28 de fevereiro de 2010

7ENTREVISTA - SAMBA, FUTEBOL, MACUMBA E PSICANÁLISE

O repórter Marcos Zibordi cede entrevista na redação da revista Caros Amigos. Em um papo descontraído, fala sobre a profissão de jornalista, cultura marginal, jornalismo literário e independente, entre outros assuntos.

(NOTA DO BLOG: Marcos Zibordi também foi professor dos 7cos, iluminando-nos com suas ideias e seu jornalismo visceral)

Quais as suas mais remotas lembranças?

Marcos Zibordi: Eu sou um cara do interior, nasci em Assis, que é uma cidade pequena. Eu tenho lembranças da rua de terra, da casa de madeira em que a gente morava. Lembranças de moleque do interior. Mas têm duas lembranças da infância que são muito representativas do porquê que eu resolvi ser jornalista. Uma sempre foi muito dolorosa pra mim, mesmo que eu não soubesse racionalizar aquilo que acontecia ali. Na esquina da minha casa passava um caminhão de um cara que levava as pessoas pra cortar cana, chama gato, por ironia, pois é muito esperto, ganhava dez para contratar e pagava cinco pro cara. E todo dia de manhã eu saía pra ir à escola e via aqueles caras na esquina esperando o caminhão e eles estavam sempre fodidos, quando voltavam do trabalho à tarde eu não via diferença nenhuma, a cara de alquebrado era sempre a mesma, de manhã, de tarde... Eu sou muito encanado com o trabalho, eu acho que é uma maneira de escravizar as pessoas, muito pouca gente trabalha naquilo que gosta, só trabalha pra sobreviver e é foda.

Outra lembrança é do meu pai, que mexia com madeira, tinha algumas propriedades, perdeu tudo e foi trabalhar na cidade como mero peão. Era engraçado porque meu pai só fez até o terceiro ano da escola e os engenheiros iam tudo lá em casa saber como se fazia os madeiramentos. Teve um dia que um engenheiro foi lá em casa com um pedaço de madeira e falou que a conta da madeira necessária que meu pai havia feito tinha sido tão exata que só sobrou aquele pedaço.

Qual a importância da sua formação para a carreira de jornalista?

MZ: Tem jornalista que pra mim ou é mal intencionado ou é ignorante, e se é ignorante, é mal intencionado, porque a profissão exige que você saiba das coisas, eu não falo isso como uma pessoa que sabe das coisas, eu falo isso como uma pessoa que se preocupa em saber dessas coisas. Já tive oportunidade de ver algumas vezes um certo relaxamento natural; o cara estuda um pouco na faculdade mas depois ele arruma um emprego numa certa posição, e para de ler.

Esses caras não entenderam que essa formação cultural faz bem pra saúde e não tem só a ver com status, é uma parada que te coloca no mundo e acho até que é uma medida profilática, antidepressiva. Muito da depressão do mundo é essa falta de entendimento das pessoas do porquê estão aqui, do porquê que estão fazendo certas coisas. O conhecimento te coloca numa situação de entender o porquê você está aqui fazendo isso, se fodendo e tal. Esses caras estão deslocados do mundo e isso começa na formação escolar, depois passa pela universidade. Aquela coisa de ler um capítulo do livro, isso é pernicioso, tem que ler o livro inteiro. Estudar para o jornalista é parte do trabalho dele, não deve servir para uma falsa ilustração, eu nunca tive nenhum interesse em falar de forma culta, isso é um verniz falso. Se você pôr um terno, falar três palavras diferentes, todos acham que você é inteligente. Eu acho até que tem professor que decora duas ou três palavras difíceis e joga lá no meio da aula e não vê a hora do aluno perguntar pra ele o que significa aquilo. Jornalismo é uma profissão de insatisfeitos, com o mundo, com o seu repertório, você nunca acha que tá bom; você leu todo o Machado de Assis, agora quer ler todo o Lima Barreto; agora, isso não deve servir pra você ficar pagando pau pros outros, no bar, citando poemas.

Qual a sua opinião sobre o jornalismo literário?

MZ: O jornalismo não tem nada a ver com a questão da literatura, porque ela não é feita para ser entendida de maneira didática, a literatura é complexidade, você não escreve no jornalismo pra pessoa decifrar, você escreve para a pessoa entender, se o cara ler duas vezes a mesma linha, já fodeu. Esse papo pra mim tem muito a ver com a falta de formação; de cada dez jornalistas que eu encontro pra falar sobre jornalismo literário, eu pergunto: O que é literatura então? O que é jornalismo então? Porque se é jornalismo literário você precisa saber pelo menos o que são essas duas coisas. Meu, nem os teóricos de literatura sabem o que é literatura, tem trocentos teóricos aí que não chegam a uma conclusão. Pode até existir jornalismo literário, mas esse discurso na boca dos caras é muito de novo a modinha, saca? Eles não leram "Notícias de Um Sequestro" do Garcia Márques, que é muito louco, que era um puta escritor, um puta enredo. Então esse papo pra mim é muito significativo dessa falta de formação, o cara não parou para pensar no barato, ele cai na onda da moda "Ah! Jornalismo literário! Nossa que massa, jornalismo literário!", parece até que ele é mais jornalista, ele não é mais jornalista, ele é jornalista literário, é além.

Na verdade, eu acho que eles estão confundindo autoral com o literário, porque, por exemplo, um texto teu em que aparecem as suas características de texto, as suas ironias, o seu vocabulário, o que ele está mostrando não é literatura ainda, o que ele está mostrando é estilo, agora o estilo é possível aparecer até num relatório científico, aliás, eu acabei de ler trocentos relatórios do Carlos Chagas, são belíssimas peças textuais, mas não chega a ser literatura, é estilo. Essa discussão é até irritante pra mim, jornalismo é precisão, referencial, a literatura é metalinguística. Como é uma profissão que aliena muito o jornalista, você não pense que fazer três, quatro matérias de lide por dia não aliena, aliena sim, e ganha pouco, é uma profissão de medíocres e tal, quando o cara fala que faz jornalismo literário parece que ele escapou um pouco dessa coisa tão comum, parece que ele não é mais o peão do texto, ele é um escultor do texto, dá um falso verniz. A poeira é o verniz do artista, o verniz é o imbecil.

No curso de jornalismo temos aulas em que o tema imparcialidade é enfatizado. Qual a sua opinião sobre isso?

MZ: Isso é falta de cultura de novo, além de falta de informação. Por exemplo, o Nietzsche tem o livro "A Gaia Ciência", faz cem anos que destruiu essa ideia - "Só os idiotas querem a objetividade"- tá escrito lá, depois vem Einstein com a teoria da relatividade -"pode ser isso mas também pode ser aquilo"-, essa objetividade é também um ponto de vista, é uma maneira de ser um ponto de vista, mas pra mim é irritante discutir isso com professores, com aluno tudo bem, os caras não chegaram nas ideias filosóficas e tal, mas os professores, que já fizeram doutorado, vir falar desse papinho de objetividade... pelo amor, ta louco! Não tem objetividade, não tem objetividade em nada, todo ato humano tem uma intenção, seria imaginar que os atos humanos fossem destituídos de intenção.

Como se a gente pudesse agir de maneira não intencional, isenta. Acho que filosoficamente e biologicamente isso é impossível, e é falta de repertório, têm milhões de textos falando que isso não tem nada a ver. O jornalismo nesse caso está atrasado em relação à ciência, porque se você for fazer um mestrado ou um doutorado, ta todo mundo ciente da filosofia de ciência, todo mundo ciente de que é um recorte. Lógico que você não pode deixar a tua opinião vazar demais, o controle da sua opinião é possível, eu posso falar merda pra caralho ou falar de maneira mais branda, o controle da sua opinião é possível, mas a ausência de opinião não. É assustador quando eu vou às palestras, eu dou muitas palestras por conta da Caros Amigos, e o cara pergunta isso.
Para com isso! Vai ler o Nietzsche, vai fazer alguma coisa. Isso é muito representativo, pra mim, da falta de repertório. Nós vivemos num mundo de complexidade, não vivemos num mundo de sim ou não, isso é besteira.

O jornalismo independente é uma alternativa para combater o domínio publicitário nas redações?

MZ: A internet pode dar essa alternativa pra gente, se bem, que já tem vagabundo fazendo as leis.

Engraçado isso, jornalismo é sempre dependente de alguma coisa, essa expressão é ruim, não existe imprensa independente, pode ser independente das grandes estruturas de poder. O problema do jornalismo independente é a publicidade, muito poucos jornais sobreviveram só da venda dos exemplares, a gente sempre vai depender da publicidade. Agora, o jornalismo independente pode florescer com a internet, como na ditadura, uma coisa meio assim, mas o governo anuncia com todo mundo. O grande salto seria se a gente conseguisse fazer com que a publicação só dependesse economicamente dos leitores. Porque daí o seu compromisso é com o cara, não é com o anunciante. Esse seria o grande salto, coisa que o "Pasquim" conseguiu, não tinha anúncio de ninguém, mas vendia 300.000 exemplares. O difícil é fazer com que o leitor seja o seu grande alvo, e se você ler isso por outro a lado, você vai ver que o jornalismo é filho-da-puta, porque nós temos compromisso com os anunciantes.

Você acha que a intenção do governo em regulamentar as publicações na internet é uma forma de barrar uma possível revolução no meio da comunicação?

MZ: É o preço da liberdade. Então nós vamos fazer o quê? Vamos deixar livre e correndo os riscos em prol de uma liberdade ou nós vamos meter uma medida de força? Nós fizemos um especial sobre o oriente médio, com uma página dupla belíssima, pelo messenger, conversando com neguinho que tava lá, que não podia telefonar, que não podia nada e passou pra gente um diário da guerra.

Tenho certeza absoluta que é pra isso. O filho do Camarinha, que foi muito tempo prefeito de Marília, ele é deputado, porque essas coisas eles vão reproduzindo, vai enraizando, é da tradição oligárquica do Brasil; ele apresentou um projeto em que toda lan house tinha que pegar o RG e o CPF. Você acha que pega? Pega nada! E esse movimento é um movimento da tecnologia, um movimento muito mais forte do que as leis. Movimentos sociais, movimentos da sociedade são muito mais fortes do que as leis! Eu tenho medo desses caras! Porque eu acho que eles querem cercear, a parada deles é cercear. No Mato Grosso, em lugares que a gente não cobre muito, tem nego descendo o pau, falando todas as verdades e isso aí que eles querem cortar. A internet te dá o lance do anônimo. O que é lindo, né? Eu sou a favor de correr esse risco em prol da liberdade do que sofrer as medidas de força. Se você pegar o projeto do cara você vai ver que é isso!

Você é ligado ao RAP. É porque esse movimento tem uma função jornalística dentro da comunidade e até na sociedade?

MZ: Mais do que isso, aliás, esse aspecto jornalístico do rap é o que há de menos na minha pesquisa. O que eu acho louco no RAP é que ele pode juntar muita coisa do que a gente falou aqui. O rap ele é a manifestação cultural mais importante que aconteceu no Brasil nos últimos anos. Ela está ligadíssima à questão da tecnologia. Porque hoje você faz um disco em casa, e não teria nada disso se estivéssemos dependendo de estúdio ainda. Um moleque tem um computadorzinho baleado e ali ele aprende a mexer, edita o disco na casa dele mesmo, é uma loucura. O rap traz à tona muitas das coisas que são essenciais na cultura brasileira. Ele traz à tona a reafirmação do espaço, a revalorização do espaço. Antigamente ele tinha vergonha, hoje é - "a minha quebrada, a minha área" -, lógico que isso aí tem uma série de defeitos, não estou aqui querendo tratar disso como o correto. Eu sou um cara de periferia, sei que os moleques têm altíssimos problemas de autoestima, tem muita menina que se prostitui na periferia não porque o filho tá passando fome, é porque ela quer comprar uma sandália louca. Me interessa no rap é a afirmação do território, que é uma coisa importantíssima para o Brasil, o brasileiro é meio destemporalizado, a gente acha que é só São Paulo e Rio.

A questão da afirmação da negritude, o Rap é um movimento de música negra, não significa que ele seja feito por pessoas negras, apesar de que tem muito negro na "fita", é mais pela coisa do tema, tocar no assunto do negro, de levantar o assunto do negro no momento em que o assunto emergiu na sociedade brasileira. Você tem aí um ministério de relações raciais, você tem a questão das cotas, a questão do negro é essencial no Brasil, o Rap trouxe isso. Outra coisa que eu acho do caralho no Rap é essa questão da tecnologia em prol da cultura, porque a tecnologia tanto pode ser uma coisa na vida quanto pode ser uma libertação.

E Rap tem uma coisa, que é muito da cultura brasileira, que é essa mistura, que pra mim melhor representado na cabeça de um Sabotage, de um Black Alien que são menos sectários e que fazem um discurso mais global. E tem essa coisa da relação com o samba também, o Rap passou pela mesma situação que o samba passou lá atrás, preconceito, é coisa de favelado, coisa de vagabundo. Então esses moleques que podiam estar matando, podiam estar roubando, hoje resolvem ser cantor de Rap, isso deu uma alta estima pra periferia, uma mudança completa na visão que eles têm das coisas, de valorizar a sua área, a sua gente, a sua fala. Tem muita gente muito mais importante do que eu na música, e que já falou isso, já gravou com os caras, porque eles entendem o que eles estão fazendo ali. E é um movimento que vem de baixo, que vem falando dessa autenticidade da periferia, é muito doido. As próprias idiossincrasias do movimento têm a ver com isso. Tem muitos caras que não vão à TV, para "foderem" a gente e tem isso até hoje, agora tem uns que vão porque entendem, que é necessário nós darmos a nossa cara lá, toda essa complexidade tem a ver com a discussão da cultura brasileira mesmo, se vai virar um produto da massa, ou se não vai virar um produto da massa.

O que é ser um produto da massa? Quem é a massa? Com quem você quer falar? O lance é o seguinte, tem gente que acha que é assim mesmo, trabalhar todo dia, receber um ticket alimentação, tal. Quando a pessoa se revolta, e faz coisas que não são certas perante a sociedade, e diz que é isso mais digno do que trabalhar por esse salário. Isso é uma visão embaçada da sociedade brasileira, pode até não estar correto, mais que isso, inverte totalmente a visão da coisa, o papel da coisa. Tem muita letra de Rap que diz isso claramente. "Não estamos entrando no crime, porque a gente está passando fome não, é porque ninguém vai ser escravo, de trabalhar por 300 contos, vai tomar no seu cú! Vou passar o 'bagulho'".

E isso muitas vezes está colocado claramente. Então isso tem a ver com uma questão do trabalho, de questionar isso e tal. Nunca houve no Brasil um movimento de periferia que se interessasse por fazer uma coisa, que é a quinta essência que a humanidade já criou, é a poesia, não que a poesia deles tenha chegado a Gandhi. Mas o que eles querem fazer? Eles querem fazer poesia na periferia, onde você podia pensar em fazer tanta merda. Que coisa mais improvável, num lugar onde não teve escola, não teve professor, não teve nada, esses moleques querem ser poetas? Espera aí, está acontecendo alguma coisa, não é possível. O cara vai querer fazer uma coisa que está lá do outro lado, do outro espectro, que não era pra ele. Então, eu vejo como um movimento cultural, é mais do que musical.

Eu vejo o Hip Hop como um grito que abre para várias situações. Esses dias um velhinho falou: “Esses moleques estão todos drogados”. Eu falei: “Tio, você acha que eles conseguem dançar meia hora, uma hora, duas horas cheirando cocaína? Você acha mesmo que eles estão drogados virando de cabeça no chão de ponta cabeça, você acha mesmo?”. A sociedade brasileira é machista, mas o próprio movimento discute isso, as próprias letras, a treta de um ficar cutucando o outro é um movimento que se auto discute. Não tem esse negócio de jornalista achar que nós somos amiguinhos.

Deixe uma mensagem.

MZ: Se a gente pudesse deixar uma mensagem final. Seria um antídoto contra tudo isso que o curso de jornalismo faz contra os caras que procuram ser grandes jornalistas, que é mediocrizá-los, acabar com a utopia deles, e não é utopia de mudar o mundo não, é simplesmente o cara querer ser um bom repórter, até isso eles matam. Como é que esses caras querem formar intelectuais se não têm repertório, se não são intelectuais? Sabe uma coisa que eu faço malandramente? É escroto, né? Mas toda vez que eu vou na casa de um jornalista ou de um professor, eu procuro ver onde estão os livros, vejo se lá tem livros. Porque pedreiro tem pá, tem martelo; serralheiro tem maçarico; jornalista tem livro! Você vai na casa do cara e olha na estante, tem todos os dvds de todo o mundo, tem todos os abajours, tem plantinha. Mas cadê os livros? O cara não tem!

Então, de repente, isso vale para os caras que estão fazendo jornalismo, e acho que a mensagem legal é isso. Têm muitos meios de comunicação, a área de revistas cresce pra caralho. Ao contrário de... Olha uma outra babaquice! "O jornalismo está acabando". Meu, eu só vejo surgir jornal, acabou de ser lançado um jornal de economia, o Agora, que era uma rede de jornal do interior, está vindo para a região metropolitana. A Caros Amigos é de 97, ela era a única revista nessa linha, depois veio a Carta Capital, veio a Piauí, veio a Brasileiros, veio Fórum. A Rolling Stone é a última, uma puta revista fodida. Agora você acha que qualquer zé mané vai escrever pra Rolling Stone. Não vai! Porque é uma revista nem só de música, é de música e cultura. Sabe quem é o subeditor, é o Pablo Miasal, o moleque tem 26 anos de idade, começou a fazer uma revista de games na faculdade e não deu atenção para os professores que diziam: "Onde já se viu fazer revista sobre game? Isso daí não tem nada a ver!" Não tem a ver?! Isso é o que tem a ver! Eles começaram a fazer o passo a passo dos jogos e ficaram milionários! É um moleque que foi transitar na parada, conhece de música, sabe de cinema, vai ao teatro e tá ligado no que está acontecendo no mundo.

E outra coisa, não é só transitar nesse circuitinho da cultura tradicional, é andar pelo mundo. É ir do crucifixo à xoxota! É samba, futebol, macumba e psicanálise! Sem esse papo de desistir, essa conversa não tem nada a ver, sem pensar que não vai rolar. Porque eu volto a dizer, é a única profissão em que os caras passam quatro horas todo dia te desestimulando a ser um membro dela. E eu nunca vi isso em outra profissão, só no jornalismo, só no jornalismo.


Colaboração de Renan Xavier, Fabio Vessio e Thiago Meloni

Um comentário:

  1. adorei a entrevista, serviu para me ajudar na busca por um jornalismo mais livre, como deve ser... principalemente com relação aos anunciantes :D

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