6 de outubro de 2009

REALPOLITIK - CANDIDATURA DO RIO PARA 2016 TEM OS MESMOS VÍCIOS DO PAN-2007


Legado. Palavrinha mágica muito utilizada pelos organizadores da candidatura dos Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro. Os mesmos personagens que cuidaram da candidatura e organização dos Jogos Panamericanos de 2007, chefiados por Carlos Arthur Nuzman, presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB).

Nuzman e seus asseclas do Comitê de Organização dos XX Jogos Panamericanos do Rio de Janeiro (CO-Rio) orçaram o Pan em R$ 400 milhões. Contudo, todo brasileiro minimamente informado sabe que os custos chegaram aos exorbitantes R$ 3,7 bilhões. Levando-se em consideração a relação de investimento entre os eventos (uma Olimpíada é infinitamente maior e mais cara), imagine a festa que farão com dinheiro público.
Crédito: Cláudio Torres Gonzaga

O legado do Pan, tão propalado por Nuzman e sua quadrilha, foram arenas esportivas abandonadas, a não conclusão da despoluição da Baía da Guanabara e da Lagoa Rodrigo de Freitas – uma das maiores bandeiras da candidatura do Pan e agora do Rio-2016 foram as questões ambientais –, o metrô nunca chegou à Barra da Tijuca, a Vila do Pan está em litígio, enfim, nada do que prometeram foi cumprido. Não houve nem mesmo um legado aos atletas, uma vez que os complexos esportivos estão às moscas, sem manutenção e sem que a população – que efetivamente pagou por eles – possa utilizá-los.

O país tem carências mais prementes do que estrutura esportiva. O povo carioca sofre com um sistema de saúde pública falido, com a violência e com a pobreza nas comunidades dos morros. O povo brasileiro – sim, a candidatura é do país, não só do Rio – necessita de escolas, hospitais e postos de saúde, saneamento básico, transporte público eficiente, segurança, combate à corrupção, busca por justiça social, enfim, a lista é enorme.

Rodrigo De Giuli

6 comentários:

  1. E aí paulista envejoso! De novo esta estória? Se fosse em SP vc taria feliz, vai, adimita!
    Xupa paulistada! Enveja mata!

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  2. Caro "Anônimo",
    Acho que você deve ser o mesmo "anônimo" que me escreveu no post sobre o pronunciamento do Lula na ONU. Se for você mesmo, obrigado por seguir o blog.
    Quanto ao fato de eu estar com inveja pela escolha do Rio como sede dos Jogos Olímpicos de 2016, só tenho uma coisa a lhe dizer sobre esta história e, parodiando o grande Nélson Rodrigues, faria isso com a mesma facilidade com que eu chuparia um delicioso Chicabon: teria o mesmo julgamento crítico em relação à terra da garoa. Aqui falta estrutura para a realização de um envento tão grande, mesmo com o know-how do paulistano para receber a Fórmula 1, as centenas de feiras de negócios e, por que não?, a maior Parada Gay do mundo, com milhões de brasileiros festejando na Avenida Paulista e arredores.
    É claro que um olimpíada é mais cara e mais difícil de conseguir. Contudo, prefiro que os governantes de minha cidade e estado construam hospitais, escolas e deem segurança e transportes adequados à população.
    Só assim, depois de 100% do povo paulista - e, por consequência, brasileiro - atendido com saúde de qualidade, boa educação, índices de IDH altos, segurança para todos e bons meios de transportes de massa, a cidade poderá pleitear um evento como Jogos Olímpicos e Copa do Mundo de futebol. Não há outra forma deste 7co mudar de opinião.
    Abraços, muito obrigado pela mensagem e continue assíduo frequentador do blog 7CISMO!
    Rodrigo De Giuli

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  3. Maldita pecinha que aciona o teclado! Onde aparece "envento", leia-se evento.
    Rodrigo De Giuli

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  4. A pecinha escreve errado mas escreve bem. Parabéns pelo blog, muito bom!
    Cynthia Teixeira-RJ

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  5. Eu postei sobre a olimpíada em outro post. Desc! Mas msm assim fika meu parabéns pra vcs!
    Cynthia-RJ

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  6. Sempre que um comentário mais crítico é feito por um paulista sobre o RJ ou ao contrário, acusam-se de bairrismo. Pobreza de espírito!
    Fácil é remar a favor da maré, ir com a onda, maria-vai-com-as-outras, dançar conforme a música. Chega de clichês. Seremos mais felizes com os jogos? Pode-ser. Mas uma imprensa crítica, que fique no calcanhar do poder, é necessária para qualquer país democrático. E o Brasil não é um país demorático? Tenho cá minhas dúvidas.
    Fernando Abranches, professor da FFLCH-USP

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