30 de outubro de 2009

UMUNDUNU - O LENDÁRIO MUHAMMAD ALI E A NOBRE ARTE: ETERNAMENTE INDISSOCIÁVEIS

Trinta de outubro de 1974, Kinshasa, capital do antigo Zaire. Há exatos 35 anos, o Estádio Nacional estava lotado. Em uníssono, o público gritava "Ali, boma’ye!" (Ali, mate-o). O norte-americano Muhammad Ali-haj, então com 32 anos, era adorado pelo povo africano, que enxergava nele o arquétipo do negro vencedor. Carismático, sedutor, inteligente, falante, dono de opiniões fortes, Ali era a “imagem” que políticos, líderes religiosos e presidentes de associações de negros (a NAACP) nos EUA procuravam para difundir o orgulho black power – a expressão afro-descendente era desconhecida pelos defensores do politicamente correto da época.

Ali fez pouco de seu adversário, o também norte-americano “Big” George Foreman. Na época com 26 anos, Foreman já o havia vencido por pontos, em 1972, numa luta de exibição, no Madison Square Garden, em Nova York. Ali tinha problemas com o governo norte-americano, que ainda não o perdoara pela deserção do exército, na Guerra do Vietnã (1964-1976), quando o pugilista converteu-se ao islamismo. O presidente norte-americano Richard Nixon, numa entrevista à revista Times de agosto de 1974 (reproduzida pela revista Realidade, em setembro de 1974), pouco antes do escândalo de Watergate, disse: "Ali não representa os ideais do povo americano e do esporte". Nixon renunciaria para evitar o impeachement e Ali se sagraria campeão unificado dos pesos pesados.

Voltando ao Zaire (atual República Democrática do Congo), naquela madrugada de sábado (para que a luta pudesse passar em horário nobre nos EUA, ela foi disputada às 4 da manhã!), 65 mil pessoas entoavam gritos de guerra tutsis e de apoio a Ali. Foram necessários oito assaltos para que ele vencesse a luta – conhecida como "Rumble in the jungle" –, por nocaute. Reza a lenda que mais de 600 pessoas morreram em decorrência da péssima organização do combate e pelas mãos do ditador Mobutu Joseph Désiré (1960-97).

George Foreman, sempre muito reservado, pouco falante, mais técnico e bem mais jovem, contundiu-se dias antes do embate. Com o adiamento da luta, Foreman teria perdido a concentração, não suportou a pressão, sucumbiu ao calor da capital congolesa e pelo "Fly like a butterfly, sting like a bee" de Ali. Sempre folclórico e dançante no ringue, o bailarino não parava: movia-se como um peso mosca, batia como um pesado no auge da forma física.

Encurralado nas cordas em vários assaltos, Ali cochichava para Foreman: “é só isso que você consegue, George?”, “você bate feito uma menininha de 4 anos”, ou “você é um fracote, George”. Há 7 anos, numa entrevista para o programa Bola da Vez, do canal à cabo ESPN Brasil, Big George contou a história da luta em detalhes. Se disse arrogante e desdenhou de Ali, mesmo desconcentrado com a contusão.

O certo é que, na época, o pouco político e nada carismático Foreman não conseguiu angariar simpatia da torcida local e foi incansavelmente incomodado em sua estadia, com ataques no ginásio de treinos, buzinaço na frente do hotel e perseguição de jornalistas. Enquanto isso, Ali, simpático, andava nas ruas da cidade, cumprimentava transeuntes enquanto se exercitava, beijava crianças, enfim, parecia político em busca de votos. Entraria para a história.

A história do combate foi retratada no magnífico livro-reportagem “A Luta” (The Fight, EUA, 1975, Penguin Books), do jornalista norte-americano Norman Mailer, e no excelente documentário “Quando Éramos Reis” (When We Were Kings, EUA, 1996), de Leon Gatz.

Cassius Marcelus Clay, nasceu em 17 de janeiro de 1942, em Louisville, Kentuky. Em 1964, após converter-se ao islamismo, mudou seu nome para Muhammad Ali-haj. Sua primeira luta com o novo nome foi em Las Vegas, Nevada, no mesmo ano, contra Sonny Liston [na foto acima, tirada do livro “GOAT”, organizado pelo fotógrafo alemão Benedikt Taschen (GOAT – A Tribute to Muhammad Ali, Alemanha, 2004, Taschen Books)]. Venceu por nocaute, no oitavo assalto. Ao abandonar seu nome de batismo, de origem escrava, e recusando-se a servir aos EUA no Vietnã, Ali teve seu título cassado meses depois.

Seu maior adversário, sem dúvidas, foi "Smoking" Joe Frazier. Foram 3 lutas, duas vencidas pelo bailarino e uma por Frazier. Ali estreou no circuito profissional contra o próprio “Smoking Joe”, vencendo por nocaute no sétimo assalto. Depois perdeu na que seria a primeira das chamadas "Luta do Século", em 8 de março de 1971, no Madison Square Garden, em Nova York.

Adepto da "luta psicológica", Ali provocou Frazier durante as semanas que antecederam a luta. “Smoking Joe” era muito mais forte, apesar da técnica menos apurada. Contudo, seus jabs curtos cansavam o bailarino. Ali provocava, mesmo sabendo que perdia por pontos. Dois diretos seguidos no décimo-quinto assalto minaram as últimas esperanças dele virar o jogo. Caiu, quase desfalecido. 
 Ainda no ringue, muito zonzo, Ali cumprimentou Frazier, dizendo "você foi brilhante, mas espere só a próxima vez, vou acabar com você como um trem esmaga uma mosca". Frazier riu de forma irônica, respondendo que esperaria a ocasião ansiosamente.

Lutariam ainda outras duas vezes, mas sem o mesmo brilho. A segunda valeu por um novo ranqueamento da Associação Mundial de Boxe (AMB) e da Organização Mundial de Boxe (OMB), espécies de confederações independentes da modalidade. O terceiro combate foi disputado nas Filipinas, chamado de "Thrilla in Manilla", e desta vez valeu o título dos pesos pesados para o bailarino.

Ali aposentou-se em 1981, sem lutar, rico e no auge da fama. Anos após sua aposentadoria, em exames de rotina, descobriu o mal de Parkinson. Debilitado, viaja pelo mundo, como embaixador da UNICEF pelos EUA. Participou da cerimônia de abertura dos jogos olímpicos de Atlanta, em 1996, de forma emocionante, ovacionado pelo público, majoritariamente sulista, como ele. Redimiu-se da atitude de jogar sua medalha de ouro conquistada nos jogos de Roma, em 1964, no rio Mississipi, na mesma época em que seu título fora cassado. Ele era o rei, o Pelé do boxe. Ou melhor, o Pelé é que é o Muhammad Ali do futebol.

A nobre arte, no entanto, não se resume à “Golden Age of Boxing”, a era de ouro do boxe, período entre o final da década de 1950 e o início da de 1980, em que pugilistas eram lendas. Outros gladiadores modernos das luvas de 12 onças escreveram páginas da história deste esporte, talvez o mais equilibrado e justo que existe.

Heróis da estirpe de Acelino “Popó” Freitas, Adílson "Maguila" Rodrigues, Andrew Golota, Barry Lindon, Bennie Leonard, Carlos Monzón, Carmen Basilio, Chris Benner, Chuck Wepner, Éder “Kid” Jofre, Evander “The Real Deal” Holyfield, Ezzard Charles, Félix Savón, Félix Trinidad, Florindo Pérez, Floyd Mayweather Jr., Floyd Patterson, Gene Fulmer, Gene "TNT" Tunney, “Big” George "The Reverend" Foreman, Hector "Macho" Camacho, Henry Armstrong, Jack Dempsey, Jack Johnson, Jake "The Bull" LaMotta (retratado no filme “Touro Indomável”, de 1980, dirigido por Martin Scorcese, com Robert de Niro no papel de LaMotta), James J. Braddock (retratado no filme “A Luta pela Esperança”, de 2005, dirigido por Ron Howard, com Russel Crowe no papel de Braddock), James J. Corbett, Jersey Joe Walcott, Jess Willard, Jim Jeffries, "Smoking" Joe Frazier, Joe "Black Bomber" Louis Barrow, Joe "Mad" Medél, Júlio César Chávez, Ken Norton, Larry “The Easton Assassin” Holmes, Lazlo Park, Lennox Lewis, Leon Spinks, Luis Ángel Firpo, Manny Pacquiao, "Marvelous" Marvin Hagler, Max Baer, Max Schmelling, Meldrick Taylor, Mike "The Iron Man" Tyson, Mushy Callahan, Oscar Bonavena, Oscar de la Hoya, Pernell Whitaker, Primo Carnera, "Sugar" Ray Leonard, "Sugar" Ray Robinson, Riddick Bowie, Roberto "Manos de Piedra" Durán, Rocky Graziano, "Rocky" Rock Marciano, Roy Jones Jr., Rubin “The Hurricane” Carter (retratado no filme “Hurricane, o Furacão”, de 1999, dirigido por Norman Jewison, com Denzel Washington no papel de Carter), Servílio de Oliveira, Sonny Liston, Teófilo "D'Oro" Stevenson, Terry Norris, Thomas “Hitman” Hearns, Tommy Far, Tommy Loughran, Tony DeMarco, Tony Zale…


Crédito fotos: Flip Schulke


Rodrigo De Giuli

29 de outubro de 2009

EDITORIAL 7CO


A barbárie está solta! Visigodos vestidos de universitários não podem ver uma moça vestida com uma sensual minissaia. A turba enfurecida grita contra a aluna, chamando-a de puta. Ela que precisou chamar a polícia para não ser atacada e estuprada. Escoltada por policiais militares, a moça, assustada, veste o avental para “cobrir-lhe as vergonhas”.

Isso ocorreu numa universidade. Numa universidade! Numa universidade da maior cidade do país. Numa universidade da maior cidade de um país democrático e, aparentemente, civilizado, em que a criatividade e "malemolência" - também chamada de jeitinho - sempre atribuída ao povo brasileiro nos “enchem de orgulho". O nome da instituição: Universidade Bandeirante de São Paulo (Uniban), campus de São Bernardo do Campo.

Tenho medo destas turbas. Incendeiam vilas, destroem casas, estupram mulheres, matam professores e serão nosso "futuro". Que futuro pode ter uma nação em que alunos de uma universidade ameaçam uma aluna de estupro por causa da forma como ela está vestida?



Sinto-me envergonhado de fazer parte deste universo, ser "colega" de instituição destes animais irracionais, guiados por instintos assassinos de visigodos invadindo Roma!

Link da cena aterrorizante no You Tube: http://bit.ly/3gTG6g

7cismo

NOTA DO BLOG - BARBÁRIE

http://g1.globo.com/Noticias/SaoPaulo/0,,MUL1358779-5605,00-ALUNA+COM+POUCA+ROUPA+PROVOCA+TUMULTO+EM+UNIVERSIDADE+E+VIDEO+CAI+NA+WEB.html

http://www.vooz.com.br/noticias/aluna-da-uniban-ameacada-de-estupro-no-campus-por-usar-minissaia-20269.html


"Uma estudante do curso de Turismo da Faculdade Uniban, unidade de São Bernardo do Campo (SP), teria sofrido ameaça de estupro de outros alunos por estar usando minissaia e se portando de modo "provocativo"."


O 7cismo já está correndo atrás!
Em instantes...


7cismo

REFLEXPRESS - OUTRA VEZ TIDÃO


Aristides, o Tidão, desta vez embriagadamente revoltado, passou por mim e não me reconheceu. Estava transtornado e, em altos brados, proferiu o seguinte discurso:

- Ah!! Tristes povos oprimidos, sempre em busca de ídolos que a comunicação de massas cria e dissolve. O Zorro, o Homem Aranha, a Mulher Maravilha. Pelé, Maradona, Coca cola, Cocaína e Marilyn Monroe.

Salve os heróis fantasmas. A ficção é a solução. Melhor assim! Dormir em paz. A atitude política no dia-a-dia custa o abrir mão da babaquice pequeno burguesa. Fica caro deixar a mediocridade. Já pensou 31 de dezembro sem queima de fogos, que céu sem graça! Viva o Bope, a Rota. Viva o consumo exacerbado. Viva o reacionário! Gente!! Viva o Shopping, viva o Zeca apagadinho. O Jeca tatu pós moderno. Vivaaaa!!!! E a identidade cultural brasileira, O quê falta e o quê abunda em nosso Brasil? Abunda a bundamolagem porra!!! – Concluiu emocionado, quase chorando. “Injuriadaço!”

Do outro lado da rua pude observar a Dolores envergonhada. Ela roía as unhas e olhava para a vizinhança como que a desculpar-se pelos delírios do marido.

Claudio Zumckeller

28 de outubro de 2009

UMUNDUNU - HORÓSCOPO, OU A FALTA DELE, NA MINHA VIDA


O início deste mês (setembro/2009) começou estranho para mim, com certa má fase me rondando e fazendo que muitas coisas não dessem certo. Por não acreditar muito em sorte e esses tipos de coisa, não me preocupava tanto, afinal, era só uma fase. Mas, um dia, no metrô para o trabalho, vi na televisãozinha do vagão o horóscopo do dia. Calma, não tive nenhum insight e nenhuma luz apareceu, iluminando minha cabeça. Só tive a ideia de acompanhar meu signo mesmo.

Antes de segui-lo diariamente, decide analisar como seria meu mês, de acordo com os astros. Acessei dois sites para ter duas fontes e saber se havia alguma diferença entre elas. Ambas disseram que o momento era de agitação e que deveria investir em projetos pessoais. Achei interessante também essa história de planeta passando em signo, mas a explicação que elas deram para a influência que isso teria na minha vida era tão confusa, que preferi ignorar e não transcrevê-los no texto. Outra coisa que será esquecida e o lado amoroso, pois estou solteiro e essas previsões foram sempre para quem estava comprometido.

A primeira semana de experiência não foi lá tão animadora, por já ter ocorrido um erro logo no primeiro dia. "Risco de conflitos por falta de tolerância.", previa o horoscopo.uol.com.br. Logo eu que sou um "autêntico" canceriano, calmo, sereno e preocupado em não entrar em rusgas com ninguém. Na manhã seguinte, outra falha: "Prepare-se para um novo salto profissional.", citou o terra.com.br/esoterico. Estou esperando até hoje. Nos outros dias, nada de mais, apenas amor e crescimento profissional que, como estagiário, é meio difícil.

Finalmente um acerto na segunda semana. "Momento de aproveitar o calor humano em seu ambiente familiar!", no horoscopo.ego.globo.com. Pudera, era semana de aniversário da minha mãe, não poderia ser diferente, oras. Mais um ponto positivo ao ler que "A relação maternal do Canceriano fará com que este proteja o Ariano na hora de seus impulsos e nas eventuais horas de fracasso", dito pelo horoscopodiario.com.br. Meu pai é de Áries e estava planejando contribuir com alguma grana no carro da família. Entretanto, outra bola fora: "Sensação de corpo partido. Uma gripe avizinha-se, esteja muito atento aos sintomas." - astrologia.sapo.pt/previsoes. Também estou no aguardo.

Para a terceira semana, mais um meio-pontinho positivo: "Poderá ganhar dinheiro com uma atividade feita em casa.", do bonde.com.br. De certa forma está certo, pois, no dia, trabalhei no aconchego do meu lar. O restante da semana não foi tão curioso, pois, novamente o que estava em foco eram as relações amorosas e a vida financeira, que não tenho desde o início do ano.

Após esse período de experiências e testes, realmente, vivo tranquilamente sem meu preocupar com os que os astros fazem, mandam ou acham da minha vida. Nada de concreto se realizou nessas três semanas. Talvez o período escolhido não tenha ajudado ou a má fase é tão brava que até isso deu errado. Porém, muita gente baseia sua vida nessas previsões e, pelo menos por 20 dias, pude provar que elas podem duvidar do "destino que está traçado".

Gabriel Lopes

27 de outubro de 2009

UMUNDUNU - DISTRICT 9, UM LIBELO ANTI-APARTHEID (?)


Irônico. Este talvez seja o melhor adjetivo para definir Distrito 9, filme escrito e dirigido pelo sul-africano Neill Blomkamp e produzido por Peter Jackson, de “O Senhor dos Anéis”. Mas não o único. Imaginativo, arrojado e corajoso podem ser outros adjetivos adicionados à película.

A ficção-científica de Blomkamp começa com um suposto documentário que, 20 anos depois, relata o que ocorreu com uma nave especial parada sobre Johanesburgo, na África do Sul. Quem esperava ameaça hostil ou superioridade tecnológica, se supreendeu quando, ao invadir a nave defeituosa, foram encontrados 1 milhão de alienígenas desnutridos e desidratados.

Os seres, preconceituosamente chamados de “camarões” pelos humanos por sua aparência, são confinados numa favela da cidade, o tal Distrito 9 do título. Como os aliens continuam se multiplicando, logo o local fica superlotado – já são quase 2 milhões. É quando uma agência governamental decide mudá-los para o Distrito 10, a 200 quilômetros da cidade e, portanto, longe do homem.

A tensão racial e o ódio, o medo do desconhecido e a possível mistura entre alienígenas e homens são linhas seguidas pelo filme. Contudo, e ao contrário do que Blomkamp diz nas entrevistas pós-lançamento, o apartheid acaba sendo o tema central da história.

A elogiada atuação do ator sul-africano Sharlto Copley (vivendo o burocrata Wikus van der Merwe) dá credibilidade à situação. Seu comprometimento com a agência governamental é digna de um Sancho Pança. No entanto, ao investigar um objeto apreendido com um dos alienígenas, o agente se contamina com uma substância que altera seu DNA, transformando-o num dos “camarões”. Isso impede que a agência coloque em prática seu plano de dominação da tecnologia dos aliens, pois toda a operação é desmascarada pela fuga de Van der Merwe.

O conflito racial vem na esteira (da até então) impossível miscigenação entre aliens e homem. Não é possível se misturar, e se há o que intelectuais e cientistas nazistas chamaram de superioridade genética – escancarado no filme com a suposta inferioridade dos “camarões” – separar é a solução. É o apartheid interestelar.

Excelente produção cinematográfica, Distrito 9 é um sopro de criatividade e coragem que falta às superproduções hollywoodianas. Impecável na forma e no conteúdo, o filme choca pelo que se pensava extinto, especialmente numa África do Sul pós-apartheid. Ledo engano.

Rodrigo De Giuli

26 de outubro de 2009

UMUNDUNU - O CHINELO E O SAPATO

Hoje acordei bem cedo, fui procurar emprego. Pois é, a vida não está fácil. Nunca me vi numa situação dessas, sempre ocupei grandes cargos em importantes empresas. Mas esta maldita crise me trouxe a essa situação em que vivo agora. Frequento lugares nunca antes pisados, meu brilho já não é mais o mesmo, acho que estou velho.

Hoje eu acordei tarde, não tinha muita coisa para fazer, será um dia bem tranquilo. Não pretendo sair de casa, se muito vou à padaria que fica logo na esquina. Essa semana está bem atípica, quase não fui incomodado, estou ficando até mal acostumado com essa vida mansa que levo. Essa crise não me afetou, pra te falar a verdade não passou de uma marolinha, minha vida só melhorou.



Crédito: puteiro-nacional.blogspot

-Olá, meu caro amigo. Quanto tempo não o vejo, como está?
-Mal, cansado, estressado. A vida não está fácil para mim.
-Vejo que sua aparência não está lá essas coisas, o que houve?
-Estou trabalhando demais, não paro um minuto sequer. Saio quase que todos os dias, estou acabado.
-Mas e aquele luxo todo, sempre te via todo garboso passeando por ai.
-Ficou na memória. Vida boa mesmo é a sua, sempre foi, eu é que nunca olhei para o lado, você sim é feliz.
-Vida boa, meu amigo? Negativo, vida boa sempre foi a sua, a minha nunca mudou, você que não soube aproveitar. Sempre teve de tudo, freqüentou os melhores lugares, já eu mal saio de casa.
-Mas hoje você é o cara.
-Não, senhor. Continuam me olhando com desconfiança, não entro em quase nenhum lugar, não sou aceito por boa parte da sociedade. Acaso já sentiu isso? Já te olharam torto?
-Mas o que sou hoje? Não passo de um velho cheio de recordações, fiquei no passado. De que me adiantou ser bem tratado por toda a sociedade, entrar em festas, lojas, teatros, se dentro de casa ninguém liga pra mim. Aqui você é o rei. Não, nunca me olharam com desconfiança, apenas com desprezo.
-Mas é você quem aparece nas fotos, nos momentos de alegria, nas festas, nos casamentos, é sempre você quem está lá.
-Mas é você quem fica na memória. Depois de todas as fotos é a você quem eles procuram. De qualquer forma, boa noite, amanhã é domingo e eu quero descansar.
-Bom descanso, amanhã é meu dia. Vou ao parque com as crianças

Renato Souza

23 de outubro de 2009

REFLEXPRESS - NÃO CONSIGO ESCREVER




"Ouvi uma piada certa vez.
Um homem vai ao médico, dizendo estar deprimido.
A vida parece dura e cruel. Ele diz se sentir sozinho nesse mundo ameaçador.
O médico responde:
- O tratamento é simples. O grande palhaço Pagliacci está na cidade. Vá assisti-lo. Isso deve alegrá-lo.

O homem explode em lágrimas:
-Mas doutor - ele disse - Eu sou Pagliacci.

Boa piada.
Todos riem.
Rufam os tambores.
Fecham-se as cortinas..."


crédito: swampy

Não consigo escrever. Estou travado. Não consigo escrever.
Desligo a televisão. O jogo está ruim e meu time não coopera.
O que faço? Está tarde, tudo está fechado. Estou sem livros.
Arrisco uma leitura no computador. Um livro online.
Leio um parágrafo e meus olhos reclamam. Já sinto um peso próximo de um óculos em meu rosto.
Merda, não consigo escrever. Sempre foi tão fácil... O que é isso, companheiro?

A casa está vazia. Caminho até a sala em busca de um trago. As duas garrafas estão vazias. Faço força, “torço” a garrafa como se uma gota acabasse por me satisfazer.
Acendo um cigarro, o último (do maço).
O lápis desliza no papel, desenha círculos, linhas, pirâmides e formas abstratas.
Palavra? Nenhuma.

Resolvo espairecer: deixa pra lá!
Graças a deus inventaram o MP3. Agora posso sair durante a madrugada, caminhar por entre as ruas, e ouvir um bom e velho rock´n roll. Eu e minha solitude.
Batem os Sinos do Inferno e a guitarra vagarosamente começa a dançar em meu ouvido.

Preciso escrever. Se não, o que será daqui pra frente?
Glória. Tem um boteco aberto logo à frente. Ou pelo menos parece. As luzes estão acesas e tem um velho senhor – extremamente bêbado – escorado na porta.

- Tem uma moeda? Preciso beber mais. – Seu rosto estava inchado, o nariz avermelhado, e a mão trêmula esperando a esmola.
- Ô meu querido, porque não vai para sua casa?
- Pra quê? Ficar sentado sozinho?
- E a sua mulher?
- Sou péssimo em relacionamentos. – Soltou um sorriso envergonhado.
- E eu não consigo escrever.
- Fui poeta. Não sou mais. Escrevia para minha mulher. Agora as rosas de casa já murcharam.
- Toma. – Não consegui responder mais nada, entreguei uma nota de cinco reais e disse:
- Boa noite, poeta. Escreva sobre a vida.
Ele me respondeu, curto e grosso, sem dó, nem piedade:
- Escreva sobre o amor. Desafio você.
Virou as costas e saiu cantarolando Raul.

Consegui escrever. Acho que foi a aura do boteco. A branquinha no copo, o dono limpando o chão, a velha televisão desligada, os salgados rotos no balcão, e o cão sarnento dormindo na porta, tudo isso me deu coragem pra escrever no guardanapo:

“Eu só queria te dizer, eu sou aquele que devia tomar conta de tudo. Eu sou aquele que devia deixar tudo ok para todos. Mas não funcionou assim. E eu deixei. Eu deixei você. Você não fez nada de errado. Eu tentei fingir que você não existia. Mas eu não posso.”

Lixo. Não consigo escrever sobre amor. Não sei por que, mas já ouvi isso em algum filme. Ouvi sim, tenho certeza.
Merda. Não consigo escrever. Onde será que foi o poeta? Deveria ter conversado mais com ele. Devia ter esperado mais ao seu lado.

Uma viatura da polícia corta a rua em alta velocidade. O giroflex berra.
Coloco minha cabeça para fora do bar. É a curiosidade.
A viatura para a poucos metros dali. Os homens de farda descem, sem pressa, o semblante sério reflete algo que já estão acostumados. Tem um corpo inanimado no local.

O poeta estava morto. Um tiro na nuca, outra na parte de trás da cabeça. O poeta morreu sem saber, morreu sem sentir, morreu sem ver. Por um lado foi bom. O bom homem - até onde eu sei - não sofreu.

- Foi assalto, senhor? – Perguntei com medo de represália.
- Não sabemos. Recebemos uma ligação anônima de uma mulher. O que faz aqui a essa hora da noite?
- Eu não estou conseguindo escrever. Preciso encontrar outro poeta.

Felipe Payão

22 de outubro de 2009

FUTEBIZARRICES - O QUE ROLA PELO MUNDO 7

AZERBAIJÃO

Pos Times - Pontos
1 Inter Baku - 13
2 Simurq PFC - 13
3 Karabakh - 13
4 Khazar - 11
5 FK Mugan - 10
6 Neftchi - 9
7 FK Gilan - 8
8 Baku FK - 7
9 FK Olimpik - 5
10 Karvan - 4
11 Standard Sumgayit - 2
12 Turan - 2

MALÁSIA

Pos Times - Pontos
1 Selangor - 63
2 Perlis FA - 56
3 Kedah FA - 51
4 Johor FC - 48
5 Terengganu FA - 47
6 Kelantan FA - 44
7 Negeri Sembilan FA - 38
8 Plus FC - 38
9 Kuala Muda Naza - 37
10 Perak FA - 32
11 UPB-MyTeam FC 30 - 26
12 Penang FA - 19
13 Pahang FA - 17
14 PDRM FA - 3

GRENADA

Pos Times - Pontos
1 Carib Hurricane - 37
2 Eagles Super Strikers - 34
3 Fontenoy Utd - 31
4 QPR Grenada - 28
5 South Stars - 26
6 Grenada Boys Secondary School - 26
7 Asoms Paradise - 23
8 Ball Dogs FC - 18
9 Chantimelle - 17
10 Willis Youths - 8

QUÊNIA

Pos Times - Pontos
1 Sofapaka F.c. - 49
2 Tusker FC - 44
3 Mathare Utd. - 43
4 Thika United - 41
5 Gor Mahia - 40
6 Nairobi City Stars - 39
7 Chemelil Sugar - 36
8 Ulinzi Stars - 36
9 Western Stima - 34
10 Sher Karuturi - 34
11 Sony Sugar - 33
12 Kcb Fc - 32
13 Red Berets F.c. - 27
14 AFC Leopards - 26
15 Bandari F.c. - 22
16 Agro-chemical - 22

NOVA CALEDÔNIA

Pos Times - Pontos
1 AS Magenta - 3
2 Racing de Poindimié - 3
3 Hienghène Sport - 3
4 AS Mont-Dore - 1
5 Gaitcha - 1
6 AS Thio Sport - 0
7 Mouli Sport - 0
8 AS Lössi - 0



Gabriel Lopes

21 de outubro de 2009

REALPOLITIK - A MORTE CAI FRIA NA MEGALÓPOLE


Sexta-feira em São Paulo. As ruas cheias e o trânsito caótico não escondem, de quem passa pela região da 25 de Março, o cadáver insepulto de um homem. Aparentando 60 anos de idade, o morto é vigiado por dois policiais militares. Está coberto com jornais e as pequenas pedras colocadas para segurar as folhas não impedem que o vento descubra o rosto dele em alguns momentos. Era um homem franzino, negro, mal vestido e, no instante derradeiro, estava descalço. Ao lado do corpo, uma sacola de plástico de supermercado e um cobertor fino, daqueles doados por ongs.

O rabecão levou 11 horas para retirá-lo da rua - era meio-dia quando o utilitário do Instituto Médico Legal (IML) estacionou no Parque Dom Pedro, esquina com a Rua Dom Pedro II, onde o cadáver jazia. O cheiro era insuportável. Acredita-se que ele "passou desta para uma melhor", nas palavras do policial civil José Carlos Picardi, de 39 anos, "por volta da uma da madrugada". Como não havia sinais de violência, deixaram o corpo para a necropsia e um laudo pericial determinará a causa da morte.

Os PMs que tomaram conta do morto levaram quase todo um dia de trabalho observando a aparente calma da madrugada e o início do movimento na rua de comércio popular - o Natal está chegando, as compras devem ser feitas. A viatura permaneceu parada o tempo inteiro. O som do rádio da polícia interrompia o silêncio de quem observava a cena. O contraditório silêncio do centro de São Paulo, em plena 25 de Março, local em que ambulantes gritam mais alto do que soam as buzinas dos carros que tentam atravessar, em passos de tartaruga, uma multidão barulhenta.

O vendedor ambulante Robério Miranda, de 42 anos, disse que é recorrente aparecerem "mendigos mortos de frio". Ele relata, exagerando, que "sempre que esfria muito na cidade morrem dois ou três só aqui no Parque Dom Pedro". Miranda nasceu em Guarulhos, cidade da região metropolitana de São Paulo com mais de 1 milhão de habitantes, e tem 3 filhos. Ele diz que seu nome é a mistura de Roberto, escolha de seu pai, com Rogério, nome preferido pela mãe. "Melhor que Rogerto, né?", brinca. Trabalha na rua há 18 anos. "Aqui eu vejo de tudo, trombadinha, prostituta, mendigo, menos gente rica", comentou rindo e olhando para uma senhora que parou diante da mesinha de madeira, armada sobre dois cavaletes, onde expunha relógios falsificados de marcas famosas. Ele ainda ironiza: "ricos aqui só os chineses donos das lojas".

Na outra calçada, uma grande loja de armarinhos está cheia. Poucos notam o cadáver menos de 20 metros de distância. A viatura da PM encobre a visão de quem passa do outro lado. Os agentes do IML recolhem o finado, colocando-o numa gaveta de alumínio, que é encaixada na caçamba do rabecão. Um dos agentes faz o sinal da cruz. É Jorge Fernades, de 52 anos, morador de Itaquera, zona leste da capital. Católico fervoroso, Fernades diz que sempre reza pela alma dos mortos que recolhe. "Eu tenho o maior respeito pelo corpo, porque o espírito ainda está vendo tudo, e Deus também olha, pois Ele tudo vê", filosofa o mineiro de Curvelo.

No rabecão havia outro cadáver. De acordo com Fernandes, foi assassinado com dois tiros na cabeça, num bar do Brás, bairro tradicional da capital, bem próximo do Parque Dom Pedro. "O sujeito estava de costas para a rua, tomou os tiros na nuca, nem deve ter visto quem atirou", explica o agente. Segundo o mineiro, o "sujeito" se chamava Ronilson e tinha 33 anos, "a idade em que Cristo foi crucificado". Fernandes encaixa a gaveta com a ajuda do outro agente, fecha as portas traseiras do veículo do IML e se despede.

Os PMs já haviam ido embora. A vida voltava ao normal. Um ambulante já ocupava o local em que o morador de rua foi encontrado morto. Outros mendigos caminhavam pelo local, possivelmente procurando algum pertence do falecido, que não foi identificado - não carregava documentos. Morreu anônimo no centro da maior cidade do hemisfério sul. Provavelmente será enterrado como indigente.

Rodrigo De Giuli

20 de outubro de 2009

FUTEBIZARRICES - ESCÂNDALO NA TERRA DE JOSÉ SARNEY

Não, caros amigos futebizarristas, não vou falar de política nessa nobre seção do 7CISMO. Assim como ocorre em Brasília, uma situação repudiante ocorreu no estado dominado pela família de nosso ilustre presidente do Senado. Pela Segunda Divisão do futebol local, dois times protagonizaram cenas lamentáveis na última rodada da competição.

Viana e Moto Club, o maior campeão maranhense, estavam empatados em número de pontos e brigavam pelo acesso à divisão principal. Última vaga, pois o Santa Quiteria já estava qualificado. Até aí, nada de mais, uma situação corriqueira no mundo da bola. Então, qual foi a nova? Explico.

Para iniciar, que tal dizer que o Moto Club, da capital São Luiz, foi rebaixado para a segunda divisão nesta temporada. Por manobras no regulamento (leia-se "virada de mesa"). Mas é Brasil, estamos acostumados com isso também.

Precisando tirar uma diferença de dois gols, no critério de desempate, o Moto enfrentou o já classificado Santa Quitéria, no estádio Nhozinho, em São Luís. Necessitando de boa vitória, o Viana recebeu o Chapadinha, no estádio Daniel Nascimento Filho. Vamos ao "caso".

JOGO: MOTO CLUB x SANTA QUITÉRIA

O Santa Quitéria entrou em campo com sua principal atração, de chuteiras brancas e camisa 10. Menin Leal, 52 anos, prefeito e presidente de honra do clube, que jogou os dez minutos iniciais. O Moto, logo no primeiro tempo já vencia por 3 a 0. Até o momento, e com o 0 a 0 em Viana, a vaga era do time da capital.

Quando a partida se aproximava do fim, porém, chegou a notícia de que o Viana começava a fazer gols. Coincidentemente, o Moto, que já contava com um jogador a mais, recebeu três pênaltis após os 37 minutos da etapa final. O último, aliás, foi desperdiçado. Mesmo com uma vitória por 5 a 1 e de tantos benefícios, o Moto acabou boicotado... ops... Eliminado.

JOGO: VIANA x CHAPADINHA

O time da casa precisava da vitória contra o Chapadinha para garantir o acesso à primeira divisão. O 0 a 0 persistia e, como de costume em partidas decisivas que são disputadas no mesmo horário, o segundo tempo iniciou com atraso, para que as equipes soubessem do resultado do outro jogo. O Moto vencia por três gols e Viana estava fora da elite. Os anfitriões conseguiram marcar 2 a0, que já garantia ao clube o acesso, mas os jogadores do Chapadinha, já eliminados, começaram a andar em campo e, literalmente, a entregar o jogo para o adversário.

A partir dos 35 minutos da segunda etapa, foram nove gols nos nove minutos finais. Em três tentos, é inevitável perceber que a intenção dos defensores visitantes era de perder a bola para os avançados da casa. Em outros dois gols, quatro ou cinco jogadores do Viana apareciam livres, dentro da grande área do Chapadinha. Resultado: Viana, classificado, 11 a 0.

Acesse o link:
http://www.youtube.com/watch?v=snuRpc7TFsU&feature=player_embedded

Assista ao vídeo com os gols da partida e tire suas conclusões.

O problema é saber quem é "menos santo" nessa história: o time grande que precisou de uma virada de mesa e pênaltis no fim da partida para garantir o acesso ou os times menores que tentaram, visivelmente, eliminar o "intruso" a todo custo.

Gabriel Lopes

19 de outubro de 2009

REALPOLITIK - A ILUSÃO DOS NÚMEROS


O jornalismo, em geral, é baseado em números (pesquisas) ou narrativas. Para o senso comum, os números são inquestionáveis. Mas, eles não representam uma verdade absoluta; são manipuláveis, e apenas representam um recorte do contexto. Uma visão de mundo.

O conjunto de ideias, crenças e valores, filosóficos, científicos ou religiosos formam paradigmas, visões de mundo. Um determinado grupo social entende a realidade através de um processo de percepção, que coletiviza a impressão do fato, ou seja, cada grupo só percebe o que conjuga com o padrão já concebido.

Esse processo de percepção explica como o mesmo fenômeno pode ser entendido de diversas maneiras. Em 1948, na cidade de Aporá, Minas Gerais, um eclipse total do sol ( fenômeno que ainda não havia sido presenciado pelos munícipes de Aporá ) provocou pânico geral; as pessoas acreditaram que era o fim do mundo, os camponeses, imediatamente, pararam de trabalhar, lampiões e candeias foram acesos, e, durante todo o dia o assunto não foi outro.

A aproximadamente 150 quilômetros dali, na cidade de Bocaiuva, o mesmo fenômeno foi recebido de forma totalmente diferente. Devido a sua localização, que privilegiava a observação do eclipse, Bocaiuva atraiu astrônomos e pesquisadores de todo o planeta, que em posse dos equipamentos mais modernos da época se entusiasmaram com o raríssimo evento. As duas cidades, apesar da proximidade geográfica, perceberam de modo radicalmente diferente o mesmo acontecimento. Nós entendemos o que nos convém entender, tudo que desafia o nosso modelo é rapidamente repudiado por nós mesmos.

Pesquisas Suspeitas
Pesquisa feita pelo IBOPE destoou radicalmente da realidade

Ninguém sabe se José Sarney (DEM) é do Maranhão, ou se o Maranhão é de Sarney. Mas, o que podemos constatar é que a família desse “representante do povo” manda naquele Estado. Na eleição para governador de 2006, as pesquisas feitas pelo IBOPE, que é colocado acima de qualquer suspeita pela maior parte da população brasileira, apontavam que Roseane Sarney (DEM) venceria as eleições ainda no primeiro turno. Ou seja, segundo o IBOPE, Roseane teria mais de 50% dos votos.
Entretanto, Jackson Lago (PDT) contrariou todas as pesquisas de opinião e foi eleito no segundo turno com 51,82% dos votos contra 48,18% da candidata do DEM.
As pesquisas, no mínimo equivocadas, foram encomendadas pela TV Mirante - afiliada da Rede Globo no Maranhão -, que pertence a Roseane Sarney, e que não por acaso foi fundada pelo ex-presidente Sarney.

Índices fraudulentos na Argentina
“As mentiras que estão introduzindo na economia terão efeitos extremamente negativos a longo prazo”
Alberto Cavallo

O Instituto Nacional de Estatística e Censos de Argentina (INDEC), que é ligado diretamente ao Ministério da Economia e Finanças Públicas daquele país, está divulgando, em 2009, pesquisas de inflação fraudulentas, segundo o economista argentino Alberto Cavallo.

No blog InflacionVerdadera, Cavallo, que está escrevendo sua tese de PhD em economia na universidade de Harvard (EUA), aponta, em parceria com outros economistas, índices alternativos de inflação. “Em meados de 2007, os jornais argentinos começaram a questionar duramente os números oficias. O argumento era que qualquer um que fosse a um supermercado notaria aumentos muito mais altos do que os publicados pelo INDEC”, diz Cavallo.

O governo de Cristina Kirschener usou os números para ludibriar a população, forjando uma estabilidade econômica “Em um intento de minimizar os custos políticos e continuar projectando publicamente uma imagem de crescimento sem inflação, em Janeiro de 2007, o governo decidiu 'intervir' no lINDEC. A partir desse momento os índices de inflação começaram a ser muito suspeitos”

Segundo as últimas pesquisas do INDEC a inflação argentina não tinha ultrapassado os 8 por cento, no primeiro semestre de 2009, porém segundo Cavallo, esse número é, no mínimo, três vezes maior, chegando a mais de 30 por cento.

Bom, invariavelmente pesquisas são usadas pelos governos de todo mundo para enganar a população, acredite ou não.

Caso Proconsult
Empresa, que era ligada ao regime militar, fraudou o resultado das eleições

Em 1982, as eleições para o governo fluminense foram marcadas por uma tentativa de fraude clamorosa. As pesquisas de opinião davam vitória certa para o candidato da ditadura, apoiado pela Globo, Moreira Franco.

Naquele ano disputavam o pleito Sandra Cavalcanti (PTB), Lisâneas Maciel, (PT), Miro Teixeira (PMDB), Moreira Franco (PDS, antigo Arena) e Leonel Brizola (PDT).. A Proconsult, empresa responsável pela apuração fraudulenta das urnas, computou votos nulos e brancos para o candidato da Arena – antigo partido da ditadura, hoje PDS -, Moreira Franco, que assim venceria a eleição.

O PDT não se conformou com o resultado informado pela Proconsult e contratou a Sysin Sistemas e Serviços de Informática para fazer uma apuração paralela. O resultado divergiu completamente do oficial. E não foi só a Sysin que contestou os números, o Jornal do Brasil também deu grande ênfase para o caso. Diante das novas apurações, o recém-anistiado Leonel assumiu o cargo de governador do Rio de Janeiro.

O então dono da Rede Globo, Roberto Marinho, foi acusado de participação no esquema.

As favas com as pesquisas

As pesquisas de opinião servem para influenciar o seu comportamento, e não são, nem de longe, verdades inexoráveis. Uma pesquisa traz um resultado que corresponde a determinados interesses, que podem não ser os seus. Sendo assim, cuidado com os números.

Thiago Menezes

17 de outubro de 2009

REALPOLITIK - EM QUEM VOTAR NAS ELEIÇÕES DE 2010?

A dúvida do título é a mesma de 2 entre 10 eleitores aptos a votar nas próximas eleições, em 2010. De acordo com a última pesquisa da CNI/Ibope, 20% dos eleitores ainda não definiram seu voto; o pleito está distante, muitos candidatos ainda não sabem por quais cargos concorrerão, além de possíveis mudanças dos nomes.

Dilma? Serra? Aécio? Ciro? Marina? Meirelles? Terceiro mandato de Lula? Voto em branco, nulo?

Defender o voto nulo é a única forma de mostrar indignação com o status quo de todos os níveis da política nacional, ainda que os defensores sempre ouçam "como mudar tudo isso que está aí sem escolher alguém que faça o trabalho sujo? Quem vota nulo é alienado, anarquista!”.

A resposta, no meu entendimento, é direta: Não escolher este “alguém” que, por qualquer motivo, nos trairá por
vantagen$ pessoais, familiares e de amizade. Nossos ilustres e nobres congressistas têm mostrado exatamente isso ao país.


Crédito: tvnoticias.wordpress


Não confundir, no entanto, inconformismo com alienação. Esta é posição particular de alguém que já viu muito a respeito do meio político brasileiro, descrente em mudanças profundas no cenário de Brasília – ou em qualquer um dos mais de 5 mil municípios brasileiros.

Contudo, se a maioria esmagadora dos eleitores votasse nulo, seria dado um recado claro aos políticos: “Estamos de saco cheio de vocês. Ou vocês mudam, ou mandamos vocês de volta às suas bases!”

Sempre há mensagens anônimas na internet em vésperas de eleições, conclamando o eleitorado a anular o voto para que um novo pleito seja marcado, com novos candidatos. Isso não ocorrerá. A votação, no Brasil, é proporcional, ou seja, quem obtiver votos suficientes para ser eleito, assumirá o cargo.

Não há consenso, na legislação eleitoral, sobre a anulação das eleições, se houvesse uma maioria de nulos e/ou brancos. Para o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o que vale são os artigos 220 a 222 da Lei 4737/65 - que institui o Código Eleitoral, urgido durante o regime militar -, desconsiderando a Lei 9504/97. Não me peçam para explicá-la, não sou advogado! Ao Google molecada!

Há uma enorme indiferença dos congressistas do país em fazer a tão sonhada e necessária reforma política. Voto distrital, fidelidade partidária (trocou de partido, perde o mandato), fim das reeleições e eleições gerais a cada 6 anos (mandatos de presidente, governadores, prefeitos, deputados federais e estaduais, senadores e vereadores seriam aumentados para 6 anos com o fim da reeleição, com um grande pleito nacional em que todos os candidatos aos cargos do Executivo e do Legislativo seriam eleitos).
Enquanto a reforma política não ocorre, persiste a dúvida “anarco-maniqueísta”: Votar nulo ou anular o voto?


Rodrigo De Giuli


16 de outubro de 2009

UMUNDUNU - FERNANDO SABINO


Fernando Tavares Sabino (Belo Horizonte, 12 de outubro de 1923 — Rio de Janeiro, 11 de outubro de 2004) Foi escritor e jornalista.

Nasceu homem, morreu menino.

E do rebento cresce Sabino.
Irrequieto, inventa histórias
Meio maluco, esse menino.
Não! Atenção: todo infante delira.
Mas, em pequeno é que se torce o pepino.
O escotismo acertaria o passo.
Sempre alerta!
E o exército cuidaria de enquadrar o cidadão.
Formar o homem correto.
Doutor advogado, por exemplo.
Para dominar a matéria das leis. Uai!
Trabalhar para que elas sejam cumpridas.
E as leis sempre compridas.
São longa e flacidamente cumpridas.
Mas tudo bem, o menino vai bem.
Convive na corte.
Sai na banda palaciana.
A capital federal vive a brisa do Rio de janeiro.
Na beira do mar todo mundo brinca.
Romântico, o poder comporta a sublime elegância do truculento.
O alegre farejar dos Poodles vigia o pensamento esclarecido.
Olha que coisa mais lida.
Digo mais linda, mais cheia de graça.
Quando não tem Scotch, vai uma boa cachaça.
Viajar de asa dura.
Altos vôos, infinitos céus.
Revirar Paris, Nova York e Amsterdã.
Outros mares.
Natural estar ali ontem e acolá amanhã.
Virar mundo.
receber medalha, ganhar troféu.
Abraços apertados e tapinhas nas costas
Até que o pano desceu.
E o crepúsculo veio morno.
O rastro do sol enegreceu as silhuetas.
O menino correu para o espelho.
Lambeu o beiço e esfregou os olhos.
Sensato captou o mentecapto.
menino não mente
É, pura e simplesmente.
E nem sentir ao menos que é menino sente
E Sabino parte menino.
Em seu olhar leva outro olhar guardado.
Aquele que desejou para sua ultima crônica.

Claudio Zumckeller

15 de outubro de 2009

REALPOLITIK - O CAPITALISMO E AS VACAS


Publicado anonimamente na semana que antecedeu as eleições 2002 (Sim, 2002! Depois o Lula foi reeleito, e estamos às portas de nova eleição). Veja se algo mudou:

Semana tensa e nenhuma perspectiva de alívio até as eleições. No mercado externo, dúvidas para todos os lados, principalmente sobre os rumos da economia americana, a “Matriz”. Sendo assim, nada melhor que a reserva de espaço para se analisar o capitalismo. Circulou pela internet uma divertida avaliação, aqui reproduzida, do sistema em diversos países, partindo-se da compra e venda de duas vacas. Inicialmente, a definição do capitalismo ideal: trata-se do sistema em que, ao se ter duas vacas, vende-se uma, compra-se um touro, eles se multiplicam, a economia cresce, você vende o rebanho e aposenta-se rico.

No capitalismo americano, com duas vacas, vende-se uma e força a outra a produzir leite de quatro vacas e nos surpreendemos quando ela morre. No capitalismo Enron, com duas vacas, vendem-se três para a sua companhia de capital aberto, usando garantias de crédito emitidas por seu cunhado.


Crédito:straightpunkpoet

Depois se faz uma troca de dívidas por ações por meio de uma oferta geral associada, de forma que você consegue todas as quatro vacas de volta, com isenção fiscal para cinco vacas. Os direitos do leite das seis vacas são transferidos para uma companhia das Ilhas Cayman, da qual o sócio majoritário é secretamente o dono. Ele vende os direitos das sete vacas novamente para a sua companhia. O relatório anual diz que a companhia possui oito vacas, com opção para mais uma. Você vende uma vaca para comprar um novo presidente dos EUA e fica com nove vacas. Ninguém fornece balanço das operações e o público compra o seu esterco. Não é nem necessário analisar o capitalismo de hipotecas, não é mesmo?

No francês, ao se ter duas vacas, entra-se em greve porque se quer ter três .

Já os canadenses, usam o modelo americano e as vacas morrem. Você acusa o protecionismo brasileiro – qualquer semelhança com o caso EMBRAER X BOMBARDIER é mera coincidência – e adota medidas protecionistas para ter as três vacas do capitalismo francês.

No Japão, redesenham-se as duas vacas para que tenham um décimo do tamanho de uma vaca normal e produzam 20 vezes mais leite. Depois criam desenhos animados de vacas chamados Vaquimon, vendidos para o mundo todo à peso de ouro.

Na Inglaterra, você tem duas vacas e as duas são loucas.

Na Alemanha, as duas vacas produzem leite regularmente, segundo padrões de quantidade, qualidade e horários previamente estabelecidos, de forma precisa e lucrativa. Mas o que você queria mesmo era criar porcos.

Na Rússia, você tem duas vacas. Conta e vê que tem cinco. Conta de novo e elas são 42. Faz uma nova contagem e há 12 vacas. Você pára de contar e abre outra garrafa de vodca.

Na Suíça, você tem 500 vacas, mas nenhuma é sua.

Em Portugal, você tem duas vacas e reclama porque seu rebanho não cresce.

Na China, você tem duas vacas e 300 pessoas tirando leite delas. Você se gaba de ter pleno emprego e alta produtividade. Depois prende e executa em praça pública o ativista que divulgou os números.

Na Índia, você tem duas vacas e ai de quem tocar nelas.

Na Argentina, você tem duas vacas e se esforça para ensiná-las a mugir em inglês. As vacas morrem e você entrega a carne delas para o churrasco de fim de ano do FMI.

No Brasil, você tem duas vacas. Uma delas é roubada. O governo cria a Contribuição Compulsória pela Posse de Vaca (CCPV). Um fiscal vem e te autua, porque, embora você tenha recolhido corretamente a CCPV, o valor era pelo número de vacas presumidas e não pelo de vacas reais. A Receita Federal, por meio de dados também presumidos do seu consumo de leite, queijo, sapatos de couro, botões e demais derivados, presumia que você tivesse 200 vacas e, para se livrar da encrenca, você dá a vaca restante para o fiscal deixar por isso mesmo...

Anônimo (indicado por: Rodrigo De Giuli)

14 de outubro de 2009

UMUNDUNU - AMOR ESTRANHO AMOR

Quando te vi foi amor à primeira vista. Não acreditava que isso um dia fosse acontecer comigo, mas quando eu menos esperava você cruzou o meu caminho, ou eu o seu, nem sei, não lembro e também não importa.

Te apresentei para meu pai, no começo ele não gostou, mas em minutos viu que era aquilo que eu queria para mim e logo aceitou. Minha mãe te adorou. Coisa rara. Tenho que confessar que não pensei que seria tão fácil convencê-la. Mas ela não impôs barreiras, o nosso caminho estava livre.


Crédito: kstan88.wordpress

Depois de alguns meses de namoro era inevitável não te trazer para casa. Minha vontade era tamanha que eu mesmo fui de carro te buscar. Passamos dias maravilhosos juntos. Confesso que no inicio foi difícil te entender, fiquei por muitas vezes nervoso com você, mas quem não comete falhas? Desculpe-me, sei que errei, mas você também errou algumas vezes. É verdade também que nunca me deixou na mão, sempre esteve ao meu lado, a qualquer hora que eu precisasse.
Compartilhei meus segredos com você, meus textos, meus trabalhos, tudo enfim. Você sabia tudo sobre mim, mesmo eu não te conhecendo tão bem. Meus amigos te adoravam, alguns vinham em casa só para te ver, outros até se espantavam quando te viam em meu quarto. Mas enfim, hoje olho para o lado e você não está ali.

Nunca imaginei que fosse tão difícil ficar longe de você, mesmo que por um curto espaço de tempo. Reconheço que não sei mais viver sem você, sou um dependente. Por que você foi me deixar? Você não me ensinou a ficar longe de ti. De todas as loucuras que fiz na minha vida, a maior foi te perder.

Hoje liguei na assistência técnica, meu computador só fica pronto em dois dias, e o pior aconteceu: meu disco rígido foi totalmente corrompido, perdi tudo. Mas os momentos bons da vida não são guardados apenas na memória de um HD.
O mundo do lado de fora da janela do teu quarto é muito mais belo que o da tela do seu PC.

Renato Souza

13 de outubro de 2009

NOTA DO BLOG - 2 MESES DE VIDA!


O 7CISMO alcançou nesse 2° mês de vida mais de 13.300 visitas, quase 250 por dia.

Não é nada comparado com grandes blogs, mas aqui, remamos contra a maré.
Nossa tentativa de produzir textos "inteligentes" e extensos - nem tanto - contrapõe com a maioria da internet, que
prima pela velocidade na leitura e a quantidade de imagens. Que tal um pouco de aprofundamento, quando o assunto exigir?

Agradecemos os poucos e fiéis leitores que temos.
Agradecemos os ilustres visitantes de São Tomé e Príncipe, França, Irlanda, EUA, Macedônia, Grécia, Tailândia, Espanha, Portugal, Itália, Japão, Nova Zelândia, Dinamarca... que voltem sempre!


O nosso sincero OBRIGADO!

E aos "gringos":

Thank´s!
Faleminderit!
Danke!
Gràcies!
Gracias!
Kiitos!
Merci!
Multumesc!
Bedankt!
Grazie!

7cismo

12 de outubro de 2009

UMUNDUNU - NÃO ROTULÁVEL, SOM DO STRUNG OUT CONTINUA O MESMO EM NOVO TRABALHO


Sabe aquelas bandas que já vêm com um rótulo perfeito para definir o som? Rolling Stones e The Who são rock'n'roll, The Ramones são punks, Iron Maiden é heavy-metal, Coldplay e Oasis são pop, Fresno, CPM22 e NX Zero são emo. Ponto. Não há discussão sobre isso.

Mas e as bandas que, por mais que se ouça os albuns, seja de uma fase mais inicial ou o último lançamento, não se consegue escolher um rótulo, uma marca? Há discussões intermináveis nos fóruns de bandas como Throwdown ou Hatebreed debatendo se elas são hardcore ou metal, se Alexisonfire é emocore ou screamo. E o Strung Out, em que categoria ela seria colocada?

Banda sul-californiana de hardcore-punk-rock-trash-metal-ou-sei-lá-o-quê!, o Strung Out foi formado em 1992, pelo vocalista Jason Cruz, os guitarristas Jake Kiley e Rob Ramos, o baixista Jim Cherry (que deixou a banda em 1999 para tocar com o Pulley, morto em 2002 por problemas cardíacos, substituído por Chris Aiken) e o baterista Jordan Burns (ex-Ten Foot Pole). No início, foram classificados como new school of punk-pop, junto de bandas como Offspring e Green Day - nada mais equivocado. Contudo, a qualidade do som rápido e pesado do Strung Out delineou sua saída desta onda de punk-pops natimortos.

O SO teve todos os seus albuns lançados pela lendária Fat Wreck Chords, de Fat Mike (líder do NoFX). Com 11 músicas, a banda acaba de lançar seu oitavo trabalho. Sempre que lança um novo CD - quem baixa pela internet, desconsidere! - o Strung Out cumpre o que promete: som rápido, pesado, equilibrado com melodia e letras que vão da crítica política (a faixa título, Ghetto Heater e Nation of Thieves) e à sociedade de consumo (Vanity), até uma "homenagem" à Los Angeles (Andy Warhol). A faixa de abertura (Black Crosses) mostra como é difícil classificar o som dos californianos.

Para quem já é fã do Strung Out, o trabalho vale cada centavo - ou cada segundo perdido no download. Para quem ainda não conhece a banda, é uma ótima oportunidade de tentar ajudar os críticos de música - não me incluo nesta categoria, por favor - a rotular seu o som. O mesmo, bom e inclassificável som do Strung Out.

Serviço:
Strung Out - Agents of the Underground (Fat Wreck Chords, SET/2009)

Onde comprar: http://www.amazon.com/Agents-Underground-Strung-Out/dp/B002LBGB5Y/ref=ntt_mus_ep_dpi_lnk

Para baixar, procure seu sítio de torrent preferido.

Rodrigo De Giuli

9 de outubro de 2009

REFLEXPRESS - PARA BOI DORMIR


- Basta escurecer para o Aristides sair de casa e sumir! – vive dizendo a Dolores, quando reclama do marido na vizinhança.
Ela se queixa com toda a razão. O Tidão – apelido de infância do Aristides - não é mole! É uma figura enjoada.

Já é de manhã e lá vem ele chegando da boemia a puxar assunto com quem encontra pelo caminho. Dessa vez a vítima, sem querer, fui eu.

Estava a caminho do trabalho. Tinha saído um pouco mais cedo e resolvi comprar o jornal na banca do Afonso. Da esquina percebi os dois – o jornaleiro e o boêmio – entrosados em animada prosa. Tão atento estava o dono da banca a ouvir que sequer percebeu minha chegada. Como tinha tempo, deixei rolar e pude acompanhar o seguinte monólogo do Aristides:

- Obama, Obina, Osama, Ozônio e Ozóio. O que têm em comum estes entes? A existência e o tempo, óbvio! E o que eles têm de diferença? O ser. Cada um é, a seu modo, ululante!

O Obama é mulato – dizia com ar de seriedade – e representa o avanço contra o racismo em um país reconhecido como maior potência econômica do planeta. Apesar de ter sido educado com as mesmas benesses oferecidas exclusivamente aos compatriotas brancos e mais afortunados, ele se revestiu perfeitamente da pele de herdeiro e prosseguidor das seculares reivindicações da população negra norte-americana e, por ricochete, da massa despossuída do planeta. Só que uma de suas promessas mais importantes de campanha, aquela que versou sobre os 40 milhões de estadunidenses que vivem sem assistência médico hospitalar, foi brutalmente massacrada pelo conluio das companhias de seguros com o Parlamento norte-americano.

- Já furou aí – prosseguia o Tidão, com ar zombeteiro.
- E Obina? O baiano goleador é comparado, pelo flamenguista fanático – e agora pelo palmeirense fanático –, com o Eto’o. Perdeu o lugar para um imperador italiano. O tal de Adriano, vários anos de futebol europeu! Em Milão, o artilheiro renomado, que cansou de ficar longe da favela natal e voltou pro Brasil. Rico, famoso e ainda jovem. Boleiro com gás para badalar a noite inteira, treinar cedinho na Gávea e fazer os gols rubro-negros para enlouquecer a galera do urubu.
Com essas e outras, Obina baixou no Palestra Itália. Veio como salvação palmeirense para o lugar de um rapaz de nome sueco, um matogrossense que acabara de partir para balançar as redes no velho mundo. O moço que teria sido o remédio à desastrada perda de Kléber – chamaddo pela torcida alviverde de Gladiador – andou uns tempos apavorando as defesas ucranianas. Na Ucrânia, até eu, meu! Até eu!!!

Eu não entendia as conexões que o Aristides estabelecia, mas seguia ouvindo. Estava com tempo, queria que passasse a hora do busão lotado.

- E o Osama então – dizia ele, entusiasmado ao perceber a plateia aumentando – ah... o Bin Laden! Dizem que é o Bush filho “lado b”. Segundo fontes fidedignas, suas famílias são sócias nos negócios do petróleo. Dois meninos criados com toda educação e refinado conforto! Resumo: eles são dos melhores exemplos de intolerância, os mais perfeitos. Perto deles, fica fácil buscar em qualquer ditador sanguinário algum resquício de humanidade. Ambos protagonizaram momentos deploráveis da história da civilização. Dizem as más línguas que, quando enchia a cara de “birita”, o George W. virava “Ozóio” – depois do trocadilho infeliz, o Afonso percebeu que eu estava presente e, sem conseguir conter o riso, disse:

- Bom dia, o que é que manda?
- Eu queria o jornal, mas deixa quieto. Agora eu quero saber o final. Fala seu Tide, está faltando o Ozônio - indaguei relaxado.
- É... O Ozônio – emendou matreiro – o grande protetor da atmosfera planetária. O guardassol da terra. Está sendo atacado cruelmente pelos gases tóxicos e os peidos bovinos. Assim ele vai sucumbindo e, daqui a pouco, dez anos quem sabe, nunca mais o homem vai poder dizer que entrou numa fria – concluiu, tocou a aba do chapéu tirolês, e com um debochado bom dia, saiu a sorrir.

Olhei o relógio: - Putz! São dez para as nove! Já deu, estou atrasado.
Não comprei jornal algum. Saí dali pensando onde é que aquele fulano ia buscar ligações tão bizarras.

Claudio Zumckeller

8 de outubro de 2009

FUTEBIZARRICES - PROGNÓSTICO DA CHAMPIONS LEAGUE


A Liga dos Campeões da Europa é considerada por muitos como a principal competições de clubes do planeta. Afinal, grandes craques mostram seu talento pelos gramados de diversas partes do continente e a garantia de ótimo futebol é quase certa.

Supercampeões como Bayern de Munich, Juventus, Manchester United, Real Madrid, Milan, Barcelona, Inter de Milão e Liverpool entram sempre muito bem cotados para a conquista do caneco e têm torcidas espalhadas pelo mundo todo. Mas e as zebras? Isso! Aquelas equipes que não fizeram/fazem investimentos milionários e que figuram como meros sacos de pancada.

Pra quê falar de Ribéry, Diego, Rooney, Cristiano Ronaldo, Kaká, Ronaldinho Gaúcho (foi-se o tempo), Ibrahimovic, Messi, Eto'o e Gerrard? Essa é a vez dos pequeninos! Abaixo, confira a análise dos grupos dos principais candidatos a tomar a maior goleada do campeonato mais glamuroso de todos:

GRUPO A
MACCABI HAIFA (Israel), Bayern de Munique (Alemanha), Juventus (Itália) e Bordeaux (França)

Apesar da derrota em casa na estreia, por 3 a 0, para o Bayern, a equipe israelense sonha em brigar por uma vaga na Liga Europa (espécie de Copa Sulamericana), pois contou com o empate de Juventus e Bordeaux.
À FAVOR: depende da campanha do Bordeaux. Joga a última partida em casa, contra seu adversário direto pela terceira posição
CONTRA: grupo muito forte e terá três jogos difíceis em sequência.

GRUPO B
BESIKTAS (Turquia), Manchester United (Inglaterra), Wolfsburg (Alemanha) e CSKA Moscou (Rússia)

Talvez o grupo mais equilibrado em questão de zebras. O Wolfsburg, de Grafite e Josué, seria o mais indicado, porém é o atual campeão alemão e vive ótima fase. O CSKA, clube que ficou conhecido por ter contratado o centroavante Vágner Love, atualmente emprestado ao Palmeiras, está sempre presente na competição. Sobrou o Besiktas, campeão turco, mas que não é o principal clube do país e jamais conseguiu um feito importante. (Nota: o destaque da equipe é o atacante Bobô, ex-Corinthians. Mais um motivo para a escolha de zebra)
À FAVOR: o nivelamento do grupo. Russos, alemães e turcos podem tirar no dois ou um a classificação, pois o Manchester será o líder.
CONTRA: o mesmo argumento acima. Quem se sair bem nos confrontos diretos e perder de pouco dos ingleses leva a vaga

GRUPO C
ZÜRICH (Suíça), Real Madrid (Espanha), Marseille (França) e Milan (Itália)

Goleado pelo galáctico time merengue por 5 a 2, em casa, pode se considerar o primeiro eliminado dessa fase de grupos. O Milan, que não vive boa fase, e Olympique de Marseille disputarão ponto a ponto a segunda e terceira posições. Resta ao time suíço tentar perder de pouco nas cinco partidas que faltam.
À FAVOR: levaram de cinco na estreia, tem algo de positivo?
CONTRA: o time todo. O Basel faria mais bonito.

GRUPO D
APOEL (Chipre), Atlético Madrid (Espanha), Chelsea (Inglaterra) e Porto (Portugal)

O que melhor se deu bem na abertura da fase de grupos. Segurou um 0 a 0 com o Atlético, em Madrid, e sonha com voos mais altos. A missão não é lá tão simples, pois disputará com os espanhóis e os portugueses essa terceira posição.
À FAVOR: tirou pontos do Atlético e ainda joga contra todos em casa.
CONTRA: inferioridade técnica e o peso da camisa. Deve ser goleado em Londres e em Porto.

GRUPO E
DEBRECENI (Hungria), Liverpool (Inglaterra), Fiorentina (Itália) e Lyon (França)

Não teve o azar de cair em um grupo tão forte quanto o do Zürich, mas terá de enfrentar equipes com grande estrutura e poder de decisão. Fiorentina e Lyon devem disputar as vagas restantes, entretanto, o time hungaro terá função importante na chave. Dificultou para o Liverpool, em Anfield, e deverá endurecer contra italianos e franceses.
À FAVOR: não podendo perder pontos, Lyon e Fiorentina podem jogar com certo respeito e cautela os jogos na Hungria. oportunidade para arrancar um ponto ou outro.
CONTRA: tudo. Não tem tradição e goleadas fora devem ocorrer.

GRUPO F
RUBIN KAZAN (Rússia), Dynamo Kiev (Ucrânia), Inter de Milão (Itália) e Barcelona (Espanha)

Campeão russo, o Rubin tem tudo para seguir os passos do Zürich. Inter e Barcelona serão, sem dúvidas, os duas primeiros da chave. O Dynamo, sempre presente na Champions, deve ser o terceiro.
À FAVOR: nada. Disputará com o Zürich o título de tomar a 'maior goleada' desta edição da Liga.
CONTRA: caiu no grupo de Inter e Barcelona. Quer mais o quê?

GRUPO G
UNIREA URZICENI (Romênia), Sevilla (Espanha), Stuttgart (Alemanha) e Rangers (Escócia)

Está na mesma situação do APOEL. Não terá de encarar gigantes do continente, mas enfretará equipes de certa tradição em seus países. O Sevilla deverá ser o primeiro, com Stuttgart e Rangers disputando a outra vaga. O Unirea pode aproveitar algum descuido dos adversários jogando na Romênia para fazer alguns pontinhos.
À FAVOR: a tabela não permitirá que jogue sequencialmente em casa ou fora. Deve pontuar em casa.
CONTRA: qualidade técnica. Sofrerá derrotas fora.

GRUPO H
AZ ALKMAAR (Holanda), Olympiacos (Grécia), Arsenal (Inglaterra) e Standard Liège (Bélgica)

Como o Besiktas, foi escolhido por ter pouca expressão, apesar de estar em um grupo razoável. Campeão holandês, tem boas chances de passar, pois Olympiacos e Standard são sempre icógnitas. Os gregos contam com a chegada de Zico para o comando técnico e os belgas... estão no mesmo nível dos holandeses.
A FAVOR: mesma observação do Unirea.
CONTRA: perdeu pontos para o Olympiacos na estreia e, possivelmente, perderá mais jogos fora da Holanda.

Conclusão: A Liga, mais uma vez, não terá muitas surpresas. Os gigantes devem continuar dominando, os menores vão incomodar bastante e os nanicos ainda vão sofrer muito.

Gabriel Lopes

7 de outubro de 2009

REFLEXPRESS - O LONGO E TURVO CAMINHO



A passarinhada já cantava quando chego ao condomínio. Não sabia que horas eram ao certo. Talvez alvorada, talvez crepúsculo, não sabia. As mazelas do álcool faziam-se presentes. A única certeza era o estranho silêncio daquela manhã-noite e o cérebro pulsando repetidamente.

- Opa, moro aqui! – Acredito que o porteiro não me reconheceu na penumbra.

O portão se abriu. Seu zelador apertava os olhos com as mãos e enxugava as lágrimas de sono. Pelo menos, acreditei que as fossem.


Crédito: barnaulsky-zeek

O corredor é largo até o elevador. As luzes no alto da parede, milimetricamente dispostas, davam aparência de um infinito vórtice. Andaria ali para todo o sempre.
Um soluço. Aperto o botão do elevador.

A espera é longa. A escadaria seria uma opção se meus pés me obedecessem. Mas cada passo parecia uma luta interna. A mente, quando turva, torna muito difícil o ato: esquerda, direita, esquerda, direita. Sempre surge o “diagonal”, e você acaba aos beijos com o assoalho.
Deve ser algum filho da puta segurando esse elevador. Não era. Havia apenas uma simpática senhorinha, de cabelos “roxos’ e roupa azul claro. Seu perfume era forte.

- Olá meu querido!
- Opa! – Falarei o menos possível. Talvez não perceba minha embriaguez e não fique constrangida. - Faz um frio hoje não? – Não consegui me segurar, sua simpática figura inflava a cabine.
- Ô se faz! Mas a culpa é do síndico - vociferou contrastando sua imagem - Obrigou o zelador a colocar ar condicionado nos elevadores, halls e corredores.

- Nós temos um zelador também?

- Por onde anda sua cabeça, menino? Faz sete anos que ele está entre nós. Pedi tanto para que ele não aceitasse colocar esse ar frio no nosso condomínio...

- Porque ele não ouviu a senhora?

- Oxalá ele ouvisse alguém. Não digo que é um mau zelador, é bom. O melhor que já tivemos. Fez o possível pela maioria de nós, mas pela minoria, que consegue pagar as contas em dia e se acha dona do prédio, fez muito pouco. Então, fazem uma mídia negativa violenta para ele.

Ficou difícil raciocinar agora. Ela falou muito. E também, estamos passando pelo 35° andar, pelo que eu saiba o prédio só tem nove. É pequenino. Deve ser algum defeito da parte eletrônica.

- Mas, e você? Gosta do zelador? – Tinha me esquecido que a velha já me dera a resposta.

- Gosto e não gosto. O prédio está bem gerenciado, nunca prosperou tanto! – A provável septuagenária abaixou a cabeça, cerrou forçosamente as pálpebras, e em tom choroso arremeteu – Pena que no meu apartamento, a água ainda chega com pouco barro. As paredes estão caindo aos pedaços. A pintura já inexiste. E os podres, dos chiques apartamentos em cima, caem aos montes em meu quarto.

Bateu-me um imenso remorso. Como se a culpa fosse minha. Todos estes anos em que moro aqui nunca prestei a devida atenção ao fato. Mas, realmente, minha culpa não é. Divido esse fardo entre o zelador e o sindico. Sindico?

- E o sindico!? Onde ele está uma hora dessas? – O cérebro pulsava cada vez mais forte.

- Ah... Meu filho. Ninguém sabe.

- Como assim?

- Ninguém sabe ninguém viu. Parece fantasma. Não conhecemos rosto, não conhecemos cheiro, não conhecemos nome. Ninguém nunca foi atrás dele. Mas ele manda e desmanda. Disso temos certeza. Acredito que seja algo maior. Alguma organização de nome: “Síndicos que Mandam nos Condomínios do Mundo”. E não devem ser muitos, pois nunca o viram.

- Parece Deus! – A brincadeira não caiu bem.

- Para com isso, menino! Isso é conversa séria. Tem alguém aí fora que dita às regras e os zeladores acatam como se pudessem perder a vida, com a negação. Mas tenho fé!

- Fé em que?

- Fé, não. Certeza! Tudo isso ha de mudar. O mundo gira rápido e as coisas estão mudando.

- Coisas? Que coisas? Seja específica, velha! – O papo me enlouquecera. Era muita informação para minha mente mutilada pelo uísque.

- Você é muito novo. Não teve a mesma vivência e não tem os mesmos olhos que tenho. A humanidade está caminhando em passos largos.

A porta se abriu. Andar número 2010. A simpática senhorinha de cabelos roxos entrou no segundo apartamento, à direita. No instante em que abriu a porta, meus olhos foram tomados pela forte luz branca. Apaguei.

Abro os olhos, o porteiro está a estapear minha face. Estou jogado por entre degraus. A baba escorria pelo canto da boca.

- O que aconteceu? – Pergunto perdido e tonto, para o porteiro.

- Não sei... Só me lembro de você ter gritado no bloco oposto ao seu:
"- Ao inferno este elevador! Vou pela lenta e certa escadaria!"

Maldita “diagonal”.

Felipe Payão

6 de outubro de 2009

REALPOLITIK - CANDIDATURA DO RIO PARA 2016 TEM OS MESMOS VÍCIOS DO PAN-2007


Legado. Palavrinha mágica muito utilizada pelos organizadores da candidatura dos Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro. Os mesmos personagens que cuidaram da candidatura e organização dos Jogos Panamericanos de 2007, chefiados por Carlos Arthur Nuzman, presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB).

Nuzman e seus asseclas do Comitê de Organização dos XX Jogos Panamericanos do Rio de Janeiro (CO-Rio) orçaram o Pan em R$ 400 milhões. Contudo, todo brasileiro minimamente informado sabe que os custos chegaram aos exorbitantes R$ 3,7 bilhões. Levando-se em consideração a relação de investimento entre os eventos (uma Olimpíada é infinitamente maior e mais cara), imagine a festa que farão com dinheiro público.
Crédito: Cláudio Torres Gonzaga

O legado do Pan, tão propalado por Nuzman e sua quadrilha, foram arenas esportivas abandonadas, a não conclusão da despoluição da Baía da Guanabara e da Lagoa Rodrigo de Freitas – uma das maiores bandeiras da candidatura do Pan e agora do Rio-2016 foram as questões ambientais –, o metrô nunca chegou à Barra da Tijuca, a Vila do Pan está em litígio, enfim, nada do que prometeram foi cumprido. Não houve nem mesmo um legado aos atletas, uma vez que os complexos esportivos estão às moscas, sem manutenção e sem que a população – que efetivamente pagou por eles – possa utilizá-los.

O país tem carências mais prementes do que estrutura esportiva. O povo carioca sofre com um sistema de saúde pública falido, com a violência e com a pobreza nas comunidades dos morros. O povo brasileiro – sim, a candidatura é do país, não só do Rio – necessita de escolas, hospitais e postos de saúde, saneamento básico, transporte público eficiente, segurança, combate à corrupção, busca por justiça social, enfim, a lista é enorme.

Rodrigo De Giuli

4 de outubro de 2009

REALPOLITIK - UM EIXO PARA A DISCUSSÃO DA PENA CAPITAL

A institucionalização da aplicação de pena capital aos condenados por prática de crimes chamados hediondos tem sido tema recorrente nos debates acerca da violência na sociedade brasileira. A cada crime de grande repercussão midiática a discussão recrudesce, assume um caráter passional e imediatista, em detrimento do diálogo aprofundado que a complexidade da questão exige.

Embora anticonstitucional e contrária à declaração universal dos direitos do homem, a pena de morte é praticada imoral e ilegalmente no Brasil. Sua institucionalização não passaria de mera ampliação (?). O Estado não estaria legalizando apenas uma face de uma prática que já lhe é peculiar, na medida em que ele tem um comportamento antiético em relação às garantias constitucionais asseguradas aos cidadãos (?).

Suponhamos que fosse institucionalizada a pena capital e o Estado persistisse omisso ao cumprimento da carta constitucional no que tange o artigo 6º e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Ele não estaria relegando grande parte da população à um quadro de abandono social similar à situação dos condenados que institucionalmente levaria à morte? E o que é mais grave: aqueles, privados ainda do direito de defesa amplo e irrestrito de que gozariam estes, conforme dita o código penal brasileiro.

Crédito: arrastao.weblog

Constituição Federal

Art. 6º São direitos sociais a educação, a saúde, o trabalho, o lazer,
a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância,
a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição.
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer
natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes
no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade,
à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA)

Art. 3o A criança e o adolescente gozam de todos os direitos
fundamentais inerentes à pessoa humana, sem prejuízo da proteção
integral de que trata esta lei, assegurando-se-lhes, por lei ou por outros
meios, todas as oportunidades e facilidades, a fim de lhes facultar o
desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, em
condições de liberdade e de dignidade.

Claudio Zumckeller

3 de outubro de 2009

FUTEBIZARRICES - O QUE ROLA PELO MUNDO 6


LIGA DOS CAMPEÕES DA EUROPA

Fase de Grupos

GpA Bordeaux 1x0 Maccabi Haifa
GpB CSKA 2x1 Besiktas
GpC Milan 0x1 FC Zürich
GpD APOEL 0x1 Chelsea
GpE Debreceni 0x4 Lyon
GpF Rubin 1x1 Internazionale
GpG Unirea Urziceni 1x1 Stuttgart
GpH AZ Alkmaar 1x1 Standard Liège



Crédito: xKeepYouSoulx


LIGA DOS CAMPEÕES DA ÁFRICA

2ª Fase de Grupos

GpA Zesco United (Zâmbia) 2x0 Al-Hilal (Sudão)
GpA Al-Merreikh (Sudão) 1-0 Kano Pillars (Nigéria)
GpB Monomotapa Utd. (Zimbábue) 2x1 Heartland FC (Nigéria)
GpB TP Mazembe (Rep. Democrática Congo) 1x0 Étoile Sahel (Tunísia)

LIGA DOS CAMPEÕES DA ÁSIA

Quartas-de-final - Ida

Pakhtakor (Uzbequistão) 1x1 Al Ittihad (Arábia Saudita)
Umm-Salal (Qatar) 3x2 FC Seoul (Coreia do Sul)
Kawasaki Frontale (Japão) 2x1 Nagoya Gramphus (Japão)
Bunyodkor (Uzbequistão) 3x1 Pohang Steelers (Coreia do Sul)

LIGA DOS CAMPEÕES DA OCEANIA

Já encerrada - Parabéns Auckland City! Anote este nome: estará no Mundial no fim do ano!

Finais

Koloale FC Honiara (Ilhas Salomão) 2x7 Auckland City (Nova Zelândia) - 24/04/2009
Auckland City (Nova Zelândia) 2x2 Koloale FC Honiara (Ilhas Salomão) - 03/05/2009

LIGA DOS CAMPEÕES DA CONCACAF

Fase de Grupos

GpA Metapán (El Salvador) 0x4 Pachuca (México)
GpA Houston Dynamo (EUA) 5x1 Árabe Unido (Panamá)
GpB Toluca (México) 3x0 San Juan Jabloteh (Trinidad & Tobago)
GpB DC United (EUA) 3x0 CD Marathón (Honduras)
GpC Puerto Rico Islanders (Porto Rico) 1x1 Saprissa (Costa Rica)
GpC Columbus Crew (EUA) 0x2 Cruz Azul (México)
GpD Comunicaciones (Guatemala) 0x3 West Connection (Trinidad & Tobago)
GpD Pumas (México) 4x0 Real España (Honduras)

COPA SULAMERICANA (Ué, porque não? Um campeonato que paga mal e não leva pra lugar nenhum é muito bizarro!)

Oitavas-de-Final - Ida

Cerro Porteño (Paraguai) 2x0 Goiás
Botafogo 2x0 Emelec (Equador)
Internacional 1x1 Universidad de Chile
Alianza Atlético (Perú) 2x2 Fluminense
Vélez Sársfield (Argentina) 3x2 Unión Española (Chile)
LDU (Equador) 4x0 Lanús (Argentina)
River Plate (Uruguai) 4x1 Vitória
San Lorenzo (Argentina) 3x0 Cienciano (Perú)

Gabriel Lopes

2 de outubro de 2009

REALPOLITIK - O BLÁBLÁBLÁ DE SEMPRE

Manhã de terça-feira, 22 de setembro. O auditório localizado na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, está lotado de representantes de países e de chefes de Estado. No púlpito, um senhor bem vestido, um pouco acima do peso, barba e cabelos grisalhos. Ele inicia um longo pronunciamento. Fala das mazelas dos países em desenvolvimento, sobre a fome e a pobreza e da necessidade de combatê-las.

Tudo muito bonito não fosse um detalhe: este senhor é Luís Inácio Lula da Silva, presidente de um destes países em desenvolvimento, ainda muito pobre e com uma multidão de famintos. O discurso de Lula é recheado de lugares comuns. Os mesmos clichês que outros presidentes já delinearam em tantos pronunciamentos. E a multidão com fome continua sem comida.
Crédito: g1.globo.com

O escritor irlandês Jonathan Swift já satirizou as vãs tentativas de resolver o problema da fome e da pobreza. Em “Modest Proposal” (Proposta modesta, 1729), Swift resume em poucas linhas o que as pessoas podem fazer para não passar fome: “(...) em Londres que uma criança nova, saudável e bem nutrida é, com a idade de um ano, um petisco bastante delicioso e salutar, seja servido ensopado, assado, grelhado ou cozido; e não tenho dúvida de que poderá ser preparada como um fricassê ou um ragu (...)”. Você entendeu corretamente. Para acabar com a fome, o pobre faminto pode comer seus filhos. Simples.

Não há sátira, no entanto, que possa medir o sofrimento de quem passa fome. O que não é permitido a um chefe de Estado que conviveu com a pobreza e tem em sua biografia experiência aversiva, ficar preso ao blábláblá de sempre. É claro que programas de combate à fome como o Bolsa Família foram um passo além da prostração alienada ou criminosa de outros presidentes. Contudo, ainda faltam outros degraus para a luta contra as mazelas da pobreza. E ficar apenas no discurso não vai ajudar a alcançá-los.

Rodrigo De Giuli

1 de outubro de 2009

FUTEBIZARRICES - O QUE ROLA PELA SÉRIE D

As quartas de final do campeonato brasileiro da série D decidiram os novos integrantes da terceira divisão do futebol tupiniquim.
A rodada do último fim de semana consagrou equipes menos conhecidas no cenário nacional e castigou algumas mais experientes.

O Macaé Esporte Futebol Clube, isso mesmo, Futebol é uma coisa, Esporte é outra. O time da cidade de mesmo nome, que já tinha feito um bom campeonato estadual do Rio de Janeiro, conquistou o acesso após dois belos jogos contra o Tupi Foot Ball Club, de Juiz de Fora. No primeiro duelo, vitória dos mineiros por 3 a 2. No jogo de volta, realizado em Campos dos Goytacazes, com gols de Léo Santos e Wallacer, o Alvianil Praiano venceu por 2 a 1, garantindo o retorno a Série C. Rafael Aguiar descontou para o Alvinegro mineiro, que ficou de fora por ter sofrido dois gols dentro de seu território.

Crédito: infonet.com.br

No Pará, o desconhecido São Raimundo Esporte Clube – não confundir com o do Amazonas –, eliminou o Clube Atlético Cristal, da cidade de Macapá. Na partida de ida, ambos empataram por 1 a 1, na capital amapaense. No jogo decisivo, na bela cidade de Santarém, também conhecida como a Pérola do Tapajós, distante 1.369 km da capital do estado, com dois tentos do meia Michel, o Pantera, que já havia vencido a agremiação macapaense, obteve a tão sonhada vaga na terceira divisão.

No estádio Índio Condá, em Chapecó, interior catarinense, um duelo de vices, a Associação Chapecoense de Futebol, que sucumbiu ao campeão Avaí no estadual de Santa Catarina, enfrentou o Araguaia Atlético Clube, que havia sido derrotado pelo Luverdense na final do Mato Grosso. Em duas partidas em que não faltou emoção, no primeiro duelo, vitória da Chapecoense, por 2 a 1, em pleno Alto Araguaia, gols de Diogo, para o time da casa, e Giancarlo e Rogério, para os visitantes. Na partida de volta, o time matogrossense não se intimidou com o placar adverso e foi para cima. Valtinho, aos 32 da etapa complementar botou fogo no jogo, mas os dois gols marcados fora de casa ajudaram a Chapecoense a eliminar o rival.

O resultado mais surpreendente da rodada foi a eliminação da tradicional equipe do Uberaba Sport Club, que, em seus anos de glória, disputou a divisão de elite do futebol brasileiro. No jogo de ida, na cidade do triângulo mineiro, o Colorado pressionou a equipe de Natal, mas acabou sucumbindo por 1 a 0. Na peleja decisiva, o Alecrim Futebol Clube, jogando no estádio Machadão, se limitou a defender e a jogar nos contra-ataques. A partida se encaminhava para um 0 a 0 quando, aos 42 do segundo tempo, Maurício Pantera colocou os donos da casa em uma situação muito confortável. No apagar das luzes, o atacante Danilo empatou o jogo, mas já era tarde. Após eliminar grandes equipes como o rival Uberlândia e os paulistas Ituano e Mirassol, a equipe mineira viu o sonho do acesso terminar da pior maneira possível.

Nas semifinais, o Alecrim enfrenta a equipe do São Raimundo. O primeiro jogo será no próximo domingo, em Santarém. Na outra chave, a Chapecoense duela com Macaé por uma vaga na final. O primeiro jogo será em Santa Catarina.

Renato Souza