30 de dezembro de 2009

NOTA DO BLOG - UM 2010 7CO

Atenção poucos e nobres leitores!
O 7cismo fará uma pausa em suas atividades.
Desde o dia de hoje, até, provavelmente, dia 04 de janeiro.
Afinal, também precisamos de férias.

Obrigado a todos vocês que nos acompanharam neste ano.
Para um blog novo (novíssimo), com uma proposta como essa, ter mais de 200 visitantes únicos diários é uma maravilha. Então desejamos para todos os nossos poucos, 7cos, e nobres leitores uma ótima virada de ano e um 2010 de sucesso. Aproveitem para exagerar com a bebida, dia 04 voltamos ao batente. Depois só exagerem em fins de semana.

Nosso sincero obrigado!



7cismo

29 de dezembro de 2009

UMUNDUNU - O FRIO E UM SORRISO

- Vamos, rapaz. Se solte. Está sentado aqui em minha frente faz mais de meia hora e não abre a boca.

O cheiro de carvalho da sala era dissipado pelas baforadas do cigarro. O psiquiatra usava colete, óculos finos, um relógio grande. Fumava charuto. É homem requintado e paciente.
O infrator vestia uma camisa velha, igual todas as outras. Seu jeans não é de marca. Não usa óculos, apesar dos vultos que vê constantemente e alguma dificuldade em enxergar à distância. Mirou em seus olhos e disse:
- Mas o que você quer que eu fale?

A única coisa que aborrecia o infrator era o pequeno cachorro deitado nos pés de seu futuro inquisidor moral e a cara que fazia ao tentar analisá-lo.
- Bom, vamos do começo. Qual foi o motivo?
- Um sorriso.

O psiquiatra coçava a cabeça. Era a última sessão antes do infrator ser transferido para a penitenciária, então, ele resolveu esclarecer:
- Eu andava na rua. Numas ruas aí do centro. Já era de madrugada e eu não ando desarmado. Em cima da porta de um hotel tinha uma câmera, percebi que enquanto passei ao lado dela, ela me acompanhou. Então eu parei. Olhei para o olho de vidro da câmera e fiquei encarando-o por uns cinco minutos. Esse é o começo.

Ele não acreditava, já estava se despindo de todo estudo psiquiátrico. O homem fino, agora balançava seu pé direito freneticamente e tirava seu colete. Talvez não fosse excitação, talvez fosse o mormaço que enchia a sala. O suor escorria na testa de ambos.
- Por favor, continue. Foram milhares de sessões... Não pare.
- Matei pelo frio. Por causa do frio e do sorriso. Enquanto admirava as luzes refletindo na diminuta bola de vidro, o frio congelava minhas articulações, e em razão disso, cerrei minhas mãos com força. No mesmo instante, um senhor, devia ter seus 50 anos, parou ao meu lado e sorriu.
- Por isso o matou?
- Por isso? Seu olhar me recriminava. Seu sorriso era de medo. Viu-me de punhos fechados e provavelmente pensou que era um assalto. Eu não sou um criminoso. Então, embalado pelo frio e vigiado pela câmera, puxei a arma e apertei o gatilho. Acertei o projétil no meio do sorriso. O corpo caiu. A boca se abriu e o sorriso ficou ainda maior. Sendo assim, peguei um cano que estava jogado na rua e bati cinco vezes em seu rosto. Seu sorriso sumiu.

O criminoso apagou o cigarro. O psiquiatra acendeu um charuto.
Os estudos foram por água abaixo:
- Certo que o homem que você matou não era boa pessoa. Um diplomata corrupto não merece perdão. Mas isso? Ultrapassa o perfil dionisíaco. Como você mata alguém por um sorriso? Nem sabia quem ele era! Você não tem escrúpulos?
- Tenho. Não entendo suas perguntas. Você quis a verdade. Eu dei. Poderia ser mais um que vem aqui e diz que foi deus quem mandou matar. Que ouvia vozes. Não. Entreguei algo racional. Trabalhe com isso. O frio e o sorriso.
- Trabalho meu não. Estou dando graças a deus que você vai para penitenciária. Escória dos homens.

As gotas de suor se intensificaram, o pequeno cachorro se afastava cada vez mais da dupla, a primeira vista, maniqueísta.
- Bom saber disso. Não me encontrarei mais com você. Vocês são assim. Querem analisar outros, e não analisam a si. Querem cuidar dos outros, e não cuidam de si. Querem salvar o planeta, e não salvam a si.

Sem palavras, o inquisidor moral ficou observando seu rosto. Não entendia o criminoso. Pensava: “o que este filho da puta quer dizer?”. O cachorro deitou no canto da sala procurando ar. Estava pesado, quente. Misturavam-se o cheiro do cigarro apagado, do charuto aceso, o mormaço e a forte colônia que exalava do inquisidor.

- Não vai dizer nada? – Analisou e perguntou pela primeira vez o criminoso.

O inquisidor levantou-se e ficou em frente ao armário atrás de sua poltrona. Em um movimento brusco, virou-se para o criminoso de dedo em riste, cara fechada, carrancuda, e o suor empapando seu rosto.

- Frio e o sorriso? É isso, então!?

Não terminou. O criminoso pegou um móbile de avião em bronze que estava ao seu lado e arremessou contra a cabeça do inquisidor.
Foi o calor e a carranca.
O corpo deitado, já inerte - mas não morto -, repuxava em trôpegos o diafragma. As sinapses emitidas pelo cérebro não causavam nenhum efeito.
Exaurido pelo calor, o criminoso olhou aquela carranca admirando-o e desferiu mais três golpes.
Dois na testa. Liquidou o movimento das sobrancelhas. Um entre os olhos. Liquidou o olhar estático.

Com frio ou calor, independente de como se sentia e de qual foi seu último pensamento, não importa mais. O leitor terá que buscar suas razões ao longo do texto.
Um tiro na nuca. O criminoso está no chão.

Crédito foto: ygksm

Felipe Payão

28 de dezembro de 2009

UMUNDUNU - A ROTINA


CASA - TRABALHO – CASA.
CASA - TRABALHO – CASA.
CASA - TRABALHO - BAR – CASA.
CASA - TRABALHO - FACULDADE - BAR – CASA.
CASA - TRABALHO - FACULDADE – CASA.
CASA - TRABALHO - FACULDADE – CASA.
CASA - TRABALHO - FACULDADE - BAR – CASA.

CASA.

CASA - BAR – CASA.
CASA - TRABALHO – CASA.
CASA - TRABALHO – CASA.
CASA - TRABALHO - FACULDADE – CASA.
CASA - FACULDADE – CASA.
CASA - BAR - FACULDADE - BAR – CASA.
CASA - TRABALHO - FACULDADE – CASA.
CASA - TRABALHO - BAR - FACULDADE - BAR - TRABALHO - BAR -FACULDADE - BAR –

CASA.

CASA - TRABALHO - BAR – CASA.
CASA - PRAIA - BAR – CASA.
CASA - BAR - PRAIA – CASA.
CASA - FACULDADE – CASA.
CASA - FACULDADE – CASA.
CASA - BAR – CASA.
CASA.

FÉRIAS.

CASA.
CASA - BAR – CASA.
CASA.
CASA.
CASA.
CASA - BAR – CASA.

CASA - TRABALHO – CASA.
CASA - TRABALHO – CASA.
CASA - TRABALHO - BAR – CASA.
CASA - IGREJA - FESTA - CASA DE ALGUÉM.
CASA DE ALGUÉM – CASA.
CASA - TRABALHO – CASA.
CASA - TRABALHO - FACULDADE – CASA.
CASA - TRABALHO - FACULDADE - BAR - CASA.
CASA - TRABALHO - FACULDADE - RODOVIÁRIA – SÍTIO.
SÍTIO.

SÍTIO – CASA.

CASA - TRABALHO – CASA.
CASA - TRABALHO - FACULDADE – CASA.
CASA - TRABALHO – CASA.
CASA - TRABALHO – CASA.
CASA - TRABALHO - BAR - CASA .
CASA - BAR – CASA.
CASA - CASA DE ALGUÉM – CASA.
CASA.

Será que um dia isso vai acabar???

Renato Souza

27 de dezembro de 2009

REALPOLITIK - CRÔNICA DA CIDADE - COMO É DIFÍCIL VIVER NOS "JARDINS"


Encravado entre o centro e as zonas oeste e sul de São Paulo, os Jardins, como convencionou-se chamar a região do Jardim América, Jardim Paulista, Jardim Paulistano e Jardim Europa, é um bairro rico, onde vive boa parcela do PIB nacional, da classe política e artística do Brasil. Lá vive, por exemplo, o ex-prefeito Paulo Maluf, que fez Celso Pitta sucessor, que nomeou, em uma de suas secretarias, Gilberto Kassab, que é o atual prefeito da cidade, um morador dos Jardins.

Com bares, restaurantes, parques e museus espalhados por vários endereços do bairro, a vida nos Jardins não é difícil. O trânsito caótico das avenidas que cortam os Jardins convida ao uso de suas ruas arborizadas e tranquilas, muitas delas com belas praças, além da “proximidade” entre os pontos visitáveis da região, que seduz em deixar o carro na garagem.

Não moro em nenhum dos Jardins descritos acima. Minha condição social não me permite, nem em meus sonhos mais delirantes, investir num dos metros quadrados mais caros do mundo. Estou mais perto de viver noutros “jardins”, bem mais longe, distante 50 quilômetros a leste, extremo leste da capital paulista.

É neste extremo leste, cuja a vida é bem mais dura e difícil, que se encontram outros “jardins”: Jardim Romano, Jardim Helena, Jardim Pantanal. Os “jardins” da zona leste não são sombra da vida sócio-cultural dos Jardins famosos. Com exceção de um CEU recentemente inaugurado e de um conjunto habitacional da CDHU, não haveria sequer urbanização, quanto mais vida cultural.

Apesar das diferenças econômicas entre ambos, o da zona leste também é um bairro calmo, com ruas tranquilas, contudo pouco arborizadas. Os “jardins” da zona leste, no entanto, acabam de ganhar as manchetes, pelo pior motivo possível. Inundada pelo rio Tietê, nas chuvas da semana passada, a região – agora chamada de invasão pelo “honorável” alcaide Gilberto Kassab – sofre com o cheiro ruim, doenças e falta de estrutura e atenção da prefeitura da maior cidade do hemisfério sul.

Esquecidos pelo Kassab, os moradores dos “jardins” estão abandonados à própria sorte. Sofás sobre botijões de gás, carros boiando ou presos nas garagens, crianças brincando nas águas podres e trabalhadores que perderam tudo nas cheias. A visão do bairro é desoladora, um grande esgoto a céu aberto. Criatividade e urgência são imperativos para resolver o problema dos moradores dos “jardins” da zona leste. Não é possível que seres humanos vivam sob as condições em que se encontram as pessoas alagadas dentro de suas casas.

Senhor prefeito, por favor, mexa-se! Não culpe a população por “jogar lixo nas ruas”, nem São Pedro, porque os índices pluviométricos foram maiores neste ano, nem “combine com Papai Noel para não chover mais”, como fez troça da desgraça alheia Milton Persoli, subprefeito de São Miguel Paulista, durante entrevista ao programa SPTV, da Rede Globo de Televisão. Faça sua parte, ajude os moradores dos “jardins” da zona leste. Cumpra sua obrigação de zelador da cidade, ou tente dormir tranquilo no luxuoso condomínio em que mora nos Jardins, longe dos problemas que sua bem nascida vida nunca lhe impingiu.

Rodrigo De Giuli

24 de dezembro de 2009

UMUNDUNU/REALPOLITIK - DUAS VISÕES SOBRE O ESPÍRITO NATALINO


O MALDITO ESPÍRITO NATALINO

Nas ruas, consigo sentir o cheiro de hipocrisia que fica cada vez mais insuportável com a chegada do natal. É preciso ter estômago para aguentar tamanha falsidade. O “espírito natalino” nada tem haver com Jesus Cristo – supostamente o motivo da comemoração -, não vejo “bondade” ou “espírito natalino” nos desatinos consumistas de toda essa gente.

A cidade está enfeitada, as lojas cheias de pessoas a fim de comprar presentes, a rua repleta de mendigos apelando para o tal “espírito natalino”, as fachadas têm anúncios tentadores, porém agora mais discretos, devido a lei cidade limpa, aliás, essa lei funciona, é fiscalizada, talvez porque renda votos, não sei dizer, mas o mesmo rigor deveria servir para casos como ROUBO EXPLÍCITO DE DINHEIRO PÚBLICO, mas tudo bem... Falemos do natal.

Não sou cristão, mas não é preciso sê-lo para notar tão absurda contradição. Como o nascimento de Jesus Cristo - se é que ele realmente existiu -, que exaltava a humildade, pode ter se tornado a mais importante data capitalista? Alguém pode me explicar?


É preciso ter estômago para suportar tamanha "caridade" de pessoas que se "mobilizam" pelos pobres que não ganham presente do Papai Noel. As pessoas mudam de atitude no natal, dizem que é o maldito “espírito natalino” que as fazem ser mais fraternais. A isso chamo transtorno bipolar coletivo. Nos primeiros onze meses do ano, somos materialistas, estressados, intolerantes e mesquinhos. Entretanto, no último mês, todos se fantasiam de humildes cordeirinhos do senhor. A nossa sociedade é ridícula, irremediavelmente medíocre e a culpa não é de Jesus Cristo, e sim, do maldito "espírito natalino".

Thiago Menezes


ESPÍRITO (DE PORCO) DO NATAL

Dezembro. Sem duvidas o mês mais importante do ano. Se não o mais importante, o mais esperado com toda a certeza.

Época de férias da criançada nas escolas é também o mês do 13º salário, que sempre chega para dar aquela ajudinha no orçamento do final de ano, que está quase no vermelho. Transição entre a Primavera e o Verão, um mês de decisões nos campeonatos, principalmente no Brasileirão. Parabéns aos flamenguistas que depois de 17 anos conquistaram seu 5º titulo nacional.
Mês em que as pessoas se tornam mais fraternas, mais amáveis. Abraços de despedida são muitos. O famoso “até o ano que vem”. Cidade tranquila, menos carros nas ruas. Menos trânsito, menos stress. Tudo parece mudar. A cidade enfeitada, iluminada, muito mais bonita e até limpa, nos faz um convite para conhecê-la melhor e admirá-la.

Sem hesitar posso dizer: É a melhor época do ano.

Mas por que só em dezembro? Qual o problema com os outros onze meses do ano? Janeiro e seus IPVAs e IPTUs. Fevereiro do Carnaval. Qual o problema com eles também? São menos alegres? Menos importantes? Junho e Julho das Copas do Mundo, das férias. Novembro dos três feriados.
É o Espírito do Natal. Pronto, tudo explicado.

Não. Nada disso. Se a explicação é religiosa, se fazemos do dia 25 de Dezembro a data mais importante do ano apenas por que supostamente Jesus tenha nascido neste dia, então estamos ainda mais errados. Pois até onde eu sei, a data mais importante da Igreja é a Páscoa, a sua ressurreição. Sendo assim, por que não Abril é o mês mais importante do calendário?

O Natal deixou há anos de ser como diz a música, a festa cristã e se tornou a farra do comércio.

Por que raios eu só posso comer Panetone em dezembro? Onde está escrito que eu tenho que comer um peru na ceia natalina? Qual o problema com o bom e velho churrasco? Seria uma blasfêmia convidar os amigos para um “Churras de Natal”?

Por que aquele cara que mora ao lado da minha casa, também conhecido como vizinho, que passa 364 dias se falar com você, no máximo para xingar seu cachorro que novamente defecou na porta da garagem dele, por que esse infeliz tem que me cumprimentar no Natal se fazendo de meu grande amigo? Falso!

O Natal deixou de ser uma data religiosa, isso é fato. Passou a ser uma data comercial. Segundo muitos, é a data do ano que mais movimenta o mercado. O espírito do natal se foi, ficou o espírito capitalista, o espírito mercadológico. Até Papai Noel que era uma grata fantasia se vendeu, é o símbolo máximo do capitalismo natalino, substituindo a imagem do menino Jesus em muitos lugares. Uma lástima.

Afinal, qual a simbologia do Natal?

Renato Souza

22 de dezembro de 2009

UMUNDUNU - UMA ODE AO MAU HUMOR


Bom dia! E eu nada respondo.
O que houve, está de mau humor? E eu sigo calado.
Que foi a patroa dormiu de calça jeans? E eu sigo ignorando e ganhando fama de turrão, chato, antipático e mal-humorado.
Qual o problema nisso tudo? Por que raios e tenho que acordar contente todos os dias de minha vida? Aliás, acordar alegre nem é o mais complicado, o difícil mesmo é ter que demonstrar isso para os outros.

Quer coisa mais irritante que aquele ser que chega todo dia no escritório, com sua garrafinha de água mineral em baixo do braço, cumprimentando todo mundo com um sorriso de fazer inveja a qualquer comercial de creme dental. O dia dele está sempre bom, não tem problemas para resolver, não sofre, não tem angústias, não briga com a família, o time dele nunca perde e o ônibus nunca atrasa. É capaz até de dar uma topada na calçada, olhar para ela, calmo e sereno e dizer “sua marota”. Ah, tenha dó. Isso não existe. Isso não é humano. É falso, é mentiroso. Ninguém é assim, ninguém.
O mau humor está dentro de cada um de nós, em alguns isso é mais evidente, é claro. Enquanto alguns disfarçam outros externam sua indignação com mais facilidade.

É inerente à pessoa.

No estereótipo do bom moço, o tal que toda mãe sonha para sua filha e toda filha sonha para se casar não está na lista de qualidades ou defeitos o mau humor. Tenho certeza.

Como se isso fosse doença. Não é. É estado de espírito? Talvez para alguns. Pode ser ou apenas estar mal-humorado.

Nunca perdi muita coisa por ser assim desse jeito, talvez uns quatro empregos e umas 257 amizades, que hoje não me fazem falta alguma. Garanto que os poucos amigos que tenho, poucos mesmo, suprem qualquer necessidade que eu já tinha passado.

Acordo ranzinza todos os dias, qualquer palavra dita há mim minutos após esse momento serão ignoradas, para o bem da amizade.
Não tolera pessoas assim? Faça o seguinte, as ignore. Eu faço isso com muitos de vocês e sequer percebem.

Querem que eu mude. Eu estou mudado. A cada dia estou pior e a tendência não é nada animadora, não para quem convive comigo.
A todos um bom dia, uma boa tarde, uma boa noite e boa sorte. E se espirar. Saúde!

Renato Souza

21 de dezembro de 2009

NOTA DO BLOG


Hoje é um dia triste para os 7cos.

http://www.valoronline.com.br/?online/geral/192/6014556/fabrica-da-guinness-em-dublin-e-atingida-por-incendio&utm_source=twitter&utm_medium=social-media&utm_campaign=addtoany&scrollX=0&scrollY=399&tamFonte=





7cismo

19 de dezembro de 2009

TV7CA

Agora o 7cismo tem seu canal no Youtube. - http://www.youtube.com/user/7cismo

Por enquanto, você pode conferir dois comerciais feitos pelos 7cos.
Colocaremos, em um futuro próximo, algumas reportagens que fizemos.





7cismo

18 de dezembro de 2009

REFLEXPRESS - SOBRE A RELIGIÃO E RELIGIOSIDADE

O espírito científico, fortemente armado com seu método, não existe sem a religiosidade cósmica. Ela se distingue da crença das multidões ingênuas que consideram Deus um Ser de quem esperam benignidade e do qual temem o castigo - uma espécie de sentimento exaltado da mesma natureza que os laços do filho com o pai, um ser com quem também estabelecem relações pessoais, por respeitosas que sejam.

Mas o sábio, bem convencido da lei de causalidade de qualquer acontecimento, decifra o futuro e o passado submetidos às mesmas regras de necessidade e determinismo. A moral não lhe suscita problemas com os deuses, mas simplesmente com os homens. Sua religiosidade, consiste em espantar-se, em extasiar-se diante da harmonia das leis da natureza, revelando uma inteligência tão superior que todos os pensamentos humanos e todo seu engenho não podem desvendar, diante dela, a não ser seu nada irrisório.

Este sentimento desenvolve a regra dominante de sua vida, de sua coragem, na medida em que supera a servidão dos desejos egoístas. Indubitavelmente, este sentimento se compara àquele que animou os espíritos criadores religiosos em todos os tempos.

“A religiosidade invoca o escrúpulo diante da inteligência imensurável da harmonia das leis naturais”

Albert Einstein

17 de dezembro de 2009

UMUNDUNU - SEDENTÁRIO HIPERATIVO


Faz três meses que comprei uma bicicleta. Faz três meses que ela está na garagem, parada. Se não fosse meu pai ainda estaria na caixa. No dia em que a comprei decidi mudar de vida. Diminuir com o álcool e as carnes vermelhas mal passadas com aquela capa de gordura... Parar com isso e levar uma vida mais saudável. Para uma boa academia não teria tempo e nem grana. Trabalho e faculdade me impediriam de fazer uma pausa durante o dia. Com uma bicicleta poderia pedalar nas horas vagas e nos finais de semana.

Pois bem, chegou o grande dia. Sexta-feira, 11 de dezembro de 2009, às 7h30 algum à toa liga em casa. O telefone toca umas 473 vezes. Recusei-me a atender, sair da cama seria impossível, mas devido a insistência não teve jeito. Não era ninguém. O telefone estava mudo e eu com um mix de sono, raiva, ira, ódio e uma vontade de quebrar a merda do telefone. Saí e o dia estava lindo. Ou como diria uma amiga minha “Puta dia lindo da porra que tá hoje!!! “.
Decidi, pois então sair para dar uma volta de bicicleta. Apertei todos os parafusos, porcas e arroelas. Enchi os pneus. Verifiquei os freios. Tudo em ordem com a magrela. Só faltava decidir o roteiro.

Pensei em ir até Itapecerica da Serra. Uns 10 km ida e volta. Mas teria de passar pelas obras do trecho sul do Rodoanel. Muita terra, sujeira, buracos, poeira e caminhões. Achei melhor rodar pelas estradas do M Boi Mirim e Embu Guaçu. E foi o que fiz.

Saí às 8h10, o bairro é cheio de subidas e descidas. Assim como toda a periferia da cidade. O que não foi um problema inicialmente. Inicialmente. Depois de quase 20 minutos, longos 1200 segundos, intermináveis para falar a verdade, comecei a sentir os primeiros sintomas de meu sedentarismo. As pernas já não respondiam às ordens do meu cérebro. Não dava mais. Parei, desci da bike e fui até a sombra mais próxima, o sol estava demais.

Algo parecia fora do normal, um cheiro estranho estava no ar. Tinha pisado no cocô de algum adorável cãozinho, quase meio quilo de merda estava agora dividido entre meu pé e o chinelo. Limpei com o que achei por perto, areia e papel que foi jogado na rua por algum cidadão mesmo consciente com as enchentes. Antes disso tinha colocado para fora todo o meu café da manhã, que ficou ao lado do monte de bosta pisado com um pouco de areia jogada por cima.

Pelo menos serviu para me distrair e o cansaço já não era tamanho, diminuiu e em menos de 5 minutos já estava em casa, jogado no chão da sala.
Minha mãe notou algo estranho no meu comportamento. Não parecia estar bem. Aferiu minha pressão. Incríveis 10 x 7. Nunca a vi tão baixa.

Diante de tudo isso, cheguei a seguinte conclusão: melhor 40 anos de picanha e cerveja que 80 de água de coco e salada de alface.

Renato Souza

16 de dezembro de 2009

UMUNDUNU - WEB 2.0


Total interatividade e velocidade na troca de informações. Podcasts, blogs, os wikis, Flickr e Picasa, Youtube, rádios pela internet e redes sociais. Uma montanha de informações. A Web 2.0, termo criado em 2004, pela empresa O´Reilly Media, não é uma nova internet, mas sim, uma nova maneira de utilizá-la a seu favor.

Podemos agora divulgar nossos vídeos e fotos para o mundo inteiro sem nenhum esforço. Também, através das redes sociais, podemos conhecer outras pessoas facilmente. Agora, gravamos e divulgamos nossos próprios programas de rádio, musicais ou não, afinal temos os podcasts e a last fm. Os aspirantes a escritor ou simplesmente pessoas que queiram contar um pouco de sua rotina também tem o seu espaço: o blog e o Twitter.

Apesar de tudo, pagamos um preço por isso. Você precisará verificar mais de duas vezes a informação que procura. Principalmente uma informação do site Wikipédia. Um local em que todos escrevem o que bem entender; obviamente, perfeito, não seria. Outro problema encontrado (nem tanto pelo usuário comum, mas sim pelas empresas que lutam arduamente pelo seu lucro) são os direitos autorais. A velocidade na troca de informação que a internet nos oferece aumentou muito o número de downloads, digamos, ilegais. Os famosos mp3. Muito tempo é gasto discutindo sobre o assunto ilegalidade. Mas nenhum sobre a tributação e, por consequência, do alto preço dos CDs. O projeto Creative Commons, sem fins lucrativos, nos ajuda nesse sentido. A partir dele, inúmeros autores de livros, músicos e empresários flexibilizam seus direitos autorais para divulgar seus trabalhos.

A Web 2.0 também modificou o cenário do jornalismo mundial. As grandes empresas jornalísticas, como a “The New York Times”, perdem espaço para a rapidez e a facilidade de troca de informações. Assunto que foi pauta em uma edição da poderosa revista “Times”, que previa o seu fim e o desaparecimento da mídia impressa ao longo dos anos. Apesar dessa probabilidade - que deixa os amantes do papel preocupados - o mesmo foi dito antes quando surgiu o rádio. Depois, com a televisão. E o bom e velho papel sobreviveu. O jornalismo atual sofreu uma grande modificação. Os antes considerados leitores, agora são participativos (pró-ativos), produzem notas, matérias, artigos, resenhas; tudo a partir da internet. Esse novo conceito se chama Jornalismo Participativo, Jornalismo Cidadão ou Jornalismo Open-Source.

Vale a pena pensar um pouco sobre a também, e não menos importante, divulgação de seus dados pessoais na internet. George Orwell previu uma sociedade extremamente vigiada em seu livro “1984” (Ed. Signet, Primeira Edição, 1990). Claro que as coisas não ocorreram exatamente como retratadas no livro. Mas, na internet, Web 2.0, chame como quiser, essa realidade, por mais escondida que pareça, existe. O nosso Big Brother chama-se Google. Ele sabe quem você é, o que você gosta de ler e ouvir, os sites que você visita, os seus e-mail “secretos” e até o local de sua residência. Sorte nossa que o monitor não opera como uma “teletela”.

Por fim, atenção navegantes! Desfrute das belezas que a malha virtual nos oferece. Mas lembre-se, você está sendo vigiado.

Felipe Payão

15 de dezembro de 2009

REALPOLITIK - UMA APOSENTADA INSTITUCIONALMENTE MORTA


Benedita Vasconcellos da Silva, a dona Benê, está morta. A aposentada de 71 anos, solteira e sem filhos, foi enfermeira do Hospital das Clínicas, de São Paulo, por 36 anos. Contou ter cuidado de Tancredo Neves, quando o então presidente eleito pelo Congresso esteve internado na capital antes de morrer, em 21 de abril de 1985.

Moradora do Jardim João XXIII, zona oeste de São Paulo, ela vive com 4 vira-latas na parte de baixo de um sobrado cor de rosa e portões com grades enferrujadas, numa rua movimentada do bairro, entre um boteco com balcão de fórmica azul clara e tampo branco descascado e encardido – deve ser o único que sobrou na cidade – e uma lotérica.

Nascida em Juazeiro, na Bahia, a ex-enfermeira é conterrânea de Luís Pereira, o maior zagueiro da história do futebol mundial. Luisão Chevrolet jogou 568 vezes com o manto palmeirense e marcou 35 gols, a maioria de cabeça. O genial zagueiro de pernas arqueadas fez parte do que se convencionou chamar "Segunda Academia", timaço comandado por Osvaldo Brandão, fora de campo, e pelo refinado craque Ademir da Guia, o Divino, entre 1968 e 1975. Vendido ao Atlético de Madrid, clube no qual é ídolo até hoje, voltou ao time do Parque Antárctica em 1981, ficando até 1984, com o mesmo brilho e amor à camisa alviverde.

Voltemos ao curioso caso de dona Benê. Para o governo brasileiro, ela está morta. Contudo, ao contrário do que diz o Ministério da Previdência, a aposentada está vivíssima. Me oferece o café após tocar um dos 4 vira-latas para fora da cozinha. Chaves é o nome do pequeno labrador misturado com algo parecido a um terrier de pelo duro, marrom e preto, estranhíssimo. Não, não é uma "homenagem" ao Hugo, presidente da Venezuela. É que ela não perde um episódio da série que vira década, sai século, está lá na tela do SBT.

Os outros cachorros têm nomes de personagens da série mexicana: Kiko é um labrador marrom, Seo Madruga é um absoluto SRD muito magro e Chiquinha é um fox misturado com labrador. Pergunto para dona Benê se é coincidência ter vários "labradores" entre eles. Ela ri alto e me responde com outra pergunta: "já viu cachorro de pobre ser castrado?".

A ex-enfermeira descobriu que estava morta ao ficar dois meses sem receber a aposentadoria. Foi ao posto do INSS de Pinheiros, e lá ouviu que o governo considera Benedita Vasconcellos da Silva, nascida em Juazeiro-BA, de 71 anos, RG número 1.167.397, morta desde 2003. Bem humorada, a ex-enfermeira ironiza o governo: "puxa vida, eu aqui 'vivinha da silva' e o Lula achando que estou morta. Daqui a pouco, o Tancredo aparece para receber meu ordenado!". Ela conta que, durante o atendimento, um funcionário da agência lhe disse que casos de homônimos mortos são comuns.

O calvário de dona Benê vem desde então. Passa horas na fila para ser atendida, perde dinheiro – a aposentada trabalha como babá – e, cada vez que ela volta ao posto, os atendentes sempre alegam que falta um documento, uma certidão, um atestado. Até ao IML ela já disse ter ido. Um funcionário do INSS de Brasília ligou para a ex-enfermeira dizendo que corrigiria o problema, após relatar que o órgão descobriu quem era a homônima: Benedita Vasconcelos (com um "l" só) da Silva, nascida em Juazeiro do Norte, Ceará – terra de Rubem, um obscuro zagueiro reserva do Palmeiras, nos anos de 1960 – e morta em São Paulo, em 2003, vítima de câncer. Suprema ironia, duas mulheres com os nomes idênticos, com o pequeno detalhe do "L" a menos, de cidades "homônimas".

Toda vez que tenta provar que está viva, dona Benê vai até o posto de Pinheiros durante a madrugada para pegar a senha e não perder o dia todo. São duas vezes por semana – a espera ao relento, as manhãs frias, o sono teimando em roubar-lhe o lugar na fila. O cansaço e a idade apresentam-se implacáveis e a saúde, apesar da cabeça boa, já não é a mesma. É o único momento em que a ex-enfermeira perde o humor e se mostra desanimada, entristecida.

A aposentada nunca se casou e não tem filhos que possam ajudá-la. "Os únicos parentes que me sobraram estão na Bahia. Um tio velhinho e uma prima chamada Benedita", ri dona Benê. Novamente ela perde o humor e fica irritada: "Amanhã tenho que voltar lá no INSS", resigna-se de seu destino, lembrando-se que todos acham seu caso curioso, mas que nenhum funcionário consegue resolver.

Ao sair da casa da aposentada, com os latidos dos "labradores mexicanos" ficando para trás, olho para dentro do boteco. Dois velhos jogam conversa fora, sob o olhar do atendente atrás do velho balcão de fórmica. Na lotérica, uma jovem aguarda a vez para fazer uma aposta. O movimento na rua é grande, são quase 18 horas de sexta-feira.

A vida que segue na vizinhança do Jardim João XXIII é tão natural quanto a visão de dona Benê segurando o portão de casa, o olhar perdido, viva como a jovem na lotérica ou o motorista do caminhão das Casas Bahia, que procura um endereço no guia. Ela deturpou a inexorabilidade da morte. Uma morta que caminha, alimenta os cachorros e ri da própria falta de sorte. Dona Benê está institucionalmente morta. Contudo, remediavelmente morta.

Rodrigo De Giuli

14 de dezembro de 2009

REALPOLITIK - WHAT A HELL???


Hillary Clinton, secretária de Estado norte-americana, recomendou a América Latina que mantenha-se no caminho da democracia. Mas, espera aí, os EUA matam milhares de inocentes, roubam as riquezas naturais de países paupérrimos e ainda querem ser exemplo de democracia?

Os nossos valores devem estar invertidos. Se alguém no oriente médio fala de “guerra santa”, logo é chamado de radical, terrorista ou as duas coisas. Entretanto, quando Mister Obama, grande vencedor do prêmio Nobel da Paz – que já vale o mesmo que o Grammy, ou seja, nada -, defende a “guerra justa”, é aplaudido de pé.

"Espero que os países latino-americanos reconheçam que o Irã é um dos maiores promotores e exportadores do terrorismo nos dias atuais", aconselha a secretária de Estado do país que mais derrama sangue no globo terrestre.

Mas analisemos os fatos, ser vizinho de um país que tem, aproximadamente, duzentas ogivas nucleares, conta com o apoio dos EUA, investe maciçamente em tecnologia bélica e ainda por cima te odeia, não é das tarefas mais fáceis. Israel não quer que o Irã tenha tecnologia nuclear, mas tem armas nucleares para destruir o país algumas vezes.

Estadunidenses e israelenses afirmam que o programa nuclear do presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad, na verdade tem como objetivo desenvolver armas atômicas.

Bom, para quem tem boa memória, recentemente eles afirmaram que o Iraque tinha não só uma, mas sim um arsenal de armas químicas. Depois constatamos o que era evidente, o verdadeiro motivo da invasão norte-americana ao Iraque era o petróleo, que diga-se de passagem é explorado até hoje pelos yankees.

Se Ahmadinejad pensa ou não em construir uma bomba nuclear não sabemos, mas o que você faria no lugar dele?

Thiago Menezes

11 de dezembro de 2009

FUTEBIZARRICES - TIME PEQUENO QUE PENSA COMO GIGANTE

O Campeonato Brasileiro de 2009 foi exceção a regra de um sistema de competição que premia o clube mais competente. O campeão deste ano não tem um quadro de sócios tão grande como o do Internacional, a infra-estrutura do São Paulo, um Centro de Treinamentos como o do Cruzeiro ou uma academia moderna como a do Palmeiras. Muito pelo contrário: um clube extremamente endividado, sem um campo descente para treinar e dá regalias ao seu principal jogador. Precisou contratar um antigo ídolo para negociar sua dívida trabalhista e investiu em um treinador tampão que, possivelmente, voltaria à função de auxiliar nos primeiros tropeços.

É chato "chorar" agora e, principalmente, não reconhecer que o futebol apresentado pelo clube carioca foi de campeão. Mas, o que ninguém pensa ainda é que esse estilo de administração, mais comum no futebol em outros tempos, pode ser usado como exemplo. Os clubes citados acima são sempre exemplo a ser seguido e essa situação amadora não pode voltar ao futebol.

Aliás, conhecendo melhor um clube da capital paulista, comecei a perceber que existe dirigentes preocupados com o "jogador ser humano". Um time que investe na formação do jogador como atleta e também como cidadão. Este é o Pão de Açucar Esporte Clube, clube-empresa ligado ao Grupo Pão de Açúcar, de Abílio Diniz. Com apenas cinco anos de atividade no futebol e debutando na Série A2 do Campeonato Paulista, o PAEC, como é mais conhecido, coleciona dois acessos nos últimos três anos como equipe profissional. Mas não é esse o diferencial da equipe.

"É um trabalho muito gratificante para todos nós, que somos um clube recém-formado. Temos um projeto de inclusão social com jovens jogadores, para a formação de cidadãos. Esses garotos recebem toda a atenção até tornarem-se profissionais. Estou contente com os resultados obtidos pelas categorias de base e, principalmente, pelos dois acessos conseguidos em três anos de trabalho", afirmou o presidente do clube, Fernando Enes Solleiro.

Entre 2005 e 2007, o Grupo Pão de Açúcar acertou uma parceria com o Juventus para trocar experiências, comandar um clube de futebol e emprestar jogadores para disputar grandes competições. "A parceria com o Juventus foi para darmos condições aos nossos jogadores disputarem divisões mais elevadas. A experiência foi muito válida, nos serviu como base para entender o funcionamento do mundo do futebol. Acredito que foi um período muito vantajoso para os dois clubes, que criaram um laço forte. É um clube-irmão, oferecemos alguns jogadores para eles e torço para que a equipe volte a disputar a A1 o mais rápido possível", comentou.

O elenco conta atualmente com muitos jogadores que saíram das categorias de base e apenas cinco com idade acima dos 23 anos: o zagueiro Max Sandro, o atacante Sérgio Lobo (ambos desde 2005), o lateral Mineiro, o meio-campista Luiz Fernando e o atacante Leandrão, recém-contratados. Para Solleiro, esses atletas são primordiais para a formação dos jogadores mais novos. "Esse trabalho de integração é muito importante. Por mais que o jovem treine e se dedique no dia-a-dia do futebol, não consegue ter algumas manhas necessárias. Os mais experientes são fundamentais para transmitir sua história de vida. E isso ajuda, inclusive, na formação do caráter desses atletas novos", acrescentou.

Os próprios jogadores concordam com Salleiro. No clube desde 2007, o zagueiro Max Sandro e o atacante Sergio Lobo são as referências para os mais jovens e dividem a responsabilidade de orientá-los. "Todos os meninos nos tratam da melhor forma possível, com muito carinho. Sempre nos perguntam sobre a nossa carreira e procuramos passar nossa experiência para eles. Passei por muitos clubes, mas o PAEC tem uma postura muito profissional. Desde as categorias de base até o elenco profissional, a diretoria nos dá todo o suporte necessário, com palestras e visitas de especialistas. Além disso, a direção procura ter o máximo de critério nas contratações. Eles sempre procuram trazer jogadores que sejam bons dentro e fora de campo", afirmou o zagueiro de 37 anos. Sérgio Lobo, de 33 anos, completa. "Sabemos das nossas responsabilidades e o clube nos dá esse respaldo. O legal é que os jovens também nos passam algumas coisas e essa troca de experiência é benéfica para todos", explicou.

O Pão de Açúcar é conhecido por ter uma infra-estrutura voltada para a formação de jogadores (sim, eles pensam em lucrar também, seria muita inocência achar que não) e criou diversos métodos de motivar e estimular as jovens promessas do futebol.

Um dessas ferramentas é o "Hall de Camisetas", com camisas de jogadores que atuam ou atuaram pela equipe e obtiveram algum destaque no cenário do futebol. O último a ingressar nesse espaço foi o zagueiro Héverton, de 21 anos. Atualmente no Grêmio, ele foi o primeiro atleta formado pelo PAEC a jogar uma partida na Série A do Campeonato Brasileiro. "É uma maneira de valorizar e premiar o atleta. O Hall está no saguão do Centro de Treinamentos, lugar de maior movimento no clube, e o objetivo é imortalizar os acontecimentos e os jogadores formados pelo Pão de Açúcar. É uma forma, porque não, de estimular os mais novos, que poderão ter a oportunidade de ter os seus feitos guardados no time que abriu as portas para eles", explicou Tiago Scuro, diretor de futebol do clube.

No espaço estão ainda camisas de jogadores como Bruno Uvine, zagueiro atualmente na equipe júnior do São Paulo (é o primeiro atleta revelado pelo PAEC a ser convocado para uma equipe de base da Seleção Basileira); do meio-campista Juca, que esteve no acesso à Série A2 neste ano; e do atacante Léo, autor do gol do título do Campeonato Paulista Sub 17, em 2008.

A direção de futebol procura manter contato com os jogadores que foram revelados pela equipe. O mais novo observado é o atacante Rafael Martins, de 19 anos e que atua pela equipe B do Real Zaragoza, da Espanha. Disputando a Terceira Divisão do país, ele marcou quatro gols na vitória por 5 a 0 sobre o CD Cuarte Industrial, no último domingo. "Procuramos manter contato constante. Os jogadores, mesmo já participando do elenco profissional de um clube, continuam em formação e procuramos dar todo o suporte a eles, desde psicólogos até advogados. E um dever do clube formador. É a nossa filosofia", informou o diretor.

Como forma de preparação para 41ª Copa São Paulo de Futebol Júnior, que se iniciará em janeiro de 2010, o clube organiza diversas palestras para motivar e colaborar na formação do jogador. "Os atletas precisam de todas as formas de ajuda para a sua formação. Isso constrói seu caráter e molda sua relação com a sociedade. Até o final do ano, teremos duas palestras por semana com temáticas diferentes e já temos as presenças confirmadas de Hortência, que falará da dedicação ao esporte; José Carlos Brunoro (coordenador de futebol do PAEC), que passará sua vivência no futebol; e Abílio Diniz, que fará uma palestra sobre liderança e competitividade. Já trouxemos também atletas paraolímpicos, que passaram um mensagem de superação, e um treinador de jiu-jitsu, que ensinou-lhes princípios de disciplina", finalizou.

Sobre contratações, o presidente ratificou o que o foi dito por Max Sandro e afirmou que o clube é muito criterioso na escolha dos nomes dos possíveis contratados. Para ele, o jogador não pode ser bom apenas dentro de campo. "Sempre buscamos atletas que se encaixem em nosso perfil e que aceitem a nossa filosofia de trabalho", disse.

E antes que alguém comente algo sobre "dor de cotovelo paulixta", eu queria informar que há um clube na cidade do Rio de Janeiro chamado Sendas Esporte Clube, do mesmo Grupo de Abílio Diniz e presidido pelo mesmo Fernando Enes Sollerio, que faz os mesmo tipos de serviços.

* Texto elaborado a partir de matérias publicadas no Site Oficial da Federação Paulista de Futebol

Gabriel Lopes

10 de dezembro de 2009

REALPOLITIK - VATICANADAS

Ou vaticanices. Não suporto ver os senhores cardeais e os senhores bispos trajados com um luxo que escandalizaria o pobre Jesus de Nazaré, mal tapado com a sua túnica de péssimo pano, por muito inconsútil que tivesse sido e certamente não era, sem recordar o delirante desfile de moda eclesiástica que Fellini, genialmente, meteu em Oito e Meio para seu e nosso gozo. Estes senhores supõem-se investidos de um poder que só a nossa paciência tem feito durar. Dizem-se representantes de Deus na terra (nunca o viram e não têm a menor prova da sua existência) e passeiam-se pelo mundo suando hipocrisia por todos os poros. Talvez não mintam sempre, mas cada palavra que dizem ou escrevem tem por trás outra palavra que a nega ou limita, que a disfarça ou perverte. A tudo isto muitos de nós nos havíamos mais ou menos habituado antes de passarmos à indiferença, quando não ao desprezo. Diz-se que a assistência aos actos religiosos vem diminuindo rapidamente, mas eu permito-me sugerir que também serão em menor número até aquelas pessoas que, embora não sendo crentes, entravam numa igreja para disfrutar da beleza arquitectónica, das pinturas e esculturas, enfim de um cenário que a falsidade da doutrina que o sustenta afinal não merece.

Os senhores cardeais e os senhores bispos, incluindo obviamente o papa que os governa, não andam nada tranquilos. Apesar de viverem como parasitas da sociedade civil, as contas não lhes saem. Perante o lento mas implacável afundamento desse Titanic que foi a igreja católica, o papa e os seus acólitos, saudosos do tempo em que imperavam, em criminosa cumplicidade, o trono e o altar, recorrem agora a todos os meios, incluindo o da chantagem moral, para imiscuir-se na governação dos países, em particular aqueles que, por razões históricas e sociais ainda não ousaram cortar as sujeições que persistem em atá-los à instituição vaticana. Entristece-me esse temor (religioso?) que parece paralisar o governo espanhol sempre que tem de enfrentar-se não só a enviados papais, mas também aos seus “papas” domésticos. E digo ainda mais: como pessoa, como intelectual, como cidadão, ofende-me a displicência com que o papa e a sua gente tratam o governo de Rodriguez Zapatero, esse que o povo espanhol elegeu com inteira consciência. Pelos vistos, parece que alguém terá de atirar um sapato a um desses cardeais.


José Saramago
87 anos, Saramago é escritor, roteirista, jornalista, dramaturgo e poeta. Ganhou o Nobel de Literatura em 1998. Sobre o Nobel, afirma: "Tenho o Nobel. E quê?"

9 de dezembro de 2009

FUTEBIZARRICES - E A COPA DO MUNDO COMEÇOU.


Na última sexta-feira, sob a batuta do excelentíssimo senhor Jérôme Valcke, ele mesmo, o maior critico das idéias brasileiras, dos estádios brasileiros, do futebol, das ruas, dos acessos, do transporte público e do privado também, do sol, da chuva, das mulatas e até da caipirinha. Isso mesmo, tudo aquilo que contém o selo MADE IN BRAZIL faz com que o senhor Valcke torça o nariz. Vá entender. Sob seu comando e junto da bela atriz sul-africana Charlize Theron, vencedora do Oscar de Melhor Atriz, por sua interpretação da serial killer “Aileen Wuornos" no filme Monster - Desejo Assassino, contando ainda com a participação do galã-modelo-ator e nas horas vagas jogador de futebol David Beckham. As bolinhas com os nomes das seleções reservaram algumas surpresas, desagradáveis para uns e alegres para outros.

O grupo A ficou definido com a anfitriã África do Sul, México, Uruguai e a França. A seleção dona da casa não deve ter vida longa na competição, a França de Henry e sua mão mágica devem ter certa facilidade na 1º fase, a outra vaga deve ser disputada por Uruguai e México. Com pequena vantagem para os bi-campeões mundiais que conta com jogadores experientes e que atuam por grandes clubes europeus. Já os mexicanos não vivem sua melhor fase.

No grupo B, nossos vizinhos hermanos tiveram a sorte que lhe faltaram durante toda a eliminatória, dividindo o grupo com Nigéria, Coréia do Sul e Grécia. Os africanos por jogarem em seu continente levam uma pequena vantagem, mas a inexperiência de seus jogadores deve ser levada em conta. Os coreanos podem surpreender, pois o futebol do país evolui e muito desde aquele 4º lugar em 2002. Já os gregos contam com uma seleção rodada, porém carente de grandes jogadores, não acredito que possa se classificar, aposto em Argentina e Coréia.

O grupo C traz a favorita Inglaterra. Não só por seus jogadores, mas por ter no banco um dos principais treinadores do mundo, o italiano Fábio Capelo. A seleção inglesa mescla a experiência de craques como Beckham, Gerrard, Lampard, Ferdinand e Terry, com a juventude de Ronney, Agbonlahor, Carlton Cole entre outros, para formar um dos melhores times dos últimos anos na terra da Rainha. Divide o grupo com os Estados Unidos, Argélia e a fraca Eslovênia. Pelo que fez na última Copa das Confederações, o selecionado americano se classifica até com certa facilidade em segundo do grupo.

Os alemães dividem o grupo D com Austrália, Sérvia e Gana. Um dos grupos mais equilibrados da Copa. A Alemanha manteve a base de 2006, pode se dizer que é a mesma seleção, com os mesmos jogadores e o mesmo técnico, Joachim Löw, mas daí a fazer uma campanha superior à da ultima copa é complicado, pois não contará com o apoio da torcida e muito menos jogará em casa. Austrália e Gana chegaram as oitavas no ultimo mundial, já a Sérvia foi eliminada no grupo da morte ainda na primeira fase. Qualquer uma das quatro podem se classificar e não me espantaria ver a tri-campeã Alemanha de fora.

O grupo E é formado pelas européias Holanda e Dinamarca, com Japão e Camarões. Outro grupo equilibrado. A Holanda é uma eterna favorita e vem jogando um bom futebol. Classificou sem dificuldades e conta com jovens jogadores como van Persie, Robben, van der Vaart, Sneijder e Afellay, que fazem lembrar a seleção de 94 e 98 que deu muito trabalho aos brasileiros. A Dinamarca é sempre uma incógnita, possui uma boa seleção, mas inexperiente. Seus principais jogadores são Jørgensen de 34 anos e Tomasson de 33, juntamente com a revelação Bendtner, do Arsenal da Inglaterra. Japão e Camarões correm por fora. Mas se fosse para apostar, seria em Samuel Eto’o, que mesmo com uma seleção velha pode surpreender por jogarem em seu continente.

No grupo F encontramos a atual campeã Itália, Paraguai, Nova Zelândia e Eslováquia. Os italianos não vivem um bom momento, Marcelo Lippi não conseguiu renovar totalmente sua seleção, mas devido à fragilidade de seus adversários se classifica com certa facilidade em primeiro do grupo, acompanhados da boa seleção do Paraguai. Eslováquia pode ser a surpresa e a Nova Zelândia só veio a passeio mesmo.

Chegamos ao grupo G. A escrete canarinho tem em sua estréia a totalmente desconhecida seleção da Coréia do Norte. Também pudera, alguém tem alguma informação daquele país? Sequer vão transmitir os jogos ao vivo. Será que vão editar os gols? Fazer parecer que não foram massacrados? Os outros adversários do Brasil são a seleção de Costa do Marfim, comandada por Didier Drogba, e Portugal, do egocêntrico Cristiano Ronaldo. Favoritos? Brasil com toda a certeza e a seleção africana. Não acredito em Portugal. Seleção fraca e dependente de um inspirado C. Ronaldo. No papel a seleção marfinense é muito mais forte. Jogador por jogador também. Mas futebol não é só isso.

Por fim, o grupo H trás a também favorita Espanha juntamente com Suíça, Chile e Honduras. Chile e Suíça disputarão a segunda vaga, Honduras é outro que deve ir a passeio. Fernando Torres e David Villa formam uma dupla de ataque que não via desde os tempos de Bebeto e Romário. São mortais. Os ótimos Xavi e Iniesta jogam juntos há alguns anos e sabem o que fazem com a bola nos pés. Casillas é um dos maiores do mundo. David Silva pode ser a surpresa dessa seleção que conta ainda com o Carles Puyol, a maior mentira que o futebol já contou.

Renato Souza

8 de dezembro de 2009

HUMOR7CO

Acompanhe os "quadrinhos de humor" do www.malvados.com.br - assinadas por Andre Dahmer.

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7cismo

7 de dezembro de 2009

REALPOLITIK - NÓS, O DIABO E O AUTOMÓVEL


O triunfo do egoísmo sobre a reflexão cidadã revelar-se-á desastroso em curto prazo, mormente na próxima crise: a do estacionamento

O dramaturgo italiano Luigi Pirandello (1867-1936) disse, na década de 1930, que "o automóvel é uma criação do Diabo". Mas qual seria a estratégia empregada pelo Diabo e qual o seu objetivo?
Por meio do mecanismo da sedução, o Diabo tornou o automóvel um objeto de desejo do ser humano, pois o carro nos dá um onipotente sentimento de liberdade: locomovo-me quando quero, para onde quero e com quem eu quero! Contudo, o automóvel não nos seduz só ao agir sobre a natural aspiração de liberdade, mas também ao nos distinguir de quem não tem um: somos diferentes, melhores, com mais recursos ao revelar aos demais que temos um carro. Finalmente, e o Diabo nos conhece bem, o carro seduz porque é um objeto bonito, sensual e poderoso.

Mas qual seria o real objetivo do Diabo? Utilizando a sedução irresistível, o egoísmo e a ambição por status dos seres humanos, alcança o objetivo diabólico de gerar o caos nas cidades, o congestionamento das vias, a impossibilidade de estacionar, tudo seguido da paralisação da vida urbana.

Perante Deus, o anjo caído sempre se mostrará inocente, pois são os seres humanos que, em sua imprevidência, cupidez e estupidez, provocam o caos.

Segundo as principais religiões monoteístas, o homem foi criado à imagem de Deus, sendo vital sua controvérsia com o Diabo. Porém, segundo outras religiões, os deuses, cuja biografia constitui mito, foram moldados a partir de características (boas e más) do ser humano. Donde sua ambivalência multiuso.

Não nos admiremos, portanto, se, no caso do automóvel, nos entregamos ao mal com prazer, sorriso nos lábios. Será preciso muito esforço para dominá-lo, reduzindo-o a um objeto útil e bonito, mas com menos poder demoníaco sobre nossas mentes, retirando-lhe o poder de obliterar nosso pensamento e ofuscar realidades.

Mas este artigo não pretende ser reflexão metafísica. Os parágrafos anteriores introduzem comentário sobre o comportamento das pessoas, dos formadores de opinião, dos governantes a respeito de alguns fatos atuais da cidade de São Paulo: a) a pressão sobre a prefeitura para que veículos voltem a circular no vale do Anhangabaú; b) o aumento das pistas da marginal do Tietê; e c) o sacrilégio que se comete no Pátio do Colégio.

O atual Anhangabaú é uma reconquista dos direitos do pedestre no coração da cidade e resultou de concurso que, entre 95 propostas, tive a ventura de vencer em 1981, com coautoria da paisagista Rosa Kliass. Sua implantação, dez anos após o concurso, deve-se à iniciativa dos prefeitos Jânio Quadros (a praça da Bandeira) e Luiza Erundina (o restante do vale).

Embora destinado primordialmente a atividades envolvendo pedestres, todos os problemas de circulação de veículos na área foram considerados e resolvidos. Agora, por pressão dos comerciantes locais, que olvidam o fato de que a única atividade comercial a exigir a presença do carro é o posto de combustível, a prefeitura é solicitada a permitir novamente a circulação de veículos em parte do vale.

Segundo exemplo: para o alargamento das faixas carroçáveis das marginais do Tietê, começou o corte das árvores. Anuncia-se que haverá vasto plantio de reposição, mas não se diz que tal compensação se dará na APA do Tietê, entre Itaquaquecetuba e as nascentes do rio em Salesópolis.

E não se menciona na mídia a existência de alternativas para obter o pretendido e necessário descongestionamento diário das marginais: o rodoanel norte e as duas vias de suporte leste-oeste, paralelas às marginais, diretrizes do Plano Diretor propostas desde... 1968.

Por fim, São Paulo tem um espaço sagrado: o Pátio do Colégio, emblemático lugar da fundação da cidade. Em sua reurbanização, que projetei com misto de emoção e honra, na década de 1970, cogitei sobre essa sacralidade, limitando-me ao ensinamento "o menos é mais": espaço e lugar de visitação respeitosa e reflexão silenciosa. Pois os responsáveis por sua manutenção, embora ligados à ordem religiosa que fundou a cidade, transformaram-no em estacionamento dos veículos da Associação Comercial!

Compreende-se que ninguém seja contra o próprio carro. Nem sequer os que não o têm, mas aspiram um dia a tê-lo. Detestamos a existência do carro dos outros na nossa frente. Porém, o triunfo do egoísmo primitivo sobre a reflexão cidadã, do imediato sobre o definitivo, revelar-se-á desastroso em curto prazo (mormente quando da próxima crise: a do estacionamento).
Será que o silêncio em torno dessas "entregas" ao automóvel faz parte do projeto do Diabo? Nem instituições responsáveis pela preservação e órgãos de classe que deveriam defender projetos, nem editores da mídia e governantes manifestam-se a respeito dessas obras. Elas vão avançando envoltas no silêncio cúmplice em busca da conveniência egoísta e urgente, levando a melhor sobre o planejamento, sobre o futuro da cidade e a vida de todos nós.

Jorge Wilhelm
81 anos, é arquiteto e urbanista. Foi secretário municipal de Planejamento Urbano de São Paulo (governo Marta Suplicy), secretário-geral da Conferência Habitat 2 da ONU, secretário estadual de Economia e Planejamento (governo Paulo Egydio) e secretário estadual do Meio Ambiente de São Paulo (governo Quércia).

4 de dezembro de 2009

FUTEBIZARRICES - O QUE ROLA PELO MUNDO 9


CHIPRE

Pos Times - Pontos
1 Omonia - 27
2 Apollon Limassol - 24
3 Anorthosis - 24
4 APOEL - 23
5 APOP - 23
6 AEL Limassol - 19
7 Ermis Aradippou - 12
8 Aris Limassol - 12
9 AEP - 12
10 Enosis - 10
11 DOXA - 9
12 Achnas - 7
13 APEP - 5
14 Nea Salamis - 3

QATAR

Pos Times - Pontos
1 Al-Sadd - 23
2 Al-Gharafa - 20
3 Al-Arabi - 18
4 Al-Wakrah - 16
5 Al-Rayyan - 12
6 Al-Sailiya - 10
7 Qatar SC - 10
8 Al-Kharitiyath - 9
9 Al Ahli - 7
10 Umm-Salal - 7
11 Al-Khor - 6
12 Al-Shamal - 6

BERMUDA

Pos Times - Pontos
1 Devonshire Cougars - 28
2 Boulevard Blazers - 28
3 Dandy Town - 25
4 North Village Rams - 18
5 Southampton Rangers - 17
6 Hamilton Parish - 17
7 PHC Zebras - 16
8 Devonshire Colts - 3

PARAGUAI

Pos Times - Pontos
1 Nacional - 40
2 Libertad - 37
3 Guaraní - 35
4 Rubio Ñú - 34
5 Olimpia - 31
6 Cerro Porteño - 29
7 Tacuary - 28
8 3 de Febrero - 23
9 2 de Mayo - 22
10 Sol de América - 21
11 Sportivo Luqueño - 19
12 12 de Octubre - 16

CABO VERDE

Grupo A
Pos Times - Pontos
1 Académica da Praia - 13
2 Mindelense - 12
3 FC Ultramarina - 7
4 Onze Unidos - 7
5 SC Santa Maria - 2
6 Foguetões - 1
Grupo B
Pos Times - Pontos
1 Sporting da Praia - 13
2 Sporting de Porto Novo - 9
3 Vulcânicos - 7
4 Morabeza - 7
5 Estrela dos Amadores - 6
6 Académica Operária - 1

ILHAS SALOMÃO

Grupo A
Pos Times - Pontos
1 Koloale FC Honiara - 12
2 Marist FC - 12
3 Sunbeam - 9
4 Fasi Roos FC - 4
5 Soloso FC - 4
6 Malango FC - 2
Grupo B
Pos Times - Pontos
1 Uncles FC - 13
2 Makuru FC - 11
3 Kossa FC - 10
4 Banika Bulls FC - 6
5 Malu'u United FC - 3
6 Gossa FC - 0


Gabriel Lopes

3 de dezembro de 2009

UMUNDUNU – ETÍLICO IMPROVISO


Tidão, meu vizinho, passa por mim doidão a cantarolar a seguinte canção:
- Segura aí, se segura malandro, se segura...

Disse, chamando para si a atenção e emendou:
- Pois é... Jacaré comprou cadeira, mas não tem bunda para sentar. Em casa de Saci Pererê, uma calça veste dois. Circo Marimbondo, circo Marambaia. Larga minha franja, não me atrapalha.

Nasceste nua, vestida estás. Após a pós modernidade vem a imensa saudade.
Todos vão dizer que falo demais, e que ando bebendo demais, que não largo o cigarro e dirijo meu carro, correndo e sempre chegando ao mesmo lugar, qual João Donato, estou louco por direito e de fato. Se quiseres saber se eu te amo ainda, procura entender que a Barra funda é linda. Vai, vai... Não vou. Não vou, eu não sou alguém de ir em promessas de amor. Não! Eu só vou se for para ver uma estrela amanhecer na manhã de um novo amor.

É, moro em cima do sapato, vivo pleno em movimento. Rio, apelidando átomos. Se queres me enganar, diga que é para sempre ou nunca mais, tanto faz. Saíste batendo a porta, estavas louca para ficar. Estou contigo e não abro. Estamos juntos e misturados feito água e querosene. Êtcha! Mundo chucro! Curral demente.

Falando sério, só te queria por acaso. Eu sequer sonhei, nunca fui ao cinema, não gosto de festa, não vou à Ipanema, não gosto de chuva, não gosto de sol. Vesti uma camisa listrada e saí por aí. Caminhei por aí, para ver se encontro a paz que perdi.

Ah! Estas cordas de aço deste minúsculo braço. Camisa aberta, quando a saudade aperta. Pela cidade palco iluminado, sigo alerta, estou palhaço, vou ao samba e vou ao rock. Quero ver minha espanhola natural de La mancha. Ser Quixote tomando sorvete. Baby, faz tanto tempo! Malandragem dá um tempo, deixa essa pá de sujeira ir embora.
Nada do que foi, será. Como uma onda no bar.

E pra finalizar deu um aceno e entrou em sua casa ainda a cantar:
- Até amanhã, até amanhã se Deus quiser, eu vou para casa, vou rever minha mulher...

Claudio Zumckeller

2 de dezembro de 2009

REALPOLITIK - O IMORTAL BIGODUDO DOS MARIMBONDOS


José Ribamar Ferreira de Araújo Costa, vulgo bigodudo do Maranhão. José Sarney. Imortal. Não, este blog não se refere à condição de imortal dada aos escritores, com a qual o atual titular da cadeira número 38 da Academia Brasileira de Letras, o próprio Sarney, foi agraciado.

Acredita-se que, quando uma hecatombe nuclear destruir a Mãe Terra, só sobreviverão as baratas, o Keith Richards e José Sarney. Fico com pena de Keith e das baratas. Imaginem ter de conviver com o homem dos marimbondos incendiários - ou seriam de fogo. Bem, isso pouco importa. Aaaahhh, ele também escreveu "O Dono do Mar"... Eu completo "anhão"! Essa foi fácil!

Este blog assina os jornais Folha de S.Paulo e O Estado de S.Paulo, além de ler as versões online de O Globo, Jornal do Brasil, Valor Econômico, Zero Hora, Correio Braziliense (sim, ignorantes, o do jornal se escreve com "Z"), Lance... Não, este não, todos os dias. Assina e lê para ficar nervoso, claro. E para fazer pesquisas que ninguém notará.

A última, uma compilação preocupante das matérias que envolviam o Senador Republicano (que lástima!), dá a exata dimensão do estrago: Nas últimas sete semanas, não passou um só dia - UM SÓ DIA, inclusive sábados, domingos e feriados - em que não eram publicadas denúncias contra Sarney e seus asseclas, familiares muito incluídos. Filha, filho, neta, neto, namorado da neta, mordomo, assessores, muitos assessores, centenas de milhares de assessores foram pegos com a boca na botija, a mão na cumbuca, batendo nossa carteira. Logo virão os bisnetos, e mais assessores, bilhões de assessores.

Nosso Guia - ele mesmo, o pelego-mor lá do Planalto Central - só agora mostrou-se duro. No discurso das 11:27, o mal nascido e bem criado teria dito "ele que se vire". Foram as palavras mais fortes. Para "ele", entenda-se "Sarney"; e para "que se vire", entenda-se por "renuncie". Ele teria perdido a oportunidade de bater no Sarney no discurso das 11:23. Como o discurso das 11:29 seria de outro assunto, só sobrou o das 11:27. E à tarde, bem à tarde ele teria mais 211 discursos, mas muitos deles o falta-dedo-mindinho-da-mão-esquerda usaria para falar da Dilma, do pré-sal e do Corinthians.

Claro, depois que a popularidade do ex-funcionário da Villares despencou a níveis pós-mensalão, o paz-e-amor lá de Caetés deve ter pensado em Jader Barbalho (da tropa de choque de Collor, seis meses na presidência do Senado FEDEral, renunciou por denúncias de corrupção) e em Renan Calheiros (da tropa de choque de Collor, seis meses na presidência do Senado FEDEral, renunciou por denúncias de corrupção). Agora tem o homem dos marimbondos (da tropa de choque quase literal da ditadura militar, seis meses na presidência do Senado FEDEral, ainda não renunciou por denúncias de corrupção).

Começo a pensar nesta nova espécie de animais, o politicus curruptus, que, junto de baratas e o Keith Richards, vai sobreviver à hecatombe nuclear e ao aquecimento global. Penso e me invejo de sua imortalidade. E fico a indagar: para que raios serve este tal de Senado FEDEral?

Rodrigo De Giuli

1 de dezembro de 2009

FUTEBIZARRICES - SÉRIE B: O PARAÍSO É LOGO ALI, EMBAIXO.


Rebaixamento, palavra que assombra todos os anos alguns milhares de torcedores pelo país inteiro. Sejam nos estaduais ou nas divisões menos importantes, essa palavra mete medo em muitos clubes do Brasil. Nos últimos anos, clubes grandes do nosso futebol passaram a conviver de perto com esse fantasma. O que antes parecia ser uma utopia, ver um time grande disputando a Série B, aconteceu e vem acontecendo com certa regularidade.

Equipes campeãs como Palmeiras, Botafogo, Grêmio, Atlético-MG, Coritiba, Corinthians e recentemente o Vasco, sentiram o gostinho de disputar a segunda divisão.

Mas afinal, existe vida após a queda?

A resposta é muito simples, sim. Todos esses times se reestruturaram após a queda, tiraram proveito da lição e aprenderam com seus próprios erros. Mas como para toda regra existe uma exceção, para esta também existe e se chama Botafogo de Futebol e Regatas.

Os primeiros a caírem foram Botafogo e Palmeiras no ano de 2002 e que abrilhantaram a série B em 2003. Começava ali uma nova segunda divisão, era o primeiro passo para a mudança, esse campeonato começou a ser televisionado e ganhou certa importância.

Depois de bater na trave em 2003, no ano seguinte não teve jeito e o campeão mundial Grêmio fazia sua pior campanha em campeonatos brasileiros terminando na lanterna do campeonato. Em 2005 foi a vez do galo mineiro. Em 2007, um dos principais times do país, mesmo com ajuda de sua fiel torcida, o Corinthians experimentou o gosto amargo do descenso e no ano passado o Vasco da Gama completou nossa lista de grandes rebaixados.
Lágrimas, revolta, chacota dos adversários, tudo isso foi engolido goela a baixo com muita dificuldade. Mas todos deram a famosa volta cima. Palmeiras e Botafogo que juntos caíram e juntos voltaram para a Elite. O Palmeiras logo no seu retorno, em 2004, conquistou uma vaga na Copa Libertadores do ano seguinte. Já o Fogão, por um pontinho apenas, não teve seu pesadelo revivido. Terminou o campeonato na 20ª posição com 51 pontos. O rebaixado Criciúma conquistou 50 pontos.

Em 2005, um dos jogos mais dramáticos da história do futebol tupiniquim coroou a conquista e o retorno o Grêmio. O jogo que ficou conhecido como Batalha do Aflitos foi vencido pelo tricolor gaúcho por 1x0 nos acréscimos da etapa complementar. Mas o drama não foi só esse. O Náutico jogava com três homens a mais e já havia desperdiçando dois pênaltis. No seu retorno o Grêmio terminou em 3º lugar conquistando assim uma vaga na Libertadores, na qual seria derrotado somente na final pelo Boca Juniors da Argentina.

Já o Galo teve um caminho mais fácil, e conquistou o título em 2006 sem passar por aflição alguma. Em 2007 o Coritiba repetiu a campanha dos mineiros, e também não enfrentou grandes dificuldades em seu retorno à elite. O mesmo pode ser dito do Corinthians, que obteve a melhor campanha em todos os tempos da segundona e no ano seguinte já conquistou o Campeonato Paulista e a Copa do Brasil. Neste ano o Vasco pareceu querer dar um pouco de emoção ao campeonato. Depois de um começo conturbado a equipe do bom Dorival Junior, conseguiu encontrar o bom futebol no meio da competição e arrancou para a liderança, trazendo consigo o Ceará, o Guarani e a surpresa Atlético de Goiás

Da série B vem também dois dos principais contratos de patrocínios dos últimos anos. O Corinthians recebe por um ano de contrato com a Medial Saúde R$16,5 milhões e o Vasco R$14 milhões por duas temporadas com a Eletrobrás.

Revelações também surgiram nesse longo e turvo caminho de retorno à elite do futebol brasileiro. No Vasco surgiram Souza e Alex Teixeira, destaques da seleção sub-20 e Philipe Coutinho craque da sub-17. O Corinthians revelou o bom Dentinho e ainda fez surgir para o futebol André Santos, Cristian e Elias. Já o Coxa nos apresentou Rodrigo Mancha, Pedro Ken, Marlos e Keirrison. Destes quatro, apenas Ken continua no clube, mas de contrato acertado com o Cruzeiro. No Grêmio apareceram Lucas e Anderson, ambos os jogadores da seleção principal e destaques de Liverpool e Manchester United, respectivamente. Sem falar no bom goleiro Galatto e no excelente treinador Mano Menezes, que já detinha a façanha de levar o XV de Novembro, de Campo Bom, a uma semifinal de Copa do Brasil. O paulista Palmeiras revelou Vagner Love, o lateral Lúcio e o zagueiro Glauber, hoje no Manchester City da Inglaterra. Já nos mineiros do Atlético, surgiu o bom goleiro Diego Alves, hoje no Almería da Espanha e de passagens pela seleção. Thiago Feltri, Welton, Felipe e Tchô, que hoje integram o elenco principal do time no campeonato, Marcinho, ex-Flamengo, hoje no Qatar e ainda Danilinho, que hoje joga no futebol mexicano.

Para alguns um tormento. Para outros a salvação financeira. Essa é a segundona, que vive atormentando os clubes brasileiros o ano todo. Mas como tudo na vida tem o seu lado bom, às vezes cair pode ser muito benéfico para time e torcida.

Renato Souza

30 de novembro de 2009

UMUNDUNU - CORRENTE ALTERNADA/CORRENTE CONTÍNUA

Dia 27 de novembro. São sete horas e meia. O sono está longe, tento pregar o olho desde as 3 da manhã e a angústia corrói qualquer lapso sonífero. Tática infalível, pego um livro – só não o queimo por causa destes momentos – chamado “Quando Ele Voltar”. Agora sim... Essas palavras têm realmente algum poder mágico. Acredito que dormi por volta das oito horas.

Além alvorada, acordo acelerado, abstêmio. Apago abajur. Abrigo abafado. Alimento: abacaxi ácido. Ameaço ancorar-me. Aniquilo. A ansiedade agrava. Acintosamente agrupo adianto. Abonado. Aliás... Alma alucinada, agenda apertada, afago, agradeço. Aparvalhado, apaixonado, arranco-rabo. Aclamado automóvel acarinha a avenida.

Na metade da Avenida 23 de Maio, o carro pára. Trânsito intenso. Cruzar a cidade de São Paulo nas tardes de sexta-feira é, praticamente, missão impossível. O clima agrava certo mal-estar. São 32 graus. O sol não castiga, mas o mormaço transforma o interior do carro em uma sauna. O percurso de 16,5 km até o estádio Cícero Pompeu de Toledo seria longo.

Tudo parado na Avenida Rebouças. Já estávamos cozendo dentro do carro. O rádio ligado na Kiss FM, trazia inúmeros sucessos da velha guarda rockeira: Jimi Hendrix, Queen e Pink Floyd. Mas quando os primeiros acordes de Hells Bells rasgaram os alto-falantes, fomos ao delírio. Janelas abertas, cabeças para fora. Não éramos os únicos, a maioria dos motoristas aumentou o volume de seus rádios e o show começou ali. A banda AC/DC subiu ao onírico palco às cinco horas da tarde, em plena Rebouças.

Já estamos três horas dentro do carro. Chegamos ao estacionamento do Shopping Butantã, nossa única esperança, até que algum filho da puta lembrou-se do mundo capitalista selvagem em que vivemos. Preço: R$100. Passamos batido, amaldiçoamos o ser que cometeu tal ato, e fomos à busca de um canto para largar o pequeno Palio.

Conseguimos. Rua Roteiro. Alguns metros do estádio. Preço cobrado pelo flanelinha: R$20 mais um cigarro. Dei de bom grado, com sorriso no rosto. A rua era tomada, aos poucos, por pessoas, vans, viaturas, vendedores ambulantes e ambulâncias. A praça em frente ao glorioso estádio estava lotada. Homens novos, velhos, mulheres novas, velhas, lindas. O caminho até o portão número cinco é cheio de obstáculos. Inúmeros fãs andavam em fila indiana para não se perderem. Após apresentar o ingresso, guardado com extremo zelo durante dois meses, e a revista policial, entramos no estádio.

Era um verdadeiro culto. Milhares de pessoas amontoavam-se no gramado, cadeiras e arquibancadas. O número divulgado é de 65 mil, mas os olhos não se enganam. O Morumbi recebia muitos milhares a mais. Seres de todas as crenças, cores, tamanhos e idades. Em minha frente: dois senhores de, provavelmente, 50 anos. A minha direita: duas belíssimas mulheres. A minha esquerda: alguns jovens bem alterados pelo álcool. Atrás: alguns jovens bem alterados pela ganja. Com o estádio mergulhado na escuridão, era possível ver inúmeros chifres vermelhos piscando. O adorno pintava o negro com luzes intermitentes.

21:30. Pontualmente, o espetáculo começa. Explosões, muitas explosões. Um trem invade o palco e os vovôs australianos aparecem. Frenesi. Êxtase. Logo ali na frente estão Angus Young, com seu terno e sua guitarra Gibson SG, Brian Johnson e sua boina, Malcom Young, Cliff Williams e Phil Rudd segurando a cozinha.

Escrevi esse parágrafo inúmeras vezes. Reescrevi. Não é possível externar os sentimentos que o AC/DC causa em seus fãs e como seu show foi magnífico. Só não digo perfeito, pois faltaram alguns clássicos (a turma jovem não liga). Tecnicamente, vou descrever alguns acontecimentos. Durante a música The Jack, Angus Young fez um strip-tease que só chegou ao fim quando mostrou sua cueca preta desenhada com o logo da banda. Whole Lotta Rosie foi acompanhada com uma gigantesca boneca, apenas de lingerie, montada - e “cavalgando” – sobre um trem que ficava no fundo do palco. Em Hells Bells, um enorme sino ficou suspenso e Brian Johnson, no auge dos seus 62 anos, correu mais de 100 metros até o badalo do idiofone e dependurou-se nele até o som começar a vibrar através da lingueta interna. Highway To Hell trouxe o inferno ao estádio. Fogo, chifres e gritos. O espetáculo foi finalizado com For Those About To Rock. Inúmeros tiros de canhão e fogos de artifício fecharam a noite. Brian grita no microfone: “We salute you, São Paulo. We salute you”. Estranho dizer isso, mas eu não era o único com os olhos marejados.

Saímos do estádio como crianças em uma manhã natalina. Era fácil descrever como nos sentíamos: todos os adjetivos positivos, juntos. Foram 13 anos de espera.
Voltamos em 45 minutos para nossas casas. Contrastante com o tempo de ida.

Os carros passavam ao nosso lado, as pessoas, tudo parecia lindo e ao mesmo tempo sem sal. Dificilmente viveríamos outra noite igual a essa. AC/DC nos deixou em pedaços. Ficamos atordoados.

“Sound of the drums beating in my heart. The thunder of guns tore me apart. You've been… Thunderstruck.”


Felipe Payão

29 de novembro de 2009

UMUNDUNU - A VIDA QUE É MENOS VIVIDA QUE DEFENDIDA

O poema Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto, morto há 10 anos, adaptado em muitas linguagens, já foi encenado por José Celso Martinez Corrêa, musicado por Chico Buarque e filmado por Zelito Viana

Mais um Severino como tantos. Severino da Maria do Zacarias, lá da serra da Costela, limites da Paraíba, de cabeça grande, ventre crescido, pernas finas e sangue ralo. Severino vem de onde se morre de velhice antes dos trinta, de emboscada antes dos vinte, de fome um pouco por dia, de fraqueza e de doença, de morte morrida ou de morte matada.

Segundo o filósofo alemão Martin Heidegger, o homem é um ser que caminha para a morte, a única certeza da existência humana. Não há outra forma de explicar a saga do retirante Severino, senão como a fuga da morte. Obra popular e escrita como uma peça teatral medieval, o poema Morte e Vida Severina – Auto de Natal Pernambucano, de João Cabral de Melo Neto, é uma interessante alegoria da morte que persegue Severino durante sua viagem ao Recife. Como personagem da obra, a morte aparece de várias formas durante o percurso do emigrante.

Severino vive no agreste pernambucano. Sem trabalho e fugindo da seca, resolve ir para o Recife, em busca de vida melhor. Pelo caminho, o personagem encontra outros Severinos em situações que lhe impingem dúvidas e medos. Um defunto, Severino, morto em emboscada por causa de terra. A triste visão do rio Capibaribe seco, que lhe faz perder o rumo. É outra metáfora, desta vez a da sina do retirante que vai para o mar fugindo da seca que corta a passagem. O velório de mais um Severino, numa das paradas. A procura pelo trabalho escasso, esperando que o rio dirija o caminho novamente. A rezadeira profissional vivendo da morte alheia, talvez uma das poucas com uma vida menos severina. Avista um canavial, a terra cultivada, a água que mina abundante. O emigrante pensa na fartura, até descobrir que o que vê é um latifúndio. A crítica ao coronelismo aparecendo de forma lírica. E mais um velório, provavelmente o morto é outro Severino. Continua sua saga em direção ao mar. Já cruzou o Agreste, a Caatinga e a Zona da Mata. Até chegar ao Recife.

Na capital, descansando ao lado de um cemitério, Severino ouve a conversa de dois coveiros. Eles reclamam das gorjetas maiores dadas pelas famílias dos mortos enterrados em outro cemitério.

O retirante descobre que a vida severina também está no Recife, dura, sem facilidades. O que os retirantes seguem é seu próprio enterro. Torcem para que a morte chegue logo; o Severino do poema pensa em se matar. É quando a explosão da vida lhe ensina, através das palavras do Zé Carpina, que não há espetáculo maior que o da vida, mesmo que seja uma vida severina acabada de nascer.

Assim como no romance Vidas Secas, de Graciliano Ramos, o retirante é o tema central da história. Em contrapartida, o poema Morte e Vida Severina é mais otimista. No romance, o emigrante foge da seca e nunca encontra refúgio seguro. Está preso a um ciclo. Em João Cabral de Melo Neto, o homem sofrido do nordeste tenta escapar da morte inutilmente, até descobrir a explosão da vida, mesmo manifestada num corpo recém-nascido raquítico.

Entretanto, o otimismo não direciona a narrativa do poema a um típico final feliz. Ao contrário do que escreveu outro filósofo alemão, Friedrich Nietzsche, o que não mata o retirante também não o fortalece – a fome e a seca esgotam-no. O poema é direto, visceral. Sua oralidade facilita a interpretação. O naco de esperança exposto apenas no final não é um mero clichê, mas clara valorização da beleza e da crença na vida, através da contradição entre a dureza do sertão e a fragilidade do ser humano que, apesar disso, resiste.

Obra: Morte e Vida Severina – Auto de Natal Pernambucano
Autor: João Cabral de Melo Neto (1920-1999)

Editora Objetiva

Poesia

2007
- 176 páginas - R$ 29,90 (preço sugerido pela editora)


“Os homens temem a morte como as crianças temem ir no escuro; e como esse medo natural das crianças é aumentado por contos, assim é o outro.” (Francis Bacon)

Rodrigo De Giuli

27 de novembro de 2009

UMUNDUNU - MAIS UM DIA DE TRABALHO

Seis e quinze da manhã, o celular desperta. Já é possível ver riscos do sol rabiscados na parede do quarto. Os olhos insistem em permanecer cerrados. O corpo mole teima em se erguer. Não há alternativa. É hora de começar mais um dia. A temperatura deve estar rodeando os vinte e cinco graus. Nada pode ser mais agradável e revigorante do que uma ducha gelada. O cheiro do café toma conta da casa. Mais alguns minutos e estarei pronta.

Sete e quinze, monto na bicicleta. Fecho os olhos e a sensação de liberdade é tão real quanto o vento que esvoaça meus cabelos. A terra molhada pelo orvalho exala um perfume encantador, capaz de provocar instantes de paz, como se a vida fosse delicada como os pequenos detalhes perceptíveis apenas com uma porção de sensibilidade.

Dobro a esquina e já posso ver a movimentação. A loja está aberta. Todos estão entrando e tomando suas posições. Antes mesmo de adentrar totalmente, a realidade me diz bom dia.

Os pássaros calam-se e toda área é tomada por gargalhadas e palavrões. A fragrância inebriante de minutos se perde entre os corredores e o que sinto agora é apenas o odor natural da borracha.

Não, ao contrário do que pensam, não há nenhuma discussão que explique as gargalhadas ou palavrões. Nem me refiro a um ambiente de reciclagem quando menciono o fedor que vem do estoque. É simples, este é o meu trabalho. Sou vendedora de autopeças e o forte da empresa são borrachas automotivas.

O telefone toca, antes mesmo de terminar a frase decorada que faz parte de minhas funções, sou interrompida por um chucro mandando-me passar a ligação para um vendedor. Com toda educação que disponho respondo prontamente:
- Sim, pode falar.

Uma risada irônica antecede as palavras vomitadas:
- Você é surda minha querida? Quero falar com um vendedor?
Minha mãe me disse que devo respeitar a todas as pessoas. A vida me ensinou que minha educação corresponde à que recebo de cada um. Assim sendo, resta-me dizer:
- Não, não sou surda senhor, ao contrário, parece-me que o senhor é que não compreendeu. Sou vendedora, então, em que posso ajudar?
- E desde quando mulher entende de carro?
- Não estou aqui para lhe responder essa pergunta, mas por que não tenta?

Toques histéricos de telefone, homens suados e fedidos fazendo cantadas que causam náusea, sim, pois são poucas as criaturas do sexo masculino que se portam com hombridade. Esse é só o começo de mais um dia útil em minha vida.

Os ponteiros do relógio parecem passear sem pressa, como se zombassem de mim. Sabe que até fico feliz quando chega um mecânico com uma sacola cheia de mangueiras de radiador, filtro de ar ou tampa de válvula, sem descrição exata, assim me perco entre as prateleiras procurando semelhanças para adaptar. Quando volto ao escritório, sinto-me vingada, os ponteiros parecem ter corrido e a hora de voltar para casa está próxima.

São tantos os “causos”. Coisas que mais parecem piada. Não daria para contar, levaria muito tempo.

Volto para casa sonhando com o chuveiro gelado. O perfume da terra já não consigo sentir, o da borracha parece querer dominar, assim como os clientes que atendo no balcão.

A estrela que desenha meu quarto só voltará daqui a algumas horas. Por enquanto, deu lugar à lua. A lua, como me encanta! Seu brilho suave parece envolver todo o quarto, embalando meu sono.

Por que é tão difícil dividir o mesmo espaço e admitir a igualdade? A natureza faz isso. Há o tempo do sol e o da lua. Há o tempo da junção dos dois, o que torna tudo mais intenso. O perigo está em lutar contra isso, pois, no momento em que ocorre a união de ambos, o mais suave dos dois, toma a frente mostrando a sua força.

Colaboração de Rivânia Nobre

26 de novembro de 2009

REALPOLITIK - AOS QUE PREFEREM AS SOMBRAS


Os olhos que tudo vêem. Os ouvidos que tudo ouvem. O onipresente, onisciente e onipotente Big Brother, o grande irmão (esqueça aquela porcaria de reality show holandês, que virou mania mundial, Brasil infelizmente incluído via Rede Globo). Pobre Winston...

O britânico Eric Arthur Blair (1903-1950), cujo pseudônimo George Orwell se fez conhecido romancista, finalizou, em 1948, seu mais importante trabalho: o livro 1984 (Os dígitos 4 e 8 invertidos do ano que ele concluiu o romance).
Blair – ou Orwell, como o escritor ficou imortalizado – vivia num ambiente pós-guerra, em que o nazi-fascismo de Adolf Hitler e Benito Mussolini levaram à fome, à destruição e ao caos.

O fantasma do comunismo crescia, imediatamente após a divisão do espólio de guerra entre os capitalistas EUA e Inglaterra e os “socialistas” soviéticos, gerando uma tensão e, consequentemente, levando-os à Guerra Fria.

Este mundo apocalíptico, tristemente apodado de “orwelliano”, influenciou decisivamente na autoria de seus livros. Mesmo nos acrônimos e neologismos criados por Orwell, tem-se a impressão de realismo e similaridade incríveis.

O pessimismo do autor levou-o a pensar num mundo controlado por ditadores e com o povo à mercê de suas vontades. Não parecia longe da verdade, se tivermos como exemplos a extinta União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) ou a atual Coréia do Norte.

O escritor deixou esta impressão muito evidente na excelente parábola A revolução dos bichos (1944), uma alegoria anticomunista. São Estados totalitários, controladores e antidemocráticos, na visão do autor.

Em todos os países com regime ditatorial a imprensa foi – ou ainda é – tolhida, não há liberdade de expressão e manifestação do pensamento. No caso atual, e até mesmo referindo-se àquela época, não há outra forma de se entender a sociedade, especialmente a partir dos Meios de Comunicação de Massas (MCM): manipulados conforme os interesses do poder vigente.

Entretanto, não são apenas os países de regime totalitário que restringem o trabalho da mídia. Tal impedimento ocorre, de forma sutil e velada, também na democracia. Uma suposta liberdade de imprensa é, na maioria dos casos, apenas discurso. Controlada por – e à serviço de – governos ou empresas, os veículos de comunicação reverberam os interesses mais íntimos destes setores, embora não abertamente.

Esta imprensa, pouco retratada no livro, mas de grande importância na ficção orwelliana, é que, através da mudança de sua própria história pelo Grande Irmão, muda também os destinos políticos – e consequentemente sociais e econômicos – da Inglaterra de 1984.

Tal qual no “Mito da Caverna” de Platão, a mídia cria suas “verdades” que refletem e ecoam em nossas casas. Ver sombras e tomá-las como verdadeiras. A busca de uma padronização, moldando e agradando o público com produtos medíocres, sem valor crítico.

Novelas, desenhos animados, noticiários, filmes, tudo é produzido para distribuir o que pregava o positivismo. É a senha para “a Ordem e o Progresso”.
Não é o caso do livro de Orwell: ao contrário, ele denuncia, através de sua obra, o controle exercido por um Estado totalitário.

Talvez seja uma certa influência de pensadores da Escola de Frankfurt que, na contramão da padronização imposta pelos funcionalistas (ou positivistas), induzem ao pensamento crítico, trazem à tona contradições que geram discussões quanto à radicalização da sociedade da época.

Faz parte das atribuições dos MCM associados a este status quo criar as aparências que serão inevitavelmente absorvidos por uma “turba” acrítica e suscetível à manipulação (sem referência exlícita aos “alunos” do campus ABC da Uniban), com o mínimo de esforço possível e o máximo de abrangência necessária para exercer tal domínio.

A imprensa, mesmo na democracia, não é livre. Pois é exatamente este mundo democrático que alcunhou a imprensa de “O Quarto Poder”. A mudança, neste caso, não seria necessariamente da história.

E o que sabemos sobre nossa história? Quem a estudou e quem a disseminou? Não foi a mesma elite que agora tenta nos controlar com seus produtos?

Falar de Fidel Castro e a propaganda político-social emanada pelo diário Granma é simples e que não tem na associação entre o ex-presidente norte-americano George W. Bush – através de seu vice-presidente Dick Cheney – com a Halliburton, “segundo a Fox News”, uma facilidade tão aparente.

Adolf Hitler, Benito Mussolini, Francisco Franco, Pol Pot, Joseph Stálin, Mao Tse-tung, Nicolae Ceausescu, Augusto Pinochet ou François “Papa Doc” Duvalier, todos ditadores que utilizaram-se da mídia para abafar opositores e propagar seus regimes.

Por outro lado, líderes “democráticos” como Silvio Berlusconi (com seu poderio midiático, além do time de futebol AC Milan), Bill Clinton (e sua ligação embrionária com a rede CNN) ou mesmo Margareth Thatcher (que sabia como ninguém fazer-se valer da mídia num momento delicado da história inglesa, durante a grave crise do final da deçada de 1970) utilizam-se dos MCM para “traduzir” ações e reações governamentais que, aos olhos do público comum, não seriam entendidas – e, com isso, não lhes renderiam votos.

Todos estes souberam trocar com o público a mensagem que lhes deram a força política e a liderança necessária para governar. A similaridade deles remete ao Leviatã (o bíblico ou o de Thomas Hobbes, tanto faz), um monstro capaz de punir os egoístas que não cumprem o contrato social.

Aos que fogem da caverna, punição e incredulidade. Portanto, mantenha-se preso, olhando as sombras refletidas no fundo dela. Os grilhões, no final das contas, não incomodam tanto. Afinal, a existência de um outro mundo é uma abstração difícil de acreditar aos que preferem as sombras.

Se é assim, não perca a próxima edição do imbecilizante Big Brother Brasil. Esqueça que é escravo da vênus platinada e siga a grande falsidade em horário nobre, com Pedro Bial e suas poesias dignas de uma Reader’s Digest.

Ou... Bem, ou desligue a TV e vá ler 1984. É mais saudável.

Rodrigo De Giuli