23 de dezembro de 2010

7SÉRIE: DRAMAS & MELANCOLIAS

Noches de juegos
Sétimo Capítulo - Agora emergente

Há alguns dias, Antero Dias, vinha percebendo sua atenção exagerada para com o tempo. Não que lhe faltasse ou sobrasse pedaços desse ente que vez por outra o ser humano se pega refletindo a natureza. Apenas passou, de repente e cada vez mais, não só a observar cada minuto, como também a sentir ampla e minuciosamente o que se passava consigo e ao redor de si.

O tic tac do seu relógio de pulso repercutia forte em seus ouvidos diuturnamente ao ponto de ele identificar os fenômenos que se davam em cada um de seus intervalos. Ele passou a notar cada milímetro de suas unhas crescendo, cada piscar de olhos de seus colegas de trabalho, cada ruído, cada respiração, cada gesto que se dava nos campos dos seus cinco sentidos. Incrível para ele era o fato de catalogar automaticamente na memória cada um desses movimentos com a plena convicção de que se algum dia precisasse buscá-los encontraria não só os mesmos tal qual se deram como também a data exata, o local, a temperatura ambiente e os pensamentos que o contextualizaram, os odores, os sons etc...

Ele se encontrava a tal ponto ligado ao tempo que podia elencar séries de pensamentos que ia tendo minuto a minuto, acompanhados das sensações do momento e do que se dava ao redor. Ontem propositadamente saiu de casa sem o relógio e pôde perceber que esteve durante todo o dia exatamente consciente das horas. Ele sabia que quando a copeira lhe trouxera o café eram 10 horas, quinze minutos, quarenta segundos e dois décimos. Seria insuportável para qualquer ser o que para ele estava acontecendo brandamente. Era mais forte do que sua vontade, porém não havia incômodo, exceto o fato de não mais diferenciar sono e vigília. Dormindo ele prosseguia classificando os pensamentos de seus sonhos com a mesma fidedignidade.

Se acordasse durante a noite sabia já de antemão a hora exata em que estava despertando. Pela manhã em meio ao burburinho dos pássaros podia identificar quantos eram exatamente e ainda discernir cada um com seu canto. Nas ruas as gentes, seus semblantes e seus gestos iam ficando em sua mente como que quadros expostos nas paredes de um imenso pavilhão. Tudo aquilo ficava gravado e simultaneamente ia gravando tudo que de imediato abordava sua aguçada percepção. O fato de rever algum momento passado não alterava sua sensibilidade para com o momento presente. Aquele que ele passou a denominar “agora emergente” ou ainda “lucidez alucinante”.

No último sábado, com o intuito de voltar a seus antigos hábitos, já que o calor era escaldante, lembrou do chopp que há algum tempo ficara de compartilhar com seu bom e velho amigo Jorge Onofre.

Claudio Zumckeller

20 de dezembro de 2010

REALPOLITIK - LULA: O NEOLIBERAL

Após anos de crítica a política econômica de FHC, Lula segue a cartilha

A elite econômica mundial sempre deu seu jeito de dominar o mundo. No antigo império romano, eles dominavam através do poderio bélico, depois a dominação passou a ser ideológica, já que Roma cristianizou meio mundo.

Nosso atual império, os EUA, que nossos jornalistas tanto admiram, controlam econômico e politicamente o Brasil há anos. A elite financeira da maior potência bélica do mundo adotou, desde o final da segunda guerra mundial, o neoliberalismo, sistema em que, teoricamente, o empresário pode produzir e negociar sem nenhuma “ingerência governamental”.

Porém caros leitores, como era de se esperar, o verdadeiro intuito deste discurso de liberalismo econômico é o lucro sem freios, sem escrúpulos, à custa da neo-escravidão e do suor dos trabalhadores. Entretanto, a mídia e os intelectualóides, costumam afirmar que o Estado torna os serviços ineficientes, por isso, deve-se transferir a gestão para setores privados, que, por visarem somente o lucro, seriam mais eficientes. Isto tem lógica? Acredito que não, pois uma empresa privada não costuma prezar pela qualidade serviços em detrimento do lucro. Dessa maneira, os setores privatizados se tornam grandes e rentáveis caça-níqueis de multinacionais que não têm nenhum interesse no bem comum e visam somente o money.

Luiz Inácio Lula da Silva costumava inflamar a massa fazendo discursos engajados que, invariavelmente, atacavam a política econômica do governo FHC. Segundo o antigo discurso do nosso presidente, o PSDB estaria afundando o nosso país com uma política “entreguista”. Curiosamente, ou não, Lula sentou no trono e seguiu a mesma cartilha neoliberal, mas, justiça seja feita, reverteu este processo suicida de privatizações em massa que foi marca do governo tucano. Apesar disto, Lula não destoa no discurso dominante, é o presidente neoliberal do século 21.

Quem te viu, quem te vê.

Thiago Menezes

15 de dezembro de 2010

7SÉRIE: DRAMAS & MELANCOLIAS

Noches de juegos
Sexto Capítulo - Crepúsculo francês
Estrelando João Franco e Cristine Montellet


O toc-toc-toc insistente das batidas na porta do quarto e a doce voz de madame Suzane fizeram João despertar assustado. A noite anterior tinha sido tumultuada e boêmia. Em companhia de brasileiros que viviam de biscates na Paris dos anos 70, ele tinha exagerado na dose. A mente turva e a boca seca responderam.

- Sim! Diga! Oi! Quem? – Um tanto confuso buscava lembrar aonde é que estava acordando.
- Bom dia! Tem uma mulher na portaria que está a sua espera, o nome dela é Cristine. Já são 11 horas! Você dormiu bem? – ela insistiu, desta vez com uma pitada de certa irritação francesa.

Ressaca a parte, João, que sonhava com Salvador, caiu na real e despertou na França.

- Ah! Está bem, por gentileza, diga que desço em quinze minutos.

A ducha rápida, um gole de café e lá estava feliz da vida a beijar a namorada apaixonadamente diante do sorriso cúmplice do porteiro do edifício Verdi.

Olhos azuis de um azul marinho mediterrâneo, cabelos curtos e negros, Cristine atravessava as agruras de um casamento frustrado e via no jovem viajante solitário, uma garupa para cavalgar alguma aventura e escapar assim do seu tédio momentâneo. A música brasileira, sobretudo a Bossa Nova, encantava seus ouvidos de pianista. Embora ganhasse a vida como bancária, era a música seu verdadeiro dom e paixão.

- Ah! Como eu gostaria de aprender essa batida – ela dizia, marcando o compasso enquanto ouviam João Donato.
- Você me ensina? – Pedia com a boca de quem desejava muito mais que o balanço e a harmonia. Ela fazia ver que queria ser amada.

Caía uma fina e gelada garoa, o taxi parou em frente à farmácia na rua monge, ela apontou para uma pequena varanda na sobreloja e disse é aqui.

- O apartamento é da Silvie, ela viajou e deixou as chaves. Allons y, mon ami!

O pequeno Studio era aconchegante. Aquecimento central, bebidas na cristaleira, tapete marroquino e um piano de parede. Um doce odor de romantismo encantou o canto ao fundo logo que ela ascendeu duas pequenas lanternas. João sorriu, acomodou sua jaqueta no chapeleiro e disse.

- É bom estar com você.
- Tu veut du vin?

Algumas vezes Cristine, que falava um português engraçado, assumia seu francês e incendiava o corpo de João. Ele, que arrastava bem pouco a língua de Napoleão, não podendo esconder o tesão, arriscava uma fala mais sexy com seu curto e tradicional ça va.

O relógio de mesa badalava grave e sonoro quando acordaram desnudos. Sapatos misturados e espalhados entre as lingeries. Cristine vestiu a camisa de João, foi apanhar cigarros, mas não voltou, sentou-se ao piano e se pôs a dedilhar uns acordes que remedavam Garota de Ipanema.

- Pá – pa – Pará – pára- rá .... , com os olhos fechados cantarolava e sorria.

Aquela cena, como um ímã, fez com que João levantasse mansamente e fosse se acomodar ajoelhado entre ela e o piano e ali se mantivesse a passear na geografia de suas coxas.

Ainda que totalmente envolvida com a busca sonora, Cristine não pôde deixar de sentir a respiração de João muito próxima de suas coxas, mas ainda assim prosseguia arriscando o compasso. Seus joelhos se movimentavam lateralmente a buscar os pedais enquanto um cadenciado arrepio, como uma onda de ar quente lhe percorria o corpo todo e ela percebia que a música ecoava cada vez com mais balanço. Enfim, estava conseguindo a sonhada batida da bossa nova, cuja marcação, João lhe passava em seu sussurrado pá- pará- pará- pa- pará soprado virilhas a dentro.

Claudio Zumckeller

12 de dezembro de 2010

UMUNDUNU – MUDAR O MUNDO OU CALAR

Houve um tempo em que cursar uma faculdade de Jornalismo tinha uma aura de rebeldia e desejo do estudante em mudar o mundo. Essa tônica o compelia aos bancos acadêmicos das grandes universidades. Mudar o mundo.

O desejo de alterar o status quo e derrubar o establishment com uma caneta, um bloquinho e um gravador. E com os pés na lama. Com o cheiro da rua. Ajudar o indefeso. Se embebedar com a noite, observar e ouvir mais do que falar. O desejo de cair no mundo, de amparar o incauto, derrotar o poderoso corrupto, vencer pela investigação, pela curiosidade e pela obstinação em conseguir boas histórias. Contar a história e, assim, fazer a história. Enfim, mudar o mundo.
A realidade chegou e o que apareceu não foi um mundo melhor. Não do ponto de vista do curioso, fuçador de lixo, observador, obstinado ou invencível jornalista. Ao contrário, a utopia juvenil esvaiu-se com a mesma velocidade com que nasceram novos cursos de Jornalismo, com a mesma ferocidade com que o mercado engoliu o profissional na linha de produção de leads e alimentou os desejos dos donos dos veículos, de vender muito e lucrar mais ainda. Com menos. E menos, em Jornalismo, significa não fazer Jornalismo.

Redações esvaziadas, jornalistas mal pagos, sindicato ignóbil, censura judicial e até assassinatos é o que o recém formado jornalista encontrará na rua – isso quando ele tiver coragem de sair às ruas.

Até certo ponto o Jornalismo sempre teve que remar contra as adversidades do autoritarismo ditatorial, que tortura e mata os que lutam pela liberdade de expressão e por justiça social, papéis fundamentais ao bom jornalista. Assassinatos são corriqueiros desde que Johannes Gutenberg inventou a prensa de tipos móveis. Jean-Paul Marat que o diga. Se os inimigos do povo se calam diante das injustiças, o jornalista deve fazê-lo gritar. Quando o poderoso se esconde, o jornalista deve jogar luz sobre ele. Com sua caneta, bloquinho, gravador e, nos tempos atuais, com o seu laptop ou mesmo publicando em um blog na internet.

Dirão que a evolução do Jornalismo acompanhou o avanço das tecnologias. Sinal dos tempos. O mesmo jornalista que outrora sujava suas botas na lama, hoje nem sai da redação, pendurado ao telefone, fixo ou móvel, grudado numa tela de computador ou bebendo um cafezinho com o editor. Ele ainda gosta de calçar botas, mas as Timberlands compradas em várias prestações de hoje em nada lembram as velhas sete léguas.

O cheiro da rua não aparece mais no texto, as boas histórias vão morrendo com a mesma velocidade que o indefeso que deveríamos ajudar. A fala embaçada da noite se cala diante de um Jornalismo vagabundo e preguiçoso, incapaz de beber junto dela. Incapaz de se embebedar com uma realidade distópica que desejaríamos mudar. Mudar com o olhar, com o falar, com o escrever. Mudar, mudar, mudar.

Dirão que o mundo já mudou, e eu concordarei. Contudo não foram os idealistas que se formaram nas atuais escolas de Jornalismo que o fizeram. Mutatis mutandis, eles apenas repetem oficial e “oficiosamente” as declarações dos que conseguiram vencer.

Crônica de Rodrigo De Giuli, originalmente publicada no livro “JORNALISMO: O PAPEL DO CANUDO DE PAPEL” (Ed. In House, 2010)

8 de dezembro de 2010

7SÉRIE: DRAMAS & MELANCOLIAS

Noches de juegos
Quinto Capítulo - Uma palestra

Este recorte se refere à resposta de Jean Prosak, 48 anos, professor de semiologia, crítico literário, violoncelista autodidata e poeta underground, durante a palestra “Leitura da Notícia Jornalística” realizada no auditório da faculdade livre de Comunicação Social - as escolas alternativas eram comuns na ilha de Baratária. Corriam os tempos de uma recente lei que exigia diploma superior em escola reconhecida pelo Rei, para exercer o ofício do jornalismo.

Lá pelo início dos anos 70, noite de sexta feira, auditório repleto. Finalizados os testes de som, abriu-se o concorrido evento com uma breve apresentação do convidado que mal concluía a fala e já percebia o cabeludo mancebo que, bastante agitado, lhe acenava para apresentar sua pergunta.

Com um sorriso irônico diante da ansiedade do indagador, consentiu que a moçoila que colaborava com a conferência lhe entregasse o microfone.

- Pois não! - acrescentou incomodado com o “tuc- tuc” do dedo do rapaz a confirmar a qualidade sonora do microfone.

- Boa noite, professor, meu nome é Jorge Onofre, sou estudante de Filosofia, solteiro, vacinado e indignado.

Como o silêncio persistiu, tratou logo de prosseguir pretendendo demonstrar indiferença com a ausência dos desejados risos.

- Professor, o que é notícia jornalística? – Completou incorporando ares de provocador capcioso.

- Bem... Jorge, um fato, antes de se tornar notícia, é um fenômeno, solto entre infinitos outros possíveis que se dão simultaneamente no espaço. O status de fato é, já, uma qualidade que um sujeito atribuiu. Uma escolha seletiva dentre a totalidade inestimável. Quando então se torna notícia jornalística, isto é publicação, mais ainda o acontecimento está comprometido com variada sorte de subjetividades... – Nesse momento, para espantar a seca tosse que subitamente lhe avassalava a fala, dispensou o copo e apressado meteu o gargalo da garrafa goela abaixo. Dois grandes goles, uma pigarreada para limpar o gogó e após se desculpar prosseguiu.

- Se o entendimento aliado aos sentidos e à intuição, se permitir experimentar abstraidamente, afastado das interpretações do senso comum, da ciência, dos dogmas, enfim, isolado de toda e qualquer qualificação exterior...

Outra pausa fazia enxergar que algo em sua garganta o incomodava, desta feita respirou fundo, meneou levemente a cabeça e retomou o argumento, com acentuada vermelhidão nas faces.

- ...Como que recolocando o acontecido na original situação de fenômeno, estará aí aberta a possibilidade de ampliação do sentido cristalizado que a priori comportava, já que, cada acontecimento ocorrendo em tempo e espaço próprios traz, por isso, o caráter de inusitado. Portanto sua desconstrução e reexame, ainda que por abstração, permitirá enxergar-lhe possibilidades diversas.

Por exemplo: boa parte da massa humana que engrossa a população das favelas e do sistema carcerário tem sua origem, além de outros fatores, na abolição da escravatura; que por sua vez, se deu por conta de mudanças econômicas que impuseram um modo de produção em que a mão de obra escrava se tornou dispensável. O libertado desta maneira ganha com sua liberdade também o desemprego e o olho da rua. Onde passa a perambular acompanhado de sua prole.

De posse desta reflexão, notícias com títulos como: Foi abolida a escravidão, Reinado promete ampliar complexo carcerário ou Invasores tomam terras da Coroa, ganham novas perspectivas, e a releitura, um entendimento ampliado. Finalizou convencido de ter, não somente respondido satisfatoriamente a questão, como também aprofundado o tema.

Sobrancelhas elevadas, pleno de si em pretensa erudição apontou com o olhar para que passassem a palavra a outro perguntador que já se candidatava.

Apresentando certa perplexidade em sua satisfação à resposta Jorge agradeceu e, distraído, enquanto aguardava a estudante que vinha para apanhar o microfone, deixou que os amplificadores repercutissem seu curioso e sussurrado comentário.

- Ôrra meu, é foda! Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. A mesma coisa em outro tempo e espaço é outra coisa. Concluiu.

E aí sim, sentiu, com algum desapontamento, desabar imenso e inesperado temporal de risos e apupos. Entretanto pretendendo demonstrar que conservara o prumo, agradeceu com largo riso e espalhafatosos acenos que lhe renderam o imediato e inescapável olhar de reprovação de Alzirinha Pessoa, sua namorada e fiel escudeira nas madrugadas do amargo absolutismo.

Crônica de Claudio Zumckller, originalmente publicada no livro “JORNALISMO: O PAPEL DO CANUDO DE PAPEL” (Ed. In House, 2010)


Claudio Zumckeller

2 de dezembro de 2010

FUTEBIZARRICES - OS NOMES "ESTRANHOS" DO FUTEBOL BRASILEIRO 4

Neste final de semana termina o mais disputado de todos os campeonatos do mundo, o Campeonato Brasileiro. Em nenhuma outra parte do mundo temos tantos times favoritos, ou ao menos com chances de brigar pelo título. Na Espanha temos dois. Itália no máximo quatro, na Inglaterra o mesmo. Portugal são sempre três. Temos em nosso certame o incrível numero de cerca de 10 favoritos ao título, e isso todo ano.

Mas meu destaque não vai a bola que rola em nossos gramados, mas sim para os nomes escritos em algumas camisas, ou pelo menos na ficha de inscrição do campeonato.

Como de costume não coloquei apelidos, a lista seria grande demais, me ative apenas aos nomes registrados em cartório. Se a cada ano nossos craques devem ser mais criativos para se livrarem da forte marcação dos adversários, nas maternidades e cartórios do país não é diferente, tem pai com uma tremenda habilidade, ou pelo menos, uma tremenda imaginação.

Bom, a lista segue logo abaixo. Tirem vocês suas conclusões, mas como já dito outrora, divirtam-se, não usem como inspiração! Seus filhos agradecem.


Atlético-GO
Odivair Moreira dos Santos Junior - Junior
Adriel Messias Ferreira Andrade
Ayrton Luis Ganino
Welton Felipe Marques Soares
Alysson Ramos da Silva
Kenedy Silva Reis
Claussio dos Santos Dimas - Pituca
Anaílson Brito Noleto
Carlos Robston Ludgero Júnior - Robston
Júnior César Moreira da Cunha
Wender Coelho da Silva - Teco

Atlético-MG
Sheslon Lucas Lima Sant´ana
Sidimar Fernando Cigolini
Werley Ananias da Silva
Sosthenes José Santos Salles - Neto Berola
Eron Santos Lourenço
Joedson Santos Almeida
Valdisney Costa dos Santos – Diney
Wescley Gomes dos Santos

Atlético-PR
Aderbar Melo dos Santos Neto - Santos
Norberto Murara Neto - Neto
Geronimo dos Santos Oliveira
Heracles Paiva Aguiar
Everson Kubiski - Lisa
Fransérgio Rodrigues Barbosa
Alexander Pereira Cardoso - Alex Mineiro
Wallyson Ricardo Maciel Monteiro
Maikon Fernando Souza Leite - Maikon Leite
Patrick Leonardo Carneiro da Silva

Avaí
Enoque Vicente Paes
Erinaldo Santos Rabelo - Pará
Patric Cabral Lalau
Jhonny Góis
Ildemar Arigone de Oliveira
Hegon Henrique Martins de Andrade
Rudinei da Rosa
Fredson Câmara Pereira
Sávio Bortolini Pimentel
Dinélson dos Santos Lima
Natan Pereira

Botafogo
Jancarlos de Oliveira Barros
Danny Bittencourt Morais
Vinicius Coimbra Colombiano
Alexssander Medeiros de Azeredo - Alex

Ceará
Gian Lucas de Lima Ávila
Manoel Dionantan Paiva Rodrigues - Jonathan
Oziel França da Silva
Ernandes Dias Luz
Esley Leite do Nascimento
Rone Silis Dias
Misael Silva Jansen
Valdinei Eberton Borges Correia - Dinei
Maxuell Maia da Silva

Corinthians
Jucilei da Silva
Ralf de Souza Teles

Cruzeiro
Fábio Deivson Lopes Maciel
Thiers Dewey Magalhães
Elicarlos Souza Santos
Welker Marçal Almeida - Kieza
Eliandro dos Santos Gonzaga

Flamengo
Carlyle Carlos dos Santos Junior
Lenon Fernandes Ribeiro

Fluminense
Klever Rodrigo Gomes Rufino
Dalton Moreira Neto
Wagerson Ramos dos Santos
Dielton Eufrásio de Carvalho
Adeílson Pereira de Mello
Dorielton Gomes Nascimento

Grêmio
Ozéia de Paula Maciel
Uendel Pereira Gonçalves
Joílson Rodrigues Macedo
Saimon Pains Tormen
Neuton Sergio Piccoli
Willamis de Souza Silva
Mithyuê de Linhares
Maylson Barbosa Teixeira
Ferdinando Pereira Leda
Isael da Silva Barbosa
Humberlito Borges Teixeira - Borges
Bérgson Gustavo Silveira da Silva
Roberson de Arruda Alves

Grêmio Prudente
George Santos Silva
Junior Felício Marques - Ji-Paraná
Cleverson Rosário dos Santos

Goiás
Harlei de Menezes Silva
Ernando Rodrigues Lopes
Jonílson Clovis Nascimento Breves
Romero Mendonça Sobrinho - Romerito
Deyvid Franck Silva Sacconi - Deyvid Sacconi
Otacilio Mariano Neto
Johnathan Aparecido da Silva
Jenílson Ângelo de Souza - Junior

Guarani
Ailson Alves Carreiro
Aislan Paulo Lotici Back
Dermival de Almeida Lima - Baiano
Renildo Martins da Silva - Da Silva
Dannyu Francisco dos Santos - Dão
Maxsuel Rodrigo Lino
Marcelino Junior Lopes Arruda - Mazola

Internacional
Muriel Gustavo Becker
Arilton Medeiros Junior
Fabian Guedes - Bolivar
Glaydson Marcelino Freire
Alecsandro Barbosa Felisbino
Taison Barcellos Freda

Palmeiras
Eliton Deola - Deola
Gualberto Luis da Silva Junior
Edimo Ferreira Campos - Edinho
Lincoln Cassio de Souza Soares
Olívio da Rosa - Ivo
Elierce Barboza de Souza - Souza
Patrik Camilo Cornelio da Silva
Lenny Fernandes Coelho

Santos
George Lucas Coser
Madson Formagini Caridade
Neymar da Silva Santos Júnior

São Paulo
Júnior César Eduardo Machado
Richarlyson Barbosa Felisbino
Marlos Romero Bonfim
Dagoberto Pelentier
Ilson Pereira Dias Junior - Ilsinho

Vasco
Ernani do Nascimento Germano
Marcilei da Silva Elias - Max
Fagner Conserva Lemos
Philippe Coutinho Correia
Jumar Jose da Costa Junior
Josef de Souza Dias - Souza
Eriscline José dos Santos - Lipe

Vitória
Lee Winston Leandro da Silva Oliveira
Reniê Almeida da Silva
Vilson Xavier de Menezes Júnior
Maurim Vieira de Souza
Marconi Ribeiro Souza
Evson Patrício Vasconcelos do Nascimento
Elkeson de Oliveira Cardozo
Uelliton da Silva Vieira
Marllon dos Santos Pereira
Hiziel Souza Soares - Soares

Renato Souza

26 de novembro de 2010

7SÉRIE: DRAMAS & MELANCOLIAS

Estrelando: Jorge Onofre e Alzirinha Pessoa.

Noches de juegos
Quarto Capítulo - Sobre o autor


Acontece que Cervantes, o autor, cristão, filho de um cirurgião com uma nobre espanhola empobrecida, por uma questão de sobrevivência se engajou em lutas contra os turcos otomanos. As batalhas, contudo apresentavam, no início do século 17, um tipo de luta diferenciada daquelas de cavalaria andante. As grandes navegações já com seus poderosos canhões estavam em franco desenvolvimento. Os grandes ataques se davam então pelos mares. Mas o ódio contra o invasor fora plantado há muito, através das cruzadas e da literatura que transformara aqueles cavaleiros medievais em heróis comparáveis ao que modernamente chamamos super heróis. Esses “Exterminadores do Futuro”, “Homens Aranha” daquela época representavam o protótipo do implacável defensor da moral cristã frente ao intruso e estúpido mouro. A diferença é que eram cavaleiros de lança e espada, mas a ficção lhes dera poderes tão sobrenaturais quanto aqueles de um Batman.

Compreende? Encerrou satisfeito.

Um tanto estonteado pela demorada narração, Jorge retrucou lamentoso

- É por estas e outras que nunca tive muita paciência com leituras . Afinal o que tem a ver Miguel de Cervantes com o pacato sitiante, além de obviamente, ao menos ao que parece, ter sido o criador de tal personagem. E mais, essa história de ódio ao islamismo está me parecendo repetição do que se passa hoje.

Após uns minutos de ar perplexo e olhar perdido no tempo, o amigo retoma então

- Podemos dizer que sim. É podemos, - concluiu como quem tivesse viajado pelos séculos e acabasse de aterrissar naquele instante.

- As últimas guerras mobilizadas pelos Estados Unidos e aliados têm motivação semelhante, ao menos no que tange a questão do islamismo. Mas vamos deixar esse papo pra outra hora, - disse delicadamente elevando o pulso esquerdo para exibir o falso Rolex, como que a dizer que tinha mais o que fazer, e se despediu com carinho. Um forte aperto de mãos e aquelas velhas promessas ao vento, acompanhavam sua palavras.

- Dia destes combinamos um chopp, me liga. E apressou o passo sorrindo para apanhar o taxi, deixando Onofre também a sorrir, todavia matutando acerca do que teria levado seu amigo a enveredar pelos caminhos da compreensão da tal leitura e, o que considerava pior, levar tão a sério o decifrar histórias que lhe pareciam sem qualquer importância. A muita leitura confunde a moleira e não enche barriga,- lembrou do ditado que seu avô recitava.

Deixado de lado o pensamento sobre o amigo, caminhava pela rua São Bento, quando se surpreendeu com a enorme quantidade de Bolivianos trabalhando como camelôs, - seria o início de uma grande integração latino americana, pensou. Notou também o quanto aqueles espécimes eram parecidos com os índios brasileiros. Seria a América do Sul um torrão habitado na antiguidade por gentes que tinham em comum aquela fisionomia?,- Refletiu a sorrir e logo deixou de lado ao entrar pela rua Álvares Penteado e se pegar admirando o prédio do Centro Cultural Banco do Brasil. Aquela arquitetura lhe remetia, sem escala, ao seus tempos de Faculdade de Arquitetura. Sua memória então o despejou em uma palestra em que estivera em companhia de Alzirinha então estudante jornalismo.

Claudio Zumckeller

24 de novembro de 2010

UMUNDUNU - UFOLOGIA NA MÍDIA

De acordo com a jornalista Paolla Arnoni, especializada em ufologia, a cobertura dos principais casos ufológicos pela televisão brasileira foi insatisfatória. Paola explica que “a ufologia quando cai na imprensa de forma não preparada, vira chacota”.

Ainda de acordo com a jornalista, apesar de considerar que a cobertura televisa não trata a ufologia de forma séria, ela analisa que com a liberação de documentos oficiais secretos por parte do governo a tendência é que cada vez mais, não só a televisão, mas a imprensa num geral, passem a dar mais atenção ao tema.

O cinema, assim como a televisão, prejudica muito a imagem da ufologia devido ao sensacionalismo cinematográfico criado. “A maioria dos filmes causa pânico, eles invadem, acabam com o planeta ou querem o planeta para eles” afirma Arnoni. Mas apesar disso, a jornalista ainda aponta filmes que tratam o tema de uma maneira mais séria e explicativa “um exemplo clássico, é o filme 'Contatos Imediatos de Terceiro Grau', que além de informar de maneira, digamos, científica passa uma imagem mais pacífica da ufologia”

Além do citado acima, outro filme que fez muito sucesso foi "Fogo no Céu", filme baseado em fatos reais que narra à história da suposta abdução do americano Travis Walton. De acordo com a história, Walton, que era lenhador, foi abduzido por um objeto esférico luminoso no meio da mata, cinco outros lenhadores, que eram amigos dele, teriam visto o ocorrido. Travis reapareceu cinco horas depois alegando que tinha sido abduzido e estava numa nave com extraterrestres pequenos, cabeçudos e com olhos grandes.

Ricardo Alge

20 de novembro de 2010

7SÉRIE: DRAMAS & MELANCOLIAS

Estrelando: Jorge Onofre e Alzirinha Pessoa.

Noches de juegos
Terceiro Capítulo - Para trocar em miúdos

- Grosso modo, vou tentar lhe explicar o que rola nesta trama, - disse o amigo entusiasmado, demonstrando tanto prazer por entrar na questão, quanto um pescador por fisgar um grande peixe, e assim prosseguiu diante do brilho cético do olhar de seu indagador.

- Na Espanha, lá pelo final do século 16, em uma região vasta denominada La mancha, vivia pacatamente um tipo que, trazendo para os nossos dias, poderíamos comparar, digamos, com algum pequeno e bem sucedido proprietário rural paulista, qualquer sujeito de valores morais estruturados, conduta mansa e cuja renda da produção própria lhe garantisse vida simples, porém farta e digna. A velha pick-up, o pequeno trator, plantadeira, trinta ou quarenta alqueires de chão, boa roça de milho, feijão, arroz e mandioca. Aquela casa ampla com alpendre e serviçais, algum gado, galinhas, porcos, cavalos de boa montaria e mulas de trabalho.

- Um fazendeiro!
Arrematou Onofre impaciente, visando encurtar a prosa e demonstrar, sem qualquer cerimônia, algum enjôo ante aquela minuciosa descrição. E finalizou:

- Um sitiante digamos, está bem assim?

- É... Silenciou o amigo, um tanto constrangido pela energia da interpelação, mas acelerando a fala logo retomou.

- que... para não complicar e, quem sabe, trazer para a proximidade, dá para fazer uma analogia do tal indivíduo com qualquer morador urbano de hoje em dia, de grande cidade, que goze de vida equilibrada e se sinta tranquilo com sua situação; que se enxergue realizado; que seja pessoa de valores sedimentados e cuja vida mansa já proporcione algum tédio. Sim, este pode ser igualmente um similar do tipo em questão.

Encerrou com ares sábios de quem acabara de encontrar a chave para se fazer entender acerca um enredo concebido há quase meio século. Para ele, colocar a história em circunstâncias atuais facilitaria o entendimento de Onofre que naquele momento pretendeu refletir sobre sua própria existência e soltou um longo “Aahh! entendi “emendando desta vez grande curiosidade e maior animação.

- Mas o que houve então com o tal pacato cidadão?

- Aconteceu que, assim como a televisão com suas telenovelas, seus telejornalismos e seus anunciantes hoje, e, mais recentemente a internet, influenciam o comportamento das pessoas, naquele tempo, guardadas as devidas proporções, eram os livros que, com a invenção da prensa, ganhavam enorme poder para difundir as ideologias e assim promover perspectivas visando impor sentidos utilitários para a vida humana, além de outros engodos. O romance de cavalaria andante era o gênero que então proliferava. Eram novelas que reproduziam fantasticamente as grandes virtudes e a coragem de cavaleiros que na idade média combatiam o império muçulmano que se expandia por toda a Europa e dominava a península Ibérica. A literatura de cavalaria medieval era então de grande valia para alistamento de voluntários que, convencidos, engrossariam com vigor as forças pontifícias frente ao imperialismo muçulmano.

Claudio Zumckeller

17 de novembro de 2010

UMUNDUNU - MY FUNNY VALENTINE

Miles Davis, um copo de café e um cigarro do forte. Uma combinação sublime. O jazz me envolve do começo ao fim. O bom jazz me hipnotiza do começo ao fim. E Davis é o cerne do meu inconsciente musical.

Em My Funny Valentine, ele alimenta a fantasia dos mais lombrados com seus intermináveis solos de trompete que ecoam na mente potencializados pelos efeitos do THC. Cada nota fora do seu lugar. A dissonância da alma, do universo. Tentem, deixem-se envolver no clima anticlímax de Miles Davis e farão um tour pelo caos e pela beleza da verdadeira música.

Mas, acredito que está dica jazzcannabiense não caia nas graças do público da internet, pois, atualmente, o que faz sucesso mesmo é suco natural e Restart. What a hell!!

10 de novembro de 2010

UMUNDUNU - REDES SOCIAIS: EXPOSIÇÃO EM DEMASIA DA VIDA PARTICULAR

Sei a hora em que você se levanta. Sei também quando vai dormir. Sei exatamente quando está em casa, quando saiu, quando vai voltar. Isso se você voltar. Sei de todos os seus horários, de suas rotinas, de seus afazeres. Todo o seu cotidiano. Quando muda algo já não me surpreende, sei também que és indecisa por diversas vezes.

Sei exatamente onde você mora, conheço toda sua família e amigos. Inclusive o seu lindo cãozinho de estimação que sei que não é capaz de fazer mal nem as próprias pulgas. Sei a padaria em que você compra pão, e até qual o seu café da manhã preferido. Logo após o banho demora um pouco para escolher a roupa, mas logo aparece na rua indo em direção ao trabalho.

Pega ônibus no mesmo lugar, sempre cheio. Diversas vezes atrasado, e o motorista lerdo é o mesmo de sempre. No metrô lotado sempre reclama do cara que vai atrás de você, um safado, diga-se de passagem. No trabalho tem a atenção de todos, é bastante eficaz no que faz. Logo receberá uma promoção pelos serviços, tenho absoluta certeza. Tanto quanto você. Sai para almoçar às 13h, diversifica. Carne vermelha quase nunca, às vezes até vai a uma churrascaria, mas sempre com os amigos, os colegas mais próximos do trabalho. Nos outros dias almoça só, não come muito.

Tem medo de engordar e por isso voltou a fazer academia recentemente. Volta para o trabalho e logo despejam uma avalanche sob sua mesa. É trabalho para mais de uma semana, mas tem que ser feito hoje, e para ontem. Vai embora sempre depois de todos, diversas vezes já apagou a luz do escritório. Na sexta é dia de “Happy Hour” com a galera do trabalho. Sempre no mesmo bar, sempre os mesmos pedidos.

Ganha bem, tem carro, mas não suporta o transito da cidade. Por isso só dirigi nos fins de semana, para trabalhar vai de ônibus mesmo. Gostaria de viajar, conhecer alguma praia do Nordeste. Não namora. Mas diverte muito com os amigos. Festas, baladas, bares.

Mora bem, um bairro pequeno, bem próximo a área nobre da cidade. Apesar de não se considerar, tem um nível de vida bem diferente dos vizinhos.

Sei tudo sobre você, seus horários, suas preferências, os locais frequentados, de quem gosta, do que gosta, onde está, para onde vai. E tudo isso sem nunca ter cruzado com você pela rua.

Como?

Redes Sociais.

Eu nunca te perguntei nada, você sempre me disse tudo. Tudo o que eu precisava. Agora a única coisa que eu preciso é que sua família pague o resgate, mas isso não dá pra fazer pelo Twitter.

Renato Souza

8 de novembro de 2010

UMUNDUNU - ATENTADOS CONTRA A LIBERDADE DE EXPRESSÃO

RSF divulga novos casos com frequência

Os “Repórteres sem Fronteiras” desestimulam quem pretende ingressar no jornalismo. Não pela qualidade do site (http://es.rsf.org/), um dos melhores que já li, e sim, por conta das sistemáticas notícias sobre jornalistas que são assassinados ou sofrem atentados. Eles mostram o que a grande mídia abafa. Jornalista morto por incomodar interesses de poderosos é mais normal do que vocês possam imaginar. Mas, para deixar de blá, blá, blá... Vamos aos exemplos:

Três policiais militares condenados pelo assassinato do jornalista Luiz Barbon Filho em 2007
“O Tribunal de Justiça de São Paulo enviou uma mensagem importante na luta contra a impunidade, a 27 de março de 2010, ao condenar quatro homens, entre os quais três policiais militares, pelo assassinato do jornalista Luiz Barbon Filho...”
http://es.rsf.org/brasil-tres-policiais-militares-29-03-2010,36853.html

Guerra en Irak, la más grande hecatombe para la prensa marzo 2003 – agosto 2010
“Esta mañana, Riyad Assariyeh, periodista de la cadena Al-Iraqiya, fue asesinado por desconocidos cuando salía de su domicilio en Bagdad...”
http://es.rsf.org/irak-guerra-en-irak-la-mas-grande-07-09-2010,38296.html

Um apresentador de televisão vítima de atentado
“O jornalista Handson Laércio, radialista e apresentador da cadeia TV Mearim, no Maranhão, foi baleado à saída do seu domicílio, no dia 14 de abril de 2010, quando se dirigia à rádio para a qual trabalha. Ao tentar proteger-se, foi atingido na mão...” obs.: este pelo menos não morreu
http://es.rsf.org/brasil-um-apresentador-de-televisao-16-04-2010,37057.html

Thiago Menezes

6 de novembro de 2010

7SÉRIE: DRAMAS & MELANCOLIAS

Estrelando: Jorge Onofre e Alzirinha Pessoa.

Noches de juegos
Segundo Capítulo - Andanças


Não há sequer uma frase escrita sobre este personagem. As peripécias que contam a seu respeito permanecem há anos na oralidade. Seus narradores têm sido meros multiplicadores do que ouviram. Alguns há que se disseram presentes em episódios que sequer ocorreram. Suas aventuras e desventuras têm sido resenhadas pela fina flor da mediocridade. A turba que alimenta o ideário da fantasmagoria popular.

Além de ser o primeiro a escrever sua história, acrescento a promessa de isenção e fidedignidade. Não pretendo que meus relatos pareçam mais aprofundados e tampouco distantes da oralidade desenvolvida em torno desta figura singular. Entretanto estou certo de que niguém conhece melhor que suas razões e os desvarios.
Poucos sabem, por exemplo, a diversidade de ocupações que ele exerceu para sobreviver e sequer suspeitam da enorme variedade de locais em que viveu. Mas isso, assim como o número de mulheres que amou e os tantos filhos que fez vir ao mundo, pouco acrescentam ao histórico das atitudes estranhas que ele tomou vida a fora

Seu nome de batismo e tabelião, diziam ser, em Campos de Santana, Pedro Amílcar. Alguns anos se passaram porem, e na esteira dos muitos apelidos que adquiriu nas diversas vilas onde viveu ou perambulou, recebeu também nomes que lhe atribuíram pensando ser o seu original de pai e mãe. Todavia, Jorge Onofre, sem qualquer sombra de dúvida é verdadeiramente seu nome registrado em cartório.


Estatura mediana, olhar inquieto, bom de prosa e perguntador contumaz, contava Jorge Onofre então pelos quarenta anos quando casualmente reencontrou um amigo de infância que há muito não via e que trazia a tira colo uma edição do “Dom Quixote” de Miguel de Cervantes. Como tivesse há muito abandonado o hábito da leitura, apenas por delicadeza perguntou do que se tratava, após tomar a edição e displicentemente folhear. Sem levar a sério o amigo sorriu, inflou o peito, alinhou os óculos ao nariz, e se fazendo parecer grave, disse que se tratava de obra diferenciada, uma história destas que não admite que se tome por leitura totalmente concluída, e mais, que ainda não se sentia apto para dizer do que realmente se tratava, apesar de estar lendo pela quarta vez. Mas que, ainda assim, lhe adiantararia alguns aspectos, se lhe desse alguns minutos de atenção.

Sacramentando o acordo, Jorge acolheu a idéia e, um tanto contrariado, tratou de ser breve e sarcástico:
– Pô, Interessante hein! Conta então que toada é essa.

Claudio Zumckeller

9 de outubro de 2010

NOTA DO BLOG - TV Educativa de Jundiaí realiza encontro sobre jornalismo policial com Percival de Souza


Evento, que acontecerá no próximo dia 23/10, será marcado por uma palestra do jornalista da Rede Record e pelo lançamento de dois livros sobre a área policial,
com manhã de autógrafos e MPB

O jornalismo policial, uma das áreas mais fascinantes e controversas do jornalismo, e curiosamente ainda pouco estudada e debatida, é o tema de um encontro que a TV Educativa (TVE) de Jundiaí (SP) promoverá no próximo dia 23/10.
Aberto ao público, o evento será marcado por duas ações. Primeiramente haverá uma palestra de Percival de Souza (foto) sobre o tema “O papel do jornalismo policial brasileiro no século XXI”, na qual o jornalista da Rede Record analisará a importância desse tipo de cobertura para a nossa sociedade, no auditório Charlie Chaplim, no Complexo Argos.

Posteriormente, nas dependências da TV Educativa, ocorrerá o lançamento de dois livros que foram apresentados na 21ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo: O Crime Quase Perfeito, de autoria do próprio Percival, e Jornalismo Policial: histórias de quem faz, escrito pelos alunos do 4º ano de Jornalismo (2010) da UNIBAN Brasil, com a organização da jornalista e professora Patrícia Paixão, e que tem como uma das autoras-estudantes a cantora jundiaiense, Marta Corrêa.

O Crime Quase Perfeito, editado pela Idea, é a primeira obra de ficção de Percival de Souza. Trata-se de uma novela policial, inspirada em fatos verídicos, que transita entre o real e o fictício. A obra, mais do que um romance policial, é um retrato da alma humana, por exibir as motivações mais vis que podem guiar o ser humano em seus atos. Os mais de 30 anos de experiência no jornalismo investigativo desse renomado jornalista policial são refletidos na genialidade do enredo.

Jornalismo Policial: histórias de quem faz, publicado pela editora jundiaiense In House, é um livro que oferece um panorama sobre a cobertura policial brasileira atual, por meio de 17 entrevistas exclusivas com os principais profissionais que cobrem a área policial. Além de Percival de Souza, participam do livro os jornalistas Fernando Molica, Renato Lombardi, Marcelo Rezende, Domingos Meirelles, Luiz Malavolta, Josmar Jozino, Gil Gomes, Robinson Cerantula, Fátima Souza, André Caramante, Bruno Paes Manso, Afanasio Jazadji, Gio Mendes, Fausto Salvadori Filho, Marco Antonio Zanfra e Pantera Lopes. Esses profissionais debatem os principais méritos e deméritos da área, analisando coberturas famosas como os casos Escola Base, Favela Naval, os ataques do PCC em São Paulo, o assassinato da menina Isabella Nardoni e o fatídico sequestro da garota Eloá Cristina Pimentel, em Santo André, na Grande São Paulo.

Para compor a manhã de autógrafos, a TV Educativa convidou a cantora Juliana Lima, de Santo André, para uma apresentação de MPB, voz e violão, destacando hits conhecidos e composições de própria autoria.

“O objetivo do encontro é valorizar o trabalho jornalístico e os profissionais da cidade, que são muitos, agregar novas perspectivas, debater e refletir sobre a postura da imprensa hoje em dia. Eventos como esse criam sempre grandes oportunidades de discutir conteúdos, estabelecer parcerias e inovar, especialmente quando podemos contar com a presença de um profissional como Percival de Souza”, explica a superintendente da TVE Jundiaí, Mônica Gropelo.

SERVIÇO
Encontro sobre Jornalismo Policial na TVE de Jundiaí
Data: 23/10/2010 (Sábado)
Local: Auditório Charles Chaplin - Av. Doutor Cavalcanti, nº 396 (Complexo Argos) – Vila Arens – Jundiaí/SP
Horário: das 10h às 12h
Informações http://www.tvejundiai.com.br/
Para mais detalhes, procure Denise Oliveira/Rosana Pagano: (11) 4587-5151 ou Patrícia Paixão: paixao.patricia@uol.com.br
Vagas limitadas, palestra gratuita.

2 de outubro de 2010

EDITORIAL 7CO – UM BLOG CENSURADO. SEREMOS OS PRÓXIMOS?


O diário paulistano “Folha de S.Paulo”, o mesmo que emprestou seus caminhões de distribuição de jornais para auxiliar o golpe militar de primeiro de abril de 1964, acaba de censurar um site crítico à sua cobertura política. O jornaleco - pois tomou atitude de um - da rua Barão de Limeira, insultou-se com o blog “Falha de S.Paulo” e obteve uma liminar, concedida pelo juíz Nuncio Teophilo Neto, da 29ª Vara Cível de SP, sob pena de pagar multa diária de R$ 1.000 (veja fac-símile da liminar ao lado e leia a íntegra da nota dos donos do site abaixo).

7CISMO solidariza-se inteiramente com o “Falha de S.Paulo”. Como membros de um pequeno veículo de jornalismo ácido, cultura e humor, os 7cos não dispõem de recursos econômicos para contratar advogados ou pagar multas arbitrárias definidas por magistrados enfurnados em gabinetes acarpetados e com ar-condicionado. Estamos preocupados, em estado de alerta - agora, todo cuidado é pouco para quem trabalha com jornalismo independente ou de opinião.

De hoje em diante, deveremos consultar um advogado sempre que uma matéria crítica de política ou de mídia for publicada?

Estaremos, nós jornalistas, eternamente sub judice?

São Vladimir Herzog, nos socorra!

Tal qual nossa solidariedade demonstrada ao diário “O Estado de S.Paulo”, outro grande jornal paulistano, sob censura há mais de 400 dias, ficaremos sempre ao lado da liberdade de expressão e contra a censura - de qualquer natureza, e especialmente esta, comum nos dias de hoje, de juízes que vestem a carapuça klukluxklaniana em benefício de “sarneys” e “frias” da puta!

A solidariedade se estende também no quesito parcialidade/imparcialidade, ideias tão debatidas. O “Estadão” foi honesto com seu leitor ao apontar sua ideologia e seus candidatos. Isso não o exime da seriedade e da ética com que a informação deve ser tratada, no entanto firma uma posição, deixa claro. Dessa maneira, o veneno contido entre as letras das páginas dos jornais diários é, praticamente, dissipado. Fica apenas a sujeira nos dedos após sua leitura.

É por isso que nós, 7cos, gritamos: Chega de censura! Chega de cerceamento de liberdades constituídas à base de tortura, morte e muita luta! Chega de autoritarismo em nome do establishment! Liberdade de expressão e de manifestação do pensamento já! E para sempre. Ponto final.


NOTA DO BLOG “FALHA DE S.PAULO”


Há duas semanas resolvemos fazer um site de humor destinado à crítica da cobertura jornalística, o Falha de S.Paulo (www.falhadespaulo.com.br), uma sátira ao jornal “Folha de S.Paulo”. É um site com críticas? Sim, claro. Tão duras quanto as feitas pelo CQC, Casseta & Planeta ou José Simão, por exemplo. Hoje recebemos uma decisão liminar (antecipação de tutela, concedida pela 29ª Vara Cível de SP) que nos obriga a tirar o site do ar, sob pena de multa diária de R$ 1.000.

A desculpa utilizada pelo jornal para mover a ação foi o "uso indevido da marca" (tucanaram a censura).


É chocante a hipocrisia da Folha. Se isso não é censura e um atentado inaceitável à liberdade de expressão, juro que não sabemos o que é. Chega a ser cômico: o mesmo jornal que faz dezenas de editoriais acusando o governo de censura e bradando indignado por “liberdade de expressão” comete esse ato violento de censura. Ato este, aliás, bastante covarde: o maior jornal do país movimentou um enorme escritório de advocacia e o Poder Judiciário contra um pequeno site independente. É muita falta de humor, de esportividade, de respeito à democracia.


Senhores proprietários e advogados da Folha, podem ficar tranquilos. Todos ainda poderão ser satirizados, menos vocês. Todos merecem liberdade de imprensa, menos quem não é da sua turma. E, como ao contrário de vocês, respeitamos as instituições e a democracia, vamos cumprir a ordem judicial.


Parabéns, Folha! A censura imposta por vocês será cumprida.

Lino Ito Bocchini e Mario Ito Bocchini


(NOTA EXTRAÍDA DO SITE http://www.falhadespaulo.com.br/)

7cismo

1 de outubro de 2010

UMUNDUNU - ESCOLA JOVEM LGBT

Jovens homossexuais, bissexuais e (por que não?) heterossexuais podem aprender um pouco mais sobre a cultura LGBT ou LGBTTTs (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais, Transgêneros e Simpatizantes) na primeira escola do gênero no país.

A Escola Jovem LGBT iniciou seus trabalhos em março de 2010, em Campinas, e é resultado de um convênio entre o Governo do Estado e o Grupo E-jovem de Adolescentes Gays, Lésbicas e Aliados que tem como objetivo difundir sua cultura.

Moradores da Grande São Paulo também podem freqüentar as aulas de diversas disciplinas, desde a criação de revistas até dança e performance, sempre com foco LGBT.

Os cursos oferecidos são: Expressão Artística (Dança, Música e Performance - Drag Queen), Expressão Cênica (WEB TV, Teatro e Cinema) e Expressão Gráfica (Fanzine, Revista e Livro).

As matrículas e inscrições para bolsas de estudo estão abertas. Os interessados devem escrever para escola@e-jovem.com ou entrar em contato pelos telefones (19) 3307 3764 ou (19) 9341 3764. Não há taxa de inscrição, mas as pessoas podem colaborar com doações para o Grupo E-Jovem.

O principal objetivo da Escola Jovem LGBT é oferecer ao jovem todas as ferramentas para que ele possa se expressar, conhecer a Cultura LGBT e produzir sua própria cultura.

Renato Souza

21 de setembro de 2010

UMUNDUNU - CARTA AOS AMIGOS JORNALISTAS

Prezado,

Um ser apaixonado enxerga o objeto amado segundo as distorções do seu sentimento exacerbado. O ódio, que também é uma paixão, do mesmo modo altera nossa percepção para com o odiado. À maneira daqueles pais cujos filhos, para os olhos de outros não são privilegiados com qualquer formosura física ou especial inteligência, mas ainda assim não se cansam de citar os dons e lindezas que cegamente lhe atribuem.

Alguns indivíduos nutrem por si mesmos sentimentos exagerados que parecem ter suas origens no íntimo do convívio familiar. Desde aquele pequenino berço azul ou rosa onde a parentela babando ovos elogia qualquer dote físico ou mental, por exemplo: “ Ele tem os olhos azuis lindos como Sinatra”! “ Ela já sabe quais as capitais de todos os estados brasileiros”! Frases curtas que são recitadas durante a infância; e que multiplicadas pela vizinhança mais próxima persistem em meio aos bancos escolares e prosseguem, como aleijões, vida adulta a fora até o último suspirar.

Aí é que mora o perigo! Quando se sai pelo mundo em busca de alguma análise sobre o que é, e como viver, é primordial estar despido do escafandro fabricado pelas fabulosas historinhas domésticas. É imprescindível, então, a leitura cética sobre o que nos diz esse espelho chamado circunstância que reflete incessante e diversamente os estranhos seres a quem denominamos os outros.

Claudio Zumckeller

10 de setembro de 2010

UMUNDUNU - EU ADORO ODIAR - UMA ODE AO ÓDIO


Discutia com meu brilhante colega Claudio Zumckeler sobre as atribuições de um bom jornalista. Dentre elas, uma que é repetida à exaustão nos bancos escolares, e sempre me chamou atenção: não ter preconceitos. Certo. É óbvio, pelo menos no discurso, que ninguém tenha preconceitos.

Como exemplo disso, usamos um personagem sobre o qual não há meio termo, ou as pessoas amam, ou odeiam. Eu o odeio, e odeio MUITO. Este personagem é o escritor Paulo Coelho, autor de bestsellers traduzidos para dezenas de países.

Reitero que meu ódio por Paulo Coelho é gratuito. Nunca li uma linha sequer de qualquer coisa que ele algum dia tenha escrito. E, a despeito de gostar de Raul Seixas, continuo odiando Paulo Coelho como se ele tivesse me feito um mal terrível. Isso mesmo, é um ódio sem nenhum motivo.

Até pairou no ar uma sensação de ódio mútuo, no instante em que um de nós lembrou de Paulo Coelho. A discussão acabaria ali mesmo. Acredito que o assunto tenha vindo à baila por causa de uma entrevista que o “mago” deu num talkshow qualquer da tevê.

Mas aí o Claudio soltou um de seus argumentos, daqueles que sempre me intrigaram. “Temos que saber ouvir o que têm a dizer até mesmo estes caras que não damos nenhuma credibilidade”, disse naquele momento meu interlocutor, completando em seguida com uma frase forte: “Mesmo eles têm algo a nos ensinar. Ainda que seja para reforçar aquele conceito que já formulamos”.

Retruquei: “Por que dar ouvidos a um cara que diz que faz chover mas nunca nos ajudou neste período de seca em São Paulo? Um sujeito milionário que diz que faz ventar mas nem uma brisinha descolou num dia poluído?”.

Rimos juntos, mas Claudio ainda tentou argumentar: “você precisa saber ouvir todos”.

Impassível – traduzam como teimoso! –, neguei até os últimos fios brancos de meu já parco couro cabeludo. “Jamais!”, depois de esvaziar meus pulmões cheios de ar poluído, graças ao egoísmo de um mago de araque que não tem amor no coração e não tem nem um tempinho para perder mandando uma reles garoa para melhorar o clima dos paulistanos.

Você deve estar pensando aí: “Que cara maldoso, ele odeia o Paulo Coelho”.
Mea culpa, mea culpa!

E não só o Paulo Coelho, mas também odeio outras celebridades e subcelebridades (obrigado, Felipão, mais uma vez, obrigado!) do showbiz.

Odeio BBB, futuros, atuais e ex-BBBs.

Odeio reality shows, que de realidade têm só a mediocridade dos participantes e, por que não?, da audiência!

Odeio guarda-chuva, verduras e legumes.

Odeio políticos e narradores esportivos. TODOS!

Odeio filme dublado e novela mexicana, brasileira, argentina, colombiana ou norteamericana.

Odeio dietas e dentistas.

Odeio telefones, fixos ou celulares.

Odeio quem atende o telefone perto de mim. Não me interessam os problemas pessoais de um imbecil que não sabe nem verbalizar o que pensa.

Odeio Chico César, Gil, Caetano e Carlinhos Brown! Estes eu odeio por odiar mesmo.

Odeio a Xuxa porque proibiu a comercialização do filme “Amor estranho amor” (note que nem me dei ao trabalho de olhar onde se coloca a vírgula nesta merda!) e as Playboys de quando ela era gostosa e posava pelada. O filme é uma verdadeira bomba, mas tinha a gostosa da Xuxa pelada!

Odeio, sobretudo, quem coloca ketchup na pizza! Tem coisa mais horripilante do que colocar ketchup na pizza? Tem? Alguém consegue me descrever crime hediondo maior do que este? Que queimem TODOS no fogo eterno do inferno!

Claudio, aceite meu pedido de desculpas por incluir um cara educado, gentil e dócil como você nesta ode ao ódio. Mas eu não consigo pensar em algo mais lúdico e saudável do que o ódio. E você, um amigo cheio de amor para dar, deve estar preocupado comigo, sabe, uma úlcera ou um tumor grave no cérebro pode me atacar por causa deste ódio gratuito. Foda-se! Adoro odiar!

Pô, Paulo Coelho, mas nem um chuvisquinho de merda para calar minha boca?

Rodrigo De Giuli

1 de setembro de 2010

FUTEBIZARRICES - UM CENTENÁRIO

Nos dias de hoje, tempos modernos, a marca de 100 anos é quase inatingível. São poucos os homens que conseguem alcançá-las. E quando o fazem são dignos de uma grande comemoração. Mas não só com humanos, empresas, clubes, organizações, países, cidades, todos festejam a data. O número 100 é um dos mais perfeitos existentes, ficando atrás apenas do lendário número 10. Nota 10. Camisa 10. 10 é craque. É gênio. É sinônimo de bom aluno. Mas o cem é tão especial quanto. Se o 10 logo é alcançado em termos de idade, o cem não. Levam-se 10 vezes 10 para se ter-lo.

Ser secular é para poucos. Um dia de festa não é nada se comparado a tantos outros já vividos. Viver intensamente essas longas 10 décadas não é fácil. Tantos outros não alcançaram, outros até conseguiram, mas sem a mesma pujança. Sem a mesma marca. Sem tantas glórias alcançadas.

Invejado por muitos. Combatido por milhares. Vencido por poucos. Uma história centenária de dar inveja em tantos outros clubes da nação. Um senhor cêntuplo. Que a cada dia se renova no amor de sua fiel torcida. Que a cada ano se torna maior. Não teria palavras para explicar essa relação de amor, talvez até um pouco de ódio. Mas a paixão sempre prevaleceu. Uma relação que só quem está dentro consegue explicar.

Momentos de alegria foram vários. Mas são os de angustia que marcaram nossa história. As filas, os jejuns de títulos. As gozações das torcidas adversárias. Mas nos mantivemos impávidos. Lutamos e conseguimos dar a volta por cima. Do rebaixamento ao acesso, quanta luta. Mas isso só serviu para nos deixar ainda mais próximos. Clube e torcida. Unidos em prol de um único objetivo, ser o maior dentre os maiores.

Os altos e baixos que vivemos só serviu para mostrar que podemos mais, muito mais. Se chegamos aonde chegamos é por que tivemos pulso, fomos firmes e nunca deixamos de pensar, nem por um segundo, no objetivo de ser o melhor, de ser o maior. No momento em que se baixa a cabeça é que se perde a batalha, e nós nunca vamos desanimar. Outros cem anos virão. E seremos conhecidos em todos os lugares, reconhecidos por nossas glórias, por nossos méritos. Que não foram poucos e que ainda serão muitos.

Parabéns ao Esporte Clube Noroeste pelos 100 anos de história. Que o Trem-Bala do Interior continue nos trilhos, na direção de um futuro ainda mais brilhante. Uma singela homenagem à Maquininha Vermelha de Bauru.

O Esporte Clube Noroeste é um clube brasileiro de futebol da cidade de Bauru, interior do estado de São Paulo. Fundado em 1º de setembro de 1910, suas cores são vermelha e branca. Atualmente, disputa a Segunda Divisão, Série A-2, do Campeonato Paulista de Futebol.

Confira a programação da festa - http://www.noroestebauru.com.br/
Parabéns Norusca!!!

Renato Souza

30 de agosto de 2010

UMUNDUNU – UM PANORAMA SOBRE O CINEMA BRASILEIRO

O cinema brasileiro - se pudermos datar - nasceu em 1898 com uma filmagem da Baía de Guanabara. Até 1920, os filmes eram totalmente autorais. Sem arestas aparadas, sem medo. O Brasil comandava o “triângulo cinematográfico”. A distribuição, produção e exibição eram tupiniquins.

Filmes para assistir: Ganga Bruta – 1931. Limite – 1929. Mulher – 1931. A Velha a Fiar – 1957.

Tivemos uma eufórica produção e os ciclos regionais começaram a se espalhar.
Entre 1914 e 1918, nossos diretores sofriam com a crise da película, o preço não cooperava. Alguns “vidas loucas” sempre ajudaram a segurar as pontas. Cito como homenagem: Paulo Emilio Salles Gomes, Severiano Ribeiro (que na década de 40, comprou salas de exibição) e Adhemar de Oliveira, que teve o ímpeto de industrializar o cinema no Brasil com a Cinédia.

A partir daí começamos a seguir a cartilha hollywoodiana impostamente. Obviamente, com a padronização norte-americana, as ‘loucuras’ e a cultura latina latente foram sumindo. Assim, nos fodemos. Singelamente. Educadamente.
Utilizo o palavreado inadequado dos Manuais de Redação, pois só ele serve para caracterizar o imaginário facilmente encontrado.

O cinema brasileiro ganhou estigma de ruim, fraco, pobre, erótico e explícito. Ganhou gêneros que se arrastam até hoje. Dando um salto no tempo, entendo parte das críticas aos “favela movie”. Mas quanto aos Westerns, feitos nos States e seguindo os mesmos parâmetros imaginários, dificilmente encontra-se crítica. Analisando profundamente, os filmes americanos atuais ainda carregam botas, cavalos, espingardas e índios mortos.
A pergunta era e ainda é: como representar o Brasil?

Após a Cinédia, outras produtoras lançaram-se. A Vera Cruz produzia filmes que custavam mais do que arrecadavam. Seu público-alvo era a burguesia paulista, no contexto pós-guerra. Começou com o “star system”. Criando estrelas e tendências para a mídia usar e abusar. Faliu em 1954.

Foi aí que nasceu a Atlântida. Carioca da gema, a produtora trouxe as chanchadas. Que eram rápidas e baratas. Comédias com um leve tom erótico. Parodiavam até o humor burlesco de Oscarito. Tinham Cyll Farney, as garotas da época desfaleciam quando viam o galã.

As pornochanchadas também vieram. O cinema ganhou fôlego. O gênero lotava as salas de cinema, enchia os bolsos dos produtores e, sem perceber, ia apagando e tomando conta de toda a história do cinema brasileiro para os mais incautos.

Filmes para assistir: Deus e o Diabo na Terra do Sol, Nem Sansão Nem Dalila, O Cangaceiro, O Pagador de Promessas (ganhou a Palma de Ouro, em Cannes), Porto das Caixas e Vidas Secas.

E o cinema novo chegou. Agora os intelectuais começaram a rodar filmes focando nos problemas do Brasil. Filmes incisivos. Filmes que traziam desde técnicas exploradas na Nouvelle Vague – movimento francês – até o ideal neo-realista italiano. Tivemos também o nosso movimento com o Cinema Marginal. Filmes que causavam mal-estar político e extremamente baratos. Mas isso é assunto pra outro texto. Tanto Nouvelle Vague e Neo-Realismo, quanto Cinema Marginal.

Filmes para assistir: Bandido da Luz Vermelha, O Anjo Nasceu, A Margem, Filme Demência e Ele, o Boto.

Outro salto. Nos anos 90, Fernando Collor extinguiu o Ministério da Cultura da Cultura e todo auxilio possível para o cinema brasileiro. Resultado: 20 filmes feitos em 1991 e apenas três em 1993. Futuramente, a burrada foi corrigida com a Lei Roaunet. O empresário não corria mais risco em investir com a lei promulgada.

Após toda essa linha histórica, chego ao clímax. Afirmo convicto que 5 ou 6 filmes dos anos 2000 do cinema brasileiro foram melhores do que toda essa década em Hollywood. Enquanto os filmes das empresas que residem em Los Angeles ganham em feitos especiais de encher os olhos, perdem em qualidade. Perdem em roteiro. Perdem em identidade. Lástima que para a maioria dos consumidores, milhões de corpos voando, naves espaciais e planetas amazônicos futurísticos seja sinal de qualidade. Não só consumidores, há críticos que se esqueceram de como é um bom filme.

Não, não temos efeito especial, muito menos ‘espacial’. Temos reflexão.

Estes são alguns dos filmes produzidos desde 2000, melhores do que 90% dos que você encontra entre os maiores lançamentos de Hollywood:

À Deriva, Abril Despedaçado, Amarelo Manga, Árido Movie, Baixio das Bestas, Cinemas Aspirinas e Urubus, Estômago, Mutum, O Cheiro do Ralo, Se Nada Mais Der Certo, Cafundó, Histórias de Amor duram 90 Minutos, Quarta B, Quando Vale ou é por Quilo?, A Concepção, A Festa da Menina Morta, Feliz Natal, Filmefobia e Apenas o Fim.

Felipe Payão

27 de agosto de 2010

REALPOLITIK – DO CACARECO AO TIRIRICA

Em 1958, o rinoceronte Cacareco foi “eleito” vereador da cidade de São Paulo. O famoso mamífero da família dos Rhinocerotidae obteve, à época, quase 100 mil votos, sendo o “candidato” mais votado no pleito. Cacareco vivia no Jardim Zoológico de São Paulo, sendo uma das principais atrações do parque, inaugurado oficialmente no ano seguinte. Cansados do “rouba mas faz” de Adhemar de Barros e da retórica complicada e contraditória de Jânio Quadros, a população teve em Cacareco um representante legítimo do voto de protesto, hoje impossibilitado de escancarar o descontentamento pela simples existência da urna eletrônica.

O palhaço-cantor Francisco Everaldo Oliveira Silva, 45 anos, conhecido como Tiririca, é candidato a deputado federal pelo Partido da República (PR), e tem como slogan de campanha “Vote no Tiritica, pior do que está não fica”. Este aforismo é, ao mesmo tempo, resultado de sintomas crônico e agudo com que a população carente de saúde, educação, transporte, segurança ou emprego enxerga a classe política brasileira, outrora dominada por nomes como Rui Barbosa e os que sempre lutaram contra as ditaduras impostas, militares ou getulinas. Política hoje é quase um pleonasmo de “roubo, desvio de erário, fraude, estelionato, assassinato (quem se interessar, pergunte a São Google quem foi Arnon de Mello e Hildebrando Pascoal), formação de quadrilha e toda a sorte de artigos dos códigos civil e penal”.

Pode-se pensar em Tiririca como o Cacareco da vez. Ledo engano. O voto de protesto se encarnou em Enéas Ferreira Caneiro, na eleição de 1989, com seu bordão “Meu nome é Enéas!”, uma retórica furiosa e a bomba atômica como principalis pontos de campanha. Barbudo, careca, magro e baixinho, o médico cardiologista, matemático e filósofo chamou a atenção da mídia ao alcançar, quase sem nenhum espaço (tinha poucos segundos no horário eleitoral) e visibilidade (como sempre, os meios de comunicação de massa “focaram” os principais), o quarto lugar na disputa vencida por Fernando Collor de Mello. Antes de Enéas, o grupo humorístico Casseta & Planeta lançou o célebre macaco Tião à prefeitura do Rio, uma espécie de Cacareco carioca. Tião, o macaco do Zoológico do Rio de Janeiro, obteve 400 mil votos e terminou em terceiro lugar na eleição carioca.

Há outros casos menos nobres, como o de alguns atletas aposentados e artistas que já haviam conseguido se eleger para cargos minoritários. O ex-pugilista Eder Jofre, os ex-ídolos do Corinthians Biro-Biro e Wladimir, o também ex-craque do Palmeiras Ademir da Guia, e o cantor Agnaldo Timóteo estão entre eles. No entanto, o caso mais impactante, tanto pelo aspecto midiático como pelo número de votos alcançado é o do ex-costureiro Clodovil Hernandes, morto ano passado, com quase 500 mil votos. Polêmico e polemista, Clodovil abriu a caixa de Pandora da política brasileira, ao mostrar o caminho para que “subcelebridades” tomem o rumo do Planalto Central e representem-nos nas altas câmaras do poder.

Os tempos pós-Adhemar de Barros, com expoentes de folha corrida da estirpe de Paulo Maluf, Jader Barbalho, Antônio Carlos Magalhães, o clã de José Sarney e seus asseclas, todos os coronéis não só nordestinos, mas cá do “sul maravilha” também, por que não?, formam este pastiche de política do “uma mão lava a outra e ambas lavam o dinheiro desviado de obras públicas e das concorrências fraudulentas”.

Não é de se estranhar que, na esteira de mensalões, mensalinhos, ambulâncias e vampiros, surgisse uma leva de neopolíticos em busca de seu quinhão. O naco que caberá a cada um é infinitamente maior do que as miúdas parcelas das bolsas tais distribuídas como o novo “voto de cabresto”. Neófitos das poltronas acolchoadas dos plenários de carpete azul, estes “personagens de si mesmos” buscam empanturrar-se de nosso suado terço trabalhado todo ano para que o Estado, supostamente, pudesse investir em tudo o que nos carece de qualidade.

Que não se façam com estas “subcelebridades” o que se pensou ao escolher Cacareco e Tião: o voto de protesto da vez. Este tiro sairá pela culatra e o atingirá diretamente na cara. Simples assim.

Rodrigo De Giuli

25 de agosto de 2010

UMUNDUNU - ANDAR NA LINHA

Ser correto.
Direito.
Ser exemplo para os demais, principalmente para os mais novos.
Ser educado.
Vestir-se bem. Comer bem.
Não misturar leite com manga, não responder as pessoas, não tratá-las mal.
Falar com o motorista somente o indispensável.
Atravessar na faixa.
Usar o cinto na mesma cor dos sapatos.

Não falar com estranhos, não dar bom dia a cavalos, não chutar cachorros na rua, nem mendigos. Não desperdiçar água, nem comida.
Ajudar os necessitados.
Doar sangue, doar alimentos, roupas, brinquedos.
Cumprimentar as pessoas no trabalho e na faculdade, na rua também.
Dar lugar para os idosos, deficientes e mulheres grávidas.
Ser gentil e dizer obrigado.
Não falar palavrões.
Nem o santo nome de Deus em vão.
Cobiçar? Nem pensar, não é? Ainda mais se for a mulher do amigo.
Do amigo da onça pode.

Escovar os dentes e tomar banho todos os dias.
Não andar com gente que não presta.
Ir pela sombra.
Beber moderadamente, e isso, só depois dos 18 anos.
Transar com camisinha, mas isso pode ser antes dos 18.

Levar o casaquinho.
Não sair na chuva, nem andar descalço.
Limpar o quarto, arrumar a cama.
Dormir cedo.
Votar.

Esse mundo é meio estranho mesmo. Desde pequeno as pessoas me impõem regras. Quando não tinha opção eu as aceitava. De um tempo para cá comecei a não mais aceitar algumas delas. Não me revoltei. Apenas criei algo muito particular que sei que todo mundo tem, mas poucos usam. Opinião. Comecei a questionar. Já me viram como diferente. Garoto problema. A nossa sociedade é repleta de normas, regras, leis. O caralho a quatro. Não estou falando do código penal, não saiam por aí roubando e matando, é melhor vender balas nos ônibus. Acredite, funciona.

Só estou alertando que existem duas opções. Sempre existiu. SIM e NÃO. Automaticamente temos o costume de engolir goela abaixo a primeira coisa que nos aparece. Sem ponderar. Sem medir as consequências. Sem analisar o outro lado da moeda. Depois reclamamos. Só reclamamos. E fazemos o que? Votamos.

Renato Souza

23 de agosto de 2010

21 de agosto de 2010

NOTA DO BLOG - Lançamento do livro "JORNALISMO POLICIAL: HISTÓRIAS DE QUEM FAZ"

No último dia 14 de agosto, foi lançado o livro "JORNALISMO POLICIAL: HISTÓRIAS DE QUEM FAZ", na 21ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo. O evento aconteceu no estande da Editora In House (N31).

Compareceram ao estande no lançamento vários autores do livro, além de atuais e ex-professores da Uniban. Num ambiente de festa e congratulação (sem ironia!), o orgulho de uma batalha vencida - finalmente, depois de 2 anos de espera e nenhum apoio externo, conseguimos concluir um trabalho.

Este é um post em homenagem a todos os colegas da classe que de alguma forma participaram do trabalho.

E um especial abraço à professora e organizadora do livro Patrícia Paixão. Sem fazer disso uma piada pronta, seu sobrenome não conseguiria resumir sozinho a participação da professora Patrícia nesta empreitada.

Um grande abraço a todo pessoal da Editora In House, pela paciência e competência em todo o trabalho.

Ao Maya, pelas ilustrações no livro.

Para finalizar, não poderíamos deixar de agradecer aos jornalistas que participaram com seu precioso tempo, sua vasta experiência e grande paixão (de novo, sem ironia!) pelo jornalismo policial. Nosso muito obrigado!

A todos que, de alguma forma nos ajudaram, um grande abraço e, mais uma vez, muito obrigado!

Claudio Zumckeller e Rodrigo De Giuli, alunos do curso de Jornalismo e coordenadores do projeto editorial do livro "JORNALISMO POLICIAL: HISTÓRIAS DE QUEM FAZ"

Serviço:
"JORNALISMO POLICIAL: HISTÓRIAS DE QUEM FAZ"
Patrícia Paixão (org.) / Vários autores
Ed. In House, 2010, 144pg

O livro "JORNALISMO POLICIAL: HISTÓRIAS DE QUEM FAZ" continua a venda no estande até o final da Bienal. Para adquirir o seu sem visitar a In House ou depois da Bienal, acesse

http://bit.ly/9CnENd

Não se esqueça de dizer no ato da compra no Mercado Livre que viu sobre o livro no blog 7CISMO

Rodrigo De Giuli

17 de agosto de 2010

REALPOLITIK - NÃO TEMOS DINHEIRO PARA PAGAR PROCESSO (!)

QUEM SERÁ O PRÓXIMO GOVERNADOR DE SÃO PAULO?

O pleito que elegerá o novo governador de São Paulo contará com os candidatos Aloizio Mercadante (PT), Celso Russomanno (PP), Fábio Feldmann (PV), Geraldo Alckmin (PSDB), Paulo Bufalo (PSOL) e Paulo Skaf (PSB).

As pesquisas de opinião apontam vantagem para ex-governador Alckmin, que tenta emplacar, mais uma vez, a sua candidatura ao Estado. Caso ele seja eleito, São Paulo será governado pelo mesmo partido por 20 anos, número que deixa para trás muitas ditaduras.

Aloísio Mercadante, a nova aposta do PT para o Estado, já foi eleito senador por São Paulo e foi coordenador de Lula nas campanhas de 1998 e 2002; mas, vem tendo um desempenho pífio nas pesquisas eleitorais. Concorrendo pelo PSB, Paulo Skaf, tenta passar uma imagem de empresário preocupado com a economia e com as questões sociais, porém, também não está conquistando o eleitorado. Pelo Partido Verde, Fábio Feldman (que já foi filiado ao PMDB e ao PSDB), ainda não pontuou nas pesquisas de opinião, mas, com certeza levará alguns votos dos eleitores que acreditam que o PV é um partido diferente.

Já o PSOL, está lançando o professor Paulo Búfalo, ex-vereador pelo PT e que entoa o velho discurso socialista. Para fechar essa lista vem o pupilo de Paulo Maluf, Celso Russomano, do PP, ex-deputado e apresentador de TV, que agora quer ser governador de São Paulo.

Ou...

Os palhaços estão ansiosos para subir no picadeiro. Picadeiro esse que é o mais rentável entre seus semelhantes: São Paulo.

Se pudesse, gostaria de falar diretamente com os candidatos ao governo de São Paulo. Aloizio Mercadante (PT), Celso Russomanno (PP), Fábio Feldmann (PV), Geraldo Alckmin (PSDB), Paulo Bufalo (PSOL) e Paulo Skaf (PSB). Diria algumas coisinhas como: “Senhores candidatos, tenham pelo menos um pingo de vergonha na cara. Se não são capazes de manter vossas mãos maliciosas longe dos cofres públicos, saiam do pleito.”

É isso mesmo, coloquei todo mundo no mesmo saco. Mais uma vez votarei nulo em São Paulo, pois, a atual gestão é cretina, ditatorial e corrupta; em contrapartida, a oposição é ridícula, sem nenhuma representatividade, incompetente e também corrupta.

Viva a democracia!

HÁ-HÁ-HÁ

Thiago Menezes

9 de agosto de 2010

TV7CA - Participação no Esquina da Cultura - JustTV

Companheiras e companheiros 7cos,

Sábado - dia 07 - participamos do programa Esquina da Cultura, apresentado por Marta Corrêa.
Como prometido, pra quem não acompanhou a entrevista, disponibilizamos aqui.





Abraços 7cos!

7cismo

2 de agosto de 2010

NOTA DO BLOG



Jornalismo policial ganha livro de entrevistas com seus principais personagens

Gil Gomes, Fernando Molica, Percival de Souza, Marcelo Rezende, Josmar Jozino e Afanasio Jazadji estão entre os 17 jornalistas entrevistados em obra produzida por estudantes do 4º ano de Jornalismo da UNIBAN Brasil

Um panorama da cobertura policial brasileira no século XXI traçado por aqueles que atuam diariamente nela. É o que oferece o livro Jornalismo Policial: histórias de quem faz, escrito pelos alunos do 4º ano de Jornalismo (2010) da UNIBAN Brasil, com a organização da jornalista e professora Patrícia Paixão. A obra, editada pela In House, será lançada em 14 de agosto na 21ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo.

Em entrevistas exclusivas concedidas aos estudantes, Percival de Souza, Fernando Molica, Renato Lombardi, Marcelo Rezende, Domingos Meirelles, Luiz Malavolta, Josmar Jozino, Gil Gomes, Robinson Cerantula, Fátima Souza, André Caramante, Bruno Paes Manso, Afanasio Jazadji, Gio Mendes, Fausto Salvadori Filho, Marco Antonio Zanfra e Pantera Lopes debatem os principais méritos e deméritos da área, analisando coberturas famosas como os casos Escola Base, Favela Naval, os ataques do PCC em São Paulo, o assassinato da menina Isabella Nardoni e o fatídico sequestro da garota Eloá Cristina Pimentel, em Santo André.

A ideia do livro surgiu em 2008, a partir de um trabalho que os alunos desenvolveram na disciplina Entrevista e Pesquisa Jornalística, ministrada por Patrícia Paixão. “Escolhemos o jornalismo policial como tema das entrevistas pelo fato de a área ser pouco debatida tanto no âmbito acadêmico como no profissional. Até mesmo no mercado editorial são raros os títulos sobre esse tipo de cobertura”, explica a professora.

Os alunos foram orientados a entrevistar jornalistas que atuam ou atuaram nessa área em todos os tipos de mídia (impressa, eletrônica e digital) e em diferentes etapas da produção jornalística, da reportagem à apresentação (no caso da TV e do Rádio). “Assim pudemos garantir riqueza e diversidade no conjunto de relatos colhidos”, complementa Patrícia.

Entre os conselhos oferecidos pelos jornalistas entrevistados para os que desejam atuar no jornalismo policial destacam-se a necessidade de conquistar fontes fidedignas; desconfiar sempre das primeiras versões do fato; não desprezar, por arrogância, informações vindas de pessoas humildes; ir além da fonte policial; e procurar se especializar, obtendo conhecimento sobre áreas essenciais para esse tipo de cobertura, como o Direito.

Para Rodrigo De Giuli, um dos estudantes coordenadores do projeto editorial do livro, um dos aspectos mais interessantes do resultado do trabalho foi confrontar as visões dos entrevistados sobre questões polêmicas como o uso da emoção no texto e o sensacionalismo. “Para alguns jornalistas, como Gil Gomes, o uso da emoção é essencial. Outros, como Fernando Molica, defendem a imparcialidade. Alguns afirmam que o sensacionalismo é uma muleta do profissional ‘limitado’. Outros consideram que ele é apenas uma forma aceitável de contar o fato”, ressalta De Giuli.

JORNALISMO POLICIAL: HISTÓRIAS DE QUEM FAZ
Editora In House
Data do Lançamento: 14/08/2010 (Sábado)
Local: 21ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo – Rua N – estande 31 Horário: 19h
Mais informações: historiasdequemfaz@gmail.com

28 de julho de 2010

7SÉRIE: DRAMAS & MELANCOLIAS

Estrelando: Jorge Onofre e Alzirinha Pessoa.

Noche de juegos
Primeiro capítulo

Ao chegar ao muquifo, Alzirinha desandou em muxoxos lamentando a morrinha que trescalava.
- Que merda! É aqui que você mora, cara!! Será que tem, ao menos, alguma coisa pra beber?
Diante do esculacho, Jorge Onofre não conseguiu disfarçar a indignação e mandou logo sua frase dileta:
- Gata! Cafôfo de homem só, sabe como é né, desarrumação planejada, mas berço quente. Tem Sangue de boi em baixo da pia, pega duas taças enquanto eu apronto pasta à Carbonara. Vá bene?

Com um beijinho mequetrefe estalado, ele lançou no ar seu romantismo para encerrar a fala.
Impondo ainda um climazinho de desconfiança, Alzirinha relaxou, largou a sandália no pé do bicama, deu um delicado beliscão no braço de Onofre e foi rebolando o vestido tubinho que exaltava sua protuberante e apetitosa bunda.
- Nossa! Que pouso! Ele balbuciou para si e deu início a confecção de um enorme baseado. Hábito que adquiriu nos anos 70, quando, ainda jovenzinho imberbe, morou em uma república estudantil na rua Capote Valente.
- É Spaghetti, né Jóoo?

Ela questionou docemente acenando que já se sentia em “casa” e que se encontrava ligeiramente ansiosa pela noite que se aproximava.
Jorge percebeu o lance e não vacilou. Acionou um cd de Bésame mucho na voz de Luís Miguel, tocou fogo na bomba e,distraidamente, apalpou os testículos como que a conferir se tudo estava no lugar.
Com um doce olhar de perdão pela cena tosca, Alzirinha sorriu e pediu para dar um tapinha na marijuana.

Não sem antes dar uma enorme tragada e, ainda a baforar fumaça, Onofre tomou-a bruscamente em seus braços e, após caloroso e longo beijo, lhe entregou o enorme e mal acabado cigarro.

Claudio Zumckeller

17 de julho de 2010

UMUNDUNU - CONFISSÕES DE ARISTIDES BORGES AMARO


Umas pérolas de Aristides Borges Amaro, o Tidão:

Encontro a figura chupando mexerica e saindo da feira livre, ele ia sobrecarregado pelo conteúdo de duas enormes sacolas.
- Diga lá Tidão! Fui dizendo enquanto lhe aliviava com uma das cargas.
- Opa! Como está, ilustre! Bom lhe ver, sobretudo com esse auxílio providencial. Vamos nessa!
E seguimos ladeira acima. Alguns passos e não deu outra, ele soltou o verbo:

- O Dr. me proibiu destilado. Agora só bebo ali em frente.
A família me entregou para os alcoólicos anônimos, preferi ser um bêbado conhecido. Meu melhor amigo Jack Daniels é um cachorro engarrafado.
A Dolores meteu o ovo em um copo de cachaça e depois de três dias, veio me mostrar o ovo apodrecido: nunca mais comi ovo.
Estou cismado com a luz do banheiro. Na madrugada passada, bastava eu abrir a porta e ela ascendia! Será que urinei na geladeira?
A Alzirinha, minha vizinha bancária, ao passar por mim e constatar minha embriaguez disse revoltada: bêbado!! Depois de olhá-la por alguns segundos, arrematei: Feiosa!! Ao menos amanhã fico bom!
Para a morte, entre Alzheimer e Parkinson, fico com o primeiro: a gente não lembra nada. Imagine levar o copo pro bico com aquela mão teimosa!

Já na entrada da Rua Franco Paulista avisto a Dolores vindo em nossa direção. Sorridente ela agradeceu e quis pegar a sacola, não permiti e só entreguei na cabeceira da escadaria que dá para o lar do casal.

- Obrigado, mano! Hora dessas lhe chamo pra um feijão turco.
Ave Maria!Vou aguardar, é a especialidade da Dolores!

Claudio Zumckller