7 de janeiro de 2010

RETROSPECTIVA 7CA - 2009

Queridos leitores e leitoras...
Fizemos uma pequenina seleção dos textos que mais repercutiram, causaram desgosto e discórdia entre nossos seguidores.
Então, parem tudo que estão fazendo e leiam. Tem muita coisa boa aí para baixo...

EDITORIAL 7CO


A Uniban vendeu o sofá…
… E os visigodos venceram a batalha. A aluna do vestidinho rosa foi expulsa da Uniban, de acordo com a nota oficial “A educação se faz com atitude e não com complacência”, publicada nos principais jornais deste domingo (08/NOV/2009), em que a universidade teria seguido seu Regimento Interno, Regime Disciplinar, explicando os capítulos e os parágrafos, depois de uma sindicância interna.

O que a universidade não mostrou foi inteligência. Perdeu uma excelente oportunidade de debater o acontecimento e suas implicações. Deram voz aos agressores e a “vítima” (sim, entre parênteses, pois não há inocentes no caso) foi a única punida. Pois alguém acredita que os alunos envolvidos, mais de 700, segundo qualquer fonte ouvida, serão suspensos?

Ainda segundo a nota, a culpa teria sido da aluna do vestidinho rosa. Pela publicação, ela “(…) fez um percurso maior do que o habitual aumentando sua exposição e ensejando, de forma explícita, os apelos de alunos que se manifestavam em relação à sua postura (…)”. Para a universidade, “(…) no interior do toalete feminino, a aluna se negou a complementar sua vestimenta para desfazer o clima (…)”.

O que houve então foi, ainda de acordo com a nota oficial, “uma reação de defesa do ambiente escolar”, pois foi “constatado que a atitude provocativa da aluna (…) buscou chamar atenção para si por conta de gestos e modos de se expressar”.

A Uniban “reafirma seu compromisso com a responsabilidade social e a promoção dos valores que regem uma instituição de ensino superior (…)”, continua a nota, “expressando sua posição de apoio aos seus 60 mil alunos injustamente aviltados”.

Fazemos parte destes 60 mil alunos. Somos uma ínfima minoria: apenas 7. Uma pequena fração que não foi ouvida, contudo pode se expressar – agora temerosos de perder nossa matrícula pela crença na liberdade de manifestação do pensamento! – neste espaço para repudiar o que a Uniban tomou como medida, em nossa opinião, ditatorial e antidemocrática.

Não nos sentimos aviltados por um vestidinho rosa, usado sim por uma oportunista que está conseguindo exatamente o que queria, grande exposição midiática. Estamos aviltados pela falta de “jogo de cintura” e senso de oportunidade da instituição em debater o ocorrido e fazer valer o que sempre consideramos essencial no meio acadêmico: disseminação de conhecimento.

“Jogo de cintura” que faltou neste semestre com a turma de Jornalismo em outro campus da instituição, mas isso é uma outra história, não vem ao caso.

Está claro pela nota oficial da Uniban que ela escolheu trilhar o caminho fácil. Faltaram um bom assessor de marketing e um de gestão de crises na reunião em que foi decidida pela expulsão da aluna do vestidinho rosa. Valeram-se apenas do jurídico – um tiro no pé. Ou 60 mil tiros nos pés!

Veremos o quanto isso vai prejudicar a universidade nos próximos anos. Esperamos que ela aprenda com o erro e faça de outras situações futuras uma forma de aprendizado. Pelo bem dos “aviltados 60 mil alunos”.

E se nem assim houver uma mudança de ideologia, os mendigos que se cuidem!

7cismo

O ENTE DOENTE


Tocou o celular, não era hora! Eu estava dirigindo e tinha um marronzinho de olho. Um número não identificado. Estacionei e atendi:

- Alô – falei irritado. Alguns segundos de silêncio e escutei do outro lado:
- É você, meu querido! – era o tio Fausto diretamente do leito do Hospital das Clínicas.
Esse jeito de dizer “meu querido” era só dele.
- Ué, me disseram que o senhor estava em coma! Então foi um engano. Melhor assim – emendei surpreso e contente.
- Que nada! Foi só um susto e já está tudo bem comigo – Seu tom de voz passava credibilidade, ele estava mesmo bem. Que bom! Pensei.
- Quem está mal é a vida em geral, meu filho! – Ele disse convicto e iniciou o discurso: O mundo está doente. O planeta constipado arde em febre. Precisa de repouso urgente, quem sabe um exílio solitário no espaço com o que restar de fauna e flora. O homem que arranje onde morar enquanto isso, talvez outro torrão, Marte talvez. Ou, ainda, um banimento coletivo através de contínuos embarques espaciais, destino qualquer lugar – Ele parecia delirante.

Eu quis dizer algo, mas ele prosseguiu atropelando qualquer indagação.
- A humanidade precisa viajar, ser nômade galáxias afora. Feito algumas tribos que partem quando não há mais o que devastar em um local. A gente vai ter que se virar, literalmente. Municípios espaciais à maneira de Arcas de Noé, quem sabe? Porém somente os humanos, incluindo outros animais domesticados - Era impressionante o ritmo que ele imprimia à fala.
- Imagina o Lulu sem o banho e tosa semanal! Ou Heleninha sem Lulu – comentou irônico e riu.
Mas não me deu espaço para falar e continuou:
- Somente a natureza nua e crua, sem acompanhante humano qualquer, ela a sós com ela por uns tempos.
Fora daqui, vidas infames, vão cantar em outro terreiro! – ele gargalhava e não perdia o tom, parecia que tinha ensaiado o texto e mandava brasa - Você há de sorrir e dizer que estou pirado e que não vai perder tempo pensando asneira. Vai lembrar que o negócio é ganhar muito dinheiro e ser feliz. Tudo bem, vai nessa! Mas não se esqueça de apagar a luz quando sair. Leve alguns livros e, se puder, fique tranquilo.

O homem vai, com certeza, inventar outra história em outro lugar, ou em lugar algum. Imaginemos, meu filho, é preciso ao menos refletir sobre isto por agora. A possibilidade de nomear outras coisas, dominar outros seres, inventar outros mundos. Enfim, criar outro conto da carochinha, ou uma burla de melhor gosto e menor desastre. Outra metafísica, só uma, decente ao menos, já que ser e deixar ser é complexo demais. Enquanto isso, no vão da nossa ausência, Gaia há de se revitalizar. E, rejuvenescida, há de criar anticorpos resistentes a ponto de eliminar do seu organismo indesejáveis presenças. Como o corpo humano, quando inflamado e febril, rejeita e expulsa de si estranhos invasores.

- Senti que ele terminou esta frase com um longo suspiro – caiu a linha. Fiquei preocupado e liguei de volta. Só caixa postal.
À tardinha ao chegar em casa tornei a ligar e fui informado que meu tio estava em coma profundo há uma semana e com diagnóstico irreversível.
- Que porra é essa? – exclamei inconformado e desliguei.

Claudio Zumckeller


O LONGO E TURVO CAMINHO

A passarinhada já cantava quando chego ao condomínio. Não sabia que horas eram ao certo. Talvez alvorada, talvez crepúsculo, não sabia. As mazelas do álcool faziam-se presentes. A única certeza era o estranho silêncio daquela manhã-noite e o cérebro pulsando repetidamente.

- Opa, moro aqui! – Acredito que o porteiro não me reconheceu na penumbra.

O portão se abriu. Seu zelador apertava os olhos com as mãos e enxugava as lágrimas de sono. Pelo menos, acreditei que as fossem.

O corredor é largo até o elevador. As luzes no alto da parede, milimetricamente dispostas, davam aparência de um infinito vórtice. Andaria ali para todo o sempre.
Um soluço. Aperto o botão do elevador.

A espera é longa. A escadaria seria uma opção se meus pés me obedecessem. Mas cada passo parecia uma luta interna. A mente, quando turva, torna muito difícil o ato: esquerda, direita, esquerda, direita. Sempre surge o “diagonal”, e você acaba aos beijos com o assoalho.
Deve ser algum filho da puta segurando esse elevador. Não era. Havia apenas uma simpática senhorinha, de cabelos “roxos’ e roupa azul claro. Seu perfume era forte.

- Olá meu querido!
- Opa! – Falarei o menos possível. Talvez não perceba minha embriaguez e não fique constrangida. - Faz um frio hoje não? – Não consegui me segurar, sua simpática figura inflava a cabine.
- Ô se faz! Mas a culpa é do síndico - vociferou contrastando sua imagem - Obrigou o zelador a colocar ar condicionado nos elevadores, halls e corredores.

- Nós temos um zelador também?

- Por onde anda sua cabeça, menino? Faz sete anos que ele está entre nós. Pedi tanto para que ele não aceitasse colocar esse ar frio no nosso condomínio...

- Porque ele não ouviu a senhora?

- Oxalá ele ouvisse alguém. Não digo que é um mau zelador, é bom. O melhor que já tivemos. Fez o possível pela maioria de nós, mas pela minoria, que consegue pagar as contas em dia e se acha dona do prédio, fez muito pouco. Então, fazem uma mídia negativa violenta para ele.

Ficou difícil raciocinar agora. Ela falou muito. E também, estamos passando pelo 35° andar, pelo que eu saiba o prédio só tem nove. É pequenino. Deve ser algum defeito da parte eletrônica.

- Mas, e você? Gosta do zelador? – Tinha me esquecido que a velha já me dera a resposta.

- Gosto e não gosto. O prédio está bem gerenciado, nunca prosperou tanto! – A provável septuagenária abaixou a cabeça, cerrou forçosamente as pálpebras, e em tom choroso arremeteu – Pena que no meu apartamento, a água ainda chega com pouco barro. As paredes estão caindo aos pedaços. A pintura já inexiste. E os podres, dos chiques apartamentos em cima, caem aos montes em meu quarto.

Bateu-me um imenso remorso. Como se a culpa fosse minha. Todos estes anos em que moro aqui nunca prestei a devida atenção ao fato. Mas, realmente, minha culpa não é. Divido esse fardo entre o zelador e o sindico. Sindico?

- E o sindico!? Onde ele está uma hora dessas? – O cérebro pulsava cada vez mais forte.

- Ah... Meu filho. Ninguém sabe.

- Como assim?

- Ninguém sabe ninguém viu. Parece fantasma. Não conhecemos rosto, não conhecemos cheiro, não conhecemos nome. Ninguém nunca foi atrás dele. Mas ele manda e desmanda. Disso temos certeza. Acredito que seja algo maior. Alguma organização de nome: “Síndicos que Mandam nos Condomínios do Mundo”. E não devem ser muitos, pois nunca o viram.

- Parece Deus! – A brincadeira não caiu bem.

- Para com isso, menino! Isso é conversa séria. Tem alguém aí fora que dita às regras e os zeladores acatam como se pudessem perder a vida, com a negação. Mas tenho fé!

- Fé em que?

- Fé, não. Certeza! Tudo isso ha de mudar. O mundo gira rápido e as coisas estão mudando.

- Coisas? Que coisas? Seja específica, velha! – O papo me enlouquecera. Era muita informação para minha mente mutilada pelo uísque.

- Você é muito novo. Não teve a mesma vivência e não tem os mesmos olhos que tenho. A humanidade está caminhando em passos largos.

A porta se abriu. Andar número 2010. A simpática senhorinha de cabelos roxos entrou no segundo apartamento, à direita. No instante em que abriu a porta, meus olhos foram tomados pela forte luz branca. Apaguei.

Abro os olhos, o porteiro está a estapear minha face. Estou jogado por entre degraus. A baba escorria pelo canto da boca.

- O que aconteceu? – Pergunto perdido e tonto, para o porteiro.

- Não sei... Só me lembro de você ter gritado no bloco oposto ao seu:
"- Ao inferno este elevador! Vou pela lenta e certa escadaria!"

Maldita “diagonal”.

Felipe Payão


CANDIDATURA DO RIO PARA 2016 TEM OS MESMOS VÍCIOS DO PAN-2007


Legado. Palavrinha mágica muito utilizada pelos organizadores da candidatura dos Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro. Os mesmos personagens que cuidaram da candidatura e organização dos Jogos Panamericanos de 2007, chefiados por Carlos Arthur Nuzman, presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB).

Nuzman e seus asseclas do Comitê de Organização dos XX Jogos Panamericanos do Rio de Janeiro (CO-Rio) orçaram o Pan em R$ 400 milhões. Contudo, todo brasileiro minimamente informado sabe que os custos chegaram aos exorbitantes R$ 3,7 bilhões. Levando-se em consideração a relação de investimento entre os eventos (uma Olimpíada é infinitamente maior e mais cara), imagine a festa que farão com dinheiro público.

O legado do Pan, tão propalado por Nuzman e sua quadrilha, foram arenas esportivas abandonadas, a não conclusão da despoluição da Baía da Guanabara e da Lagoa Rodrigo de Freitas – uma das maiores bandeiras da candidatura do Pan e agora do Rio-2016 foram as questões ambientais –, o metrô nunca chegou à Barra da Tijuca, a Vila do Pan está em litígio, enfim, nada do que prometeram foi cumprido. Não houve nem mesmo um legado aos atletas, uma vez que os complexos esportivos estão às moscas, sem manutenção e sem que a população – que efetivamente pagou por eles – possa utilizá-los.

O país tem carências mais prementes do que estrutura esportiva. O povo carioca sofre com um sistema de saúde pública falido, com a violência e com a pobreza nas comunidades dos morros. O povo brasileiro – sim, a candidatura é do país, não só do Rio – necessita de escolas, hospitais e postos de saúde, saneamento básico, transporte público eficiente, segurança, combate à corrupção, busca por justiça social, enfim, a lista é enorme.

Rodrigo De Giuli


UMA VERDADE INCOVENIENTE


“Inconveniente, sim, sem a menor dúvida. O comportamento humano tem sido inconveniente com relação ao planeta, sua casa.” Disse um cego ao seu cão guia, diante da bilheteria do cine Colonial.
A garoa caía fria sobre a paulicéia de agosto. Abrigado pela velha marquise, o pequeno grupo de cinéfilos move-se calmamente. Alguns fumam, outros conversam ou falam ao celular. Distraída com a pipoca, a menina olha os cartazes, enquanto seu par, entusiasmadamente, relata.

- Há oito anos, o Al Gore, como um arauto do apocalipse, segue em peregrinação por centenas de cidades do mundo. O documentário que apresenta algumas de suas palestras revela um expositor maduro. O cenário é tecnicamente perfeito. A trama de “Uma verdade inconveniente”, é uma obra de arte. Um espetáculo de imagens comoventes.

O ex vice-presidente dos Estados Unidos, herdeiro milionário do tabaco, descobre que o cigarro foi a causa do câncer pulmonar de sua irmã. Desde lá, nunca mais foi o mesmo, passou a prestar atenção à saúde da Terra e percebeu que as coisas não estavam tão maravilhosas quanto ele imaginava em seus dourados anos estudantis, quando, perplexo, ouvia as palestras de seu professor de biologia.

Possuído então por um profundo amor ao semelhante, ele sai para pregar aos homens sem consciência ecológica, o novo evangelho ambiental. Os gráficos precisos e os depoimentos embasados no rigor das ciências exatas, aliados à sua figura messiânica e despojada, rendem ao discurso, o eco precioso da preocupação juvenil, as rugas severas de intelectuais e um solene prêmio Nobel da paz. Tudo pelo verdadeiro. Quem sabe, não estaria aí a idéia para conteúdo de uma novela global. “Rumo ao Vinagre”, de Miguel Falabella, talvez? Não! Nada a ver, pouco importam o título e o autor, vale pelo tema... É vale sim. “Totalmente meio ambiente” em mini-série, já pensou...

Ascendem-se as luzes, é quase meia noite. Intrigada, ela questiona.

- Então quer dizer que o Tsunami, o Katrina, o derretimento das calotas polares, o desmatamento desenfreado da terra, tudo isso e muito mais, tem culpados?
- Sim, minha cara, mas os responsáveis, uma vez identificados, serão punidos com o rigor da lei.
- É triste, muito triste isso.
- Sim, é. E como!
- Mas o quê fazer meu amor?
- Sei lá, respeitar cotidianamente tudo o que se move, por exemplo, estou de pau duro

- Nossa!! Tudo o que se move?

E assim, inconformados, Lílian e Anderson, deixam a sala de projeção e partem resolutos para cenas de sexo explícito no parque do Ibirapuera. Uma atitude realmente transformadora do cotidiano, não fossem o seqüestro relâmpago, a garoa na bunda e um processo por atentado ao pudor.

Claudio Zumckeller


UM REFLEXPRESS DIFERENTE...

Nossas seções - exceto essa - contam com textos que obrigam o leitor a pensar, analisar a rotina e as situações do cotidiano. Mas, que me perdoe meu caro colega De Giuli, que tal uma “nivelada pra baixo”?

As pérolas a seguir são transcrições reais. Não foram inventadas, por incrível que pareça...

"Chegarei de surpresa, dia 15, às duas da tarde, vôo 619 da VARIG."
Mengálvio, ex-ponta do Santos, em telegrama à família quando em excursão à Europa

"Tanto na minha vida futebolística quanto com a minha vida ser humana."
Nunes, ex-atacante do Flamengo, antes do jogo de despedida do Zico, relatando a importância do Galinho em "suas vidas"

"As pessoas querem que o Brasil vença e ganhe."
Dunga, treinador da Seleção, em entrevista ao programa Terceiro Tempo, da Band.
Será que ele quis dizer "convença"? Nãããão... É o Dunga! Pra quê jogar bonito? Os três pontos já são suficientes para ele

"O novo apelido do Aloísio é CB, Sangue Bom."
Souza, atualmente no Grêmio, em uma entrevista, na época que vestia a camisa do tricolor paulista

"A partir de agora o meu coração só tem uma cor: vermelho e preto."
Fabão, atualmente no Santos, quando foi apresentado no Flamengo, em 1997

"A bola ia indo, indo, indo... e iu!"
Nunes, goleador do Flamengo na década de 80

"Tenho o maior orgulho de jogar na terra onde Cristo nasceu."
Claudiomiro, ex-meia do Inter de Porto Alegre, ao chegar a Belém, do Pará, para disputar uma partida contra o Paysandu, pelo Brasileirão de 72

"Nem se eu tivesse dois pulmões eu alcançava essa bola."
Bradock, amigo de Romário, reclamando de um passe longo

"No México que é bom. Lá a gente recebe semanalmente de 15 em 15 dias."
Ferreira, ex-ponta esquerda do Santos

"Na Bahia é todo mundo muito simpático. É um povo muito hospitalar..."
Zanata, ex-lateral do Fluminense, ao comentar sobre a hospitalidade do povo baiano

"Não há outra, temos mesmo de jogar com esta..."
Reinaldo, ex-atacante do Atlético-MG, ao responder se ia jogar com a chuva

SÉRIE JARDEL

"Que interessante, aqui no Japão só tem carro importado!"
Dias antes da decisão do Mundial de Clubes de 1995, entre Grêmio e Ajax, da Holanda

"Eu, o Paulo Nunes e o Dinho vamos fazer uma dupla sertaneja."

"Eu peguei a bola no meio de campo e fui fondo, fui fondo, fui fondo e chutei pro gol."
Explicando, com riqueza de detalhes, o gol que havia marcado quando atuava pelo Vasco

"Quando o jogo está a mil, minha naftalina sobe."

"...e o Paulo Sérgio teve a oportunidade de se isolar sozinho e fez gol!"

"Clássico é clássico e vice-versa!"
Clássica...

SÉRIE VICENTE MATHEUS

Jogador tem que ser completo como o pato, que é um bicho aquático e gramático! O difícil, como vocês sabem, não é fácil...
Pois é...

"Haja o que hajar, o Corinthians vai ser campeão!"
E ninguém disconcorda!

"O Sócrates é invendável, inegociável e imprestável!"
Ao recusar a oferta dos franceses do Paris Saint-Germain

SÉRIE LUSITANA

"O meu clube estava à beira do precipício, mas tomou a decisão correta: deu um passo a frente!"
João Pinto, ex-atacante do Benfica, de Portugal

"...até ao intervalo, fizemos um bom primeiro tempo..."
Carlos Brito, antigo treinador do Rio Ave, de Portugal

"Nós somos humanos como as pessoas."
Nuno Gomes, jogador do Benfica

"Na Nigéria, há doenças muito perigosas como o tifo e a Malásia!"
Vale e Azevedo, antigo presidente do Benfica

"A seleção não jogou bem nem mal, antes pelo contrário..."
Profunda análise de Gabriel Alves, comentarista esportivo

"Juskowiak tem a vantagem de ter duas pernas!"
Mais um comentário de Alves, comentando a "sorte" do centroavante polonês
"O Benfica está em excelente forma, a jogar num 3-4-3-3"
Alves, essa formação pode???
"...neste estádio ouve-se um silêncio ensurdecedor!"
Alves novamente

Para encerrar com chave de ouro, a melhor de todas!

"Repórter: Por que vocês sempre dão as mesmas respostas?
Sócrates: Porque vocês sempre fazem as mesmas perguntas!"


Espetacular doutor! Esse é o espírito 7CISMO!!!


Gabriel Lopes



ANTICRISTO (ANTICHRIST)


"O senhor faça o favor de explicar por que fez esse filme?” - vociferou o jornalista em sua primeira pergunta.
"Não tenho que me justificar. Não preciso me desculpar por nada. Vocês são os meus convidados, não o contrário”.

Extremar a dor de uma perda até o último instante, para assim, conseguir a superação. Ou pelo menos tentar...

O novo filme de Lars von Trier, diretor de “Dogville”, “Os Idiotas”, “Dançando no Escuro”, criador do movimento Dogma 95; em partes, mudou sua temática. Inúmeros jornalistas e críticos puritanos rotularam o filme de: trash, gore, porn-gore; disseram que von Trier errou à mão, que utilizou cenas chocantes desnecessárias, que a qualidade de seus filmes está caindo vertiginosamente... Balela! Papinho de católico apostólico romano enrustido, que foi assistir ao filme com um pé atrás por causa do seu título, e além de tudo, não entendeu porra nenhuma; como o livro “O Anticristo” de Friedrich Nietzsche, o qual o diretor afirma que é seu livro de cabeceira.
No filme, o suspense e os caos reinam do início ao fim.

Sua narrativa é dividida em capítulos: “Prólogo”, “Luto”, “Dor (Caos Reina)”, “Desespero (Ginocídio)”, “Os Três Mendigos” e “Epílogo”.
A maravilhosa e absorvente fotografia foi feita por Antony Dod Mantle (Quem Quer Ser um Milionário).
Vamos à estória do filme:

As personagens não têm nome, temos apenas o homem e a mulher. O homem é interpretado por Willen Dafoe e a mulher por Charlotte Gainsbourg, atuação que lhe rendeu o prêmio de Melhor Atriz em Cannes.
Como nos filmes anteriores de Lars von Trier, a sinopse é descartável: “Após a morte de seu filho, casal se muda para um lugar isolado. Algum tempo depois, coisas muito estranhas começam a acontecer no local e a vida do casal poderá ficar ainda pior do que estava”.

Os primeiros 5 minutos são retratados de forma magistral: uma cena de sexo em preto e branco, a tão falada penetração filmada em close, a trilha sonora Lascia Ch'io Pianga, interpretada por Tuva Semmingsen, tudo isso intercalado com as imagens da morte do pequeno filho. O trecho é puro lirismo.

Depois da morte de seu filho, a mulher entra em uma depressão profunda, com ataques de angústia e ansiedade. Seu marido, psiquiatra, decide tratá-la sozinho.
Seguem assim rumo ao Éden. Isso mesmo, Éden é o nome de uma cabana, totalmente isolada da civilização, que o casal se refugia para resolver o problema.
Em uma das fábulas da bíblia, Jardim do Éden, é o local da primitiva habitação do ser humano, em meio à natureza.
Em um diálogo na cabana, a mulher diz: “a natureza é a igreja de Satã”.
Para os mais desavisados, Anticristo trata principalmente da natureza humana e nos mostra que não há moralidade nenhuma que suporte o encontro com nossos sentimentos mais primitivos.

A partir daí, o filme inteiro se passa no Éden. No alto da montanha, cercado por uma natureza intimista, com suas árvores de galhos retorcidos e muita neblina, o homem começa o seu tratamento psicanalítico sobre a mulher.
O tratamento parece surtir efeito, mas não, ela durante todo o resto do filme age com bipolaridade, seus sentimentos vão da tranquilidade ao ódio em questão de segundos.
Ela afunda na dor cada vez mais.

Num passado recente, a mulher foi à cabana com seu filho para escrever uma tese sobre ginocídio – maltratos e assassinatos de mulheres – correlacionada com a Idade Média, em que milhares de mulheres foram mortas pela “santíssima igreja”.
A partir dessa informação, parece que o sobrenatural começa a agir. Mas só parece, na realidade as cenas que seguem são de pura loucura e abstracionismo da mente humana.
O homem também perde um pouco da razão, fica claro na cena que, ao ver uma raposa com as tripas expostas, a mesma se levanta e diz: “Caos reina”.

Antes “taciturno”, o caos agora se faz presente.
As cenas que os jornalistas e críticos puritanos tanto reclamaram surgem na tela. Mutilação genital, masturbação e perfuração de membros.
Cenas chocantes sim, mas não são levianas. Foram colocadas no filme além do intuito de provocar, mas sim, para mostrar que a dor da perda e a psique humana podem chegar a níveis inimagináveis.

O final levanta inúmeros questionamentos, e novamente, o sobrenatural também parece presente. Não darei mais detalhes sobre o fim, isso é com vocês.

Anticristo me fez lembrar outro filme, o clássico “O Iluminado”, protagonizado pelo sombrio Jack Nicholson. Simplesmente pelo fato que de o isolamento pode ser fatal para as faculdades mentais de algumas pessoas.

Lars von Trier fez uma obra arte. Leva certo tempo para digeri-la por completo, são inúmeras teorias sobre seu real significado.
Sobre o filme, só tenho uma certeza: não se trata da infantil briguinha de deus e o diabo.
Eles são apenas simbolismos na película.
Como se deus fosse fauna e flora, e o Anticristo nossos primitivos e “desconhecidos” sentimentos. Nossa real natureza.
Não se sinta ofendido, ok?

Felipe Payão



O BLÁBLÁBLÁ DE SEMPRE

Manhã de terça-feira, 22 de setembro. O auditório localizado na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, está lotado de representantes de países e de chefes de Estado. No púlpito, um senhor bem vestido, um pouco acima do peso, barba e cabelos grisalhos. Ele inicia um longo pronunciamento. Fala das mazelas dos países em desenvolvimento, sobre a fome e a pobreza e da necessidade de combatê-las.

Tudo muito bonito não fosse um detalhe: este senhor é Luís Inácio Lula da Silva, presidente de um destes países em desenvolvimento, ainda muito pobre e com uma multidão de famintos. O discurso de Lula é recheado de lugares comuns. Os mesmos clichês que outros presidentes já delinearam em tantos pronunciamentos. E a multidão com fome continua sem comida.
Crédito: g1.globo.com

O escritor irlandês Jonathan Swift já satirizou as vãs tentativas de resolver o problema da fome e da pobreza. Em “Modest Proposal” (Proposta modesta, 1729), Swift resume em poucas linhas o que as pessoas podem fazer para não passar fome: “(...) em Londres que uma criança nova, saudável e bem nutrida é, com a idade de um ano, um petisco bastante delicioso e salutar, seja servido ensopado, assado, grelhado ou cozido; e não tenho dúvida de que poderá ser preparada como um fricassê ou um ragu (...)”. Você entendeu corretamente. Para acabar com a fome, o pobre faminto pode comer seus filhos. Simples.

Não há sátira, no entanto, que possa medir o sofrimento de quem passa fome. O que não é permitido a um chefe de Estado que conviveu com a pobreza e tem em sua biografia experiência aversiva, ficar preso ao blábláblá de sempre. É claro que programas de combate à fome como o Bolsa Família foram um passo além da prostração alienada ou criminosa de outros presidentes. Contudo, ainda faltam outros degraus para a luta contra as mazelas da pobreza. E ficar apenas no discurso não vai ajudar a alcançá-los.

Rodrigo De Giuli


À MALANDRAGEM


Como diz José Saramago, “a humanidade está rumando cada vez mais para o grunhido”. A nossa pseudo-evolução de linguagem (vide “vc”, “naum”, “intão” e outros) está longe de chegar ao melhor que já tivemos. Essa involução pode ser notada também na música. Vamos aos fatos:

Quase todo brasileiro considera-se malandro. A malandragem está associada à vadiagem, ao jeito de se vestir, ao modo de “ganhar” a vida e à MÚSICA também.
Em outros tempos, o malandro escutava o samba de Sinhô, Donga, Noel Rosa, Ismael Silva, Wilson Batista, Adoniran Barbosa. Ou seja, o malandro era o responsável pelo mais sofisticado e inovador estilo da época: o samba, que apesar de marginalizado pela elite cabeça oca, fazia sucesso entre intelectuais e sambistas.

Cartola, que era analfabeto, abusava da genialidade nata do malandro, genialidade que só tem quem conhece a rua.
Apesar não de ter tido acesso à educação ortodoxa, Cartola compôs versos como “Todo tempo que eu viver / só me fascina você / Mangueira / Guerriei na juventude / fiz por você o que pude / Mangueira / Continuam nossas lutas / podam-se os galhos / colhem-se as frutas e outra vez se semeia / e no fim desse labor / surge outro compositor, com o mesmo sangue na veia” ou “Oh, maldito preconceito / Afasta-te no ajeito, a que nada conseguirás / Por que recebemos dos céus a benção de Jesus, que é mensagem de paz”.

Bezerra da Silva, pernambucano radicado no rio, escrevia sobre o crime, favela, maconha, polícia... Mesmo entrando em temas tão polêmicos, Bezerra teve espaço na indústria cultural e vivia no limite entre o marginal e o pop.

Décadas depois o RAP dividiu o lugar com o samba no imaginário do malandro; há dez anos, na periferia de São Paulo, o RAP (que valoriza a letra e quase sempre trata de temas sociais) era o ritmo mais ouvido entre os malandros da vila. Os Racionais MC´s foram o maior fenômeno da minha geração. Não tocavam na TV nem no rádio, além de não contarem com o aporte de uma grande gravadora.
Mesmo assim todo malandro sabia cantar “Um dia um PM negro veio embaçar / E disse pra eu me pôr no meu lugar / Eu vejo um mano nessas condições: não dá / Será assim que eu deveria estar? / Irmão, o demônio fode tudo ao seu redor / Pelo rádio, jornal, revista e outdoor / Te oferece dinheiro, conversa com calma / Contamina seu caráter, rouba sua alma / Depois te joga na merda sozinho / Transforma um preto tipo A num neguinho”.

Hoje, infelizmente, o funk carioca é o ritmo do momento. O mané, que se diz malandro, anda com um celular pendurado no pescoço no último volume tocando “proibidão”.
E eu, várias vezes depois de um dia infernal, ao me sentar no banco do coletivo cheio, e tentar, mesmo com sono, ler os versos de um livro do Edgar Allan Poe, tenho que ouvir Mc G3 cantando “Nos três cu eu meto bala”. Bom, eu nem me atrevo a comentar esse tipo de letra, vou deixar a conclusão com vocês...


“Nos três cu eu meto bala”.

“Vai ve, vai vermelha, vai ve, vai vermelha, vai ve, vai vermelha,
canta pá comigo,
nos 3 cu eu meto bala, vaaaiiii!
Meto bala, meto bala,
mais nos 3 cu eu meto bala, vaaiii!
Vem viado,
nos 3 cu eu meto bala
vem Duda do bordel,
tu é nóis em,
mais nos 3 cu eu meto bala, vaaaiii!
ó, e o sea artilharia
que fortaleceu de fato
nosso bonde, é bolado
nóis já voltamos pro sapo
vou te dar-lhe um papo reto
pois se liga ai então
favela da nova holanda, e o parque união
esse bonde, é bolado
esse bonde, é guerreiro
eu sou da cidade alta sou do bonde do...
mais vou te dar um pao reto
nosso bonde sempre a bala
quero ouvir vocês cantar, nos 3 cu eu meto bala
então!!
nos 3 cu meto bala, vaaiii!!!
"meto bala"isso
mais nos 3 cu eu meto bala vaaaiii!!!!!”


Thiago Menezes


OS NOMES "ESTRANHOS" DO FUTEBOL


O nosso futebol segue nos brindando com lances maravilhosos, jogadas incríveis, gols que nem mesmo quem os faz consegue explicar. A cada dia um novo craque surge em algum gramado verde, ou nem tão verde assim, como os terrões que lutam para não serem esquecidos.

Mas disso tudo mundo já sabe. Meu foco continua sendo a irreverência, espiritualidade e criatividade dos pais de nossos jogadores na hora do registro. Depois de um passeio pelos times da divisão maior de nosso futebol desci até a série B para mais uma pesquisa dos Nomes Mais Estranhos do Futebol Brasileiro.

Nesta nova lista foram encontrados nomes até semelhantes com os da divisão de elite, mas a criatividade de pais e mães segue em alta.

Destaque para nomes como: Rádson e Alysson, da surpresa Atlético de Goiás, Dannyu, do já campeão brasileiro Guarani, Dieyson, do recém rebaixado Figueirense.
Vogais invertidas como as de Moacri, do Brasiliense. Curiosos Rychely, Ben-Hur e Bonieck, de Bahia, ABC e Ipatinga, respectivamente.

Rone Silis, Lessandro, Derivaldo, Ivanaldo, Esley, Franklin Willian, Lindembergh Francisco, Philippe Coutinho e Thompson José, são apenas mais alguns exemplos.

Bom, a lista segue logo abaixo. Tirem vocês suas conclusões, mas como já dito outrora, divirtam-se, não usem como inspiração! Seus filhos agradecem.

Vasco
Vilson Xavier de Menezes Júnior
Erinaldo Santos Rabelo
Philippe Coutinho Correia
Willen Mota Inácio

Atlético-Go
Rádson da Silva Ferreira
Francismar Carioca de Oliveira
Claussio dos Santos Dimas
Anaílson Brito Noleto
Alysson Ramos da Silva

Guarani
Gisiel Rezende Agostinho
Itaqui: Odacir Pereira da Silva
Dão: Dannyu Francisco dos Santos

Ceará
Lopes: Astolpho Junio Lopes
Erivelton Gomes Viana
Wescley Pina Gonçalves
Rone Silis Dias
Esley Leite do Nascimento
Misael Silva Jansen

São Caetano
Lindembergh Francisco da Silva
Advaldo de Oliveira Silva
Marinho: Mairon César Reis
Careca: Leomir Silva Teles

Portuguesa
Muriel Gustavo Becker
Jaime: Jaimerson da Silva Papa
Ediglê Quaresma Farias
Heron Gustavo Souza da Silva
Acleisson Scaion

Figueirense
Enderson Norgentern de Oliveira
Dieyson Luan Lucena
Franklin Willian Vicente
Jeovânio Rocha do Nascimento
Maicon Talhetti
Halleson Tiago Barbosa Honorato

Bragantino
Sérvulo Barbosa Bessa

Brasiliense
Osmair Gonzaga de Santana
Ailson Alves Carreiro
Moacri Alves Feitosa Neto
Erivaldo Rocha dos Anjos
Allann Delon dos Santos Dantas
Iranildo Hermínio Ferreira
Abuda: Adailson Pereira Coelho

Bahia
Waldson Simões Viana
Evaldo Silva dos Santos
Marcone Cena Cerqueira
Eraldo Anício Gomes
Rychely Cantanhede de Oliveira
Nádson Rodrigues de Souza
Jael Ferreira Vieira

Ipatinga
Radamésio Gonçalves Lima
Raulen Luiz de Araújo
Eber Lúcio Miguel
Francismar Carioca de Oliveira
Tallys Machado de Oliveira
Joabe Batista Pereira
Bonieck Gonçalves da Fonseca
Müller Brenner Pereira Lima

Paraná
Aderaldo Ferreira André
Dedimar Souza Lima
Dirley Francisco Martins
Adoniran Vinicius de Campos
Peterson Duarte Diniz

América – RN
Weverton Pereira da Silva
Adson Alexandre dos Santos
Glaydson de Almeida Simões
Thoni Jarbas Santos de Amorim
Geriel dos Santos Pereira
Souza: José Ivanaldo de Souza
Berg: Francisco Laudemberg Bezerra Filho
Rinaldo Santana dos Santos
Alisson Ricardo Faramilio
Max Brendon Pinheiro

Juventude
Jailson Marcelino dos Santos
Rogélio dos Santos Silva
Cicinho: Neuciano Gusmão
Mineiro: Huenes Marcelo Lemos
Leyrielton Moura de Morais
Walker Américo Fronio
Allyson Araújo dos Santos
Edenilso Bergonsi
Peter de Almeida
Jandson dos Santos

Vila Nova
Weverton Vilela Nascimento
Maxlei dos Santos Luzia
Weverson Patrik Rodrigues de Oliveira
Aelson Rodrigues
Alisson Guerra Reis Calçado
Kenedy Silva Reis
Pachola: Domires Júnior de Azevedo Elias Gomes
Kayke Moreno de Andrade Rodrigues

Duque de Caxias
Petrony Santiago Barros
Oziel França da Silva
Silva: Weliander Silva Nascimento
Mancuso: Gisley Pereira Farah
Givaldo de Oliveira Britto de Jesus
John César Gewehr
Gilcimar Alves Caetano
Valdanes Pinheiro da Costa
Marlon da Silva de Moura

Fortaleza
Everaldo Batista
Diguinho: Jesivaldo Germano de Freitas Alburquerque
Gilmak Queiroz da Silva
Dedé: Derivaldo Bezerra Cavalcante
Kiko: Cleverson dos Santos Oliveira
Marllon dos Santos Pereira

ABC
Raniere Silva dos Santos
Roosevelt Delano de Menezes Alves
Gedeon Conceição dos Santos
Ben-Hur Moreira Peres

Campinense
Piauí: Édson Décimo Alves de Araújo
Aderlan de Lima Silva
Thompson José de Carvalho Veras
Buick: Edio Jacinto da Silva
Baiano: Joceano da Silva Santos
Lessandro Façanha Barreto
China: Erinaldo Matos dos Santos
Raiff Cordeiro Lucena

Renato de Souza



O BRAZIL FORA DO BRASIL


Se você for para algum país aprender a língua inglesa, cuidado com os brasileiros.
Eles falam que são eles que te ajudam sempre que você precisa. Eu sei que fazer amizade com brasileiros é sempre mais fácil, mas na verdade, qualquer amigo independente da nacionalidade, se realmente for seu amigo, irá te ajudar. A diferença é que brasileiros são metidos a camarada. Isso pode não ser bom dependendo de seus reais objetivos.

Meu objetivo: Ficar na Irlanda até terminar o curso de inglês e receber o certificado do Cambridge, aproveitar que estou em um país diferente para vivenciar a cultura e a língua, usar a oportunidade que tenho para montar meu portfólio e ganhar mais experiência como fotógrafo. Voltar para o Brasil sem nunca mais perder uma oportunidade de emprego por não ser fluente em inglês.

Pelo que vejo, mais de 90% dos brasileiros não estão na Irlanda para aprender inglês. Isso é usado como pretexto por muitos para permanecer legalmente em um país que paga um mínimo de €8,30 por hora. Sinceramente, a maioria não esta nem aí em aprender inglês. A maioria se isola em comunidades brasileiras, fazendo o velho arroz com feijão em casa, assistindo Gugu, Faustão, novelas, além das rádios brasileiras que acompanham pela internet. Ou seja, transformam tudo que podem em "Brasil", morando apenas com brasileiros que, normalmente, se recusam a praticar inglês e vão para escola o mínimo possível para que não percam o visto. Isso tudo resulta em inúmeros brasileiros que estão há mais de um ano na Irlanda falando um inglês precário. O único interesse destes está no salário que recebem semanalmente em subempregos.

Obviamente, eles não vão poder ficar na Irlanda para sempre. Renovam o visto por 3 ou 4 anos consecutivos, mas uma hora o visto será negado. Se não se casarem com um (a) Europeu (ia) de algum país membro da União Européia, ou se não ficarem ilegais na Irlanda, eles terão que voltar para o Brasil com o dinheiro que sobrou das viagens pela Europa e produtos de marca. O que fazem a partir de então? Viram professores de inglês de uma escola fundo de quintal, que paga uma miséria e que aceita o precário inglês do professor que "morou fora"?

O dinheiro que foi juntado uma hora acaba. Boa parte foi deixada na imigração com o pagamento do imposto. A tendência deles é continuar suas vidas a partir de onde pararam quando saíram para viajar. Ganharam vivência, experiências, lembranças, mas não trouxeram de volta algo que seja válido para continuar a vida em um país em que não é possível sobreviver confortavelmente como faxineiro, fazendo lanches em fast-food, entregador de jornal ou de pizza. É isso que esta acontecendo com boa parte dos brasileiros que conheci na Irlanda e que foram obrigados a voltar para o Brasil. Até tentam empregos que exigem a fluência da língua, mas não chegam a passar na prova.

Ainda existem brasileiros frustrados iguais a mim. Que nunca foram nas festas brasileiras que acontecem todo final de semana, que nunca entraram nas lojinhas de comida típica brasileira e que tenta convencer os amigos brasileiros a usar o inglês para praticar e vivenciar a língua. Somos chatos, nos recusamos a andar apenas com brasileiros, só lemos sites de noticias brasileiras que falem sobre o Brasil. Temos jornais na Irlanda, para saber o que acontece no mundo a fora e na própria Irlanda. E somos diferentes porque estamos informados acompanhando o que a imprensa fala. Até mesmo sabemos quem é o Presidente e o Taoiseach do país. Tudo isso, para aproveitar ao máximo o dinheiro e esforço gasto para sair do Brasil, para naturalmente pensar em inglês e sonhar em inglês todas as noites, para realmente se sentir em outro país e inserido em outra cultura. Oportunidade que nunca haverá no Brasil, onde existirá Gugu, Faustão, novelas, rádios, festas e onde poderemos usar o português para o resto de nossas vidas.

Se você for a algum país para realmente aprender inglês e voltar para o Brasil com a expectativa de conseguir mais oportunidades, não deixe de ter amigos brasileiros, mas não se isole no mini-Brasil das comunidades brasileiras. Aproveite o momento para realmente conhecer o país em que você se encontra e aproveite para fazer amizades com estrangeiros. Eu garanto que sua experiência será muito mais enriquecedora desta maneira. Isso não é negar a raça, não é deixar de ser brasileiro, mas sim ser um brasileiro mais rico em aprendizado, experiências e oportunidades duradouras.

Portfólio: http://marciofs.daportfolio.com

Marcio Faustino - Correspondente da Irlanda



DUAS OPINIÕES SOBRE A LEI ANTIFUMO



Entrou em vigor em São Paulo a Lei Antifumo (Lei Nº 13.541, de 7 de Maio de 2009.)

Se existisse diploma de fumante, com certeza teria um pendurado em minha parede.
Amigos do tabaco, não sintam vergonha por causa dessa lei. Discriminados, tudo bem.
Analisemos os fatos com cuidado, sem stress, podem até acender o seu cigarro.

O governador Nosferatu Serra sancionou uma lei um pouco segregadora, agora temos que sair dos bares, vou resumir, temos que sair de qualquer ambiente público ou privado que tenha grande concentração de pessoas, para dar o nosso “pito”.
O pilar dessa lei maniqueísta circunda, obviamente, a saúde. Concordo que a fumaça do cigarro incomoda, realmente, não é nenhum prazer ficar rodeado e exalando o peculiar cheiro; além de conter as tais 4.000 (blah, blah, blah, blah) substâncias tóxicas que vão parar no pulmão alheio. Então, como resolver esse problema? Resolver não, já foi resolvido. Mas, qual seria a alternativa?

Nunca, jamais, em hipótese alguma, terminar, perfazer, dar cabo, encerrar, findar, acabar com os fumódromos.
Mas sim, regulamentá-los! Não deixar como a maioria dos restaurantes faz – faziam – colocando um aviso na parte interior direita do mesmo: FUMANTES, e um na parte esquerda: NÃO FUMANTES. É óbvio que isso não ajuda em porra nenhuma. A fumaça se propaga.

Voltando... Regulamentação:
Seria perfeito um espaço aberto que a fumaça tenha uma saída, logicamente, para cima! Um encontro com Papai do Céu! Ou mesmo em locais fechados, com algumas paredes para separar e alguns dissipadores de fumaça.
Pronto, resolvido. Em poucas linhas é possível solucionar problema. Ou melhor, duas palavras: Fumódromo regulamentado.

Pena que já fomos castrados. Agora, os fumantes são os novos doentes da sociedade. Sorte nossa ter estourado essa “epidemia” da H1N1. Muda um pouco o foco.
São tantos imbróglios, confusões e mixórdias que ocorrem na política... Fico até com desânimo.
Ultimamente não sei quem me fode mais, o governo ou o cigarro.

Felipe Payão


Entrou em vigor em São Paulo a Lei Antifumo (Lei Nº 13.541, de 7 de Maio de 2009.)

Avise aquele seu chefe mais desavisado que agora estão proibidas “fumadas” em ambientes públicos e fechados; o escritório por exemplo. De hoje em diante as famosas “encardadas” só serão aceitas ao ar livre e de preferência sem alguém por perto, até para evitar ser motivo de chacota no barzinho de sexta.

Avise também seu professor metido a ditador, autoritário ao extremo, mas que em casa quem manda é a mulher.
Falando sério (fala sério!), como é bom poder apontar para uma pessoa, encher os pulmões (agora só de oxigênio) e gritar, APAGUE ESSE CIGARRO, SEU FUMANTE! Caramba, quero ver alguém me xingar de alcoólatra, pelo menos eu posso beber onde eu quiser, é só não dirigir. Se bem dirijo melhor bêbado que sóbrio. Agora o fumante é visto com outros narizes.

Depois da aprovação da lei, não seria sanção? Não, estou falando da aprovação por parte da sociedade. Depois da nova lei comecei a imaginar o mundo como no livro 1984 de George Orwell. Haveria “tele-telas” instaladas em todas as partes denunciando os infratores, crianças seriam educadas nas escolas para denunciarem seus pais que fumam escondidos em um canto da sala ou da cozinha onde a fumaça poderia ser confundida com a do jantar.

Mas a melhor cena que desenhei até o momento é daquela patricinha entrando no banheiro da balada para, linda, absoluta, loira e esperta fumar seu cigarro de canela (ou cravo, que seja) e saindo toda molhada após a fumaça acionar o censor de fumaça.
A lei é valida, porém difícil de ser cumprida, me resta tirar um sarro de meus colegas fumantes enquanto saem do bar para fumar unzinho na rua.
Faça sua parte, aponte para um e grite a plenos pulmões, SAIA DAQUI, SEU FUMANTE!
Divirta-se.

Renato de Souza

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