25 de agosto de 2009

REFLEXPRESS - MAKING OFF DE TROCA DE ELITE


Estávamos prontos para ir ao cinema. Já tínhamos cuidado dos nossos animais. A noite prometia. “Tropa de Elite” era a fita.

Porém o inesperado, de repente um susto! Houve troca de elite, pára tudo! Como assim, o que é isso? É desordem estabelecida, porra!!! Nada disso, isto é uma ordem! - Soou aquela voz, veio do fundo da sala.
- Perdeu, pede para sair! Ordinário marche!- prosseguiu autoritária. - Mão pra cabeça! Aqui é o Ibope, caralho!!! - Constrangidos seguimos cegos seus decididos passos. No sobe e desce constante, o comentário era geral. Enquanto o papagaio bicava milho, a maritaca comia o mingau. Até aí tudo certo.

Não fosse a juventude que o frescor de uma alva rosa cheirada deixou impregnada no ar, quem sabe, tarde, ainda, algum desesperado pretendesse trazer alguma certeza. Chegou então o avião, desembarcou, de mala e cuia, uma trouxa sem dono e sem destinatário. Fogo na bomba! Sobrou o silêncio solene. O gelo na espinha dorsal. Quem dera ficasse alguém para conversar sem fone de ouvido, nem chamada celular. Todos estavam preocupados com seus umbigos. Correria mental.

Depois de alguns “males estares” passageiros sobreveio o estranho bem-estar.
- Está desvendado! acabou o mistério.- denunciou a voz do auto falante. - Agora sabemos quem é o culpado de tudo. Ele anda nu por ruas incertas. Em locais ignorados, divide suas moradas com o fantasma do pirata dos sete mares. Em entrincheiradas campanas, espalhados pelos quarteirões escuros, os escafandristas urbanos o aguardam sedentos de sangue.

– Chega de palhaçada!- gritei como se fosse eu o verdadeiro diretor. Desliguem as câmeras, apaguem as luzes. Corta!! Corta pô! Agora é a hora da cena do baile em que a musica é escassa e abunda a poesia. Vamos ensaiar!
- Nada! Nada disso! - Gritou um intruso. - Agora é a cena suicida do senador. Aproveita o catchup enquanto ele folheia a revista pornô e apunhala o próprio ventre. No asfalto, a foto do crime deve cobrir o rosto do defunto, e bela, a dama vai bailar a meia luz.
“E ao som desse bolero, vida, vamos nós e não estamos sós, a orquestra nos espera”.
Dançando, sim, dançando com alma, sussurremos com nossos últimos suspiros, é o fim!

– Estamos fora dessa cena , ela e eu, está decidido, estamos fora! – desabafei exausto – e tem mais! – prossegui convicto.- Se quiser saber, nossa arte não quer imitar a vida; nem esta tampouco aquela quer arremedar.
Que Merda!! Arte é arte. Berimbau não é gaita. Goiabeira não dá manga. Ninguém dá o que não tem.


Claudio Zumckeller

Um comentário:

  1. Detesto tudo o que é enfiado goela abaixo. Contudo, a culpa é da sociedade que aceita tal felatio-estupro imposto pelos "formadores de opinião" cultural. Fodam-se todos! Fodam-se os capitães Nascimento e os padilhas da vida!
    Agora, para a maioria, fica apenas a dúvida: engolir ou cuspir?
    Rodrigo De Giuli

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