5 de novembro de 2009

UMUNDUNU - BASTARDOS INGLÓRIOS TRAZ DE VOLTA A VERVE DO DIRETOR QUENTIN TARANTINO


Criticado até por seus mais fanáticos seguidores depois das duas partes de Kill Bill, o diretor norte-americano recuperou-se com esta meio comédia, meio aventura de guerra de pouca ou nenhuma verossimilhança. A mistura de elementos, linguagens e escolas – do spaghetti western à aventura, da comédia pastelão ao drama – e o uso da trilha sonora como poucos, faz do nerd Tarantino único no universo cinematográfico da Hollywood moderna.

Os bastardos inglórios do títulos são soldados judeus recrutados pelo coronel Aldo Rayne (uma mistura de Aldo Ray e John Wayne, ambos atores norte-americanos já mortos), interpretado de forma caricatural, contudo excelente, pelo ator Brad Pitt. A missão destes soldados é matar a maior quantidade de nazistas que conseguirem, da forma mais violenta possível. Tal qual índios selvagens, eles escalpelam os mortos.

No entanto, Rayne deixa sempre um sobrevivente para contar os horrores e espalhar o medo pelas tropas alemãs. Marcados com a suástica na testa, quem consegue viver ficará com a cicatriz para sempre – qualquer semelhança com a tatuagem de números nos braços dos sobreviventes judeus dos campos de concetração não é mera coincidência.

Paralelamente, ainda no início do filme, uma jovem sobrevive ao ataque do coronel nazista Hans Landa, interpretado pelo magistral ator austríaco Christoph Waltz. Landa é uma espécie de ajudante-de-ordens do chanceller Adolf Hitler: tortura inimigos, mata judeus, organiza festas da cúpula do partido Nacional-Socialista e, no meio de tudo isso, ainda conspira contra Hitler – neste caso, para salvar-se. A jovem sobrevivente torna-se dona de um cinema em Paris, que por idas e vindas da história, será o local de exibição do lançamento de mais um filme de propaganda nazista de Joseph Göebbels, ministro da propaganda nazista.

Não uma, mas duas conspirações para matar o chanceller alemão e seus conselheiros diretos são tramadas ao mesmo tempo. Os conspiradores se aproveitam de agentes duplos, disfarces e tramoias, quase todas acidentais, para colocar o plano em prática.

No cinema lotado, fugindo de qualquer verossimilhança ou apuro histórico, o iconoclasta Tarantino mata todos os nazistas de alta patente: Herman Göering, Martin Bormann, Albert Speer, Joseph Göebbels e o chanceller em pessoa – todos metralhados e incendiados na premiere. Ambas as conspirações, mesmo que completamente amadoras e acidentais, são um sucesso.

Talvez o único senão ao filme seja culpa dos distribuidores nacionais. O título original, Inglorious Basterds, possui um erro proposital, para distinguir-se do homônimo de Enzo Castellari, de 1978, mas também pela pronúncia que Tarantino faz da palavra. Poderiam ter brincado com o título em português: Bastardos Englórios, Bastardos Ingrórios, Basterdos Inglórios…

De qualquer forma, a produção, filmada na França e na Alemanha, dá a chance para Tarantino ridicularizar o nazismo. Mesmo que isso não passe de uma diversão quase pueril para o diretor de Cães de Aluguel e Pulp Fiction, e que ele realiza com maestria e competência pouco vistas atualmente em Hollywood. Um grande filme.

Rodrigo De Giuli

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