15 de outubro de 2009

REALPOLITIK - O CAPITALISMO E AS VACAS


Publicado anonimamente na semana que antecedeu as eleições 2002 (Sim, 2002! Depois o Lula foi reeleito, e estamos às portas de nova eleição). Veja se algo mudou:

Semana tensa e nenhuma perspectiva de alívio até as eleições. No mercado externo, dúvidas para todos os lados, principalmente sobre os rumos da economia americana, a “Matriz”. Sendo assim, nada melhor que a reserva de espaço para se analisar o capitalismo. Circulou pela internet uma divertida avaliação, aqui reproduzida, do sistema em diversos países, partindo-se da compra e venda de duas vacas. Inicialmente, a definição do capitalismo ideal: trata-se do sistema em que, ao se ter duas vacas, vende-se uma, compra-se um touro, eles se multiplicam, a economia cresce, você vende o rebanho e aposenta-se rico.

No capitalismo americano, com duas vacas, vende-se uma e força a outra a produzir leite de quatro vacas e nos surpreendemos quando ela morre. No capitalismo Enron, com duas vacas, vendem-se três para a sua companhia de capital aberto, usando garantias de crédito emitidas por seu cunhado.


Crédito:straightpunkpoet

Depois se faz uma troca de dívidas por ações por meio de uma oferta geral associada, de forma que você consegue todas as quatro vacas de volta, com isenção fiscal para cinco vacas. Os direitos do leite das seis vacas são transferidos para uma companhia das Ilhas Cayman, da qual o sócio majoritário é secretamente o dono. Ele vende os direitos das sete vacas novamente para a sua companhia. O relatório anual diz que a companhia possui oito vacas, com opção para mais uma. Você vende uma vaca para comprar um novo presidente dos EUA e fica com nove vacas. Ninguém fornece balanço das operações e o público compra o seu esterco. Não é nem necessário analisar o capitalismo de hipotecas, não é mesmo?

No francês, ao se ter duas vacas, entra-se em greve porque se quer ter três .

Já os canadenses, usam o modelo americano e as vacas morrem. Você acusa o protecionismo brasileiro – qualquer semelhança com o caso EMBRAER X BOMBARDIER é mera coincidência – e adota medidas protecionistas para ter as três vacas do capitalismo francês.

No Japão, redesenham-se as duas vacas para que tenham um décimo do tamanho de uma vaca normal e produzam 20 vezes mais leite. Depois criam desenhos animados de vacas chamados Vaquimon, vendidos para o mundo todo à peso de ouro.

Na Inglaterra, você tem duas vacas e as duas são loucas.

Na Alemanha, as duas vacas produzem leite regularmente, segundo padrões de quantidade, qualidade e horários previamente estabelecidos, de forma precisa e lucrativa. Mas o que você queria mesmo era criar porcos.

Na Rússia, você tem duas vacas. Conta e vê que tem cinco. Conta de novo e elas são 42. Faz uma nova contagem e há 12 vacas. Você pára de contar e abre outra garrafa de vodca.

Na Suíça, você tem 500 vacas, mas nenhuma é sua.

Em Portugal, você tem duas vacas e reclama porque seu rebanho não cresce.

Na China, você tem duas vacas e 300 pessoas tirando leite delas. Você se gaba de ter pleno emprego e alta produtividade. Depois prende e executa em praça pública o ativista que divulgou os números.

Na Índia, você tem duas vacas e ai de quem tocar nelas.

Na Argentina, você tem duas vacas e se esforça para ensiná-las a mugir em inglês. As vacas morrem e você entrega a carne delas para o churrasco de fim de ano do FMI.

No Brasil, você tem duas vacas. Uma delas é roubada. O governo cria a Contribuição Compulsória pela Posse de Vaca (CCPV). Um fiscal vem e te autua, porque, embora você tenha recolhido corretamente a CCPV, o valor era pelo número de vacas presumidas e não pelo de vacas reais. A Receita Federal, por meio de dados também presumidos do seu consumo de leite, queijo, sapatos de couro, botões e demais derivados, presumia que você tivesse 200 vacas e, para se livrar da encrenca, você dá a vaca restante para o fiscal deixar por isso mesmo...

Anônimo (indicado por: Rodrigo De Giuli)

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