5 de setembro de 2009

MISCELÂNEA - ISRAEL: ALÉM DO QUE MÍDIA TEM A DIZER


Pela TV, rádios e jornais, recebemos com certa frequência notícias sobre Israel. Sobre israelenses e palestinos trocando mísseis, sobre o programa nuclear sírio e suas constantes ameaças contra Israel, sobre os inúmeros conflitos "verbais" entre Shimon Peres (Presidente israelense) e Fouad Siniora (Primeiro-Ministro libanês) e muito mais. Sabemos que os que seguem a crença árabe são inimigos mortais dos judeus. Na TV e jornais, vemos imagens de destroços causados por mísseis ou homens bombas, quando não vemos imagens de fanáticos religiosos rezando e visitando templos.

Ao desembarcar no Aeroporto Internacional Ben Gurion, em Tel-Aviv, as primeiras pessoas a se notar são os policiais olhando para a cara dos passageiros logo ao sair do avião. Se você não tiver cara de Judeu, certamente será parado e interrogado. Os militares estão em todos os locais e muito bem armados com uma M16 (fuzil de assalto americano) cada um. Na entrada de rodoviárias, estações de trem, shopping centers e qualquer estabelecimento público, eles irão pedir documentos de todos que querem entrar e vão revistar malas, mochilas e bolsas.

Em Israel, todos os judeus são obrigados a prestar serviço militar quando cumprem seus 18 anos. Homens devem servir 3 anos e mulheres 2 anos. Deficientes físicos também são obrigados a servir dependendo de suas limitações. O povo Druso (comunidade religiosa autônoma), apesar de seguir uma crença de origem islâmica, são amigos dos judeus e ajudaram na criação e defesa de Israel. Os Drusos não são obrigados a servir o exército israelense, mas muitos deles se alistam como voluntários. Existem muitos outros judeus pelo mundo a fora que vão a Israel se voluntariar no exército. Ainda existem os árabes e povos nômades no país, mas que não cumprem serviço militar no mesmo.

Um segundo aspecto bem chamativo são as mulheres. Sim, elas são muito bonitas. Israel é um dos lugares em que mais se vê mulheres bonitas nas ruas, também onde estão as mulheres mais “metidas”. Nas baladas, os israelenses conseguem ser piores do que os brasileiros na hora de dar em cima de uma mulher. Constatei que não é a beleza que faz com que as mulheres empinem o nariz, mas sim os homens em volta delas - mas isso não é assunto para esse post.

Também, admirando as mulheres notamos um terceiro aspecto não esperado, pelo menos por mim. Israel é um país extremamente capitalista. Mais da metade das mulheres nas ruas estão falando no celular. Todas elas gastam, pelo menos, toda a jornada na rua, de casa para o trabalho e do trabalho para casa, falando ao celular e com a mesma pessoa. Por exemplo, no trem que eu peguei de Tel-Aviv para Haifa, a viagem demorou mais de uma hora. Das poucas pessoas que estavam no mesmo vagão que o meu, umas cinco mulheres, que estavam no meu campo de visão, embarcaram e desembarcaram no mesmo lugar que eu, falando no celular durante a viagem inteira sem desligar uma única vez.

Além dos militares que estão em todos os lugares e muito bem armados, das bases militares em todo o país e dos abrigos anti-bomba, em nenhum momento senti que estive em um país em conflito. Eu me senti mais seguro em Israel do que em São Paulo, onde é possível atravessar toda a cidade sem ver muitos rastros da presença dos policiais em certas horas. Tudo era muito diferente do que esperava e o oposto do que eu costumava ver através da mídia.

Israel é muito rico em beleza natural. Existem muitos parques naturais em seu interior, praias, desertos ao sul e florestas ao norte. Também é muito rico em cultura. Pessoas com crenças, costumes e histórias totalmente diferentes dividem um mesmo território. Além dos beduínos e outros povos nômades, tem muitas cidades árabes e Drusas, além dos judeus, obviamente. E sua riqueza histórica esta registrada em livros religiosos, romances e mídia.

Para quem quiser ir a Israel, seja por motivos religiosos, políticos, históricos, culturais ou qualquer que seja, certifique-se de que o território não esteja sendo atacado pelos seus vizinhos. Se não quiser ir a Israel, mas mesmo assim ainda quer saber mais sobre os diversos aspectos do país, leia "Israel em Abril" de Érico Veríssimo. Nesse livro, Veríssimo conta sua experiência pela viagem que fez em Israel, dando uma aula básica e muito interessante sobre a história do país e descrevendo fielmente suas paisagens e atmosfera. Igual ao Érico Veríssimo, eu cheguei a Israel em abril. Ou seja, na primavera. A maneira que ele relata suas experiências e impressões sobre o país mostra que foi exatamente a que eu tive.

Por isso, se você for a Israel, não leia o livro antes para que não estrague a surpresa, mas leia o livro depois para matar a saudade. Seja em Israel ou lendo a obra de Érico Veríssimo, faça uma boa viagem.


Portfólio: http://marciofs.daportfolio.com


Marcio Faustino - Correspondente internacional

Um comentário:

  1. muito bom, cara.
    Adorei a sacada.
    Assisti um documentário esses dias sobre Israel, passei a entende-lo mais.

    www.nos4.wordpress.com

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