30 de novembro de 2009

UMUNDUNU - CORRENTE ALTERNADA/CORRENTE CONTÍNUA

Dia 27 de novembro. São sete horas e meia. O sono está longe, tento pregar o olho desde as 3 da manhã e a angústia corrói qualquer lapso sonífero. Tática infalível, pego um livro – só não o queimo por causa destes momentos – chamado “Quando Ele Voltar”. Agora sim... Essas palavras têm realmente algum poder mágico. Acredito que dormi por volta das oito horas.

Além alvorada, acordo acelerado, abstêmio. Apago abajur. Abrigo abafado. Alimento: abacaxi ácido. Ameaço ancorar-me. Aniquilo. A ansiedade agrava. Acintosamente agrupo adianto. Abonado. Aliás... Alma alucinada, agenda apertada, afago, agradeço. Aparvalhado, apaixonado, arranco-rabo. Aclamado automóvel acarinha a avenida.

Na metade da Avenida 23 de Maio, o carro pára. Trânsito intenso. Cruzar a cidade de São Paulo nas tardes de sexta-feira é, praticamente, missão impossível. O clima agrava certo mal-estar. São 32 graus. O sol não castiga, mas o mormaço transforma o interior do carro em uma sauna. O percurso de 16,5 km até o estádio Cícero Pompeu de Toledo seria longo.

Tudo parado na Avenida Rebouças. Já estávamos cozendo dentro do carro. O rádio ligado na Kiss FM, trazia inúmeros sucessos da velha guarda rockeira: Jimi Hendrix, Queen e Pink Floyd. Mas quando os primeiros acordes de Hells Bells rasgaram os alto-falantes, fomos ao delírio. Janelas abertas, cabeças para fora. Não éramos os únicos, a maioria dos motoristas aumentou o volume de seus rádios e o show começou ali. A banda AC/DC subiu ao onírico palco às cinco horas da tarde, em plena Rebouças.

Já estamos três horas dentro do carro. Chegamos ao estacionamento do Shopping Butantã, nossa única esperança, até que algum filho da puta lembrou-se do mundo capitalista selvagem em que vivemos. Preço: R$100. Passamos batido, amaldiçoamos o ser que cometeu tal ato, e fomos à busca de um canto para largar o pequeno Palio.

Conseguimos. Rua Roteiro. Alguns metros do estádio. Preço cobrado pelo flanelinha: R$20 mais um cigarro. Dei de bom grado, com sorriso no rosto. A rua era tomada, aos poucos, por pessoas, vans, viaturas, vendedores ambulantes e ambulâncias. A praça em frente ao glorioso estádio estava lotada. Homens novos, velhos, mulheres novas, velhas, lindas. O caminho até o portão número cinco é cheio de obstáculos. Inúmeros fãs andavam em fila indiana para não se perderem. Após apresentar o ingresso, guardado com extremo zelo durante dois meses, e a revista policial, entramos no estádio.

Era um verdadeiro culto. Milhares de pessoas amontoavam-se no gramado, cadeiras e arquibancadas. O número divulgado é de 65 mil, mas os olhos não se enganam. O Morumbi recebia muitos milhares a mais. Seres de todas as crenças, cores, tamanhos e idades. Em minha frente: dois senhores de, provavelmente, 50 anos. A minha direita: duas belíssimas mulheres. A minha esquerda: alguns jovens bem alterados pelo álcool. Atrás: alguns jovens bem alterados pela ganja. Com o estádio mergulhado na escuridão, era possível ver inúmeros chifres vermelhos piscando. O adorno pintava o negro com luzes intermitentes.

21:30. Pontualmente, o espetáculo começa. Explosões, muitas explosões. Um trem invade o palco e os vovôs australianos aparecem. Frenesi. Êxtase. Logo ali na frente estão Angus Young, com seu terno e sua guitarra Gibson SG, Brian Johnson e sua boina, Malcom Young, Cliff Williams e Phil Rudd segurando a cozinha.

Escrevi esse parágrafo inúmeras vezes. Reescrevi. Não é possível externar os sentimentos que o AC/DC causa em seus fãs e como seu show foi magnífico. Só não digo perfeito, pois faltaram alguns clássicos (a turma jovem não liga). Tecnicamente, vou descrever alguns acontecimentos. Durante a música The Jack, Angus Young fez um strip-tease que só chegou ao fim quando mostrou sua cueca preta desenhada com o logo da banda. Whole Lotta Rosie foi acompanhada com uma gigantesca boneca, apenas de lingerie, montada - e “cavalgando” – sobre um trem que ficava no fundo do palco. Em Hells Bells, um enorme sino ficou suspenso e Brian Johnson, no auge dos seus 62 anos, correu mais de 100 metros até o badalo do idiofone e dependurou-se nele até o som começar a vibrar através da lingueta interna. Highway To Hell trouxe o inferno ao estádio. Fogo, chifres e gritos. O espetáculo foi finalizado com For Those About To Rock. Inúmeros tiros de canhão e fogos de artifício fecharam a noite. Brian grita no microfone: “We salute you, São Paulo. We salute you”. Estranho dizer isso, mas eu não era o único com os olhos marejados.

Saímos do estádio como crianças em uma manhã natalina. Era fácil descrever como nos sentíamos: todos os adjetivos positivos, juntos. Foram 13 anos de espera.
Voltamos em 45 minutos para nossas casas. Contrastante com o tempo de ida.

Os carros passavam ao nosso lado, as pessoas, tudo parecia lindo e ao mesmo tempo sem sal. Dificilmente viveríamos outra noite igual a essa. AC/DC nos deixou em pedaços. Ficamos atordoados.

“Sound of the drums beating in my heart. The thunder of guns tore me apart. You've been… Thunderstruck.”


Felipe Payão

29 de novembro de 2009

UMUNDUNU - A VIDA QUE É MENOS VIVIDA QUE DEFENDIDA

O poema Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto, morto há 10 anos, adaptado em muitas linguagens, já foi encenado por José Celso Martinez Corrêa, musicado por Chico Buarque e filmado por Zelito Viana

Mais um Severino como tantos. Severino da Maria do Zacarias, lá da serra da Costela, limites da Paraíba, de cabeça grande, ventre crescido, pernas finas e sangue ralo. Severino vem de onde se morre de velhice antes dos trinta, de emboscada antes dos vinte, de fome um pouco por dia, de fraqueza e de doença, de morte morrida ou de morte matada.

Segundo o filósofo alemão Martin Heidegger, o homem é um ser que caminha para a morte, a única certeza da existência humana. Não há outra forma de explicar a saga do retirante Severino, senão como a fuga da morte. Obra popular e escrita como uma peça teatral medieval, o poema Morte e Vida Severina – Auto de Natal Pernambucano, de João Cabral de Melo Neto, é uma interessante alegoria da morte que persegue Severino durante sua viagem ao Recife. Como personagem da obra, a morte aparece de várias formas durante o percurso do emigrante.

Severino vive no agreste pernambucano. Sem trabalho e fugindo da seca, resolve ir para o Recife, em busca de vida melhor. Pelo caminho, o personagem encontra outros Severinos em situações que lhe impingem dúvidas e medos. Um defunto, Severino, morto em emboscada por causa de terra. A triste visão do rio Capibaribe seco, que lhe faz perder o rumo. É outra metáfora, desta vez a da sina do retirante que vai para o mar fugindo da seca que corta a passagem. O velório de mais um Severino, numa das paradas. A procura pelo trabalho escasso, esperando que o rio dirija o caminho novamente. A rezadeira profissional vivendo da morte alheia, talvez uma das poucas com uma vida menos severina. Avista um canavial, a terra cultivada, a água que mina abundante. O emigrante pensa na fartura, até descobrir que o que vê é um latifúndio. A crítica ao coronelismo aparecendo de forma lírica. E mais um velório, provavelmente o morto é outro Severino. Continua sua saga em direção ao mar. Já cruzou o Agreste, a Caatinga e a Zona da Mata. Até chegar ao Recife.

Na capital, descansando ao lado de um cemitério, Severino ouve a conversa de dois coveiros. Eles reclamam das gorjetas maiores dadas pelas famílias dos mortos enterrados em outro cemitério.

O retirante descobre que a vida severina também está no Recife, dura, sem facilidades. O que os retirantes seguem é seu próprio enterro. Torcem para que a morte chegue logo; o Severino do poema pensa em se matar. É quando a explosão da vida lhe ensina, através das palavras do Zé Carpina, que não há espetáculo maior que o da vida, mesmo que seja uma vida severina acabada de nascer.

Assim como no romance Vidas Secas, de Graciliano Ramos, o retirante é o tema central da história. Em contrapartida, o poema Morte e Vida Severina é mais otimista. No romance, o emigrante foge da seca e nunca encontra refúgio seguro. Está preso a um ciclo. Em João Cabral de Melo Neto, o homem sofrido do nordeste tenta escapar da morte inutilmente, até descobrir a explosão da vida, mesmo manifestada num corpo recém-nascido raquítico.

Entretanto, o otimismo não direciona a narrativa do poema a um típico final feliz. Ao contrário do que escreveu outro filósofo alemão, Friedrich Nietzsche, o que não mata o retirante também não o fortalece – a fome e a seca esgotam-no. O poema é direto, visceral. Sua oralidade facilita a interpretação. O naco de esperança exposto apenas no final não é um mero clichê, mas clara valorização da beleza e da crença na vida, através da contradição entre a dureza do sertão e a fragilidade do ser humano que, apesar disso, resiste.

Obra: Morte e Vida Severina – Auto de Natal Pernambucano
Autor: João Cabral de Melo Neto (1920-1999)

Editora Objetiva

Poesia

2007
- 176 páginas - R$ 29,90 (preço sugerido pela editora)


“Os homens temem a morte como as crianças temem ir no escuro; e como esse medo natural das crianças é aumentado por contos, assim é o outro.” (Francis Bacon)

Rodrigo De Giuli

27 de novembro de 2009

UMUNDUNU - MAIS UM DIA DE TRABALHO

Seis e quinze da manhã, o celular desperta. Já é possível ver riscos do sol rabiscados na parede do quarto. Os olhos insistem em permanecer cerrados. O corpo mole teima em se erguer. Não há alternativa. É hora de começar mais um dia. A temperatura deve estar rodeando os vinte e cinco graus. Nada pode ser mais agradável e revigorante do que uma ducha gelada. O cheiro do café toma conta da casa. Mais alguns minutos e estarei pronta.

Sete e quinze, monto na bicicleta. Fecho os olhos e a sensação de liberdade é tão real quanto o vento que esvoaça meus cabelos. A terra molhada pelo orvalho exala um perfume encantador, capaz de provocar instantes de paz, como se a vida fosse delicada como os pequenos detalhes perceptíveis apenas com uma porção de sensibilidade.

Dobro a esquina e já posso ver a movimentação. A loja está aberta. Todos estão entrando e tomando suas posições. Antes mesmo de adentrar totalmente, a realidade me diz bom dia.

Os pássaros calam-se e toda área é tomada por gargalhadas e palavrões. A fragrância inebriante de minutos se perde entre os corredores e o que sinto agora é apenas o odor natural da borracha.

Não, ao contrário do que pensam, não há nenhuma discussão que explique as gargalhadas ou palavrões. Nem me refiro a um ambiente de reciclagem quando menciono o fedor que vem do estoque. É simples, este é o meu trabalho. Sou vendedora de autopeças e o forte da empresa são borrachas automotivas.

O telefone toca, antes mesmo de terminar a frase decorada que faz parte de minhas funções, sou interrompida por um chucro mandando-me passar a ligação para um vendedor. Com toda educação que disponho respondo prontamente:
- Sim, pode falar.

Uma risada irônica antecede as palavras vomitadas:
- Você é surda minha querida? Quero falar com um vendedor?
Minha mãe me disse que devo respeitar a todas as pessoas. A vida me ensinou que minha educação corresponde à que recebo de cada um. Assim sendo, resta-me dizer:
- Não, não sou surda senhor, ao contrário, parece-me que o senhor é que não compreendeu. Sou vendedora, então, em que posso ajudar?
- E desde quando mulher entende de carro?
- Não estou aqui para lhe responder essa pergunta, mas por que não tenta?

Toques histéricos de telefone, homens suados e fedidos fazendo cantadas que causam náusea, sim, pois são poucas as criaturas do sexo masculino que se portam com hombridade. Esse é só o começo de mais um dia útil em minha vida.

Os ponteiros do relógio parecem passear sem pressa, como se zombassem de mim. Sabe que até fico feliz quando chega um mecânico com uma sacola cheia de mangueiras de radiador, filtro de ar ou tampa de válvula, sem descrição exata, assim me perco entre as prateleiras procurando semelhanças para adaptar. Quando volto ao escritório, sinto-me vingada, os ponteiros parecem ter corrido e a hora de voltar para casa está próxima.

São tantos os “causos”. Coisas que mais parecem piada. Não daria para contar, levaria muito tempo.

Volto para casa sonhando com o chuveiro gelado. O perfume da terra já não consigo sentir, o da borracha parece querer dominar, assim como os clientes que atendo no balcão.

A estrela que desenha meu quarto só voltará daqui a algumas horas. Por enquanto, deu lugar à lua. A lua, como me encanta! Seu brilho suave parece envolver todo o quarto, embalando meu sono.

Por que é tão difícil dividir o mesmo espaço e admitir a igualdade? A natureza faz isso. Há o tempo do sol e o da lua. Há o tempo da junção dos dois, o que torna tudo mais intenso. O perigo está em lutar contra isso, pois, no momento em que ocorre a união de ambos, o mais suave dos dois, toma a frente mostrando a sua força.

Colaboração de Rivânia Nobre

26 de novembro de 2009

REALPOLITIK - AOS QUE PREFEREM AS SOMBRAS


Os olhos que tudo vêem. Os ouvidos que tudo ouvem. O onipresente, onisciente e onipotente Big Brother, o grande irmão (esqueça aquela porcaria de reality show holandês, que virou mania mundial, Brasil infelizmente incluído via Rede Globo). Pobre Winston...

O britânico Eric Arthur Blair (1903-1950), cujo pseudônimo George Orwell se fez conhecido romancista, finalizou, em 1948, seu mais importante trabalho: o livro 1984 (Os dígitos 4 e 8 invertidos do ano que ele concluiu o romance).
Blair – ou Orwell, como o escritor ficou imortalizado – vivia num ambiente pós-guerra, em que o nazi-fascismo de Adolf Hitler e Benito Mussolini levaram à fome, à destruição e ao caos.

O fantasma do comunismo crescia, imediatamente após a divisão do espólio de guerra entre os capitalistas EUA e Inglaterra e os “socialistas” soviéticos, gerando uma tensão e, consequentemente, levando-os à Guerra Fria.

Este mundo apocalíptico, tristemente apodado de “orwelliano”, influenciou decisivamente na autoria de seus livros. Mesmo nos acrônimos e neologismos criados por Orwell, tem-se a impressão de realismo e similaridade incríveis.

O pessimismo do autor levou-o a pensar num mundo controlado por ditadores e com o povo à mercê de suas vontades. Não parecia longe da verdade, se tivermos como exemplos a extinta União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) ou a atual Coréia do Norte.

O escritor deixou esta impressão muito evidente na excelente parábola A revolução dos bichos (1944), uma alegoria anticomunista. São Estados totalitários, controladores e antidemocráticos, na visão do autor.

Em todos os países com regime ditatorial a imprensa foi – ou ainda é – tolhida, não há liberdade de expressão e manifestação do pensamento. No caso atual, e até mesmo referindo-se àquela época, não há outra forma de se entender a sociedade, especialmente a partir dos Meios de Comunicação de Massas (MCM): manipulados conforme os interesses do poder vigente.

Entretanto, não são apenas os países de regime totalitário que restringem o trabalho da mídia. Tal impedimento ocorre, de forma sutil e velada, também na democracia. Uma suposta liberdade de imprensa é, na maioria dos casos, apenas discurso. Controlada por – e à serviço de – governos ou empresas, os veículos de comunicação reverberam os interesses mais íntimos destes setores, embora não abertamente.

Esta imprensa, pouco retratada no livro, mas de grande importância na ficção orwelliana, é que, através da mudança de sua própria história pelo Grande Irmão, muda também os destinos políticos – e consequentemente sociais e econômicos – da Inglaterra de 1984.

Tal qual no “Mito da Caverna” de Platão, a mídia cria suas “verdades” que refletem e ecoam em nossas casas. Ver sombras e tomá-las como verdadeiras. A busca de uma padronização, moldando e agradando o público com produtos medíocres, sem valor crítico.

Novelas, desenhos animados, noticiários, filmes, tudo é produzido para distribuir o que pregava o positivismo. É a senha para “a Ordem e o Progresso”.
Não é o caso do livro de Orwell: ao contrário, ele denuncia, através de sua obra, o controle exercido por um Estado totalitário.

Talvez seja uma certa influência de pensadores da Escola de Frankfurt que, na contramão da padronização imposta pelos funcionalistas (ou positivistas), induzem ao pensamento crítico, trazem à tona contradições que geram discussões quanto à radicalização da sociedade da época.

Faz parte das atribuições dos MCM associados a este status quo criar as aparências que serão inevitavelmente absorvidos por uma “turba” acrítica e suscetível à manipulação (sem referência exlícita aos “alunos” do campus ABC da Uniban), com o mínimo de esforço possível e o máximo de abrangência necessária para exercer tal domínio.

A imprensa, mesmo na democracia, não é livre. Pois é exatamente este mundo democrático que alcunhou a imprensa de “O Quarto Poder”. A mudança, neste caso, não seria necessariamente da história.

E o que sabemos sobre nossa história? Quem a estudou e quem a disseminou? Não foi a mesma elite que agora tenta nos controlar com seus produtos?

Falar de Fidel Castro e a propaganda político-social emanada pelo diário Granma é simples e que não tem na associação entre o ex-presidente norte-americano George W. Bush – através de seu vice-presidente Dick Cheney – com a Halliburton, “segundo a Fox News”, uma facilidade tão aparente.

Adolf Hitler, Benito Mussolini, Francisco Franco, Pol Pot, Joseph Stálin, Mao Tse-tung, Nicolae Ceausescu, Augusto Pinochet ou François “Papa Doc” Duvalier, todos ditadores que utilizaram-se da mídia para abafar opositores e propagar seus regimes.

Por outro lado, líderes “democráticos” como Silvio Berlusconi (com seu poderio midiático, além do time de futebol AC Milan), Bill Clinton (e sua ligação embrionária com a rede CNN) ou mesmo Margareth Thatcher (que sabia como ninguém fazer-se valer da mídia num momento delicado da história inglesa, durante a grave crise do final da deçada de 1970) utilizam-se dos MCM para “traduzir” ações e reações governamentais que, aos olhos do público comum, não seriam entendidas – e, com isso, não lhes renderiam votos.

Todos estes souberam trocar com o público a mensagem que lhes deram a força política e a liderança necessária para governar. A similaridade deles remete ao Leviatã (o bíblico ou o de Thomas Hobbes, tanto faz), um monstro capaz de punir os egoístas que não cumprem o contrato social.

Aos que fogem da caverna, punição e incredulidade. Portanto, mantenha-se preso, olhando as sombras refletidas no fundo dela. Os grilhões, no final das contas, não incomodam tanto. Afinal, a existência de um outro mundo é uma abstração difícil de acreditar aos que preferem as sombras.

Se é assim, não perca a próxima edição do imbecilizante Big Brother Brasil. Esqueça que é escravo da vênus platinada e siga a grande falsidade em horário nobre, com Pedro Bial e suas poesias dignas de uma Reader’s Digest.

Ou... Bem, ou desligue a TV e vá ler 1984. É mais saudável.

Rodrigo De Giuli

25 de novembro de 2009

FUTEBIZARRICES - O QUE ROLA PELO MUNDO 8

GEÓRGIA

Pos Times - Pontos

1 Zestafoni - 31
2 FC Olimpi Rustavi - 30
3 WIT - 26
4 Dinamo Tbilisi - 23
5 Spartaki Tskhinvali - 19
6 Sioni - 14
7 Samtredia - 14
8 Mglebi Zugdidi - 9
9 FC Gagra - 9
10 Loko Tbilisi - 4

HONG KONG

Pos Times - Pontos

1 South China - 58
2 Kitchee SC - 56
3 Citizen - 47
4 TSW Pegasus - 44
5 Fourway - 42
6 Convoy Sun Hei - 42
7 Tai Po FC - 41
8 Happy Valley - 32
9 Eastern - 28
10 Sheffield United - 23
11 Tuen Mun Progoal - 12
12 Mutual - 8
13 Xiangxue Eisiti - 5

JAMAICA

Pos Times - Pontos

1 Tivoli Gardens - 24
2 St. Georges SC - 24
3 Harbour View - 22
4 Boys Town FC - 17
5 Portmore Utd. - 14
6 Arnett Gardens - 13
7 Waterhouse - 13
8 Rivoli United - 12
9 Village United - 12
10 Sporting Central - 10
11 August Town - 8
12 Humble Lions - 7

VENEZUELA

Pos Times - Pontos

1 Caracas FC - 26
2 Dep. Táchira - 24
3 Dep. Italia - 23
4 Trujillanos FC - 20
5 Monagas SC - 20
6 CD Lara - 18
7 Mineros - 15
8 Real Esppor - 15
9 Anzoátegui - 14
10 Zamora FC - 14
11 El Vigía - 13
12 Yaracuyanos FC - 13
13 Aragua FC - 12
14 Zulia - 11
15 Estudiantes de Mérida - 9
16 Carabobo FC - 8
17 SD Centro Ítalo - 7
18 Llaneros FC - 7

CONGO

Pos Times - Pontos

1 Ac Léopard - 76
2 Diables Noirs - 74
3 Etoile Congo - 68
4 Saint Michel Ouenzé - 67
5 Cara - 56
6 As Ponténegrine - 54
7 Fc Bilombé - 51
8 Patronage Sainte Anne - 48
9 V. Club Mokanda - 40
10 As Police - 40
11 As Cheminots - 36
12 Tp Zala - 36
13 Inter Brazzaville - 35
14 Pigeon Vert - 32
15 Us Saint Pierre - 30
16 Inter Club De Nkayi - 27
17 Js Bougainvillées - 25
18 Inter Dolisie - 19


SAMOA AMERICANA

Pos Times - Pontos
1 Black Roses - 18
2 Ilaoa & Toomata - 18
3 Pago Youth - 15
4 PanSa FC - 13
5 Fagasa Youth - 12
6 Tafuna Jets - 10
7 Fc Skbc - 9
8 Green Bay - 3
9 Utulei Youth - 3
10 Pago Youth B - 3



Gabriel Lopes

24 de novembro de 2009

UMUNDUNU – TRÊS FILMES PARA VOCÊ ASSISTIR


(500) Days of Summer – “500 dias com ela”

Diretor: Marc Webb

“Any resemblance to people living or dead is purely accidental. Especially you, Jenny Beckman. Bitch”

É com essa “nota do diretor” que o filme começa.
Sim, é um filme de comédia romântica, apesar disso, com certeza ele está entre os melhores filmes produzidos no ano. No gênero, é disparado o melhor.

A história é a de sempre. Garoto conhece garota, começam um relacionamento e... Aí que o filme surpreende. Logo nas primeiras cenas somos brindados com o cômico rapaz (Joseph Gordon-Levitt) sofrendo pela mulher (Zooey Deschanel).

A película se desenrola durante os 500 dias de relacionamento do casal, mas a linearidade não existe, é mostrado um carrossel de altos e baixos. No começo do filme, estamos no fim. No fim do filme, estamos no começo.



Manderlay

Diretor: Lars Von Trier

Sou suspeitíssimo a falar de qualquer filme deste gênio. Mas a indicação é boa.
Manderlay é a continuação de Dogville. Após “destruir” Dogville, Grace e seu pai encontram uma fazenda onde ainda existe trabalho escravo. O ano é de 1933, faz 70 anos em que a escravatura foi abolida.

Então, como boa samaritana, seu coração de mel e seu superego, Grace decide resolver os empecilhos existentes por lá.
O ponto principal de Manderlay é o racismo. O principal. Porque Lars Von Trier utiliza toda ironia e artifícios possíveis para ralhar o ser humano.

Os críticos dizem que Dogville e Manderlay seriam um “Ensaio sobre os Estados Unidos da América”. Não são.
Se devemos rotular, prefiro: “Ensaio sobre o Ser Humano”.

Só nos resta esperar o ano que vem para conferir a última parte dessa trilogia.




Feliz Natal

Diretor: Selton Mello

O filme é arrastado e cansativo. Tanto que é uma experiência única. Assistir duas vezes é complicado. Mas vale muito.
Selton Mello mostra no filme toda a hipocrisia natalina. A família quebrada, parentes que se odeiam reunidos em volta do peru...

O foco principal é Caio (Leonardo Medeiros), que retorna na noite de natal para ficar com a família. Mas suas ações no passado tornam a convivência familiar em uma tragédia grega.

Alugue e assista, mas só uma vez. Caso seus olhos fiquem marejados só por pensar no clima natalino, fuja do filme.







Felipe Payão

23 de novembro de 2009

UMUNDUNU - AS TORCIDAS ORGANIZADAS


O futebol passou a unir cada vez mais as pessoas, há tempos se formam pequenos grupos de torcedores para assistir ao time do coração, e isso foi ficando cada vez mais constante, até que surgiu a necessidade de se organizar esses torcedores que a cada dia crescia mais. E assim iam surgindo as torcidas organizadas.

Cresceram tanto que se tornaram um problema para a sociedade e autoridades, pois se antes havia dois torcedores discutindo e até brigando, hoje existem cem ou mais se matando. Mas quando o assunto é violência, o Brasil não é o único, com a bola nós pés os brasileiros são indiscutivelmente os melhores, mas quando se trata de torcer, nem se compara à paixão que os ingleses, italianos e os argentinos têm pelo futebol. Os Hooligans, Tifosi e as Barra Bravas são ao mesmo tempo os mais apaixonados e os mais violentos torcedores do mundo.

As Barra Bravas argentinas são conhecidas por incentivarem seus times com cantos intermináveis, localizam-se nos setores mais baratos da arena, sempre de pé. Representam a alma e a garra dos clubes, apóiam incondicionalmente a equipe, cantam até quando o time está perdendo.
Contudo, são responsáveis por espetáculos de violência dentro e fora dos estádios, muitas vezes provocados pelos próprios jogadores, que em muitos casos iniciam a discussão dentro do gramado.

Os italianos são os mais emotivos, talvez os mais apaixonados. Tratam o futebol, ou o cálcio como chamam esse esporte por lá, de uma forma diferente, muito provavelmente por associarem a si a invenção do mesmo. “Estou vendo o dia em que o Papa vai falar sobre um determinado clássico” disse o jornalista Flávio Prado referindo-se ao tamanho da paixão italiana pelo futebol. Entre esses torcedores os níveis de violência são bastante baixos, mesmo assim sempre existe algum confronto antes de alguns jogos.

Já os ingleses, que foram os que melhor assimilaram esse esporte, tratam o futebol quase que religiosamente. São os mais recatados talvez por uma questão cultural. Os Hooligans misturam a paixão clubística com a vontade de fazer vandalismo, na maioria das vezes alcoolizados. A essa torcida é atribuída o principal caso de violência no futebol já existente, a tragédia de Heysel, que foi um catastrófico episódio ocorrido em 29 de Maio de 1985, pouco antes da final da UEFA Champions League, entre Juventus da Itália e Liverpool da Inglaterra, em Bruxelas na Bélgica. 39 torcedores foram mortos por esmagamento e pela queda de uma parede (32 italianos e sete belgas). Mais 350 ficaram feridos após uma grande confusão causada por torcedores ingleses. Como penitência, todos os clubes ingleses ficaram cinco anos sem disputar competições européias e o Liverpool seis. A Juventus ficou com o titulo após pênalti convertido por Michel Platini, mas a final ficou ofuscada pela tragédia.

Os Hooligans surgiram na Inglaterra da década de 60, mas ficaram mais evidentes na década de 70. Durante alguns jogos a violência passou a ser noticiada e televisionada. Hoje a violência é punida com muito mais rigor e muitos torcedores já foram presos, alguns proibidos de frequentar as torcidas e até mesmo de entrarem nos estádios.

No Brasil, esses grupos de torcedores foram denominados de organizadas, por agirem sempre em conjunto, a favor não só de seu time, mas de si próprios. Começaram a surgir nas décadas de 60,70 e em 80 tiveram seu ápice. Hoje se pode afirmar que cada time de futebol do Brasil seja ele profissional ou não, tenha sua torcida organizada. Mas o calcanhar de Aquiles dessa massa torcedora é a violência, talvez por amarem tanto seu time, o torcedor se torna cego e nada enxerga na sua frente senão o distintivo do clube. É aí que surgem as divergências, as discussões e as brigas.

Um dos principais casos já registrados no país aconteceu no dia 20 de agosto de 1995, o Pacaembu, um dos estádios de futebol mais tradicionais de São Paulo, foi o campo de batalha entre torcedores do Palmeiras e São Paulo, durante jogo final da extinta Supercopa de Futebol Júnior. O saldo da batalha foram 101 feridos e um morto. Segundo Herbert César Ferreira, ex-presidente da maior torcida organizada do país, a Gaviões da Fiel, a violência é um problema social e não exclusivo do futebol. “O cidadão ganha R$ 380 por mês, sai pra trabalhar e pega ônibus lotado, trabalha 10, 12 horas, aguenta a má educação do patrão, nas folgas não tem acesso à diversão ou um descanso sadio, junta tudo isso e o cara vê nos jogos a oportunidade de tirar toda essa carga negativa, e tudo isso gera violência”, afirma.

O problema da violência existe e faz com que os torcedores se afastem dos estádios e que algumas pessoas tenham uma visão distorcida das torcidas organizadas, como o jornalista Flávio Prado, da TV Gazeta, que tem uma opinião contrária à existência delas: “isso (torcida organizada) não tem nada haver com o futebol, isso é caso de policia”, diz. Mas torcida organizada não é apenas isso, infelizmente a mídia transformou-as nisso, claro que ela tem sua parcela de culpa, mas não é esse monstro que o jornal e a TV impõem.

Herbert César ainda diz que a imprensa só vê o lado ruim, que os jornais sensacionalistas só pensam no ibope, apontam o erro, mas nunca a solução. E que as torcidas estão agindo, depois da pressão imposta pelo Ministério Público, estão eliminando membros violentos de dentro delas e buscando a solução do problema.

Os projetos sociais são um grande passo para a solução do problema, poucas pessoas sabem da existência de tais projetos, nos Gaviões da Fiel existem cerca de oito projetos na ativa, voltados aos moradores da Favela do Gato, que fica ao lado da quadra da torcida no bairro do Bom Retiro. Dentre esses projetos estão: aula de corte e costura, adereço, Muay Thai, distribuição de cestas básicas e de brinquedos para as crianças. Herbert lembra que uma vez chegou a chamar a imprensa para cobrir um desses eventos, mas ninguém apareceu.

Essa difícil relação com a imprensa faz com que se tenha uma visão distorcida do que se passa dentro de uma torcida organizada, não se sabe qual o interesse de acabar com essas torcidas, que apesar da violência, fazem um belo espetáculo dentro dos estádios e tornam o futebol mais belo a cada dia. Do lado de fora do estádio a história é outra, cabe as autoridades cumprir o seu papel e a mídia deixar de ser tão parcial e mostrar esse outro lado dos já tão sofridos torcedores, senão eles terão o mesmo fim dos Hooligans, a extinção.

Renato Souza

20 de novembro de 2009

HUMOR7CO

Acompanhe os "quadrinhos de humor" do www.malvados.com.br - assinadas por Andre Dahmer. E um quadrinho do site www.ryotiras.com

19 de novembro de 2009

UMUNDUNU - DIVERSIDADE RELIGIOSA NA TERRA DA GAROA


Cresce o número de fiéis, igrejas, templos e religiões na cidade de São Paulo.

Pelo oitavo ano consecutivo a cidade de São Paulo é eleita a melhor cidade para se fazer negócios. Segundo o ranking anual da América Economia Intelligence, "a terra da garoa" ficou a frente de cidades como Miami, nos Estados Unidos, além das brasileiras Rio de Janeiro e Porto Alegre.

A cidade se destacou por estar a frente das outras industrialmente e financeiramente. Além da notória capacidade em receber estrangeiros, já que todo ano mais de 11 milhões deles são acolhidos pela capital paulistana. São Paulo é ainda o centro financeiro e cultural tupiniquim atraindo cerca de três quartos dos grandes eventos realizados no Brasil.

Apesar do estereótipo materialista, São Paulo também dá espaço a diversidade religiosa. Segundo dados do último censo realizado pelo IBGE, mais da metade da população paulistana é católica, porém apesar do predomínio do catolicismo, a cidade também conta com praticantes de várias outras religiões.

Entre os paulistanos, 15% são evangélicos, quase 3% são espíritas e menos de 1% são judeus, budistas ou muçulmanos. A mesma pesquisa ainda indica que menos de um em cada dez paulistanos não tem religião.

Conforme dados da Secretaria Municipal da Habitação e da Secretaria Municipal de Finanças referentes aos anos de 2004 e 2005, foram abertas quase trezentas igrejas por ano, e esses números vêm crescendo a cada dia, a média já ultrapassa 0,8 igrejas por dia construídas na capital paulista.

Essa diversidade religiosa é também um reflexo da diversidade cultural existente em São Paulo, o bairro da Liberdade é um exemplo disso, região com predomínio de imigrantes japoneses e que consequentemente possui vários templos budistas. O mesmo exemplo serve para o judaísmo, é quase impossível andar pelas ruas do bairro de Higienópolis e não dar de frente com um membro da religião judaica indo apressado para uma das sinagogas da região.

Em São Paulo, o catolicismo é seguido por 13 milhões de pessoas. Os evangélicos totalizam mais de quatro milhões, ainda temos meio milhão de espíritas e mais de duzentos mil budistas e muçulmanos.

No bairro do Cambuci, região central paulistana, está localizado o primeiro templo islâmico do Brasil, fundado no ano de 1956. A religião muçulmana é atualmente a segunda maior religião do mundo, segundo a BBC, mas no Brasil ela não representa nem um 1% da população total, mesmo assim conta com cerca de 50 mesquitas espalhadas pelo país.

As religiões citadas são as que possuem mais adeptos no mundo, mas dentro dessas religiões existem variações, como no caso da católica, que se difere da Protestante. As religiões como a umbanda e o candomblé, também possuem muitos representantes em São Paulo apesar de não serem citadas na pesquisa.

O professor de sociologia da USP e escritor Reginaldo Prandi mostrou em pesquisa que só na capital paulista existem mais de duzentos terreiros afro-brasileiros. Segundo Prandi, o número de adeptos só cresce e os números irão aparecer no Censo realizado pelo IBGE em 2010.

A diversidade religiosa em São Paulo se mostra muito rica, a capital também possui várias religiões alternativas, como a Igreja da Comunidade Metropolitana, igreja cristã voltada para os homossexuais e as muitas casas que realizam rituais de quimbanda, e vertentes religiosas da “Nova Era”.

Ricardo Alge

18 de novembro de 2009

REALPOLITIK - CORRUPÇÃO, PROSPERIDADE E SOCIEDADE

A República da Irlanda, que viveu o período de maior prosperidade de sua história nos últimos sete anos, foi um dos países que mais sofreram com a crise mundial. Essa grande ilha que esbanjava empregos e que paga um dos maiores salários mínimos na Europa é, em grande parte, dependente do bom desempenho das inúmeras empresas americanas e inglesas instaladas no país.

Esta crise, que os irlandeses estão atravessando no momento, não é nada comparado com o passado marcado por guerras civis e fome, levando milhares de irlandeses migrarem para todos os cantos do mundo, marcando a paisagem antiga, do interior da ilha, com ruínas de casas abandonadas, hoje transformadas em cartões postais.

Junto com o passado afundado em pobreza, também está a marca da corrupção descarada, protagonizada por políticos que nunca pensaram que um dia pagariam pelos roubos que cometeram enquanto estiveram no governo. Junto com a prosperidade financeira nos anos recentes, vieram as cassações dos corruptos de hoje e do passado.

Os irlandeses tem algumas semelhanças com os brasileiros em alguns aspectos. Por exemplo, igual a brasileiros, é fácil encontrar irlandeses pelo mundo afora. Eles adoram a sua cultura, mas não gostam de seus pais e, quando possível, tentam se mudar para o exterior. Muitos brasileiros procuram viver fora do Brasil em busca de oportunidade financeira. Já os irlandeses, fogem do clima frio, úmido e nublado predominante quase o ano inteiro, e vão atrás dos países abençoados pelo calor do sol.
E uma das características de maior destaque entre esse povo, de sangue celta, está o bom humor e a simpatia. (nota do blog: destaque também para a cerveja).
Todas essas características não fazem com que a população irlandesa ignore os problemas políticos do país. Quase todos os finais de semana acontecem protestos em Dublin, capital da Irlanda.

Semana passada, um grande protesto organizado pelo "Frontline Services Alliance Members" (Membros da Aliança dos Serviços da Linha de Frente, tradução literal), tomou as principais ruas do centro da capital. Linha de frente é no nome dado aos primeiros pelotões das forcas armadas quando vão para uma guerra. "Frontline Services" são os serviços de emergência de 24h na Irlanda. Ou seja, bombeiros, policiais, militares, médicos, enfermeiras, entre outros.

Esses funcionários públicos não podem fazer greve de acordo com a constituição irlandesa. Como forma alternativa para protestar contra a proposta do governo, que quer reduzir os salários desses servidores que "cuidam" do país, eles deixaram seus postos na última quinta-feira, assinando a falta como se estivessem doentes, para organizar uma grande mobilização contra a proposta que tramita no governo. Esse tipo de protesto, organizado por trabalhadores que supostamente não poderiam estar em greve, é chamado como O Dia Azul.

Um país marcado pela miséria e que se tornou um dos principais destinos europeus daqueles que procuram emprego fácil com bons salários, ainda encontra grandes problemas políticos a serem enfrentados para apagar a mancha da corrupção, e isso está sendo feito aos poucos.

Enquanto isso, no maior país da América do Sul, que é representado por aquele que foi considerado a 33º figura mais poderosa do mundo, segundo o ranking da Forbes, está com um desempenho econômico esperado por quase ninguém, conseguindo até mesmo crescer 5% durante a crise mundial. Crise que deixou quase todas as grandes potências econômicas do globo de joelho. No entanto, a população continua muito insatisfeita com a corrupção política, apesar das inúmeras cassações e investigações que fizeram com que a Polícia Federal ganhasse destaque pelo seu desempenho e preparo. E mesmo a população inconformada com a grandeza da corrupção, ainda falta a conscientização de que organizar e participar de manifestações políticas, muitas vezes pode ser até mais importante do que votar.

Talvez o tímido inconformismo, que não é em grande parte expressada nas ruas, mas muito discutida e ironizada nos lares e bares, seja reflexo do trauma ainda guardado das ditaduras que marcaram a história do Brasil.
Talvez...

Texto e fotos por Marcio Faustino

17 de novembro de 2009

REALPOLITIK - A 'VIA-CRUCIS' COTIDIANA


Conheça a história de paulistanos que chegam a ficar quatro horas diárias dentro de ônibus

São quase quatro horas da manhã e as ruas estão vazias. Dona Cília, como é conhecida a cozinheira Cecília de Jesus Andrade, de 61 anos, moradora da Vila Progresso, zona leste da Capital, sai de casa rumo ao bairro do Morumbi. Ela chega ao ponto final da linha 2373 (Vila Progresso – Term. Pq. D. Pedro II) às 4h10. É cedo e por isso ela vai sentada. Duas horas depois ela desembarca no outro extremo do itinerário, dentro do terminal de ônibus do Parque Dom Pedro II. "Minha ‘Via–Crucis’ está só começando", ironiza Dona Cília. Ela ainda deve pegar outras duas conduções, para chegar ao seu destino. Serão mais duas horas de suplício. Após a transferência no terminal do Parque Dom Pedro II até a Praça da Bandeira, Dona Cília toma o coletivo da linha 6270 (Real Parque – Term. Pça. da Bandeira).

Com uma paciência notável, ela puxa conversa com o cobrador. Demora até chegar ao trabalho, às 8 horas, numa rua próxima à Avenida Giovanni Gronchi, no Morumbi. "Eu fico mais cansada de vir trabalhar do que no próprio serviço", resigna-se Dona Cília. Sua patroa, Ana Maria Bresciane, declarados “40 e poucos anos”, tem consciência das dificuldades enfrentadas por sua empregada. "Ela é ótima, muito educada e boa profissional, eu não a perderia por nada deste mundo", elogia Ana, moradora de um condomínio de luxo, cujos filhos estudam em boas faculdades e seu marido é consultor de empresas com escritório na região do Brooklyn, mais precisamente na avenida Engenheiro Luis Carlos Berrini, a 10 minutos de carro de sua casa e sede de grandes corporações e multinacionais.

Mudar-se para um bairro mais próximo do local de trabalho? "Nem pensar. E ficar longe de meus netinhos", brinca Dona Cília. "Faço o que for preciso. Não posso ficar sem trabalho, mas não tenho onde trabalhar lá". Na Vila Progresso, que não faz jús ao nome, não há empresas nem casas de classe média, onde ela poderia trabalhar.

Segundo o lider comunitário Sérgio de Lima Santos, de 34 anos, “é um milagre que na Vila Progresso os índices de criminalidade não sejam altos”. No bairro, existem apenas 2 campinhos de várzea e três escolas, todas primárias e da prefeitura. "Nossos filhos adolescentes, quando não desistem de estudar, precisam pegar ônibus, ir a outros bairros. Isso quando tem vaga ou sobra um dinheirinho para a passagem", conclui Santos.

Esta realidade enfrentada por Dona Cília não é excessão. "Muitos paulistanos atravessam a cidade para trabalhar", diz Alexandre de Morais, Secretário Municipal dos Transportes. Segundo pesquisa da CNT/Sensus encomendada pela secretaria, 41% dos usuários vão da periferia para as regiões centrais, 37% atravessam regiões diferentes, como ir da zona leste à sul ou de oeste à norte, por exemplo, 16% vem de outros municípios e apenas 5% não sai de sua região.
"É incrível como não há o mínimo planejamento para efetuar mudança e criar projetos novos para transporte e otimização da força de trabalho", explica o vereador petista Jilmar Tatto, ex-secretário da pasta dos transportes. "Seriam necessários muitos anos para adequar a situação", é o que pensa o professor de História e Sociologia da USP, Muylaert Munhoz. "Seria mais lógico morar e trabalhar num mesmo bairro. Mas é impossível mudar tudo, de uma hora para outra, numa cidade com 11 milhões de habitantes", conclui o professor Munhoz.

O bancário Reinaldo Salustiano, de 37 anos, casado e pai de uma menina de 3 anos, sai de Interlagos para trabalhar numa agência bancária situada na Avenida Paulista. Ele utiliza um ônibus executivo, da linha especial 598–H, que custa R$ 5,10 e leva 1 hora e meia, dependendo do trânsito. “Se eu fosse utilizar outros meios, como carro, gastaria o dobro. E duas conduções para gastar menos precisaria sair três, quatro horas antes do trabalho para não chegar atrasado”, resigna-se Salustiano.

Há uma agência do mesmo banco em que Salustiano trabalha a apenas quatro quarteirões de sua casa. De acordo com o professor Munhoz, se Salustiano trabalhasse próximo a seu local de moradia, teria maior qualidade de vida. “O conforto de acordar mais tarde e almoçar em casa, além do tempo de resolver assuntos particulares sem contar com a nem sempre boa vontade de seu chefe”, explica o professor Munhoz.

Existem ainda casos mais graves: grande parte da população enfrenta horas dentro de ônibus lotados, sem condições de manutenção, sujos e custando caro. A tarifa cobrada em São Paulo, de R$ 2,30, é uma das mais caras do Brasil. Só perde para as cidades do Grande ABCD (R$ 2,55) e Brasília (R$ 2,50).

A criação do Bilhete Único, em 2003, pela ex-prefeita Marta Suplicy (PT), minimizou os problemas em relação aos ônibus na capital. Com o bilhete, o usuário tem uma carência de duas horas para utilizar até 4 ônibus. Além da criação do cartão inteligente, as empresas foram obrigadas a modernizar toda a frota, cuja idade máxima não poderá ultrapassar 10 anos. Antes sucateados, a maioria dos veículos agora é nova, com piso baixo para idosos e deficientes físicos. E, desde 2006, o Bilhete Único utilizado nos ônibus também passou a ser aceito nos trens e no metrô.

Uma alternativa interessante para a capital seria o transporte público de massa sobre trilhos – metrô ou trem de superfície –, que, comparado com outras grandes cidades do mundo, ainda é deficiente. Tomando Londres como exemplo, a distância é abissal. Na terra da Rainha, existem 501 quilômetros de linhas de metrô. Em São Paulo, apenas 63. E a cidade da garoa tem quase o dobro de habitantes. Enquanto Londres tem 10 mil habitantes por quilômetro de “underground”, São Paulo tem 175 mil hab/km. “É evidente nossa desvantagem. E mais evidente ainda a necessidade de se construir mais estações e mais linhas, interligando bairros e regiões distantes”, diz o professor José Carlos da Cunha, especialista em gestão de transportes do curso de Engenharia Civil da Universidade de São Paulo (USP).

Segundo Cunha, o sistema implantado há 8 anos, durante a gestão do ex-governador Mário Covas (1931-2001), do PSDB, conhecido como Operação Integração Centro, tem a finalidade de melhorar e facilitar o uso dos trens suburbanos. A baldeação entre as linhas, antes cobrada, é livre nas estações coincidentes dos – então três – sistemas atendidos, sendo elas Palmeiras-Barra Funda, Luz e Brás. E continuará em futuras linhas em construção ou ainda em fase de projeto, como o prolongamento da linha 2-Verde, até a Vila Prudente, ou a linha 4-Amarela. Esta ligará a Estação da Luz à Vila Sônia, passando pelas atuais linhas Verde, Celeste e Vermelha, atendendo uma região de grande demanda de transporte, o corredor Consolação–Rebouças–Francisco Morato, além da região da Faria Lima.

Outro sistema funcional é o da EMTU (Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos). Embora não tenha ônibus próprios – a EMTU contrata outras empresas por licitação –, além de gerir o corredor que liga o Brooklyn ao ABCD, seguindo até o Terminal São Mateus, na zona leste. Estas empresas, sob rígido controle de fiscalização, devem ter ônibus com no máximo 5 anos de uso, equipados com controlador de velocidade, câmeras de segurança e pessoal treinado. A concessão de serviços extende-se para vários municípios importantes da Grande São Paulo e do interior, como Guarulhos, Osasco, Barueri, Mogi das Cruzes, Campinas e Jundiaí, entre outros, utilizando quase as mesmas regras do sistema do Grande ABCD. A diferença consiste em ônibus de empresas tradicionais destas cidades, com pintura uniformizada, também sob fiscalização contratual.

Então por que as empresas de ônibus da capital não se modernizam, tendo em vista um futuro de perda de passageiros e de receita para os sistemas do Metrô e da EMTU? Quem responde é o professor José Carlos da Cunha: “Esta é uma questão simples. Em primeiro lugar, pelo monopólio das empresas e consórcios. Depois, pela falta de vontade política dos governos municipais e estaduais, de partidos e ideologias diferentes, portanto inimigos. Isso tudo somado ao custo muito alto e do tempo para construir de novas linhas do Metrô”.
Enquanto isso, Dona Cília sonha em chegar mais rápido e com mais conforto à sua casa, e aproveitar a companhia de seus netinhos.

Rodrigo De Giuli

16 de novembro de 2009

UMUNDUNU - E ASSIM É A VÁRZEA.

Terra? A grama aqui nasce por acaso, de teimosa que é. Aliás, grama nada, é mato mesmo, e dos ruins, se fosse grama já tinha morrido, isso aqui mais parece uma erva daninha. Nosso campo não tem tamanho correto, nem dimensões oficiais, e se as tiverem é por acaso. Às vezes nem fazemos as marcações das linhas laterais e de fundo. Quando a bola sai é aquele “auê”. Bola essa que aqui não é das mais perfeitas. Quadrada, oval, até com ela murcha já jogamos. Mas usamos até o fim, dá uma dó colocar aquela bola novinha, branquinha no meio daquela marmanjada ruim de bola.

Tá, tem uns que até sabem usá-la, esses são os primeiros a serem escolhidos. Agora os gordinhos, ou são os donos da bola ou então vão para o gol, na linha é sem chance. No máximo consegue uma vaga na zaga para completar o time, no máximo.
Tudo sempre começa por acaso, jogar bola todo mundo sempre quer, desde criança é assim. E quem disse que não somos? Quando vejo aquela redonda, rolando, linda na minha direção, pareço que volto aos meus oito anos. Nada mais me importa ao redor, agora, o momento é só nosso. E ai de alguém querer tirá-la de mim. De vez em quando dá até briga aqui, e tudo por causa dela.

Ninguém aqui é metido à besta, quem manda no campo somos nós. É difícil vir aqui e tirar um ponto da gente, aqui é nossa casa. Nós que construímos esse campo, colocamos as traves que no começo eram de madeira ainda. Um deu a cal, o outro trouxe o balde, um outro ali emprestou a broxa, e o campo foi ganhando suas formas. Algumas maiores outras menores, retas, tortas. Ah. Ninguém liga. Até que a bola começou a perturbar a vizinhança, uma janela quebrada ali, um carro amassado aqui, e tivemos que comprar uma grade. Ai sim, foi uma baita grana. Mas valeu a pena. O problema é que ela já está um pouco gasta, quase não segura nada, parece que a qualquer hora o vento vai derrubá-la ou até mesmo alguém vai pegar tétano se encostar-se a ela.

O maior orgulho nosso é ver a molecada brincando nesse campo, como me dá prazer. Saber que eles estão aqui por nossa causa, que poderiam estar por ai perdidos no mundo, mas não, estão aqui jogando bola no campo que eu ajudei a construir. Bem que a prefeitura poderia ajudar a gente, mas é difícil, eles estão preocupados é com eventos pra rico, periferia mesmo só de 4 em 4 anos. Na eleição chove vereadores, deputado, às vezes até prefeito, promete isso, aquilo. Um já disse que iria fazer um ginásio poliesportivo, que nada, nem campinho do bocha nós conseguimos.

Mas tudo bem. É mais gostoso assim. Saber que isso tudo é fruto do nosso sangue, do nosso suor, do nosso trabalho. Isso tudo aqui é só nosso, da comunidade, do povo. Eu vou passar, meu amigos também, mas esse campinho aqui será eterno, pelo menos na memória de meia dúzia que lutou para que ele existisse.

Crédito foto: Gilson Camargo


Renato Souza

13 de novembro de 2009

REALPOLITIK - GILMAR MENDES BATE O MARTELO E NÃO DECIDE NADA


Na tarde desta quinta-feira - 12/11, o Supremo Tribunal Federal retomou o julgamento do caso de extradição do ex-ativista italiano Cesare Battisti, acusado e julgado culpado pela justiça italiana por participação em quatro homicídios no final da década de 70.

Não é o primeiro julgamento de extradição do militante, em 1991 os franceses negaram o pedido italiano, em 2005 um novo pedido foi feito e acatado pela justiça francesa, mas Cesare já não estava mais em solo francês e sim em terras brasileiras, curtindo o calor dos trópicos com seu "camarada" Tarso Genro.

Dentre os quatro homicídios que foi acusado na Itália, o assassinato do policial Andrea Campagna, particularmente chama a atenção. Quase três décadas atrás, Campagna foi baleado em uma rua movimentada de Milão, o crime foi considerado uma execução. Seu irmão Maurizio concedeu várias entrevistas recentemente, e afirmou ao G1 que a morte de seu irmão não foi por motivos políticos. “A decisão de matar meu irmão foi só do Cesare Battisti. Battisti não é um terrorista, é um criminoso comum"

No velho continente não é preciso procurar muito para achar alguém disposto a dar declarações polêmicas sobre o fugitivo italiano. A vice-presidente do Parlamento Europeu, Roberta Angelilli, afirmou na semana passada que Battisti é um mentiroso compulsivo. O próprio presidente italiano, Berlusconi, também deu declarações polêmicas sobre o caso (o sujo falando do mal lavado).

Porém, a defesa do italiano nega todas as acusações. Em entrevista à revista "Consultor Jurídico", o advogado Luís Roberto Barroso disse que Battisti foi sim um membro do PAC (Proletários Armados para o Comunismo), era um militante político, mas não possui nenhuma ligação com os homicídios.

Atualmente Battisti está preso no Distrito Federal, e se o STF decidir contra sua extradição, ele sairá do presídio e poderá viver no Brasil. Porém, não foi na tarde desta quinta que o STF decidiu sobre a extradição do ex-ativista. O julgamento terminou empatado, sendo o último voto do ministro Marco Aurélio Mello, em favor do italiano. O presidente do STF Gilmar Mendes suspendeu a sessão, que será retomada, mas ainda não tem data marcada.

Minha opinião: a justiça brasileira está no mínimo confusa com essa situação. Discordo do nobre senador Suplicy quando diz que Battisti é um exilado político. A justiça brasileira tem uma bomba prestes a explodir em suas mãos, para mim, o melhor a se fazer seria embrulhar Battisti como um presente e devolver aos nossos "amigos" italianos evitando assim futuras complicações diplomáticas.

Ricardo Alge

12 de novembro de 2009

UMUNDUNU - PELAS ONDAS DO AR


Internet, PC, laptop, palmtop, smartphones, MSN, Skype, iPhone, iPod, Twitter, celular 3G, tv à cabo ou via satélite, alta definição, LED, Amoled, GPS... Um monte de acrônimos, siglas, um caminhão de novas tecnologias, todas à nossa disposição. Será?

O blecaute da noite de ontem foi mais um dos vários apagões por que vem passando o país desde os anos 1980, apesar da estagnação econômica e da inflação da época. O crescimento do milagre da década anterior, tão propalado pelo regime militar, mostrou-se insuficiente num quesito importante para o desenvolvimento de uma nação – infraestrutura. Estradas, ferrovias, usinas, tudo sucateado. Foi a época em que o governo mais construiu usinas hidrelétricas, estradas, estádios de futebol, rodoviárias, aeroportos e nem assim foi capaz de sanar os problemas infraestruturais de um país que se agigantava. Criou uma porção de elefantes brancos difícies de manter e que não têm a função que deveriam.

A recuperação dos anos 1990 com a criação do Plano Real e a “morte” do dragão da inflação – a qual custo, todos sabemos! – também não foi suficiente para que governantes vissem uma oportunidade de melhorar e investir em energia renovável, estradas e ferrovias de boa qualidade, modernização do sistema aeroportuário; a lista é enorme. Milhares de pessoas morrem todos os anos nas estradas abandonadas, desastres com aviões ficaram comuns (apenas em 2007, 217 pessoas morreram em acidentes no espaço aéreo brasileiro), linhas de transmissões de energia falham com chuviscos, o etanol não decola, além, é claro, da briga em torno do pré-sal, que só vai dar retorno em 10 anos – se der.

Toda esta digressão para falar numa tecnologia que pouco mudou desde que foi criada: a radiodifusão. Foi com um bom e velho radinho de pilha que todos foram informados do blecaute de ontem, inclusive quais serviços estavam paralisados, quando e se voltariam a funcionar.

Metrô e trens parados, linhas de ônibus com muito atraso, sumiço de táxis, o caos imperou na maior cidade do hemisfério sul. Foram as emissoras de rádio, especialmente as noticiosas, que mantiveram o paulistano – e todo brasileiro que teve problemas com o blecaute – informado.

Nestes casos, o mais que centenário rádio mostrou-se útil, mesmo quando todos dizem que ele morrerá. Não morreu com o cinema, nem com a TV ou com a internet. Ele evoluirá, transformando-se numa outra alternativa. Mas sempre pelas ondas do ar.

Rodrigo De Giuli

11 de novembro de 2009

UMUNDUNU - O DIA EM QUE SÃO PAULO PAROU (OU QUASE)


Caos. O manto negro cobre toda a cidade de São Paulo. Os motoristas querem chegar ao seu destino final o mais rápido possível. Os semáforos não funcionam. A única forma de luz é propagada pelos faróis dos carros. Vejo apenas sombras de prédios, árvores e pessoas. Ouço o gritante giroflex de alguma viatura.
Próximo ao meu destino, ligo o rádio do meu celular. 90,5 FM. A primeira coisa que escuto: “As autoridades pedem para que todos fiquem em suas casas e não saiam.”
Será que hoje é o dia em que as conspirações se tornarão realidade?
Seria algum atentado terrorista? Algum golpe político? Uma antecipação da invasão alienígena de 2012, a chegada de Nibiru ou alguma maracutaia de Sarney? Devido ao seu histórico, jogo a culpa nele.

São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Paraná, Mato Grosso, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, Goiás, Bahia, Rondônia, Alagoas, Acre e Pernambuco. Trechos de quinze estados brasileiros, e Distrito Federal, ficaram sem luz das 22 horas até madrugada adentro. Os estados mais afetados pelo apagão foram Rio de Janeiro e São Paulo. Boa parte do Paraguai também ficou às escuras por quase meia hora.

Já seguro das trevas que assolam as ruas paulistas, sento no sofá de meu apartamento.
O coração está a mil, penso em tomar um calmante. As primeiras palavras que ouvi pelo rádio deixariam qualquer teórico da conspiração excitado. Não sabia de nenhuma outra informação, então, comigo não foi diferente. Com os olhos grudados na janela e o pequenino rádio grudado no ouvido, não sabia para onde olhar. Espero tropas armadas nas ruas ou naves alienígenas no céu? Os dois ao mesmo tempo!? Não sei. Muita calma, febril conspirador! Escutemos os fatos com cautela.

Dilma Pena, secretária de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo, diz na rádio CBN que São Paulo sofre de um problema grave. As linhas de transmissão (servem para transmitir energia eletromagnética, mais informações: google it) são velhas. Sua infra-estrutura é preocupante, sendo assim, podemos ter problemas de falta luz a qualquer momento. Segundo Dilma, as autoridades foram avisadas em 2007. O processo de renovação está em andamento (iniciada este ano), o imbróglio é que o tempo levado para a troca é de três anos.

Já é meia noite. O manto negro ainda cobre a cidade, e a escuridão preenche o interior das casas e apartamentos. A fina e fraca luz da vela que acendi não serve para quase nada. Tento materializar tudo que ouço e o pouco que vejo. Anoto em garranchos num pedaço de papel.
Se os olhos já não podem trabalhar com tanta eficiência, os outros sentidos ficam mais aguçados.
Empoleirado na janela, o mar negro é cortado vez ou outra por viaturas de polícia, caminhões de bombeiro e ambulâncias. A imagem é linda. Depois que os veículos passam a toda velocidade, ficam nos olhos o rastro de luz vermelha pintando em linha reta, horizontal, o denso e obscuro quadro.
Uma, duas, três, quatro viaturas enfileiradas correm na avenida saudando as entidades da noite.

Em uma entrevista ao vivo da rádio CBN, Jorge Samek, o Diretor-geral brasileiro da Itaipu Binacional, disse que o cronograma de troca das linhas de transmissão está correndo normalmente, e que se o problema não fosse na usina de Itaipu, ninguém iria perceber. Ainda arrematou: “temos energia de sobra”. Perguntado sobre o que causou o blecaute, Samek respondeu que a provável culpa é do problema climático. Uma “questão atmosférica”.

Uma e meia da manhã. Por relatos saídos do pequenino rádio, e por ver alguns pontos mais claros iluminando o céu, descubro que a cidade está dividida. Alguns pontos isolados já voltaram a ter luz. Mas o primeiro deles é a Avenida Paulista.
A conspiração volta a latejar na minha cabeça. Porque só na Avenida Paulista?
Fácil resposta. O local é antro dos maiores bancos. Os donos do mundo. Os donos de nós. Quanto dinheiro e ações as empresas e bancos estariam perdendo com a nuvem negra deitando sobre cidade? No capitalismo selvagem, tempo é dinheiro.
Passaram-se dez minutos e minha teoria foi por água abaixo (não totalmente...).
A repórter anunciava no rádio que a energia estava oscilando e a Avenida Paulista mergulhou novamente no mar “aluno”.

O ministro das Minas e Energia, Edson Lobão, quando procurado pela CBN, não quis se manifestar sobre o caso. Mais tarde, por volta da uma hora da manhã, o ministro afirmou que a operação da usina de Itaipu foi retomada, em condições de fornecer os 14 mil megawatts de energia que faltavam para o sistema e só restava saber as condições em que se encontravam as linhas de transmissão. Já o presidente da Cedae (Companhia Estadual de Águas e Esgotos), Wagner Victer, disse à rádio que o problema era ainda maior. Com a energia cortada, o esgoto do Rio de Janeiro seria escoado para os mares. Em São Paulo, o blecaute também deixou inúmeras pessoas presas dentro de trens da CPTM. As pessoas foram atendidas dentro do próprio vagão e nenhuma composição ficou parada entre duas estações. Um sistema de emergência fornece energia até que o trajeto se complete.

Duas horas da manhã. A energia voltou e dessa vez ela não oscila. Desligo o rádio e olho pela última vez o quadro que é pintado através de minha janela.
A noite desvenda uma estranha clareza. Algumas pessoas saem às ruas, olham para o céu, parecem agradecer o bálsamo que cai em seus olhos.

Consigo ouvir um rapaz franzino gritando de celular em punho: “a luz voltou! A luz voltou!”. Devia ser algum “twitteiro” que estava passando pelo primeiro estágio da abstinência.

O papo agora não é o blecaute. É outro, e esse destrói os muros. Será que não é hora de mudarmos nossa fonte arcaica de energia? Mas isso é assunto para outro texto.

Não vi tropas armadas. Não vi naves espaciais. Não tive notícia do Sarney aprontando por aqui (até agora).
Com certeza, algo que não saberemos realmente a razão, aconteceu. Nem que seja um sagaz golpe político para derrubar a frase de Lula - “Não vamos mais ter apagões!” - e balançar um pouco mais sua credibilidade.
Por enquanto, tudo continua como conspiração de nossas mentes sedentas pela verdade. As teorias conspiratórias fizeram jus ao nome. Ou não...

Felipe Payão

10 de novembro de 2009

UMUNDUNU - UM BOM MOTIVO, E QUEM ERA VÍTIMA SE TORNA RÉU


A história ocorrida na Uniban-SBC, no último dia 22/10 ainda causa muitas dúvidas nas pessoas. O caso não foi explicado, existem várias versões circulando pela internet, portais de credibilidade, em bons e maus blogs, em sites de relacionamentos, enfim, existem algumas maneiras de se explicar o que para nós não tem explicação. Mas vamos aos fatos.

Listando as “regras do bom jornalismo”, temos o onde - dentro do campus da universidade -, quando - como dito, 22 de outubro de 2009 - e quem, pelo menos uma. Mas acredito que outros “quem”, machos, homens suficientes para assumirem seus atos logo aparecerão, mesmo que sem querer. Ah, não temos um porque, uma razão, um motivo.

Até onde li, uma jovem estudante de Turismo foi à faculdade vestida de uma forma um tanto quanto chamativa, sexy talvez. Disseram que ela estava travestida inadequadamente. Como julgar se uma pessoa está vestida de forma correta ou não sendo que não há um regulamento específico? Um mínimo de bom senso é o que se espera, dos dois lados, de quem veste e de quem julga. Continuamos sem um motivo.

Uma porção de “rapazes”, não sabemos ao certo quantos, se deparam com essa moça. Hormônios fervem. Novamente aqui entra o bom senso, no caso até um pouco de educação. Alguns homens têm a mania de “elogiar” algumas mulheres quando vestidas de uma forma que lhe chamem a atenção. Um “psiu” é aceitável, um olhar mais indiscreto também, a partir daí é deselegante e desrespeitoso. Motivo ainda inexiste.

Mulheres, vocês não sabem o que podem despertar em um homem.

Homens, nós não sabemos o que uma mulher pode despertar em nós.

Que bom, do contrário perderia toda a graça.

Mas e o motivo? Sei lá...
Qual o limite entre o sensual e o vulgar, entre o elogio e a grosseria? Não estou aqui para fazer julgamentos, erraram as duas partes, cada um excedeu os seus limites. Mas um erro jamais justifica o outro, neste caso menos ainda.

Segundo o anúncio publicitário divulgado pela universidade, “Foi apurado que a aluna tem frequentado as dependências da unidade em trajes inadequados, indicando uma postura incompatível com o ambiente da universidade, e, apesar de alertada, não modificou seu comportamento.” Peraí, o regulamento da UNIBAN exige algum uniforme ou da dicas de moda para os alunos seguirem? E outras (os) alunas (os) costumam ser notificadas (os) e punidas (os) também? Somos alunos desta instituição e vemos meninas vestidas de forma parecida no campus que frequento e nem por isso há qualquer tipo de algazarra por lá!

Espero que a instituição que preza pela responsabilidade social e educacional repense sua decisão, pois, se há uma punição a ser aplicada, que seja para todos os envolvidos e não para uma única pessoa.

Renato Souza e Gabriel Lopes

9 de novembro de 2009

EDITORIAL 7CO


A Uniban vendeu o sofá…

… E os visigodos venceram a batalha. A aluna do vestidinho rosa foi expulsa da Uniban, de acordo com a nota oficial “A educação se faz com atitude e não com complacência”, publicada nos principais jornais deste domingo (08/NOV/2009), em que a universidade teria seguido seu Regimento Interno, Regime Disciplinar, explicando os capítulos e os parágrafos, depois de uma sindicância interna.

O que a universidade não mostrou foi inteligência. Perdeu uma excelente oportunidade de debater o acontecimento e suas implicações. Deram voz aos agressores e a “vítima” (sim, entre parênteses, pois não há inocentes no caso) foi a única punida. Pois alguém acredita que os alunos envolvidos, mais de 700, segundo qualquer fonte ouvida, serão suspensos?

Ainda segundo a nota, a culpa teria sido da aluna do vestidinho rosa. Pela publicação, ela “(…) fez um percurso maior do que o habitual aumentando sua exposição e ensejando, de forma explícita, os apelos de alunos que se manifestavam em relação à sua postura (…)”. Para a universidade, “(…) no interior do toalete feminino, a aluna se negou a complementar sua vestimenta para desfazer o clima (…)”.

O que houve então foi, ainda de acordo com a nota oficial, “uma reação de defesa do ambiente escolar”, pois foi “constatado que a atitude provocativa da aluna (…) buscou chamar atenção para si por conta de gestos e modos de se expressar”.

A Uniban “reafirma seu compromisso com a responsabilidade social e a promoção dos valores que regem uma instituição de ensino superior (…)”, continua a nota, “expressando sua posição de apoio aos seus 60 mil alunos injustamente aviltados”.

Fazemos parte destes 60 mil alunos. Somos uma ínfima minoria: apenas 7. Uma pequena fração que não foi ouvida, contudo pode se expressar – agora temerosos de perder nossa matrícula pela crença na liberdade de manifestação do pensamento! – neste espaço para repudiar o que a Uniban tomou como medida, em nossa opinião, ditatorial e antidemocrática.

Não nos sentimos aviltados por um vestidinho rosa, usado sim por uma oportunista que está conseguindo exatamente o que queria, grande exposição midiática. Estamos aviltados pela falta de “jogo de cintura” e senso de oportunidade da instituição em debater o ocorrido e fazer valer o que sempre consideramos essencial no meio acadêmico: disseminação de conhecimento.

“Jogo de cintura” que faltou neste semestre com a turma de Jornalismo em outro campus da instituição, mas isso é uma outra história, não vem ao caso.

Está claro pela nota oficial da Uniban que ela escolheu trilhar o caminho fácil. Faltaram um bom assessor de marketing e um de gestão de crises na reunião em que foi decidida pela expulsão da aluna do vestidinho rosa. Valeram-se apenas do jurídico – um tiro no pé. Ou 60 mil tiros nos pés!

Veremos o quanto isso vai prejudicar a universidade nos próximos anos. Esperamos que ela aprenda com o erro e faça de outras situações futuras uma forma de aprendizado. Pelo bem dos “aviltados 60 mil alunos”.

E se nem assim houver uma mudança de ideologia, os mendigos que se cuidem!

7cismo

8 de novembro de 2009

UMUNDUNU - QUEM É ELA?


Nossas conversas limitavam-se a mensagens de celular e troca de palavras online. Nunca vi seu rosto, apenas meia dúzia de fotos refletiam-na na tela do computador. O que eu sabia? Cabelo preto e profundos olhos negros.
Ela era inteligente. Diferente. Apreciava bons livros.
Conversávamos madrugada adentro, e na manhã seguinte, belas palavras pintavam nossos pensamentos através de um celular. Era Nietzsche pra lá, Shakespeare pra cá. Lindo. Passaram-se meses assim.

Sexta-feira

“Vamos sair?” – resolvi convidá-la logo, mesmo que não passássemos da conversa, a experiência seria gratificante. Resolvemos nos encontrarmos quinta-feira, iríamos passear pela Paulista, depois um teatro.

Quarta-feira

Liguei para ela durante a noite e cancelei o encontro. Foi a primeira vez que ouvi sua voz. Não era como imaginava. Esse é um dos prazeres que acompanham o desconhecido. Quando a projeção se torna realidade.

Apesar disso, ela aceitou - novamente - sair comigo.

Sábado

Oito horas da noite. Na televisão a seleção canarinho vai atrás de outra vitória. Ela está sentada ao meu lado. Eu tomo cerveja. Ela pede uma caipirinha. Até agora não estabelecemos nenhuma conversa. Frases soltas e sorrisos. Estamos tímidos com o encontro e a minha projeção se tornou realidade. Não era como eu imaginava, ela era mais bonita. Fiz questão de dizer:
- Você é muito mais bonita do que nas fotos.

O jogo chegou ao fim. Perguntei se queria ir até minha casa, poderíamos assistir a um filme. Admito que arrisquei.
Deito ao seu lado enquanto o filme se desenrola. Ela faz um carinho em minha cabeça. Pouco tempo depois ela diz:
- Você também. – Fiquei com uma cara de interrogação. – É mais bonito que nas fotos.
Foi a deixa para o beijo.

Acordamos cedo, sete horas da manhã. Acompanhei-a até o táxi e a vi ir embora.
Cinco minutos depois, a mensagem no meu celular: “Temos história para contar”.

Logo quando cheguei, sento em minha cama. O cheiro dela ainda estava ali. Continuava me perguntando: quem é ela? Da sua vida, não conhecia nada. Em contra partida, eu também não tinha um passado.

Segunda-feira

Ambos excitados pelo nosso encontro, novamente resolvemos sair juntos o mais rápido possível. Estava rapidamente se tornando uma paixão.

A semana seria longa e arrastada, o que dava prazer era conversar com a maravilhosa desconhecida.

Sábado

Já é noite. Vamos a um restaurante de cozinha japonesa. Dessa vez não estamos sozinhos, fomos acompanhados por um casal amigo.

Atravessamos o local de mãos dadas. Éramos dois cúmplices do desconhecido. Vivíamos o presente.
Eu peço uma cerveja. Ela suco.

A conversa era boa e a comida também. As fatias de peixe milimetricamente dispostas uma ao lado da outra, os pequeninos bolinhos de arroz envoltos por uma fina alga, os “hashis” – aqueles pauzinhos de madeira – manchados de molho shoyu, minha mão acariciando seu joelho e o sorriso estampado no rosto dela, tornavam a noite perfeita.

Talvez a presença de outro casal, juntos há um bom tempo, ao nosso lado, tenha nos assustado um pouco.

Chegamos ao meu carro. O trajeto não é muito longo até o destino final, mas rimos e sorrimos até o fim.

Despeço-me dela, o beijo ainda é intenso, queima tal qual um fósforo que tem a morte prematura. Só não sabíamos se já estava chegando ao final. Seria a última vez em que ouviria sua voz.

Domingo

Fruto de inúmeros textos, livros, músicas, peças de teatro, filmes, pinturas rupestres... O amor e a paixão são discutidos desde o começo de nosso processo evolutivo. A resposta ainda é uma incógnita, temos suposições, impressões e expressões.

Ela não tem um passado. Eu também não.
Incendiados, chegamos ao fim.

Felipe Payão

6 de novembro de 2009

HUMOR7CO

Nova editoria no 7cismo!
Acompanhe os "quadrinhos de humor" do www.malvados.com.br - assinadas por Andre Dahmer.

Para melhor visualização, clique nas tiras.
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7CISMO

5 de novembro de 2009

UMUNDUNU - BASTARDOS INGLÓRIOS TRAZ DE VOLTA A VERVE DO DIRETOR QUENTIN TARANTINO


Criticado até por seus mais fanáticos seguidores depois das duas partes de Kill Bill, o diretor norte-americano recuperou-se com esta meio comédia, meio aventura de guerra de pouca ou nenhuma verossimilhança. A mistura de elementos, linguagens e escolas – do spaghetti western à aventura, da comédia pastelão ao drama – e o uso da trilha sonora como poucos, faz do nerd Tarantino único no universo cinematográfico da Hollywood moderna.

Os bastardos inglórios do títulos são soldados judeus recrutados pelo coronel Aldo Rayne (uma mistura de Aldo Ray e John Wayne, ambos atores norte-americanos já mortos), interpretado de forma caricatural, contudo excelente, pelo ator Brad Pitt. A missão destes soldados é matar a maior quantidade de nazistas que conseguirem, da forma mais violenta possível. Tal qual índios selvagens, eles escalpelam os mortos.

No entanto, Rayne deixa sempre um sobrevivente para contar os horrores e espalhar o medo pelas tropas alemãs. Marcados com a suástica na testa, quem consegue viver ficará com a cicatriz para sempre – qualquer semelhança com a tatuagem de números nos braços dos sobreviventes judeus dos campos de concetração não é mera coincidência.

Paralelamente, ainda no início do filme, uma jovem sobrevive ao ataque do coronel nazista Hans Landa, interpretado pelo magistral ator austríaco Christoph Waltz. Landa é uma espécie de ajudante-de-ordens do chanceller Adolf Hitler: tortura inimigos, mata judeus, organiza festas da cúpula do partido Nacional-Socialista e, no meio de tudo isso, ainda conspira contra Hitler – neste caso, para salvar-se. A jovem sobrevivente torna-se dona de um cinema em Paris, que por idas e vindas da história, será o local de exibição do lançamento de mais um filme de propaganda nazista de Joseph Göebbels, ministro da propaganda nazista.

Não uma, mas duas conspirações para matar o chanceller alemão e seus conselheiros diretos são tramadas ao mesmo tempo. Os conspiradores se aproveitam de agentes duplos, disfarces e tramoias, quase todas acidentais, para colocar o plano em prática.

No cinema lotado, fugindo de qualquer verossimilhança ou apuro histórico, o iconoclasta Tarantino mata todos os nazistas de alta patente: Herman Göering, Martin Bormann, Albert Speer, Joseph Göebbels e o chanceller em pessoa – todos metralhados e incendiados na premiere. Ambas as conspirações, mesmo que completamente amadoras e acidentais, são um sucesso.

Talvez o único senão ao filme seja culpa dos distribuidores nacionais. O título original, Inglorious Basterds, possui um erro proposital, para distinguir-se do homônimo de Enzo Castellari, de 1978, mas também pela pronúncia que Tarantino faz da palavra. Poderiam ter brincado com o título em português: Bastardos Englórios, Bastardos Ingrórios, Basterdos Inglórios…

De qualquer forma, a produção, filmada na França e na Alemanha, dá a chance para Tarantino ridicularizar o nazismo. Mesmo que isso não passe de uma diversão quase pueril para o diretor de Cães de Aluguel e Pulp Fiction, e que ele realiza com maestria e competência pouco vistas atualmente em Hollywood. Um grande filme.

Rodrigo De Giuli

4 de novembro de 2009

REALPOLITIK - BARACK OBAMA: O GRANDE MENTIROSO!


Não esperava muito de Obama. Todos sabiam, desde o começo, que ele não salvaria o mundo. Mas, pelo menos um pouco de coerência, isso sim, eu esperava.

Discursando como candidato, dava a pinta de um caudilho pós-moderno. Ar jovial, argumentos concisos, retórica irrepreensível, enfim, tudo que é preciso para convencer até os mais 7cos.

O presidente estadunidense disse que acabaria com a guerra no Iraque e no Afeganistão, e traria os soldados de volta para os EUA. Mas, quanto tempo ele levará para acabar com esse genocídio covarde (apoiado pela ONU)? Dois, três, quatro anos? E se ele realmente dar fim à guerra, qual o motivo do governo americano ter destinado, em Outubro deste ano, o maior orçamento militar da história, US$ 626 bilhões?

Mr. Obama mentiu. Menos de um mês depois de assumir a presidência mandou dezessete mil soldados para o Afeganistão.

Eu fico com a impressão, que a guerra entre o Afeganistão e os EUA é mais ou menos
como uma luta entre o Minotauro e o Tatu da Ilha da Fantasia.

O embargo comercial a Cuba, que já dura 47 anos, também foi mantido pelo “revolucionário” Barack Obama, que pelos menos ele não é pior que o #§%$* do Bush. Mas, mesmo assim, temos que tomar cuidado. Obama não é flor que se cheire, e depois dele pode vir outro muito pior, porque como disse Fidel Castro: “Os homens passam; os povos permanecem".

Thiago Menezes

2 de novembro de 2009

NOTICIASDIJORNAL


http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u643933.shtml

"A estreia de novos quadros é o que faz o 'Fantástico' ser bem-sucedido em 36 anos de história na TV. O segredo da longevidade é esta fórmula única, com um cardápio tão variado, que reúne esporte, denúncia, aventura, humor, política, medicina, economia, dramaturgia"

Faz muito tempo que o Fantástico não é o mesmo. O nome que mais se encaixa ultimamente é “Cansástico” (velha piada...).
A teoria é corroborada pela pesquisa de ibope, nessa última década o Fantástico perdeu um em cada três telespectadores.
Sendo assim, o velho programa será repaginado. Já são vistos novos quadros, principalmente, esquetes de humor. Com uma visão maniqueísta, o futuro do programa terá dois caminhos: uma revista eletrônica com ótimas reportagens e quadros de alto nível ou teremos um lastimável Zorra Total jornalístico dominical.

http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u643999.shtml

“O nível do rio Cotia, que transbordou na madrugada desta terça-feira atingindo parte das cidades de Barueri e Carapicuíba, ambas na Grande São Paulo, voltou ao normal e, no final da tarde de hoje, os moradores contabilizavam os prejuízos causados pelo alagamento. Ao todo, 49 casas foram atingidas, sendo ao menos 30 em Carapicuíba.”

Quando que os políticos e as autoridades vão fazer algo antes da merda acontecer?

http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u643849.shtml

“Depois de causar polêmica ao ser fotografa com sapatos de salto, a pequena Suri, 3, filha dos atores Tom Cruise e Katie Holmes, voltou a circular de salto alto enquanto fazia compras com a mãe, em Boston.”

O que será que as crianças que moram em nossas ruas pensam dessa notícia?

http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,direcao-do-senado-vai-suspender-salarios-de-70-servidores,457209,0.htm

“A direção do Senado pedirá a instalação de comissão de sindicância para investigar a razão de 70 servidores da Casa não terem respondido ao recadastramento promovido pela diretoria de Recursos Humanos. Segundo o diretor-geral, Haroldo Tajra, disse à Agência Estado, o ato que pedirá a abertura da investigação também pedirá a suspensão do salário desses servidores em caráter cautelar. Suspeita-se da existência de funcionários "fantasmas" e servidores já falecidos no quadro de pessoal.”

O caso do Senado é grave. O Judiciário não consegue resolver seus “pequenos” problemas. Como o Super-Homem não existe, e os Ghostbusters também não, o melhor para fazer seria contratarmos parapsicólogos, paranormais, curandeiros, o Thomas Green Morton e a Zibia Gasparetto. Quem sabe um ufólogo? Porque a única certeza que tenho é que o Senado é coisa de outro mundo.

http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u644492.shtml

“A RedeTV! divulgou na tarde desta quarta-feira uma nota na qual diz que "lamenta o ocorrido" com Zina, integrante do programa "Pânico na TV", detido pela manhã, após ser flagrado com droga.”

Não farei nenhum comentário sobre o delito. Mas acredito que está na hora do programa deixar um pouco de lado o corinthiano maloqueiro sofredor. Suas primeiras aparições até que arrancavam alguns risos, agora, o quadro do Pânico se desenrola cada vez mais arrastado, repetitivo, e sem graça. Até o sermões do R.R. Soares ganham no humor.

http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u644500.shtml

“A Assembleia Legislativa de Minas aprovou na noite de terça-feira (27) o projeto de lei que proíbe o fumo de tabaco e similares em ambientes coletivos fechados em todo o Estado. O projeto agora segue para sanção do governador Aécio Neves (PSDB).”

Parabéns, fumantes mineiros! Sejam bem vindos ao grupo. Acendam um cigarro em comemoração.

http://www1.folha.uol.com.br/folha/informatica/ult124u644232.shtml

“A tribo indígena amazônica Suruí, de Rondônia, e seu líder Almir Suruí foram um dos cinco grupos homenageados pelo projeto Google Earth Heroes, anunciou o blog oficial do Google nesta terça-feira (27).”

Sei que pode parecer teoria da conspiração, devaneios de ociosos... Mas sempre quando leio ou ouço que estrangeiros homenageiam nossos índios, tentam estabelecer conexões (por mais vagas e longínquas que pareçam), me gela a espinha. Não é difícil saber o por quê.

Felipe Payão