13 de novembro de 2009

REALPOLITIK - GILMAR MENDES BATE O MARTELO E NÃO DECIDE NADA


Na tarde desta quinta-feira - 12/11, o Supremo Tribunal Federal retomou o julgamento do caso de extradição do ex-ativista italiano Cesare Battisti, acusado e julgado culpado pela justiça italiana por participação em quatro homicídios no final da década de 70.

Não é o primeiro julgamento de extradição do militante, em 1991 os franceses negaram o pedido italiano, em 2005 um novo pedido foi feito e acatado pela justiça francesa, mas Cesare já não estava mais em solo francês e sim em terras brasileiras, curtindo o calor dos trópicos com seu "camarada" Tarso Genro.

Dentre os quatro homicídios que foi acusado na Itália, o assassinato do policial Andrea Campagna, particularmente chama a atenção. Quase três décadas atrás, Campagna foi baleado em uma rua movimentada de Milão, o crime foi considerado uma execução. Seu irmão Maurizio concedeu várias entrevistas recentemente, e afirmou ao G1 que a morte de seu irmão não foi por motivos políticos. “A decisão de matar meu irmão foi só do Cesare Battisti. Battisti não é um terrorista, é um criminoso comum"

No velho continente não é preciso procurar muito para achar alguém disposto a dar declarações polêmicas sobre o fugitivo italiano. A vice-presidente do Parlamento Europeu, Roberta Angelilli, afirmou na semana passada que Battisti é um mentiroso compulsivo. O próprio presidente italiano, Berlusconi, também deu declarações polêmicas sobre o caso (o sujo falando do mal lavado).

Porém, a defesa do italiano nega todas as acusações. Em entrevista à revista "Consultor Jurídico", o advogado Luís Roberto Barroso disse que Battisti foi sim um membro do PAC (Proletários Armados para o Comunismo), era um militante político, mas não possui nenhuma ligação com os homicídios.

Atualmente Battisti está preso no Distrito Federal, e se o STF decidir contra sua extradição, ele sairá do presídio e poderá viver no Brasil. Porém, não foi na tarde desta quinta que o STF decidiu sobre a extradição do ex-ativista. O julgamento terminou empatado, sendo o último voto do ministro Marco Aurélio Mello, em favor do italiano. O presidente do STF Gilmar Mendes suspendeu a sessão, que será retomada, mas ainda não tem data marcada.

Minha opinião: a justiça brasileira está no mínimo confusa com essa situação. Discordo do nobre senador Suplicy quando diz que Battisti é um exilado político. A justiça brasileira tem uma bomba prestes a explodir em suas mãos, para mim, o melhor a se fazer seria embrulhar Battisti como um presente e devolver aos nossos "amigos" italianos evitando assim futuras complicações diplomáticas.

Ricardo Alge

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