27 de outubro de 2009

UMUNDUNU - DISTRICT 9, UM LIBELO ANTI-APARTHEID (?)


Irônico. Este talvez seja o melhor adjetivo para definir Distrito 9, filme escrito e dirigido pelo sul-africano Neill Blomkamp e produzido por Peter Jackson, de “O Senhor dos Anéis”. Mas não o único. Imaginativo, arrojado e corajoso podem ser outros adjetivos adicionados à película.

A ficção-científica de Blomkamp começa com um suposto documentário que, 20 anos depois, relata o que ocorreu com uma nave especial parada sobre Johanesburgo, na África do Sul. Quem esperava ameaça hostil ou superioridade tecnológica, se supreendeu quando, ao invadir a nave defeituosa, foram encontrados 1 milhão de alienígenas desnutridos e desidratados.

Os seres, preconceituosamente chamados de “camarões” pelos humanos por sua aparência, são confinados numa favela da cidade, o tal Distrito 9 do título. Como os aliens continuam se multiplicando, logo o local fica superlotado – já são quase 2 milhões. É quando uma agência governamental decide mudá-los para o Distrito 10, a 200 quilômetros da cidade e, portanto, longe do homem.

A tensão racial e o ódio, o medo do desconhecido e a possível mistura entre alienígenas e homens são linhas seguidas pelo filme. Contudo, e ao contrário do que Blomkamp diz nas entrevistas pós-lançamento, o apartheid acaba sendo o tema central da história.

A elogiada atuação do ator sul-africano Sharlto Copley (vivendo o burocrata Wikus van der Merwe) dá credibilidade à situação. Seu comprometimento com a agência governamental é digna de um Sancho Pança. No entanto, ao investigar um objeto apreendido com um dos alienígenas, o agente se contamina com uma substância que altera seu DNA, transformando-o num dos “camarões”. Isso impede que a agência coloque em prática seu plano de dominação da tecnologia dos aliens, pois toda a operação é desmascarada pela fuga de Van der Merwe.

O conflito racial vem na esteira (da até então) impossível miscigenação entre aliens e homem. Não é possível se misturar, e se há o que intelectuais e cientistas nazistas chamaram de superioridade genética – escancarado no filme com a suposta inferioridade dos “camarões” – separar é a solução. É o apartheid interestelar.

Excelente produção cinematográfica, Distrito 9 é um sopro de criatividade e coragem que falta às superproduções hollywoodianas. Impecável na forma e no conteúdo, o filme choca pelo que se pensava extinto, especialmente numa África do Sul pós-apartheid. Ledo engano.

Rodrigo De Giuli

Um comentário:

  1. Esse é um dos filmes que me deixam curiosa pra assistir. A maioria das críticas elogiam, mas sempre tem umas que acabam com o filme. Isso deixa as pessoas meio intrigadas sobre o filme.

    Mudei o endereço do meu blog. Agora é http://tictacdodespertador.wordpress.com/
    Mais pra frente vou deletar o do Blogspot.
    Abraços

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