administração da companhia”.

Com a Petrobras privatizada, pode acontecer no Brasil o que é comumente chamado de “doença nigeriana”. Multinacionais receberam aval para explorar as reservas de petróleo da Nigéria e esgotaram-na. As multinacionais tiveram lucro. O país que estava na miséria, continuou sofrendo e sem petróleo.

Felipe Payão

2 de maio de 2010

UMUNDUNU - EM "A ESTRADA", ESPERANÇA É A ÚLTIMA QUE MORRE(U)


Muitos dizem que vão ao cinema para se divertir, deixar o mundo real lá fora e imergir numa fantasia que os levará a lugares inimagináveis, encantados, em que tudo e todos serão felizes para sempre. Cores, sons, diálogos alegres, um grande “Alice no país das maravilhas” sem Tim Burton.

Se o parágrafo anterior corrobora sua opinião, pare de ler agora mesmo.
Em “A estrada”, de John Hillcoat, obra baseada no premiado livro homônimo de Cormac McCarthy, autor de “Onde os fracos não têm vez”, o cinza predomina. Não só o cinza, mas o desespero, a falta de perspectiva e de humanidade.

Num mundo pós-apocalíptico, devastado por algum evento cataclísmico desconhecido, um pai (interpretado pelo ator Viggo Mortensen), conduz o filho ainda pequeno (um expressivo Kodi Smit-McPhee) em direção ao sul. Não se sabe bem por que, mas parece, no filme, que o sul é a solução para todos os problemas: comida, abrigo e um mínimo de proteção contra as hordas violentas de canibais que perseguem os “bons”, estes, apenas na ótica dos protagonistas, claro. Neste mundo futurista, em que não restam mais fauna e flora intactas, a humanidade apenas sobrevive. Menos: ela está em coma, com a míngua respiração mantida por aparelhos.

O cinza dominante usado como recurso estético é impressionante. O filme parece ter sido produzido em preto e branco. Contudo, algumas cores dão o tom em cenas específicas: o sangue, as latas de comida num abrigo e, por vezes, as roupas maltrapilhas dos últimos seres “humanos” que restaram. O recurso da cor esmaecida é forte, na medida em que o seu destaque é quase nulo. É possível, por vezes, observá-las, no entanto não se pode concluir que ela dá vida à cena. Ao contrário, a pouca cor que se destaca é enfraquecida pelo onipresente cinza.

Aqui não será contado o final da história, que traz um pequeno resquício do que restou de humano para o futuro, ainda que muito triste. A (pouca) esperança é um prelúdio da desgraça que ainda virá. Se não há saída e a tristeza discursada em 99% do filme é atroz (é impactante a cena em que o pai ensina o filho como se suicidar, no caso de ser pego pelos canibais), o restante da película é suficiente para que os otimistas cantem vitória – um clichê, por conta da casa: vitória de Sísifo. É o fim dos tempos. Vá logo ver “A estrada”, um filme desolador, como pessimista que sou. O 1% que sobra, é a cereja do bolo.

(Confesso que o filme deixou os olhos deste pequeno 7co marejados - Felipe Payão)

Rodrigo De Giuli