9 de novembro de 2009

EDITORIAL 7CO


A Uniban vendeu o sofá…

… E os visigodos venceram a batalha. A aluna do vestidinho rosa foi expulsa da Uniban, de acordo com a nota oficial “A educação se faz com atitude e não com complacência”, publicada nos principais jornais deste domingo (08/NOV/2009), em que a universidade teria seguido seu Regimento Interno, Regime Disciplinar, explicando os capítulos e os parágrafos, depois de uma sindicância interna.

O que a universidade não mostrou foi inteligência. Perdeu uma excelente oportunidade de debater o acontecimento e suas implicações. Deram voz aos agressores e a “vítima” (sim, entre parênteses, pois não há inocentes no caso) foi a única punida. Pois alguém acredita que os alunos envolvidos, mais de 700, segundo qualquer fonte ouvida, serão suspensos?

Ainda segundo a nota, a culpa teria sido da aluna do vestidinho rosa. Pela publicação, ela “(…) fez um percurso maior do que o habitual aumentando sua exposição e ensejando, de forma explícita, os apelos de alunos que se manifestavam em relação à sua postura (…)”. Para a universidade, “(…) no interior do toalete feminino, a aluna se negou a complementar sua vestimenta para desfazer o clima (…)”.

O que houve então foi, ainda de acordo com a nota oficial, “uma reação de defesa do ambiente escolar”, pois foi “constatado que a atitude provocativa da aluna (…) buscou chamar atenção para si por conta de gestos e modos de se expressar”.

A Uniban “reafirma seu compromisso com a responsabilidade social e a promoção dos valores que regem uma instituição de ensino superior (…)”, continua a nota, “expressando sua posição de apoio aos seus 60 mil alunos injustamente aviltados”.

Fazemos parte destes 60 mil alunos. Somos uma ínfima minoria: apenas 7. Uma pequena fração que não foi ouvida, contudo pode se expressar – agora temerosos de perder nossa matrícula pela crença na liberdade de manifestação do pensamento! – neste espaço para repudiar o que a Uniban tomou como medida, em nossa opinião, ditatorial e antidemocrática.

Não nos sentimos aviltados por um vestidinho rosa, usado sim por uma oportunista que está conseguindo exatamente o que queria, grande exposição midiática. Estamos aviltados pela falta de “jogo de cintura” e senso de oportunidade da instituição em debater o ocorrido e fazer valer o que sempre consideramos essencial no meio acadêmico: disseminação de conhecimento.

“Jogo de cintura” que faltou neste semestre com a turma de Jornalismo em outro campus da instituição, mas isso é uma outra história, não vem ao caso.

Está claro pela nota oficial da Uniban que ela escolheu trilhar o caminho fácil. Faltaram um bom assessor de marketing e um de gestão de crises na reunião em que foi decidida pela expulsão da aluna do vestidinho rosa. Valeram-se apenas do jurídico – um tiro no pé. Ou 60 mil tiros nos pés!

Veremos o quanto isso vai prejudicar a universidade nos próximos anos. Esperamos que ela aprenda com o erro e faça de outras situações futuras uma forma de aprendizado. Pelo bem dos “aviltados 60 mil alunos”.

E se nem assim houver uma mudança de ideologia, os mendigos que se cuidem!

7cismo

4 comentários:

  1. De boa, não concordo muito com vocês.
    A Uniban é culpada por não controlar a situação e ainda fazer a cagada de expulsar a garota sabendo que a maioria das pessoas estão a favor dela? Sim, a Uniban é.
    Agora, beleza. Entendo que usar um vestido curto não seja roupa para se usar numa faculdade, mas convenhamos, quase toda mulher que tem corpo pra usar um vestido daquele, e até as que não têm, possuem pelo menos uma roupa curta no armário e usa sempre que possível. Dúvido que ela queria "grande exposição midiática", se ela quisesse não teria ido à faculdade, um lugar que costuma frequentar,com aquele vestido.
    As mulheres têm o direito de usar a roupa que bem entendem. E vocês sabem muito bem, que mesmo usando uma roupa comportada, sempre tem uma meia dúzia de homens que fica "aceso".
    Ela provocou? E daí? Isso não explica o alvoroço que teve.
    A Uniban falhou? Falhou, e isso não é novidade. E não se preocupem, acho difícil vocês perderem a matrícula por causa desse post.
    ;]

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  2. Excelente o comentário feito do Pontapé Inicial. Melhor ainda o comentário da Bárbara.
    Muito bom saber que ainda há pontos de luz nessa universidade.
    Abraços.

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  3. Cara Rita,
    Em primeiro lugar, obrigado pela preocupação e pelo comentário.
    Há sim pontos de luz na universidade. Há boas exceções. Posso dizer que minha turma é digna de qualquer instituição de ensino do país. Dela sairão excelentes jornalistas, éticos, preocupados com a independência e com o conteúdo de seu trabalho. Falarei mais especificamente dos 7 que escrevem neste blog: nós temos visões distintas de mundo, muito pelo fato de sermos de idades ou de níveis sócio-culturais diferentes. Mas isso não significa que não será encontrado um pouco de politização e percepção de que tudo que envolve o sistema deve ser combatido, vigiado e aberto aos olhos da sociedade. É assim que vemos o jornalismo, como algo que tem valor social, o quarto poder, na sua melhor definição possível. E é assim que lidamos com o jornalismo: de forma independente e séria, mas sem perder o humor.
    Mais uma vez, muito obrigado pelo comentário, ele nos deixa orgulhosos de "trilhar o caminho certo", mas sem nos esquecermos de que Jornalismo se faz com olhos, ouvidos e mente aberta!
    Um abraço,
    Rodrigo De Giuli
    www.7cismo.com

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  4. Concordo que faltou jogo de cintura por parte dos advogados da Universidade.
    O fato de ter aparecido tanto na televisão,provavelmente se deve ao fato de que brasileiro adora uma muvuca!

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