14 de setembro de 2009

UMUNDUNU - AMOR AO BOURBON




Ahhh... O whiskey! Nas palavras de Vinícius de Moraes, nosso “cão engarrafado”.

Que me desculpem os cães, mas a companhia de um Bourbon só é superada pela presença de uma bela mulher. Ahhh... O whiskey.

Quando ele desce a garganta, todos nossos sonhos parecem possíveis. Tudo fica mais alegre, brilhante. Ganhamos esperança. Acreditamos na humanidade. Finalmente amamos o próximo. De repente, um hiato. Outro gole, e tudo volta ao normal.

A bebida aproxima as pessoas e corta as tristezas. Cultiva a amizade e destrói as dores.
Ahhh... O whiskey.




Crédito: Henry Morgan

Não foi um ser humano que o inventou. Foi algo mágico, uma presença divina. Como se Deus nos desse o néctar dos anjos. Como se Baco desistisse do vinho, e em uma de suas orgias astrais criasse a bebida dourada, cheia de alegria, força e putaria – estamos falando de Baco, certo? Ahhh... O whiskey.

“Obrigado Senhor, por Jack Daniel´s,
Obrigado Senhor, por me salvar,
A única coisa que me mantém longe do demônio,
É outro copo desse Tennesse”

Como sinto pena dos que desconhecem o sabor, dos que não aprenderam a saboreá-lo.
Abrir a tampa é um ritual de prazer e ansiedade. Como abrir, aos poucos, o sutiã daquela linda mulher. A mão segurando firmemente a garrafa, igual o aperto na coxa da bela moça. O gole? Ahhh... O gole! É o beijo. A paixão se consumindo.
Naquele momento o mundo não existe. Você só quer apreciar cada segundo dessa experiência.

“Numa dose de uísque,
Começou o nosso caso,
Aumentou o nosso calor,
E bebendo lentamente,
Conversamos tanta coisa,
Começamos nosso amor...”

Um whiskey não foge de você, é fiel companheiro da tristeza. Com ele, você não afoga as mágoas, você as aniquila. Nem que seja por um momento.
E cá entre nós - apesar de também ser maravilhoso - o melhor para fazer esse serviço não é o scotch, mas sim, o aveludado Jack. O forte Jim. Um Bourbon. Ahhh... O whiskey.

"Ei doutor, você não vai examinar a cabeça dele?
A única coisa que havia de errado com ele,
Era Johnny Walker vermelho,
Ele bebeu o uísque venenoso,
Até que aquilo o matasse.
Sigam meu conselho, gente...
Irmãos vocês não veem,
Que não há nenhum futuro no uísque venenoso?
Eles vão te levar às pressas ao médico,
O médico vai balançar a cabeça,
A única coisa que ele vai lhe dizer,
-Pare de beber Johnny Walker vermelho”.

A perfeita harmonia. Cereais, cevada – maltada e não maltada – milho e os longos anos no barril de carvalho.
Abençoado seja o líquido envelhecido, filtrado gota por gota. O copo de vidro arredondado. A companhia desse cão dourado e as companhias que ele nos trás.
Ahhh... Meu querido whiskey.
Espero nunca te perder.
Amaldiçoado seja o fígado, se não o aguentar.

Ps: Apesar de parecido, o Jack Daniel´s não é classificado como Bourbon, sim como Tenesse Whiskey.

Felipe Payão

Um comentário:

  1. Caraca Savíí.....vc tah escrevendo muito bem......
    lembra do depoimento que eu te deixei no orkut....dizendo q vc vai ser um otimo jornalista......isso está começando a acontecer......um abraço do seu irmão de ontem, hoje e sempre......CAIO (CIDÃO)

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