31 de agosto de 2009

REALPOLITIK - O PANELAÇO


Bachelard observou que “a lembrança pura não tem data. Tem uma estação. É a estação que constitui a marca fundamental das lembranças. Que sol ou que vento fazia nesse dia memorável?”.

Compreendi as palavras de Bachelard ao me lembrar daquele dia memorável, que não pode ser esquecido. Era fim de tarde, quando a luz do dia que se vai se mistura com o escuro da noite que chega, e tudo fica indefinido. A indefinição ficava mais indefinida ainda pela chuva fina que começava a cair. Foi então que aconteceu: um barulho surdo, metálico, sem melodia e sem ritmo começou a subir das ruas, dos apartamentos, dos escritórios, barulho que não combinava com o momento...

Fiquei assustado porque não tinha na minha memória registro de qualquer barulho urbano que se assemelhasse àquele que enchia a tarde-noite de São Paulo.
Eu estava no quinto andar. Tomei o elevador para o térreo. Queria saber o que estava acontecendo.

Quando, no térreo, saí à rua, os rostos sorridentes dos motoristas de táxi me fizeram lembrar. Os motoristas cansados, ao fim do dia, usam as buzinas para exprimir sua irritação. E eles estavam buzinando sem parar, mas sem que houvesse nenhuma razão de tráfego para tal. Suas buzinas não eram irritadas. Buzinavam e sorriam. Parecia que estavam felizes.
Aí me lembrei e entendi. Olhei para cima e vi de onde vinha o barulho metálico: as janelas e varandas dos apartamentos estavam cheias de pessoas que batiam panelas com colheres. O barulho ensurdecedor e lindo, musicalmente... Aquele barulho era o canto do povo.

A chuva caía um pouco mais forte, mas as pessoas que andavam pelas ruas não demonstravam contrariedade. Elas sorriam com a água a lhes escorrer pelo rosto. Era o panelaço: uma cidade sem armas que buzinava a batia tampas e panelas para derrotar um Exército armado, à semelhança do ocorrido na cidade de Jericó, cujas muralhas caíram pelo som das trombetas.
Chorei e me disse: “É muito bonito! Uma estória para ser contada e repetida! As crianças precisam saber...”. E foi ali que se formou na minha imaginação a estória que escrevi, “O Flautista Mágico”.

No artigo “Os Pássaros”, dirigido às crianças, publicado no último dia 21, nesta sessão, sugeri que, olhando para os nossos sólidos representantes no Congresso, um escorando o outro, fica claro que a maioria deles não está disposta a trocar seu menu de costeletas, lombos e linguiças por uma modesta dieta vegetariana de alface e cenoura...

Numa alusão ao filme do Hitchcock, disse que era preciso chamar os pássaros... Eles só sairão do castelo de impunidade onde se encontram se os pássaros os obrigarem.
Pássaros fomos nós, naquela tarde do panelaço contra a ditadura. Pássaros poderemos ser nós, agora...

Recebi agora, via internet, a convocação dos pássaros, um manifesto do qual vou citar alguns trechos: “Esta é a hora: 7 de setembro às 17 horas! (...) No dia 7 de setembro às 17 horas vamos paralisar o Brasil. Às 17 horas vamos promover um panelaço! Exija que as redes de televisão, rádios, jornais, revistas e o político de sua confiança divulguem esse movimento. Mobilize sua escola, seu sindicato, sua igreja, seus amigos. No dia 7 de setembro, às 17 horas, estenda na janela uma bandeira, uma toalha, um pano qualquer! Bata panelas! Toque cornetas! Se você estiver no carro, buzine! Vamos fazer a nação tremer por um minuto!”
As hienas e os gambás fugirão dos pássaros! Eu vou buzinar, vou tocar sino, vou bater tampa e panela, estender bandeira, tocar a Nona Sinfonia... Ninguém poderá dizer que eu morri sem espernear...

Artigo retirado da Folha de São Paulo
Por Rubem Alves

UMUNDUNU - ESTRÉIAS NOS CINEMAS BRASILEIROS


Após um primeiro semestre com bons índices de bilheteria, a indústria cinematográfica continua em produção acelerada, muitos filmes estão em cartaz, como o elogiado “Inimigos Públicos” com Johny Depp e Christian Bale no elenco, ou já tem data de estréia marcada nas telonas aqui no Brasil.

Um dos mais aguardados é o novo filme de Denzel Washington, “The Taking of Pelham 1 2 3”, que marca o retorno do ator ao cinema depois de um período de dois anos. No Brasil o filme foi intitulado "Sequestro do Metrô 1 2 3". A superprodução ainda conta com John Travolta no papel de vilão.

O filme do gênero thriller é um remake do também intitulado como "The Taking of Pelham 1 2 3" de 1974, protagonizado por Walter Matthau, o eterno Senhor Wilson de "Dênis, o Pimentinha".
A estréia no Brasil acontecerá na primeira semana de setembro.

Já nesse 2º semestre de 2009, o próximo filme do tão aclamado diretor Quentin Tarantino chegará aos cinemas brasileiros. Bastardos Inglórios (Inglorious Basterds) teve seu lançamento nos cinemas americanos no dia 21 de agosto, até agora foi um sucesso de público e da crítica. O filme conta com Brad Pitt no elenco e recebeu nota 8.7 no rigoroso índice do IMBd (intenet movie database), superando o filme anterior de Brad Pitt, "O Curioso Caso de Benjamin Button", que fez um enorme sucesso e recebeu nota 8.1.
A expectativa é grande, mas a espera pelo filme nas telonas do Brasil também, a data de lançamento ainda não foi confirmada. Agora, só nos resta esperar, pelo filme que pode ser um dos melhores filmes do ano.

E pra quem gosta de comédia, "Os Normais 2 - A Noite Mais Maluca de Todas" estréia nesta sexta, 28/08.
O casal Rui e Vani estão de volta nos cinemas prometendo muitas risadas. A expectativa é de que o filme consiga superar o sucesso de bilheteria do primeiro, no qual só na primeira semana 420 mil pessoas assistiram ao filme.

Outra comédia que deve agradar o público é "Os Vigaristas", com um elenco super premiado que conta com Adrien Brody, ganhador do Oscar de melhor ator em "O Pianista” - e também de nariz mais avantajado de Hollywood - Rachel Weiz, ganhadora do Oscar de melhor atriz coadjuvante por "O Jardineiro Fiel".
Ele surpreende por ter sido muito bem elogiado pela crítica, o que geralmente não acontece com uma comédia (Eddie Murphy que o diga). A nota do IMBd foi de 7,6 e a previsão de estréia é para o início do próximo mês.

Da comédia para o drama.
O filme "O Solista", baseado na história real de um músico que sofre de esquizofrenia, é estrelado por Jamie Fox e pelo reabilitado - mas não careta - Robert Downey Jr. A data de estréia no Brasil está prevista para 2 de outubro. Nesta mesma data estreará "GAMER", o novo filme do queridinho britânico Gerard Butler.
Ao que me parece o filme é mais um desses de ação fajuta, com um orçamento milionário e participação de algum rapper famoso. Só que ainda tem um agravante, a atriz coadjuvante desse filme é Kyra Sedwik (a insuportável Chefe Brenda Johnson do seriado "The Closer", isso, aquele mesmo que passa ou passava no SBT); que me desculpem os fãs desse seriado, mas eu não pude conter esse comentário. Vamos esperar pra ver se queimo a minha língua sobre o filme.

Ricardo Alge

29 de agosto de 2009

REALPOLITIK - O BIZARRO CIRCO BRASILEIRO


É doloroso comentar tais fatos.
Não sei por onde começo, o que escrevo primeiro.
Não sei direito nem o que sinto mais quando leio as inúmeras notícias sobre o cenário político atual. Tudo bem que nem sempre foi lindo, maravilhoso, mas agora está mais explícito do que nunca.

José Sarney, Lula e Collor? Juntos? Que planeta nós estamos?

O povo silenciado e silencioso, a inação dos artistas e intelectualóides, a taciturnidade da oposição e os olhos vendados da burguesia. Nem um movimento “Cansei”, feita pela sombra da Tradição Família e Propriedade, foi pensado. Silêncio.


Senador, ditador e “iscritôr”

José Sarney foi eleito senador pelo Amapá, mas é ditador no Maranhão. Sua família exerce uma oligarquia política selvagem no local há mais de 40 anos.

Abro um espaço aqui só para citar os alarmantes índices que se encontram os maranhenses:
Segunda maior taxa de mortalidade infantil do país - 39.2 por mil nascidos vivos.
Domicílios urbanos com renda per capita de até meio salário mínimo – 43%
Segunda menor expectativa de vida do Brasil – 67.6 anos.
Segundo pior PIB per capita do Brasil, atrás do Piauí.

A história da raposa velha foi um pouco, digamos até, sobrenatural. Foi eleito vice-presidente de Tancredo Neves. Tancredo morreu. “Zé do Sarney”, antigo nome de guerra, assumiu.
No dia 2 de fevereiro deste ano, foi eleito Presidente do Senado Federal do Brasil.
Não podia deixar de esquecer também a sua ilustre presença na Academia Brasileira de Letras. Dou um doce para quem conseguir ler alguma “obra” de Sarney até o fim.

Estripulias no circo

Na sua gestão foi acusado de inúmeros crimes: aumento de salário e cargos protocolados por atos secretos, nepotismo, crédito consignado, isenção de impostos, quebra de decoro e fraudes em sua fundação homônima.
A oposição pediu sua renúncia, fez pressão, mas Sarney resistiu firme e forte, como uma criança agarrada em seu pirulito.
Mas e o Conselho de Ética do Senado? Arquivaram as acusações. ÉTICA.

Um ser humano no Senado?

O senador Eduardo Suplicy, utilizou de um artefato que faria o brasileiro compreender melhor a situação, com um discurso inflamado, mostrou cartão vermelho para José Sarney. Sou apartidário, mas confesso que senti grande revolta ao ver Suplicy (o Eduardo, por favor, sem confusões) claramente alterado com a situação, enquanto a maior parte da corja ria do momento, e o senador Heráclito Fortes zombava – com aquela cara de sapo boi – a atitude do petista.

O que fazer?

A extinção do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado Federal seria um ótimo começo. Uma reformulação no Senado? Estupendo! E isso está também em nossas mãos.
Mas, como disse no começo, não sei ao certo. Não coloco minha mão no fogo por isso.
Pelo menos aqui, o silêncio não vai pairar no ar.
Acompanhemos esse bizarro circo, onde as maiores atrações são os políticos palhaços e o povo brasileiro com seu glorioso papel de bobo da corte.
Pau a pau com o Circo Stankowich, não?


Excelente depoimento do RAS Mc Léo Carlos:
http://www.youtube.com/watch?v=TsnhnmGF23c

Fonte dos índices: IBGE


Felipe Payão

28 de agosto de 2009

FUTEBIZARRICES - OS NOMES "ESTRANHOS" DO FUTEBOL BRASILEIRO

O futebol brasileiro é conhecido mundialmente por revelar grandes craques. Todo ano vários jogadores surgem como promessas e figuram como candidatos a novos Kakás, Robinhos, Ronaldinhos e outros.

Mas se alguns chamam a atenção por sua habilidade, outros chamam a atenção pela criatividade de seus pais. É cada nome que surge ano após ano. Alguns fazem uma mistura entre o português e o inglês e surge um nome em uma língua que às vezes nem o fulano que detém o nome consegue entender. Outros tentam inovar criando algo que nunca foi ouvido em lugar algum desse país.

Não coloquei na lista os apelidos, usei como critério apenas o nome de registro dos nosso boleiros, exceção feita a Kieza e Roni do Fluminense, Borges do São Paulo, o lateral Júnior de sucesso em grandes clubes e na seleção, Jeci do Coritiba e a Apodi, lateral do Vitória, Xaves do Avaí, Souza do Palmeiras, Soares do Cruzeiro e alguns outros menos famosos que vocês saberão o porquê na lista que segue. São 74 jogadores, apenas brasileiros e que jogam em times da série A do nosso futebol.

Dois jogadores também me chamaram a atenção, são eles, Juliano Cavalheiro, zagueiro do Sport e Thiago Gentil, atacante do Coritiba. Cavalheiro e Gentil são adjetivos que dificilmente se encontra nos campos de futebol deste país.

Em alguns faltam uma letra, em outros sobram, casos de Ernando e Demerson.

No São Paulo chama a atenção para Júnior César. Como pode o primeiro nome de uma pessoa ser Júnior se essa denominação é dada para identificar o mais jovem de uma família com um mesmo nome?

Welker, Hizel, Elivan, Clennyson, Humberlito, Gladstone, Elkeson, Mithyuê, Sheslon, são apenas um dos nomes da lista que vem a seguir, divirtam-se, mas não usem como inspiração.

Fransérgio Rodrigues Barbosa – Atlético -PR
Wallyson Ricardo Maciel Monteiro – Atlético - PR
Sheslon Lucas Lima Sant´Ana – Atlético - MG
Welton Felipe Marques Soares – Atlético - MG
Werley Ananias Da Silva Atlético – MG
Junior: Jenílson Ângelo de Souza - Atlético - MG
Jonílson Clovis Nascimento Breves - Atlético - MG
Uendel Pereira Gonçalves - Avaí
Ferdinando Pereira Leda – Avaí
Xaves: Clennyson Silva do Nascimento – Avaí
Paes: Enoque Vicente Paes – Avaí
Dinélson dos Santos Lima – Avaí
Pingo: Erison Carlos dos Santos Silva – Avaí
Laio Azeredo dos Santos – Botafogo
Teço: Wender Coelho da Silva – Botafogo
Jougle Manoel Rodrigues - Botafogo
Bill: Rosimar Amâncio – Corinthians
Jucilei da Silva - Corinthians
Jeci: Jecimauro José Borges – Coritiba
Demerson Bruno Costa - Coritiba
Thiago Gentil – Coritiba
Elicarlos Souza Santos - Cruzeiro
Jancarlos de Oliveira Barros – Cruzeiro
Athirson Mazzoli e Oliveira – Cruzeiro
Soares: Hiziel Souza Soares – Cruzeiro
Kieza: Welker Marçal Almeida – Fluminense
Roni: Roniéliton Pereira Santos – Fluminese
Adeílson Pereira de Mello - Fluminense
Jorbison Reis dos Santos - Flamengo
Marlon Ventura Rodrigues – Flamengo
Aleilson Sousa Rabelo – Flamengo
Iarley: Pedro Iarley Lima Dantas
Harlei De Menezes Silva - Goiás
Lusmar Teodoro Gomes Júnior – Goiás
Ernando Rodrigues Lopes – Goiás
Leonan Silva Adorno – Goiás
Roberson de Arruda Alves – Grêmio
Réver Humberto Alves Araújo – Grêmio
Saimon Pains Tormen - Grêmio
Maylson Barbosa Teixeira - Grêmio
Mithyuê De Linhares - Grêmio
Souza: Willamis de Souza Silva – Grêmio
Clemer Melo Da Silva - Inter
Arilton Medeiros Junior - Inter
Taison Barcellos Freda - Inter
Onildo Mouzinho Machado Filho - Náutico
Sidny Feitosa Dos Santos – Náutico
Gladstone Pereira Della Valentina – Náutico
Dinda: Elivan Costa Damasceno – Náutico
Glédson Ribeiro Dos Santos – Náutico
Rudnei da Rosa - Náutico
Eliton Deola - Palmeiras
Deyvid Franck Silva Sacconi - Palmeiras
Lenny Fernandes Coelho - Palmeiras
Souza: Elierce Barboza de Souza - Palmeiras
Madson Formagini Caridade – Santos
Neymar da Silva Santos Júnior – Santos
George Lucas Coser – Santos
Dininho: Irondino Ferreira Neto – Santo André
Ávine Junior Cardoso – Santo André
Osny Almeida Pereira – Santo André
Lelo: Wellengton Carlos de Amorim – Santo André
Aislan Paulo Lotici Back – São Paulo
Richarlyson Barbosa Felisbino – São Paulo
Marlos Romero Bonfim – São Paulo
Júnior César Eduardo Machado – São Paulo
Borges: Humberlito Borges Teixeira – São Paulo
Juliano Cavalheiro - Sport
Apodi: Luís Dialisson De Souza Alves - Vitória
Gléguer Zorzim - Vitória
Reniê Almeida Da Silva - Vitória
Elkeson De Oliveira Cardozo - Vitória
Uelliton Da Silva Vieira - Vitória
Ernandes Dias Luz - Vitória

Renato Souza

27 de agosto de 2009

DITUDUMPOCO - REPÓRTER LIGA O GRAVADOR E MANDA BALA PELA CIDADE


Estagiário da rádio Paulicéia, Juvenal Juvenil extrapola no fala povo.

-O que você pensa disso? É proibido fumar diz o aviso aqui.
Mostrando o cartaz da lei antifumo, dispara, sem consulta prévia, sobre o cidadão que passa tragando tranquilamente.
O abordado é Paulo Cunha, vendedor ambulante, 45 anos, paulistano do bairro de Tucuruvi, que responde revoltado e diz que só poderia partir de um Serra. “Serra”, para quem não sabe, significa, na gíria, aquele que fuma, mas nunca compra cigarros. O entrevistador não entendeu bem, mas sentiu que os pitadores inveterados estão em pé de guerra.

Questiona então outro fumante e, nesse ínterim, passa um caminhão soltando enormes baforadas de fumaça negra. Ambos suspendem a respiração:
- Olha aí - diz João Borba, 38 anos - é foda! Isso pode né? Os automóveis também fumam, e como fumam. São cerca de 6 milhões baforando dia e noite. E o Dr. Dráuzio Varella não aparece com o “fumaçômetro” para medir o grau de gás carbônico no peito do pedestre que atravessa a cidade.

Quando Juvenal esboça um comentário, ouve os entusiasmados brados que surgem de repente:
- Isso é outra coisa!
Retruca o não fumante, Carlos Barbosa, Funileiro, 28 anos, que passava e percebeu que se tratava da Lei antifumo. Com um olhar vitorioso pela recente lei, que parecia considerar uma conquista pessoal, emendou solenemente e batendo no peito:
- Graças a Deus desconheço o gosto de um cigarro.

Já Celsão, previsto como último entrevistado do dia, 42 anos, ex-fumante, proprietário do bar Açaí e Cia, disse que a lei antifumo ia incrementar seu negócio:
- Ta vendo os vizinhos!
Declarou e, antes de explicar sua tática, apontou a loja de motos e o instituto de estética colados à direita e à esquerda do seu negócio:
- Eles não abrem durante noite, certo?
E seguiu contando que alugou os respectivos espaços nas calçadas e vai instalar mais de trinta mesas ao ar livre, para que ali os fumantes estejam à vontade:
- A fumada livre vai garantir um faturamento maior.
Arrematou orgulhoso.

Quando terminava os trabalhos, já com o gravador desligado e pronto para deixar o local, o repórter é surpreendido outra vez. Surge um tipo cinqüentão, é Jean Carlos Azevedo, velho hippie que sobrevive vendendo artesanato. Um tanto irônico, pediu para falar, e ao notar que o repórter consentia soltou o verbo afirmando estranhar que o governador Serra, ex-exilado, ex-ativista das liberdades democráticas, ex-líder estudantil socialista - o mesmo Serra que um dia posou abraçado com o Caetano Veloso, nos anos 70, e até cantou a canção: “É proibido proibir” - venha agora com essa lei:
- É... O poder deformou o caráter desse cara.
Lamentou, lisérgico, seguindo caminho com sua banca móvel pendurada ao pescoço.

Claudio Zumckeller

MISCELÂNEA - UMA AMIZADE MENDIGA


Baila está muito magra, com sarna e late sempre que alguém se aproxima da carrocinha de madeira, com rodas de fusca, pneus gastos. Pequena e preta, a vira-lata é companheira do carroceiro Francisco de Assis Lopes, aparentando bem mais que os declarados 56 anos, paraibano de Campina Grande, também magro como Baila, cabelos grisalhos, pele marcada pelo sol.

Está nas ruas desde 1979, quando foi demitido da Scania, em São Bernardo do Campo. Chicão, como era conhecido pelos colegas da fábrica, fazia parte do primeiro turno da usinagem, onde eram estampados paralamas de vários modelos de caminhões. Trabalhava na companhia havia oito anos. Politizado, Lopes procurou a sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e Região. Lula presidia o sindicato.
"Eles só queriam saber da contribuição sindical. Nunca fui ajudado por eles. Fiquei na mão", acusa Chicão. "Pô, eu era o primeiro a chegar na porta da fábrica nas reuniões do sindicato. Acho que foi por isso que me mandaram embora".

Hoje ele cata papelão, latas, madeira, tudo que der alguns trocados. Baila, também conhecida como Pretinha, o acompanha desde filhote. "Ela estava no lixão onde vou buscar 'bagulho' pra vender. Estava quase morrendo. Dei comida da minha boca para ela", emociona-se.
Chicão também chora pela família perdida. A esposa o deixou três meses depois da demissão. Foi viver com um vizinho que, de acordo com o andarilho, "é um desavergonhado que roubava a pensão do pai". Ele conta que tinha dois filhos, um de 8, outro de cinco. Estudavam em escola pública próxima ao bairro onde moravam, na Vila Paulicéia, na divisa entre Diadema e São Bernardo. Nunca mais os viu.

Entre 1979 e 1990, mendigou nas ruas de São Bernardo, apanhou da polícia, usou drogas, se diz um sobrevivente. "Já vi meninos de seis, sete anos se drogando. Aquilo me deixou doente. Decidi parar com as branquinhas", queixa-se Chicão, com uma ponta de raiva. Pelas branquinhas entenda-se crack, cocaína e pinga. "Às vezes era álcool 'Zulu' misturado com geladinho ou suco vencido dos vendedores de churrasquinho grego", recorda-se o ex-metalúrgico.

Com várias marcas e cicatrizes pelo corpo, Chicão anda com dificuldades. Foi atropelado duas vezes, uma delas na Via Anchieta. Tentou se matar. "Estava tão triste, não tinha chão, pulei na frente de um carro, mas a madame andava tão devagar que só quebrei as pernas e os braços", ironiza o "dono" da vira-latas. O outro acidente foi em Santo André. Ele tentou andar com a carrocinha na Perimetral, uma via expressa que atravessa o centro da cidade. Dois carros estavam emparelhados e não conseguiram diminuir após uma curva. Ficou dez meses no hospital.

Os bairros do Glicério e da Liberdade são suas moradias. Marquizes, viadutos, praças, qualquer local que proteja a ele e a sua inseparável amiga da chuva ou do fri o. Não gosta de albergues. "Lá eu sou só mais um. Na rua, eu e a Pretinha ficamos com Deus. Ele nos guia e nos protege", filosofa. O carroceiro não se lembra de seu antigo endereço, nem da cor da casa. Só se lembra da marca da televisão. "Era uma Zenith pesada, de seletor, demorava cinco minutos para ligar", consegue divertir-se.

A carrocinha está cheia. Tem algumas embalagens de papelão catados no Brás, duas caixas de isopor "para a Baila dormir quentinha". Barras de ferro doadas numa construção no Glicério. Vigas de caibro achadas na Liberdade. Muito jornal e revista, tudo doação de "pessoas boas de coração". Está contente, acha que pode pegar entre 15 e 20 reais. "Dá para comer e ainda sobra para o cigarrinho", comemora.
O único vício que restou para Chicão foi o cigarro. Quer parar, pois "não dá para sustentar, o maço é caro e pedir na rua te olham torto, só faltam te xingar". Baila permanece sentada ao lado do carroceiro o tempo todo . "Eu tinha outro vira-lata, o Manolo, que morreu de velho", ralata orgulhoso o ex-metalúrgico.

Com o olhar perdido, Chicão nunca encara o interlocutor. Está sempre de cabeça baixa, esfregando as mãos ou mexendo nas coisas da carrocinha. Ajeita de lá, acerta dalí, sorri nervoso, envergonhado com suas condições. Francisco de Assis Lopes sonha com a carteira assinada novamente. "Meu último registro foi da Scania", diz. Decepcionado com o governo Lula, o ex-metalúrgico toma a liberdade e, citando Shakespeare sem saber, diz que o sonho "não durou uma noite de verão".

Ele despede-se de mim com um aperto de mãos firme. É a primeira vez que me encara. Agradece minha preocupação. Sorri nervoso mais uma vez, agora brigando com Baila, que late para mim ao se afastar. "Para, pretinha! O moço é gente-fina". Chicão vira a esquina, talvez imaginando sua próxima refeição ou ainda sonhando com o carimbo do FGTS na carteira de trabalho.


Rodrigo De Giuli

26 de agosto de 2009

MISCELÂNEA - GENOCÍDIO BANDEIRANTE HOJE É VISTO COMO HISTÓRIA DE GLÓRIAS


O discurso oficial distorce a realidade sobre os bandeirantes. Paulistas acreditam que eles foram grandes heróis, mas eram assassinos em massa

Em 1639, aproximadamente 300 homens armados invadiram a cidade de Guaíra, no Paraná, para capturar índios e fazê-los escravos. Recém cristianizados pela missão jesuítica espanhola, os nativos, encurralados na igreja local, foram queimados junto com ela. Além dos que morreram carbonizados, outros, ao tentar reagir, mutilados e depois mortos, não serviam mais para o trabalho escravo.

Os invasores mataram crianças e queimaram pessoas vivas para aterrorizar os índios e evitar resistências. Após o massacre, os sobreviventes foram acorrentados e forçados a viajar até São Paulo. A descrição do massacre acima é do padre espanhol Ruiz de Montoya, e os assassinos são os bandeirantes, paulistas conhecidos como grandes desbravadores. Para explorar o Brasil viajavam com espadas, espingardas, foices e correntes e surpreendiam aldeias, dizimando comunidades inteiras “com a maior brutalidade já vista no mundo”, assinala Montoya.

Economia escravista

No início do século 17, São Paulo era única região da colonia portuguesa que não dependia de negócios com a Europa. Os outros locais localizados no litoral lucravam com a cana-de-açúcar, uma das mercadorias mais valorizadas na época. As terras paulistanas impróprias para a cana impulsionaram os aventureiros a captura e comércio de indígenas, pilar da economia paulista até o final do século 18. Chegando a São Paulo, os nativos eram escravizados em lavouras na capital e em cidades vizinhas.

Para se ter a dimensão do genocídio, aproximadamente dois milhões de nativos foram mortos só no Maranhão. Outro padre, Antonio Vieira, colheu depoimentos de alguns desses escravizadores que não paravam de falar “nos tiros que deram; nos que fugiram, nos que mataram, como se falassem de uma caçada e não valessem mais as vidas dos índios as dos animais”

História mal contada

Muitas são as homenagens aos bandeirantes. Na terra da garoa há estátua de Borba Gato; o Monumento às Bandeiras, a enorme canoa por desbravadores diante do parque do Ibirapuera; além das rodovias Raposo Tavares e Fernão Dias, entre outras.
Essa ovação vem desde o final do século 18, consagrada pela revolução constitucional de 1932, quando os paulistas guerrearam pela volta da Constituição na ditadura Vargas. A população era bombardeada por cartões, músicas, jornais e poemas enaltecendo os bandeirantes, estratégia útil para reforçar o sentimento heróico de um Estado em guerra.

Mesmo com as críticas de historiadores, ainda há livros que reforçam o velho discurso, como o destinado a sexta série chamado História: das cavernas ao terceiro milênio, da editora Moderna, escrito por Patrícia Braick e Miryam Becho. A obra aprovada pelo MEC trata brevemente de índios escravizados por bandeirantes, e não cita, sequer, um índio morto. As gravuras dos presumíveis “heróis” representam homens vestidos com pompa. Mas, ao contrário, “os bandeirantes andavam descalços e sujos”, afirma a museóloga Laíse França.

Thiago Menezes

25 de agosto de 2009

REFLEXPRESS - MAKING OFF DE TROCA DE ELITE


Estávamos prontos para ir ao cinema. Já tínhamos cuidado dos nossos animais. A noite prometia. “Tropa de Elite” era a fita.

Porém o inesperado, de repente um susto! Houve troca de elite, pára tudo! Como assim, o que é isso? É desordem estabelecida, porra!!! Nada disso, isto é uma ordem! - Soou aquela voz, veio do fundo da sala.
- Perdeu, pede para sair! Ordinário marche!- prosseguiu autoritária. - Mão pra cabeça! Aqui é o Ibope, caralho!!! - Constrangidos seguimos cegos seus decididos passos. No sobe e desce constante, o comentário era geral. Enquanto o papagaio bicava milho, a maritaca comia o mingau. Até aí tudo certo.

Não fosse a juventude que o frescor de uma alva rosa cheirada deixou impregnada no ar, quem sabe, tarde, ainda, algum desesperado pretendesse trazer alguma certeza. Chegou então o avião, desembarcou, de mala e cuia, uma trouxa sem dono e sem destinatário. Fogo na bomba! Sobrou o silêncio solene. O gelo na espinha dorsal. Quem dera ficasse alguém para conversar sem fone de ouvido, nem chamada celular. Todos estavam preocupados com seus umbigos. Correria mental.

Depois de alguns “males estares” passageiros sobreveio o estranho bem-estar.
- Está desvendado! acabou o mistério.- denunciou a voz do auto falante. - Agora sabemos quem é o culpado de tudo. Ele anda nu por ruas incertas. Em locais ignorados, divide suas moradas com o fantasma do pirata dos sete mares. Em entrincheiradas campanas, espalhados pelos quarteirões escuros, os escafandristas urbanos o aguardam sedentos de sangue.

– Chega de palhaçada!- gritei como se fosse eu o verdadeiro diretor. Desliguem as câmeras, apaguem as luzes. Corta!! Corta pô! Agora é a hora da cena do baile em que a musica é escassa e abunda a poesia. Vamos ensaiar!
- Nada! Nada disso! - Gritou um intruso. - Agora é a cena suicida do senador. Aproveita o catchup enquanto ele folheia a revista pornô e apunhala o próprio ventre. No asfalto, a foto do crime deve cobrir o rosto do defunto, e bela, a dama vai bailar a meia luz.
“E ao som desse bolero, vida, vamos nós e não estamos sós, a orquestra nos espera”.
Dançando, sim, dançando com alma, sussurremos com nossos últimos suspiros, é o fim!

– Estamos fora dessa cena , ela e eu, está decidido, estamos fora! – desabafei exausto – e tem mais! – prossegui convicto.- Se quiser saber, nossa arte não quer imitar a vida; nem esta tampouco aquela quer arremedar.
Que Merda!! Arte é arte. Berimbau não é gaita. Goiabeira não dá manga. Ninguém dá o que não tem.


Claudio Zumckeller

FUTEBIZARRICES - O QUE ROLA PELO MUNDO 3

SÉRIE SUPER CAMPEÕES!

Kosovo

(encerrado – Parabéns KF Prishtina!!! Clube que mais conquistou o campeonato do país, com 12 títulos)

Pos Time Pontos
1 KF Prishtina 57
2 KF Besa 50
3 Kf Vëllaznimi 49
4 KF Trepça 49
5 Kf Kosova Vushtrri 48
6 Kf Gjilani 47
7 Kf Hysi 46
8 Kf Flamurtari 46
9 Kf Drenica 45
10 Fk Ferizaj 44
11 KF Trepça´89 42
12 Kf Ulpiana 36
13 KF Istogu 33
14 KF 2 Korriku 29
15 KF Besiana 26
16 KF Drita 23

Vietnã

(Encerrado em 23/08 – Parabéns Da Nang!!! Primeira conquista da equipe!)

Pos Time Pontos
1 Da Nang 50
2 Becamex BD 43
3 Song Lam Nghe 43
4 T&T Ha Noi 39
5 Dong Thap 38
6 Gia Lai Plei Ku 37
7 Hai Phong 36
8 Khánh Hoà 35
9 The Cong 35
10 Long An 34
11 Quan Khu 4 33
12 Nam Dinh 31
13 Ho Chi Minh 29
14 Halida Thanh Hóa 19

Suriname

(Encerrado - Parabéns Walking Boyz Company!!! Terceiro caneco para a galeria!)

Pos Time Pontos
1 Walking Boyz Company 48
2 SV Leo Victor 42
3 Inter Moengotapoe 34
4 SV Transvaal 30
5 SV Boskamp 30
6 SV Voorwaarts 27
7 SV Robinhood 27
8 FCS Nacional 25
9 SV Excelsior 19
10 Super Red Eagles 16
11 SCVS Takdier Boys 10

Mali

(Encerrado em 30/07– Parabéns Djoliba!!! Infelizmente, não há informações sobre o Championnat e seus campeões, mas irei atrás para fazer justiça ao grande vencedor!)

Pos Time Pontos
1 Djoliba 55
2 Cercle Olympique 49
3 Stade Malien 48
4 USFAS Bamako 40
5 AS Real Bamako 40
6 Centre Salif 38
7 Asko 35
8 Duguwolofila 33
9 Stade Malien De Sikasso 33
10 Jeanne D´Arc 32
11 As Bakaridjan 27
12 Onze Créateurs 27
13 As Bamako 25
14 Al-farouk 08

Ilhas Fiji

(Encerrado em 05/07 – Parabéns Ba FC!!! Trigésimo titulo da história – o décimo sexto seguido!!!)

Pos Time Pontos
1 Ba FC 32
2 Lautoka 28
3 Navua FC 25
4 Nasinu 16
5 Suva 14
6 Nadroga 13
7 Rewa 09
8 Nadi 05
9 Tavua 05
10 Labasa FC 03


Gabriel Lopes

24 de agosto de 2009

MISCELÂNEA - O BRAZIL FORA DO BRASIL


Se você for para algum país aprender a língua inglesa, cuidado com os brasileiros.
Eles falam que são eles que te ajudam sempre que você precisa. Eu sei que fazer amizade com brasileiros é sempre mais fácil, mas na verdade, qualquer amigo independente da nacionalidade, se realmente for seu amigo, irá te ajudar. A diferença é que brasileiros são metidos a camarada. Isso pode não ser bom dependendo de seus reais objetivos.

Meu objetivo: Ficar na Irlanda até terminar o curso de inglês e receber o certificado do Cambridge, aproveitar que estou em um país diferente para vivenciar a cultura e a língua, usar a oportunidade que tenho para montar meu portfólio e ganhar mais experiência como fotógrafo. Voltar para o Brasil sem nunca mais perder uma oportunidade de emprego por não ser fluente em inglês.

Pelo que vejo, mais de 90% dos brasileiros não estão na Irlanda para aprender inglês. Isso é usado como pretexto por muitos para permanecer legalmente em um país que paga um mínimo de €8,30 por hora. Sinceramente, a maioria não esta nem aí em aprender inglês. A maioria se isola em comunidades brasileiras, fazendo o velho arroz com feijão em casa, assistindo Gugu, Faustão, novelas, além das rádios brasileiras que acompanham pela internet. Ou seja, transformam tudo que podem em "Brasil", morando apenas com brasileiros que, normalmente, se recusam a praticar inglês e vão para escola o mínimo possível para que não percam o visto. Isso tudo resulta em inúmeros brasileiros que estão há mais de um ano na Irlanda falando um inglês precário. O único interesse destes está no salário que recebem semanalmente em subempregos.

Obviamente, eles não vão poder ficar na Irlanda para sempre. Renovam o visto por 3 ou 4 anos consecutivos, mas uma hora o visto será negado. Se não se casarem com um (a) Europeu (ia) de algum país membro da União Européia, ou se não ficarem ilegais na Irlanda, eles terão que voltar para o Brasil com o dinheiro que sobrou das viagens pela Europa e produtos de marca. O que fazem a partir de então? Viram professores de inglês de uma escola fundo de quintal, que paga uma miséria e que aceita o precário inglês do professor que "morou fora"?

O dinheiro que foi juntado uma hora acaba. Boa parte foi deixada na imigração com o pagamento do imposto. A tendência deles é continuar suas vidas a partir de onde pararam quando saíram para viajar. Ganharam vivência, experiências, lembranças, mas não trouxeram de volta algo que seja válido para continuar a vida em um país em que não é possível sobreviver confortavelmente como faxineiro, fazendo lanches em fast-food, entregador de jornal ou de pizza. É isso que esta acontecendo com boa parte dos brasileiros que conheci na Irlanda e que foram obrigados a voltar para o Brasil. Até tentam empregos que exigem a fluência da língua, mas não chegam a passar na prova.

Ainda existem brasileiros frustrados iguais a mim. Que nunca foram nas festas brasileiras que acontecem todo final de semana, que nunca entraram nas lojinhas de comida típica brasileira e que tenta convencer os amigos brasileiros a usar o inglês para praticar e vivenciar a língua. Somos chatos, nos recusamos a andar apenas com brasileiros, só lemos sites de noticias brasileiras que falem sobre o Brasil. Temos jornais na Irlanda, para saber o que acontece no mundo a fora e na própria Irlanda. E somos diferentes porque estamos informados acompanhando o que a imprensa fala. Até mesmo sabemos quem é o Presidente e o Taoiseach do país. Tudo isso, para aproveitar ao máximo o dinheiro e esforço gasto para sair do Brasil, para naturalmente pensar em inglês e sonhar em inglês todas as noites, para realmente se sentir em outro país e inserido em outra cultura. Oportunidade que nunca haverá no Brasil, onde existirá Gugu, Faustão, novelas, rádios, festas e onde poderemos usar o português para o resto de nossas vidas.

Se você for a algum país para realmente aprender inglês e voltar para o Brasil com a expectativa de conseguir mais oportunidades, não deixe de ter amigos brasileiros, mas não se isole no mini-Brasil das comunidades brasileiras. Aproveite o momento para realmente conhecer o país em que você se encontra e aproveite para fazer amizades com estrangeiros. Eu garanto que sua experiência será muito mais enriquecedora desta maneira. Isso não é negar a raça, não é deixar de ser brasileiro, mas sim ser um brasileiro mais rico em aprendizado, experiências e oportunidades duradouras.

Portfólio: http://marciofs.daportfolio.com

Marcio Faustino - Correspondente da Irlanda

22 de agosto de 2009

REALPOLITIK - PONTAL DO PARANAPANEMA: TENSÃO NA LUTA PELA TERRA


Prosperidade da região não esconde os problemas enfrentados por sem-terras e assentados, que vão desde falta de alimentos até transporte irregular.

O dia ainda estava longe de clarear quando tomei o rumo oeste do Estado de São Paulo. O maior fluxo de veículos na rodovia Castello Branco era no sentido contrário, em direção à capital. Após Espírito Santo do Turvo, chego à rodovia Raposo Tavares, em Ourinhos. Tinha percorrido 370 quilômetros. De lá até Presidente Prudente, principal cidade do Pontal do Paranapanema, são mais 200 quilômetros.

Pelo caminho, muita chuva e uma paisagem que muda quanto mais me distancio da capital. O verde é onipresente, em seus vários tons. Florestas de eucaliptos para a indústria de papel e celulose, vastas áreas com pastagens, cafezais – sim, ainda existem alguns cafezais pelo interior – e muitos, muitos canaviais.

Chego em Prudente após quase 600 quilômetros e R$ 35,80 gastos em cinco praças de pedágio. A cidade tem 230 mil habitantes. A partir dela, pretendo traçar um panorama da região que durante anos foi, e ainda parecer ser, uma das mais tensas na luta pela terra no Brasil. Lá mora, por exemplo, o lendário líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), José Rainha Júnior.

Presidente Prudente é o símbolo da prosperidade do agronegócio. Na hora do almoço, picapes desfilam e o movimento em grandes lojas de insumos agrícolas em nada lembra uma cidade média. As ruas estão cheias, há filas nos bancos e, embora a crise esteja batendo à porta, muitos consumidores carregam sacolas.

As duas principais avenidas da cidade se cruzam no centro. A ironia é que seus nomes são os mesmos de dois dos maiores latifundiários e grileiros que já existiram no Pontal. A história vergonhosa está contada e comprovada na tese de mestrado “Espacialização e territorialização da luta pela terra: a formação do MST”, de Bernardo Mançano Fernandes, doutor em Geografia Humana da Universidade Estadual Paulista, (Unesp).

Foi assim: Manoel Pereira Goulart e o coronel José Soares Marcondes, donos de grandes áreas na região, realizaram todo tipo de falcatrua para legalizar terras que eram do Estado, de pequenos produtores e de índios. No final do século 19, para fugir da Justiça Imperial, os dois trocaram os falsos documentos de posse, obtidos através de grilagem, e, assim, deram um nó jurídico na situação territorial, imbróglio que nem o Estado conseguiu resolver, apesar das tentativas. Além da tese de Mançano, o repórter Carlos Azevedo, na revista Caros Amigos, em maio de 1997, resumiu a história.

Na esquina das duas avenidas, poucos sabem quem foram os personagens que as nomeiam. O balconista da farmácia em frente, Manuel de Oliveira, 37 anos, sabe apenas que eles “são os fundadores de Prudente”. A também balconista Alessandra Verazzi, 25, é outra que nada sabe sobre a dupla Marcondes e Goulart. O aposentado Renato Schiavinatto, 76, sabe um pouco mais. Batendo no peito e apontando para a placa, dispara: “estes dois aí foram grandes proprietários de terra e, se bem me lembro da história, eram donos de quase todo o Pontal”.

Sindicatos fechados, trabalhadores na lida

Sexta, 31 de outubro de 2008, meio-dia. Pego a estrada em direção à divisa com o Paraná. Dirijo 70 quilômetros até Mirante do Paranapanema. Pouco depois das 14 horas, fui à procura do sindicato dos trabalhadores rurais. Encontrei, mas estava fechado em horário comercial, assim como em Presidente Prudente, Presidente Bernardes e Sandovalina, cidades com graves conflitos agrários, assentamentos e acampamentos do MST.

Na volta à Prudente, encontro gente trabalhando num acampamento do MST em Nova Pátria. Izaías Lima, o Bigode, 54 anos, está no movimento desde 1993. Já foi assentado e teve de sair porque sua esposa ficou doente e, por causa da ausência de mais de 90 dias, perdeu a posse da terra. “É uma luta difícil, estamos há nove meses sem receber nada do governo. Eles até mandavam cestas-básicas, cobertores, mas agora estamos vivendo da ajuda de outros acampados”. O acampamento estava sendo reconstruído após as chuvas da madrugada, cuja ventania destruiu várias das típicas barracas de lona preta.

Ao lado de Izaías, o agricultor Aparecido Luís dos Santos, 60 anos, há seis anos no MST, corta o capim na beira da estrada. Segura o cabo da enxada com firmeza, apesar das mãos trêmulas após o derrame que sofreu há três anos. “Prefiro viver na luta com minha mulher do que a vida que eu levava trabalhando como escravo em outras fazendas”, relembra. “Já vivi em São Paulo, trabalhei na Seven Boys, mas meu lugar é no mato, com umas vaquinhas, hortinha e minha velha”, brinca, bem humorado.

Cordiais, os dois têm a fala mansa do interior. Olham o tempo todo para o chão, mas o caráter é firme como o dos que querem apenas garantir seus direitos. “Lula só apoiou nossa luta. Assentamento que é bom, não fez nenhum”, critica Izaías. Mais contundente, Aparecido diz que nunca pensou em ser traído por um governo popular. “O dono da fazenda Floresta-Marabá, Joaquim das Neves, queria entrar em acordo, aceitou os valores, mas na hora de gastar, o Ministério da Agricultura, o Incra, todos eles, deram para trás”, queixa-se Aparecido.

Após quase duas horas de prosa, voltei à estrada para Presidente Prudente. Procurei a sede da União Democrática Ruralista (UDR), no centro da cidade. Grande ironia: o prédio fica na avenida Coronel José Soares Marcondes, aquele membro da dupla que grilou o Pontal. Não passei da portaria. A atendente (no crachá só constava o nome “Rosa”) disse que não havia ninguém da entidade que pudesse me receber. Telefonei, mas num final de sexta-feira não fui atendido.

Colheitadeiras modernas e a quarta maior usina do Brasil

Manhã de sábado. A chuva não dá trégua. Impossível dirigir. Mesmo no asfalto, os buracos transformam a viagem num atordoante chacoalhar. Contudo, entre Presidente Prudente e Promissão, já no noroeste do Estado, entrei com barro até o tornozelo num grande canavial. Fiquei curioso com seis colheitadeiras mecânicas. Enquanto a máquina cortava cana, separava e cuspia a palha e as folhas, um “rodotrem” (caminhão outrora chamado de “treminhão”, com três módulos de carga) acompanhava a colheitadeira e dela recebia 60 toneladas.

Uma das seis máquinas, fabricada na Itália, estava quebrada. Três mecânicos revezavam-se no conserto do rolamento. Jurandir Alves dos Santos, 23 anos, brincou que, se o problema não fosse rapidamente resolvido, o usineiro “pulava no nosso pescoço”. A fazenda Bela Vista, entre Sagres e Teçaindá, perto de Bastos, produz cana para a Usina Equipav, em Promissão. Cada máquina colhe, em média, 500 toneladas a cada 24 horas. “Elas só páram se houver defeito”, explica Santos.

No caminho de Promissão, na rodovia Marechal Rondon, logo após o pedágio de Guaiçara, avistei uma grande usina. A Equipav, complexo de 500 mil metros quadrados, recebe caminhões de cana 24 horas por dia. É uma das quatro maiores do país. Com capacidade de moer 6,2 milhões de toneladas de cana a cada safra, está perto de alcançar o máximo da produção. A fumaça expelida exala forte cheiro e, da estrada, sua imponência impressiona.

O Grupo Equipav também atua na construção civil, concessão de rodovias e coleta de lixo. Devido à crise econômica mundial, a empresa adiou um investimento de US$ 250 milhões na construção de duas novas usinas de álcool e açúcar, em Goiás e Mato Grosso do Sul. Sem fazer o investimento, mais de mil empregos deixaram de ser criados. Segundo o Ministério Público do Trabalho, há, no Estado de São Paulo, cerca de 300 usinas.

Terra prometida?


Promissão tem pouco mais de 35 mil habitantes. Há uma década, passava por grandes transformações com a chegada dos acampados do MST. A “terra prometida” parecia propiciar a salvação da lavoura. Assentados, os agricultores faziam muitos negócios e consumiam na cidade, trazendo prosperidade ao comércio local. “A história de Promissão se divide em antes e depois do assentamento”, era o que se ouvia na época.

No entanto, as opiniões mudaram em relação à presença dos assentados do MST. Poucos falam sobre o assunto. No posto de combustível na entrada da cidade, as duas proprietárias não dão declarações. O frentista, identificado apenas como Édson, disse que “o pessoal dos assentamentos já não gasta aqui como antes”.

No assentamento, pequenas propriedades cultivam hortaliças, cabeças de gado e até a onipresente cana. Em quase todas as casas há parabólicas e carros de passeio. Rodei pelas estradas de terra da região, mas nenhum assentado quis conversar. Montado num cavalo e seguido por dois cachorros, Salvador Antunes, 70 anos, usando chapéu de couro, disse apenas que o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Promissão poderia falar por eles. “Não posso falar nada, só lá no escritório”. Procurei novamente a presidente do sindicato, Neuza Thomáz de Santana, em férias segundo a atendente Roseli Aparecida dos Santos.

Na loja Agrícola Promissão, ao lado do mesmo Sindicato, o gerente Luís Eduardo Cavalcanti afirma: quem mais gasta são os fazendeiros. “Os assentados compram muito pouco, sempre à prazo e nem sempre pagam”, explica Cavalcanti. Um dos assentados que abastecia naquele momento relatou que há muita pressão do Sindicato para assentar mais sem-terras, mas no município não há mais espaço. Pior: os fazendeiros da região ainda se organizaram contra os assentamentos. A tensão entre pequenos e grandes produtores chegou à cidade. “Os comerciantes estão preocupados”, conclui Cavalcanti.

Transporte de trabalhadores – parece para gado

No dia 20 de outubro, a Polícia Militar Rodoviária (PMR) realizou operação de fiscalização do transporte rural no quilômetro 331 da rodovia Assis Chateaubriand, em Santópolis do Aguapeí, próximo à Araçatuba. Apreenderam oito ônibus e autuaram 15 motoristas. Os veículos, muito velhos, apresentam inúmeros problemas: falta de freios, lanternas queimadas, nenhum cinto de segurança, vazamentos de óleo e combustível e habilitação vencida dos motoristas. A Base Operacional da PMR, de Lins, responsável pela área da operação, faz bloqueios constantes para coibir o transporte irregular. “O problema é que tem as vicinais, onde os ônibus rodam mais”, explica o soldado Fernandes.

Dias depois, na madrugada de 30 de outubro, o policiamento rodoviário fez uma mega-operação em 25 cidades e seis rodovias da região. De acordo com o Primeiro-Sargento Dércio Carrasco, de Bauru, o trabalho tem o apoio do Ministério Público e da Delegacia Regional do Trabalho. “É uma pena que não dá para chegar nos usineiros, pois o transporte é feito por terceiros”, explica o militar.

Tive acesso ao relatório da polícia. O saldo é preocupante: falta de registro em carteira, menores de idade trabalhando em lavouras de laranja, foices e facões largados no chão dos veículos, motoristas flagrados com habilitação vencida e até adulterada, bóias-frias transportados de pé, além das dezenas de multas aplicadas por falta de equipamentos e péssimas condições de conservação.

A volta

No domingo, após percorrer 1.540 quilômetros em vias principais, vicinais e federais, testemunhei as péssimas condições de trabalho de bóias-frias, o descaso das autoridades com assentados, pequenos agricultores e sem-terras. O que vi no Pontal do Paranapanema é um MST extremamente articulado e organizado – fazendeiros, usineiros e a UDR também. Com poucos assentados e muita terra improdutiva, pronta para a reforma agrária, a tensão na conflituosa região é grande.

No caminho de volta à capital, recordei as histórias dos personagens que nomeiam algumas estradas por onde passei. A principal delas, rodovia Castello Branco, foi batizada em homenagem ao primeiro general-presidente do regime militar, após o golpe de 1964. Parente distante do escritor José de Alencar, Castello Branco assinou o Estatuto da Terra, estopim de todos os conflitos agrários posteriores. Triste coincidência.

Rodrigo De Giuli

21 de agosto de 2009

REFLEXPRESS - UM PRESENTE, PASSADO E FUTURO?


Em um único e mesmo tecido reproduzem-se, a partir da invenção da linguagem escrita, as mais diversas faces do poder, a história.

A expansão territorial de grandes impérios, o predomínio de determinados povos sobre outros tiveram, através dos séculos, seus relatos dramatizados sob a chancela de narrativas mitológicas, romanceados pelos historiadores oficiais e exaustivamente multiplicados pelos difusores eletrônicos. As invasões territoriais, os impiedosos genocídios e as expropriações culturais ganharam a vestimenta fantástica de contos ao sabor das mil e uma noites.

Dessa maneira a evolução científica e os avanços tecnológicos, as artes e seus movimentos revolucionários, as políticas econômicas internacionais e as relações das sociedades humanas justificaram-se perfilados ao que se convencionou como única finalidade da espécie: dominar tempo e espaço definitivamente. A submissão de tudo o que existe em prol da felicidade humana.

Entretanto surge a questão: a quem interessaria a identificação de discrepâncias entre a realidade e a aparência? O reconhecimento, ainda que desinteressado, acerca do caráter diverso que envolve o que o ser humano tem sido e aquilo que ele tem pretendido representar.

Sobrou para o homem, como sujeito, gozar sua liberdade responsável e lúcida, batalhar pela queda das máscaras, longe de qualquer “demonização” dos projetos evolutivos. Impor assim que o conhecimento científico, as forças econômicas e o domínio das tecnologias, sobretudo na esfera da informação, convivam com movimentos criativos, presenças que façam justiça ao presente.

Mesmo que os clássicos, os modernos e contemporâneos, radicais revolucionários e reacionários convictos, paradoxalmente ligados, sigam pronunciando suas vãs repetições em um mágico eixo de representações. Há que se desconstruir, os lugares comuns que tem fundamentado, através dos milênios, a revitalização dos processos de perpetuação das desigualdades sob o glorioso manto do inato.

Claudio Zumckeller

20 de agosto de 2009

UMUNDUNU - RECLAMAÇÕES [?] DE UM PAULISTANO

Criaram a Lei Cidade Limpa e acabaram com toda a poluição visual que destruía alguns pontos desta cidade. Quanta diferença. Principalmente se você somar a isso o fato de algumas edificações terem modificado e modernizado suas fachadas. Alguns deram uma pintada (há, há, há) na parte da frente, mas já foi alguma coisa. Quem se deu mal foi o pessoal da Formula 1, afinal quem não se lembra dos outdoors durante as corridas?
Logo depois aumentaram a restrição ao rodízio de veículos, acrescentando os caminhões, sendo esses de São Paulo ou não. Restringiram também a circulação de ônibus fretados em determinados pontos da cidade. Tudo isso visando à melhoria do trânsito, que estava (ainda está) a beira de um colapso. Compraram veículos novos, metrôs e trens também. Investiram pesado no transporte público.

Não se pode mais fumar em ambiente fechados, muito menos dirigir embriagado. Chamar meu amigo negro de negão pega mal, de veado o afeminado também. O gordo e o magro se podem zoar à vontade, pelo menos por enquanto.
No banco tenho que ser atendido em 15 minutos, se quiser não recebo mais ligações de telemarketing às 3 da manhã de sábado. O telefone funciona, a internet quase não cai.
Ganhei uma semana de férias por causa da Gripe A – H1N1 que mata menos que uma gripe normal. Mas como essa é importada, melhor ter mais atenção, afinal ninguém da favela tem ido para a Argentina.

O Muricy foi demitido, meu melhor professor também.
Não pego mais fila para comprar ingresso no estádio, mas também não como nada do lado de fora do Morumbi por que os ambulantes também foram proibidos.
Meu carro não pode poluir mais, até o CO² querem controlar.
A Cracolândia não é mais a mesma, mudou-se duas ruas para cima. Dizem que proibiram a prostituição, mas o “Vintão” e o “Zé das Tintas”, aqui na Sul estão funcionando como sempre. Quem se ferrou mesmo foi o Marone.
A gasolina não é mais adulterada, foi o que me disse o dono do posto com cara de assustado quando perguntei. Nasce uma igreja evangélica a cada esquina, assim como um pet shop e uma academia meia boca. Pizzaria nem se fala.

O que estão fazendo com a minha cidade?
Querem acabar com o trânsito, despoluir os rios, limpar as fachadas, querem que eu respire um ar mais puro, que não pegue mais filas, nem mulher feia na balada. Que não coma mal, que não me atrase, que consiga entrar e me sentar no ônibus, metrô e trem.
Estão acabando com a minha São Paulo.
Qual será o próximo passo?
Acabar com a criminalidade?
Com a corrupção?
Ou dar um estádio para o Corinthians?


Renato Souza

FUTEBIZARRICES - O QUE ROLA PELO MUNDO 2


Costa Rica

Pos Time Pontos
1 Pérez Zeledón 9
2 Saprissa 9
3 Cartaginés 7
4 UCR 4
5 Liberia 4
6 Alajuelense 3
7 Herediano 3
8 Puntarenas FC 1
9 Santos Guapilés 1
10 Brujas 1
11 Ramonense 0
12 San Carlos 0

Eslováquia

Pos Time Pontos
1 FC Nitra 14
2 Slovan Bratislava 13
3 MSK Zilina 13
4 FC Dukla 12
5 FC DAC 1904 10
6 Spartak Trnava 7
7 MFK Petrzalka 6
8 FK Senica 6
9 MFK Kosice 4
10 Tatran Presov 4
11 Ruzomberok 3
12 MFK Dubnica 3

Bielorrússia (ou Belarus, como preferirem)

Pos Time Pontos
1 BATE 37
2 Neman 26
3 Naftan 25
4 Torpedo Zhodino 25
5 Dinamo Minsk 24
6 Dnepr 23
7 Shakhtyor 22
8 Din. Brest 21
9 FC Minsk 19
10 Gomel 18
11 FK Vitebsk 16
12 MTZ-RIPO 15
13 Granit Mikashevichi 14
14 Smorgon 7

Moçambique

Pos Time Pontos
1 Muçulmana Maputo 40
2 Desp. Maputo 40
3 Ferroviário 38
4 Costa do Sol 36
5 Maxaquene 30
6 Hidroeléctric 28
7 Ferroviário da Beira 27
8 Matchedje De Maputo 26
9 Atlético Muçulmano 23
10 Lichinga 23
11 Chingale De Tete 21
12 Ferroviário De Nampula19
13 Textáfrica 18
14 Ferroviário de Nacala 12

Gabriel Lopes

19 de agosto de 2009

UMUNDUNU - ACENDA ESSE CIGARRO!


Entrou em vigor em São Paulo a Lei Antifumo (Lei Nº 13.541, de 7 de Maio de 2009.)


Se existisse diploma de fumante, com certeza teria um pendurado em minha parede.

Amigos do tabaco, não sintam vergonha por causa dessa lei. Discriminados, tudo bem.

Analisemos os fatos com cuidado, sem stress, podem até acender o seu cigarro.


O governador Nosferatu Serra sancionou uma lei um pouco segregadora, agora temos que sair dos bares, vou resumir, temos que sair de qualquer ambiente público ou privado que tenha grande concentração de pessoas, para dar o nosso “pito”.

O pilar dessa lei maniqueísta circunda, obviamente, a saúde. Concordo que a fumaça do cigarro incomoda, realmente, não é nenhum prazer ficar rodeado e exalando o peculiar cheiro; além de conter as tais 4.000 (blah, blah, blah, blah) substâncias tóxicas que vão parar no pulmão alheio. Então, como resolver esse problema? Resolver não, já foi resolvido. Mas, qual seria a alternativa?


Nunca, jamais, em hipótese alguma, terminar, perfazer, dar cabo, encerrar, findar, acabar com os fumódromos.

Mas sim, regulamentá-los! Não deixar como a maioria dos restaurantes faz – faziam – colocando um aviso na parte interior direita do mesmo: FUMANTES, e um na parte esquerda: NÃO FUMANTES. É óbvio que isso não ajuda em porra nenhuma. A fumaça se propaga.


Voltando... Regulamentação:

Seria perfeito um espaço aberto que a fumaça tenha uma saída, logicamente, para cima! Um encontro com Papai do Céu! Ou mesmo em locais fechados, com algumas paredes para separar e alguns dissipadores de fumaça.

Pronto, resolvido. Em poucas linhas é possível solucionar problema. Ou melhor, duas palavras: Fumódromo regulamentado.


Pena que já fomos castrados. Agora, os fumantes são os novos doentes da sociedade. Sorte nossa ter estourado essa “epidemia” da H1N1. Muda um pouco o foco.

São tantos imbróglios, confusões e mixórdias que ocorrem na política... Fico até com desânimo.

Ultimamente não sei quem me fode mais, o governo ou o cigarro.


Felipe Payão

18 de agosto de 2009

UMUNDUNU - APAGUE ESSE CIGARRO!

Entrou em vigor em São Paulo a Lei Antifumo (Lei Nº 13.541, de 7 de Maio de 2009.)

Avise aquele seu chefe mais desavisado que agora estão proibidas “fumadas” em ambientes públicos e fechados; o escritório por exemplo. De hoje em diante as famosas “encardadas” só serão aceitas ao ar livre e de preferência sem alguém por perto, até para evitar ser motivo de chacota no barzinho de sexta.

Avise também seu professor metido a ditador, autoritário ao extremo, mas que em casa quem manda é a mulher.
Falando sério (fala sério!), como é bom poder apontar para uma pessoa, encher os pulmões (agora só de oxigênio) e gritar, APAGUE ESSE CIGARRO, SEU FUMANTE! Caramba, quero ver alguém me xingar de alcoólatra, pelo menos eu posso beber onde eu quiser, é só não dirigir. Se bem dirijo melhor bêbado que sóbrio. Agora o fumante é visto com outros narizes.

Depois da aprovação da lei, não seria sanção? Não, estou falando da aprovação por parte da sociedade. Depois da nova lei comecei a imaginar o mundo como no livro 1984 de George Orwell. Haveria “tele-telas” instaladas em todas as partes denunciando os infratores, crianças seriam educadas nas escolas para denunciarem seus pais que fumam escondidos em um canto da sala ou da cozinha onde a fumaça poderia ser confundida com a do jantar.

Mas a melhor cena que desenhei até o momento é daquela patricinha entrando no banheiro da balada para, linda, absoluta, loira e esperta fumar seu cigarro de canela (ou cravo, que seja) e saindo toda molhada após a fumaça acionar o censor de fumaça.
A lei é valida, porém difícil de ser cumprida, me resta tirar um sarro de meus colegas fumantes enquanto saem do bar para fumar unzinho na rua.
Faça sua parte, aponte para um e grite a plenos pulmões, SAIA DAQUI, SEU FUMANTE!
Divirta-se.


Renato Souza

FUTEBIZARRICES - EDUARDO COSTA DEIXA O SÃO PAULO


O volante trocou o tri-hexa campeão brasileiro pelo fraco Monaco. Esta será a terceira passagem pelo futebol francês, pois já vestiu as camisas do Bordeux (entre 2001 e 2004) e Olympique de Marseille (na temporada 2004/2005).



Na apresentação ao clube de Monte Carlo, entretanto, fez questão de homenagear a equipe brasileira, conforme foto ao lado. Por que ninguém deixa o Ricky fazer o mesmo???




Gabriel Lopes

17 de agosto de 2009

FUTEBIZARRICES - O QUE ROLA PELO MUNDO

Acompanhe o seu time favorito!

Guatemala
- Apertura


Pos Time Pontos
1 CSD Municipal 7
2 Suchitepéquez 7
3 Juventud Retalteca 6
4 La Mesilla 6
5 Xelajú 6
6 Comunicaciones 5
7 Universidad SC 4
8 Heredia 4
9 Deportivo Marquense 3
10 Zacapa 3
11 Deportivo Jalapa 1
12 Xinabajul 0

Venezuela


Pos Time Pontos
1 Deportivo Italia 6
2 Deportivo Táchira 3
3 CD Lara 3
4 Yaracuyanos FC 3
5 Trujillanos FC 3
6 Real Esppor 3
7 Anzoátegui 3
8 Monagas SC 1
9 El Vigía 1
10 Llaneros FC 0
11 Caracas FC 0
12 SD Centro Italo 0
13 Carabobo FC 0
14 Aragua FC 0
15 Zamora FC 0
16 Mineros 0
17 Zulia 0
18 Estudiantes Mérida 0


Ilhas Faroe
(existe futebol por lá ?!?!?)


Pos Time Pontos
1 HB 41
2 Víkingur Gøta 34
3 B68 32
4 NSÍ 30
5 EB/Streymur 25
6 AB 25
7 IF Fuglafjördur 19
8 B36 17
9 KÍ 14
10 07 Vestur 11

Finlândia



Pos Time Pontos
1 HJK 34
2 TPS 34
3 FC Honka 33
4 Mariehamn 29
5 FC Haka 29
6 Inter Turku 27
7 VPS 26
8 Tampere 26
9 FC Lahti 22
10 MyPa 22
11 FF Jaro 21
12 KuPS 16
13 JJK 14
14 RoPS 11

Austrália




Pos Time Pontos
1 Gold Coast 6
2 Central Coast 4
3 Newcastle Jets 4
4 Sydney FC 3
5 Adelaide United 3
6 Brisbane Roar 1
7 Melbourne Victory 1
8 Wellington Phoenix 0
9 Perth Glory 0
10 North Queensland 0


Gabriel Lopes

15 de agosto de 2009

REALPOLITIK - ROTULAGEM DOS TRANSGÊNICOS

Consumimos diariamente vários tipos de alimentos, entre eles, com certeza existe um alimento transgênico. Seus problemas são inúmeros: a ameaça à biodiversidade, ameaça à saúde humana e a dependência dos agricultores. Mas a questão não é essa. É o desrespeito ao consumidor.

Desde abril de 2003, o governo Lula, decretou a lei n° 4.680, que obriga as empresas que produzem e vendem alimentos com mais de 1% de transgenia ser rotulados. O signo que deve conter nas informações do produto é um pequeno triângulo amarelo com a letra “T”, no centro. Apenas no início de 2008 alguns produtos começaram a receber a rotulagem. Os primeiros foram os óleos de soja Soya e Primor, ambos fabricados pela Bunge, e Liza e Veleiros, fabricados pela Cargill. Mas ainda é raro encontrar algum produto com o rótulo.

Passeando por um supermercado, não causa estafa encontrar a grande maioria dos alimentos que podem conter transgênicos, segundo a “lista vermelha” do Greenpeace, sem nenhum rótulo de identificação.

Por causa desse desrespeito ao consumidor, visitei três grandes supermercados: Carrefour, Extra e Pão de Açúcar; para tentar saber por que não existe uma rotulagem maior. Honestidade com o seu consumidor.

“Eu uso a Cuca” - Carrefour Casa Verde

Um slogan bonitinho e um verdadeiro shopping de produtos alimentícios, essa é a minha primeira impressão. Após percorrer as inúmeras gôndolas, de todos os alimentos escritos praticamente em seis páginas da “lista vermelha”, como o famoso Ovomaltine, Corn Flakes e o Capeletti da Frescarini, os únicos encontrados com o assustador triângulo foram mesmo os óleos citados acima.

Fui atrás de um atendente, e foi aí que começou a verdadeira batalha da paciência.O primeiro atendente era um jovem rapaz que não sabia nada do assunto – tudo bem, não é a sua função - e pediu para que eu me dirigisse até a Central de Vendas. Atrás da bancada da central, três mulheres extremamente mal-humoradas me atenderam, fui recebido com um sonoro “que que você quer?”. Após explicar toda a história da rotulagem dos alimentos e porque eles não eram rotulados, uma das três mulheres me pediu para esperar e virou de costas para fazer uma ligação. Bateu o telefone e apenas disse: “Vá até o Atendimento ao Cliente Carrefour”.

A próxima bancada estava vazia, não havia ninguém, fiquei esperando por 10 minutos, até passar outro atendente que me disse que ali era apenas para o cliente que estava com problemas no cartão Carrefour, não era meu caso, e falou: “Vá até ao balcão de atendimento ao lado”. Não havia nenhuma sinalização para possuidores do cartão Carrefour.

Uma secretária me atendeu, demonstrando certo nervosismo, e após responder um inquérito sobre o que eu desejava, disse que esse tipo de problema era apenas com o gerente do setor de alimentação, e ligou para ele. Passaram-se exatos 30 minutos para chegar o gerente.Esboçando um pouco de cansaço e muito nervosismo, perguntou-me qual era o problema, e após recitar pela quarta vez a mesma ladainha, falou que este assunto não era dele, e sim da Técnica de Higienização da Vigilância Sanitária do supermercado. Ao menos foi o que entendi, ele não falou, saiu de sua boca como um repente.

Mais 15 minutos encostado ao balcão, chega uma simpática senhora, contrastando com os demais, vestindo um jaleco branco, e me chama para um passeio por entre as gôndolas. Pegou a lista de minha mão, e fomos conferir alguns produtos. Disse enquanto segurava uma caixa de cereal Kellog´s, que realmente era interessada no assunto, e que também concordava que os produtos deveriam ser rotulados, mas que desconhecia a tal lista. Falou também, que a culpa seria das empresas, não do supermercado. Quando já estava de saída, ainda me disse: “quando aparecer algo similar na mídia provando essa lista, com certeza o Carrefour irá se predispor a rotular”. Imagine se a mídia não existisse. Quantas informações nos seriam ocultadas?

“Mais barato, mais barato, Extra” - Mooca

Outro shopping alimentício. Tudo pode ser encontrado: televisores, roupas, comidas, perfumes e transgênicos. Mas, diferente do Carrefour, tudo é colorido e chamativo, é um supermercado popular.

Os produtos da “lista vermelha” foram encontrados, e novamente, apenas os óleos encontravam-se rotulados e com os dizeres: “produto produzido a partir de soja transgênica”.
Fui até o balcão de atendimento ao cliente, estava lotado, fiquei por volta de 20 minutos para conseguir ser atendido. Depois de explicar a lei de rotulagem, o homem que me atendeu pegou seu “walk-talk” e pediu a presença do gerente.Este quando chegou, após 10 minutos, apresentou-se com certa defesa já esperando uma pergunta complicada de responder.

A conversa foi curta, e devido à rapidez que queria se livrar das respostas disse: “nosso interesse é vender os produtos. Recebemos e vendemos. Vá procurar as empresas responsáveis por isso”.Tive a impressão que isso seria como um jogo de “ping-pong”. As empresas, como Bunge, Cargill e Syngenta, provavelmente diriam: “vá procurar os supermercados, eles têm que alertar o seu consumidor”. E com esse tom autoritário.

"Lugar de gente feliz” - Pão de Açúcar

Agora sim, somente produtos alimentícios. Nada de televisores e roupas. Fazendo jus ao singelo slogan, todos os funcionários realmente pareciam estar felizes, eram simpáticos e comunicativos. Fiquei lá para ver até onde essa suposta calmaria podia chegar.

Enquanto fiquei por mais de 30 minutos rodando no supermercado, três funcionários vieram perguntar se eu precisava de ajuda, a desconfiança deles aumentava, afinal, já estava lá a um bom tempo e não havia comprado nada. Como nos outros supermercados, a história não foi diferente. Rotulados, apenas os óleos.

A cena que se seguiu foi como nos antigos filmes de “Western”, o bandido andando na direção da mocinha, a cidade – supermercado – vazia, só faltava o feno rolando. Enquanto eu avançava até o balcão de atendimento, uma funcionária me fitava receosa com seus olhos esperando por qualquer coisa.

Passado o momento, comecei novamente a fazer minhas perguntas. E já conhecendo o procedimento, disse ao final: “Pode chamar o gerente”. Não foi diferente. Ela saiu para ir atrás do responsável.Foram 20 minutos, o gerente chegou e a partir de nossa conversa deu para saber que “da missa, ele não sabia nem a metade”. Não sabia nem que existia uma lei obrigando a rotular os produtos transgênicos. Enquanto caminhávamos pelas gôndolas, eu mostrava os produtos modificados geneticamente, como a Danone, Dannete e All Day da Bunge; e ele apenas confirmava. Por fim, não disse nada de diferente. “Eu não sei te responder isso. Talvez você tenha que procurar as empresas que fazem os produtos”.

Com a visita aos supermercados, e conversando com os responsáveis pela área alimentícia de cada um deles, uma coisa ficou provada. A rotulagem dos transgênicos ainda é desconhecida. Pior, os transgênicos são desconhecidos pelo público geral. Por causa disso, estamos consumindo sem saber, diariamente, produtos que podem ou não, fazer mal a nossa saúde. O decreto está aí para ser cumprido; ou iremos novamente deixar os grandes monopolizadores de dinheiro passar por cima de nossas leis? Não façamos igual ao que uma atendente disse: “Eu não sei nada disso. É burocracia”.

Felipe Payão