28 de abril de 2010

UMUNDUNU - MARIA TOCOU OS LÁBIOS DE BUÑUEL

“A mania incurável de reduzir o desconhecido ao conhecido, ao classificável, só serve para entorpecer cérebros.”

Ela diz sim. Cena 1.
Olha o saci. Correndo e gritando. Nas portas da vida, correndo pelo coração. Dançando na praça. São oito irmãos e meio.
Preste atenção. As areias da selva cinza. As areias são feitas com ossos.
Cena 1. Porra!
O olho torto. Roto. Ladrilhos brancos, azulejos brancos, assentos brancos e o mijo é amarelo. Pinta de amarelo. A mente vê, não. O olho vê entorpecido. É a propaganda eleitoral da urina. Amarela. Pelo menos não é azul. E dói.
A cena 1? Ta aí. Enquanto você fode, larga, pisa e quebra; a roda gira, meu irmão. Desce mais uma dessa. Desse lado desagradável, esse lado desagradável, é mais difícil. “Bróda”. O mijo não é amarelo. Xixi, só para os de pudor e classe.

Vamos começar então. Segura: cena 1.
Leva flores. Deixa lá na mata mesmo. Na esquininha do Abaporu. “Ô meu sinhô, mas lá é muito longe!” – Disse o menininho que acabara de sair da adolescência e permeava nos prólogos adultos. O mateiro se levantou. “Saca lá que ele come”. Os girassóis e as marias-sem-vergonha caíram. Viraram fósseis. Avisa o Bush. Deixa na cartilha dos States. Vai virar petróleo. Petróleo no cangaço. E tudo fica assim.

Cansei. Não que nem as madames. Cansei. Cena 2 é o caralho.
Amor, amor, amor. Amor? É rapá! Larga de ser trouxa. Nascer, crescer, reproduzir e morrer. Cinzas. Amor? É rapá! Não acaba. Nada acaba. É um todo e é eterno. Ria, morena. Mostre estes dentes lindos, o cabelo brilhando e esse cheiro que é só teu. O toque que só você tem. Esse aí. Parece o Rum. Parece o Rum, o Rumpi e o Lê. Me excita tua alegria. Abraça tua vida. Linda. Esquece a cena 2. Larga o maniqueísmo e vem pra festa, baby.

E o filho da puta do Nosferatu vai cuidar da nossa saúde. Vai sim. É o nosso capitão Nascimento. OFF. Voz de Deus. É foda. Ô Nosferatu. Ô. Abre a porta e cai pra praia. Pula dessa metrópole megalomaníaca. Metrópole do seio bonito e do leite estragado.
Valeu, ruivão!

Cena 1. Make your path. Tupy or not tupy?
Ele segura a mão dela. Ela sorri. Ele a chama de amor. Ela sente, lembra-se e ainda cultiva. É uma das poucas. Cuidado, garota. Cuidado, garoto. Essa é a Road.
“Mas você vai embora?” - “Tenho que viajar.” – “Volta?” – “Ano que vem” – “Mas já vai?” – “Ano que vem” – “E agora?” – “Foi lindo e será lindo.”
As mãos, línguas, sentimentos e paixões selam as juras. Os toques são quentes. “Encontra-me por lá”. Tão diferente, mas tão igual. O pagão e a cristã.

Agüentou, negô!? Melhor é velha ortografia. Eu sei que é foda. Principalmente essa hora. Acende um cigarro, Danado. Não leia este texto. Bem aventurado és. Desce a página, desce a folha. Ignorância. A ignorância é uma benção. Bem aventurados os frios e calculistas. Bem aventurados os que não amam. Bem aventurado é o caralho. Segura as aranhas. Fique aí, atordoado por Maria. Olha que Fritz já mostrou isso. Não. O Lang, não o doutor.

Valeu? Vou nessa. Essa pica não é mais minha. Que venha o próximo. Mas já aviso: tenho amor. Tenho por todos vocês. E pro camarada aí: tem veneno na língua. Pena que seus olhos não vêem.
Querida amiga. Especial amiga. Quando voltar, volta. Nos falamos diariamente, morena, mas sinto tua falta. Paz.

Felipe Payão

26 de abril de 2010

REALPOLITIK - RODRIGO, O VACINADO


Vejo a seringa no lixo. Não há mais nada a fazer. Parafrasear Thiago, meu colega 7co, foi fácil. Difícil foi encarar uma seringa enorme, com uma gigantesca agulha na ponta, cheia de organismos maléficos criados pela natureza para me ferrar. Pior: estou fora do grupo de vacinação "obrigatório", no entanto minha esposa, médica, discursava sobre as maravilhas da medicina e dos anticorpos "artificiais", aqueles mesmos que, como disse o Thiago, já "circulam pelas artérias do pobre estudante de jornalismo". Como o 7co blogueiro, eu dizia para todos ouvirem: "Não tomo esta vacina nem fodendo!".

Tive que pagar para ser vacinado. Como a vacinação para o "meu grupo" é só a partir de 12 de maio, a já citada cônjuge combinou com um colega médico, proprietário de uma clínica, para me aplicar a carga de microorganismos nocivos. Morreram 120 reais. O tal colega da minha consorte enunciava os benefícios da vacina à humanidade. Tendi a concordar para vê-lo calado, pois meu braço estava dolorido, sentia cansaço e dores de cabeça - sim, imediatamente após a vacinação. Agora quem ataca é uma febre baixa, contudo suo como um gordo sentado à mesa da churrascaria. A dor da agulhada foi visceral e a senti tocar o osso do braço. Exagero? Pode ser. Conta o fato de eu sofrer de fobia à agulhas?

Fui vacinado triplamente: H1N1, gripe sazonal e uma outra que nem me dei o luxo de saber. A agulhada é dolorida, a febre é baixa e a dor de cabeça incomoda. O bolso, entretanto, é o que mais reclamou. Sinto-me violentado. Ponto final.

Rodrigo De Giuli

20 de abril de 2010

REALPOLITIK - RICARDO, O VACINADO


A seringa já está na lixeira. É tarde demais para tomar outro rumo. A vacina circula pelas artérias do pobre estudante de jornalismo. “Não tomo essa vacina nem fodendo”, disse Ricardo, uma semana antes de ceder aos pedidos de sua namorada, que assustada com as propagandas do governo, insistiu para que ele se vacinasse contra a Influenza A H1N1.

“Mas, como assim? Uma vacina produzida de uma hora pra outra não pode ser confiável”, alegou Ricardo. Entretanto, uma declaração – retirada do site do Ministério da Saúde - o convenceu. “Os laboratórios já tinham experiência com a produção da vacina contra os vírus de influenza sazonal (vacina administrada anualmente nos idosos no Brasil), e estes investiram em tecnologia num processo de preparação para a produção de uma vacina para a prevenção do vírus pandêmico (H1N1) 2009. O Brasil, por exemplo, fez investimentos na adequação do processo de produção pelo Instituto Butantan.”, diz o MS.

Bom, argumento aceito, Ricardo foi se vacinar tranquilo, afinal de contas, ele havia lido no site que “a vacina a ser utilizada é segura e já está em uso em outros países. Não tem sido observada nesses países uma relação entre o uso da vacina e a ocorrência de eventos adversos graves”.

Um dia depois de ser vacinado, Ricardo – o vacinado -, Felipe e eu, teoricamente faríamos um trabalho conjunto, porém o vacinado está com sintomas de gripe e o trabalho teve que ser cancelado. Os efeitos colaterais sofridos pelo meu colega estão descritos no site do próprio MS: “dor local, febre baixa e dores musculares”.

Enfim, quem quiser tomar essa porra de vacina, que vá em frente, mas eu advirto: conheço mais de 5 pessoas – entre 20 e 29 - que se vacinaram e todas sofreram os efeitos colaterais descritos pelo MS. Eu acredito que outras pessoas se vacinaram e não sentiram nada, mas, todas que eu conheço sofreram os efeitos colaterais. E você caro leitor, terias sido tu um dos “seringados” contra a gripe A? Caso a resposta seja positiva, deixe um comentário relatando como foi. Caso contrário, se você está no grupo de risco e não tomou a vacina, qual o motivo? Por que você não se vacinou? Até mais ver...

http://portal.saude.gov.br/portal/saude/area.cfm?id_area=1616

http://www.youtube.com/watch?v=kQaY4qPWNCQ&feature=related


http://vimeo.com/7965935

Thiago Menezes

12 de abril de 2010

REALPOLITIK - A FESTA DA DEMOCRACIA

Entrei no ônibus e logo vi o convite para a festa.
A Festa da Democracia.
Está aí um convite que gostaria de declinar.
Mas posso?
Não.
Não sou convidado para a festa, sou intimado a participar.
E o pior, tenho que levar o presente.
Meu voto.
Mas em quem votar?
Opções são muitas.
Mas que resultam sempre nas mesmas.
Tem aquele que promete mudar tudo e acaba deixando como está.
Tem o outro que quer deixar como está e muda tudo. Para pior, é claro.
E tem aquele ainda que só reclama, reclama. Nunca é eleito, mas também se for, não vai saber o que fazer.
Entre azuis e vermelhos poucos se salvam


Ah, mas tem os verdes. Verdes?
Já foram vermelhos ou azuis, mas agora não querem se misturar novamente e nem ficar de fora. Criam uma nova opção. Nova? Ou só mais uma para nos confundir.
Em meio a tantas cores, queria mesmo era ser daltônico.
Votar em branco? Nulo?
Ainda não sei. Me parece fugir da raia.
Não me venha com aquela história de jogar o voto fora, não é isso.
Mas não votar para depois dizer que não tem nada haver com aquilo e poder criticar qualquer lado, ou cor, não me parece a melhor solução.
Não me parece, não quer dizer que não seja.
Tenho a minha, você também deve ter a sua opinião.
Já começaram os preparativos para a festa.
O Nardoni já foi preso.
O BBB já acabou.
A Copa ainda não começou.
Mas a corrida já. E não é a Formula 1.
É a disputa por um lugar ao sol.
Aquele que era inimigo, agora anda a seu lado.
Quem te chutou hoje te faz carícias.
O seu passado te condena, mas quem se lembra disso?
Você prometeu fazer aquilo. Mas não fez?
Culpado? A administração passada deixou tudo bagunçado. Quer o segundo mandato para não fazer aquilo novamente. Afinal, depois você vai embora e ninguém te cobra mesmo. Azar do próximo.
A festa vai começar. Não esqueça seu convite.
Nem ligue muito para seu par.
Você só dança depois. Mas não dança sozinho.
Vote consciente.
Consciente de que não vai mudar nada.
No Regime Democrático só tem gordinho faminto.
E a porta da dispensa está sempre aberta...

Renato Souza