26 de agosto de 2009

MISCELÂNEA - GENOCÍDIO BANDEIRANTE HOJE É VISTO COMO HISTÓRIA DE GLÓRIAS


O discurso oficial distorce a realidade sobre os bandeirantes. Paulistas acreditam que eles foram grandes heróis, mas eram assassinos em massa

Em 1639, aproximadamente 300 homens armados invadiram a cidade de Guaíra, no Paraná, para capturar índios e fazê-los escravos. Recém cristianizados pela missão jesuítica espanhola, os nativos, encurralados na igreja local, foram queimados junto com ela. Além dos que morreram carbonizados, outros, ao tentar reagir, mutilados e depois mortos, não serviam mais para o trabalho escravo.

Os invasores mataram crianças e queimaram pessoas vivas para aterrorizar os índios e evitar resistências. Após o massacre, os sobreviventes foram acorrentados e forçados a viajar até São Paulo. A descrição do massacre acima é do padre espanhol Ruiz de Montoya, e os assassinos são os bandeirantes, paulistas conhecidos como grandes desbravadores. Para explorar o Brasil viajavam com espadas, espingardas, foices e correntes e surpreendiam aldeias, dizimando comunidades inteiras “com a maior brutalidade já vista no mundo”, assinala Montoya.

Economia escravista

No início do século 17, São Paulo era única região da colonia portuguesa que não dependia de negócios com a Europa. Os outros locais localizados no litoral lucravam com a cana-de-açúcar, uma das mercadorias mais valorizadas na época. As terras paulistanas impróprias para a cana impulsionaram os aventureiros a captura e comércio de indígenas, pilar da economia paulista até o final do século 18. Chegando a São Paulo, os nativos eram escravizados em lavouras na capital e em cidades vizinhas.

Para se ter a dimensão do genocídio, aproximadamente dois milhões de nativos foram mortos só no Maranhão. Outro padre, Antonio Vieira, colheu depoimentos de alguns desses escravizadores que não paravam de falar “nos tiros que deram; nos que fugiram, nos que mataram, como se falassem de uma caçada e não valessem mais as vidas dos índios as dos animais”

História mal contada

Muitas são as homenagens aos bandeirantes. Na terra da garoa há estátua de Borba Gato; o Monumento às Bandeiras, a enorme canoa por desbravadores diante do parque do Ibirapuera; além das rodovias Raposo Tavares e Fernão Dias, entre outras.
Essa ovação vem desde o final do século 18, consagrada pela revolução constitucional de 1932, quando os paulistas guerrearam pela volta da Constituição na ditadura Vargas. A população era bombardeada por cartões, músicas, jornais e poemas enaltecendo os bandeirantes, estratégia útil para reforçar o sentimento heróico de um Estado em guerra.

Mesmo com as críticas de historiadores, ainda há livros que reforçam o velho discurso, como o destinado a sexta série chamado História: das cavernas ao terceiro milênio, da editora Moderna, escrito por Patrícia Braick e Miryam Becho. A obra aprovada pelo MEC trata brevemente de índios escravizados por bandeirantes, e não cita, sequer, um índio morto. As gravuras dos presumíveis “heróis” representam homens vestidos com pompa. Mas, ao contrário, “os bandeirantes andavam descalços e sujos”, afirma a museóloga Laíse França.

Thiago Menezes

3 comentários:

  1. Bandeirantes. Tem conglomerado de mídia, rodovia, avenida, enfim, homenageando nossos "heróis". Triste sociedade que precisa deles, e pior a que tem bandeirantes como exemplos de heroísmo.
    Assusta-me o fato de que até historiadores respeitados relutam em mostrar a verdadeira face destes assassinos "desbravadores". Bem, quem tem o Serra de governador e o Kassab de prefeito, tem o que merece...
    Rodrigo De Giuli

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  2. vergonhoso acreditar em tal historia!

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  3. ÓTIMO POST !!! POSTEI NO MEU BLOG ...

    http://siglaoculta1.blogspot.com/2010/09/bandeirantes-herois.html

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