12 de novembro de 2009

UMUNDUNU - PELAS ONDAS DO AR


Internet, PC, laptop, palmtop, smartphones, MSN, Skype, iPhone, iPod, Twitter, celular 3G, tv à cabo ou via satélite, alta definição, LED, Amoled, GPS... Um monte de acrônimos, siglas, um caminhão de novas tecnologias, todas à nossa disposição. Será?

O blecaute da noite de ontem foi mais um dos vários apagões por que vem passando o país desde os anos 1980, apesar da estagnação econômica e da inflação da época. O crescimento do milagre da década anterior, tão propalado pelo regime militar, mostrou-se insuficiente num quesito importante para o desenvolvimento de uma nação – infraestrutura. Estradas, ferrovias, usinas, tudo sucateado. Foi a época em que o governo mais construiu usinas hidrelétricas, estradas, estádios de futebol, rodoviárias, aeroportos e nem assim foi capaz de sanar os problemas infraestruturais de um país que se agigantava. Criou uma porção de elefantes brancos difícies de manter e que não têm a função que deveriam.

A recuperação dos anos 1990 com a criação do Plano Real e a “morte” do dragão da inflação – a qual custo, todos sabemos! – também não foi suficiente para que governantes vissem uma oportunidade de melhorar e investir em energia renovável, estradas e ferrovias de boa qualidade, modernização do sistema aeroportuário; a lista é enorme. Milhares de pessoas morrem todos os anos nas estradas abandonadas, desastres com aviões ficaram comuns (apenas em 2007, 217 pessoas morreram em acidentes no espaço aéreo brasileiro), linhas de transmissões de energia falham com chuviscos, o etanol não decola, além, é claro, da briga em torno do pré-sal, que só vai dar retorno em 10 anos – se der.

Toda esta digressão para falar numa tecnologia que pouco mudou desde que foi criada: a radiodifusão. Foi com um bom e velho radinho de pilha que todos foram informados do blecaute de ontem, inclusive quais serviços estavam paralisados, quando e se voltariam a funcionar.

Metrô e trens parados, linhas de ônibus com muito atraso, sumiço de táxis, o caos imperou na maior cidade do hemisfério sul. Foram as emissoras de rádio, especialmente as noticiosas, que mantiveram o paulistano – e todo brasileiro que teve problemas com o blecaute – informado.

Nestes casos, o mais que centenário rádio mostrou-se útil, mesmo quando todos dizem que ele morrerá. Não morreu com o cinema, nem com a TV ou com a internet. Ele evoluirá, transformando-se numa outra alternativa. Mas sempre pelas ondas do ar.

Rodrigo De Giuli

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