1 de dezembro de 2009

FUTEBIZARRICES - SÉRIE B: O PARAÍSO É LOGO ALI, EMBAIXO.


Rebaixamento, palavra que assombra todos os anos alguns milhares de torcedores pelo país inteiro. Sejam nos estaduais ou nas divisões menos importantes, essa palavra mete medo em muitos clubes do Brasil. Nos últimos anos, clubes grandes do nosso futebol passaram a conviver de perto com esse fantasma. O que antes parecia ser uma utopia, ver um time grande disputando a Série B, aconteceu e vem acontecendo com certa regularidade.

Equipes campeãs como Palmeiras, Botafogo, Grêmio, Atlético-MG, Coritiba, Corinthians e recentemente o Vasco, sentiram o gostinho de disputar a segunda divisão.

Mas afinal, existe vida após a queda?

A resposta é muito simples, sim. Todos esses times se reestruturaram após a queda, tiraram proveito da lição e aprenderam com seus próprios erros. Mas como para toda regra existe uma exceção, para esta também existe e se chama Botafogo de Futebol e Regatas.

Os primeiros a caírem foram Botafogo e Palmeiras no ano de 2002 e que abrilhantaram a série B em 2003. Começava ali uma nova segunda divisão, era o primeiro passo para a mudança, esse campeonato começou a ser televisionado e ganhou certa importância.

Depois de bater na trave em 2003, no ano seguinte não teve jeito e o campeão mundial Grêmio fazia sua pior campanha em campeonatos brasileiros terminando na lanterna do campeonato. Em 2005 foi a vez do galo mineiro. Em 2007, um dos principais times do país, mesmo com ajuda de sua fiel torcida, o Corinthians experimentou o gosto amargo do descenso e no ano passado o Vasco da Gama completou nossa lista de grandes rebaixados.
Lágrimas, revolta, chacota dos adversários, tudo isso foi engolido goela a baixo com muita dificuldade. Mas todos deram a famosa volta cima. Palmeiras e Botafogo que juntos caíram e juntos voltaram para a Elite. O Palmeiras logo no seu retorno, em 2004, conquistou uma vaga na Copa Libertadores do ano seguinte. Já o Fogão, por um pontinho apenas, não teve seu pesadelo revivido. Terminou o campeonato na 20ª posição com 51 pontos. O rebaixado Criciúma conquistou 50 pontos.

Em 2005, um dos jogos mais dramáticos da história do futebol tupiniquim coroou a conquista e o retorno o Grêmio. O jogo que ficou conhecido como Batalha do Aflitos foi vencido pelo tricolor gaúcho por 1x0 nos acréscimos da etapa complementar. Mas o drama não foi só esse. O Náutico jogava com três homens a mais e já havia desperdiçando dois pênaltis. No seu retorno o Grêmio terminou em 3º lugar conquistando assim uma vaga na Libertadores, na qual seria derrotado somente na final pelo Boca Juniors da Argentina.

Já o Galo teve um caminho mais fácil, e conquistou o título em 2006 sem passar por aflição alguma. Em 2007 o Coritiba repetiu a campanha dos mineiros, e também não enfrentou grandes dificuldades em seu retorno à elite. O mesmo pode ser dito do Corinthians, que obteve a melhor campanha em todos os tempos da segundona e no ano seguinte já conquistou o Campeonato Paulista e a Copa do Brasil. Neste ano o Vasco pareceu querer dar um pouco de emoção ao campeonato. Depois de um começo conturbado a equipe do bom Dorival Junior, conseguiu encontrar o bom futebol no meio da competição e arrancou para a liderança, trazendo consigo o Ceará, o Guarani e a surpresa Atlético de Goiás

Da série B vem também dois dos principais contratos de patrocínios dos últimos anos. O Corinthians recebe por um ano de contrato com a Medial Saúde R$16,5 milhões e o Vasco R$14 milhões por duas temporadas com a Eletrobrás.

Revelações também surgiram nesse longo e turvo caminho de retorno à elite do futebol brasileiro. No Vasco surgiram Souza e Alex Teixeira, destaques da seleção sub-20 e Philipe Coutinho craque da sub-17. O Corinthians revelou o bom Dentinho e ainda fez surgir para o futebol André Santos, Cristian e Elias. Já o Coxa nos apresentou Rodrigo Mancha, Pedro Ken, Marlos e Keirrison. Destes quatro, apenas Ken continua no clube, mas de contrato acertado com o Cruzeiro. No Grêmio apareceram Lucas e Anderson, ambos os jogadores da seleção principal e destaques de Liverpool e Manchester United, respectivamente. Sem falar no bom goleiro Galatto e no excelente treinador Mano Menezes, que já detinha a façanha de levar o XV de Novembro, de Campo Bom, a uma semifinal de Copa do Brasil. O paulista Palmeiras revelou Vagner Love, o lateral Lúcio e o zagueiro Glauber, hoje no Manchester City da Inglaterra. Já nos mineiros do Atlético, surgiu o bom goleiro Diego Alves, hoje no Almería da Espanha e de passagens pela seleção. Thiago Feltri, Welton, Felipe e Tchô, que hoje integram o elenco principal do time no campeonato, Marcinho, ex-Flamengo, hoje no Qatar e ainda Danilinho, que hoje joga no futebol mexicano.

Para alguns um tormento. Para outros a salvação financeira. Essa é a segundona, que vive atormentando os clubes brasileiros o ano todo. Mas como tudo na vida tem o seu lado bom, às vezes cair pode ser muito benéfico para time e torcida.

Renato Souza

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