30 de janeiro de 2010

7ENTREVISTA - MARCOS BELIZÁRIO - INCLUSÃO SOCIAL

Mostraremos para vocês algumas entrevistas que fizemos sobre o tema inclusão social. Participaram das entrevistas algumas pessoas importantes – e atuantes - nessa área. O nosso segundo entrevistado é Marcos Belizário.

Marcos Belizário, advogado e administrador de empresas, é o titular da pasta da Secretaria Municipal da Pessoa com Mobilidade e Deficiência Reduzida (SMPED). Belizário também é vice presidente estadual do Partido Verde (PV).

Você confere as duas entrevistas na editoria 7ENTREVISTA.

O secretário nos recebeu no estúdio da All TV.

7cismo - O que é inclusão social?

Marcos Belizário - Inclusão social é a forma que você pode, na prática, dar dignidade. Fazer na realidade com que todas as pessoas tenham as mesmas oportunidades. O direito de ir, o direito de vir, ter o respeito digno que nós temos com qualquer outra pessoa, seja ela deficiente ou não. Seja ela de uma raça negra, branca, enfim... Qualquer outra raça. A diversidade do nosso país, por uma questão até de origem, o Brasil é um país que recebe todos os povos e isso é reconhecido mundialmente e isso se torna uma inclusão no mundo. E na realidade, internamente no nosso país nós temos essas questões que especialmente, quando você fala até com as pessoas com deficiência, aí você vem ao termo de que muitos são excluídos, né? É a pasta que eu também defendo na Prefeitura de São Paulo, e é lá que estamos trabalhando especialmente com essas pessoas.

7 - Na nossa sociedade, quem é o excluído e quem é o incluído?

MB - Olha, quem é excluído, infelizmente, são as pessoas que por culpa dos que acham que são incluídos, passam a ser excluídos. Ou seja, muitas vezes as pessoas não têm o discernimento de respeitar as pessoas que têm algum tipo de deficiência – no contexto da pessoa com deficiência. Outras pessoas muitas vezes de mobilidade reduzida, às vezes uma mulher grávida, uma senhora, uma pessoa de idade e muitas vezes raciais, na questão racial, ainda é muito encontrado o racismo. Assim, o negro pode ser excluído por questão de racismo. Muitas vezes até por não ter um poder aquisitivo viável ou alguma dificuldade muito grande, que a maioria do nosso povo brasileiro é excluído por falta de oportunidade. Até de ter a oportunidade de frequentar um teatro, uma escola, um cinema, por uma questão financeira. Então eu vejo a questão da exclusão dessa forma. Você pode acabar incluído ou excluído por um conceito genérico. É o que me deixa triste, em um país de diversidades, em um país que a gente busca de todas as formas a inclusão.

7 - O que falta fazer na cidade?

MB - Primeiro a conscientização. Você precisa trabalhar bastante em uma campanha desse tipo, especialmente na cidade de São Paulo. Acessibilidade também, a cidade ficou muitos anos sem essa preocupação e hoje nós trabalhamos pra isso. Você dando condições de igualdade faz com que a cidade seja mais inclusiva. Para as pessoas terem condições e oportunidade de conviver normalmente, oportunidade de ir ao restaurante com acessibilidade, oportunidade de andar pelas ruas de São Paulo sem que ajam barreiras, transporte que dê oportunidade para todas as pessoas utilizarem com dignidade... Um cadeirante, um deficiente visual, enfim... Tendo essas oportunidades, você acaba fazendo com que a cidade fique mais inclusiva. Uma campanha que faça que esse conceito esteja presente no nosso dia a dia.

7 - O excluído social é fruto do capitalismo ou ele estaria presente em qualquer outro regime político?

MB - Veja bem, nós teremos um país justo, com menos violência, quando tivermos no menor tempo possível a maior condição igualitária. Se a gente puder diminuir essas diferenças sociais, dar condições as pessoas, com dignidade a moradia, poder trabalhar... Não estou nem dizendo o restante, estou dizendo apenas o básico; você diminui outros problemas da sociedade. Agora, é evidente que com a miséria você acaba tendo um problema de exclusão na nossa cidade. Essas pessoas que convivem com a miséria, onde sem condições, sem a dignidade de uma vida comum, elas infelizmente acabam aumentando essa exclusão, né? Você acaba fazendo parte das pessoas excluídas. Agora, por uma questão até mesmo de um trabalho das autoridades, especialmente a autoridade do governo federal. Que é aquilo que o Lula vem tentando fazer... Dar comida a todos, fazer com que a pobreza diminua, que todos tenham o mínimo de condição de vida, pra que essas pessoas deixem de ser excluídas da sociedade. Isso é super importante, fazer um país cada vez mais igualitário. A gente sabe que é difícil, existe no mundo essa diferença, especialmente financeira. A questão financeira é uma coisa complicada.

Felipe Payão

29 de janeiro de 2010

UMUNDUNU - NOS BASTIDORES DA NOTÍCIA


O cenário é a redação do telejornal de uma grande emissora. O “pega pra capar” de profissionais envolvidos em cumprir as tarefas relativas ao frenético cotidiano em busca da notícia. Esta trama se desenrola na década (1970 – 80). Nesse contexto, o âncora é uma espécie de “pop star”, uma celebridade não somente detentora de altos salários, como também uma pessoa pública que tem sua vida privada colocada em evidência pelos meios de comunicação. Sua casa, seu casamento, os automóveis que prefere, onde passa suas férias, são os quesitos que, aliados à sua bela postura física, e seu atestado de bom mocismo, conferirão credibilidade aos seus pronunciamentos durante o ritual jornalístico da TV. O sacerdócio da notícia.

Tom Grunick, personagem encarnado por William Hurt, é um ex jornalista de esportes que aspira a condição de estrela maior nesse céu. Ele quer e precisa ser levado a sério para tornar-se âncora.

A produtora do telejornal, Jane Craig, interpretada por Holly Hunter, e seu colega de redação, o repórter Aaron Altman, encenado por Albert Brooks, por motivos diversos e escusos, não vêem com bons olhos as pretensões de Grunick. Forma-se então entre eles uma relação tripartite entremeada por questões que vão do emocional às preferências e julgamentos de foro profissional.

O roteiro bem estruturado oferece ainda a visão da estratégia econômica de uma grande empresa de comunicação. Um empreendimento capitalista que, acima de qualquer outro objetivo, prevê resultados financeiros sempre, e cada vez mais positivos. Um ambiente em que a desenfreada competição do mercado não só define as relações humanas internas, como também imprime a ética dos protagonistas para com o público.

O filme “Nos bastidores da notícia” (Broadcast News, EUA, 1987), escrito, dirigido e produzido por James L. Brooks, propõe questões viscerais concernentes ao jornalismo contemporâneo e, embora abrangendo especificamente o telejornalismo, remete o receptor diretamente interessado à reflexão ampla sobre as relações entre mídia e sociedade.

Claudio Zumckeller

28 de janeiro de 2010

REALPOLITIK - O HAITI É AQUI

Não, não é um erro geográfico, muito pelo contrário, é um alerta.

Porque temos que fazer tantas campanhas solidárias em prol de um país tão longe? Campanha essa que nem as maiores potências do mundo têm feito, já que eles são os maiores, não deveriam se mobilizar um pouco mais? Para que precisamos desta autoafirmação? Temos mesmo que mostrar para todo o mundo que temos dinheiro, que estamos dispostos a ajudar?
Ou só queremos aparecer?

As chuvas destroem casas no sul e sudeste, deixam milhares de desabrigados. Mas é só em Angra que as autoridades focam seus esforços. E no Jardim Pantanal? E em tantas outras comunidades, conglomerados ou favelas? Lá não tem TV? Não tem mídia?

O que aconteceu em São Luis do Paraitinga, não fica muito atrás do que houve no Haiti, o que acontece com as chuvas em São Paulo, Rio, Minas, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e tantos outros estados também não é tão diferente dos terremotos.
Por acaso os daqui são menos necessitados? Vai falar isso para uma mãe que acabou de perder o filho soterrado ou então para a criança que perdeu toda a família, a casa, a esperança e o seu futuro.
O Haiti é aqui!

O nordeste continua esquecido. Só falam daquele pedaço de Brasil quando tem seus interesses eleitorais, prometem mundos e fundos.
E se em vez de ajudar os haitianos ajudássemos brasileiros?
Poderia não haver tanta mídia, mas olhares de gratidão.
Poderia não haver citações na ONU, mas com certeza daria esperança de uma vida melhor e digna para muitas famílias.
O Haiti é aqui!

Não nego que eles necessitem de ajuda, mas não tem como tapar o sol com a peneira. Ou como já dizia alguém: descobrir um santo para cobrir o outro. Enquanto lá morre, aqui também, não se resolve lá nem cá.

Por que não salvar primeiro a gente e depois pensar no próximo?
Se continuar assim, morre lá, morre cá e a história segue em frente.

Renato Souza

26 de janeiro de 2010

7ENTREVISTA - MARA GABRILLI - INCLUSÃO SOCIAL


Mostraremos para vocês algumas entrevistas que fizemos sobre o tema inclusão social. Participaram das entrevistas algumas pessoas importantes – e atuantes - nessa área. A primeira delas é a vereadora Mara Gabrilli.

Mara Cristina Gabrilli é vereadora da cidade de São Paulo e fundadora da ONG Projeto Próximo Passo, recentemente com o nome Instituto Mara Gabrilli. Em 1994, sofreu um acidente de automóvel e tornou-se tetraplégica. Em 2005, foi convidada pelo então atual prefeito de São Paulo, José Serra, para assumir a Secretaria da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida (SEPED) – nosso próximo entrevistado é Marcos Belizário, titular atual da pasta da SEPED.

A vereadora nos recebeu na Câmara Municipal de São Paulo.

7cismo - O que é inclusão social?

Mara Gabrilli - Inclusão social é uma questão muito abrangente. Diz respeito às pessoas que precisam ter acesso aos direitos, as oportunidades que o serviço público oferece, a legislação, a informação, a educação, ao transporte, a saúde, ao trabalho, ao entretenimento, a todas essas questões. Todos esses setores são evolvidos a criar possibilidades pra que aja inclusão social. Então a gente fala de todas as pessoas, inclusão social da mulher, do idoso, do adolescente, das pessoas com deficiência, da criança. Enfim, é um tema muito abrangente.

7 - Um cadeirante é um excluído social?

MG - Depende muito. O que acontece com o cadeirante é que ele tem barreiras físicas a vencer. Então, se ele chega num lugar não tem rampa, não tem elevador, a calçada não é em nível com a rua... Ele não vai subir. Essa acaba sendo uma limitação e ele acaba excluído de várias coisas por falta de estrutura física na cidade. Porque pensa bem, se a gente conseguisse um antídoto mágico que jogasse por toda São Paulo pra acabar com o preconceito das pessoas, e com o preconceito a mulher, ao negro, ao índio, ao idoso, a pessoa com deficiência, as barreiras físicas iriam continuar. Por mais que não existisse preconceito, o cadeirante continuaria subtraído do direito de ir e vir. E isso acontece com uma pessoa idosa de mobilidade reduzida também.

7 - O que falta nas cidades?

MG - Além do acesso que eu já falei, as questões físicas, o que eu acho que tem de se fazer – já que o antídoto não é uma coisa fácil, que você jogue e pronto – é um trabalho quase que pedagógico, de sensibilização, de conscientização da população. A importância de ter um olhar para a diversidade, saber contemplar aquilo que é diferente de você, e isso não diz respeito só a uma pessoa com deficiência, diz respeito a uma pessoa que tem uma renda diferente da sua, de uma pessoa que é mais alta que você, obesa, uma pessoa que é feia, que está com o pé engessado... Diz respeito a todo mundo. Então acho que o que a gente precisa ainda é desenvolver esse olhar e contemplar essa diversidade humana em qualquer projeto. Então, independente de qual seja seu projeto, desenvolva isso, treine sua equipe para criar acesso para qualquer tipo de pessoa, não importa quem seja você ou o que vai fazer, você pode colocar um toque de mudança nesse cenário.

7 - O excluído social é resultante do sistema capitalista ou ele estaria presente em qualquer outro regime político?

MG - Eu acho que tem diferença. Acho que o excluído tem várias facetas. Claro que se você pegar uma pessoa que mora lá numa favela, numa comunidade no Grajaú, que não teve outras oportunidades, veio do nordeste pra cá, teve que invadir uma área e construir um barraco, mora do lado de um córrego, não tem uma habitação, entendeu? Ele é um excluído. Isso foi culpa de um crescimento totalmente não planejado da nossa cidade, das cidades grandes, abriu as portas para todo mundo e não tinha como receber. As pessoas vinham com uma promessa de algum lugar pra cá, então, claro que fez parte de todo esse crescimento desmedido que a gente vem passando. Em cidades que o crescimento é planejado, isso acontece muito menos. Agora, tem outras facetas também. Eu posso te falar, como uma pessoa que tem uma deficiência aparentemente até grave, porque eu não mexo um músculo do pescoço pra baixo, mas como eu tenho muita oportunidade, eu tenho uma condição que me permite muita coisa, eu praticamente não sinto essa deficiência. Então pra você saber quem é excluído, você precisa levar em consideração o meio em que ele vive. Porque ter uma deficiência não é pré condição de exclusão. E tem mais uma questão... Se uma pessoa não sentir-se incluída, não importa que característica ela tenha, ela jamais vai ter a capacidade de incluir alguém. Então pra começar, você precisa incluir a você mesmo.

7- E os cidadãos que gozam de todos os privilégios que a sociedade oferece, como lazer, cultura, saúde, e não tem consciência de cidadania. Não tem consciência da vida coletiva, eles são excluídos?

MG - Talvez ele não seja excluído desse pequeno mundinho em que vive. Mas ele é um deslocado, né? Porque é uma pessoa que não exerce cidadania. Então, o que eu acho dele, e olha que tem muita gente assim, que estaciona em vaga de emergência, guia rebaixada, joga lixo no chão, e não precisa ser humilde, ser pobre, ter uma renda pequena, pra fazer isso não. Você vai aos shoppings de bacana aqui em São Paulo, é aonde tem mais carro parado em vaga de pessoa com deficiência. Isso é falta de cidadania, e você pode ter certeza que essa pessoa tem uma concepção de mundo muito restrita.


Felipe Payão e Claudio Zumckeller

25 de janeiro de 2010

UMUNDUNU/REALPOLITIK - SÃO PAULO, QUE CIDADE (?)

Nos percalços da metrópole, com os olhos ardendo pela poluição e a feiúra do lixo jogado nas esquinas, quase surdo e com dor de cabeça pelo buzinaço da hora do rush, sob o calor escaldante e abafado do verão ou com o frio penetrante do inverno e sua garoa fina e gelada, me pergunto: onde foi que erraram na concepção de nossa querida “Sampa”?

Foram os bandeirantes que só a usaram como ponto de partida para o extermínio de índios ou os cafeicultores, que com o fim da escravidão e a necessidade de colher o produto precisaram de mão-de-obra estrangeira? Foram os políticos que nunca priorizaram obras que fizessem de Sampa uma cidade mais humana ou fomos nós que, em nossa vã individualidade, nunca nos preocupamos em preservar este útero gigantesco?

Pouco a pouco vamos descobrindo que estes motivos todos influenciaram para São Paulo virar este monstro que nos engole. Primeiro ela atrai com seu poder de Medusa, que ao olhar petrifica, prendendo-nos a ela de forma definitiva, inseparável. Paralisados, não a abandonamos jamais. Só fazemos alimentá-la, engordando-a, aumentando ainda mais seus poderes.

Fui parido dentro deste monstro. Aqui eu cresço e envelheço. Nele colhi meus sucessos e encarei meus fracassos. Descobri meus amores, sofri seus dissabores. Quando a deixo, nem que por alguns instantes, sinto falta. É um vício, como um veneno impregnado no DNA – sou paulistano até a medula. Se estou sozinho, ela me acompanha. Se me sinto triste, ela me alegra. Feliz, ela me deprime. Amor e ódio, beleza e feiúra, violência e paz, tudo ao mesmo tempo, nos mesmo lugares.

São Paulo é assim mesmo. Todo este charme, toda a atração e a sedução, para depois apunhalar impiedosamente nossos corações. Morro por esta cidade.

Rodrigo De Giuli, paulistano nascido na Lapa, maturado no Jaguaré, envelhecendo no Butantã

23 de janeiro de 2010

FUTEBIZARRICES - OS NOMES "ESTRANHOS" DO FUTEBOL BRASILEIRO 3

O primeiro campeonato do calendário do futebol brasileiro é a Copa São Paulo de Futebol Junior que neste ano chega à sua 41ª edição. Nela estão os principais nomes do futuro do futebol tupiniquim, todo ano grandes jogadores são revelados na “copinha” e outros caem na dura realidade de que o futebol é coisa para poucos.
Mas nossa série retorna a 2010 enaltecendo a criatividade não só dos aspirantes à craque mas sim de seus pais e repito o que já disse em minha primeira postagem: alguns nomes fazem uma mistura entre o português e o inglês e surge um nome em uma língua que às vezes nem o pobre menino que detém o nome consegue entender. Outros tentam inovar criando algo que nunca foi ouvido em lugar algum desse país.

Novamente a lista não inclui apelidos, somente nomes próprios (ou impróprios).

Destacaram-se em minha seleção os seguintes nomes: Joaniellyson do ABC de Natal, Ariclenes do Americano do Maranhão, Hueglo e Railkson do Araguaína do Tocantins. Eudo do Pernambuco e Eunazio do Comercial poderiam formar uma bel dupla.

Nomes estrangeiros ou quase como: Bahydeky do Brasiliense, Whelberthon do Bahia, Jailnick do Ceará, Kenny Talysson do Confiança de Sergipe, Dwann Dionny do Desportivo Brasil, Wanjhonson e Wilkson do Fortaleza e Willysânio do Piauí.

O sorridente Smaily craque da Lusa. Curiosos como Abraão Lynconn, Dianinni, Kaoê Folles, Kartjaneo. O quase japonês Massaaqui. O quase holandês Amsterdan do São José. Um pequeno erro do escrivão com Willianhenriquede do Coritiba e os irmãos gêmeos Djeison Bruxel e Djeferson Bruxel, quanta criatividade.

Bom, a lista segue logo abaixo. Tirem vocês suas conclusões, mas como já dito outrora, divirtam-se, não usem como inspiração! Seus filhos agradecem.


ABC (RN)
Verilisson da Silva Vieira
Joaniellyson Bruno Patricio da Silva
Arianderson Alberto Ferreira dos Santos
Jeckson Luiz de França
Joan Mancio Bezerra
Judson Silva Tavares
Westerlly Benevides Carneiro
Ruan Tardelly Sabino Felix
Hyago Julles Dantas de Almeida

AMÉRICA (SP)
Eduiris Albino da Cunha Junior
Tainan José Teodoro Anselmo
Eliel da Silva Lisboa
Melquiades de Souza Meixão

AMÉRICA (MG)

Nilo Eduardo Rodrigues Perpetuo de Oliveira
Ednardo Tulio Alves Martins
Caleb Santos Jordão Rocha Carvalho
Aldeflan Carvalho Fonseca


AMERICANO (MA)
Wermeson Serejo Ferreira
Ariclenes Nunes Pereira
Gleyson da Conceição Silva
Isaquiel Pereira
Acaua dos Santos Araújo
Thallon Almeida Rocha
Jailson Garcez Anunciação


ARAGUAÍNA (TO)
Irisvaldo Izidorio Mendes
Hueglo dos Santos Neris
Nohan Campos Oliveira
Niury Nilson dos Anjos Encarnação
Railkson de Jesus dos Reis
Leonilson Junior Matos Barbosa


ATLÉTICO-MG
Valdisney Costa dos Santos
Marion Silva Fernandes
Eron Santos Lourenço
Markwell Feitosa dos Santos
Shayder Bertan Ventura

ATLÉTICO-PR
Vanailson Luciano de Souza Alves
Heracles Paiva Aguiar
Alfeu Silva Cardoso

AVAÍ
Jozinei Joao Machado Rodrigues
Halan Caetano Marques
Gualberto Mauricio Mendes

BAHIA
Irone Mendonça Neto
Danneil Kerveryn Amazonas dos Santos
Whelberthon Santos Soares
Judson Augusto do Bonfim Santos

BOTAFOGO (SP)

Weder Sergio Garcia


BOTAFOGO (RJ)
Giácomo Mello Corbellini
Bryan Rangel Yano

BRASILIENSE

Mayke Evangelista Bonfim
Maikon Amorim Alves
Bahydeky Satilo de Araujo Reis
Wanderosn Evangelista Guedes
Mailon Oliveira Santos

CA PERNAMBUCO

Charles Gultiergue Freire de Oliveira Filho
Eudo Candido da Silva
Aluisio Andrade Bernardo Junior


CAMPINAS
Enry Vergara Barbosa

CEARÁ
Esiel Cardoso Moreira
Ivanísio de Sousa Pontes Junior
Gillemison da Silva Martins
Jailnick Jedson Vítor Alves
Kalleo dos Santos Mendes

CFZ (DF)
Warlei Morais Lima
Ronaell Rubens da Silva Aguiar
Carlyle Carlos dos Santos Junior
Elvis Marley Aparecido Bittencourt
Saimom Calisto Ferreira
Weliton de Melo Santos

COMERCIAL
Eunazio das Dores Lima
François Pierre Najarian
Nelito Oliveira da Silva
Willen Guilherme Nassif

CONFIANÇA

Jerfesson Rodrigues Santana
Andrevaldo de Jesus Santos
Deivisson Batista Santos
Jemerson de Jesus Nascimento
Kenny Talysson dos Santos Hora
Venicius Jose Dias do Carmo Sales
Joelton Silva dos Santos
Leilson Tadeu Santana Lima Santos
Allefe Filipe dos Santos

CORINTHIANS
Arnon dos Santos Garcia de Araújo
Claudir Marini Junior
Kelvim Henrique Camargo dos SantoS
Franc Santana Paiva


CORITIBA
Walisson Moreira Farias Maia
Maiko Allon Amorim Ferreira
Eberson Silva de Pontes
Alamir Jorge Vieira Junior
Thalisson Klenki Martins
Ethore Conceição Corsi
Willianhenriquede Moraes Antonio (Na verdade eu acho que só faltou dois espaços, mas beleza)
Andrew Bruno Teixeira Monteiro

CRUZEIRO

Gilmerson dos Santos Mota
Dêivisson Carvalho de Assis
Hyago Henrique Ferrari Silva
Wenderson da Silva Soare
Rhuan Rogério Elias Barbosa
Warley Gleyson dos Santos Alves

CSA
Millas Pereira Souza
Staney Felipe Silva de Vasconcelos
Geroaldo Fernando da Silva
Rodean Talyslan dos Santos Canabarro
Thallyson Augusto Tavares Dias
Melvyn da Silva Lins
Jamyson Fagundes Cavalcante
Erison Hugo dos Santos Araújo

DESPORTIVA CAPIXABA
Glesson Batista Nascimento
John Lenon Coutinho
Mathews Reis da Silva


DESPORTIVO BRASIL
Richardson Jussier Medeiros Cabral
Dwann Dionny Oliveira E Silva
Gladestony Estevão Paulino da Silva
Lindhberg de Sa Carvalho

EC SÃO JOSÉ
Marthin de Souza Farias
Vandré da Silva Ferreira
Djeison Bruxel e seu irmão gêmeo Djeferson Bruxel

FC PRIMEIRA CAMISA
Alisson Andrews Nobres Vais
Wallison Rafael Santos Silva
Dielton Eufrasio de Carvalho
Jobert de Melo Faria Junior
Edlei Wilson de Freitas


FERROVIÁRIA
Jeanderson Salvador Pereira
Salatiel Oliveira Gabriel Junior
Elry Enio Bezerra da Silva
Raniery de Castro Padovani
Werbeth Rodrigues Ferreira
Marciano Alves Pinheiro Hilario

FIGUEIRENSE
Gutieri Tomelin
Mailton Pereira Monte
Kleverson Augusto Nora


FLAMENGO (SP)
Wellison Gadelha da Silva
Joseildo Gomes da Silva
Apolonho Neto dos Santos Pedreira

FLAMENGO

Nixon Darlanio Reis Cardoso
Rosicley Pereira da Silva


FLUMINENSE (BA)
Wandson Pereira Ramos
Thaihan Chis Nascimento
Derlanyo Dias dos Santos
Cleriston Nascimento Almeida
Suellio Freitas Mauricio de Lima

FLUMINENSE
Brayan Henrique Teixeira Silva

FORTALEZA

Wilkson Andrade dos Santos
Wanjhonson de Morais
Rian Alves Rolim de Araújo
Max Walef Araújo da Silva
Wandemberg Henrique Félix

FUNORTE
Wenderson Augusto de Freitas
Hendson Silva Souza
Marden Vinicius Ribeiro Borges
Fayllon Ruan Barbosa Morais
Athos Silva Soare


GOIÁS
Sidimar Rodrigues da Silva
Tardelly Chrystian de Oliveira
Leanderson Luiz de Pontes
Tharles Martins Nacimento Vieira

GRÊMIO
Saimon Pains Tormen
Bergson Gustavo Silveira da Silv

GRÊMIO BARUERI
Wallan Luan Teixeira dos Santos
Myller Alves Pereira
Osman de Menezes Venâncio Junior
Adriel Silva Martins


GUARANI
Queone de Oliveira Manhães

INTERNACIONAL LIMEITA
Weliton Thiago Santos da Fonseca
Weder Luis Alves de Souza
Sthefano Pereira Sabino
Gean Cesar da Costa Borges
Greison Fabio de Moura
Lohan de Oliveira Gomes Pinto

INTERNACIONAL
Kaoê Folles Ferreira da Silva

JUVENTUDE
Jaisson Alan Braz Pinto
Jakson Ragnar Follmann
Deoclecio dos Santos Martins
Cristofer de Souza Barros Lima)
Nedilson da Silva Santos
Remulo Luan Davila Lemes
Hitaner Sena Nunes
Hismael Schereiber Laranja

MARÍLIA (SP)
Cleyverton Andre Torres Dias dos Santos
Romil Rebeque Junior

MARÍLIA (MA)
Elbis Sousa Nascimento
Jhony Macedo Santos
Dianinni Barbosa de Albuquerque
John Davvid Lennon Santos Fernandes Vilar
Francivaldo Lima Pereira

MOGI MIRIM
Janderson Cotinguiba Santos
Feidipedes Zatopek dos Santos Ribeiro
Schumacher Ferreira Barbosa

NACIONAL (SP)
Kadson Kerveny de Sousa Oliveira
Rudimar Carlos KessleR


NACIONAL (AM)
Darligson Huelton Pereira de Souza
Ruan Santos Oliveira
Uarlei Boas Silva
Drawlid Drey Queiroz de Santana
Hendrew Rafael Rocha Nogueira
Kelve Railander de Souza Bezerra
Ronane Oliveira da Costa
Hyan Robertto Chaves de Benedetto

OLÉ BRASIL
Andrew Erik Feitosa
Nisael Jose de Santana Morador
Linyker Vinicius Alves Barbosa
Marlon Damer Barbosa Rodrigues


OPERÁRIO
Ruymar Douglas Morales Junior
Shedon Bruno Marques Santos
Kael Barreto Braga Capela do Nascimento

PÃO DE AÇUCAR
Ingro Marreiros da Cruz


PALMEIRAS
Mayko Oliveira Santana
Edelvany de Andrade dos Santos
Suelio Albuquerque Silva
Francinei Marciano dos Santos
Peterson Simão de Souza Silva

PARAIBANO
Sueliton Florencio Nogueira
Jardson Marcolino Coelho
Rhair Weslley Souza Montenegro


PARANÁ
Davis Cardoso dos Santos
Herlon Lins Caldas
Idemar Otávio Veber Neto

PAULINIA

Glemistone da Costa Soares
Mike Willians Pereira da Silva
Alisson Henrique de Souza

PAULISTA
Yuri Benhur Machado
Brendon Luis de Andrade
Mike dos Santos Nenatarvicius

PIAUÍ

Janielson das Neves Silva
Jhelyson de Sousa Crispim
Jaylson Ferreira da Silva
Solonn Luiz Rodrigues Sousa
Donovam Ferrari Schimidt
Crislan Henrique da Silva de Sousa
Willysânio Santos da Silva
Geudiran Santos de Oliveira
Joniel Soares da Silva

PONTE PRETA
Davidson Demetrio dos Santos

PORTO (PE)

Sanderson Cisa do Nascimento
Jhefferson Berger
Kallebe Siqueira Alves Gallo
Genisson Correia dos Santos
Handerson Vinícius de Moura Azevedo
Mychael Klismman de Albuquerque Ferreira)

PORTUGUESA
Winiston Cristian Santos
Yago Fernando da Silva
Smaily Fernando Frizo

PRIMAVERA
Uarate Renan da Silva
Jheckson Silva Oliveira
Orion de Souza Carvalho Neto
Asafe Gonçalves Oliveira

REMO
Helanderson de Oliveira Ferreira
Lineker Augusto da Silva Matos

RIO BRANCO (SP)
Abraão Lynconn Sousa Santos Santana

RIO BRANCO (AC)
Cledioneide Fernandes de França
Miller da Silva Melo
Junior da Silva Tragodara
Jarlyson de Oliveira Fiqueiredo
Jardson Almeida Monteiro
Cainan Souza da Silva

RIO CLARO
Raif Jazra Neto
Maykon Aparecido Pereira da Silva
Ronei Gleison Rodrigues dos Reis
Ivys Andrade Gut

RIO PRETO
Alescio Zaneratti Neto
Mikael Garcia Rodrigues
Sigmar Aparecido Martins
Denison de Jesus Matos

RORAIMA

Marcos Raylson Pinheiro de Carvalho
Kleythonn Ribeiro Lima de Sena

SANTANA (AP)
Crisley Luis de Oliveira
Gecimar Martins Borges
Oberdan Martel de Souza
Kelvin Patrick Costa Correa
Ronald Alexsander Monteiro Pantoja
Dienison Gomes do Carmo
Kalebe Sobrinho de Abreu

SANTOS
Weriton Luiz Gutierre
Geuvanio Santos Silva

SÃO BENTO
Dangelo Cardozo Paulicci
Remerson Vinicius Afonso Catanoza

SÃO BERNARDO
Reisnaldo Moura Barroso
Dionathan Pinho Roxo
Hércules Delfino da Silva
Johnn Michaell Salazar Soares

SÃO CAETANO

Davison Kelvin Silva
Rubney Almeida
Mairon Natan Pereira Maciel Oliveira
Suellington Augusto da Silva Costa
Kelvin Kennedy Galvão da Silva

SÃO CARLOS
Jansen Eduardo Salton Candido
Walled Cassis
Marden Gabriel Farias do Nascimento

SÃO JOSÉ
Roberio Lemes Pereira
Amsterdan Carlos Severo
Nialvo Batista da Silva Neto
Ilgner Fiuza Rodrigue
Kennedy Junior de Aquino

SÃO PAULO
Idimar Zuchi Junior

SERTÃOZINHO
Cleriston Danilo Ferraz
Allison Eduardo do Nascimento Nicola
Rennier Dupin Rodrigues Soares
Aderlan do Nascimento Silva
Valeriano de Almeida
Edvilson Pedro Alves da Silva
Raulino Leão Ramos Filho

SOROCABA
Gutemberg do Nascimento Silva
Thales Rhuan Gabriel de Souza
Nathan Fulvio Morgado
Ivancley Neves dos Santos

SORRISO (MT)
Chandler Pandolfo Pinto
Randerson Augusto Sousa Alves
Tallyson Leite Silva

SHALON (RO)
Claucilei Lima Sutil
Rerison Lenno Vieira
Massaaqui Silva Trajano Sena

TABOÃO DA SERRA
Eloan Varelo dos Santos
Hosley Crisostomo da Silva Mello
Wilker Martins Machado
Josean Sousa Pereira
Alef Vieira dos Santos

TAUBATÉ
Evanderson Sabino Leocadio
Hayrison Aparecido Figueiredo de Oliveira

UNIÃO BARBARENSE

Thande de Sousa Melo
Maiko Alves de Sousa Moreira
Gam Lucas Gonçalves Ferreira
Wilquer dos Santos Vieira Leite

UNIÃO SÃO JOÃO
Ueverton Santos de Brito
Uanderson Araujo da Silva
Joabe Augusto Geremias

VASCO
Arivaldo dos Santos Silva
Willen Mota Inácio
Gottfried Antonio Golz
Laniyan Fructuoso Lima Neves
Wildson de Albuquerque Gomes Junior
Taynan Monteiro Ceschin Vieira

VILA AURORA (MT)
Elibio Santos da Silva
Erisleu Cesar Saab Portela

VILAVELHENSE (ES)
Isteylor Mendes da Silva
Alis Antonio Alves Guedes
Sisley Pereira de Jesus
Lailson Camilo da Silva

VITÓRIA
Leilson Carlos de Oliveira Alves
Darlan Costa de Oliveira
Weyder da Silva Aguiar
Joálisson Santos Oliveira
Agdon Santos Menezes
Kartjaneo Barbosa de Arruda
Dankler Luis de Jesus Pedreira
Elenilson Ferreira Garcia

XV DE PIRACICABA

Wandeilson Correia do Nascimento
Marlon Goncalves dos Santos


Renato Souza

22 de janeiro de 2010

UMUNDUNU - ALGUM OGUM CYBERASSOMBRADO

É madrugada, o canto do galo que eu acordei ecoa indignado. É tarde para mim, cedo demais para ele. Chove forte lá fora, pinga sobre a mesa. A busca para o desfecho da trama que envolve a questão de vida ou morte de Isis, a fisioterapeuta pedófila, é o empecilho. Deixo para amanhã. Quem sabe o cotidiano traga algum toque mágico. Percebo que já é dia e para espreitar a realidade antes de pegar no sono adentro os emails. Lazar Delfuego está em minha caixa de entradas, jamais ouvi falar desse nome, temo que seja um vírus ou qualquer brincadeira tosca. Porém, lá dos escombros da memória vem uma associação qualquer, não me contenho, abro e leio intrigado:

“Bom dia! O texto em anexo é parte de um dos diálogos do conto Minutos Descontínuos, assinado por Luigi Magnamana, 35 anos, paulistano da Mooca. Trata da narrativa de uma conversa telefônica que o autor manteve com seu personagem Abraão Jr., ex pugilista, peso pena, boêmio arruaceiro e band leader do "Vagabundos Celestiais", grupo de free jazz cuja biografia desautorizada está prestes a editar.
Lê, se quiser, penso que pode ser útil”.

Após o terceiro toque, aquela voz soou enérgica:

- Diga lá! Contador de histórias! Sou Jorge Ogum e estou plenamente incorporado em seu personagem Abraão Jr., agora meu cavalo que, como de costume, está à beira de mais um coma alcoólico. Portanto, ou você faz de mim um protagonista dos seus contos babacas ou invado definitivamente esta tumultuada existência! E aí, como disse Zumbi, nem mel; nem cabaça.

- Não entra nessa, Magnamana, você me conhece bem e sabe que sou um rato.
Indagou Abraão, cruzando a linha no intuito de demonstrar que controlava a situação. E prosseguiu tentando passar sobriedade.

- Um rato, isso mesmo, no sentido mais chulo possível da metáfora. Aquele especialista em pequenas transgressões. Dos furtos fortuitos nos supermercados desta vida a galope. Um dragão por dia. Jack Daniel’s, Camembert, chocolates e outras quinquilharias! Reencontro-te, quem sabe! Uma hora dessas, irmão, quem sabe? Até as pedras se reencontram. Não podemos ignorar a condição da surpresa! Haveremos de ser um susto, o acaso. Nunca esquecendo aquele respeito que sempre vigorou, e se perpetuará entre nós, e que há de estar de braços dados com a justiça de Oxalá.
Estive em transe, estou tranquilo, esteja em paz.
Agora, cá entre nós, se for possível, arranja uma cena qualquer, uma pontinha que seja para esta entidade. Ainda que eu morra no final, fico devendo o favor.

É... Lazar, caso esquisito esse, muito estranho! Não sei o que dizer.
Fui tratando de responder para me desvencilhar do intruso e trancar novas investidas. Preciso dormir um pouco, tenho compromissos daqui a pouco. Mas não me contenho e emendo: esclareçamos, ainda que mal pergunte, de onde é que eu lhe conheço.


Claudio Zumckeller

19 de janeiro de 2010

7ENTREVISTA - "FARIA TUDO DE NOVO PARA MANTER O PAÍS LIMPO DO RISCO DO COMUNISMO"

Nascido em Paraguaçu Paulista (distante 460 quilômetros de São Paulo), o ex-coronel do exército Antônio Erasmo Dias foi o braço armado da ditadura e do Departamento de Ordem Política e Social (Dops), em São Paulo, especialmente no período em que foi secretário de segurança pública do Estado de São Paulo, durante o governo de Paulo Egydio Martins.

Considerado "linha dura" até mesmo por seus aliados, Erasmo Dias ficou célebre pela invasão à Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), em 1977, quando o campus da universidade acolheu a reunião em que a União Nacional dos Estudantes (UNE) seria refundada. Mais de mil estudantes foram detidos; diversos deles ficaram feridos. Acusado de intolerante, Dias responde que "não importa que eram estudantes, eles não obedeceram à ordem de evacuação".

Formado em Direito e História, Erasmo Dias foi deputado federal, estadual e vereador em São Paulo após deixar a secretaria. O ex-coronel morreu no último dia 4 de janeiro, vítima de um câncer no estômago, aos 85 anos. Personagem importante de um período histórico rico, sua morte foi pouco repercutida pelos meios de comunicação de massa; uma notinha na Folha de S.Paulo, meia página n'O Estado de S.Paulo, poucas informações em portais da rede, quase nada nas TVs.

Na entrevista abaixo, concedida em junho de 2007, Erasmo Dias não refuta as acusações, defendendo-se "desta mídia comunista vendida aos interesses da União Soviética". Alternando o tom de voz e sempre olhando o interlocutor nos olhos, o ex-coronel não se furtou a responder nenhuma pergunta. Veja a seguir trechos da entrevista.


7CISMO: O senhor é tido como "linha dura" por todos que conviveram com o senhor, tanto na secretaria de segurança como no exército. Como o senhor responde a esta afirmação?

Erasmo Dias: Simples, eu sou linha dura mesmo, sem aspas. Fiz o que fiz pelo bem do Brasil, para livrar este país da ameaça comunista.

7: A ocupação da PUC, quando o senhor era secretário de segurança, não foi exagerada? Muitos estudantes relataram, na época, que foi uma tentativa de desocupação violenta, com bombas incendiárias e que eles teriam saído de forma pacífica.

ED: Claro que não houve exagero! Se aquele bando de comunista tivesse obedecido à ordem de evacuação do campus, eu nunca teria ordenado que os soldados jogassem bombas de efeito moral. Não joguei bomba incendiária, não sou assassino. Tinha homem barbado chorando de medo, e foram as mulheres, todas muito jovens, que ficaram na linha de frente. Então é possível que algumas tivessem sofrido queimaduras, mas foram todas atendidas por ambulâncias do exército e da PM.

7: O senhor realmente acreditava que o comunismo tinha chance de se instalar no Brasil?

ED: Tinha. E se não tomarmos cuidado, ainda tem. Sabe por que o Lula ainda está no Palácio do Planalto? Porque ele mudou seu discurso, guinou-o à direita. Imagine se o Lula de 2002 fosse o de 1989? Já tinha sido apeado de Brasília.

7: O senhor está dizendo que o exército teria tomado o poder?

ED: Não precisaria nem ser o exército. As elites econômicas teriam patrocinado a mudança. Tenho plena convicção disto. Assim como o exército foi o esteio da revolução de 1964, seria novamente agora. Entretanto, quem realmente patrocinou a revolução, que vocês da mídia adoram chamar de golpe militar, foram empresários e a elite intelectual, inclusive o Estadão, a Folha, a Globo, que agora ficam se fazendo de inocentes e defensores das liberdades constitucionais.

7: Mas não houve excessos no período chamado de "Anos de Chumbo"?
ED: Que excessos? Na Argentina morreram centenas de militantes de esquerda, jogavam de avião. No Chile outras centenas, dentro do Estádio Nacional. Teve morte no Perú, no Uruguai. Aqui dois se suicidam nos porões e a culpa é do exército? Este país sempre viveu na baderna, desde os tempos de República Velha. A revolução deu unidade federal ao Brasil e defendeu os interesses do país dos comunistas soviéticos, que queriam nos transformar em uma outra Cuba.

7: Mas o jornalista Vladimir Herzog e o sindicalista Manuel Fiel Filho foram assassinados... (Erasmo Dias me interrompe irritado)

ED: Isso é você que está dizendo!

7: Mesmo o legista Harry Shimada já teria confirmado os laudos forjados... (Erasmo Dias me interrompe novamente)

ED: Você só vai ficar falando do período da revolução? Fui deputado federal, deputado estadual, vereador, tive muitos projetos aprovados que beneficiavam a população, e você vai ficar fazendo o papel de escrivão da mídia comunista?

7: Não, só queria ouvir sua versão sobre os fatos...
ED: Mas os fatos já foram contados e recontados incessantemente. Vocês jornalistas só querem saber de acusar o exército e a revolução pelas mazelas cujos verdadeiros culpados são os políticos. Antes a junta tivesse fechado o Congresso antes!

7: Mas uma atitude destas não iria contra os parâmetros iniciais da revolução, como o senhor a chama, de ser um - vou repetir sua afirmação - esteio do movimento?

ED: Não necessariamente. A ideia nunca foi fechar Congresso. Esperava-se, no comando da junta, que seria um período de transição, de libertar o Brasil do pesadelo comunista, das garras da União Soviética. Os vermelhos queriam que o Brasil ficasse sob sua influência, uma nova Cuba. O que ocorreu é que o Congresso, preocupado apenas com suas liberdades e não se importando com o risco do comunismo, não deu sustentação aos militares, para que estes pudessem devolver o comando político aos civis. A sob o grave risco de baderna e até de guerrilhas, o comando militar acreditou que manteria a ordem se permanecesse no poder. E foi o que ocorreu.

7: Mas e os casos de tortura, do RioCentro, Herzog, AI-5?

ED: Foram atitudes tomadas pelo bem do Brasil. Não havia outra forma de defender o país. Havia um risco sério do comunismo tomar o poder e entregar nossas riquezas aos bolcheviques.

7: O senhor está dizendo que havia provas, que a junta militar tinha informações de que comunistas tomariam o poder?

ED: Claro que havia. Era um risco inerente ao período, estávamos no auge da Guerra Fria. Os EUA e a URSS brigavam dedo a dedo por corações e mentes dos países que tivessem alguma riqueza ou posição estratégica. Então é claro que, sendo o Brasil exportador de aço, alimentos, matéria-prima em geral e estando numa posição de liderança na América do Sul, sua importância era enorme. E havia no Brasil muitos comunistas que tinham contatos com a União Soviética, através de Cuba e até da China.

7: O senhor poderia dizer quais eram estas provas?

ED: Não.

7: Mas seria de grande importância saber sobre este período. Temos muita litaratura sobre o golpe...

ED: Não foi golpe, foi revolução!

7: ... sobre a revolução, mas são trabalhos de historiadores respeitados, que nem sempre chega à mídia popular, pouca gente conhece...

ED: E não serei eu que vai abrir o bico. É tudo secreto. Está tudo arquivado em Brasília. Você não vai tirar estas informações de mim. Elas são de vital importância estratégica para o país. Um dia, quando estes arquivos forem abertos, não estarei mais aqui para ver. Já estarei descansando, pois trabalhei muito pelo Brasil. Tenho a consciência tranquila.

Rodrigo De Giuli

16 de janeiro de 2010

UMUNDUNU - O JORNAL

Em uma Nova York que ainda ostenta as torres gêmeas solenes e intactas, as câmeras remetem ao cotidiano do The Sun. É a corrida frenética dos jornalistas em busca do furo de reportagem diário.

O filme se concentra no assassinato de dois homens brancos cujos cadáveres são encontrados em um automóvel abandonado na periferia da cidade. Dois rapazes negros que passam pelo local são vistos próximos ao carro por uma testemunha e apontados como os principais suspeitos. Começa então a caçada policial que acaba por prender a dupla sem provas suficientes e sem quaisquer antecedentes criminais.

Na redação do Sun, em meio à efervescente guerra de egos e as questiúnculas subjetivas, cada um busca fazer sua parte para encontrar a manchete apropriada, um título para a primeira página da manhã seguinte. Faltam, todavia, as fotos dos acusados e as declarações de um representante policial para sustentar a sugestão aprovada na reunião de pauta. “Foram Agarrados” – e logo abaixo as faces suspeitas.

Henry Hackett, protagonizado por Michael Keaton, jornalista, vive o dilema entre a insegurança de sua esposa, prestes a dar à luz ao primeiro filho, e a perspectiva de mudar de emprego. Ele está agendado com o editor chefe do concorrente de maior expressão, uma porta para dobrar seu salário. Durante a entrevista, porém, percebe que aquele que talvez seja seu novo chefe possui uma versão confiável para o caso dos assassinatos e, sorrateiramente, surrupia-lhe as anotações pessoais. Ali encontra nomes e indicações de fatos que, além de demonstrarem a verdadeira motivação do crime, definitivamente inocentariam os suspeitos presos.

Após a devida checagem, convencido que pode mudar o rumo das investigações, volta então ao Sun para pleitear a mudança da manchete para “Não Foram Eles” e sugere o uso das mesmas fotos, pois a edição já está fechada e as máquinas estão no ponto para rodar os primeiros exemplares. A editora chefe reluta em manter as coisas como estão e descarta a possibilidade.

Convicto e, sobretudo alicerçado na informação de um policial, sua fonte de credibilidade irretocável, o repórter luta feroz e impetuosamente, não somente para a publicação de seu furo de reportagem, como também pela preservação moral daqueles cidadãos.

A trama se desenvolve em torno do impasse ético. Soltar a manchete aprovada em pauta para atender a urgência cronológica a serviço do interesse comercial; ou, como pretende nosso protagonista, travar as máquinas, brigar, sangrar literalmente, “fazer parar o tempo” visando a integridade profissional e a observação dos direitos do cidadão.

A trama remete à São Paulo, março de 1.994 e o caso escola Base, cujos proprietários e colaboradores, acusados de pedofilia, tiveram suas vidas devastadas, não só pela polícia, como também por grande parte da mídia e, mesmo depois de provada judicialmente a inconsistência das acusações e da retratação dos veículos de comunicação, jamais recuperaram suas perdas morais e materiais.

Hoje em dia a internet resolve esse tipo de questão?

Claudio Zumckeller

15 de janeiro de 2010

REALPOLITIK - QUER PAGAR QUANTO? QUER PAGAR QUANTO?


É só até amanhã, pessoal. Pode vir que preço assim não tem igual!

Pode até parecer comercial de alguma loja de varejo, mas infelizmente não é. Essa é a realidade de um dos principais cursos de formação profissional do país. A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), do dia 18/06/2009, em banir a necessidade do diploma de jornalismo para o exercício da profissão, fez com que surgissem inúmeras dúvidas nas cabeças de quem já era formado, nos estudantes e nos que já escreviam mesmo não sendo jornalistas formados. A partir de agora qualquer pessoa é um jornalista? Basta saber escrever e eu posso ser um jornalista?

Antes de tudo, lembremos que as maiores revoluções jornalísticas não foram feitas por jornalistas. Vide a saudosa revista Realidade. Apesar da não necessidade diploma, as grandes empresas continuam exigindo que seus funcionários obtenham formação superior. Com raras exceções, afinal existem bons médicos escrevendo para revistas de medicina, engenheiros, veterinários, arquitetos, todos escrevendo artigos para meios de comunicação de suas respectivas áreas. Apesar disso, todos são auxiliados por jornalistas, seja na redação, na edição ou diagramação da matéria. Então, sem chorumelas.

Precisamos nos esforçar mais. Já fomos considerados o quarto poder - os outros três são o Executivo, o Legislativo e o Judiciário -, onde nos perdemos?
Agora o Ministério do trabalho liberou registro de jornalista para qualquer cidadão. Serão chamados de Jornalista/Decisão STF. Tudo bem, mas o caso não é este.

Sempre em meio às crises e complicações surgem pessoas querendo se aproveitar da situação. Em todos os meios existem os bons e maus profissionais e no jornalismo não haveria de ser diferente. Vasculhando pela internet duas coisas nos chamam a atenção, o primeiro é um anúncio no site de relacionamentos ORKUT, o anúncio dizia “SEJA UM JORNALISTA ONLINE – Curso 100% prático online por apenas R$40,00. Receba o seu certificado em casa.” R$40,00 por um diploma, por uma faculdade, por um curso de jornalismo. O segundo é ainda pior, um grupo que se denomina Sindicato Nacional dos Jornalistas Profissionais Liberais (http://www.sinaj.org.br/), com sede na cidade de Carapicuíba, grande São Paulo, oferece gratuitamente, ou quase, um curso para jornalistas, basta se filiar ao sindicato. Pagando uma taxa inicial de R$76,00 e uma mensalidade de R$26,00, você teria direito há inúmeros benefícios e ainda ganharia o curso de jornalismo inteiramente grátis.
Um jornalista em 30 dias. Jornalista não. Apenas um diploma... Oportunismo barato.

Segundo Alcimir Carmo, diretor do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de São Paulo essas pessoas não passam de aproveitadores, estão ganhando dinheiro à custa de pessoas mal informadas. Ainda diz que infelizmente estão se utilizando de uma confusão criada pelo SFT e que não foi muito bem esclarecida à população.

Então, camaradas. Lembrem-se: tornar-se jornalista é fácil e rápido. Ser jornalista é outro papo.

Renato Souza
e Felipe Payão

14 de janeiro de 2010

UMUNDUNU - OS CABEÇAS DE TURCO

Creio que daqui a cinquenta anos, quando, talvez, eu não exista mais, CONTINUANDO, PORÉM A EXISTIR O PALESTRA - O PALESTRA CONTINUA, como diz o De Martino, o vezo que toma os palestrinos a cada derrota do seu quadro, também continuará, sem esperanças de desaparecer. É este, sem dúvida alguma, um vezo que nasceu com o Palestra e, logicamente, só poderia morrer com o Palestra, mas, o Palestra... Não morrerá.

Na hora da despedida, o palestrino - triste e cabisbaixo, ou então, muito zangado - limita-se a critica. Não sabe fazer outra coisa. Critica em primeiro lugar, a diretoria; critica, depois, os jogadores, critica o campo, os juízes, a entidade diretora, tudo. Por fim, na ânsia desastrada de desabafar, acaba criticando a si mesmo, porque, sendo ele um sócio e um torcedor, ao mesmo tempo, criticando os palestrinos de todos os tipos, critica, logicamente, a si mesmo.

Que se há de fazer? - Nada. Moléstia sem cura.

Todos aqueles que porfiam, desde a sua fundação, nas hostes palestrinas conosco, devem estar lembrados, com certeza, de todas as crises e de todos os casos em que determinados jogadores, determinados diretores, tiveram que bancar como soe dizer-se vulgarmente, os "CABEÇAS DE TURCO". Se não se encontra um culpado, um "BODE EXPIATÓRIO", não ha sossego para o palestrino na hora da desgraça.

Eu me lembro perfeitamente de todos os jogadores palestrinos que passaram pela guilhotina da bílis concentrada do "fan" palestrino.

Quando o Palestra tornou-se um clube de peso, o jogador visado foi Ministro. No dia da derrota, a culpa recaia no Ministro, que não se interessara bastante no encontro, que matara o jogo de Caetano, que se demonstrara displicente como resultado do encontro, e o resto. Isto, o que se diz hoje de um jogador "cabeça de turco", dizia-se também naquela época de iniciação palestrina.

Depois de Ministro, foi Heitor, o Ettore, lendário dos palestrinos. [...] Cada vez que o Heitor devia jogar contra o Paulistano era aquela incrível ladainha de sempre: o homem contra os pupilos de Antônio Prado Junior, não sabia ou não queria jogar, não sabia chutar em gol, não queria ganhar o jogo.

Depois, veio a vez Romeu. A cada derrota do Palestra, lá ia no embrulho do mais espalhafatoso desabafo hepático dos palestrinos, o nome do pobre Romeu, que até as iras das Julietas palestrinas tinham que suportar com franciscana paciência.

Veio a vez de Jurandyr. E foi aquela tragédia que todos sabem.

No fim da série, está presentemente o Luisinho Mesquita. Nunca, na minha longa vida de cronista bisbilhoteiro esportivo, vi eu tanta paixão, em formas diversas, envolver um jogador como se dá com o caso do Luizinho. Nenhum jogador, no Palestra ou fora dele, teve o privilégio de açambarcar tanta defesa hiperbólica e tanta censura ilimitada, como o Luizinho. Ou o Luizinho, no gênero futebolístico, é uma personalidade inconfundível, ou se trata de um episódio de loucura coletiva.

O Luizinho pode-se orgulhar de representar na história, longa e rica, de todos os episódios mais característicos do Palestra, o maior "cabeça de turco" da sua produção futebolística.

Para mim, o fato não tem expressão individual. Cito-o apenas como exemplo. Porque estou convencido, há muito tempo, que o palestrino em geral, salvo várias louváveis exceções, tem mais queda para destruir com insultas críticas, do que construir com a sua colaboração sensata. O estádio... Inacabável... E a piscina, que o digam. Mesmo porque, destruir é mais fácil do que construir. E custa menos tempo, menos dinheiro e menos aborrecimento.

Paciência!

No entanto, não desanimemos.

Façamos com o De Martino, o velho De Martino, o eterno otimista de todos os tempos, sempre alegre e confiante que nunca, jamais desespera. A piscina virá. O Palestra continua. A piscina... Virá. O Palestra... Continua.

* texto de Vincenzo Ragognetti, jornalista, escritor e, acima de tudo fundador do Palestra Itália, publicada em maio de 1941, na Revista Vida Esportiva Paulista, muito pertinente aos dias atuais vividos pelo Palestra Itália-Palmeiras.

Enviado por Gabriel Lopes

11 de janeiro de 2010

REFLEXPRESS - SURPRESA ESPANHOLA - SINAIS DE CONTÁGIO

Surpresa espanhola – Sinais de contágio

Há muito, eu sequer percebia os carteiros. Se tivesse refletido, antes de ontem, sobre esta profissão, concluiria que ela estava extinta. Entretanto, ao atender ao toque insistente da campainha e me deparar com aquela figura silenciosa e solenemente uniformizada que, com uma caneta na mão, indicava o local onde eu devia assinar, deixando assim impressa a confirmação de recebimento, pasmei. No verso do envelope o remetente inscrito era Pedro Guítar Peralta, falecido neto do falecido El Canário de Madri, pai do também falecido Juan Melchior que, em fuga da guerra civil espanhola, atracara em Santos.

Sem muita conversa, assinei, agradeci e me tranquei curioso e perplexo.

Na noite anterior àquela tarde, sonhei que estava observando a mim mesmo enquanto dormia e, me vendo a sonhar chegava a conclusão que eu era, naquele momento, três pessoas. Um que dormia a sonhar por algumas horas, outro que desperto sonhava o tempo todo, e o terceiro que refletia sobre os dois.

Não devo neste momento concluir que possa haver alguma ligação entre esses dois fatos, seria pura especulação, o que diriam meus amigos e colaboradores em projetos científicos de curto alcance. Isso não é conhecimento, não é informação. Que utilidade prática teria tal elucubração! Esbravejariam com exaltadas jugulares.
Apressei-me então, em abrir a correspondência que dizia assim:

“Trebisonda, 28 quase 29 de fevereiro de ano incerto

Caro pupilo.

Os Mitos e as Ideologias povoam o universo cultural. A questão do processo evolutivo é complexa. Retroceder e progredir podem estar presentes em uma única e mesma atitude. O inconsciente é universal. A consciência quando anuncia, revela a multiplicidade de enunciados.

Quanto mais impresso, mais literal, menos real. As subjetividades dialogam. O outro traz, em seu íntimo, chaves para o exame do eu. Essa relação intersubjetiva objetiva-se. Os conteúdos dessa linguagem são diversos, porém há, como que um campo limitado, em que se combinam infinitas formas. As sete notas musicais e as possibilidades melódicas e harmônicas pactuam uma relação análoga.


Besos mi querido.”


Claudio Zumckeller

7 de janeiro de 2010

RETROSPECTIVA 7CA - 2009

Queridos leitores e leitoras...
Fizemos uma pequenina seleção dos textos que mais repercutiram, causaram desgosto e discórdia entre nossos seguidores.
Então, parem tudo que estão fazendo e leiam. Tem muita coisa boa aí para baixo...

EDITORIAL 7CO


A Uniban vendeu o sofá…
… E os visigodos venceram a batalha. A aluna do vestidinho rosa foi expulsa da Uniban, de acordo com a nota oficial “A educação se faz com atitude e não com complacência”, publicada nos principais jornais deste domingo (08/NOV/2009), em que a universidade teria seguido seu Regimento Interno, Regime Disciplinar, explicando os capítulos e os parágrafos, depois de uma sindicância interna.

O que a universidade não mostrou foi inteligência. Perdeu uma excelente oportunidade de debater o acontecimento e suas implicações. Deram voz aos agressores e a “vítima” (sim, entre parênteses, pois não há inocentes no caso) foi a única punida. Pois alguém acredita que os alunos envolvidos, mais de 700, segundo qualquer fonte ouvida, serão suspensos?

Ainda segundo a nota, a culpa teria sido da aluna do vestidinho rosa. Pela publicação, ela “(…) fez um percurso maior do que o habitual aumentando sua exposição e ensejando, de forma explícita, os apelos de alunos que se manifestavam em relação à sua postura (…)”. Para a universidade, “(…) no interior do toalete feminino, a aluna se negou a complementar sua vestimenta para desfazer o clima (…)”.

O que houve então foi, ainda de acordo com a nota oficial, “uma reação de defesa do ambiente escolar”, pois foi “constatado que a atitude provocativa da aluna (…) buscou chamar atenção para si por conta de gestos e modos de se expressar”.

A Uniban “reafirma seu compromisso com a responsabilidade social e a promoção dos valores que regem uma instituição de ensino superior (…)”, continua a nota, “expressando sua posição de apoio aos seus 60 mil alunos injustamente aviltados”.

Fazemos parte destes 60 mil alunos. Somos uma ínfima minoria: apenas 7. Uma pequena fração que não foi ouvida, contudo pode se expressar – agora temerosos de perder nossa matrícula pela crença na liberdade de manifestação do pensamento! – neste espaço para repudiar o que a Uniban tomou como medida, em nossa opinião, ditatorial e antidemocrática.

Não nos sentimos aviltados por um vestidinho rosa, usado sim por uma oportunista que está conseguindo exatamente o que queria, grande exposição midiática. Estamos aviltados pela falta de “jogo de cintura” e senso de oportunidade da instituição em debater o ocorrido e fazer valer o que sempre consideramos essencial no meio acadêmico: disseminação de conhecimento.

“Jogo de cintura” que faltou neste semestre com a turma de Jornalismo em outro campus da instituição, mas isso é uma outra história, não vem ao caso.

Está claro pela nota oficial da Uniban que ela escolheu trilhar o caminho fácil. Faltaram um bom assessor de marketing e um de gestão de crises na reunião em que foi decidida pela expulsão da aluna do vestidinho rosa. Valeram-se apenas do jurídico – um tiro no pé. Ou 60 mil tiros nos pés!

Veremos o quanto isso vai prejudicar a universidade nos próximos anos. Esperamos que ela aprenda com o erro e faça de outras situações futuras uma forma de aprendizado. Pelo bem dos “aviltados 60 mil alunos”.

E se nem assim houver uma mudança de ideologia, os mendigos que se cuidem!

7cismo

O ENTE DOENTE


Tocou o celular, não era hora! Eu estava dirigindo e tinha um marronzinho de olho. Um número não identificado. Estacionei e atendi:

- Alô – falei irritado. Alguns segundos de silêncio e escutei do outro lado:
- É você, meu querido! – era o tio Fausto diretamente do leito do Hospital das Clínicas.
Esse jeito de dizer “meu querido” era só dele.
- Ué, me disseram que o senhor estava em coma! Então foi um engano. Melhor assim – emendei surpreso e contente.
- Que nada! Foi só um susto e já está tudo bem comigo – Seu tom de voz passava credibilidade, ele estava mesmo bem. Que bom! Pensei.
- Quem está mal é a vida em geral, meu filho! – Ele disse convicto e iniciou o discurso: O mundo está doente. O planeta constipado arde em febre. Precisa de repouso urgente, quem sabe um exílio solitário no espaço com o que restar de fauna e flora. O homem que arranje onde morar enquanto isso, talvez outro torrão, Marte talvez. Ou, ainda, um banimento coletivo através de contínuos embarques espaciais, destino qualquer lugar – Ele parecia delirante.

Eu quis dizer algo, mas ele prosseguiu atropelando qualquer indagação.
- A humanidade precisa viajar, ser nômade galáxias afora. Feito algumas tribos que partem quando não há mais o que devastar em um local. A gente vai ter que se virar, literalmente. Municípios espaciais à maneira de Arcas de Noé, quem sabe? Porém somente os humanos, incluindo outros animais domesticados - Era impressionante o ritmo que ele imprimia à fala.
- Imagina o Lulu sem o banho e tosa semanal! Ou Heleninha sem Lulu – comentou irônico e riu.
Mas não me deu espaço para falar e continuou:
- Somente a natureza nua e crua, sem acompanhante humano qualquer, ela a sós com ela por uns tempos.
Fora daqui, vidas infames, vão cantar em outro terreiro! – ele gargalhava e não perdia o tom, parecia que tinha ensaiado o texto e mandava brasa - Você há de sorrir e dizer que estou pirado e que não vai perder tempo pensando asneira. Vai lembrar que o negócio é ganhar muito dinheiro e ser feliz. Tudo bem, vai nessa! Mas não se esqueça de apagar a luz quando sair. Leve alguns livros e, se puder, fique tranquilo.

O homem vai, com certeza, inventar outra história em outro lugar, ou em lugar algum. Imaginemos, meu filho, é preciso ao menos refletir sobre isto por agora. A possibilidade de nomear outras coisas, dominar outros seres, inventar outros mundos. Enfim, criar outro conto da carochinha, ou uma burla de melhor gosto e menor desastre. Outra metafísica, só uma, decente ao menos, já que ser e deixar ser é complexo demais. Enquanto isso, no vão da nossa ausência, Gaia há de se revitalizar. E, rejuvenescida, há de criar anticorpos resistentes a ponto de eliminar do seu organismo indesejáveis presenças. Como o corpo humano, quando inflamado e febril, rejeita e expulsa de si estranhos invasores.

- Senti que ele terminou esta frase com um longo suspiro – caiu a linha. Fiquei preocupado e liguei de volta. Só caixa postal.
À tardinha ao chegar em casa tornei a ligar e fui informado que meu tio estava em coma profundo há uma semana e com diagnóstico irreversível.
- Que porra é essa? – exclamei inconformado e desliguei.

Claudio Zumckeller


O LONGO E TURVO CAMINHO

A passarinhada já cantava quando chego ao condomínio. Não sabia que horas eram ao certo. Talvez alvorada, talvez crepúsculo, não sabia. As mazelas do álcool faziam-se presentes. A única certeza era o estranho silêncio daquela manhã-noite e o cérebro pulsando repetidamente.

- Opa, moro aqui! – Acredito que o porteiro não me reconheceu na penumbra.

O portão se abriu. Seu zelador apertava os olhos com as mãos e enxugava as lágrimas de sono. Pelo menos, acreditei que as fossem.

O corredor é largo até o elevador. As luzes no alto da parede, milimetricamente dispostas, davam aparência de um infinito vórtice. Andaria ali para todo o sempre.
Um soluço. Aperto o botão do elevador.

A espera é longa. A escadaria seria uma opção se meus pés me obedecessem. Mas cada passo parecia uma luta interna. A mente, quando turva, torna muito difícil o ato: esquerda, direita, esquerda, direita. Sempre surge o “diagonal”, e você acaba aos beijos com o assoalho.
Deve ser algum filho da puta segurando esse elevador. Não era. Havia apenas uma simpática senhorinha, de cabelos “roxos’ e roupa azul claro. Seu perfume era forte.

- Olá meu querido!
- Opa! – Falarei o menos possível. Talvez não perceba minha embriaguez e não fique constrangida. - Faz um frio hoje não? – Não consegui me segurar, sua simpática figura inflava a cabine.
- Ô se faz! Mas a culpa é do síndico - vociferou contrastando sua imagem - Obrigou o zelador a colocar ar condicionado nos elevadores, halls e corredores.

- Nós temos um zelador também?

- Por onde anda sua cabeça, menino? Faz sete anos que ele está entre nós. Pedi tanto para que ele não aceitasse colocar esse ar frio no nosso condomínio...

- Porque ele não ouviu a senhora?

- Oxalá ele ouvisse alguém. Não digo que é um mau zelador, é bom. O melhor que já tivemos. Fez o possível pela maioria de nós, mas pela minoria, que consegue pagar as contas em dia e se acha dona do prédio, fez muito pouco. Então, fazem uma mídia negativa violenta para ele.

Ficou difícil raciocinar agora. Ela falou muito. E também, estamos passando pelo 35° andar, pelo que eu saiba o prédio só tem nove. É pequenino. Deve ser algum defeito da parte eletrônica.

- Mas, e você? Gosta do zelador? – Tinha me esquecido que a velha já me dera a resposta.

- Gosto e não gosto. O prédio está bem gerenciado, nunca prosperou tanto! – A provável septuagenária abaixou a cabeça, cerrou forçosamente as pálpebras, e em tom choroso arremeteu – Pena que no meu apartamento, a água ainda chega com pouco barro. As paredes estão caindo aos pedaços. A pintura já inexiste. E os podres, dos chiques apartamentos em cima, caem aos montes em meu quarto.

Bateu-me um imenso remorso. Como se a culpa fosse minha. Todos estes anos em que moro aqui nunca prestei a devida atenção ao fato. Mas, realmente, minha culpa não é. Divido esse fardo entre o zelador e o sindico. Sindico?

- E o sindico!? Onde ele está uma hora dessas? – O cérebro pulsava cada vez mais forte.

- Ah... Meu filho. Ninguém sabe.

- Como assim?

- Ninguém sabe ninguém viu. Parece fantasma. Não conhecemos rosto, não conhecemos cheiro, não conhecemos nome. Ninguém nunca foi atrás dele. Mas ele manda e desmanda. Disso temos certeza. Acredito que seja algo maior. Alguma organização de nome: “Síndicos que Mandam nos Condomínios do Mundo”. E não devem ser muitos, pois nunca o viram.

- Parece Deus! – A brincadeira não caiu bem.

- Para com isso, menino! Isso é conversa séria. Tem alguém aí fora que dita às regras e os zeladores acatam como se pudessem perder a vida, com a negação. Mas tenho fé!

- Fé em que?

- Fé, não. Certeza! Tudo isso ha de mudar. O mundo gira rápido e as coisas estão mudando.

- Coisas? Que coisas? Seja específica, velha! – O papo me enlouquecera. Era muita informação para minha mente mutilada pelo uísque.

- Você é muito novo. Não teve a mesma vivência e não tem os mesmos olhos que tenho. A humanidade está caminhando em passos largos.

A porta se abriu. Andar número 2010. A simpática senhorinha de cabelos roxos entrou no segundo apartamento, à direita. No instante em que abriu a porta, meus olhos foram tomados pela forte luz branca. Apaguei.

Abro os olhos, o porteiro está a estapear minha face. Estou jogado por entre degraus. A baba escorria pelo canto da boca.

- O que aconteceu? – Pergunto perdido e tonto, para o porteiro.

- Não sei... Só me lembro de você ter gritado no bloco oposto ao seu:
"- Ao inferno este elevador! Vou pela lenta e certa escadaria!"

Maldita “diagonal”.

Felipe Payão


CANDIDATURA DO RIO PARA 2016 TEM OS MESMOS VÍCIOS DO PAN-2007


Legado. Palavrinha mágica muito utilizada pelos organizadores da candidatura dos Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro. Os mesmos personagens que cuidaram da candidatura e organização dos Jogos Panamericanos de 2007, chefiados por Carlos Arthur Nuzman, presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB).

Nuzman e seus asseclas do Comitê de Organização dos XX Jogos Panamericanos do Rio de Janeiro (CO-Rio) orçaram o Pan em R$ 400 milhões. Contudo, todo brasileiro minimamente informado sabe que os custos chegaram aos exorbitantes R$ 3,7 bilhões. Levando-se em consideração a relação de investimento entre os eventos (uma Olimpíada é infinitamente maior e mais cara), imagine a festa que farão com dinheiro público.

O legado do Pan, tão propalado por Nuzman e sua quadrilha, foram arenas esportivas abandonadas, a não conclusão da despoluição da Baía da Guanabara e da Lagoa Rodrigo de Freitas – uma das maiores bandeiras da candidatura do Pan e agora do Rio-2016 foram as questões ambientais –, o metrô nunca chegou à Barra da Tijuca, a Vila do Pan está em litígio, enfim, nada do que prometeram foi cumprido. Não houve nem mesmo um legado aos atletas, uma vez que os complexos esportivos estão às moscas, sem manutenção e sem que a população – que efetivamente pagou por eles – possa utilizá-los.

O país tem carências mais prementes do que estrutura esportiva. O povo carioca sofre com um sistema de saúde pública falido, com a violência e com a pobreza nas comunidades dos morros. O povo brasileiro – sim, a candidatura é do país, não só do Rio – necessita de escolas, hospitais e postos de saúde, saneamento básico, transporte público eficiente, segurança, combate à corrupção, busca por justiça social, enfim, a lista é enorme.

Rodrigo De Giuli


UMA VERDADE INCOVENIENTE


“Inconveniente, sim, sem a menor dúvida. O comportamento humano tem sido inconveniente com relação ao planeta, sua casa.” Disse um cego ao seu cão guia, diante da bilheteria do cine Colonial.
A garoa caía fria sobre a paulicéia de agosto. Abrigado pela velha marquise, o pequeno grupo de cinéfilos move-se calmamente. Alguns fumam, outros conversam ou falam ao celular. Distraída com a pipoca, a menina olha os cartazes, enquanto seu par, entusiasmadamente, relata.

- Há oito anos, o Al Gore, como um arauto do apocalipse, segue em peregrinação por centenas de cidades do mundo. O documentário que apresenta algumas de suas palestras revela um expositor maduro. O cenário é tecnicamente perfeito. A trama de “Uma verdade inconveniente”, é uma obra de arte. Um espetáculo de imagens comoventes.

O ex vice-presidente dos Estados Unidos, herdeiro milionário do tabaco, descobre que o cigarro foi a causa do câncer pulmonar de sua irmã. Desde lá, nunca mais foi o mesmo, passou a prestar atenção à saúde da Terra e percebeu que as coisas não estavam tão maravilhosas quanto ele imaginava em seus dourados anos estudantis, quando, perplexo, ouvia as palestras de seu professor de biologia.

Possuído então por um profundo amor ao semelhante, ele sai para pregar aos homens sem consciência ecológica, o novo evangelho ambiental. Os gráficos precisos e os depoimentos embasados no rigor das ciências exatas, aliados à sua figura messiânica e despojada, rendem ao discurso, o eco precioso da preocupação juvenil, as rugas severas de intelectuais e um solene prêmio Nobel da paz. Tudo pelo verdadeiro. Quem sabe, não estaria aí a idéia para conteúdo de uma novela global. “Rumo ao Vinagre”, de Miguel Falabella, talvez? Não! Nada a ver, pouco importam o título e o autor, vale pelo tema... É vale sim. “Totalmente meio ambiente” em mini-série, já pensou...

Ascendem-se as luzes, é quase meia noite. Intrigada, ela questiona.

- Então quer dizer que o Tsunami, o Katrina, o derretimento das calotas polares, o desmatamento desenfreado da terra, tudo isso e muito mais, tem culpados?
- Sim, minha cara, mas os responsáveis, uma vez identificados, serão punidos com o rigor da lei.
- É triste, muito triste isso.
- Sim, é. E como!
- Mas o quê fazer meu amor?
- Sei lá, respeitar cotidianamente tudo o que se move, por exemplo, estou de pau duro

- Nossa!! Tudo o que se move?

E assim, inconformados, Lílian e Anderson, deixam a sala de projeção e partem resolutos para cenas de sexo explícito no parque do Ibirapuera. Uma atitude realmente transformadora do cotidiano, não fossem o seqüestro relâmpago, a garoa na bunda e um processo por atentado ao pudor.

Claudio Zumckeller


UM REFLEXPRESS DIFERENTE...

Nossas seções - exceto essa - contam com textos que obrigam o leitor a pensar, analisar a rotina e as situações do cotidiano. Mas, que me perdoe meu caro colega De Giuli, que tal uma “nivelada pra baixo”?

As pérolas a seguir são transcrições reais. Não foram inventadas, por incrível que pareça...

"Chegarei de surpresa, dia 15, às duas da tarde, vôo 619 da VARIG."
Mengálvio, ex-ponta do Santos, em telegrama à família quando em excursão à Europa

"Tanto na minha vida futebolística quanto com a minha vida ser humana."
Nunes, ex-atacante do Flamengo, antes do jogo de despedida do Zico, relatando a importância do Galinho em "suas vidas"

"As pessoas querem que o Brasil vença e ganhe."
Dunga, treinador da Seleção, em entrevista ao programa Terceiro Tempo, da Band.
Será que ele quis dizer "convença"? Nãããão... É o Dunga! Pra quê jogar bonito? Os três pontos já são suficientes para ele

"O novo apelido do Aloísio é CB, Sangue Bom."
Souza, atualmente no Grêmio, em uma entrevista, na época que vestia a camisa do tricolor paulista

"A partir de agora o meu coração só tem uma cor: vermelho e preto."
Fabão, atualmente no Santos, quando foi apresentado no Flamengo, em 1997

"A bola ia indo, indo, indo... e iu!"
Nunes, goleador do Flamengo na década de 80

"Tenho o maior orgulho de jogar na terra onde Cristo nasceu."
Claudiomiro, ex-meia do Inter de Porto Alegre, ao chegar a Belém, do Pará, para disputar uma partida contra o Paysandu, pelo Brasileirão de 72

"Nem se eu tivesse dois pulmões eu alcançava essa bola."
Bradock, amigo de Romário, reclamando de um passe longo

"No México que é bom. Lá a gente recebe semanalmente de 15 em 15 dias."
Ferreira, ex-ponta esquerda do Santos

"Na Bahia é todo mundo muito simpático. É um povo muito hospitalar..."
Zanata, ex-lateral do Fluminense, ao comentar sobre a hospitalidade do povo baiano

"Não há outra, temos mesmo de jogar com esta..."
Reinaldo, ex-atacante do Atlético-MG, ao responder se ia jogar com a chuva

SÉRIE JARDEL

"Que interessante, aqui no Japão só tem carro importado!"
Dias antes da decisão do Mundial de Clubes de 1995, entre Grêmio e Ajax, da Holanda

"Eu, o Paulo Nunes e o Dinho vamos fazer uma dupla sertaneja."

"Eu peguei a bola no meio de campo e fui fondo, fui fondo, fui fondo e chutei pro gol."
Explicando, com riqueza de detalhes, o gol que havia marcado quando atuava pelo Vasco

"Quando o jogo está a mil, minha naftalina sobe."

"...e o Paulo Sérgio teve a oportunidade de se isolar sozinho e fez gol!"

"Clássico é clássico e vice-versa!"
Clássica...

SÉRIE VICENTE MATHEUS

Jogador tem que ser completo como o pato, que é um bicho aquático e gramático! O difícil, como vocês sabem, não é fácil...
Pois é...

"Haja o que hajar, o Corinthians vai ser campeão!"
E ninguém disconcorda!

"O Sócrates é invendável, inegociável e imprestável!"
Ao recusar a oferta dos franceses do Paris Saint-Germain

SÉRIE LUSITANA

"O meu clube estava à beira do precipício, mas tomou a decisão correta: deu um passo a frente!"
João Pinto, ex-atacante do Benfica, de Portugal

"...até ao intervalo, fizemos um bom primeiro tempo..."
Carlos Brito, antigo treinador do Rio Ave, de Portugal

"Nós somos humanos como as pessoas."
Nuno Gomes, jogador do Benfica

"Na Nigéria, há doenças muito perigosas como o tifo e a Malásia!"
Vale e Azevedo, antigo presidente do Benfica

"A seleção não jogou bem nem mal, antes pelo contrário..."
Profunda análise de Gabriel Alves, comentarista esportivo

"Juskowiak tem a vantagem de ter duas pernas!"
Mais um comentário de Alves, comentando a "sorte" do centroavante polonês
"O Benfica está em excelente forma, a jogar num 3-4-3-3"
Alves, essa formação pode???
"...neste estádio ouve-se um silêncio ensurdecedor!"
Alves novamente

Para encerrar com chave de ouro, a melhor de todas!

"Repórter: Por que vocês sempre dão as mesmas respostas?
Sócrates: Porque vocês sempre fazem as mesmas perguntas!"


Espetacular doutor! Esse é o espírito 7CISMO!!!


Gabriel Lopes



ANTICRISTO (ANTICHRIST)


"O senhor faça o favor de explicar por que fez esse filme?” - vociferou o jornalista em sua primeira pergunta.
"Não tenho que me justificar. Não preciso me desculpar por nada. Vocês são os meus convidados, não o contrário”.

Extremar a dor de uma perda até o último instante, para assim, conseguir a superação. Ou pelo menos tentar...

O novo filme de Lars von Trier, diretor de “Dogville”, “Os Idiotas”, “Dançando no Escuro”, criador do movimento Dogma 95; em partes, mudou sua temática. Inúmeros jornalistas e críticos puritanos rotularam o filme de: trash, gore, porn-gore; disseram que von Trier errou à mão, que utilizou cenas chocantes desnecessárias, que a qualidade de seus filmes está caindo vertiginosamente... Balela! Papinho de católico apostólico romano enrustido, que foi assistir ao filme com um pé atrás por causa do seu título, e além de tudo, não entendeu porra nenhuma; como o livro “O Anticristo” de Friedrich Nietzsche, o qual o diretor afirma que é seu livro de cabeceira.
No filme, o suspense e os caos reinam do início ao fim.

Sua narrativa é dividida em capítulos: “Prólogo”, “Luto”, “Dor (Caos Reina)”, “Desespero (Ginocídio)”, “Os Três Mendigos” e “Epílogo”.
A maravilhosa e absorvente fotografia foi feita por Antony Dod Mantle (Quem Quer Ser um Milionário).
Vamos à estória do filme:

As personagens não têm nome, temos apenas o homem e a mulher. O homem é interpretado por Willen Dafoe e a mulher por Charlotte Gainsbourg, atuação que lhe rendeu o prêmio de Melhor Atriz em Cannes.
Como nos filmes anteriores de Lars von Trier, a sinopse é descartável: “Após a morte de seu filho, casal se muda para um lugar isolado. Algum tempo depois, coisas muito estranhas começam a acontecer no local e a vida do casal poderá ficar ainda pior do que estava”.

Os primeiros 5 minutos são retratados de forma magistral: uma cena de sexo em preto e branco, a tão falada penetração filmada em close, a trilha sonora Lascia Ch'io Pianga, interpretada por Tuva Semmingsen, tudo isso intercalado com as imagens da morte do pequeno filho. O trecho é puro lirismo.

Depois da morte de seu filho, a mulher entra em uma depressão profunda, com ataques de angústia e ansiedade. Seu marido, psiquiatra, decide tratá-la sozinho.
Seguem assim rumo ao Éden. Isso mesmo, Éden é o nome de uma cabana, totalmente isolada da civilização, que o casal se refugia para resolver o problema.
Em uma das fábulas da bíblia, Jardim do Éden, é o local da primitiva habitação do ser humano, em meio à natureza.
Em um diálogo na cabana, a mulher diz: “a natureza é a igreja de Satã”.
Para os mais desavisados, Anticristo trata principalmente da natureza humana e nos mostra que não há moralidade nenhuma que suporte o encontro com nossos sentimentos mais primitivos.

A partir daí, o filme inteiro se passa no Éden. No alto da montanha, cercado por uma natureza intimista, com suas árvores de galhos retorcidos e muita neblina, o homem começa o seu tratamento psicanalítico sobre a mulher.
O tratamento parece surtir efeito, mas não, ela durante todo o resto do filme age com bipolaridade, seus sentimentos vão da tranquilidade ao ódio em questão de segundos.
Ela afunda na dor cada vez mais.

Num passado recente, a mulher foi à cabana com seu filho para escrever uma tese sobre ginocídio – maltratos e assassinatos de mulheres – correlacionada com a Idade Média, em que milhares de mulheres foram mortas pela “santíssima igreja”.
A partir dessa informação, parece que o sobrenatural começa a agir. Mas só parece, na realidade as cenas que seguem são de pura loucura e abstracionismo da mente humana.
O homem também perde um pouco da razão, fica claro na cena que, ao ver uma raposa com as tripas expostas, a mesma se levanta e diz: “Caos reina”.

Antes “taciturno”, o caos agora se faz presente.
As cenas que os jornalistas e críticos puritanos tanto reclamaram surgem na tela. Mutilação genital, masturbação e perfuração de membros.
Cenas chocantes sim, mas não são levianas. Foram colocadas no filme além do intuito de provocar, mas sim, para mostrar que a dor da perda e a psique humana podem chegar a níveis inimagináveis.

O final levanta inúmeros questionamentos, e novamente, o sobrenatural também parece presente. Não darei mais detalhes sobre o fim, isso é com vocês.

Anticristo me fez lembrar outro filme, o clássico “O Iluminado”, protagonizado pelo sombrio Jack Nicholson. Simplesmente pelo fato que de o isolamento pode ser fatal para as faculdades mentais de algumas pessoas.

Lars von Trier fez uma obra arte. Leva certo tempo para digeri-la por completo, são inúmeras teorias sobre seu real significado.
Sobre o filme, só tenho uma certeza: não se trata da infantil briguinha de deus e o diabo.
Eles são apenas simbolismos na película.
Como se deus fosse fauna e flora, e o Anticristo nossos primitivos e “desconhecidos” sentimentos. Nossa real natureza.
Não se sinta ofendido, ok?

Felipe Payão



O BLÁBLÁBLÁ DE SEMPRE

Manhã de terça-feira, 22 de setembro. O auditório localizado na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, está lotado de representantes de países e de chefes de Estado. No púlpito, um senhor bem vestido, um pouco acima do peso, barba e cabelos grisalhos. Ele inicia um longo pronunciamento. Fala das mazelas dos países em desenvolvimento, sobre a fome e a pobreza e da necessidade de combatê-las.

Tudo muito bonito não fosse um detalhe: este senhor é Luís Inácio Lula da Silva, presidente de um destes países em desenvolvimento, ainda muito pobre e com uma multidão de famintos. O discurso de Lula é recheado de lugares comuns. Os mesmos clichês que outros presidentes já delinearam em tantos pronunciamentos. E a multidão com fome continua sem comida.
Crédito: g1.globo.com

O escritor irlandês Jonathan Swift já satirizou as vãs tentativas de resolver o problema da fome e da pobreza. Em “Modest Proposal” (Proposta modesta, 1729), Swift resume em poucas linhas o que as pessoas podem fazer para não passar fome: “(...) em Londres que uma criança nova, saudável e bem nutrida é, com a idade de um ano, um petisco bastante delicioso e salutar, seja servido ensopado, assado, grelhado ou cozido; e não tenho dúvida de que poderá ser preparada como um fricassê ou um ragu (...)”. Você entendeu corretamente. Para acabar com a fome, o pobre faminto pode comer seus filhos. Simples.

Não há sátira, no entanto, que possa medir o sofrimento de quem passa fome. O que não é permitido a um chefe de Estado que conviveu com a pobreza e tem em sua biografia experiência aversiva, ficar preso ao blábláblá de sempre. É claro que programas de combate à fome como o Bolsa Família foram um passo além da prostração alienada ou criminosa de outros presidentes. Contudo, ainda faltam outros degraus para a luta contra as mazelas da pobreza. E ficar apenas no discurso não vai ajudar a alcançá-los.

Rodrigo De Giuli


À MALANDRAGEM


Como diz José Saramago, “a humanidade está rumando cada vez mais para o grunhido”. A nossa pseudo-evolução de linguagem (vide “vc”, “naum”, “intão” e outros) está longe de chegar ao melhor que já tivemos. Essa involução pode ser notada também na música. Vamos aos fatos:

Quase todo brasileiro considera-se malandro. A malandragem está associada à vadiagem, ao jeito de se vestir, ao modo de “ganhar” a vida e à MÚSICA também.
Em outros tempos, o malandro escutava o samba de Sinhô, Donga, Noel Rosa, Ismael Silva, Wilson Batista, Adoniran Barbosa. Ou seja, o malandro era o responsável pelo mais sofisticado e inovador estilo da época: o samba, que apesar de marginalizado pela elite cabeça oca, fazia sucesso entre intelectuais e sambistas.

Cartola, que era analfabeto, abusava da genialidade nata do malandro, genialidade que só tem quem conhece a rua.
Apesar não de ter tido acesso à educação ortodoxa, Cartola compôs versos como “Todo tempo que eu viver / só me fascina você / Mangueira / Guerriei na juventude / fiz por você o que pude / Mangueira / Continuam nossas lutas / podam-se os galhos / colhem-se as frutas e outra vez se semeia / e no fim desse labor / surge outro compositor, com o mesmo sangue na veia” ou “Oh, maldito preconceito / Afasta-te no ajeito, a que nada conseguirás / Por que recebemos dos céus a benção de Jesus, que é mensagem de paz”.

Bezerra da Silva, pernambucano radicado no rio, escrevia sobre o crime, favela, maconha, polícia... Mesmo entrando em temas tão polêmicos, Bezerra teve espaço na indústria cultural e vivia no limite entre o marginal e o pop.

Décadas depois o RAP dividiu o lugar com o samba no imaginário do malandro; há dez anos, na periferia de São Paulo, o RAP (que valoriza a letra e quase sempre trata de temas sociais) era o ritmo mais ouvido entre os malandros da vila. Os Racionais MC´s foram o maior fenômeno da minha geração. Não tocavam na TV nem no rádio, além de não contarem com o aporte de uma grande gravadora.
Mesmo assim todo malandro sabia cantar “Um dia um PM negro veio embaçar / E disse pra eu me pôr no meu lugar / Eu vejo um mano nessas condições: não dá / Será assim que eu deveria estar? / Irmão, o demônio fode tudo ao seu redor / Pelo rádio, jornal, revista e outdoor / Te oferece dinheiro, conversa com calma / Contamina seu caráter, rouba sua alma / Depois te joga na merda sozinho / Transforma um preto tipo A num neguinho”.

Hoje, infelizmente, o funk carioca é o ritmo do momento. O mané, que se diz malandro, anda com um celular pendurado no pescoço no último volume tocando “proibidão”.
E eu, várias vezes depois de um dia infernal, ao me sentar no banco do coletivo cheio, e tentar, mesmo com sono, ler os versos de um livro do Edgar Allan Poe, tenho que ouvir Mc G3 cantando “Nos três cu eu meto bala”. Bom, eu nem me atrevo a comentar esse tipo de letra, vou deixar a conclusão com vocês...


“Nos três cu eu meto bala”.

“Vai ve, vai vermelha, vai ve, vai vermelha, vai ve, vai vermelha,
canta pá comigo,
nos 3 cu eu meto bala, vaaaiiii!
Meto bala, meto bala,
mais nos 3 cu eu meto bala, vaaiii!
Vem viado,
nos 3 cu eu meto bala
vem Duda do bordel,
tu é nóis em,
mais nos 3 cu eu meto bala, vaaaiii!
ó, e o sea artilharia
que fortaleceu de fato
nosso bonde, é bolado
nóis já voltamos pro sapo
vou te dar-lhe um papo reto
pois se liga ai então
favela da nova holanda, e o parque união
esse bonde, é bolado
esse bonde, é guerreiro
eu sou da cidade alta sou do bonde do...
mais vou te dar um pao reto
nosso bonde sempre a bala
quero ouvir vocês cantar, nos 3 cu eu meto bala
então!!
nos 3 cu meto bala, vaaiii!!!
"meto bala"isso
mais nos 3 cu eu meto bala vaaaiii!!!!!”


Thiago Menezes


OS NOMES "ESTRANHOS" DO FUTEBOL


O nosso futebol segue nos brindando com lances maravilhosos, jogadas incríveis, gols que nem mesmo quem os faz consegue explicar. A cada dia um novo craque surge em algum gramado verde, ou nem tão verde assim, como os terrões que lutam para não serem esquecidos.

Mas disso tudo mundo já sabe. Meu foco continua sendo a irreverência, espiritualidade e criatividade dos pais de nossos jogadores na hora do registro. Depois de um passeio pelos times da divisão maior de nosso futebol desci até a série B para mais uma pesquisa dos Nomes Mais Estranhos do Futebol Brasileiro.

Nesta nova lista foram encontrados nomes até semelhantes com os da divisão de elite, mas a criatividade de pais e mães segue em alta.

Destaque para nomes como: Rádson e Alysson, da surpresa Atlético de Goiás, Dannyu, do já campeão brasileiro Guarani, Dieyson, do recém rebaixado Figueirense.
Vogais invertidas como as de Moacri, do Brasiliense. Curiosos Rychely, Ben-Hur e Bonieck, de Bahia, ABC e Ipatinga, respectivamente.

Rone Silis, Lessandro, Derivaldo, Ivanaldo, Esley, Franklin Willian, Lindembergh Francisco, Philippe Coutinho e Thompson José, são apenas mais alguns exemplos.

Bom, a lista segue logo abaixo. Tirem vocês suas conclusões, mas como já dito outrora, divirtam-se, não usem como inspiração! Seus filhos agradecem.

Vasco
Vilson Xavier de Menezes Júnior
Erinaldo Santos Rabelo
Philippe Coutinho Correia
Willen Mota Inácio

Atlético-Go
Rádson da Silva Ferreira
Francismar Carioca de Oliveira
Claussio dos Santos Dimas
Anaílson Brito Noleto
Alysson Ramos da Silva

Guarani
Gisiel Rezende Agostinho
Itaqui: Odacir Pereira da Silva
Dão: Dannyu Francisco dos Santos

Ceará
Lopes: Astolpho Junio Lopes
Erivelton Gomes Viana
Wescley Pina Gonçalves
Rone Silis Dias
Esley Leite do Nascimento
Misael Silva Jansen

São Caetano
Lindembergh Francisco da Silva
Advaldo de Oliveira Silva
Marinho: Mairon César Reis
Careca: Leomir Silva Teles

Portuguesa
Muriel Gustavo Becker
Jaime: Jaimerson da Silva Papa
Ediglê Quaresma Farias
Heron Gustavo Souza da Silva
Acleisson Scaion

Figueirense
Enderson Norgentern de Oliveira
Dieyson Luan Lucena
Franklin Willian Vicente
Jeovânio Rocha do Nascimento
Maicon Talhetti
Halleson Tiago Barbosa Honorato

Bragantino
Sérvulo Barbosa Bessa

Brasiliense
Osmair Gonzaga de Santana
Ailson Alves Carreiro
Moacri Alves Feitosa Neto
Erivaldo Rocha dos Anjos
Allann Delon dos Santos Dantas
Iranildo Hermínio Ferreira
Abuda: Adailson Pereira Coelho

Bahia
Waldson Simões Viana
Evaldo Silva dos Santos
Marcone Cena Cerqueira
Eraldo Anício Gomes
Rychely Cantanhede de Oliveira
Nádson Rodrigues de Souza
Jael Ferreira Vieira

Ipatinga
Radamésio Gonçalves Lima
Raulen Luiz de Araújo
Eber Lúcio Miguel
Francismar Carioca de Oliveira
Tallys Machado de Oliveira
Joabe Batista Pereira
Bonieck Gonçalves da Fonseca
Müller Brenner Pereira Lima

Paraná
Aderaldo Ferreira André
Dedimar Souza Lima
Dirley Francisco Martins
Adoniran Vinicius de Campos
Peterson Duarte Diniz

América – RN
Weverton Pereira da Silva
Adson Alexandre dos Santos
Glaydson de Almeida Simões
Thoni Jarbas Santos de Amorim
Geriel dos Santos Pereira
Souza: José Ivanaldo de Souza
Berg: Francisco Laudemberg Bezerra Filho
Rinaldo Santana dos Santos
Alisson Ricardo Faramilio
Max Brendon Pinheiro

Juventude
Jailson Marcelino dos Santos
Rogélio dos Santos Silva
Cicinho: Neuciano Gusmão
Mineiro: Huenes Marcelo Lemos
Leyrielton Moura de Morais
Walker Américo Fronio
Allyson Araújo dos Santos
Edenilso Bergonsi
Peter de Almeida
Jandson dos Santos

Vila Nova
Weverton Vilela Nascimento
Maxlei dos Santos Luzia
Weverson Patrik Rodrigues de Oliveira
Aelson Rodrigues
Alisson Guerra Reis Calçado
Kenedy Silva Reis
Pachola: Domires Júnior de Azevedo Elias Gomes
Kayke Moreno de Andrade Rodrigues

Duque de Caxias
Petrony Santiago Barros
Oziel França da Silva
Silva: Weliander Silva Nascimento
Mancuso: Gisley Pereira Farah
Givaldo de Oliveira Britto de Jesus
John César Gewehr
Gilcimar Alves Caetano
Valdanes Pinheiro da Costa
Marlon da Silva de Moura

Fortaleza
Everaldo Batista
Diguinho: Jesivaldo Germano de Freitas Alburquerque
Gilmak Queiroz da Silva
Dedé: Derivaldo Bezerra Cavalcante
Kiko: Cleverson dos Santos Oliveira
Marllon dos Santos Pereira

ABC
Raniere Silva dos Santos
Roosevelt Delano de Menezes Alves
Gedeon Conceição dos Santos
Ben-Hur Moreira Peres

Campinense
Piauí: Édson Décimo Alves de Araújo
Aderlan de Lima Silva
Thompson José de Carvalho Veras
Buick: Edio Jacinto da Silva
Baiano: Joceano da Silva Santos
Lessandro Façanha Barreto
China: Erinaldo Matos dos Santos
Raiff Cordeiro Lucena

Renato de Souza



O BRAZIL FORA DO BRASIL


Se você for para algum país aprender a língua inglesa, cuidado com os brasileiros.
Eles falam que são eles que te ajudam sempre que você precisa. Eu sei que fazer amizade com brasileiros é sempre mais fácil, mas na verdade, qualquer amigo independente da nacionalidade, se realmente for seu amigo, irá te ajudar. A diferença é que brasileiros são metidos a camarada. Isso pode não ser bom dependendo de seus reais objetivos.

Meu objetivo: Ficar na Irlanda até terminar o curso de inglês e receber o certificado do Cambridge, aproveitar que estou em um país diferente para vivenciar a cultura e a língua, usar a oportunidade que tenho para montar meu portfólio e ganhar mais experiência como fotógrafo. Voltar para o Brasil sem nunca mais perder uma oportunidade de emprego por não ser fluente em inglês.

Pelo que vejo, mais de 90% dos brasileiros não estão na Irlanda para aprender inglês. Isso é usado como pretexto por muitos para permanecer legalmente em um país que paga um mínimo de €8,30 por hora. Sinceramente, a maioria não esta nem aí em aprender inglês. A maioria se isola em comunidades brasileiras, fazendo o velho arroz com feijão em casa, assistindo Gugu, Faustão, novelas, além das rádios brasileiras que acompanham pela internet. Ou seja, transformam tudo que podem em "Brasil", morando apenas com brasileiros que, normalmente, se recusam a praticar inglês e vão para escola o mínimo possível para que não percam o visto. Isso tudo resulta em inúmeros brasileiros que estão há mais de um ano na Irlanda falando um inglês precário. O único interesse destes está no salário que recebem semanalmente em subempregos.

Obviamente, eles não vão poder ficar na Irlanda para sempre. Renovam o visto por 3 ou 4 anos consecutivos, mas uma hora o visto será negado. Se não se casarem com um (a) Europeu (ia) de algum país membro da União Européia, ou se não ficarem ilegais na Irlanda, eles terão que voltar para o Brasil com o dinheiro que sobrou das viagens pela Europa e produtos de marca. O que fazem a partir de então? Viram professores de inglês de uma escola fundo de quintal, que paga uma miséria e que aceita o precário inglês do professor que "morou fora"?

O dinheiro que foi juntado uma hora acaba. Boa parte foi deixada na imigração com o pagamento do imposto. A tendência deles é continuar suas vidas a partir de onde pararam quando saíram para viajar. Ganharam vivência, experiências, lembranças, mas não trouxeram de volta algo que seja válido para continuar a vida em um país em que não é possível sobreviver confortavelmente como faxineiro, fazendo lanches em fast-food, entregador de jornal ou de pizza. É isso que esta acontecendo com boa parte dos brasileiros que conheci na Irlanda e que foram obrigados a voltar para o Brasil. Até tentam empregos que exigem a fluência da língua, mas não chegam a passar na prova.

Ainda existem brasileiros frustrados iguais a mim. Que nunca foram nas festas brasileiras que acontecem todo final de semana, que nunca entraram nas lojinhas de comida típica brasileira e que tenta convencer os amigos brasileiros a usar o inglês para praticar e vivenciar a língua. Somos chatos, nos recusamos a andar apenas com brasileiros, só lemos sites de noticias brasileiras que falem sobre o Brasil. Temos jornais na Irlanda, para saber o que acontece no mundo a fora e na própria Irlanda. E somos diferentes porque estamos informados acompanhando o que a imprensa fala. Até mesmo sabemos quem é o Presidente e o Taoiseach do país. Tudo isso, para aproveitar ao máximo o dinheiro e esforço gasto para sair do Brasil, para naturalmente pensar em inglês e sonhar em inglês todas as noites, para realmente se sentir em outro país e inserido em outra cultura. Oportunidade que nunca haverá no Brasil, onde existirá Gugu, Faustão, novelas, rádios, festas e onde poderemos usar o português para o resto de nossas vidas.

Se você for a algum país para realmente aprender inglês e voltar para o Brasil com a expectativa de conseguir mais oportunidades, não deixe de ter amigos brasileiros, mas não se isole no mini-Brasil das comunidades brasileiras. Aproveite o momento para realmente conhecer o país em que você se encontra e aproveite para fazer amizades com estrangeiros. Eu garanto que sua experiência será muito mais enriquecedora desta maneira. Isso não é negar a raça, não é deixar de ser brasileiro, mas sim ser um brasileiro mais rico em aprendizado, experiências e oportunidades duradouras.

Portfólio: http://marciofs.daportfolio.com

Marcio Faustino - Correspondente da Irlanda



DUAS OPINIÕES SOBRE A LEI ANTIFUMO



Entrou em vigor em São Paulo a Lei Antifumo (Lei Nº 13.541, de 7 de Maio de 2009.)

Se existisse diploma de fumante, com certeza teria um pendurado em minha parede.
Amigos do tabaco, não sintam vergonha por causa dessa lei. Discriminados, tudo bem.
Analisemos os fatos com cuidado, sem stress, podem até acender o seu cigarro.

O governador Nosferatu Serra sancionou uma lei um pouco segregadora, agora temos que sair dos bares, vou resumir, temos que sair de qualquer ambiente público ou privado que tenha grande concentração de pessoas, para dar o nosso “pito”.
O pilar dessa lei maniqueísta circunda, obviamente, a saúde. Concordo que a fumaça do cigarro incomoda, realmente, não é nenhum prazer ficar rodeado e exalando o peculiar cheiro; além de conter as tais 4.000 (blah, blah, blah, blah) substâncias tóxicas que vão parar no pulmão alheio. Então, como resolver esse problema? Resolver não, já foi resolvido. Mas, qual seria a alternativa?

Nunca, jamais, em hipótese alguma, terminar, perfazer, dar cabo, encerrar, findar, acabar com os fumódromos.
Mas sim, regulamentá-los! Não deixar como a maioria dos restaurantes faz – faziam – colocando um aviso na parte interior direita do mesmo: FUMANTES, e um na parte esquerda: NÃO FUMANTES. É óbvio que isso não ajuda em porra nenhuma. A fumaça se propaga.

Voltando... Regulamentação:
Seria perfeito um espaço aberto que a fumaça tenha uma saída, logicamente, para cima! Um encontro com Papai do Céu! Ou mesmo em locais fechados, com algumas paredes para separar e alguns dissipadores de fumaça.
Pronto, resolvido. Em poucas linhas é possível solucionar problema. Ou melhor, duas palavras: Fumódromo regulamentado.

Pena que já fomos castrados. Agora, os fumantes são os novos doentes da sociedade. Sorte nossa ter estourado essa “epidemia” da H1N1. Muda um pouco o foco.
São tantos imbróglios, confusões e mixórdias que ocorrem na política... Fico até com desânimo.
Ultimamente não sei quem me fode mais, o governo ou o cigarro.

Felipe Payão


Entrou em vigor em São Paulo a Lei Antifumo (Lei Nº 13.541, de 7 de Maio de 2009.)

Avise aquele seu chefe mais desavisado que agora estão proibidas “fumadas” em ambientes públicos e fechados; o escritório por exemplo. De hoje em diante as famosas “encardadas” só serão aceitas ao ar livre e de preferência sem alguém por perto, até para evitar ser motivo de chacota no barzinho de sexta.

Avise também seu professor metido a ditador, autoritário ao extremo, mas que em casa quem manda é a mulher.
Falando sério (fala sério!), como é bom poder apontar para uma pessoa, encher os pulmões (agora só de oxigênio) e gritar, APAGUE ESSE CIGARRO, SEU FUMANTE! Caramba, quero ver alguém me xingar de alcoólatra, pelo menos eu posso beber onde eu quiser, é só não dirigir. Se bem dirijo melhor bêbado que sóbrio. Agora o fumante é visto com outros narizes.

Depois da aprovação da lei, não seria sanção? Não, estou falando da aprovação por parte da sociedade. Depois da nova lei comecei a imaginar o mundo como no livro 1984 de George Orwell. Haveria “tele-telas” instaladas em todas as partes denunciando os infratores, crianças seriam educadas nas escolas para denunciarem seus pais que fumam escondidos em um canto da sala ou da cozinha onde a fumaça poderia ser confundida com a do jantar.

Mas a melhor cena que desenhei até o momento é daquela patricinha entrando no banheiro da balada para, linda, absoluta, loira e esperta fumar seu cigarro de canela (ou cravo, que seja) e saindo toda molhada após a fumaça acionar o censor de fumaça.
A lei é valida, porém difícil de ser cumprida, me resta tirar um sarro de meus colegas fumantes enquanto saem do bar para fumar unzinho na rua.
Faça sua parte, aponte para um e grite a plenos pulmões, SAIA DAQUI, SEU FUMANTE!
Divirta-se.

Renato de Souza