29 de setembro de 2009

REFLEXPRESS - DIA MUNDIAL SEM CARRO? DUAS VISÕES SOBRE O ASSUNTO.

No dia 22 de setembro, aconteceu o Dia Mundial Sem Carro.
Ahh... Que data linda! Que coisa fofa.
Alguma coisa mudou? Não. Alguém se conscientizou? Realmente? Ninguém.
Tivemos o mesmo trânsito nosso de cada dia, a qualidade do ar que respiramos não melhorou.

No século 21, até os ecochatos ativistas são influenciados pela nossa sociedade cocainômana. Ninguém pensa mais a longo prazo. Somos imediatistas. Seremos lembrados como a civilização do gozo precoce.



Vamos raciocinar um pouco sobre a data.
Terça-feira, dia de trabalho. Todos precisam ganhar dinheiro. Todos nós precisamos chegar ao trabalho. Imaginemos quão lindas seriam as ruas sem carros. Onde estaria o povo? Lógico, espremido nos poucos e caros ônibus e metrôs.

Em inúmeras cidades, como São Paulo, Curitiba e Rio de Janeiro, ocorreram protestos quanto ao uso do carro. O mar de ciclistas invadiu a Avenida Paulista. Agora, quem é que tem tempo de sobra para passear de bicicleta nas tardes de terça-feira? A nossa rebelde burguesada.

Se quisermos mudanças, o que precisamos fazer não é bem isso. Quem sabe: “A Semana do Repúdio aos Políticos que Não Fazem Nada por Nós”.
Ou melhor, não façamos mais nada. Desliguem as máquinas. Greve geral. Fechem as cortinas.

Felipe Payão



Em São Paulo, Dia Mundial sem Carro foi de congestionamento. Alguma novidade?

É notório que São Paulo não comporta mais veículos. Com uma frota de quase 6 milhões de carros, o trânsito da maior cidade do hemisfério sul sofre, todos os dias, com congestionamentos quilométricos. Em dias chuvosos, os índices alcançam facilmente os 200 quilômetros, suficiente para ir e voltar de Campinas.

Nos últimos anos, várias propostas foram feitas pelo poder público para tentar resolver os problemas do tráfego urbano na capital paulista. Nenhuma deu resultado efetivo. A única solução plausível para o caos do trânsito é a priorização do transporte público, especialmente a construção de novas linhas de metrô.

Por este motivo, no último dia 22 de setembro foi celebrado o Dia Mundial sem Carro, uma forma de crítica ao modelo adotado pelos EUA – e seguido no Brasil – de priorizar obras viárias em detrimento de um transporte público eficiente.

Entretanto, nem mesmo a prefeitura da cidade contribuiu com o movimento. Tudo bem, o Kassab pegou um ônibus de sua casa nos Jardins para ir à sede da prefeitura, no Viaduto do Chá. No entanto, não houve aumento da frota de ônibus e trens do metrô ou da CPTM. Os índices de congestionamento foram altos, até acima da média diária, por causa das chuvas. Nada muito diferente de um dia normal na caótica capital paulista. Um fracasso completo.
Prefiro aderir ao Dia Nacional de Doações de Órgãos e Tecidos, comemorado hoje. Este pelo menos pode salvar vidas. Andar de ônibus e metrô em São Paulo faz mal para a saúde.

Rodrigo De Giuli

REFLEXPRESS - O ENTE DOENTE (TELEFONEMA DE UM PARENTE HOSPITALIZADO)


Tocou o celular, não era hora! Eu estava dirigindo e tinha um marronzinho de olho. Um número não identificado. Estacionei e atendi:

- Alô – falei irritado. Alguns segundos de silêncio e escutei do outro lado:
- É você, meu querido! – era o tio Fausto diretamente do leito do Hospital das Clínicas.
Esse jeito de dizer “meu querido” era só dele.
- Ué, me disseram que o senhor estava em coma! Então foi um engano. Melhor assim – emendei surpreso e contente.
- Que nada! Foi só um susto e já está tudo bem comigo – Seu tom de voz passava credibilidade, ele estava mesmo bem. Que bom! Pensei.
- Quem está mal é a vida em geral, meu filho! – Ele disse convicto e iniciou o discurso: O mundo está doente. O planeta constipado arde em febre. Precisa de repouso urgente, quem sabe um exílio solitário no espaço com o que restar de fauna e flora. O homem que arranje onde morar enquanto isso, talvez outro torrão, Marte talvez. Ou, ainda, um banimento coletivo através de contínuos embarques espaciais, destino qualquer lugar – Ele parecia delirante.


Crédito: Ben Heine

Eu quis dizer algo, mas ele prosseguiu atropelando qualquer indagação.
- A humanidade precisa viajar, ser nômade galáxias afora. Feito algumas tribos que partem quando não há mais o que devastar em um local. A gente vai ter que se virar, literalmente. Municípios espaciais à maneira de Arcas de Noé, quem sabe? Porém somente os humanos, incluindo outros animais domesticados - Era impressionante o ritmo que ele imprimia à fala.
- Imagina o Lulu sem o banho e tosa semanal! Ou Heleninha sem Lulu – comentou irônico e riu.
Mas não me deu espaço para falar e continuou:
- Somente a natureza nua e crua, sem acompanhante humano qualquer, ela a sós com ela por uns tempos.
Fora daqui, vidas infames, vão cantar em outro terreiro! – ele gargalhava e não perdia o tom, parecia que tinha ensaiado o texto e mandava brasa - Você há de sorrir e dizer que estou pirado e que não vai perder tempo pensando asneira. Vai lembrar que o negócio é ganhar muito dinheiro e ser feliz. Tudo bem, vai nessa! Mas não se esqueça de apagar a luz quando sair. Leve alguns livros e, se puder, fique tranquilo.

O homem vai, com certeza, inventar outra história em outro lugar, ou em lugar algum. Imaginemos, meu filho, é preciso ao menos refletir sobre isto por agora. A possibilidade de nomear outras coisas, dominar outros seres, inventar outros mundos. Enfim, criar outro conto da carochinha, ou uma burla de melhor gosto e menor desastre. Outra metafísica, só uma, decente ao menos, já que ser e deixar ser é complexo demais. Enquanto isso, no vão da nossa ausência, Gaia há de se revitalizar. E, rejuvenescida, há de criar anticorpos resistentes a ponto de eliminar do seu organismo indesejáveis presenças. Como o corpo humano, quando inflamado e febril, rejeita e expulsa de si estranhos invasores.

- Senti que ele terminou esta frase com um longo suspiro – caiu a linha. Fiquei preocupado e liguei de volta. Só caixa postal.
À tardinha ao chegar em casa tornei a ligar e fui informado que meu tio estava em coma profundo há uma semana e com diagnóstico irreversível.
- Que porra é essa? – exclamei inconformado e desliguei.

Claudio Zumckeller

27 de setembro de 2009

UMUNDUNU - QUANDO O FÜHRER ENCONTRA O DONO DOS PORCOS



“O permanente revolucionar da produção, o abalar ininterrupto de todas as condições sociais, a incerteza e o movimento eternos distinguem a época burguesa de todas as outras” (MARX; ENGELS “O Manifesto Comunista”, p. 37)


Duas escolas, duas teorias, dois filmes, 20 anos depois. Os documentários Arquitetura da Destruição (Peter Cohen, 1989) e Ilha das Flores (Jorge Furtado, 1989), não têm como coincidência apenas o ano de produção. Ambos são filmes que desnudam, ainda que de forma diferente, o discurso social e político dos temas abordados.

Embora os filmes sejam críticos, eles destoam na forma de contar a história. Enquanto Arquitetura da destruição busca, em sua montagem e edição, uma conformidade funcional com o assunto retratado, Ilha das Flores, pelo contrário, utiliza-se de inovações técnicas e de um “realismo fantástico”, além do materialismo dialético, para expôr a mecânica da sociedade de consumo.

1. Arquitetura da destruição: O projeto político nazista

Um breve olhar para o projeto político Nacional-Socialista alemão, sob a ótica definida pelo método de análise materialista dialético, evidencia o caráter não somente anacrônico como também contraditório em sua arquitetura. Em primeiro plano, sua postura purista racial num momento em que as potências econômicas mundiais viabilizam a revitalização do processo de expansão do capitalismo, com a ampliação de mercados em regiões racial e culturalmente pluralizadas pelas políticas coloniais anteriores. Um mundo amplo em que as relações sociais deslocam-se do eixo da individualidade para o âmbito impessoal mediado por categorias econômicas. Em que características raciais e culturais estão fadadas a conviver em união rumo à ascensão representada para progresso e o desenvolvimento. É o Funcionalismo – moderadamente positivista e liberal democrático – rumo ao esgotamento das fronteiras, ou seja, à sua auto destruição.

Entretanto, do ponto de vista estritamente positivista, o filme mostra o profundo comprometimento do ideário nazista com a limpeza étnica e o higienismo cultural através da uniformização social. O fim do indivíduo. O “corpo” alemão, com seu organismo funcionando adequadamente. As doenças, os ratos e os vermes liquidados. É a “continuidade entre a ordem biológica e a ordem social” (MATTELART, “O organismo social”, 1999, p. 17). Os degenerados eliminados com prontidão. Apenas um trabalho que deveria ser feito, pelo bem da Alemanha e do Terceiro Reich. O ariano superior política, social e economicamente. Como teorizou Sighele: “sobre a psicologia dos povos, fazendo elemento determinante da hierarquia das civilizações (...) a ‘alma da massa’, ser autômato em relação aos indivíduos que o compõem” (idem, p. 25).

Neste caminho trilhado por Hitler e seus seguidores era possível ver toda uma “fórmula científica” pronta. Uma nova sociedade sendo contruída a partir do empirismo e de uma ciência social (idem, p.29). A medicina usada com propósitos de limpeza étnica. Movimento acentuado quanto mais próximo a Alemanha ficava da derrota na Segunda Guerra Mundial. Colocada em prática nos campos de concentração nazistas, a “solução final” foi o ápice dos métodos higienistas durante os horrores do holocausto, em que registra-se num discurso o führer dizendo “sinto-me como o Robert Koch da política”.

Adolf Hitler, líder do partido Nacional-Socialista e chanceler durante a reconstrução da Alemanha pós-Primeira Guerra Mundial, era um pintor frustrado. Afixionado pela cultura greco-romana, o führer nunca escondeu gostar de arte. Montou museus, comprou obras de artistas famosos, projetou cidades. Contudo, Hitler, para a completa idealização do seu projeto estético, considerou parte das obras como degeneradas. Eram trabalhos de arte moderna, de artistas judeus, bolcheviques ou considerados não-arianos. Desta forma, o chanceler via uma oportunidade de uniformizar o padrão estético e da cultura alemãs, através da propaganda. Esta, por sua vez, era disseminada pelo rádio e, especialmente, pelo cinema.

A propaganda constitui o único meio de suscitar a adesão das massas; além disso, é mais econômica que a violência, a corrupção e outras técnicas de governo desse gênero (idem, p. 37). E a ideologia nazista soube, até sua derrocada, utilizar-se da propaganda. A uniformização nos padrões de comportamento, o apego ao coletivismo em detrimento do indivíduo e o esforço na guerra mostram exatamente como foi o poder da estética nazista – ou melhor, “hitleriana” –, da perfeição e da beleza. Era o trabalho de purificação e preservação de uma raça, através da eliminação das diferenças. Não poderia sobrar nada que corrompesse o que fora definido como “limpo” ou “saudável”.

2. Ilha das Flores: Sobre humanos e suínos

Como pensar de maneira racional, quando certos seres humanos estão abaixo da linha dos porcos na cadeia alimentar? O discurso do filme, instrumento para denúncia, não é fechado em si mesmo. Sua contemplação é ampla e seu entendimento, irrestrito. A técnica é utilizada, sobretudo, em prol do senso crítico. Não há manipulação. Esteticamente revolucionário, o documentário mostra a vida difícil dos moradores de um aterro sanitário, na Ilha das Flores, no Rio Guaíba, região metropolitana de Porto Alegre. Com um formato “circular”, o filme conta a história da humanidade e de seu aprimoramento até chegar ao assunto propriamente retratado. Da plantação de tomates à ilha, do “tele-encéfalo altamente desenvolvido e polegar opositor” à espera pelas sobras dos porcos.

O que nos faz diferentes em relação ao restante do mundo animal também é o que nos aprisiona no consumismo, no egoísmo e na ambição do lucro. Estamos mesmo abaixo dos suínos. O documentário dá os mecanismos para uma visão crítica da sociedade capitalista moderna, como queria Max Horkheimer, ao assumir o Instituto para a Pesquisa Social, em 1930 (SANTOS, “As teorias da comunicação”, p. 87). Horkheimer adotou esta postura de investigação crítica marxista, especialmente entre a classe operária, já nas primeiras obras, publicadas na Revista de Pesquisa Social.

Mas a racionalidade científica, segundo os criadores da Teoria Crítica, não teria libertado o homem das trevas e o aprisionado na técnica? E esta, na sociedade capitalista, em lugar de garantir a autodeterminação dos indivíduos, submeteu-os à dominação de uma sociedade regida por princípios econômicos, excluindo a condição de se insurgirem contra o sistema estabelecido (idem, p. 88). De acordo com Teodor Adorno e Max Horkheimer, a comunicação representa portanto, “(...) uma categoria ideológica, cujo questionamento deveria ser necessariamente crítico, ou seja, vinculado à sua própria descontrução” (RÜDIGER, “Introdução às teorias da comunicação”, p. 90).

Ao contrário da Teoria Funcionalista, de caráter positivista, a Escola de Frankfurt, como ficou conhecido o Instituto, tinha outro viés. Buscava, na Dialética do Esclarecimento, lutar contra a padronização da sociedade. Segundo a Teoria Crítica elaborada por Horkheimer e Adorno, durante o exílio de ambos nos EUA, como extensão o conceito de Indústria Cultural designa a maneira como a cultura foi apropriada pelo capitalismo industrial e transformada em atividade econômica a serviço do controle social, que manipula a consciência das massas (SANTOS, “As teorias da comunicação”, p. 88). A cultura de massas surge, então, no processo de homogeneização dos meios de comunicação visando o mercado. Portanto, Indústria Cultural e Cultura de Massas passam as ser indissociáveis.

Juntando as peças

O documentário Ilha das Flores segue o caminho da dialética. Ele trabalha, com sua linguagem ampla e moderna, na espectativa de que o indivíduo faça seu julgamento. Os recortes estão todos lá. Basta ao espectador – que tiver interesse em ver ambos os documentários depois de 20 anos – juntar as peças e montar o quebra-cabeça.


3. REFERÊNCIAS:
SANTOS, Roberto F. As teorias da comunicação: da fala à internet. São Paulo: Paulinas, 1999 (Parte II, capítulos 1 e 2)
RÜDIGER, Francisco. Introdução às teorias da comunicação. São Paulo: Edicon, 2004 (Capítulos 3, 4 e 5)
MATTELART, Armand e Michélle. História das teorias da comunicação. São Paulo: Loyola, 1999 (Parte I)
ARQUITETURA da destruição (Architektur des untergangs). Direção: Peter Cohen. Suécia, 1989.
ILHA das Flores. Direção: Jorge Furtado. Brasil, 1989.


Claudio Zumckeller e Rodrigo De Giuli

26 de setembro de 2009

UMUNDUNU - OS 9 PASSOS PARA O SUCESSO DE SUA BANDA

Atenção molecada! Antes de tudo, vamos estabelecer uma coordenada para a sua aventura. Tenha dinheiro, muito dinheiro. Caso isso não seja possível, pare de ler agora!

Uma dica: não se esqueça de acompanhar a cena musical do momento, toque um rock mais tranquilo e “sereno”. Fofo. Os outros estilos levam muito tempo para entrar no mainstream.

Passo 1 - Formação
Reúna os seus amiguinhos, no mínimo dois.
Sabe aquele seu coleguinha que era meio hiperativo quando criança? Aquele que os pais assustados enfiavam Ritalina pela guela... Lembrou? Esse é o baterista!
Certifique-se que os outros não sejam assalariados, classes C, D e E. Também tome cuidado com os comunas, esquerdistas e libertários, eles comem cri-an-ci-nhas... xxiiiiiiuu (onomatopéia de silêncio).
Caso você não trabalhe, peça dinheiro, bererê, verdinhas e uns bons tostões para o seu papai te ajudar.

Crédito: Allan Sieber

Passo 2 – Aprendizado Musical

Agora fodeu? Não! Você não precisará se tornar um músico. Muito menos ter aulas profundas sobre técnica, ritmo, tom, bicordes, escalas pentatônicas... ufa! Relaxe. Entre em qualquer site que ensine isso na internet - fuja dos livrinhos da banca jornal, você vai se cansar lendo - e aprenda o básico. Sem estresse e sem sofrimento. Diga o mesmo para os seus amiguinhos. E quanto ao vocalista de sua banda, não se preocupe se a voz dele for ruim, os estúdios de hoje em dia estão equipados com diversos programas para transformá-lo em um Frank Sinatra. Ou algum outro cantor da cena recente de sua preferência. Auto Tuner nele!

Passo 3 – Nome da Banda

Agora complica um pouquinho. Escolher um nome não é fácil. Precisa ser moderno e representar a banda em algo. Procure nomes em inglês, pouco utilizados. Fuja de nomes como esse: “The Mommy´s Boys”. O Allan Sieber é extremamente rude com aqueles menininhos. Procure algo mais potente, “The Daddy´s Boys” é melhor.

Passo 4 – Visual dos Integrantes

O que é uma banda sem um visual? Nada! Então invista nisso! Visual é tudo, é quase o caminho para a banda fazer sucesso. Defina o estilo musical e pronto. Franjas, roupas coladas, colares, pulseiras, tênis extremamente coloridos, tatuagens (essa acho que melhor não, dói), tudo que faça você aparecer e brilhar. E não se esqueça do lápis preto no olho, caso sua banda seja de rock, ok? Só tenha cuidado para a apresentação de sua banda não parecer um episódio dos Power Rangers, algumas pessoas podem zombar de sua sexualidade.

Passo 5 – Estrutura Musical e Letra.

Calma, não desista, continue lendo! Isso também não é difícil. Siga sempre a mesma estrutura e está lindo. Um exemplo: comece a música com uma curta introdução (segure o vocalista essa hora, não o deixe soltar aquela bela voz ainda), faça um verso simples e curto, fale sobre o começo de algum namoro seu, algo em comum aos seres humanos, mexa com alguns dos sentimentos mais básicos, mas não meta política no meio! Depois o primeiro refrão. Lembre-se o refrão não pode ter “muita estripulia” também. Apenas acordes simples, deixe o “a mais” para um sintetizador fazer. Agora mais um verso e repita o refrão mais duas vezes até o final da música, só para “grudar” o refrão na cabeça. Faça mais quinze músicas iguais a esta. Só não se esqueça de gravá-las e mudar as letras, hein cabeção!

Passo 6 – Divulgação

Internet. Crie comunidades nas redes sociais Orkut e Facebook, faça o seu Twitter e atualize-o de 15 em 15 minutos (nem que seja para contar que é a hora do cocô). Convidem todos seus familiares e amiguinhos para fazer parte de suas comunidades (a vovó também é válida, vai espalhar para todas as amigas no bingo). Faça uma conta no Myspace e divulgue suas fotos no Fotolog. Sobre as fotos, não se esqueçam de usar o Photoshop! Escolha uma fonte para a letra de sua banda, nada ilegível, sua banda não é de black-metal norueguês.
Pegue o dinheiro do seu pai e faça adesivos e camisetas. Se quiser lucro imediato: adesivos, R$2. Camisetas, R$20.

Passo 7 – Produtora

Lá se vai mais da verdinha, pessoal. Não estou falando da ervinha não, seus bobinhos! Mas já aqui abri esse espaço... Fora dessa galera! Isso é coisa de vagabundo, bandido, ladrão. A culpa de a nossa sociedade ser tão desajustada é do jererê, certo? (obrigado por contribuir com meu vocabulário, Zuzucka!)

Os produtores de hoje são um pouco, digamos, mercenários. Vão te fazer tocar em todos os “bueiros” da sua cidade, com o mínimo de equipamento necessário, e ainda vão te cobrar uma boa grana. Então o melhor a fazer é pegar aquela bolada do papai, e ir atrás de uma produtora séria. Procure aquela que só vise o lucro, não aquela que quer suprir a falta de bons músicos.

Passo 8 – Primeiro show!

“Eba! Vamos mostrar nossos dotes!”
Desculpe dizer, mas não é bem por aí.
Vocês não gostarão muito. Vão ficar suados, fedidos, com o corpo dolorido... Mas são ossos do ofício!
Se a casa de show tiver estrutura suficiente, coloque um playback de suas músicas. É mais cômodo.
Então, um bom leitinho quente para acalmar a ansiedade e toquem com o coração, caras pálidas!

Passo 9 – O camarim no dia do show.

Preciso deixar uma coisa clara.
Depois de alguns shows, vocês vão conseguir alguns fãs. Existem certas meninas que gostam de entrar no camarim dos “concertos” e fazer sexo com o músico, o bom e velho coito.
Então, meu conselho: não aceitem! Isso com o passar do tempo pode desajustá-los. E também, vai que alguma delas fura sua camisinha!
Por causa disso, sigam a moral cristã e guardem-se para o casamento!
É possível que também apareça milagrosamente alguma droga no local. Lembrem-se do que disse no Passo 7.

Conclusão

Viram? É fácil e dói só um pouquinho.
Até injeção assusta mais.
Se vocês seguirem certinho, nos mínimos detalhes, ano que vem estarão brilhando no VMB da MTV!

Obs.: Nem foram precisos 10 passos, foi como sentar no pudim.


Felipe Payão

25 de setembro de 2009

FUTEBIZARRICES - OS NOMES "ESTRANHOS" DO FUTEBOL BRASILEIRO 2

O nosso futebol segue nos brindando com lances maravilhosos, jogadas incríveis, gols que nem mesmo quem os faz consegue explicar. A cada dia um novo craque surge em algum gramado verde, ou nem tão verde assim, como os terrões que lutam para não serem esquecidos.

Mas disso tudo mundo já sabe. Meu foco continua sendo a irreverência, espiritualidade e criatividade dos pais de nossos jogadores na hora do registro. Depois de um passeio pelos times da divisão maior de nosso futebol desci até a série B para mais uma pesquisa dos Nomes Mais Estranhos do Futebol Brasileiro.

Nesta nova lista foram encontrados nomes até semelhantes com os da divisão de elite, mas a criatividade de pais e mães segue em alta.

Destaque para nomes como: Rádson e Alysson, da surpresa Atlético de Goiás, Dannyu, do já campeão brasileiro Guarani, Dieyson, do recém rebaixado Figueirense.
Vogais invertidas como as de Moacri, do Brasiliense. Curiosos Rychely, Ben-Hur e Bonieck, de Bahia, ABC e Ipatinga, respectivamente.

Rone Silis, Lessandro, Derivaldo, Ivanaldo, Esley, Franklin Willian, Lindembergh Francisco, Philippe Coutinho e Thompson José, são apenas mais alguns exemplos.

Bom, a lista segue logo abaixo. Tirem vocês suas conclusões, mas como já dito outrora, divirtam-se, não usem como inspiração! Seus filhos agradecem.

Vasco
Vilson Xavier de Menezes Júnior
Erinaldo Santos Rabelo
Philippe Coutinho Correia
Willen Mota Inácio

Atlético-Go
Rádson da Silva Ferreira
Francismar Carioca de Oliveira
Claussio dos Santos Dimas
Anaílson Brito Noleto
Alysson Ramos da Silva

Guarani
Gisiel Rezende Agostinho
Itaqui: Odacir Pereira da Silva
Dão: Dannyu Francisco dos Santos

Ceará
Lopes: Astolpho Junio Lopes
Erivelton Gomes Viana
Wescley Pina Gonçalves
Rone Silis Dias
Esley Leite do Nascimento
Misael Silva Jansen

São Caetano
Lindembergh Francisco da Silva
Advaldo de Oliveira Silva
Marinho: Mairon César Reis
Careca: Leomir Silva Teles

Portuguesa
Muriel Gustavo Becker
Jaime: Jaimerson da Silva Papa
Ediglê Quaresma Farias
Heron Gustavo Souza da Silva
Acleisson Scaion

Figueirense
Enderson Norgentern de Oliveira
Dieyson Luan Lucena
Franklin Willian Vicente
Jeovânio Rocha do Nascimento
Maicon Talhetti
Halleson Tiago Barbosa Honorato

Bragantino
Sérvulo Barbosa Bessa

Ponte Preta
Dezinho Dias dos Santos
Gercimar Maximiliano de Matos Junior
Lins Lima de Brito

Brasiliense
Osmair Gonzaga de Santana
Ailson Alves Carreiro
Moacri Alves Feitosa Neto
Erivaldo Rocha dos Anjos
Allann Delon dos Santos Dantas
Iranildo Hermínio Ferreira
Abuda: Adailson Pereira Coelho

Bahia
Waldson Simões Viana
Evaldo Silva dos Santos
Marcone Cena Cerqueira
Eraldo Anício Gomes
Rychely Cantanhede de Oliveira
Nádson Rodrigues de Souza
Jael Ferreira Vieira

Ipatinga
Radamésio Gonçalves Lima
Raulen Luiz de Araújo
Eber Lúcio Miguel
Francismar Carioca de Oliveira
Tallys Machado de Oliveira
Joabe Batista Pereira
Bonieck Gonçalves da Fonseca
Müller Brenner Pereira Lima

Paraná
Aderaldo Ferreira André
Dedimar Souza Lima
Dirley Francisco Martins
Adoniran Vinicius de Campos
Peterson Duarte Diniz

América – RN
Weverton Pereira da Silva
Adson Alexandre dos Santos
Glaydson de Almeida Simões
Thoni Jarbas Santos de Amorim
Geriel dos Santos Pereira
Souza: José Ivanaldo de Souza
Berg: Francisco Laudemberg Bezerra Filho
Rinaldo Santana dos Santos
Alisson Ricardo Faramilio
Max Brendon Pinheiro

Juventude
Jailson Marcelino dos Santos
Rogélio dos Santos Silva
Cicinho: Neuciano Gusmão
Mineiro: Huenes Marcelo Lemos
Leyrielton Moura de Morais
Walker Américo Fronio
Allyson Araújo dos Santos
Edenilso Bergonsi
Peter de Almeida
Jandson dos Santos

Vila Nova
Weverton Vilela Nascimento
Maxlei dos Santos Luzia
Weverson Patrik Rodrigues de Oliveira
Aelson Rodrigues
Alisson Guerra Reis Calçado
Kenedy Silva Reis
Pachola: Domires Júnior de Azevedo Elias Gomes
Kayke Moreno de Andrade Rodrigues

Duque de Caxias
Petrony Santiago Barros
Oziel França da Silva
Silva: Weliander Silva Nascimento
Mancuso: Gisley Pereira Farah
Givaldo de Oliveira Britto de Jesus
John César Gewehr
Gilcimar Alves Caetano
Valdanes Pinheiro da Costa
Marlon da Silva de Moura

Fortaleza
Everaldo Batista
Diguinho: Jesivaldo Germano de Freitas Alburquerque
Gilmak Queiroz da Silva
Dedé: Derivaldo Bezerra Cavalcante
Kiko: Cleverson dos Santos Oliveira
Marllon dos Santos Pereira

ABC
Raniere Silva dos Santos
Roosevelt Delano de Menezes Alves
Gedeon Conceição dos Santos
Ben-Hur Moreira Peres

Campinense
Piauí: Édson Décimo Alves de Araújo
Aderlan de Lima Silva
Thompson José de Carvalho Veras
Buick: Edio Jacinto da Silva
Baiano: Joceano da Silva Santos
Lessandro Façanha Barreto
China: Erinaldo Matos dos Santos
Raiff Cordeiro Lucena

Renato Souza

24 de setembro de 2009

REFLEXPRESS - ESTÚPIDO COTIDIANO


Após a leitura silenciosa do relatório dos meus exames, o doutor Praxiteles não conversou mole:
- Sua doença é aguda, meu caro! – disparou sem piedade.
E antes que eu pudesse questionar meu olhar entregou a dor. Perguntei:
- É grave doutor?
- Infelizmente é grave e carece de cuidados imediatos para que não se torne crônica – emendou com cruel sinceridade. - O tratamento é urgente, o mal é sério e o remédio não é barato.


- Como assim doutor, do nada? Estava tudo tão bem – sugeri humilde e acabado.
- Pois é! – disse ele, prosseguindo conformado com aquilo que não era em sua pele.
-Assim é que é! Quando menos a gente espera, surge o mal, abrupta e insidiosamente – a saúde vaza.
- Fazer o quê? Amanhã é outro dia – eu disse, ao me despedir e saí injuriado do maldito consultório rumo ao outro dia.

Logo cedo, banho e barba. O sangra queixo, a escova e o pelo. No aprumado, o desalinho, nas axilas, ar de pinho. Meti o pé na rota e dá-lhe gás, estava sem troco, estava em paz. E toca o trem no tranco e solavanco. Passa dentro, passa fora. Cai barraco, desliza barranco. Trina o fone, soam falas. “Está aonde... Aonde estou?” Vou pro trabalho. É... é o jeito. Valeu... Vamos a luta, não é mole essa labuta. Ainda há chance pro futuro, um porto seguro, quem sabe? Está chegando, estamos indo, vamos juntos. Ascendo luz, estendo a rede, caiu é peixe. Não vacilo, olho o ponto. Daqui a pouco vem a hora o tempo esgota.

Está bem perto. Estou chegando, estou chocado, estou zangado. Felizmente, injuriado, levo fé. Sou confesso, e meu excesso esquece o espaço. O dia é espesso e a tarde longa. Estou propenso à grande chance, um tiro certo. O meu cachorro, sem quintal e sem dono abana o rabo pro abandono. Sobe alta minha pipa sem o céu azul do mar. Nessa tela ainda não suo, mas já jogo futebol. Corro e dedilho a campina, meu cabelo sem o vento não revoa. Mato no peito, baixo na terra e toco a bola pra sacola. Tive todo o meu tempo furtado. Desde o tempo em que o tempo virou tempo de não ter tempo. E num todo lugar de um mesmo instante. Fora do eixo do nome das coisas. A sós com as coisas ensimesmadas. Exatamente ali, onde eu não sei. Revejo o curta via e-mail, aquele em que ela me devora e diz que adora enquanto eu roço suas coxas.

A barba cresceu. A orla, a brisa, ela e eu. Abro outro arquivo em busca de tempos perdidos. Sinto muito ter que me sentir assim, mas já vi essa cena. Não quero deixar rastros e, ao mesmo tempo, devo fincar sinais nos ares, vestígios para que nalgum dia, suspenso lá do futuro, os cyberarqueólogos, os garimpeiros digitais não lamentem minha civilização por inútil repetidora de mazelas de um estúpido cotidiano.

Claudio Zumckeller

23 de setembro de 2009

UMUNDUNU - A VEZ DA PERIFERIA!?

Enfim fomos lembrados.
É tão difícil a periferia da cidade de São Paulo, ou de qualquer outra, ser lembrada quanto a eventos que acontecem na cidade, que hoje ao sair para trabalhar estranhei quando vi um cartaz em um poste próximo de minha casa. Usualmente, a periferia é lembrada bienalmente e sempre em anos pares.

Vi-me então na obrigação de citar o singelo avanço, afinal, não estamos (ainda) em época eleitoral, e o cartaz citado dá dicas de eventos gratuitos fornecidos pelo município, como palestras, exposições e eventos esportivos, igual à Virada Esportiva que aconteceu.
Mas como já diz a velha sabedoria popular: “tudo o que é bom, dura pouco”.

Ao ler o tal cartaz, minha surpresa foi ainda maior. Não havia erros de português, nem de concordância, o que sempre acontece em manifestações deste tipo. O tal informativo era até bem didático, muito bem diagramado. Só havia um pequeno detalhe (detalhes que são sempre o motivo de alguma coisa dar errado), o cartaz em questão estava em uma rua do extremo sul da cidade, região da subprefeitura de M Boi Mirim, e o dito cujo era da subprefeitura de Pinheiros, local 25 km distante.

O texto citava apenas eventos dessa longínqua região. Ledo engano.


Renato Souza

21 de setembro de 2009

REALPOLITIK - CARTA AO ELEITOR


Eleitor, nós sabemos que administrar uma casa dá trabalho. Todavia zelar pela segurança e bem estar da nossa família, justifica o esforço.

Nossa casa faz parte da cidade. A cidade é a extensão das nossas moradias. Entretanto, quando nos locomovemos para além dos limites urbanos em que residimos, encontramos outras cidades e outros estados, deparamos com pessoas que compartilham conosco a condição de brasileiros.

O território nacional é um espaço comum, portanto deve estar organizado para servir ao conjunto dos cidadãos nele residentes. Somos uma nação com cerca de 190 milhões de seres humanos.



Em nossos lares planejamos melhorias, avaliamos gastos, contratamos serviços, fiscalizamos obras e pagamos as contas. Visamos gozar as benesses adquiridas em comunhão e harmonia.
No município, conjunto que alberga nossas moradias, os problemas são mais amplos, as soluções mais complexas e os custos, maiores. Essas questões, no que tange aos deveres e direitos, ganham maior amplitude e complexidade quando referentes ao conjunto de municípios, o estado e, mais ainda, quando concernentes à federação dos estados, à União, enfim, ao País. Todavia a finalidade, em essência, é similar à de uma casa: a preservação de uma ordem permeada pela partilha equânime entre ganhos e perdas.

No Brasil, fatores históricos como a colonização, a escravatura, a política agrária e o desenvolvimento industrial e tecnológico imprimiram no conjunto de cidadãos uma perversa diversidade econômica. Há um imenso abismo separando de um lado, grupos com níveis de qualidade de vida comparados às maiores potencias econômicas do planeta, e do outro, grupos que variam gradativamente defasados até desembocarem em uma maioria que sobrevive abaixo da dignidade humana.

O governo federal, assim como os municípios e estados, são pessoas jurídicas. Grosso modo, um conglomerado de empresas públicas das quais todo brasileiro deve ser cooperador e beneficiário.
As empresas industriais, de serviços, os agronegócios, os bancos nacionais e multinacionais de caráter privado desenvolvem, com os setores estatais, a criação das riquezas. Todo cidadão é proporcionalmente colaborador dessas arrecadações. Não somente a segurança, a saúde, a educação e o emprego, como também a cultura, o lazer e as obras devem, acima de tudo, beneficiar o conjunto social de uma nação.

Em outubro de 2010, alguns brasileiros serão candidatos a administrar os rumos do país. Eles disputarão cargos de presidente da república, de senadores, de deputados federais e estaduais, e de governadores de estado. Através do voto popular, passarão a atuar como funcionários públicos e estarão incumbidos, dentre outras tarefas, de administrar o dinheiro público.
Cabe aos senadores e deputados igualmente eleitos, além de fiscalizar a administração do presidente e dos governadores, aprovar e criar leis que orientem o executivo para atitudes exclusivamente voltadas ao benefício público.

É dever e direito de todo cidadão participar da administração pública. É fundamental cobrar obras, unir esforços, organizar grupos de cooperação.
Em uma sociedade em que o indivíduo cuida do interesse público com atenção semelhante a que dedica a sua casa, não há espaço para corrupção e demagogia. Portanto, além de votar, é preciso zelar, exigir e fiscalizar. Vamos trabalhar para dar cabo à vida política daqueles que têm feito da coisa pública um clube de privilégios.

Claudio Zumckeller

18 de setembro de 2009

FUTEBIZARRICES - UM REFLEXPRESS DIFERENTE...





Nossas seções - exceto essa - contam com textos que obrigam o leitor a pensar, analisar a rotina e as situações do cotidiano. Mas, que me perdoe meu caro colega De Giuli, que tal uma “nivelada pra baixo”?


As pérolas a seguir são transcrições reais. Não foram inventadas, por incrível que pareça...





Crédito: jornalperestroika.com
"Chegarei de surpresa, dia 15, às duas da tarde, vôo 619 da VARIG."
Mengálvio, ex-ponta do Santos, em telegrama à família quando em excursão à Europa

"Tanto na minha vida futebolística quanto com a minha vida ser humana."
Nunes, ex-atacante do Flamengo, antes do jogo de despedida do Zico, relatando a importância do Galinho em "suas vidas"

"As pessoas querem que o Brasil vença e ganhe."
Dunga, treinador da Seleção, em entrevista ao programa Terceiro Tempo, da Band.
Será que ele quis dizer "convença"? Nãããão... É o Dunga! Pra quê jogar bonito? Os três pontos já são suficientes para ele

"O novo apelido do Aloísio é CB, Sangue Bom."
Souza, atualmente no Grêmio, em uma entrevista, na época que vestia a camisa do tricolor paulista

"A partir de agora o meu coração só tem uma cor: vermelho e preto."
Fabão, atualmente no Santos, quando foi apresentado no Flamengo, em 1997

"A bola ia indo, indo, indo... e iu!"
Nunes, goleador do Flamengo na década de 80

"Tenho o maior orgulho de jogar na terra onde Cristo nasceu."
Claudiomiro, ex-meia do Inter de Porto Alegre, ao chegar a Belém, do Pará, para disputar uma partida contra o Paysandu, pelo Brasileirão de 72

"Nem se eu tivesse dois pulmões eu alcançava essa bola."
Bradock, amigo de Romário, reclamando de um passe longo

"No México que é bom. Lá a gente recebe semanalmente de 15 em 15 dias."
Ferreira, ex-ponta esquerda do Santos

"Na Bahia é todo mundo muito simpático. É um povo muito hospitalar..."
Zanata, ex-lateral do Fluminense, ao comentar sobre a hospitalidade do povo baiano

"Não há outra, temos mesmo de jogar com esta..."
Reinaldo, ex-atacante do Atlético-MG, ao responder se ia jogar com a chuva

SÉRIE JARDEL

"Que interessante, aqui no Japão só tem carro importado!"
Dias antes da decisão do Mundial de Clubes de 1995, entre Grêmio e Ajax, da Holanda

"Eu, o Paulo Nunes e o Dinho vamos fazer uma dupla sertaneja."

"Eu peguei a bola no meio de campo e fui fondo, fui fondo, fui fondo e chutei pro gol."
Explicando, com riqueza de detalhes, o gol que havia marcado quando atuava pelo Vasco

"Quando o jogo está a mil, minha naftalina sobe."

"...e o Paulo Sérgio teve a oportunidade de se isolar sozinho e fez gol!"

"Clássico é clássico e vice-versa!"
Clássica...

SÉRIE VICENTE MATHEUS

Jogador tem que ser completo como o pato, que é um bicho aquático e gramático! O difícil, como vocês sabem, não é fácil...
Pois é...

"Haja o que hajar, o Corinthians vai ser campeão!"
E ninguém disconcorda!

"O Sócrates é invendável, inegociável e imprestável!"
Ao recusar a oferta dos franceses do Paris Saint-Germain

SÉRIE LUSITANA

"O meu clube estava à beira do precipício, mas tomou a decisão correta: deu um passo a frente!"
João Pinto, ex-atacante do Benfica, de Portugal

"...até ao intervalo, fizemos um bom primeiro tempo..."
Carlos Brito, antigo treinador do Rio Ave, de Portugal

"Nós somos humanos como as pessoas."
Nuno Gomes, jogador do Benfica

"Na Nigéria, há doenças muito perigosas como o tifo e a Malásia!"
Vale e Azevedo, antigo presidente do Benfica

"A seleção não jogou bem nem mal, antes pelo contrário..."
Profunda análise de Gabriel Alves, comentarista esportivo

"Juskowiak tem a vantagem de ter duas pernas!"
Mais um comentário de Alves, comentando a "sorte" do centroavante polonês
"O Benfica está em excelente forma, a jogar num 3-4-3-3"
Alves, essa formação pode???
"...neste estádio ouve-se um silêncio ensurdecedor!"
Alves novamente

Para encerrar com chave de ouro, a melhor de todas!

"Repórter: Por que vocês sempre dão as mesmas respostas?
Sócrates: Porque vocês sempre fazem as mesmas perguntas!"


Espetacular doutor! Esse é o espírito 7CISMO!!!


Gabriel Lopes

17 de setembro de 2009

UMUNDUNU - E O PALHAÇO, O QUE É?




Crônica de um sonho.


A visão da grande tenda colorida, no alto da colina, me encheu a alma de curiosa e alegre ansiedade. Acelerei a passada. Queria descobrir o que havia naquele iluminado interior. Sentia um friozinho no estômago, coisa boa de experimentar. Dizem que a paixão também causa semelhante sensação. Quem já padeceu desse bem deve saber do que se trata. Resoluto, prossegui meu caminho.

O pátio de entrada abrigava um colorido festival de carrinhos de pipoca, algodão doce e maçãs do amor. As crianças e suas bochechas lambuzadas passeavam seus olhares plenos de encantado brilho, enquanto os recepcionistas distribuíam cordialidades profissionais.




Crédito: br.olhares.com
À esquerda do círculo principal, uma banda caprichosamente uniformizada em tons de vermelho e dourado sapecava a marcha frevo. O naipe de metais com baixo tuba e trombone, o clarinete e o flautim, representando as madeiras, e mais, bumbo e caixa arrepiando na percussão.
Subitamente as luzes se apagaram, somente o repique da caixa permaneceu. Na arquibancada silenciaram os risos e o vozerio se acalmou. Abriram-se as cortinas, estava começando o espetáculo.

No picadeiro, sob poderosos holofotes, as atrações pisoteavam a serragem e desfilavam sorrisos em contínuo e solene circular. Exuberante, o cavalo bretão marchava indiferente às manobras da amazona sobre seu lombo. Os trigêmeos malabaristas ladeavam a sensualidade da trapezista. Quatro elefantes ligados pela tromba ao rabo desfilavam suas enormidades. Cor de terra, de rústica antiguidade, os paquidermes remetiam o olhar da ingenuidade à pré-história do Planeta. Teriam sido as primeiras criaturas?

Após o desfile de apresentação os astros principais retornaram à coxia. As cortinas desciam lentamente enquanto a trupe de palhaços se recolhia desastradamente atrasada.

O facho do canhão de luz isolou a figura do apresentador aprumado em fraque e cartola. Ele soltou uma voz vibrante e familiar que ecoou e envolveu totalmente o recinto:
- Respeitável público, boa tarde! Este é o maravilhoso mundo do circo.
Batuta em riste, ele marcou um compasso e perguntou cantando:
- Como vai, como vai, como vai. Como vai, como vai, vai, vai?
A platéia, entusiasmada, respondeu:
- Tudo bem, tudo bem, tudo, tudo bem. Tudo bem, tudo bem, bem, bem!

O diálogo entre o mestre de cerimônias e o público continuava:
- Hoje tem marmelada?
- Tem!
- Hoje tem goiabada?
- Tem!
- E o palhaço, o que é?
- É ladrão de mulher!

Foi bem aí! Foi exatamente nessa cena. De súbito transladei para desértica e inóspita região. Tive a impressão de ter passado toda uma vida inquieto em busca da razão daquela afirmativa: O palhaço é ladrão? E de mulher! Onde e quando teria surgido tal idéia.

Enquanto me encontrava envolvido em tal impasse, um inesperado e profundo sono me arrebatou da cadeira nº 43 e me despejou em um intrigante sonho. Uma viagem onírica cujo roteiro me sinto impelido a relatar ao desavisado leitor que, por hora, na posse de sua plena liberdade, há de querer abandonar esta leitura sob protestos diante de tamanha incoerência. Todavia, se por acaso alguma alma melhor provida de tolerância, permitir-se o compartilhar, agradeço de boa vontade.

Sonhei que sobrevoava um cerrado quando avistei o imenso corredor de monumentos onde duas enormes calotas arquitetônicas flutuavam. Reconheci as sedes do Senado, à esquerda, e da Câmara dos Deputados, à direita.

Entre as imponentes cuias invertidas, percebi dois espigões enjanelados espiando acortinados. Cheguei a sentir suas respirações baforavando um ar agradavelmente temperado.
Interligados por magníficos e opacos túneis, observei que outros prédios do entorno eram também ocupados pelo Congresso.

No meio de um eixo monumental, vi erguer-se, nascendo das profundezas do espelho d’água, cavado em viçoso verde, o edifício principal. Exuberante presença que a praça dos Três Poderes, qual mãe orgulhosa, acolhia para compartilhar as companhias dos palácios do Planalto e do Supremo Tribunal Federal.

Vaguei por limpos e amplos boulevares, onde negros automóveis blindados desfilavam a desembarcar, ininterruptamente, deselegantes engravatados que sorriam apressados e falavam ao celular. Fotógrafos impiedosos me metralhavam com seus relâmpagos. Em deslumbrada correria, repórteres acotovelavam-se com microfones em punho.

Sisudos seguranças exibiam orgulhosas musculaturas e alguns jornalistas, discretamente prediletos, privavam da simpatia e cumplicidade dos figurões principais.

Por acaso, embarquei em um “bonde andando”. Me peguei a ouvir o pequeno trecho de uma conversa envolvendo dois homens que me pareciam ser deputados. Disse então, um deles:
- Bom, tudo bem então, te espero no final da tarde para tomarmos algo.
Distraídamente o outro respondeu com uma pergunta:
- De quem?

Apressados eles se separaram enquanto escuras viaturas circulavam vigilantes observando vão por vão.

Próximo dali, à poucos metros do fuzuê oficial, percebi diversas manifestações.
Simultaneamente ao pequeno grupo indígena que gritava palavras de ordem em desconhecido idioma, um punhado de jovens com os rostos pintados berrava em bom português, uma indistinguível indignação.

Próximo dali, barracas de pequenos agricultores fumavam fogões portáteis e embandeiravam o acampamento em um eslamaçado gramado. Cavalarianos troteavam vistosos seus contrariados equinos. Um grupo de celebridades artísticas passou conduzido por inflados acessores e seguiu indiferente aos meninos que pediam autógrafos.
Sem que eu tivesse perguntado, uma bela senhora me confidenciou:
- O presidente e o ministro da fazenda almoçaram na Granja com banqueiros e outros grandes empresários.
De repente um corre-corre súbito empastelou desnorteadas afirmações:
- Fulano acabou de entrar por ali!
- Beltrano saiu pelos fundos!
- Cicrano chegou à noite, de helicóptero!

Caía a tarde e o crepúsculo dourava e enegrecia as silhuetas. As emissoras de rádio e televisão já desmontavam seus plantões, quando o pequeno e velho aeroplano rugiu seu motor na atmosfera. Atônitos, todos ergueram os olhos aos céus e perceberam o paraquedista que descia suavemente. Quanto mais ele se aproximava maior era o frissom. Parecia cinema! Era um sonho?

Quando finalmente aterrizou, aquela explendorosa e colorida figura, não houve rosto que não esboçasse a expressão de maravilhada surpresa.
- É o Piolin! – gritou um senhor.
- Não, é o Bozo! – retrucou uma senhora.
Todos, sem excessão, pasmaram ante a inesperada aparição.

Logo que se recompôs da queda o arlequim acertou o posicionamento de seu redondo nariz, ajeitou a cabeleira lateral e, num truque de magia, disparou a velha carabina. O disparo cuspiu uma flâmula que tremulava os dizeres: “Por conta do nomadismo cigano, origem dos saltimbancos, o palhaço recebeu, na antiguidade, o estigma de ladrão”... Reconheci que estava sonhando e pude ler o final: “Portanto, em nome da categoria, repudiamos a comparação. Palhaço e ladrão não comungam o mesmo corpo, por isso jamais chame um político de palhaço”.
Naquele momento, uma voz grave e sussurrada ecoou irônica:
- Está próximo o dia em que algum clandestino sindicato dos ladrões comuns há de assumir semelhante reinvidicação.
Despertei!

Claudio Zumckeller

16 de setembro de 2009

DITUDUMPOCO - UM TORTURANTE E FAMINTO PASSEIO ENTRE DESCONHECIDOS


O calor era infernal. O sol escaldante me derretia. Minha camiseta, já completamente encharcada, parecia saída de um filme do Stallone após aqueles treinamentos desumanos que o personagem Rocky Balboa pratica sempre que é desafiado por algum incauto que ainda não sabe a sova que vai levar. Mas isso é uma outra história.

Era meio-dia em ponto, estava faminto. O tempo corria e eu precisava chegar antes das 13 horas na avenida Rudge, longe de qualquer estação de metrô. Eu estava na Vila Mariana, então minha primeira opção era pegar o metrô e descer na estação Palmeiras-Barra Funda,depois de uma baldeação na Sé, e caminhar uns 2 quilômetros naquele sol de verão fora de época.

Crédito: exercicioesaude.com

Para quem é carioca, é como seguir de São Cristóvão para Jacarepaguá em janeiro. Se você for de Belo Horizonte, é como ir da Savassi à Venda Nova. Se nasceu em Porto Alegre, imagine ter que atravessar a cidade de Humaitá ao Belém Novo. O curitibano, só para ilustrar, terá que ir de Barreirinha ao Boqueirão. Feita a digressão, vamos à viagem...

Desci as escadas da Estação Vila Mariana e, após comprar o bilhete, passei os bloqueios. Já na plataforma algo me chamou atenção. Ninguém conversava. Poucas pessoas liam, muitas escutavam música, algumas delas faziam as duas coisas. Pequenos aparelhos pendurados na cintura. Diversos tamanhos de fones de ouvido. Alguns pareciam tiaras a segurar os longos cabelos, como o da loirinha com uma enorme mochila que, suponho, ninguém vai se oferecer para segurar no vagão lotado. Que fome!

O trem está chegando. Abre as portas, correria. Um "garoto" de uns 25, 30 anos passa à frente de um idoso. Revoltante esta lei do mais forte. O cara é maior, é mais jovem, tem saúde para correr e se sentar na frente dos idosos e mulheres grávidas. A loirinha entra na minha frente e logo se acomoda - com aquela mochila enorme - na porta do vagão. Ela vai descer rápido, deduzo. O idoso em pé. A mulher grávida também. Um senhor se oferece para a moça com o barrigão. Um policial militar no vagão pede a um rapaz dormindo - certamente está fingindo - que se levante e dê o lugar ao idoso. As coisas seguem nos trilhos.

Consigo me locomover até o centro do vagão. Estou faminto, não penso em outra coisa. Fico no centro do vagão, sigo a recomendação ao usuário que indica, nos cartazes das estações, como devemos nos portar nos trens do metropolitano. Túúúú (onomatopeia ridícula que será utilizada mais vezes neste desabafo: é o aviso sonoro que a porta vai fechar). Fechar? Outro "rapaz" segura o fechamento e entra expremido, suja todo o braço e a manga da camisa, antes branquinha. "Bem feito", pensei. Túúúú, de novo o aviso. Agora a porta se fecha. Estação Ana Rosa. Mais gente entra nos vagões. Está ficando apertado. Mais idosos em pé. Mais mulheres grávidas também. A loirinha não desceu.

Estação Paraíso. Agora danou-se! Tem a Linha Verde, a da Paulista, centro financeiro do Brasil, nossa "Wall Street". É possível encher mais do que já está? Claro, sempre cabe mais um, como dizia aquela propaganda "sei-lá-do-que". Será que a propaganda era de comida? Que fome! Muita gente, o trem está lotado. A loirinha ainda não desceu, mas está lá na porta, atrapalhando com aquela enorme mochila. Já não sinto mais pena dela, com aquele trambolho. Dane-se, que ninguém segure aquela mala sem alça - com um monte de alças, zíperes e chaveirinhos de pelúcia pendurados. Túúúú...

Estação Vergueiro. Descem algumas pessoas, sobem centenas! Túúúú... A loirinha ainda lá, parada feito um dois de paus. Estação São Joaquim. Alguns descendentes de japoneses que moram e estudam nas imediações da Liberdade descem do trem. Centenas sobem. São descendentes de japoneses que certamente moram e estudam nas imediações da Liberdade. Ali tem um monte de faculdades, cursinhos pré-vestibulares. Tem um monte de restaurantes de comida asiática, que eu não gosto. Mas eu bem que experimentaria agora.

Túúúú... A loirinha ainda está lá parada. Maldita mochila enorme, tomara que tenham chutado até quebrar alguma coisa lá dentro. Estação Liberdade. Mais descendentes de japoneses, coreanos, chineses. Túúúú... Começa uma movimentação diferente dentro do vagão que somente usuários experientes do metrô conhecem. É a aproximação da Estação Sé, a seguinte. A voz anasalada do condutor indica aos distraídos com os livros, revistas e jornais a chegada à estação mais movimentada da América Latina, a Sé. Blimblom (Sim, outra onomatopeia, desculpem!): "Estação Sé, desembarque pelo lado esquerdo do trem".

Centenas de milhares de almas correm para descer do trem. A plataforma lota. Correria, trombadas, sacoladas, bolsadas, mochiladas - enfim, a loirinha desceu. Túúúú, o alerta sonoro dispara novamente. Caminho pela plataforma em direção ao trem que vai para a Estação Palmeiras-Barra Funda, da Linha Vermelha. Ainda estou longe de meu destino, o relógio me intimidando, já era meio-dia e meia... Puxa vida, tem um Habib's na Avenida Liberdade. Tem a Padaria Santa Tereza, a mais antiga do país. Lá tem um pãozinho delicioso.

O trem encosta na plataforma, abre as portas, nova correria. O calor continua infernal. Há, olha lá quem está no mesmo vagão que eu, a loirinha com sua mochila monstruosa, os macaquinhos peludinhos parecem sujos, o gatinho rosinha me dá alergia e ânsia de vômito. Mas a fome não passa. Maldito verão fora de época! Túúúú, o trem parte em direção à zona oeste. Estação Anhangabau. Túúúú... Estação República. Túúúú... Estação Santa Cecília. Túúúú... Estação Marechal Deodoro. Em cada uma destas estações mais gente desembarca do que o contrário - é o centro da cidade. Túúúú... Estação Palmeiras-Barra Funda, já na zona oeste.

Ainda tenho dois quilômetros à pé. Calor, que inferno, "poderia chover", pensei. Desisti da ideia ao lembrar a distância da volta, ir embora ali da região da Barra Funda até o Butantã (fiquem tranquilos, não farei mais nenhum parêntese sobre distâncias), onde moro, sob chuva. Levaria dez horas! Aaaahhh, o calor é muito forte.

A avenida Marquês de São Vicente está parada e o fórum trabalhista, cheio. Prédio famoso, o do Lalau. Cento e sessenta e cinco milhões de reais embolsados ali, sem escrúpulos, sem preocupações. Ainda não calculei quanto dá isso em arroz e feijão, bife e batatas fritas. Mas sei que ele comprou carrões, apartamentos em Miami, um jatinho, e o velhote está solto. Prisão domiciliar de rico até eu queria. Deve dar para comer o que você quiser - e na hora que bem entender.

Atravesso a avenida Pacaembu. Dez para a uma. Tenho dez minutos, estou derretendo. As pessoas não se comunicam, ninguém conversa mais, todos com suas carrancas ameaçadoras, prontas para o pior. Pensei isso longe do metrô, ao me lembrar das pessoas. Todas absortas em pensamentos, na leitura de amenidades, ouvindo música em seus gadgets de última geração. SMS, MP3, acrônimos de solidão. Me vejo utilizando os mesmos produtos. Livros, aparelhos de MP3, jornais, o sono fingido recostado na janela do ônibus ou do trem. O "M" gigante da cadeia americana de sanduíches do palhaço sem graça está bem na minha frente, dentro de uma outra cadeia de lojas americana, a do titio Walton, uma que pratica dumping (Ao Google, molecada!) para fechar a concorrência.

Ficamos com raiva do idoso na fila do banco, louco para bater um papinho, geralmente seguido da reclamação da fila que não anda, ou que o ar-condicionado da agência está quebrado. Vem o papo dos juros exorbitantes, do ex-sindicalista que ninguém votou mas está lá em Brasília - assim como era o doutor honoris causa de Sorbonne ou com o caça-marajás das alagoas! - ditando nossos destinos. O alto custo das tarifas de transporte. O valor da aposentadoria. O preço do arroz e do feijão. Que fome! Temos que desligar o MP3, fechar o livro, acordar de nosso sono fingido.

Concordo com uma tese do escritor português José Saramago: "a comunicação humana está involuindo, logo voltará aos grunhidos" (Obrigado, Thiagão, pela lembrança!). Quando voltaremos a ser humanos (hã, hã, hã!)? Quando os jovens cederão seus lugares no ônibus ou metrô para o idoso e a mulher grávida? Quando seremos gentis com o próximo, sem que isso pareça piegas, coisa do passado? Por que temos que viver neste mundo lotado, mas absolutamente sozinhos? Quando é que vou almoçar?

Cheguei. Uma e cinco. PQP!!!, esqueci de um documento! Será que vão aceitar metade do necessário? Não, desisti na portaria. Amanhã eu volto com tudo que foi pedido. Foto, cópia do RG, do CPF, título de eleitor. Molho de tomate, uma pitada de sal. Certificado de dispensa militar. Um monte de números. Esquecidos numa gaveta. Igualzinho aquele pacote de biscoito lá em casa.

Amanhã eu volto. Tomara que eu não encontre com a mochila gigante da loirinha. Senão eu mesmo vou chutá-la. Onde tem um sujinho barato aqui na Rudge?

Rodrigo De Giuli

15 de setembro de 2009

FUTEBIZARRICES - O QUE ROLA PELO MUNDO 5

Montenegro

Pos Time - Pontos
1 FK Lovćen - 13
2 Rudar Pljevlja - 13
3 FK Mogren - 12
4 FK Budućnost Podgorica - 9
5 KOM Podgorica - 7
6 FK Decic - 6
7 FK Berane - 6
8 FK Grbalj - 5
9 Mornar - 5
10 FK Zeta - 3
11 OFK Petrovac - 3
12 FK Sutjeska - 2

Paquistão


Pos Time - Pontos
1 Krl Fc - 22
2 Pakistan Navy - 21
3 Wapda Fc - 19
4 Pakistan Army Fc - 19
5 Pakistan Air Force - 17
6 Pel Fc - 12
7 Habib Bank Fc - 12
8 Pmc Athletico - 11
9 Kesc Fc - 10
10 Pia Fc - 8
11 Karachi Port Trust - 4
12 National Bank Fc - 4
13 Afghan Fc - 2
14 Baloch Fc - 1

Bermuda

Pos Time Pontos
1 Devonshire Cougars - 28
2 Boulevard Blazers - 28
3 Dandy Town - 25
4 North Village Rams - 18
5 Southampton Rangers - 17
6 Hamilton Parish - 17
7 PHC Zebras - 16
8 Devonshire Colts - 3

Marrocos

Pos Time Pontos
1 WAC - 6
2 Kawkab - 6
3 Hassania - 4
4 MAS Fès - 4
5 Raja Casablanca - 4
6 DHJ El Jadida - 3
7 Kénitra AC - 3
8 Ol. Safi - 3
9 AS Salé - 3
10 FUS Rabat - 1
11 IZK - 1
12 FAR Rabat - 1
13 At. Tetouan - 1
14 JSM Laayoune - 1
15 Ol. Khouribga - 0
16 Waf Fes - 0

San Marino

Pos Time Pontos
1 Tre Fiori - 47
2 Murata - 38
3 Virtus - 38
4 Pennarossa - 34
5 Dogana - 34
6 Cosmos - 34
7 Faetano - 34
8 La Fiorita - 32
9 Tre Penne - 32
10 Libertas - 28
11 Folgore - 24
12 Cailungo - 21
13 Domagnano - 17
14 FC Fiorentino - 11
15 San Giovanni - 3



Gabriel Lopes

14 de setembro de 2009

UMUNDUNU - AMOR AO BOURBON




Ahhh... O whiskey! Nas palavras de Vinícius de Moraes, nosso “cão engarrafado”.

Que me desculpem os cães, mas a companhia de um Bourbon só é superada pela presença de uma bela mulher. Ahhh... O whiskey.

Quando ele desce a garganta, todos nossos sonhos parecem possíveis. Tudo fica mais alegre, brilhante. Ganhamos esperança. Acreditamos na humanidade. Finalmente amamos o próximo. De repente, um hiato. Outro gole, e tudo volta ao normal.

A bebida aproxima as pessoas e corta as tristezas. Cultiva a amizade e destrói as dores.
Ahhh... O whiskey.




Crédito: Henry Morgan

Não foi um ser humano que o inventou. Foi algo mágico, uma presença divina. Como se Deus nos desse o néctar dos anjos. Como se Baco desistisse do vinho, e em uma de suas orgias astrais criasse a bebida dourada, cheia de alegria, força e putaria – estamos falando de Baco, certo? Ahhh... O whiskey.

“Obrigado Senhor, por Jack Daniel´s,
Obrigado Senhor, por me salvar,
A única coisa que me mantém longe do demônio,
É outro copo desse Tennesse”

Como sinto pena dos que desconhecem o sabor, dos que não aprenderam a saboreá-lo.
Abrir a tampa é um ritual de prazer e ansiedade. Como abrir, aos poucos, o sutiã daquela linda mulher. A mão segurando firmemente a garrafa, igual o aperto na coxa da bela moça. O gole? Ahhh... O gole! É o beijo. A paixão se consumindo.
Naquele momento o mundo não existe. Você só quer apreciar cada segundo dessa experiência.

“Numa dose de uísque,
Começou o nosso caso,
Aumentou o nosso calor,
E bebendo lentamente,
Conversamos tanta coisa,
Começamos nosso amor...”

Um whiskey não foge de você, é fiel companheiro da tristeza. Com ele, você não afoga as mágoas, você as aniquila. Nem que seja por um momento.
E cá entre nós - apesar de também ser maravilhoso - o melhor para fazer esse serviço não é o scotch, mas sim, o aveludado Jack. O forte Jim. Um Bourbon. Ahhh... O whiskey.

"Ei doutor, você não vai examinar a cabeça dele?
A única coisa que havia de errado com ele,
Era Johnny Walker vermelho,
Ele bebeu o uísque venenoso,
Até que aquilo o matasse.
Sigam meu conselho, gente...
Irmãos vocês não veem,
Que não há nenhum futuro no uísque venenoso?
Eles vão te levar às pressas ao médico,
O médico vai balançar a cabeça,
A única coisa que ele vai lhe dizer,
-Pare de beber Johnny Walker vermelho”.

A perfeita harmonia. Cereais, cevada – maltada e não maltada – milho e os longos anos no barril de carvalho.
Abençoado seja o líquido envelhecido, filtrado gota por gota. O copo de vidro arredondado. A companhia desse cão dourado e as companhias que ele nos trás.
Ahhh... Meu querido whiskey.
Espero nunca te perder.
Amaldiçoado seja o fígado, se não o aguentar.

Ps: Apesar de parecido, o Jack Daniel´s não é classificado como Bourbon, sim como Tenesse Whiskey.

Felipe Payão

13 de setembro de 2009

NOTA DO BLOG - 1 MÊS DE VIDA!


Apesar de novo, o 7CISMO alcançou nesse primeiro mês de vida 4000 visitas, quase 200 por dia.

Não é nada comparado com grandes blogs, mas aqui, remamos contra a maré.
Nossa tentativa de produzir textos "inteligentes" e extensos - nem tanto - contrapõe com a maioria da internet, que prima pela velocidade na leitura e a quantidade de imagens.
Que tal um pouco de aprofundamento, quando o assunto exigir?

Agradecemos os poucos e fiéis leitores que temos.
Agradecemos os ilustres visitantes de São Tomé e Príncipe, França, Irlanda, EUA,
Macedônia, Grécia, Tailândia, Espanha, Portugal, Dinamarca... que voltem sempre!

O nosso sincero OBRIGADO!

E aos "gringos":

Thank´s!
Faleminderit!
Danke!
Gràcies!
Gracias!
Kiitos!
Merci!
ευχαριστώ!
благодарам!
Multumesc!
ขอบคุณ!
Bedankt!
Grazie!

7cismo


11 de setembro de 2009

REALPOLITIK - O PRÉ-SAL É NOSSO (?)



Ao longo de 800 quilômetros, entre os estados do Espírito Santo e Santa Catarina, estende-se uma camada denominada pré-sal. São várias reservas petrolíferas e de gás encontradas no subsolo marítimo, abaixo da camada de sal, e que possui uma qualidade superior em relação aos extraídos de camadas menos profundas - as do pré-sal poderiam chegar a 7 mil metros de profundidade.


Tais reservas só devem ser comercializadas, segundo fonte ligada à Petrobras ouvida pelo blog, a partir de 2021. Contudo, apenas o anúncio da descoberta já descortina um cenário (viu, Sasha, cenário, cuja raiz é cena, se escreve com "C") altamente favorável ao país.


A produção poderia dobrar: dos 14 bilhões de barris para até 30 bi, de acordo com números da Agência Nacional do Petróleo (ANP). Nas estimativas mais positivas, todas as áreas de extração alcançariam até 100 bi - ou seja, transformariam o Brasil na quinta maior reserva do mundo, atrás apenas de Arábia Saudita, Irã, Iraque e Kuwait, e à frente dos Emirados Árabes Unidos e Venezuela.
(Fonte: Folha Online - http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u391929.shtml).

O governo federal fez o anúncio das novas regras de extração e comercialização do produto derivado do pré-sal. O presidente Lula espera capitalizar votos para sua candidata preferida, Dilma Rousseff, atualmente ministra da Casa Civil, que declarou que o país passará a exportar óleo e gás.

Nos discursos, o ufanismo esteve presente. Lula tem dito que novos tempos virão, que agora o povão vai ter emprego, hospitais, escolas, carro, casa, comida e roupa lavada. Os 7cos, no entanto, questionam: todos os brasileiros ganharão royalties para usufruir dos ganhos do petróleo ou apenas os acionistas da Petrobras - aqui incluem-se os parceiros estrangeiros, como portugueses, ingleses e norte-americanos?

Perguntar ofende? Queremos nosso quinhão!

Rodrigo De Giuli

10 de setembro de 2009

FUTEBIZARRICES - CALMA, HERMANITOS!!!


Após a derrota na última quarta, no cabalístico dia 09/09/09, los hermanos estão com a corda no pescoço e podem assistir o Mundial da África do Sul pela TV. Mas não é o fim do mundo, afinal, os únicos a disputarem TODAS as Copas do Mundo somos nós, brasileiros, pentacampeões.

Os argentinos, que fazem a pior campanha na era dos pontos corridos, já ficaram de fora de quatro competições. Uma a mais no currículo não é tão desastroso. O Brasil, que participou de TODAS as 19, está garantido para os dois próximos, já que a próxima será na terra brasilis (a contragosto de muitos, diga-se de passagem).

É verdade que eles não quiseram disputar as eliminatórias para 1938, 1950 e 1954, mas, para 1970, ano do nosso tri, os argentinos caíram num grupo teoricamente fácil, com Peru e Bolívia e os dois últimos jogos em Buenos Aires. E os andinos aprontaram... Em La Paz, Bolívia 3 a 1. Em Lima, Peru 1 a 0... Restavam as partidas no Monumental de Nuñez: vitória magra, 1 a 0, sobre a Bolívia. A derradeira eliminação - contra os peruanos - veio com o empate em 2 a 2.

Gozado - ou não, o próximo confronto no atual classificatório é contra o fatídico adversário de 70 anos atrás, depois, encerram essa angustiante campanha contra os uruguaios, concorrentes diretos pela vaga. Na Argentina... Don Diego tem que tomar cuidado para que sua carreira não termine em pó... (que maldade!)

Agora, após ler esse monte de baboseiras, alguns 7cos perguntariam: Equipes grandes têm fases ruins de vez em quando! O que isso tem de tão bizarro???

Aos 7cos, eu respondo: Ano que vem, vá a Buenos Aires e pergunte a nossos vizinhos se eles estão gostando de assistir a partidas de Venezuela, Eslováquia e Bahrain... Venezuela em uma Copa e a Argentina não, é extremamente bizarro!!!

Gabriel Lopes

REFLEXPRESS - DEVANEIOS DE UM LEITOR ENLOUQUECIDO



Nada além de representações impostas, narcóticas informações cotidianas. Nada! Apenas trágicas historietas e curiosas questiúnculas.

Sobre Hugo Chávez e a Venezuela, ligo para o amigo e digo que li o artigo. Olha isso! Vi alguma possibilidade nessas coincidências sonoras.

O encadeamento das palavras, sim, somente seus sons a sugerir o impedimento para qualquer outra avaliação. Um prenúncio me encoraja, deixa suspenso o velho temor. Um frenético alarme soa clarins – ensurdeço.

Desta vez, trouxe um par de remos e na canoa desse desvio, o texto corre para o rio imprevisível. Mares desconhecidos redesenham velhas praias. Mundo sem porteira, terras de ninguém, “Dinamarcas” sem rei, familiares não-lugares.

A reinvenção do cotidiano ou a escrita automática? Nada! Somente o reviver cada palavra ao frescor imediato dos “agoras” que se dissipam.


Sem qualquer censura, mapeio o meu vazio honestamente e, depois de retirado o entulho, ao fim de cada dia, a cada crepúsculo de sonho desprotegido, longe dos incômodos capacetes, desembaraçado da fiação de inúteis centrais noticiosas, prossigo caboclo, antípoda dos meios ultra velozes.

E enfim desinfetado, encontro uma desaceleração denúncia e pasmo ante o título estampado: “Sancionada a lei que prevê pena capital para os crimes de colarinho branco”.


Claudio Zumckeller

9 de setembro de 2009

UMUNDUNU - À MALANDRAGEM


Como diz José Saramago, “a humanidade está rumando cada vez mais para o grunhido”. A nossa pseudo-evolução de linguagem (vide “vc”, “naum”, “intão” e outros) está longe de chegar ao melhor que já tivemos. Essa involução pode ser notada também na música. Vamos aos fatos:

Quase todo brasileiro considera-se malandro. A malandragem está associada à vadiagem, ao jeito de se vestir, ao modo de “ganhar” a vida e à MÚSICA também.
Em outros tempos, o malandro escutava o samba de Sinhô, Donga, Noel Rosa, Ismael Silva, Wilson Batista, Adoniran Barbosa. Ou seja, o malandro era o responsável pelo mais sofisticado e inovador estilo da época: o samba, que apesar de marginalizado pela elite cabeça oca, fazia sucesso entre intelectuais e sambistas.

Cartola, que era analfabeto, abusava da genialidade nata do malandro, genialidade que só tem quem conhece a rua.
Apesar não de ter tido acesso à educação ortodoxa, Cartola compôs versos como “Todo tempo que eu viver / só me fascina você / Mangueira / Guerriei na juventude / fiz por você o que pude / Mangueira / Continuam nossas lutas / podam-se os galhos / colhem-se as frutas e outra vez se semeia / e no fim desse labor / surge outro compositor, com o mesmo sangue na veia” ou “Oh, maldito preconceito / Afasta-te no ajeito, a que nada conseguirás / Por que recebemos dos céus a benção de Jesus, que é mensagem de paz”.

Bezerra da Silva, pernambucano radicado no rio, escrevia sobre o crime, favela, maconha, polícia... Mesmo entrando em temas tão polêmicos, Bezerra teve espaço na indústria cultural e vivia no limite entre o marginal e o pop.

Décadas depois o RAP dividiu o lugar com o samba no imaginário do malandro; há dez anos, na periferia de São Paulo, o RAP (que valoriza a letra e quase sempre trata de temas sociais) era o ritmo mais ouvido entre os malandros da vila. Os Racionais MC´s foram o maior fenômeno da minha geração. Não tocavam na TV nem no rádio, além de não contarem com o aporte de uma grande gravadora.
Mesmo assim todo malandro sabia cantar “Um dia um PM negro veio embaçar / E disse pra eu me pôr no meu lugar / Eu vejo um mano nessas condições: não dá / Será assim que eu deveria estar? / Irmão, o demônio fode tudo ao seu redor / Pelo rádio, jornal, revista e outdoor / Te oferece dinheiro, conversa com calma / Contamina seu caráter, rouba sua alma / Depois te joga na merda sozinho / Transforma um preto tipo A num neguinho”.

Hoje, infelizmente, o funk carioca é o ritmo do momento. O mané, que se diz malandro, anda com um celular pendurado no pescoço no último volume tocando “proibidão”.
E eu, várias vezes depois de um dia infernal, ao me sentar no banco do coletivo cheio, e tentar, mesmo com sono, ler os versos de um livro do Edgar Allan Poe, tenho que ouvir Mc G3 cantando “Nos três cu eu meto bala”. Bom, eu nem me atrevo a comentar esse tipo de letra, vou deixar a conclusão com vocês...


“Nos três cu eu meto bala”.

“Vai ve, vai vermelha, vai ve, vai vermelha, vai ve, vai vermelha,
canta pá comigo,
nos 3 cu eu meto bala, vaaaiiii!
Meto bala, meto bala,
mais nos 3 cu eu meto bala, vaaiii!
Vem viado,
nos 3 cu eu meto bala
vem Duda do bordel,
tu é nóis em,
mais nos 3 cu eu meto bala, vaaaiii!
ó, e o sea artilharia
que fortaleceu de fato
nosso bonde, é bolado
nóis já voltamos pro sapo
vou te dar-lhe um papo reto
pois se liga ai então
favela da nova holanda, e o parque união
esse bonde, é bolado
esse bonde, é guerreiro
eu sou da cidade alta sou do bonde do...
mais vou te dar um pao reto
nosso bonde sempre a bala
quero ouvir vocês cantar, nos 3 cu eu meto bala
então!!
nos 3 cu meto bala, vaaiii!!!
"meto bala"isso
mais nos 3 cu eu meto bala vaaaiii!!!!!”


Thiago Menezes

8 de setembro de 2009

FUTEBIZARRICES - O QUE ROLA PELO MUNDO 4

Chipre

Pos Time Pontos
1 Apollon Limassol 3
2 Aris Limassol 3
3 APOP 3
4 Omonia 3
5 AEL Limassol 3
6 Nea Salamis 1
7 Achnas 1
8 Ermis Aradippou 1
9 Anorthosis 1
10 APOEL 0
11 AEP 0
12 DOXA 0
13 APEP 0
14 Enosis 0

El Salvador

Pos Time Pontos
1 CD FAS 10
2 CD Águila 8
3 CD Vista Hermosa 6
4 Atlético Marte 6
5 CD Luis Angel Firpo 5
6 Nejapa FC 4
7 Alianza FC 3
8 Atlético Balboa 2
9 Municipal Limeño 2
10 Metapán 1

Irlanda (em homenagem ao nosso ilustre correspondente)

Pos Time Pontos
1 Bohemians 55
2 Shamrock 51
3 Cork City 44
4 Derry City 44
5 Dundalk 34
6 Galway United 31
7 St. Patrick 29
8 Sligo 25
9 Drogheda 23
10 Bray 20

Irã

Pos Time Pontos
1 Zob Ahan 10
2 Steel Azin 9
3 Sepasi 8
4 Persepolis FC 8
5 Esteghlal Tehran 8
6 Paykan FC 7
7 Teraktor Sazi 7
8 Sepahan 6
9 Saba Qom FC 6
10 Saipa 6
11 Esteghlal Ahvaz 5
12 Malavan FC 5
13 Mes Kerman 4
14 Rah Ahan 3
15 Foolad FC 2
16 Aboo Moslem 2
17 Shahin Bushehr 1
18 PAS Hamedan 1

Sudão

Pos Time Pontos
1 Al-Hilal 46
2 Al-Merreikh 43
3 Khartoum 3 29
4 Al-Nil Khartoum 25
5 Amal Atbara 25
6 Al-Hilal Port Sudan 23
7 Al-Mawrada 22
8 Al-Mirghani Kasala 21
9 Hay Al-Arab 20
10 Al-Ittihad Wad Madani 19
11 Al-Hilal Kadougli 18
12 Al-Ahli Wâd Medanî 17
13 Al Shimali 11



Gabriel Lopes