16 de outubro de 2009

UMUNDUNU - FERNANDO SABINO


Fernando Tavares Sabino (Belo Horizonte, 12 de outubro de 1923 — Rio de Janeiro, 11 de outubro de 2004) Foi escritor e jornalista.

Nasceu homem, morreu menino.

E do rebento cresce Sabino.
Irrequieto, inventa histórias
Meio maluco, esse menino.
Não! Atenção: todo infante delira.
Mas, em pequeno é que se torce o pepino.
O escotismo acertaria o passo.
Sempre alerta!
E o exército cuidaria de enquadrar o cidadão.
Formar o homem correto.
Doutor advogado, por exemplo.
Para dominar a matéria das leis. Uai!
Trabalhar para que elas sejam cumpridas.
E as leis sempre compridas.
São longa e flacidamente cumpridas.
Mas tudo bem, o menino vai bem.
Convive na corte.
Sai na banda palaciana.
A capital federal vive a brisa do Rio de janeiro.
Na beira do mar todo mundo brinca.
Romântico, o poder comporta a sublime elegância do truculento.
O alegre farejar dos Poodles vigia o pensamento esclarecido.
Olha que coisa mais lida.
Digo mais linda, mais cheia de graça.
Quando não tem Scotch, vai uma boa cachaça.
Viajar de asa dura.
Altos vôos, infinitos céus.
Revirar Paris, Nova York e Amsterdã.
Outros mares.
Natural estar ali ontem e acolá amanhã.
Virar mundo.
receber medalha, ganhar troféu.
Abraços apertados e tapinhas nas costas
Até que o pano desceu.
E o crepúsculo veio morno.
O rastro do sol enegreceu as silhuetas.
O menino correu para o espelho.
Lambeu o beiço e esfregou os olhos.
Sensato captou o mentecapto.
menino não mente
É, pura e simplesmente.
E nem sentir ao menos que é menino sente
E Sabino parte menino.
Em seu olhar leva outro olhar guardado.
Aquele que desejou para sua ultima crônica.

Claudio Zumckeller

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