21 de agosto de 2009

REFLEXPRESS - UM PRESENTE, PASSADO E FUTURO?


Em um único e mesmo tecido reproduzem-se, a partir da invenção da linguagem escrita, as mais diversas faces do poder, a história.

A expansão territorial de grandes impérios, o predomínio de determinados povos sobre outros tiveram, através dos séculos, seus relatos dramatizados sob a chancela de narrativas mitológicas, romanceados pelos historiadores oficiais e exaustivamente multiplicados pelos difusores eletrônicos. As invasões territoriais, os impiedosos genocídios e as expropriações culturais ganharam a vestimenta fantástica de contos ao sabor das mil e uma noites.

Dessa maneira a evolução científica e os avanços tecnológicos, as artes e seus movimentos revolucionários, as políticas econômicas internacionais e as relações das sociedades humanas justificaram-se perfilados ao que se convencionou como única finalidade da espécie: dominar tempo e espaço definitivamente. A submissão de tudo o que existe em prol da felicidade humana.

Entretanto surge a questão: a quem interessaria a identificação de discrepâncias entre a realidade e a aparência? O reconhecimento, ainda que desinteressado, acerca do caráter diverso que envolve o que o ser humano tem sido e aquilo que ele tem pretendido representar.

Sobrou para o homem, como sujeito, gozar sua liberdade responsável e lúcida, batalhar pela queda das máscaras, longe de qualquer “demonização” dos projetos evolutivos. Impor assim que o conhecimento científico, as forças econômicas e o domínio das tecnologias, sobretudo na esfera da informação, convivam com movimentos criativos, presenças que façam justiça ao presente.

Mesmo que os clássicos, os modernos e contemporâneos, radicais revolucionários e reacionários convictos, paradoxalmente ligados, sigam pronunciando suas vãs repetições em um mágico eixo de representações. Há que se desconstruir, os lugares comuns que tem fundamentado, através dos milênios, a revitalização dos processos de perpetuação das desigualdades sob o glorioso manto do inato.

Claudio Zumckeller

Um comentário:

  1. Desigualdades sempre existiram, mais ou menos determinados pelo tempo ou espaço. Contudo, isso não significa que elas devam se perpetuar, em suas palavras, sob qualquer manto. Nossa obrigação é, senão eliminá-las por completo, diminuir o tamanho da separação entre a elite e os despossuídos. E aqui não há nenhuma alusão exclusiva às posses, meu caro. Um conceito bem mais abrangente deve ser colocado em prática. Sabem-se lá quais.
    Rodrigo De Giuli

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