25 de janeiro de 2010

UMUNDUNU/REALPOLITIK - SÃO PAULO, QUE CIDADE (?)

Nos percalços da metrópole, com os olhos ardendo pela poluição e a feiúra do lixo jogado nas esquinas, quase surdo e com dor de cabeça pelo buzinaço da hora do rush, sob o calor escaldante e abafado do verão ou com o frio penetrante do inverno e sua garoa fina e gelada, me pergunto: onde foi que erraram na concepção de nossa querida “Sampa”?

Foram os bandeirantes que só a usaram como ponto de partida para o extermínio de índios ou os cafeicultores, que com o fim da escravidão e a necessidade de colher o produto precisaram de mão-de-obra estrangeira? Foram os políticos que nunca priorizaram obras que fizessem de Sampa uma cidade mais humana ou fomos nós que, em nossa vã individualidade, nunca nos preocupamos em preservar este útero gigantesco?

Pouco a pouco vamos descobrindo que estes motivos todos influenciaram para São Paulo virar este monstro que nos engole. Primeiro ela atrai com seu poder de Medusa, que ao olhar petrifica, prendendo-nos a ela de forma definitiva, inseparável. Paralisados, não a abandonamos jamais. Só fazemos alimentá-la, engordando-a, aumentando ainda mais seus poderes.

Fui parido dentro deste monstro. Aqui eu cresço e envelheço. Nele colhi meus sucessos e encarei meus fracassos. Descobri meus amores, sofri seus dissabores. Quando a deixo, nem que por alguns instantes, sinto falta. É um vício, como um veneno impregnado no DNA – sou paulistano até a medula. Se estou sozinho, ela me acompanha. Se me sinto triste, ela me alegra. Feliz, ela me deprime. Amor e ódio, beleza e feiúra, violência e paz, tudo ao mesmo tempo, nos mesmo lugares.

São Paulo é assim mesmo. Todo este charme, toda a atração e a sedução, para depois apunhalar impiedosamente nossos corações. Morro por esta cidade.

Rodrigo De Giuli, paulistano nascido na Lapa, maturado no Jaguaré, envelhecendo no Butantã

Um comentário:

  1. São Paulo é absolutamente um vício.
    Quando saiu dela e vou para algum lugar com ar puro. Minha respiração fica ofegante. Não acostumo mais com aquele ar, prefiro o ar daqui.

    Renata

    ResponderExcluir